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Os preparativos paulistas para a Copa 2014

O Brasil já vive a Copa do Mundo de 2014 e a organização do país nos preparativos para recepção das delegações está em ritmo acelerado.

Os estados que receberão partidas oficiais do Mundial estão concentrados e trabalhando para promover benfeitorias em suas infraestruturas esportivas, com o objetivo de construir e reformar centros de treinamento para receber as delegações para o evento.

O Estado de São Paulo é um dos grandes exemplos de como este proceso já está em andamento.

O governo paulista criou uma linha de crédito de R$ 300 milhões, através de um dos fundos do Desenvolve SP (Agência de Fomento estadual), para financiar projetos de hotéis, pousadas e centros de treinamento privados e públicos nas cidades que se candidataram a CTs – Centros de Treinamento de seleções.

Portanto, acredito que esta seja uma importante iniciativa, em função da organização de um megaevento esportivo, que contribui para deixar um legado de infraestrutura para as cidades e para o estado.

 

*Victor Lima é graduado em Ciência do Esporte pela UEL, e MBA em Gestão e Marketing Esportivo pela Trevisan Escola Superior de Negócios. Atualmente, é Co-Líder do Núcleo Futebol na BSB – Brunoro Sport Business.

Ele irá substituir Geraldo Campestrini nas próximas duas semanas na Universidade do Futebol, em virtude das férias do colunista.

 

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Carnes na dieta do futebolista. Qual a importância?

As carnes têm grande importância na dieta de atletas. Porém, não devem ser consumidas em excesso nem ser totalmente eliminadas do cardápio. Dúvidas: o que elas podem fazer pela saúde de um futebolista e como escolher as melhores opções?

1º) Proteínas

É fato que a dieta de atletas deve conter uma maior quantidade de proteínas, tanto para reparação de lesões das fibras musculares, quanto para pequeno fornecimento de energia durante exercícios prolongados (aminoácidos de cadeia ramificada, por exemplo).

A proteína contida nas carnes é mais disponível para esses objetivos, afinal, possui todos os aminoácidos necessários ao organismo e melhor absorção deles.

No futebol, as proteínas são primordiais, pois só elas poderão reparar os tecidos musculares lesionados por treinos consecutivos e jogos com intervalo curto de tempo.

2º) Vitamina B12

Essa vitamina do complexo B, importante para a formação do DNA e saúde neurológica, só é encontrada em alimentos de origem animal, como as carnes. Quem elimina alimentos de origem animal do cardápio, deverá fazer uma suplementação da vitamina.

3º) Ferro

A forma do ferro encontrada nas carnes é mais facilmente absorvida do que a forma encontrada em vegetais. O ferro é importante no transporte de oxigênio e sua diminuição no sangue pode causar apatia, cansaço fácil e anemia. Atletas com baixo ferro e oxigênio no sangue irão render menos em campo, pois se sentirão cansados facilmente.

4º) Zinco

O zinco é essencial na manutenção do sistema imune, saúde da pele e regulação do sistema hormonal (principalmente testosterona), então, o consumo diário de carne, mantém a concentração de zinco sempre alta no sangue.

Atletas de futebol treinam geralmente duas vezes por dia debaixo de sol, chuva, frio ou calor e isso altera muito o sistema imunológico, facilitando o aparecimento de doenças e lesões. Então, o zinco exerce esse efeito protetor aos jogadores.

Como escolher?

Para desfrutar dos benefícios das carnes e não ter prejuízos na saúde, os jogadores devem sempre escolher cortes magros de carnes (tanto brancas quanto vermelhas).

A carne branca é naturalmente mais magra e as gorduras do peixe, por exemplo, são benéficas, então, o consumo delas deverá ser maior, desde que consumidas sem pele, sem ser defumadas ou enlatadas e em preparações sem fritura e queijos amarelos.

Caso a preferência sejam as carnes vermelhas, sem problema algum também, desde que as porções sejam controladas durante o dia (elas possuem naturalmente mais gorduras ruins – as saturadas) e sejam consumidas em preparações magras (assadas, grelhadas, ao molho, cozidas, etc.).

Carnes de porco e ostras devem ser consumidos em menores quantidades, pois apesar de serem ricas em proteínas e zinco, possuem elevados níveis de gordura. Ao contrário, a carne de peru é excelente na dieta, pois é magra e rica em proteínas, ferro e zinco.

Referências:

KLEINER, Susan M.; GREENWOOD-ROBINSON, Maggie. Nutrição para o treinamento de força. São Paulo. Editora Manole, 2002.

