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Decisões interativas

O coletivo é mais e “maior” que o atleta. Assim como o clube é mais importante que qualquer atleta. A filosofia da equipe está acima dos ideais do treinador e dos atletas. Porém, não podemos esquecer que é a soma de tudo isso que resulta no TODO. O coletivo é feito de indivíduos. Parece algo banal falar isso, quase que um clichê. Mas entra como uma condição indispensável para o entendimento da complexidade de tudo que envolve o mundo desse esporte.

Mas como treinador, falo que se não houver um esforço completo do atleta, a fim de se cumprir o proposto, o coletivo está fadado ao fracasso.

Se o “local” não for exigente, o “global” será exigido. Se o setor onde está a bola não quiser ficar com ela, ela poderá sair dali e ir para outro lado. Se o setor onde está a bola deixar, ela poderá causar estrago ali ou, como efeito “cascata”, no lado oposto.

A organização coletiva e/ou setorial de uma equipe somente faz sentido se a organização individual for bem executada, eficiente e eficaz durante o jogo, pois sofrerá com as frequentes situações (da própria equipe ou advinda do adversário) que colocam em prova sua organização. Precisa-se ter como preocupação a tomada de decisão de cada atleta em cada momento do jogo fazendo com que o atleta perceba que a sua decisão e a sua ação são extremamente importante, independente do local ou momento do jogo, para o bem da equipe, para que o desenvolvimento do jogo seja favorável à equipe, defensiva e ofensivamente. Nada além do que decisões interativas.

Contudo, cabe ao gestor de pessoas e do processo induzir, encaminhar, convencer e influenciar as ações dos atletas para o objetivo comum. Concomitante a isto, cabe a esse mesmo personagem organizar a equipe individualmente e coletivamente, no intuito de jogar “bem”, jogar melhor que outras equipes (que também contém esse emaranhado de sistemas) e vencer suas competições. Falei sobre o que é esse jogar “bem” em alguma coluna atrás. O treinador necessita compreender e desenvolver a ação tática no treino, que é uma interação funcional entre o(s) atleta(s) e o envolvimento do jogo, tendo em vista um determinado propósito COLETIVO. Tomar decisões é permitir mudanças ao longo de um curso de interação com o contexto, visando um objetivo. As mudanças na relação com o contexto podem ter origem predominantemente no atleta, mas resulta sempre da interação entre atleta e contexto.

Ações interativas.

Ação tática pretende acrescentar uma noção de dinâmica de uma sucessão interdependente de atos, ou de relações que se estabelecem numa competição para atingir um determinado objetivo.

Em um pensamento mais técnico: ação tática é sinônimo de comportamento decisional, ou seja, uma sequência interdependente de decisões e ações que devem ser tomadas em tempo útil, num contexto em mudança e para determinado fim.

O sucesso de um clube depende de suas vitórias, da classificação nos campeonatos e de títulos. E precisamos compreender que isso depende de todos os personagens que envolvem este “mundo”.