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Incertezas que as semifinais do Paulistão deixam

Certa vez ouvi que vence no futebol quem erra menos. Poxa, quer dizer então que não é quem acerta mais?! Claro que vai depender do ponto de vista. Mas passei a refletir sobre esse viés e, mesmo contrariando toda a minha formação também em Coaching que visa focar no positivo, passei a enxergar o erro de maneira muito mais didática no futebol. Até por ser um jogo de oposição o erro prevalece mais do que o acerto. Na relação defesa x ataque, por exemplo: são necessárias noventa, cem ações ofensivas para saírem dois, um, as vezes nenhum gol. Não só isso. Em contratações, se erra muito mais do que se acerta mesmo com todo o avanço da análise de desempenho. Em um ambiente caótico e instável, só os números não respondem tudo.
Contextualizo o erro no futebol para entender e explicar porque Corinthians e São Paulo farão a final do Campeonato Paulista. Não necessariamente eles foram melhores do que Santos e Palmeiras. Mas erraram menos.
O Santos fez uma partida espetacular diante do Corinthians no Pacaembu. Agressivo no ataque, com conceitos coletivos claros como amplitude, mobilidade, ultrapassagem, enfim, tudo o que norteia o Jogo de Posição do qual o técnico Jorge Sampaoli é um entusiasta estava ali. Porém, uma equipe que finaliza mais de trinta vezes e faz apenas um gol viu o seu adversário errar menos. Que fique bem claro, a retranca corintiana de Fábio Carille não me agradou. Foi feia. Mas inegavelmente eficiente.
Já o São Paulo soube transformar sua fraqueza em sua maior virtude diante do Palmeiras. A fragilidade política, financeira, de títulos recentes, de grandes nomes (Pablo e Hernanes estavam fora) ou seja, todo um cenário de azarão fez com que a equipe crescesse e deixasse exposta a fragilidade do modelo de Felipão quando as individualidades não estão bem. É claro que houve o dedo técnico e tático dos parceiros Cuca e Vágner Mancini, como Hudson na lateral-direita, a opção pela ótima dupla de volantes Luan e Liziero, não jogar com um centroavante no segundo confronto para ter mais velocidade e etc. Porém, foi no aspecto mental que o Tricolor errou menos que o Verdão. E olha que curioso, justamente o time que não vencia clássicos, que está há mais tempo na fila, foi o que deu um banho no jogo mental-confiança.
Em uma época de muito estudo e muita evolução no futebol os detalhes não podem passar batidos. Não vai vencer o melhor. Vai vencer quem errar menos.
 

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Sobre a (pretensa) subtração da tática

Zdenek Zeman: soluções ofensivas, no geral, talvez passem longe do conservadorismo. (Reprodução: Calcioline)

 
Em recente coluna do ótimo Carlos Eduardo Mansur, vejo um olhar bastante interessante sobre a direção dos nossos debates nas últimas semanas. Em linhas gerais, criou-se aqui e ali uma espécie de aversão à ‘tática’, como se a ‘tática’ (quando entendida de uma forma bastante particular) fosse a responsável por alguns dos supostos fracassos recentes do futebol brasileiro.
Na verdade, essa crítica não foi exatamente criada– já existia e estava adormecida. Como dizem Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, no ótimo ‘Como as democracias morrem’, a história não exatamente se repete, a história rima. Este tempo (não apenas no futebol) é tempo de rimas, e para sobrevivermos é preciso criarmos outras, melhores. A ciência, portanto, não basta: é preciso poesia também.
Neste texto, gostaria de puxar uma conversa sobre dois temas centrais: a diferença entre tática e esquemas táticos e como isso se associa à reflexão que fizemos na semana passada, sobre a hiperestruturação espacial que se desenha, sutilmente, no futebol brasileiro.