KLEINER, SM. O papel da carne na dieta do atleta: seu efeito na inter-relação entre macro e micronutrientes. GSSI, 1998.

*Nutricionista especialista em Nutrição Esportiva & Metabolismo pela Universidade Gama Filho. Responsável pelo departamento de nutrição do Paulista F.C. de Jundiaí

Contato: www.giovanaguido.com.br

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Mudando o ritmo…

Olá, pessoal! Hoje escrevo para anunciar uma mudança. Como tudo na vida são ciclos e momentos, nosso convívio aqui neste espaço também está sujeito a isso.

Estou deixando as colunas semanais de terças-feiras. Mas não é um adeus, um tipo de vou embora, um até mais ver daqueles que a gente some. Não.

Apenas estarei assinando textos mensais neste espaço, esperando contar com os inúmeros amigos que tanto debateram, criticaram e sugeriram ao longo desse período semanalmente (às vezes por forças maiores não) nesta nova periodicidade.

Certos de que continuarei com aquilo que prezo na busca de transmitir da melhor forma possível um conteúdo ou tema para discussão, pautado em fontes confiáveis, reflexões aprofundadas e balizadas com teor cientifico, com relatos de experiências, às vezes um pouco de humor, de imaginação, enfim, de diversas maneiras a tratar temas tão significativos para o profissional que atua no futebol.

Confesso que em julho de 2008 quando aceitei o desafio de semanalmente achei que seria difícil, mas não tinha noção de quão recompensador seria ao possibilitar tratar de tantos temas com diferentes pessoas, com opiniões e experiências variadas, que só tiveram a acrescentar na minha atuação profissional.

Creio que foram mais de 150 textos, alguns gostei mais e que as pessoas não acharam bom. Outros que particularmente não gostei, mas as pessoas consideraram um texto importante.

Enfim, o que vale é que tentei estimular sempre o debate e reflexão chamando atenção para um tema que é cada vez mais presente no cenário, a tecnologia no futebol.

Agora é caprichar para que, nos nossos encontros mensais, eu continue com a confiança de sua leitura e com a certeza de nossos debates via email, redes sociais e no próprio espaço da coluna, como por alguma vezes fizemos.

Até a próxima coluna, agora por mês.

Um abraço!

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br 

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O tempo de jogo e a formação do elenco

A formação de uma equipe para a disputa de uma competição ou temporada basicamente é feita da seguinte maneira:

• Detecção dos atletas remanescentes da temporada anterior;
• Promoção de atletas das categorias de base do clube;
• Contratações diversas (de jogadores de “peso”, de carências, de indicados por empresários, de indicados pela comissão ou de indicados pela diretoria).

Com o elenco formado, a expectativa administrativa é que a relação custo x benefício obtida para cada atleta seja favorável. Um controle de competição que pode servir como uma ferramenta para o desenvolvimento da referida relação é o Controle de Tempo de Jogo.

Nele, o departamento administrativo do clube tem dados interessantes para cruzar com as demais informações de cada jogador e, dessa forma, ser mais assertivo em decisões futuras relativas à formação do elenco.

No Controle de Tempo de Jogo, diversas classificações podem ser feitas por quem gerencia a planilha. Como sugestão, quatro classificações são estabelecidas de acordo com o percentual jogado referente ao tempo total da competição. São elas:

• De 0% a 25% – Participação pequena;
• De 25% a 50% – Participação média;
• De 50% a 75% – Participação alta;
• Acima de 75% – Participação muito alta.

No clube que trabalho atualmente, mais de 76% da competição já foi disputada, o que permite uma análise prévia dos dados. Dos 32 integrantes do elenco, a quantidade de atletas para cada uma das classificações segue indicada abaixo:

• Participação pequena – 15 atletas (46,8%);
• Participação média – 8 atletas (25%);
• Participação alta – 4 atletas (12,5%);
• Participação muito alta – 5 atletas (15,6%).

Para efeito de comparação, abaixo os dados de uma equipe sub-17 no ano 2011, com 34 atletas:

• Participação pequena – 19 atletas (55,8%);
• Participação média – 4 atletas (11,7%);
• Participação alta – 5 atletas (14,7%);
• Participação muito alta – 6 atletas (17,6%).

Como último exemplo, o Controle do Tempo de Jogo de uma equipe sub-15 no ano de 2010, com 29 atletas:

• Participação pequena – 15 atletas (51,7%);
• Participação média – 1 atleta (3,4%);
• Participação alta – 7 atletas (24,1%);
• Participação muito alta – 6 atletas (20,6%).

