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Entretenimento tecnológico

Olá, amigos!

Temos discutido uma série de fatores a respeito da tecnologia no futebol: melhoria de desempenho, controle, planejamento de treinamento, entre outros. Em alguns momentos debatemos a contribuição tecnológica com a arbitragem, em outros impactos gerais e a necessidade de atualização do profissional, além das questões relativas ao desenvolvimento dos recursos.

Nesta semana, embora já mencionado em algum momento, quero trazer para nossa pauta a utilização dos recursos tecnológicos para o espetáculo esportivo voltado ao torcedor.

Pensar no torcedor nos remete a esforços de identificação de um público consumidor do futebol e mais especificamente do seu clube de coração. Nessa linha, gostaria de entrar no tema “entretenimento”.

Hoje, cada vez mais a sociedade vive num mundo tecnológico e seus entretenimentos estão repletos de recursos e aplicativos que podem ser complemento ao até fator principal do entretenimento – é o que poderíamos chamar “entretenimento tecnológico”.

Um livro não é mais só um livro. Você pode dar download de versões com finais diferentes, de fotos dos personagens, da biografia do autor, basta entrar num site ou ainda ver diretamente no dispositivo que permite a leitura de um livro móvel.

Um cinema não é mais só cinema, ele é 3D, podendo ter dispositivos adicionais; a mesma coisa um passeio no museu no qual você pode em qualquer lugar no mundo ouvir na sua língua as informações e descrições da obra ou do espaço que está visitando.

Um jogo de videogame não se encerra mais só na sala da casa do menino, ele está em rede, ele compartilha, ele “posta” (publica na rede) seus resultados e desempenhos.

O desenvolvimento individual hoje não é mais só presencial: pode ser feito a distância com a mesma ou até com mais possibilidades de interação que muitos cursos presenciais.

Enfim, a relação das pessoas com seu entretenimento hoje é cada vez maior e mais pautada pelos recursos tecnológicos. Assim, gostaria de provocar o amigo leitor a apontar, para que possamos trazer nos próximos debates, aquilo que os clubes têm feito pensando no espetáculo e no entretenimento para lidar com seu público

Não podemos mais pensar em tecnologia de entretenimento no futebol apenas como mensagens de textos e alertas de gol. O público quer mais, o público sabe mexer com tais recursos, e exige mais. O futebol precisa aprender, pois em concorrência global e aberta, não tardará para que em termos de entretenimento tecnológico perca espaço para concorrentes de orçamento ou concorrentes genéricos, parafraseando termos oriundos do marketing – para os concorrentes que ofereçam recursos mais atrativos, mesmo que não sejam relacionados ao futebol, ou ainda que não remeta à imagem direta do clube, e sim por terceiros que muitas vezes nada têm com a modalidade, mas conseguem observar um filão interessante.

Convido você, amigo, a refletir e pensar como estudioso e profissional do futebol, mas também como torcedor e fanático: o que você gostaria de ter em termos de tecnologia vinculado ao seu clube que hoje não existe?

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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A volta dos que não foram

Você já deve ter contratado alguma pessoa para trabalhar para (com) você.

Um jardineiro. Uma secretária. Uma empregada doméstica. Uma diarista. Um caseiro. Um estagiário.

Ok. Creio que sim.

Mas você se lembra de ter demitido qualquer um destes profissionais mais de uma vez? E, depois disso, tê-los contratado novamente para prestar os serviços em sua casa ou empresa?

Não. Seguramente, não.

Por diversas razões – desonestidade, falta de competência, atrasos – a decisão sobre a demissão encerra a relação profissional, uma vez que há quebra de confiança entre patrão e empregado, seja técnica/objetiva, seja pessoal/subjetiva.

No futebol, é totalmente distinto com a figura dos técnicos/treinadores. Pelo menos no Brasil.

Tem treinador – prefiro a expressão usada por Tostão, pois acredito que a função em nosso país é isso mesmo – que já trabalhou por cinco vezes no mesmo clube.

Pior, num intervalo de cinco anos.

É como se sua secretária trabalhasse um ano, fosse demitida, utilizasse a indenização pela rescisão trabalhista para tirar férias e, no meio das férias, fosse chamada pela sua empresa, novamente. Vezes cinco anos.

Sabe pra quê? Pra fazer bem feito – ou melhor – do que ela havia feito no ano anterior.

Você acha que os resultados da empresa mudariam radicalmente?

Provavelmente não. Mesmo que sua secretária tenha feito uma mega-hiper-ultra pós-graduação, ela não vai mudar radicalmente a empresa, enquanto quem a comanda não saber pra onde vai a instituição – planejamento, estratégia, filosofia administrativa, metas e controle de resultados são alguns dos aspectos considerados nessa busca de melhores práticas de gestão.

Nisso também se deve levar em conta um fator fundamental: recursos humanos bem selecionados, treinados e organizados em torno de cronograma de metas e aferição de resultados.