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Grosso modo, o argumento trazido por Mansur (refletindo o que, de fato, tem sido propagado por diversos colegas) dá conta de que a suposta ‘morte’ do futebol brasileiro se dá por um ‘excesso de tática’. A solução, bastante simples, seria que houvesse ‘menos tática’. Por esse raciocínio, a impressão é de que o jogo é uma equação matemática (portanto, causal) na qual a adição e/ou subtração de coisas seriam necessárias ao preciso resultado final. Neste momento histórico, seria preciso um sinal de menos, seria preciso subtrair algumas unidades da tática. Bom, este argumento me gera um sentimento duplo. Direi abaixo o porquê.
Por um lado, ouvir que é preciso ‘menos tática’ me deixa ligeiramente assustado, não exatamente pela subtração, mas pelo ideal de tática que o precede. Este é um ponto importante: no último final de semana, respondendo ao amigo Bruno Madrid, do BOL, ressaltei o quão importante é refletir sobre o significado médio que damos à tática. Para alguns colegas, a ‘tática’ é vista como um fenômeno menor, secundário, que se materializa basicamente a partir dos esquemas ou sistemas  táticos. Aqui, tática seria sinônimo de 4-4-2, 4-3-3 e adjacentes (sinto, na verdade, que a aversão maior é à linguagem, não à ‘tática’ em si). Por sua vez, há quem veja a tática como um fenômeno maior, prioritário, como uma nascente, por onde afluem todos os problemas do jogo. Aqui, não é possível adicionar ou subtrair, porque o jogo não é mais/menos: o jogo é tático. É por ela que o jogo se manifesta.
Pelo primeiro argumento, o excesso de ‘tática’ seria responsável por uma suposta pobreza ou esterilidade do futebol brasileiro. Para resolvê-la, então, o que fazemos? Fazemos ‘menos tática’, nos preocupamos menos com os esquemas (com as estruturas, se você preferir), damos mais atenção ao jogo jogado ou mesmo ao talento, revivendo uma suposta ‘essência’ do futebol brasileiro (que acaba sendo altamente questionável). O problema deste argumento é que começa bem, mas termina mal. De fato, desconfio que nosso ideário futebolístico, especialmente do ponto de vista tático, está se tornando demasiado sólido, rígido, às vezes inflexível (ainda que se diga o contrário), e seus reflexos estão cada vez mais claros no jogo jogado: parte-se, cada vez mais, de uma inquestionável ‘ordem’, confrontando-se a fluidez e a liberdade que estão vinculadas à natureza do jogo (é do caos que nasce a ordem!), de modo com que esteja mais difícil superar as estruturas fixas e as defesas cada vez mais estruturadas que se criam não apenas no futebol, como nas modalidades coletivas de invasão, como um todo.
Só que fluidez não significa, em hipótese alguma, ‘menos tática’. Porque a tática não se resume aos esquemas/sistemas, ela está acima deles. Pense comigo: o jogo de futebol tem uma lógica própria, um logos. Este logos arrasta consigo um telos, um objetivo. Qual é o objetivo do jogo de futebol? Fazer com que um objeto esférico, que desliza pelo campo, entre na meta adversária. Para chegar a ele, temos de resolver os problemas do logos– que se expressam, justamente, pela tática! Neste sentido, me agrada pensar que os esquemas estariam para a tática assim como os galhos estão para uma árvore – em uma grande floresta, o jogo. Os esquemas são derivações, pequenas expressões de onde está contida a tática, mas que, sozinhos, não são a tática, de fato. Basicamente, o que nossos colegas estão dizendo é que a árvore brasileira, que já não seria tão frondosa como fora um dia, tenha seu problema nos galhos. E qual a nossa solução? Que a árvore seja ‘menos árvore’. Não, não é disso que se trata.
Se você preferir, pedir ‘menos tática’ é como pedir que a água, quando líquida, esteja menos molhada. Não, isso não é possível. O que acho que fazemos, sob o argumento da ‘modernidade’, é mudar o estado físico da água, deixando-a em pequenas pedrinhas de gelo, metodicamente dispostas e visíveis, em formas grandes ou pequenas. Mas, no jogo, tudo o que é sólido desmancha no ar. É disso que se trata a crítica que fiz na semana passada: defendo que os processos formativos e o rendimento reflitam nosso jogo, nomeadamente no ataque, não está ultraguiado pelos ideais de ‘ordem’, deslocando a balança para um extremo perigoso, que ignora a fugacidade e o movimento inerentes ao jogo e à vida. Para isso, para criar ‘ordens’, precisamos compreender o caos (ao invés de negá-lo) e dançar com ele, inclusive do ponto de vista metodólogico.
Continuamos essa conversa em breve.
 

 

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Copa América: Excelente Produto e Grande Desafio

No último fim de semana o autor desta coluna terminou a leitura do excelente livro “Red Card: how the U.S. blew the whistle on the World’s biggest sports scandal” (Cartão Vermelho: como os EUA soaram o apito no maior escândalo esportivo do mundo), de Ken Bensinger. Já havia lido “O Delator”, de Allan de Abreu. Um livro é mais específico aos casos brasileiros; o outro levanta as investigações pelo mundo. Ambos tratam do “FIFAgate”, escândalo que envolveu corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação de tributos que colocou na prisão vários ex-dirigentes do futebol mundial. 

O troféu da “Copa América” (Reprodução: Divulgação)

 

Muitos deles eram da CONCACAF (Confederação de Futebol das Américas do Norte, Central e do Caribe) e da CONMEBOL (Confederação Sul-Americana de Futebol). Por conta disso, os direitos de transmissão da Copa América eram objetos diretos de inúmeras operações ilegais. Para o colunista, tornou-se difícil dissociar o torneio das quase três décadas de crimes ligados a este grande patrimônio Sul-Americano: o futebol. Dos bilhões que foram deixados de se investir para o desenvolvimento do esporte local a fim de satisfazer extravagâncias de gestores que deveriam estar a serviço do esporte.

Recomendo as duas leituras.

No mundo corporativo, diz o ditado que as pessoas vão e vem, mas que a organização e o propósito, ficam. E assim está a Copa América há mais de uma centena de anos. O futebol como fator sine qua non para a consolidação do Estado Nação moderno na América do Sul: a unicidade argentina, a mistura das raças no Brasil, os ideais republicanos no Uruguai. A modalidade ajudou a moldar tudo isso aí nas jovens nações sul-americanas e, especialmente, a Copa América. 

E isso, sim, é indissociável.