Estes dados interpretados isoladamente possibilitam algumas análises. Entre elas, que grande parte do elenco tem uma atuação inferior a ¼ da competição. Dado pobre se não for cruzado com outras informações.

Então, para um cruzamento que proporcione informações importantes à diretoria, mais uma sugestão é apresentada: a partir da quantidade de jogadores para cada classificação do Tempo de Jogo, a definição técnico-administrativa da expectativa de desempenho para cada atleta. Voltando para o elenco profissional que trabalho, na quarta divisão do futebol paulista (sub-23 com limite de três jogadores acima dos 23 anos, por jogo), os dados técnicos são os seguintes:

Dos 15 atletas com pequena participação:

• Oito atletas têm entre 18 e 19 anos e era sabido que o tempo de participação na competição seria bem reduzido. Desses oito atletas, cinco não atuaram, dois atuaram tempos insignificantes e um atuou por 262 minutos;
• Três atletas têm 20 anos, ou seja, idade de juniores. Desses, dois atletas têm potencial e estão se adaptando a filosofia de trabalho e um atleta operou de uma lesão crônica;
• Três atletas têm 21 anos. Com esta idade, podem jogar por mais dois anos esta divisão. Dos três atletas, dois são reservas imediatos de jogadores de linha que, hoje, compõem a “espinha dorsal do elenco” (cinco atletas com participação muito alta) e um é reserva imediato do goleiro. Os três atletas já atuaram por 297, 485 e 370 minutos;
• Um atleta tem 26 anos. Atleta acima da idade limite e contratado ao longo da competição para suprir uma carência da equipe. Há 11 jogos na competição, desde que foi contratado atuou por 401 minutos.

Dos oito atletas com participação média:

• Cinco atletas têm 20 anos. Desses, esperava-se maior atuação de um atleta, porém, por não ter se adaptado ao Modelo de Jogo perdeu a condição de titular. Dois são titulares atualmente e ganharam a posição ao longo da competição e os outros dois são reservas imediatos (um já foi titular) de um das meias e de um dos zagueiros. Dois atletas tem grande potencial de negociação, ou então, de ser parte da “espinha dorsal” na competição da próxima temporada;
• Dois atletas têm 21 anos. Atletas que sabidamente seriam suplentes. Atualmente, um deles tem condição de brigar pela titularidade. Conforme mencionado, ainda podem jogar por mais dois anos essa divisão;
• Um atleta com 39 anos. Atleta de prestígio local e próximo de encerrar a carreira no clube em que foi projetado para o cenário nacional. Está fazendo sua última temporada e, pela idade elevada, era sabido que seu tempo de atuação seria reduzido. Atuou por 630 minutos.

Dos quatro atletas com participação alta:

• Dois atletas têm 20 anos e ambos possuem grande potencial de negociação. O percentual de participação de um está bem próximo da classificação “muito alta”. O outro atingiu a condição de titular na 8ª rodada e é o artilheiro da equipe;
• Um atleta tem 21 anos e também possui grande potencial de negociação. Por opção tática tem sido frequentemente substituído, o que o exclui do grupo com maior participação;
• Um atleta de 23 anos. Idade limite para jogar a competição e sua permanência está diretamente relacionada ao acesso. Como estava disputando outra competição, assumiu a titularidade quando chegou, após a 5ª rodada.

E, para finalizar, dos cinco atletas com participação muito alta:

• Quatro atletas têm 21anos. Desses, um tem grande potencial de negociação e os outros três podem compor a equipe base da temporada seguinte. Esperava-se a regularidade de desempenho destes atletas;
• Um atleta tem 23 anos. Joga esta competição como titular pelo 4º ano consecutivo (2009-2012), é o capitão da equipe e também era esperada esta regularidade. Sua permanência, porém, também está relacionada ao acesso à série A-3.

Como pode ser observado, somente alguns detalhes escaparam do planejamento inicialmente traçado. Resumidamente, da grande parte do elenco que não tem atuado, muitos são jovens com períodos de 2 a 5 anos para jogarem somente essa divisão caso o acesso não ocorra em 2012. Além disso, mesmo os jogadores titulares (salvo os atletas em idade-limite) poderão jogar esta divisão nas próximas temporadas. Sem contar o bom número de atletas do elenco com potencial de negociação.

Enfim, como tudo no futebol, a formação de um elenco é complexa e exige um bom número de decisões acertadas para ser mais uma das variáveis que apontam a favor do resultado positivo. É uma pena que muitas vezes essas decisões são banalizadas por “achismos”, opiniões sem embasamento e falta de critérios.

