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Entre o Direito e a formação da base

Chegamos a nossa terceira semana de 2018 juntos aqui no “Entre o Direito e o Esporte” e hoje vamos continuar com o “Especial Copinha 2018”. Dessa vez vamos conversar sobre o que é conhecido aqui como “indenização por formação”, ou lá fora como “compensação por treinamento” – training compensation.
Esse tema faz parte do que a gente tem conversado nessas últimas semanas. Um clube formador precisa se sustentar, né? E é aí que a “indenização por formação” entra em cena e dá um importante reforço no caixa dos clubes brasileiros – é, claro, quando são bem geridos. Ainda mais no meio de uma Copa São Paulo que é sempre uma vitrine para jogadores aparecerem no mercado. Aliás, quem não lembra de pelo menos uma história de sucesso? Do Valdívia brasileiro lá no Rondonópolis ao Fabinho do Mônaco ainda no Paulínia.
Para deixar esse tema mais tranquilo, hoje vamos conversar sobre o que é o “período de formação”, o que é um “contrato de formação”, e o que é a “indenização por formação”. Resumindo bastante, você vai ver aqui hoje qual é aquele período em que o jogador é considerado um “atleta de base” mesmo, que tipo de contrato ele assina (ou deveria assinar) com o seu clube, e o que acontece quando ele é transferido para outro lugar – seja para outro time daqui, ou para um time de fora. Assim até dá para você trocar uma ideia com o pessoal da base do seu time ou mesmo em casa quando surgir a próxima estrela.
Bora?
Formando pessoas e craques, o que é o “período de formação” no futebol? É o começo do esporte de rendimento. É aquele tempo em que o treinamento de base foca no atleta como pessoa e como jogador. Tipo aquela história que a gente vê nos programas de TV, sabe? A gente tem que estudar e também cuidar do corpo, senão a gente vai ter um monte de problemas depois – e viva o bem-estar. Com o jogador é a mesma coisa!
Nesse “período de formação”, o atleta tem um acompanhamento físico, técnico e tático específico. Assim o jogador “ganha corpo”, melhora nos fundamentos do jogo (como no passe e no chute), e aprende uma posição – ou seja, aprende a “jogar bola” de verdade. E, também, tem (ou deveria ter) um acompanhamento psicológico e social. Afinal, como falamos semana passada, o atleta também é uma pessoa, né? E isso é essencial no esporte.
É aí que se forma o jogador e a pessoa para a vida de “gente grande”. E para que isso aconteça, o planejamento é importante e leva em conta várias formas de preparação do atleta para o futuro. Atleta que pode ser desde uma criança de 12 anos até um adulto de 21 anos. É por isso que esse “período de formação” é base do jogador de futebol na vida.
E sabendo disso é que a FIFA em seu programa “FIFA 2.0” diz que o objetivo é sempre desenvolver o futebol respeitando o outro. É aí que entra a ideia do contrato de formação para o futebol de base. Afinal, o atleta em formação ainda não é um profissional da bola, só que muitas vezes é tratado assim.
O contrato de formação serve para dar segurança (jurídica) ao clube e ao atleta. É o documento que deixa a relação clube-atleta clara. E, com isso, evita o trabalho infantil, o “trabalho análogo à escravidão“, e o tráfico de menores no futebol. Assim, separa os clubes que tratam o atleta como “só jogador” daqueles que tratam ele também como pessoa.
No Brasil, o contrato de formação pode ser assinado durante uma parte do “período de formação” – entre os 14 e os 20 anos. E quando o jogador assina esse contrato, ele passa a receber uma bolsa durante sua formação na base e outros auxílios como convênio médico e odontológico. É como se fosse um “menor aprendiz” em uma empresa, sabe?
Do lado dos clubes vale a pena também, já que o clube formador tem a preferência quando o jogador vai assinar seu primeiro contrato profissional – mesma coisa na primeira renovação desse contrato por até mais três anos. E se mesmo assim o atleta sai por uma oferta de outra equipe, o clube formador recebe uma indenização (dinheiro). É aquela situação que todos ganham um pouco, sabe? Mesmo que o clube não segure o jogador, pelo menos tem a garantia de receber alguma coisa em troca da formação daquele atleta.
Agora que a gente já viu um pouco sobre o “período de formação” e o contrato de formação, vamos falar sobre a indenização por formação ou compensação por treinamento. A ideia por trás disso é manter o atleta no clube ou garantir que quem forme o atleta tenha um retorno financeiro quando o jogador vai atuar em outro lugar. Assim, o pré-requisito é que o clube seja formador e tenha o Certificado de Clube Formador (CCF) emitido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) – que vimos semana passada. É o que o clube recebe por fazer “o mínimo do mínimo” na formação do atleta.
Aqui as regras variam um pouco se o atleta sai para um clube brasileiro ou de fora.
Para um clube brasileiro. Se for antes da assinatura do primeiro contrato profissional, o valor chega a 200 vezes o custo da formação do jogador. Se for durante a renovação do primeiro contrato profissional, chega a 200 vezes o salário mensal proposto pelo formador.
Para um clube de fora. É um valor fixo por ano de formação de acordo com a categoria do clube em um ranking feito pela FIFA. A compensação para clubes brasileiros em 2017 era de 2 mil dólares a 50 mil dólares por ano de formação do atleta no clube.
Seja como for, é um caixa que dá um fôlego para o seu clube. O que é bem-vindo, né?
É por isso que vale a pena ser um clube formador. Quando o clube cuida da sua base, garante que seus atletas se desenvolvam como pessoas e como jogadores. E mesmo quando o seu clube não pode aproveitar um jogador, recebe um dinheirinho que ajuda a investir na base e até mesmo dar um fôlego no caixa do clube.
Espero que tenham gostado de mais uma semana do “Entre o Direito e o Esporte”, e nos vemos semana que vem aqui para a última coluna do “Especial Copinha 2018” – que vai ser sobre mais uma vantagem de investir no futebol de base, o mecanismo (ou contribuição) de solidariedade. Convido vocês para falarem comigo por aqui ou pelas redes sociais com qualquer dúvida ou ideia. Um bom final de semana a todos, e até a próxima!