Ademais, o jeito de torcer e desfrutar o futebol neste canto do planeta são únicos. Não se compara. As rivalidades, também. São muito intensas, mas – com exceção de algumas – não possuem origens em hostilidades que custaram vidas. Estão, na verdade, dentro de campo, o que lhes confere autenticidade; e ser autêntico é uma das características que a América do Sul tem de mais evidente, quer seja no futebol ou nas relações humanas. Claro, há muito para melhorar.

Com tudo isso, não há dúvidas de que a Copa América é um grande torneio e um excelente produto. Romper com o passado obscuro citado no início da coluna é desafio, entretanto feito facilmente, apoiado na vantagem competitiva do futebol por estas bandas, construído em mais de cem anos. É preciso se reinventar: capital humano dentro e fora de campo, por aqui, existe.

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Em tempo mais uma frase relacionada à Gestão e Marketing Esportivo:

Se a Disney fosse um clube brasileiro, venderia o Mickey e não os seus desenhos animados.

Walter de Mattos Junior, presidente do diário “Lance!”

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Paulistinha ou Paulistão?

O futebol brasileiro é meio, e não destino. Essa é uma das principais razões para a falta de profundidade no debate sobre o jogo em âmbito nacional – afinal, se todo o ambiente é apenas passagem, por que perder tempo discutindo sua constituição? Os meninos do país sonham com um futuro nos grandes clubes locais porque veem ali um trampolim – para a Europa, a independência financeira ou a conquista de respeito; os dirigentes usam equipes em projetos pessoais para incremento de popularidade – em nome de uma vida na política, por exemplo – ou apenas por poder. O que sobra é um ecossistema formado por gente que não escolheu estar ali. Os atletas podem ser divididos entre os que ainda não foram para fora, os que foram e não se consolidaram, os que estão velhos demais para permanecer fora ou os que não tiveram qualidade para sair. No fim, o que os une é a sensação de que o Brasil deixou de ser escolha de vida.
Essa lógica é cruel para quem tenta vender a narrativa do futebol brasileiro. O menino que dá seus primeiros chutes sonha com o Barcelona, o Real Madrid ou qualquer time da Premier League, e os clubes de seu país, por mais populares que sejam, passam a funcionar apenas como um degrau inferior. Não há nada de errado em cultivar esses sonhos, mas cria-se aí uma hierarquia. E quando a hierarquia é estabelecida, toda a cadeia é afetada. As rivalidades locais, por exemplo, perdem sentido num mundo em que o Tejo não é o rio mais belo.
Em outras épocas, quando prevaleciam características como o orgulho local, Estaduais de futebol faziam mais sentido do que outras competições. Por isso é tão sintomático que a Copa Libertadores tenha crescido em relevância no imaginário do torcedor brasileiro: não foi o torneio que se engrandeceu, mas a maneira de pensar (e de se relacionar com o jogo) que mudou.
Os Estaduais sobrevivem no futebol brasileiro como instrumento político e como lembrete de outra forma de pensar o esporte. São certames baseados em rivalidades que fazem cada vez menos sentido. No entanto, são raros os times nacionais que conseguiram atualizar de forma condizente a maneira de encarar essa parcela do calendário – o Athletico é certamente o melhor exemplo.
A dicotomia entre o que vale o campeonato e o que os torcedores esperam cria uma situação extremamente desconfortável para quem trabalha com comunicação no futebol local. Ninguém comemora de forma efusiva quando vence um Estadual, mas ninguém quer perder. Só que o Palmeiras elevou a outro nível essa discussão.
Por razões políticas – está rachado com a FPF (Federação Paulista de Futebol) –, o Palmeiras tem histórico de menosprezo ao Campeonato Paulista. Mauricio Galliotte, presidente do clube, já chamou o torneio de Paulistinha. Os perfis oficiais do clube em redes sociais também usaram o termo, e o técnico Luiz Felipe Scolari disse no último domingo (07), após ter sido eliminado pelo São Paulo nas semifinais, que cogitou tirar o time de campo quando viu que um gol anotado pelo atacante Deyverson havia sido anulado por impedimento após uso do VAR (sigla em inglês para árbitro assistente de vídeo).
O Palmeiras, que trata há tempos o Estadual como algo menor, é atualmente um dos elencos mais badalados do futebol brasileiro. É um clube com finanças equilibradas, patrocinadores fortes e potencial de investimento.
Existe, portanto, uma expectativa de que o elenco seja forte e dominante em todas as competições. Essa expectativa é ainda maior no Estadual, um torneio que o próprio clube trata como “menor”. Se é um evento tão fraco assim, por que o Palmeiras não sobra em relação a seus rivais?
Se quisessem ser condizentes com o tratamento dado ao campeonato, diretoria e comissão técnica do Palmeiras deveriam tirar do Estadual os principais destaques de seu elenco. Por que usar nomes como Ricardo Goulart, Dudu e Felipe Melo em uma competição que vale tão pouco? Por que não dar chances aos destaques da base ou a contratações menos badaladas, como Arthur Cabral e Matheus Fernandes?
Quando optou por usar seus titulares, o Palmeiras criou um cenário em que só tinha a perder. Se fosse campeão paulista, teria cumprido apenas a obrigação de um time tão rico e poderoso – vencer o torneio que vale menos. Perdendo, colocou ainda mais interrogações no trabalho desenvolvido até aqui. Valeu a pena?
Os times brasileiros precisam decidir o que fazer com os Estaduais, e isso precede qualquer discussão sobre calendário ou estrutura. Não adianta tratar o evento como algo menos relevante, mas demitir um treinador por uma derrota em fase inicial ou usar todos os titulares nos clássicos.
Em 2019, Grêmio e Internacional contribuíram para essa discussão ao esvaziar um clássico no Campeonato Gaúcho – ambos usaram apenas reservas. O Palmeiras poderia ter feito o mesmo – sobretudo por ter elenco suficiente. No entanto, ao optar por um caminho que não conseguiu unir decisões e declarações, o time paulista serviu apenas como exemplo de como o processo de comunicação permeia instâncias muito maiores do que as redes sociais e interfere em tudo.
 