Os resultados desses equívocos todos nós sabemos: elencos “inchados”, caros, péssima relação custo x benefício para muitos jogadores em virtude dos altos salários para pouco tempo de atuação e, consequentemente, a mazela que atinge a grande maioria dos clubes brasileiros: as dívidas trabalhistas.

Parafraseando o executivo Ferran Soriano, ex-FC Barcelona e recém-contratado pelo Manchester City:  “a bola não entra por acaso”…

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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Penapolense, Periodização Tática e a Copa Paulista: o case de sucesso de um método

Caro leitor, tudo bem?

Caso o seu interesse na leitura deste manuscrito se resume a busca pela “fórmula mágica para o sucesso no futebol” ou ainda por “um método revolucionário de treinamento”, sinto informar-lhe que suas expectativas serão frustradas.

O título do texto foi apenas um chamariz, afinal, qualquer pessoa envolvida com futebol, gostaria de saber qual o melhor método de treinamento para o sucesso. Todavia, não se aflija. Apesar de não oferecermos uma “receita de bolo”, iremos ponderar sobre os ingredientes deste doce e os respectivos métodos de fazê-lo. Então, mãos na massa!

Conforme exposto no título (agora sim ele será justificado!), o mote deste manuscrito se dá pelas semelhanças e diferenças entre o método de treino adotado no Clube Atlético Penapolense (CAP) e aquilo que é pregado pela Periodização Tática (ou melhor, aquilo que consigo entender da Periodização Tática!).

Antes de continuar o assunto vale ressaltar que desde julho deste ano, trabalho como fisiologista e preparador físico auxiliar no profissional do CAP e que até o momento (após 13 rodadas) nossa equipe é líder do Grupo 1 da Copa Paulista (competição organizada pela Federação Paulista de Futebol, cujo campeão tem direito a uma vaga na Copa do Brasil) e apresenta a melhor campanha dentre as 28 equipes que disputam a competição (69,7 % aproveitamento; saldo positivo de 15 gols e o melhor ataque com 25 tentos marcados).

Em 2008, quando eu ainda trabalhava como preparador físico nas categorias de base do Paulínia Futebol Clube, publiquei neste portal dois textos (Evolução da periodização no futebol: uma questão epistemológica e Evolução da periodização no futebol: uma questão de sobrevivência) que tratavam sobre a evolução nos modelos de periodização para o futebol.

Na época, sob influência do professor dr. Alcides Scaglia, então mentor pedagógico do clube, dei destaque para a Periodização Tática, que para mim era algo novo e inovador já que rompia com o método tradicional (cartesiano) de treinamento, no qual os componentes físico, técnico, tático e psicológico são trabalhados de forma isolada.

Mais do que isso, esse método ia de encontro a um dos principais princípios do treinamento desportivo: o princípio da especificidade, o que me agradava muito. Desde então, continuei lendo e discutindo com colegas de profissão a respeito da temática de modo que em 2010, quando já me encontrava nas categorias de base da Associação Atlética Ponte Preta, escrevi em conjunto com o treinador William Sander um texto intitulado “Pedagogia do Treinamento 8 ou 80?” no qual fizemos uma discussão acerca do método tecnicista e o modo pautado no modelo de jogo, expondo para os leitores aquilo que fazíamos em nosso dia-a-dia na categoria na qual estávamos à frente (sub-15).

Dando continuidade à busca pelo conhecimento na minha área de atuação, em 2011, tive a oportunidade de participar como palestrante das duas edições do Curso Máster em Técnica de Campo oferecido pela Federação Paulista de Futebol em parceria com a Universidade do Futebol.

Além disso, ministrei palestras e aulas em cursos de pós-graduação pelo Brasil e encabecei o curso online oferecido pela Universidade do Futebol intitulado “O Novo Preparador Físico do Futebol”, no qual pude expor as novas tendências da preparação física na modalidade. Finalmente, no início deste ano, sob orientação da dra. Denise Vaz de Macedo e coorientação do dr. Alcides Scaglia, iniciei meu projeto de doutorado cujo tema central está voltado para a preparação física no futebol.

Bom, mas o que tudo isso tem haver com a atual campanha do CAP?

Ao aceitar a proposta para trabalhar neste clube, uma das minhas metas, além de trabalhar em uma equipe profissional, era (e é!) tirar proveito e aprender o máximo que puder com o atual treinador da equipe Edison Só, afinal, o mesmo possui um currículo respeitável com uma série de conquistas e títulos nas divisões de acesso sendo popularmente conhecido no interior do Estado de São Paulo como “Rei do Acesso” (mais informações clicar no link: http://www.grandearea.com.br/perfil_view.php?id_cadastro=12).