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Entrevistas

Marina Vidual – psicóloga na Associação Atlética Ponte Preta

A psicóloga Marina Vidual, 26, costuma dizer que o futebol ajuda a desenvolver no mínimo a resiliência. Afinal, é difícil sobreviver num meio que ainda vê com ressalvas o trabalho de uma série de profissionais – o dela, por exemplo – e que tem peculiaridades em quase todas as relações pessoais – como a permissividade com o machismo ou as portas fechadas para mulheres.
Há dois anos, contudo, Vidual sobrevive. Trabalha como psicóloga das categorias de base da Ponte Preta, time de Campinas (SP) – lida diretamente com atletas dos times sub-13, sub-14, sub-15 e sub-17. Adepta de análises de comportamento, tenta lidar com a resistência do meio e participar de intervenções que não sejam apenas focadas na evolução de desempenho dos jogadores.
“Queremos um atleta vencedor no esporte, mas principalmente na vida. Além da formação esportiva, um atleta que seja um cidadão de bem e um agente de transformação social. Com valores, hábitos saudáveis, formação educacional e esportiva adequada, desenvolvidas de forma integral”, disse a psicóloga em entrevista à Universidade do Futebol.
O caminho até os objetivos de Vidual tem uma série de intempéries. Ela precisa superar, por exemplo, a desconfiança sobre o trabalho de sua área, a falta de investimento nessa seara em times de base e a própria relação de jogadores com agentes externos (famílias, agentes e relacionamentos amorosos, por exemplo). No bate-papo a seguir, a psicóloga explica um pouco as diretrizes do que está sendo construído na Ponte Preta e as dificuldades que o departamento tem encontrado.
 