 

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Futebol: dinheiro, trabalho ou sorte?

A temporada de 2019 chegou e com ela temos certeza que a valorização dos jogadores atingiu um novo patamar no futebol brasileiro com muitos times fazendo transferências milionárias. Na tabela abaixo podemos ver os gastos do futebol com jogadores da temporada atual com a temporada 17/18.

Dados encontrados no site www.transfermartk.pt

 
Esse crescimento não é acaso, o ano de 2018 teve equipes realizando vendas de valores altíssimos e o crescimento dos gastos está diretamente relacionado ao crescimento dos lucros com jogadores, com vendas como a do Vinicius Junior que sozinho bateu a marca dos 60 milhões de euros.

Se essas vendas de dezenas de milhões de euros se tornarem recorrentes no futebol brasileiro, o que os clubes farão com esse dinheiro?
O Flamengo que vendeu o Paquetá e o Vinicius Junior foi em busca de substitutos e contratou Arrascaeta e Vitinho, e gastando 25 milhões de euros nos dois, colocaram ambos no histórico de transferências mais caras da história do país. Parece lógico e um ótimo movimento, não é? Ganhou 100 milhões de euros com suas vendas e gastou 25 milhões com seus substitutos. Mas será que era necessário gastar esse dinheiro? Para ajudar na reflexão dessa resposta, traremos alguns dados e discussão.

 
Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

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Futebol: como atacar o último terço do campo de jogo? – PARTE 1

“Contra as equipes ultradefensivas, perguntei-me várias vezes: “Como é que posso encontrar espaços? Não existe nenhum”. Mas, há sempre alguns. Deves mover a bola de um lado para o outro, mover-se, mover-se novamente, e finalmente encontras o espaço. Eu passei a minha vida a procurando por ele, encontrando maneiras. Onde há espaço? Como fazê-lo aparecer?” Xavi Hernandéz

 
Escrever sobre “ataque” ou “sistema ofensivo” no futebol é sempre uma grande oportunidade. É um assunto rico, mesmo que por vezes negligenciado enquanto conteúdo de treino e de jogo.
A perspectiva de que defender bem requer treino e de que atacar bem requer talento vem contribuindo faz muito tempo para um congelamento de ideias no que diz respeito ao desenvolvimento do “bom ataque”.
Obviamente que não pretendo aqui desconsiderar ou minimizar o “jogador excelente” e a vantagem que a qualidade individual nos dá no confronto entre ataques e defesas, entre quem marca e quem tem a bola.
No fim das contas é a ação individual que vai fazer a bola chegar onde tem que chegar; e é o jogador que num arremate certeiro vai coloca-la dentro do gol.