O mundo corporativo estuda e prática à exaustão modelos de gestão de RH e suas formas de remuneração fixa, variável e premiação sobre resultados.

Existe isso no futebol, com um mínimo de previsibilidade e racionalidade?

Se existisse, ficaria difícil imaginarmos um cenário de idas e vindas dos treinadores para os mesmos clubes – depois de férias muuuito bem remuneradas, no mais das vezes.

Melhores processos de contratação, avaliação e também de demissão resultam em melhores profissionais.

A indústria do futebol agradece.

Areja o mercado de trabalho e faz o profissional evoluir.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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O aquecimento específico ao treino de futebol

O papel do aquecimento é largamente abordado em inúmeros estudos científicos. Sua função geral é preparar o organismo para a prática esportiva.

Jürgen Weineck, em seu livro clássico na preparação desportiva intitulado “Treinamento Ideal”, define com propriedade o papel do aquecimento nos treinos e jogos:

“Sob o termo aquecimento pode-se entender todas as medidas que servem como preparação para o esporte (seja para o treinamento ou competições). O aquecimento visa à obtenção do estado ideal psíquico e físico, a preparação cinética e coordenativa e a prevenção de lesões.”

Nessa definição poderíamos adicionar, no caso do futebol, que o aquecimento “…visa à obtenção do estado ideal técnico, tático, físico e psíquico…”, já que nessa modalidade esportiva os atletas são exigidos de forma integral desde o primeiro minuto da partida ou do treino.

Fisiologicamente, o aquecimento, como o significado da própria palavra define, tem por objetivo “aquecer” o organismo. Esse aquecimento é acompanhado: do aumento do metabolismo; da melhor mobilização energética; do aumento da irrigação tecidual; do aumento da temperatura tecidual; do aumento da atividade enzimática aeróbia e anaeróbia; do aumento da resposta dos fusos musculares; do aumento da lubrificação articular; da redução do limiar de excitabilidade dos neurônios.

No aquecimento, essas adaptações fisiológicas devem acontecer concomitantemente às adaptações cognitivas, em que os atletas serão preparados para os problemas específicos da sessão e do jogo propriamente dito.

O aquecimento não deve, então, se focar apenas em preparar os músculos, mas em preparar o ser para agir seja no treino ou dentro da partida.

Para que isso ocorra de forma adequada é preciso que o jogo já aconteça no aquecimento.

E lembre-se que as atividades em forma de jogo devem obedecer um processo adequado e respeitar os conteúdos do Modelo de Jogo da equipe – no aquecimento isso deve ser da mesma forma.

Cada atividade desse primeiro momento do treino deve ser elaborada de forma conectada aos momentos seguintes do treino e deve obedecer os mesmo princípios.

Abaixo, apresento um exemplo de “sessão de aquecimento” que obedece à temática hipotética de manutenção da posse de bola e mobilidade da parte central do treino.

Atividade 1

Descrição
– Atividade de 4 X 1 em que o objetivo dos quatro jogadores é manter a posse de bola pelo maior tempo possível.

Regras e Pontuação
– Jogador que está no meio da roda de jogadores sai desta posição quando recuperar a bola.

– Os quatro jogadores devem manter a posse das dois bolas.

Atividade 2

Descrição
– Atividade de 3X 3 em que o objetivo das equipes é manter a posse de bola.

Regras e Pontuação

– Equipe que estiver com a posse de bola deve manter a mesma sempre em movimento e seus jogadores devem se deslocar constantemente pelo campo de jogo; se a bola ou algum jogador parar de se movimentar, a equipe perde a posse da mesma.

– Equipe marca o ponto quando trocar cinco passes sem interrupção.

Atividade 3

Descrição
– Atividade de 3 X 3 + Coringa em que o objetivo das equipes é manter a posse de bola utilizando o coringa.

Regras e Pontuação
– Equipe marca o ponto quando fizer um passe para o coringa e o mesmo devolver a bola para um jogador diferente (da mesma equipe) do que fez o passe para ele.

 

O tempo dessa sessão deve girar em torno de 15 a 45 minutos, dependendo das condições climáticas, estado de treinamento, período do dia, disposição psíquica e idade dos atletas, entre outros fatores.

O alongamento e outras atividades podem ser inseridos nesse momento do treino, mas todas de forma embasada e com seus devidos objetivos bem definidos.

Até a próxima!

Para interagir com o autor: bruno@universidadedofutebol.com.br

Referências bibliográfica

KATCH, F. I. & MC ARDLE, W.D. Nutrição, Exercício e Saúde. MEDSI: Rio de Janeiro, 1996. 4ª edição. 1996

WEINECK, J. Futebol Total: o treinamento físico no futebol. Editora Phorte: Londrina-PR. 1ª edição. 2000

WEINECK, J. Treinamento Ideal. Editora Manole: São Paulo, 9ª edição. 1999

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Treinador, escolha: jogador especialista ou versátil?