Leia a seguir os principais trechos da conversa:
Universidade do Futebol – Quais são as bases teóricas de seu trabalho?
Marina Vidual – Sou analista do comportamento. Temos alguns importantes teóricos da psicologia do esporte, como Weinberg e Gould e Garry Martin, que trabalha na vertente comportamental.
Universidade do Futebol – E no futebol, quais são suas referências?
Marina Vidual – No Brasil temos algumas referências de psicólogos do esporte – tanto aqueles que estão mais relacionados com a pesquisa, como Brandão, Machado, Rubio e Samulski, quanto alguns profissionais da prática (Samia Hallage, Eduardo Cillo e Carla de Pierro, por exemplo). Tenho bastante contato com outros psicólogos que também trabalham com futebol de base, e sempre que podemos conversamos e trocamos algumas experiências. Outra fonte de inspiração é minha orientadora, Paula Fernandes, professora vinculada a FEF-Unicamp, que coordena o GEPEN (Grupo de Estudos em Psicologia do Esporte e Neurociências). Realizamos encontros semanais e diversos profissionais relacionados ao esporte participam. As discussões são muito ricas.
Universidade do Futebol – Quais são os conteúdos/temas discutidos com atletas que trabalham com você?
Marina Vidual – O trabalho do departamento de psicologia no clube tem como objetivo a melhora do desempenho esportivo, sendo que o principal foco está no auxílio para o desenvolvimento integral do atleta/indivíduo. Em todo ano realizamos uma avaliação psicológica com os atletas que é pautada em diferentes métodos: aplicação de instrumentos; observação em treinos e competições; entrevistas individuais. O principal objetivo dessa análise é o levantamento de dados e aspectos particulares dos atletas, o desenvolvimento das habilidades psicológicas e a obtenção de uma avaliação global, compreendendo o desenvolvimento, capacidades e habilidades dos atletas. Durante a observação de treinos e competições buscam-se dados referentes a alguns aspectos importantes: comunicação, emoções, comportamentos alvos e atitudes, persistência, intensidade, áreas de conflito. É na entrevista individual do atleta que aplicamos uma espécie de anamnese, buscando informações referentes a seu percurso no futebol, história de vida, questões familiares, de saúde, escolar. Com relação às intervenções, ocorrem atividades em grupo, que podem ser conversas informativas e reflexivas, dinâmicas de grupo e algumas intervenções com vídeos e filmes. Também realizamos o acompanhamento da rotina dos atletas em treinamentos e competições. Ocorre o treinamento de habilidades psicológicas com os atletas (através de intervenções com práticas e ensino de técnicas), buscando desenvolver os aspectos psicológicos que estão diretamente relacionados ao seu desempenho, além de psicoeducação de temas importantes, intervenções individuais e atendimentos pontuais. Afora o trabalho direto com os atletas, temos ações em conjunto com as comissões técnicas, prestando orientação e assessoria e ao mesmo tempo discutindo alguns casos.
Também temos estruturado no clube o “Projeto Valores na Macaca”. Trata-se de um projeto interdisciplinar que envolve as áreas de serviço social, pedagogia e psicologia. Os encontros ocorrem quinzenalmente e são realizadas palestras com temas diversos como sexualidade, respeito e convivência, prevenção de drogas, doping, regras do futebol e também algumas atividades práticas como a vivência de entrevistas esportivas, nas quais os atletas assumem papel de entrevistador e entrevistado, e encontros, conversas e trocas de experiências com atletas profissionais e ex-atletas.

Imagem: Arquivo Pessoal

 
Universidade do Futebol – Do ponto de vista da sua área de atuação, o que você considera necessário desenvolver em jovens atletas de futebol?
Marina Vidual – O principal objetivo do psicólogo do esporte é entender como os fatores psicológicos influenciam o desempenho físico e também compreender a via oposta (como o esporte pode influenciar e desenvolver os aspectos psicológicos). Quando nos referimos aos aspectos psicológicos estamos falando de habilidades que são cognitivas – atenção, raciocínio, tomada de decisão, processamento de informação – e emocionais – ansiedade, estresse, agressividade.  O primeiro ponto importante é que não podemos e não temos como separar o indivíduo do atleta. Se o indivíduo se desenvolve pessoalmente, com certeza isso também terá influência no atleta. No trabalho com as categorias de base precisamos ter um olhar especial para a formação desses jovens, com foco na formação global e integral do ser humano como um cidadão de bem e agente de transformação social. A partir do momento em que se investe numa formação sólida (valores, hábitos saudáveis, autoconhecimento, educação, obviamente aliados ao desenvolvimento esportivo), é maior a probabilidade de sucesso esportivo alicerçado no benefício pessoal. Precisamos entender o atleta de forma integral, levando em consideração emocional, cognitivo, social, fisiológico, comportamental. Acredito muito que com o desenvolvimento global o desenvolvimento esportivo é otimizado, proporcionando assim que o atleta alcance seu rendimento máximo.
A psicologia aplicada desde a base aumenta a qualidade de habilidades psicológicas na vida do jovem que está se formando como atleta, mas principalmente como pessoa. Proporciona também desenvolver seu autoconhecimento – existe uma relação direta entre o papel do atleta e a formação de sua identidade.
Universidade do Futebol – Como é a relação entre seu trabalho e as outras áreas que lidam com os atletas?
Marina Vidual – De um modo geral essa relação é boa. A psicologia ainda é vista com certa resistência por alguns profissionais e pessoas relacionadas ao futebol (alguns técnicos, dirigentes, atletas). Acredito que essa resistência está relacionada, principalmente, com a falta de conhecimento e de informações referentes à área e ao trabalho que é realizado. Ainda é bastante comum a confusão entre prática clínica e prática da psicologia do esporte. Em outras modalidades, vejo que a psicologia do esporte já está um pouco mais consolidada em comparação com o futebol. Percebo também que nas categorias de base essa cultura e essa visão estão em transformação: os profissionais com os quais trabalho sempre buscam informações comigo, perguntam sobre alguns atletas, e algumas vezes até os encaminham (quando percebem algum tipo de mudança de comportamento, queda de desempenho). Podemos perceber que os atletas, quando têm esse tipo de acompanhamento durante a formação, chegam ao sub-20 ou à equipe profissional mais críticos com relação ao trabalho e com menos preconceitos com relação à psicologia no futebol.
Imagem: Arquivo Pessoal