Muitas vezes, no entanto, mesmo com jogadores de qualidade técnica vantajosa, têm ficado difícil para as equipes que atacam conseguir desequilibrar e desestruturar sistemas de marcação.
A boa estratégia defensiva e a disciplina tática, aliadas ao empenho, determinação e concentração dos jogadores que marcam têm contribuído para formação de defesas cada vez mais sólidas.
É claro que a evolução dos processos de treino no futebol (no mundo todo, por uma série de motivos) ajudou muito no desenvolvimento de melhores repertórios para marcar bola, adversários e espaços.
Não é segredo para ninguém que hoje o jogador que está com bola num jogo, possui menos tempo e menos espaço para agir, e que há mais jogadores adversários próximos a bola do que antes. Há pesquisas publicadas sobre isso.
É claro que não precisava nem escrever, no jogo de futebol a defesa sobressai ao ataque com ampla vantagem histórica.
Mas hoje o “ataque do passado” enfrenta a “defesa do presente”… e está ficando cada vez mais a cargo de contra-ataques e bolas paradas a missão de romper com os sistemas de marcação adversários. E o que há de errado nisso? Absolutamente nada. Não é essa a questão.
A ideia aqui é que pensemos em possibilidades. Ou seja, se uma equipe precisa de espaço para atacar e não tem, o que tende a fazer hoje? Estrategicamente acaba transferindo a bola para o adversário (quando isso não afeta a cultura do clube) para atraí-lo ao seu campo, e ao retomar a bola tentar com toda velocidade chegar ao gol. Mas por que não encontrar o espaço quando já se tem a bola?
Além do mais há equipes que não querem transferir a bola para o adversário, mas acabam transformando o jogo em um “perde e ganha” da posse, até que uma delas se aproveite dos desequilíbrios gerados por ele (pelo “perde-ganha”) e faça um gol.
Nesse momento devemos concordar então, que encontrar o espaço vantajoso para chegar ao gol adversário não é nem elementar e nem fácil. Mas é fundamental.
Portanto, tendo jogadores de alta qualidade ou não para atacar, quanto mais e melhor for a contribuição da organização coletiva da equipe para o desempenho dos indivíduos, maiores as chances de conseguirmos superar a representatividade das lacunas técnicas (que claro, continuarão sendo determinantes) e otimizarmos o desempenho ofensivo de cada um (potencializando o que tiverem de melhor).
Pois bem. Poderíamos nos perguntar agora, qual o ponto de partida, pensando em “ataque”, para construção de uma organização ofensiva vantajosa?
Vou propor aqui que olhemos do final para o começo.
Há o que dizer sobre “ataque” desde a fase inicial de construção do jogo, até o momento crucial de desfecho. Mas é no terço (ou quarto) final do campo de jogo que o espaço e o tempo parecem faltar mais para a equipe que tem a bola.
Na Copa do Mundo FIFA de futebol de 2018 pudemos observar algo que vem acontecendo faz um bom número de anos: equipes marcando com todos os seus jogadores no campo de defesa, trazendo a linha de atacantes para bem perto da área defensiva. Isso não é algo exclusivo das seleções. Está nos campeonatos pelo mundo todo, está no nosso Campeonato Brasileiro, nos nossos Estaduais.
O espaço está cada vez mais escondido. O gol cada vez mais protegido. Há equipes que nem fazer gol querem; apenas afastam a bola para longe e tentam quebrar o ritmo ofensivo do adversário.
Então nosso ponto de partida está em responder a duas perguntas antes de qualquer coisa:
a) Onde está espaço?
b) Como fazer ele aparecer?
Vejamos nas imagens que seguem (Figuras “A”, “B” e “C”). São referentes a uma partida da Copa de 2018 – e são sequência da mesma jogada.
Na Figura “A” a equipe que ataca tem pela frente os 11 jogadores adversários – todos empenhados em não “dar luz” ao gol.
Se a circulação da bola, o posicionamento e a movimentação dos jogadores que atacam permitirem conforto à defesa, o máximo que conseguirão é um deslocamento tranquilo de lado a lado dos defensores adversários. Talvez um ou outro momento de quase desequilíbrio; mas não muito mais do que isso.
Pois bem. O espaço que se quer possuir (dinamicamente) é aquele que está nas costas da linha de defesa de quem marca. E não é de qualquer jeito. Tem que oportunizar finalização. Tem que “dar luz” ao gol.
O espaço está ali – mas aparentemente inacessível. Não basta lançar a bola nele e correr para a disputa – muito aleatório…

Para ter o domínio do espaço desejado é preciso que a configuração de jogadores que atacam permita melhor e mais rápido acesso a ele (ao espaço) do que dos defensores.
Se repararmos a projeção da linha do último defensor da equipe vermelha, e a distância dos jogadores da equipe branca em relação ao espaço amarelo, perceberemos que apesar de desejar o espaço, a equipe branca não está pronta para usufruir dele antes dos defensores adversários.
Outro aspecto importante é que o jogador que tem a bola, ao movimentá-la conduzindo, driblando ou passando precisará causar desconforto e desequilíbrio no adversário.
E isso na prática quer dizer forçar os jogadores que marcam a mudarem o ritmo das suas ações, terem dúvidas, saírem dos espaços que estão tentando sustentar e proteger.
Vejamos: se o homem da bola da Figura “A” passar ao jogador indicado pelo holofote de luz, do ponto de onde está na imagem, ou três passos à frente em direção ao marcador, ou 2 metros para a esquerda, além do tempo da ação o que mais isso mudaria na prática?
Se queremos atacar melhor, temos que entender o que mudaria. Imaginar as possibilidades… Garantir que os jogadores compreendam o que desencadeia cada mudança.
Da mesma maneira, o que os jogadores da equipe branca que servem de apoios mais próximos ao homem da bola poderiam fazer para criar linhas de passe vantajosas?
Vantajosas? Sim! Que incomodariam o adversário (como descrito acima: gerar dúvida, mudar ritmo, etc.) e dariam ao ataque mais espaço para agir em direção ao desfecho da jogada!
Que espaços poderiam ocupar, ou para onde poderiam se projetar para que a próxima ação pós o primeiro passe aumentasse os desequilíbrios e fosse dando cada vez mais benefício para a sequência ofensiva que se constrói?

Na sequência das Figuras (“A”, “B” e “C”), a jogada se encaminha para as proximidades do escanteio. Notemos que a equipe branca não chega nem perto de ter o espaço que deseja.
É claro! Apesar dele estar ali, ele não aparece para os jogadores – os defensores não deixam… Mas os atacantes não contribuem para que isso mude.