Diversas opiniões são manifestadas acerca das características de um determinado jogador. É bastante comum se estabelecer um julgamento de valor privilegiando os que são mais versáteis em detrimento dos que exercem somente uma posição.

Como argumentos inegáveis a favor da versatilidade, para muitos, estão a possibilidade de mudar o jogador de posição durante uma partida, ou então, de alterar a distribuição das peças da equipe no campo de jogo sem necessariamente ter que fazer alguma substituição. Danilo, lateral-direito, volante e meio-campista do Santos e da seleção brasileira principal é um exemplo atual de atleta versátil.

Para outros, ser versátil é sinônimo de saber um pouco de tudo e muito de nada. Já li matérias de cronistas esportivos e pronunciamentos de treinadores respeitados no cenário do futebol que primam pela especialização em uma posição. Em opiniões mais simplificadas, afirmam que só é possível conhecer profundamente os “atalhos” de uma determinada função e se tornar acima da média, caso atue especificamente nela.

Já numa sábia opinião mais complexa, a especialidade aliada à multifuncionalidade (dominar várias regras de ação da mesma posição) é o argumento que se opõe aos que preferem os atletas polivalentes. Sneijder, meio campista da Inter de Milão, é um exemplo atual de um especialista em faixa central ofensiva que não conseguiu bom desempenho como meia aberto no Modelo de Jogo da ex-equipe de Gasperini.

Mas, afinal, o que é melhor para um treinador: ter um jogador especialista e multifuncional ou um jogador versátil?

Quer aprimorar sua função como treinador? Matricule-se no Curso Master em Técnica de Campo feito pela Universidade do Futebol em parceria com a Federação Paulista de Futebol.

O futebol é feito, leia-se administrado, de diversas formas. Existem clubes com filosofias e culturas de jogo muito bem definidas, existem os que estão perdendo a identidade, existem os que perderam a identidade, os clubes de formação com muitos recursos, com poucos recursos, existem clubes que jogam pelo acesso a qualquer custo (a ponto de planejarem somente após subirem), existem os que trocam de treinador a cada instante, os que mantêm o treinador, os que te cobram exclusivamente pelo resultado de campo, existem os que não olham para a base, os que olham para a base, os que dirigentes trazem seus jogadores de confiança, os que dirigentes trazem os jogadores de confiança do treinador, os que dirigentes trazem jogadores de empresário com bom relacionamento com o clube, os que formam equipes às pressas…ufa!

Enfim, para cada “tipo” de clube, existem milhares de outros que são combinações entre os mencionados acima e cada treinador de futebol encontra-se em um clube com particularidades que caberá a ele perceber quais são.

Após analisar o que esperam as pessoas que o contrataram, além do ambiente em que ele está inserido, inicia-se a gestão da equipe a partir das suas ideias de jogo.

Se o treinador estiver num clube que privilegia a formação de alto nível, promover a polivalência deve ser pré-requisito para o exercício da função, pois se aumenta significativamente o valor agregado ao produto no final do processo. Porém, se o treinador assume uma equipe alguns dias antes da estreia ou do próximo jogo (ocorrência comum no futebol), o tempo hábil é muito curto para executar a leitura dos seus jogadores e lhes exigir polivalência ou até multifuncionalidade.

E, para desenvolver sua ideia de jogo, não é suficiente o conhecimento das características (táticas-técnicas-físicas-emocionais) de cada jogador. É preciso saber que possíveis baixas podem ocorrer ao longo de uma temporada, como lesões, negociações, suspensões ou quedas de rendimento e a eficaz gestão destas baixas é fundamental para sustentar a performance da equipe.

Quanto mais o treinador estiver atento às respostas (e o mais rapidamente possível) que cada um dos seus jogadores lhe oferece em relação ao desempenho de campo, melhor será a sua intervenção com os especialistas (multifuncionais ou não) e com os polivalentes.

E você, leitor, que chegou a este ponto do texto e exerce qualquer função na comissão técnica que não a de treinador, não se isente de suas responsabilidades em conhecer o jogador numa visão holística. Mais do que passes errados e certos, limiar maior ou menor, o jogador de futebol é um ser humano em movimento que te transmite quem ele é em cada jogo e sessão de treinamento.

Ajude seu treinador!

Porque, no final das contas, colocar os jogadores certos, dispostos nos lugares certos e com as dinâmicas que lhes sejam possíveis é um bom caminho para as vitórias.

Mas, afinal, o que é melhor para um treinador: ter um jogador especialista e multifuncional ou um jogador versátil?

Quando souber, escreva-me a resposta!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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Eu queria tanto! Mas eu posso?

Saudações a todos!

O tema de hoje é comportamento pessoal e a sua influência no sucesso profissional e na qualidade de vida das pessoas.