Paralelo ao meu trabalho de campo no CAP, participo de alguns fóruns de discussão na internet sobre preparação física no futebol e Periodização Tática (na verdade mais leio os depoimentos postados do que opino efetivamente) e tem me espantado a visão defendida por alguns colegas de profissão.

Em suma, me parece que há uma corrente um tanto quanto radical de profissionais (alguns apenas estudantes que ainda não possuem vivência prática no futebol de rendimento) que defendem a Periodização Tática como uma panaceia do treinamento, ou seja, um método revolucionário que parece ser a solução para todas as mazelas do nosso esporte bretão (ou boa parte delas).

Como tenho contato com este modelo há pelo menos quatro anos e atualmente trabalho em um clube que não se utiliza do mesmo (aliás, não conheço nenhum clube que aplica a periodização tática ‘ipsis literis’) resolvi aproveitar essa nova experiência no CAP para emitir meu parecer sobre tema tão polêmico.

Com o intuito de tornar a discussão mais didática, classifiquei as atividades realizadas pela nossa equipe desde o dia 9 de julho até nosso último jogo no dia 08 de setembro conforme segue abaixo.

As porcentagens de cada atividade correspondem ao número de vezes que aquela atividade aconteceu frente ao número total de atividades, independente da duração das mesmas. Vale ressaltar que as porcentagens correspondem àquelas realizadas pelos atletas que participaram mais de 45 minutos nos jogos disputados. A estreia na competição se deu no dia 21 de julho.

JOGOS – 17,1% – Entende-se por “Jogos” os amistosos (1) e os jogos oficiais (11) realizados no período analisado;

BOLAS PARADAS – 17,1% – Entende-se por “bolas paradas” cobranças de faltas laterais (ofensivas e defensivas) bem como escanteios (ofensivos e defensivos);

JOGOS DESPORTIVOS COLETIVOS – 15,7% – Entende-se por “Jogos Desportivos Coletivos” atividades em contexto de jogo, ou seja, com situação de oposição e cooperação, nas quais algumas regra do jogo oficial foi manipulada ou acrescentada. Alguns exemplos de atividades deste tipo são: a) 7×7 em metade do campo, só vale dar dois toques na bola; b) Coletivo Regrado: 11×11 em campo oficial, atrás da linha 4 e a frente da linha 2 só vale dar dois toques na bola e entre a linha 4 a linha 2 só vale dar um toque na bola. Coletivos não entraram dentro desta classificação;

TREINAMENTO FÍSICO – 15,7% – Entende-se por “Treinamento Físico” as atividades fora do contexto de jogo, que visam otimizar alguma capacidade física em específico. Basicamente os treinos físicos foram compostos por atividades na sala de musculação visando ganhos de força, trabalhos de potência/velocidade através de treinamento complexo e trabalhos proprioceptivos/core. Não foram computadas as atividades regenerativas realizadas no dia seguinte ao jogo (ex. atividades na piscina, massagem, etc);

RECREATIVOS – 12,8% – Entende-se por “Recreativos” treinos em contexto de jogo com
um forte caráter lúdico realizados em metade do campo, variando de 11×11 a 13×13 nos quais só é permitido dar dois toques na bola e as posições de origem dos atletas não são respeitadas (goleiros jogam na linha e jogadores de linha vão para o gol). Geralmente estes treinos acontecem com um dia de antecedência aos jogos;

TÉCNICO – 11,4% – Entende-se por “Técnico”, treinos cujo principal objetivo é aprimorar algum gesto técnico: cruzamento, finalização, cabeceio, etc. Vale ressaltar que alguns trabalhos deste tipo são realizados com oposição e contexto de jogo (exemplo: cruzamento ofensivo a partir de jogada lateral com posterior transição ofensiva da equipe que está defendendo) e outros não;

COLETIVO – 10% – Entende-se por “Coletivo”, treinos com as regras do jogo oficial.

De acordo com o exposto acima, podemos observar que há uma mescla de atividades de modo que o modelo adotado não se adequa à Periodização Tática. Podemos observar ainda que quando comparamos os treinos realizados em contexto de jogo (Jogos Desportivos Coletivos + Coletivos + Recreativos + Bolas Paradas = 55,6%) com aqueles fora do contexto de jogo (Treinamento Físico + Treinamento Técnico = 27,1) os primeiros prevalecem.