Claro que o jogo de futebol não é um tabuleiro de 22 peças. Não é disso que se trata!
Mas se não conseguirmos a partir dos treinamentos fazer com que cada jogador compreenda o significado de cada pedaço de campo a ser ocupado, de cada movimento que pode fazer para interferir na posição do adversário, a ação com bola precisará ser muito mais contundente, o tempo todo, para alcançar algum desequilíbrio defensivo.
Mas se ao contrário, a ação de cada jogador quando estiver atacando carregar um propósito – ganhar espaço vantajoso – é possível que mesmo ações com bola menos elaboradas se transformem em algo contundente.
E nesse contexto, o “jogador excelente” vai poder realmente “brincar de futebol”.

No recorte da imagem ampliada está claramente visível que a posição corporal do homem que recebe a bola não é promissora no domínio – porque não se conecta nem com o objetivo macro da equipe, de conquistar o espaço atrás das costas da linha de defesa, e também especialmente porque não se conecta com as opções que sua equipe lhe dá – muito pobres espacialmente falando.
O futebol é um esporte no qual tens de ver o que está acontecendo ao teu redor para encontrar a melhor solução possível. Se não te relacionas com os outros, não sabes nada e não podes fazer nada” (Xavi em entrevista para– SO FOOT Magazine – 154.).
Isso se aplica a todos, não só a quem está com a bola.
Afinal, só há uma bola no jogo, e 10 jogadores da equipe que a possui não estão com ela.
Por enquanto é isso…

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Alexandre Pato, a eterna promessa

O futebol nunca foi um esporte unilateral. Nunca é apenas um aspecto que explica vitórias e derrotas. Toda vez que fragmentamos a análise nos aproximamos do erro. O jogo é técnico, tático, físico, emocional, espiritual e etc e mais outros tantos etcs. Por isso não cabe a meu ver, por exemplo, a mais nova polêmica criada: falar ou não de tática. Claro que devemos falar! Mas como meio e não como fim. Assim como quando se avançou no estudo da parte física não podíamos resumir o jogo a ver apenas quem corria mais ou estava mais forte. Uma análise integrada, sistêmica, multifatorial e transdisciplinar me parece a mais coerente para errar menos.
Vamos então, caro torcedor, falar de Alexandre Pato, novo (velho) reforço do São Paulo. Tecnicamente, acima da média. Fisicamente, razoável, com bons tiros curtos e explosão muscular interessante no drible mais longo. Taticamente, já podemos questionar se sem a bola ele consegue cumprir sua função. E indo para o lado mental, psicológico, espiritual e o que mais quiser usar para definir tudo o que compõe o caráter competitivo de um atleta, minha avaliação de Pato cai para patamares próximos do zero, sendo assim sua faceta mais notável.
Pato obteve, merecidamente, sucesso e reconhecimento muito rápido. Ainda adolescente já era campeão do mundo com o Inter e pouco tempo depois jogador do poderoso Milan. A expectativa era gigantesca. Seus atributos técnicos davam a impressão de uma carreira longeva no mais alto nível europeu e protagonismo com a seleção brasileira por três Copas do Mundo. Não foi isso que aconteceu. Justamente pelo aspecto comportamental. Falta fome a ele, intensidade. Vontade de fazer além. Inconformismo com o mais do mesmo. Essas habilidades que não são técnicas e sim mentais são traduzidas em ações dentro de campo. De nada adianta Pato ser bom com a bola nos pés se ele não se movimenta, se ele não procura o jogo, se ele não ‘janta’ o adversário, se ele não entra em disputas de bola.
O São Paulo caiu na análise fria dos números. Ou talvez até no frissom que o nome dele ainda desperta. Porque realmente Pato fez muitos gols com a camisa tricolor em sua passagem anterior. Realmente ele causa um alvoroço na mídia e na torcida. Mas só isso não basta. Qualquer análise mais profunda e sistêmica indica que Pato não decidirá jogos e campeonatos para o Tricolor. Seu perfil e personalidade em nada se encaixam com a bravura que se espera em um clube que vive em crise e que não ganha nada há dez anos. Contratações impactantes podem dar mídia por alguns dias. Porém, deixarão um vazio em campo e no caixa por vários anos. Não compensa…
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Sobre o ataque entre a ordem e o movimento

Massimilano Allegri, da Juventus: do vestuário às variações ofensivas, um exemplo de bom trânsito entre a ordem e o caos. (Divulgação: ghanasoccernet.com)

 
Dos grandes problemas do futebol moderno, há um que me interessa em particular: o problema do ataque. Como treinadores e treinadoras, o que podemos fazer para que nossas equipes criem situações de gol (com bola rolando, especialmente), em uma base regular?
Vamos começar pelo avesso: sabemos que defender bem está longe de ser tarefa simples. Ao mesmo tempo, aqui entre nós, a defesa parece ocupar um lugar prioritário na agenda futebolística contemporânea. Não se trata de uma crítica, é mais uma constatação: além de sintoma do nosso tempo, reflete também a desconfiança e a instabilidade a que treinadores e treinadoras estamos submetidos.
Neste texto, gostaria de refletir sobre o problema do ataque. Para isso, eu mesmo preciso atacar: meu ataque será às estruturas. Até chegar lá, faço um pequeno passeio pela ‘ciência’ – entre aspas mesmo.
Depois, ofereço uma solução: o movimento.