Pensei nisso no momento em que assisti, ao vivo, ao incidente com o treinador do Vasco da Gama, Ricardo Gomes, que sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) no dia 28 de agosto, durante uma partida contra o Flamengo. Minha ideia inicial era falar sobre esse tema naquela semana, mas como houve um sensacionalismo sobre o ocorrido, esperei a poeira baixar para tocar no assunto.

Na aula que ministrei na FPF (Federação Paulista de Futebol), para a primeira turma do Curso Master em Técnica de Campo, falei rapidamente sobre comportamento e sua influência no cotidiano. Naquela oportunidade, afirmei que pessoas que exercem atividades de acordo com o seu perfil, de acordo com o seu comportamento, e, portanto, conscientes de sua aptidão, têm mais chances de obter sucesso e alcançar seus objetivos de forma mais tranquila, em relação àquelas que não têm o perfil necessário para a atividade que exercem.

E veja, não estou falando de descuido ou falta de trabalho, ao contrário, mesmo tendo o perfil certo para determinada função que ocupa, só com muito trabalho se chega ao sucesso. A notícia ruim é que se você não tem o perfil necessário para a atividade que exerce, mesmo trabalhando muito, dificilmente alcançará o sucesso pleno, ou se alcançar, o corpo mostrará os reflexos do esforço fora do comum.

Sugiro uma reflexão: identifiquem pessoas que trabalham com você, ou em outras organizações, e que ocupem a mesma função. Para ocuparem posições semelhantes, essas pessoas devem ter uma formação escolar e experiência profissional muito próxima, em alguns casos até idênticas às suas.

Agora um exercício de memória: lembre-se de fatos recentes em que essas pessoas estiveram envolvidas, fatos comuns, com as mesmas condições – procure um fato no qual houve uma pressão. Lembrou? Agora pense nas reações e nas ações que cada um tomou. Foram diferentes, certo? Em alguns casos até extremamente diferentes, e é possível que um tenha agido naturalmente e resolveu rapidamente a questão, acalmou os ânimos e seguiu seu dia a dia tranquilamente. Já o outro deve ter ficado estressado, deixou todos ao seu redor nervosos, demorou e sofreu mais para resolver o mesmo problema.

Para elucidar a questão, podemos pegar o exemplo do Ricardo Gomes. Ele foi um jogador excepcional, capitão da seleção brasileira, viveu na Europa, adquiriu outras experiências, inclusive acadêmicas, é um homem que o grupo respeita, querido por todos, conhecedor de técnica e tática. Experiência e conhecimento não faltam a ele.

Mas se você compará-lo com o Luxemburgo, o Muricy e o Felipão, que têm trajetórias parecidas – não estou falando em qualidade técnica – com uma bagagem contendo grandes clubes nacionais, vivência no exterior, seleção brasileira, etc., identificará imediatamente que mesmo tendo a mesma formação e experiência, eles lidam com situações, como a pressão do torcedor na beira do campo, de maneira muito mais tranquila e “controlada” que o Ricardo Gomes.

Eles gritam, falam mal, pulam, mas fazem todo esse “carnaval” de maneira natural, já o Ricardo Gomes fica mais quieto, parece que está sofrendo, somatizando o sentimento, o que pode ser prejudicial e causar males ao corpo, como uma dor no estômago, uma úlcera, um câncer, entre outros.

E isso acontece porque o perfil comportamental exigido para um treinador de futebol requer lidar com essa pressão o tempo todo. Com certeza, Luxemburgo, Muricy e Felipão têm isso: habilidade para lidar com pressão, no seu DNA; já o Ricardo não tem e faz muita força para conseguir o que os outros conseguem naturalmente.
 

Cézar Tegon também compõe o corpo docente da segunda turma do Curso Master em Técnica de Campo, uma parceria da Universidade do Futebol com a FPF. Confira!
 

Então isso quer dizer que ele não pode trabalhar com o futebol? Claro que ele pode! Mas se pudesse dar um conselho a ele, eu diria para viver melhor, procurar uma função que não exija essa pressão extrema, algo em que possa utilizar todo o seu conhecimento, todas as suas habilidades, mas sem sofrer e se agredir. Desta forma ele será mais feliz, e o corpo e a mente agradecerão.

Ouvi o Zico falando certa vez, dentro desse mesmo contexto, sugerindo que, na volta, o Ricardo Gomes trabalhe na identificação de novos talentos, pois é conhecedor de futebol, honesto, bem relacionado e com certeza agregaria muito ao clube que o contratasse para exercer essa função. Acho que o Zico está certíssimo, é exatamente o que penso.

Agora você deve estar sorrindo e perguntando: “Puxa, isso faz muito sentido, não havia notado isso de maneira tão clara”. E pergunte: “Mas como identifico qual o meu perfil comportamental, como sei se estou na função adequada ao meu perfil ou em qual função eu terei melhor desempenho e serei mais feliz?”.