Isso reforça que a utilização de atividades em contexto de jogo é a principal ferramenta de aprendizagem e incorporação dos conteúdos objetivados ao longo do processo, enaltecendo a tomada de decisão em contexto de jogo e a busca pelo jogador inteligente.

Vale ressaltar que os jogos oficiais apresentam uma importância muito grande dentro do processo de modo que, além de apresentarem uma alta frequência (a maior porcentagem junto com as “bolas paradas”), funcionam como uma ótima ferramenta de treino, pois permite que uma série de ajustes e aquisição de conteúdos específicos.

Tanto isso é fato que nas semanas em que tivemos jogos aos domingos e quartas, o tempo hábil para aquisição de novos conteúdos foi muito baixo e o próprio jogo se encarregou disso.

Como o modelo adotado tem se mostrado eficaz, para aqueles que se interessam por “receitas de bolo” no treinamento, ou métodos revolucionários, basta aplicá-lo em suas respectivas equipes que os resultados com certeza irão aparecer. Aqui está o ponto chave da nossa discussão.

Será mesmo que podemos simplificar toda a complexidade que envolve o treinamento de uma equipe de futebol a um modelo “X” ou “Y” ou um tipo de treino que seja mais ou menos eficaz do que outro? Será que é possível elencarmos o fator mais importante para o sucesso de uma equipe? Ou o resultado depende de uma série de fatores que vai desde a montagem do elenco, comissão técnica passando pela estrutura disponível, alimentação, repouso, etc? (para os interessados em saber mais sobre o assunto recomendo a leitura do livro “A bola não entra por acaso” de Ferran Soriano, ex-presidente do Barcelona e recém-contratado pela equipe do Manchester City).

Definitivamente o sucesso de uma equipe depende de uma infinidade de fatores e a metodologia de treino adotada possui grande importância dentro do processo. Todavia devemos tomar cuidado com fanatismos e radicalismos.

Para aqueles que acompanham nossos textos desde 2008, continuo com a opinião de que a Periodização Tática é um modelo de periodização específico para o futebol que indubitavelmente revolucionou a ciência do treinamento na modalidade e apresenta uma série de princípios bastante lógicos.

Todavia está longe de ser a panaceia que alguns estão alardeando, até porque alguns princípios pregados na sua base epistemológica são comuns a outros métodos de trabalho pautados nos jogos desportivos coletivos que já eram utilizados bem antes da sua padronização no ano 2000.

Também continuo com a opinião de que o preparador físico deve cada vez mais entender da modalidade (e seus aspectos técnico-táticos visando o princípio da especificidade) e não apenas de capacidades físicas isoladas e métodos de recuperação.

Atualmente, mesmo trabalhando como fisiologista e preparador físico auxiliar, faço scout da nossa equipe nos jogos da competição e todos da comissão técnica discutem abertamente os resultados obtidos. Todavia, apesar desta integração e a incessante busca pela especificidade acho temerária a ideia de não realizar trabalhos físicos fora do contexto de jogo (principalmente no que diz respeito à força, core, propriocepção e potência/velocidade).

Cabe a nós, profissionais da área, nos adaptarmos às diferentes metodologias de trabalho e contribuirmos com aquilo que podemos agregar através da nossa formação em prol do objetivo comum que é vencer (em se tratando de profissional).

O futebol e sua complexidade permitem que isto aconteça e não fiquemos presos/engessados em modelos “X” ou “Y”. Gostaria de reforçar que o principal intuito deste texto é a reflexão e não a defesa de um determinado modelo de treinamento. Simplesmente aproveitei o contexto da nossa equipe para fomentar a discussão.

Espero que os resultados positivos continuem acontecendo não apenas na Copa Paulista, mas também no Paulistão 2013 quando enfrentaremos as melhores equipes do estado.

Para terminar, gostaria de utilizar uma frase do neurocientista Antônio Damásio extraído do documentário “Futebol Inteligência Coletiva”:

“Cada jogador deve ter uma ideia de como funciona o conjunto e um bom treinador deverá saber transmitir esta ideia geral para que o jogador saiba onde se encaixar, qual a sua contribuição e qual a sua relação com aqueles com quem ele interage”.

Um forte abraço a todos e até a próxima!