***

Como conversamos em outras oportunidades, o futebol moderno, que não se faz alheio à vida, empresta elementos da assim chamada ciência. Digo ‘assim chamada’, dentre outros motivos, porque falar em ‘ciência’ presume que os discursos científicos, grosso modo, estão no singular, livres de tensões. É como se o empréstimo de ferramentas científicas viesse acompanhado de um carimbo, uma espécie de chip, que marca e iguala os que delas se apropriam (ou servem, para alguns, como expressão de autoridade). Além disso – e digo apenas de passagem, pois já tangenciei este tema em outros momentos-, parece assustadoramente comum uma certa romantização da narrativa científica, como se a ‘ciência’, por si só, fosse capaz de reverter todas as fragilidades humanas. Inclusive as do futebol.
Mas não, a ‘ciência’ não é una e, embora protagonista de inúmeros avanços ao longo da história, tem limites. Ela não é capaz de resolver, na sua totalidade, os problemas do jogo – talvez porque o jogo seja mais arte do que ciência. Mas há um percurso científico, em particular, que nos acompanha onde vamos, conscientemente ou não: o percurso da ordem. Os caminhos abertos por volta do século XVII (com Francis Bacon e René Descartes, por exemplo), são caminhos ordeiros, objetivos, que apostam nas luzes em oposição às supostas trevas, não apenas porque o conhecimento deve estar visto (o que é positivo), como o conhecimento deve estar controlado, regulado, generalizado, alheio às paixões e, em última análise, alheio ao humano. ‘Os afetos contaminam o objeto’, diria alguém.
Muito bem, eis que o futebol, ao seu modo e a seu tempo, recorre a diversos elementos desta mesma ‘ciência’ para olhar para as mais diversas faces do jogo. De certa forma, portanto, o futebol aceita a companhia da ordem e do controle. Isso, por si só, não é negativo (pois permitiu alguns progressos importantes que obtivemos como área nas últimas décadas). Mas será que a nossa geração, tão fortemente herdeira da academia (vide os cursos de formação de treinadores, por exemplo), ao mesmo tempo em que tão carente de pesadas ferramentas reflexivas, não sofre do efeito reverso? Será que o fetiche da ordem não nos domina, sutilmente, no futebol e na vida?
Aposto que sim, e vejo um grande reflexo disso exatamente nos nossos ataques. Quando defendemos, precisamos lidar com inúmeras variáveis, mas a bola não está conosco. Quando atacamos, para além das mesmas variáveis (eu, companheiro, adversário, alvo…), também estamos em posse da bola e precisamos levá-la até o gol, criando os devidos espaços. Mas, se demasiadamente ordenados, será que conseguiremos? Hoje, pensando no caso brasileiro, estamos mais ‘organizados’ em campo do que há 20 anos, mas nosso jogo não está necessariamente mais agradável. Pelo contrário, sinto que nosso jogo (contra a nossa vontade) flerta com o burocrático, o pragmático, o controlado, o regulado e generalizado, alheio às emoções. Talvez porque nosso jogo não está mais ordenado, mas está se tornando hiperordenado, submetido à ordem, desde as primeiras categorias do processo formativo até o profissional. Fincamos os dois pés na ‘ciência’, mas nos esquecemos da poesia.
A grande expressão da ordem no futebol moderno está na noção de estrutura. O que isso quer dizer? Quer dizer que, hoje em dia, nossa agenda parte da forma, não do conteúdo. Mas como cuidamos da forma em um jogo que é fluido, fugaz, em que tudo está, mas nada é? Em um tiro de meta, por exemplo, estamos todos cuidadosamente dispostos, amplitude e profundidade máximas, simetria quase que perfeita, atendendo perfeitamente aos postulados que construímos, ao longo do tempo, para guiar nossas tomadas de decisão. Evitamos ao máximo as armadilhas do imprevisível, até que vem o jogo e, ops!, vence nossa rigidez (uma, duas, inúmeras vezes!). Nas nossas entrevistas, citamos a esperança de jogarmos da maneira mais ‘organizada’ possível. Mas o jogo é ordem?
Não, o jogo não é ‘ordem’, ou melhor: a ordem do jogo é criada de maneira muito particular. Para o jogo, não se deve criar ordens para novas ordens. É preciso criar o caos! E o caos, aqui, se cria através do movimento. Não do movimento a partir da estrutura, mas (repare bem aqui) do movimento apesar da estrutura, a estrutura seguindo o movimento, a liberdade sobre a contingência. Ao marinheiro, não cabe domesticar os mares para então navegar, marinheiros se fazem em mar revolto! O jogo, da mesma forma, não é mar tranquilo: o jogo é tempestade e somos nós, marinheiros e marinheiras, quem devemos dançar ao som da chuva, da fugacidade, da impermanência e da rebeldia. Por que devemos ser simétricos? Por que não podemos lotar o setor da bola com três, quatro, cinco jogadores, deixando o lado oposto em flagrante inferioridade? Por que nossos jogadores precisam partir de uma dada posição, à revelia dos problemas do jogo? Quando daremos entrevistas (com algum sarcasmo) dizendo que esperamos que nossas equipes sejam as mais caóticas possíveis?
É claro que isso tem implicações metodológicas fundamentais. Quem desejar o movimento precisa cultivar a liberdade. Desde os primeiros passos do processo formativo, nossos garotos e garotas precisam sentir-se livres. É preciso deixá-los jogar! É preciso deixá-los descobrir as diversas funções dentro do campo, descobrir outras formas de expressão, com outras linguagens, sejam elas a linguagem do drible, do passe, do engano, do desmarque, todas elas! Ao invés de prender-se ao rótulo, ao carimbo (sou lateral! zagueiro! atacante!), nossos pequenos e pequenas precisam sentir-se jogadores, pessoas humanas em movimento, capazes de ir até os problemas do jogo, ao invés de esperá-los passivamente. Movimento.
Para as categorias maiores, não vale o mesmo?
Bom, retomamos este assunto em breve.
 