Era justamente esse o sentimento que eu queria provocar em você. Era essa a reflexão que eu gostaria que você fizesse. Pois ao encontrar as respostas para as questões acima, as chances de ser feliz no que faz e de ter sucesso profissional serão multiplicadas.

Onde você pode identificar seu perfil? Atualmente, existem vários instrumentos no mercado que identificam o perfil comportamental de uma pessoa e mostram as funções onde ela teria mais sucesso.

A própria Universidade do Futebol, por meio de uma parceria, tem uma ferramenta [http://bit.ly/oiFq9l] na qual é possível fazer o teste de perfil. Com este recurso, em minutos, você recebe uma síntese com as informações básicas sobre seu perfil. Mas, mesmo sem um teste técnico, é possível chegar próximo das respostas e descobrir se hoje você está fazendo algo que esteja de acordo com seu perfil.

Uma das respostas foi dada pelo próprio Zico. Com certeza ele não aplicou técnica ou usou um sistema para identificar que o Ricardo Gomes, por seu modo de agir, pelo seu comportamento, deveria exercer uma função diferente. Ele chegou a esta conclusão a partir de sua experiência de vida, de observação aguçada, da avaliação dos fatos e do contexto.

Mesmo sem aplicação de uma técnica adequada, conheci uma pessoa especial, um senhor de 82 anos, que por meio da sua experiência de vida, avaliação dos fatos e observação cuidadosa, me disse a respeito deste mesmo assunto: “Eu entendi tudo perfeitamente, não uso nem 1/3 da sua técnica ‘científica’, mas faço perguntas para descobrir se a pessoa atua dentro do seu perfil, e a pergunta é: ‘na maioria das vezes, depois de um dia de trabalho, você chega em casa descansado mentalmente (não estou falando de cansaço físico, necessário na prática de esportes), feliz e com vontade de voltar com todo gás no dia seguinte?’. Se a resposta for sim, bingo, você faz o que gosta e tem o melhor desempenho possível; já se a resposta for não, fique alerta e procure alternativas, pois você não está dando o melhor de si, além disso, em breve seu corpo poderá reagir”.

É isso, pessoal! Reflitam e corram atrás do melhor desempenho e sejam felizes!

Agora, intervalo, vamos aos vestiários e nos vemos na próxima semana.

Abraços a todos!

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br

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Análise do lactato sanguíneo aplicado ao futebol: aspectos conceituais

Na última semana escrevi sobre os aspectos históricos da utilização da análise do lactato sanguíneo, ocasião pela qual verificamos que seu surgimento gerou certos conflitos conceituais e metodológicos. Para continuar nossa linha de raciocínio, abordaremos nessa semana os aspectos conceituais.

Nos processos biológicos de produção de energia química podem ser utilizadas vias anaeróbias aláticas (ATP e ATP-CP), anaeróbias láticas (glicólise anaeróbia) ou vias aeróbias (glicose, lipídeos, aminoácidos). As vias anaeróbias recebem esse nome por não dependerem da utilização de oxigênio, enquanto na via aeróbia ocorre exatamente o contrário.

O primeiro problema conceitual que enfrentamos nessa área é quanto a utilização sinônima dos termos ácido lático e lactato, pois como o primeiro é um ácido e o segundo é um sal, não podem ser considerados a mesma coisa. Além disso, há evidências de que não há produção significativa de ácido lático (nem no músculo e nem no sangue) e, portanto, só o lactato seria passível de ser medido.

Outro problema é a crença de que o lactato só pode ser produzido pelo metabolismo anaeróbio na ausência de O2, pois com tal afirmativa, deveríamos imediatamente ter em mente pelo menos uma condição fisiológica natural em que fosse possível todo o oxigênio se exaurir do corpo, o que não é verdadeiro. O mais correto seria definir o metabolismo anaeróbio como sendo aquele que mesmo tendo O2 disponível, nós não o utilizamos pelo fato de ser mais vantajoso utilizar processos químicos de transformação de energia menos complexos (anaeróbios).

Outra confusão que se faz é definir o termo limiar anaeróbio como a intensidade de exercício pela qual a produção de energia passa a ser “predominantemente anaeróbia”. Ora, se houvesse “predomínio anaeróbio” em alguma situação, o Consumo Máximo de Oxigênio (VO2máx) sempre deveria anteceder o limiar e, nesse caso, toda a Fisiologia do Exercício que se conhece atualmente deveria ser não só repensada, mas reescrita. O mais correto, então, seria substituir o termo “predominância” pela expressão “maior contribuição anaeróbia”.