 
Universidade do Futebol – E a relação com os pais de atletas? Quais diretrizes norteiam esse contato?
Marina Vidual – É uma relação muito boa. O departamento que possui maior interação com os pais é o departamento psicossocial, e esse primeiro contato ocorre através da entrevista de admissão do atleta. Nesse momento, acontece uma conversa com os pais/responsáveis pelo atleta explicando como será a rotina no clube, apresentamos o CT e realizamos uma entrevista psicossocial abordando alguns temas que consideramos importantes, como relação familiar, gestação e desenvolvimento do atleta, questões relacionadas à saúde, questões escolares, condições financeiras da família. Esse primeiro contato estabelece um importante vínculo entre clube e família. Alguns atletas vão muito cedo morar em um alojamento (a partir de 14 anos), e esse contato com as famílias é muito importante. A família precisa ter confiança no clube e nos profissionais envolvidos com a formação de seu filho.
Na reapresentação dos atletas neste ano, tivemos o I Encontro Família e Escola: “Base para Ponte”, no qual convidamos pais e responsáveis, além de diretores e coordenadores das escolas parceiras, para apresentar o projeto de trabalho do ano.

 
Universidade do Futebol – De acordo com sua experiência, quais são os pontos positivos e negativos da influência de agentes externos (pais, empresários, amigos, cônjuges etc.) no processo de formação dos jogadores? Como você atua nesse contexto?
Marina Vidual – Nas categorias em que trabalho, a presença, participação e apoio da família são fundamentais. Nesse caso, um ponto negativo é quando a família deposita todas as suas esperanças de ascensão financeira no atleta ou quando cobra excessivamente por resultado e desempenho. Tivemos um problema com o comportamento de torcer dos pais na estreia do Campeonato Paulista sub-13: fizemos uma reunião educativa e a construção de uma cartilha “Como torcer para meu filho?”. Na maioria dos casos, as relações com amigos e namoradas são bem estabelecidas e não apresentam muitos pontos negativos. Com relação aos empresários, por orientação do clube não temos nenhum tipo de interação. Nessa relação entre atleta e empresário, percebo que muitos empresários estão interessados apenas no desempenho do atleta, oferecendo ajuda de material esportivo, viagens para casa de final de semana e em alguns casos auxílio financeiro a atleta ou família. Poucos são os empresários que estão preocupados em investir na formação desse atleta como pessoa.
Universidade do Futebol – Existe algum documento orientador/diretriz metodológica no clube em que você trabalha?
Marina Vidual – Sim, é um documento que contém informações referentes à reestruturação da base a partir do método Ponte Preta de formação de jogadores. Esse documento aborda principalmente as questões técnicas e de treinamento, bem como o foco do trabalho a ser realizado com cada categoria. Estamos em fase de discussão para criar um documento orientador específico para o departamento de psicologia, algo estruturado do que é importante desenvolver e abordar com cada categoria.
Universidade do Futebol – Quais são as maiores dificuldades no exercício do seu trabalho?
Marina Vidual – Os maiores obstáculos encontrados acontecem pelas dificuldades de compreensão do trabalho. Muitas vezes tentam encontrar apenas um motivo determinante para uma derrota (por exemplo, “não estavam psicologicamente preparados” ou “não estavam fisicamente preparados”) em vez de ter uma visão mais sistêmica. Diferentemente dos atletas profissionais, com os atletas da base é mais fácil trabalhar a desconstrução de preconceitos relacionados à psicologia (“psicólogo é para louco ou para quem tem problema”). Outro grande desafio da prática profissional é saber interpretar um ambiente tão peculiar como o futebol, que além de ser exclusivamente masculino – muitas vezes passamos por situações machistas – funciona como um sistema vivo, possuindo um conjunto de relações que são fundamentais para entender as questões e relações de poder.
Imagem: Arquivo Pessoal

 
Universidade do Futebol – Do que você mais gosta no exercício do seu trabalho?
Marina Vidual – Sou muito realizada e tenho muito prazer de trabalhar com formação no futebol. É um aprendizado diário – brinco que no mínimo o futebol está desenvolvendo nossa resiliência e assertividade a todo momento. Como comentei anteriormente, o futebol possui um ambiente peculiar e por vezes é complicado, mas proporciona aprendizado e desenvolvimento pessoal e profissional enorme. Estou no clube há dois anos, mas parece muito mais por todo o aprendizado e experiências vivenciadas. É gratificante trabalhar com futebol de base.
Universidade do Futebol – Que perfil de atleta você pretende formar?
Marina Vidual – Queremos um atleta vencedor no esporte, mas principalmente na vida. Além da formação esportiva, um atleta que seja um cidadão de bem e um agente de transformação social. Com valores, hábitos saudáveis, formação educacional e esportiva adequada, desenvolvidas de forma integral. O processo de formação de atletas deve respeitar as fases de desenvolvimento global em uma visão ampla e de abordagem sistêmica.