* Bacharel e licenciado em Treinamento Desportivo, mestre em Biologia Funcional e Molecular – IB, especialista em Bioquímica, Fisiologia, Treinamento e Nutrição Desportiva e membro do Laboratório de Bioquímica do Exercício – Labex, pela Unicamp. Atualmente trabalha como fisiologista e preparador físico auxiliar no profissional no Clube Atlético Penapolense

Contato: buscariolli80@hotmail.com

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Construindo uma forma de jogar – Guia de treino para iniciantes

Resenha

O livro “Construindo uma forma de jogar – Guia de treino para iniciantes” é um e-book em formato digital, dinâmico e gratuito, voltado a todos os que desejam atuar como treinadores de futebol, sejam eles estudantes ou que já têm alguma experiência como profissional.

O conteúdo é bastante didático e explicativo e conta com muitos exercícios de treinamentos no campo e aulas gratuitas sobre a organização tática.

A importância do treino na formação do atleta e da equipa; a relação entre o treino e a competição; a idealização do treino; introdução aos princípios do treino; as fases do jogo no futebol; esquemas gerais para as várias fases do jogo; o controle emocional no futebol e concentração psicológica; são alguns dos temas abordados nesta obra.

“Teoria do Futebol pretende que cada leitor tenha o melhor acesso a um conjunto de temáticas, com desejo de refletir sobre elas e os seus autores, que procure atualizar toda a informação e aprendizagem conseguida, que critique, mas mais do que isso, que não leve cada palavra como uma verdade universal e Impermutável”, diz o autor em seu prefácio.

Como foi publicado no mundo virtual, este livro disponibiliza toda sua informação sem qualquer tipo de custo, basta apenas baixá-lo no endereço www.teoriadofutebol.com.

Sobre o autor

Valter Donaciano Correia é fundador e administrador do site Teoria do Futebol

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A tragédia de Hillsborough: lição dos ingleses para o mundo

Nesta semana, o governo inglês divulgou relatórios oficiais referentes à tragédia ocorrida em 15 de abril de 1989, em Hillsborough, em uma partida entre Liverpool e Notthingham Forest e que culminou com a morte de 96 pessoas esmagadas e pisoteadas.

Os documentos apontam que uma série de erros operacionais contribuiu para a extensão e gravidade da tragédia. Houve tentativas de se colocar a culpa nos torcedores e esta transferência de responsabilidades tornou os espectadores extremamente vulneráveis.

Ademais, a polícia inglesa perdeu o controle da situação e demorou a perceber e compreender que o desespero das pessoas que forçaram as grades da beira do campo se dava porque estavam sendo esmagadas e protegiam as suas vidas. Apesar disso, parte da polícia, ao invés de auxiliar os torcedores, formou um cordão de isolamento no meio do campo.

O estopim do tumulto se deu porque os torcedores do Liverpool com ingressos comprados não conseguiram entrar no estádio e, com o início da partida, houve empurra-empurra do lado de fora e um dos portões foi aberto.

Neste momento, a multidão dirigiu-se à ala central onde não havia mais lugares (deveria ter sido conduzida às laterais) e os torcedores que estavam junto ao alambrado foram esmagados.

A referida tragédia levou as autoridades inglesas a darem maior atenção à segurança nos estádios de futebol. Assim, empreendeu-se então uma verdadeira cruzada para a solução do problema.

Em 1990, um inquérito oficial do governo, o relatório Taylor, determinou grandes transformações nos estádios daquele país. Por causa desse relatório e dos efeitos da tragédia, os estádios ingleses eliminaram as “gerais”, onde os torcedores ficavam de pé.

A partir dos anos 90, todos os campos da Inglaterra passaram a ter apenas cadeiras numeradas. As grades foram removidas e os torcedores voltaram a acompanhar as partidas sem qualquer separação para o gramado.

Os torcedores arruaceiros passaram a ser severamente punidos. Os preços dos ingressos subiram e as catracas e portões receberam dispositivos de segurança.

Câmeras de vídeo foram instaladas em todas as arquibancadas, com monitoramento permanente pela polícia. Houve reforma ( e até reconstrução) dos estádios, que se tornaram mais seguros e confortáveis.

As intervenções surtiram efeito no controle da violência e no resultado desportivo e financeiro dos clubes ingleses que, organizados em uma liga independente, assumiram o comando de seus campeonatos. Renegociaram os direitos de televisão e ganharam muito dinheiro.

Diante do exposto, os ingleses utilizaram a tragédia como mote para reestruturar seu futebol e torná-lo um dos mais seguros e rentáveis do mundo, dando aos demais países uma lição de superação, organização e competência.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Futebol de várzea

O futebol, no Brasil, surgiu com o futebol de várzea, quando os campos ainda não eram regulamentados nem tinham algumas regras, como escanteio ou tiro de meta. Jogado geralmente em terra batida, eles se localizavam às margens do rio Tietê, por isso campo de várzea.