Ainda conceitualmente falando, o termo “limiar” – que significa limite – passou a ser adotado com a conotação de que havia uma transição metabólica aeróbia-anaeróbia e que, em determinado momento do exercício, o músculo esquelético sofresse hipoxia, produzindo mais ácido lático. Embora a teoria tenha sido muito bem fundamentada para a época (década de 60), anos depois ela foi abandonada, já que sua fundamentação baseava-se em técnicas e modelos de medidas metabólicas, até certo ponto limitados.

Contudo, apesar de a teoria da hipoxia ter sido descartada, o termo “limiar anaeróbio” permaneceu na literatura e junto com ele surgiram muitos outros nomes que dificultaram ainda mais a conceituação desse fenômeno. Parte da confusão que ocorre até os dias atuais se dá pelo fato de muitos termos receberem nomes diferentes apesar de representarem fenômenos fisiológicos semelhantes e outros receberem os mesmos nomes, mas representarem fenômenos fisiológicos distintos.

Definições como limiar de lactato, onset of blood lactate – OBLA, onset of plasma lactate – OPLA, limiar ventilatório, limiar aneróbio individual, limiar de eletromiografia, limiar de percepção subjetiva de esforço, potência crítica, máximo estado estável de lactato, limiar de frequência cardíaca, limiar de variabilidade da frequência cardíaca, entre outros, são alguns dos exemplos de nomenclaturas que encontramos na literatura.

Embora haja muitas nomenclaturas e possibilidades de determinação desses “limiares”, atualmente há consenso de que durante o exercício progressivo exista a ocorrência de duas zonas de transições metabólicas às quais podem ser detectadas por variadas metodologias.

No futebol, em um único teste, obtêm-se a velocidade, a frequência cardíaca e a concentração de lactato do limiar e tenta-se utilizar esses dados para a prescrição do treinamento. Mas aí, aspectos metodológicos (que serão abordados na próxima semana) necessitam ser bem definidos para não haver desperdício; nem de dinheiro, nem de tempo.

Para saber mais…

Myers J, Ashley E. Dangerous curves. A perspective on exercise, lactate, and the anaerobic threshold. Chest. 1997 Mar;111(3):787-95.

Robergs RA Exercise-induced metabolic acidosis: where do the protons come from? Sportscience 5(2), 2001.

Robergs RA. Science vs. personal bias in acid-base physiology. J Appl Physiol. 2008 Jul;105(1):363.

Svedahl K, MacIntosh BR. Anaerobic threshold: the concept and methods of measurement. Can J Appl Physiol. 2003 Apr;28(2):299-323.

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br

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Do Circo Di Napoli ao Cirque du Soleil: por uma evolução tecnológica no futebol

Aconteceu há alguns anos, e o leitor amigo lembrará do famoso gol de Ricardinho, então jogador do Corinthians, sobre o Santos, nos minutos finais do jogo que decidiu a classificação da equipe da capital à final do Campeonato Paulista de 2001.

Um ponto, literalmente o ponto eletrônico de Ricardinho, chamou a atenção e trouxe à tona a discussão dos benefícios e prejuízos da tecnologia colocada no atleta.

Dez anos depois, retomo o assunto para despertar um debate a respeito de recursos que poderiam ser autorizado pela Fifa para melhoria dos processos de treinos e jogo.

É fato para quem estuda e trabalha com o futebol que os treinos devem ser fiéis ao jogo, ou pelo menos tentar criar o máximo de similaridades com as situações reais de uma partida. Já é um discurso superado a questão de que analises e intervenções baseadas no jogo são mais incisivas.

Assim, reflito sobre que recursos poderíamos pensar para auxiliar na busca de informações mais precisa sobre desempenho e dados fidedignos ao jogo.

Hoje existem no Brasil e pelo mundo algumas tecnologias baseadas em câmeras que filtram informações diferenciadas de um atleta como, por exemplo, seu deslocamento e faixas de velocidade em uma partida oficial.

No geral, esses métodos são indiretos, no sentido de não estarem os recursos implantados no atleta. Já existem alguns recursos que conseguem coletar informações significativas com base em tecnologia que utilizam algum item vinculado ao atleta, como, por exemplo, frequencímetros, GPS ou mesmo sistema de rastreamento via RFID.

 

A utilização do GPS na prática de treinamentos e jogos de futebol

 

Ë nesse ponto que gostaria de levantar uma discussão para os próximos anos. Provocando os dois lados envolvidos.

Para quem analisa e investe no futebol, tais recursos podem ser importantes na melhoria do espetáculo, e sob o ponto de vista dos custos, o amigo mais interessado vai perceber que sai relativamente mais em conta análises diretas do que indiretas, porém os trâmites legais e proibições da Fifa impedem que sejam compatíveis com a realidade do futebol.