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Red Bull Brasil e Bragantino: futebol do Brasil energizado

Na semana que passou recebemos a notícia das negociações entre Red Bull Brasil e Clube Atlético Bragantino. Com isso, a equipe da empresa de energéticos assume o futebol do time de Bragança Paulista. Muito se falou que o Red Bull seria parceira do Bragantino. Não vai ser bem assim. Pelos negócios que esta empresa possui pelo mundo, ela não entra pra ser parceira. Ela entra para ser dona.

Red Bull Brasil e Bragantino em jogo pelo campeonato paulista. (Foto: Divulgação)

 

E são esses ventos de mudança que podem atingir o futebol do Brasil em breve. Entrar para ser o dono. Ora bem, o clube também é dono do seu produto, que é o jogo de futebol. O Red Bull nos principais escalões do futebol do Brasil terá o seu produto valorizado, certamente atrairá mais público e interessados em seus jogos. Aumentará a demanda e isso faz com que a instituição tenha mais controle sobre o que é ou não comercializado.

Ademais, o Red Bull em um primeiro momento não precisará da renda da televisão. Se vier precisar! Existem outras fontes para recorrer. No entanto, mesmo com a história recente, são reconhecidos pelo planejamento estratégico e filosofia de trabalho. Foi assim que eles chegaram desde lá embaixo para o topo do futebol de São Paulo, sem grandes extravagâncias.

Agora querem o do Brasil.

Com as características acima, a presença do Red Bull na elite do futebol do Brasil (vai entrar na série B) pode incentivar a mudança em termos de gestão e marketing do futebol. Luta-se pela sustentabilidade do esporte no Brasil, com investimentos privados aplicados com método, e executados com transparência e retidão, por profissionais, para que se adquira a credibilidade necessária a fim de que o investimento se mantenha ou aumente. Se não for assim, “a conta não vai fechar” e diariamente vemos vários exemplos disso em diversas organizações esportivas pelo Brasil, que se licenciaram, estão endividados e, até mesmo, fechados. Como o membro da família Chedid (historicamente ligada ao Bragantino) disse: aceitou a proposta do Red Bull para que o clube não fosse à falência.

Portanto, já não se vive do passado e das glórias de outrora. Para evoluir, é preciso romper paradigmas. O Red Bull na elite do Brasil pode ser este – bom sinal de – rompimento.

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Em tempo mais uma frase relacionada à Gestão e Marketing Esportivo:

Cada vez que um torcedor vai a uma loja oficial do Corinthians, está contribuindo para que o Timão tenha maiores receitas, e assim, investir mais na aquisição de jogadores ou em melhorias do clube

Andrés Navarro Sanchez, presidente do SC Corinthians Paulista, em frase colocada no anúncio das lojas “Poderoso Timão” durante seu primeiro mandato.

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Porque não se fala de expected goals no Brasil; e porque realmente deveríamos

No futebol de alta performance, já é unanimidade a diferença entre performance e resultados. Embora intimamente relacionados, a beleza do futebol é que nem sempre o resultado pode ser obviamente deduzido através da performance apresentada pelas equipes.
Porém, a importância de interpretar, e assim quantificar, a performance de uma equipe, para fins de tomadas de decisão nas mais variadas esferas da gestão de equipe e clube, ainda esbarra na dificuldade de mensurar tal performance.
Atualmente, o futebol brasileiro tem sido inundado com uma enxurrada de dados: gols, finalizações, desarmes, passes, etc; que ajudam a entender o resultado de uma partida, porém, de pouca utilidade na interpretação da performance das equipes envolvidas.
É necessário entender que, ao contrário de outros esportes, mais suscetíveis à criação de métricas de avaliação , o futebol possui ações muito dinâmicas para serem isoladas e placares muito baixos para evitarem a presença da sorte/acaso nos resultados.
E foi então que esbarrei em um KPI (key performance indicator), me surpreendendo em como já vem sendo usado no futebol mundial (especialmente Europeu) para auxiliar na quantificação e qualificação de performances de equipes e jogadores e individuais. E me surpreendi ainda mais, com a inexplicável imunidade do futebol brasileiros a esse tipo de modelagem e uso de dados.
O KPI em questão é ​Expected Goals​.

 
Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.