Foi a origem de muitos clubes famosos hoje e, é importante para a história e para a essência do futebol atual, saber do passado do futebol brasileiro e manter suas peculiaridades.

Hoje, o campo de terra batida está sendo extinto e substituído pelo futebol society e por gramas sintéticas. Não sou contra este tipo de equipamento, mas é legal manter um pouco da história, um pouco de tradição.

Quase todos os campos pensam em desenvolvimento tentando buscar esse futebol mais industrializado. Os campos de grama artificial, padronizados, tiram um pouco o espírito de raça e determinação que formam o caráter de muitos jogadores de periferia – local onde hoje está a maioria dos campos de terra.

O futebol de várzea é repleto de particularidades, de identidade, originalidade e cada um da sua forma, conforme seu terreno, suas condições financeiras e conforme a personalidade do time que joga ali.

Podemos imaginar vários tipos de bolas, marcações, campos, uniformes (com camisa e sem camisa, por exemplo), traves.

Surgiu disso, por exemplo, o Estrelas da Várzea, um estudo que busca ver formas engraçadas e particulares desses campos, com formatos extremamente fora dos padrões e medidas convencionais (retângulos de 90m-120m por 45m-90m), projeto do jornalista José Ricardo Yoshiga Souza.

Acima, campo no bairro Capão Redondo, em São Paulo, onde o sentido do campo, além de ter medidas bem menores, ainda tem o sentido do retângulo invertido, com as traves dispostas nas laterais maiores. Abaixo, campo no encontro da avenida Radial Leste com a avenida Aricanduva, onde um dos escanteios é modificado por conta da via existente.

Sempre considerei fundamental registrar e levantar dados de como era a estrutura do futebol antigamente e não somente falar sobre os estádios contemporâneos e mega arenas tecnológicas.

São estudos como este que me alimentam a vontade de iniciar uma pesquisa mais a fundo a respeito da história e das relações desse futebol com a formação do brasileiro e com influências sociais.

O projeto Estrelas da Várzea tem página no Facebook, no qual cada um pode indicar campos com formas e soluções bizarras e inusitadas. Visite a galeria.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

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O investimento planejado no esporte: uma visão a longo prazo

O esporte é considerado uma plataforma completa de comunicação e interatividade. Comunica entretendo, a emoção é sua matéria-prima, e sua imprevisibilidade cria um ambiente de expectativas/emoções em torno da competição, prova e/ou partida a ser disputada. Ou seja, o esporte é um atalho para a marca na construção do pilar emocional.

Os objetivos do patrocínio esportivo permeiam desde a simples visibilidade e transmissão de valores, até o alcance de novos mercados, relacionamento, responsabilidade social, endomarketing, pesquisa e desenvolvimento, entre outros. Desta forma, a empresa que deseja investir no esporte precisa, antes de tudo, ter os objetivos bem claros em uma visão a longo prazo.

Com os objetivos assim definidos, é necessário selecionar as propriedades esportivas que tenham associação com o DNA da marca e, posteriormente, criar um planejamento de marketing integrado a longo prazo. Construir a imagem da marca no esporte requer atitudes consistentes, adequação da mensagem e, sobretudo, continuidade.

Os principais pilares para o investimento saudável no esporte são:

•Diagnóstico da Marca
•Plano de Ação (Estratégico e Tático)
•Ativação/Implementação
•Mensuração/Acompanhamento dos Resultados

Em uma ação de patrocínio esporte, mais do que a empresa se comunicar como patrocinadora, é necessário usar as ações para reforçar os valores da marca. É preciso criar uma associação verdadeira com o DNA da marca que seja ao mesmo tempo relevante para o consumidor/público-alvo, sempre pensando no legado deixado pela marca.

Por fim, é extremamente importante monitorar os resultados e mensurar o retorno de todas as ações executadas do planejamento de marketing esportivo para, eventualmente, melhor direcionar e orientar as ações.

*Victor Lima é graduado em Ciência do Esporte pela UEL, e MBA em Gestão e Marketing Esportivo pela Trevisan Escola Superior de Negócios. Atualmente, é Co-Líder do Núcleo Futebol na BSB – Brunoro Sport Business.

Ele irá substituir Geraldo Campestrini nas próximas duas semanas na Universidade do Futebol, em virtude das férias do colunista.
 

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Renê Simões fala sobre a parceria do SPFC com a Universidade do Futebol

Confira abaixo o vídeo publicado em 10/9/2012