A entidade máxima do futebol deve, sim, preservar a segurança do atleta e garantir condições humanas ao jogo, porém poderia fiscalizar e definir parâmetros sem, no entanto, vetar por completo tais melhorias. Ao invés de vetar o ponto eletrônico como em 2001, poderia incentivar com vistas à melhoria do espetáculo (imaginem ouvirmos dentro do possível a conversa de um técnico com o jogador nos moldes do que acontece hoje com o rádio entre equipe e piloto na Formula 1?) – isso seria fantástico, embora alguns técnicos com certeza contestariam.

Por outro lado, com tal intervenção e fiscalização regulamentada pela Fifa, as empresas teriam mais certezas e motivações para investir cada vez mais em recursos que não agredissem. Se hoje a justificativa pela falta de inovação esbarra na limitação imposta, seria proveitoso e estimulante desenvolver com base na nanotecnologia aparatos seguros, leves e confortáveis capazes coletar informações valiosas sobre desempenho em jogo, cada vez mais aperfeiçoando o treinamento esportivo.

Informações de aceleração em curto espaço de tempo, deslocamentos, movimentação da equipe em função do centro de jogo, para vincular, por exemplo, com os princípios táticos fundamentais do futebol.
 

Introdução aos Aspectos Táticos do Futebol: conheça o curso online da Universidade do Futebol clicando aqui.
 

Tornaria a ciência mais rica e consequentemente o espetáculo mais grandioso. O que difere o Circo di Napoli tradicional e mágico nas nossas memórias em comparação ao Cirque du Soleil, senão a modernização e “tecnologização” das emoções circenses?

O espetáculo só tem a ganhar com a tecnologia, a ciência também, mas são precisos critérios bem estabelecidos. Talvez por isso seja mais fácil para a Fifa vetar do que estabelecê-los.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Facetas do rebaixamento

Fora do circuito de glamour do futebol, os rebaixamentos ocorridos na Série C do Campeonato Brasileiro no último fim de semana estão cercados por alguns fatos inusitados, mas que refletem muito bem a forma de gestão da grande maioria dos clubes no pais.

Todos os rebaixamentos, com exceção ao do Grupo C, que decretou a queda do Marília/SP no confronto direto com o Macaé/RJ, vencido pelo clube fluminense por 6 a 4 fora de casa, apresentam algo diferente para contar – aliás, inclusive o citado neste parágrafo parece bem inusitado pelos 10 gols da partida…

Enfim, vamos aos fatos:

Grupo A: nem a pífia campanha do glorioso Araguaína/TO, que somou apenas um ponto em oito jogos, pode ser suficiente para rebaixá-lo. O líder da chave, o Rio Branco/AC, infringiu o CBJD ao entrar na Justiça Comum antes de esgotadas as instâncias desportivas e foi punido em primeira instância pela Justiça Desportiva. No entanto, o clube acreano conseguiu na terça-feira (20) um efeito suspensivo para voltar à competição, o que deve tumultuar em alguma medida a segunda fase da competição (ou parte dela, uma vez que os clubes agora estão divididos em dois grupos, sem um cruzamento direto entre si, que ocorrerá apenas na final da competição).

Grupo B: tem relação com o último jogo entre o já classificado CRB/AL com o tradicional Fortaleza/CE – este último lutando contra o rebaixamento. Após saberem do resultado do outro jogo do grupo (Guarany/CE x Campinense/PB), jogadores do Fortaleza supostamente pediram aos colegas do CRB para que deixassem fazer mais um gol para livrar o clube do descenso. E foi o que ocorreu – com os 4 a 0 no estádio Presidente Vargas, o Fortaleza conseguiu se manter na Série C do próximo ano, mandando o Campinense (que venceu por apenas um gol) para a Série D.


 

Grupo D: no sul do país, Caxias/RS, Santo André/SP e Brasil/RS terminaram a primeira fase empatados com oito pontos ganhos cada um. Pelos critérios de desempate, o Santo André/SP deveria ser rebaixado, uma vez que terminou com saldo de -5 gols (contra -4 do Brasil e -3 do Caxias). No entanto, na primeira rodada da competição, o Brasil escalou o jogador Claudio, que havia sido expulso na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2010 quando atuava pelo Ituiutaba/MG pela Série C. O mesmo deveria ter cumprido a suspensão em competição nacional, fato que só foi ocorrer no segundo semestre de 2011. Com isto, o Brasil acabou punido pelo STJD com a perda de seis pontos e, consequentemente, rebaixado para a Série D em 2012.

Alguns destes casos explicitam o limiar da ética, tão defendida em nossa sociedade. Outros refletem um pouco a desorganização, tanto de clubes quanto da própria entidade que administra o futebol – que já poderia ter desenvolvido um sistema fidedigno de registro de atletas e monitoramento contínuo dos mesmos quanto a contratos e condições de jogo.

Enfim, a coluna desta semana serve apenas para algumas reflexões mais evasivas do que é o futebol brasileiro nas suas entrelinhas. E casos semelhantes só não estão mais ocorrendo com tanta frequência nas séries A e B por conta da mídia e a exposição mais flagrante de dirigentes e executivos que tendem a se moldar conforme regras pré-estabelecidas pelos veículos de comunicação…

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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Devo ou não treinar em função do adversário?

O jogo de futebol é composto por dois subsistemas chamados equipes, que se enfrentam em busca do melhor resultado possível dentro da partida, que nem sempre é o placar final.

Neste cenário, podemos entrar no jogo “às cegas”, ou seja, sem saber nada sobre o adversário (isso pode acontecer na base ou até mesmo no profissional), ou “às claras”, onde sabemos quem estamos enfrentando, em relação ao seu Modelo de Jogo com seus pontos fortes e fracos.

Tendo a possibilidade de conhecer a equipe adversária e fazer uma análise de seu jogo, podemos preparar a equipe para os problemas contextuais ao adversário.

Contudo, isso significa mudar minha forma de jogar em função do adversário, processo em que vou me adequar ao Modelo de Jogo rival, ou potencializar minha forma de jogar, preparando meus jogadores para os problemas que podem aparecer no jogo em função do modelo do adversário.

Saber os pontos fortes e fracos não significa que minha equipe deva mudar sua forma de jogar em função do adversário!

Conhecendo a equipe que vou enfrentar, devo preparar meus jogadores para os problemas que podem aparecer no jogo em função do modelo adversário.

Além de preparar minha equipe, posso manipular a equipe adversária para fazer aquilo que eu espero, contudo, para que isso ocorra, não posso pensar apenas no adversário e em suas características, mas no jogo propriamente dito (será que posso manipular o jogo?).

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A fim de preparar minha equipe para os problemas do jogo em função do adversário, posso trazer informações para os jogadores e criar atividades contextuais para submeter os mesmos a uma realidade de treino similar ao jogo do fim de semana ou meio de semana.

Ser similar ao jogo significa que os problemas emergentes no treino serão, primeiro, condicionados ao jogo e, segundo, ao adversário que a equipe enfrentará.

As atividades contextuais trazem para a sessão de treino um ambiente onde os jogadores irão ser submetidos aos problemas referentes ao modelo de jogo do adversário.

Essas atividades têm seu volume aumentado ao longo das categorias e no profissional atingem seu maior volume dentro da semana, porém não deve ser a única forma de treinamento.

Bom, vamos ao exemplo prático:

Se souber que a equipe que enfrentarei tem um balanço ofensivo com três jogadores dispostos em linha no meio-campo, com um contra-ataque extremamente veloz e eficiente, posso criar uma atividade em que essa situação seja um problema do treino.

A atividade abaixo ilustra como isso pode ser feito:

Descrição
– Atividade de 11 X 11. Sempre que a bola sair no campo defensivo da equipe amarela, os coringas devem repor a bola em jogo rápido para os três atacantes.

Regras e Pontuação
– Gol vale 1 ponto. E se for realizado de contra-ataque pela equipe amarela, vale 3.

Com essa atividade, os jogadores serão estimulados durante a semana a resolverem esse problema e, no jogo, isso não será uma novidade.

Além disso, posso adotar estratégias para anular esse ponto especifico do adversário de forma organizacional, em que o adversário será direcionado a jogar de uma forma diferente da que ele acostumado.

Perceba que o objetivo não deve ser mudar a forma de jogar da minha equipe em função do adversário, mas prepará-la para agir melhor no jogo.

Até a próxima!

Para interagir com o autor: bruno@universidadedofutebol.com.br

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O centro do jogo e a organização defensiva

Em uma das minhas primeiras colunas, apresentei indicadores de qualidade ofensiva de uma equipe a partir dos comportamentos realizados em função do centro do jogo. Naquele texto, foram descritos os mecanismos individuais e coletivos que favorecem a recusa da inferioridade numérica com consequente busca pela superioridade numérica.


 

Uma vez que para a organização ofensiva as ações coletivas que permitem a obtenção de êxito devem ocorrer possivelmente com maior número de jogadores que o adversário, para as ações defensivas não é diferente. Em oposição à cobertura ofensiva e movimentações para dentro ou fora do centro do jogo, a organização defensiva de uma equipe deve realizar contenção, cobertura defensiva e equilíbrio defensivo, com o objetivo de impedir uma ação ofensiva de qualidade feita pelo oponente.
 

 

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Na coluna desta semana, será feita a discussão destes três mecanismos e, em seguida, algumas identificações de centros do jogo em uma partida do Campeonato Brasileiro 2011.

A contenção é feita pelo oponente direto ao portador da posse de bola e tem como finalidades diminuir em espaço e tempo e ação do adversário, permitindo a recuperação da posse, o atraso da ação ofensiva ou a mudança do centro do jogo para locais de menores riscos.

Como somente a contenção não promove a desejável superioridade numérica, a cobertura é indispensável para manutenção de uma boa organização defensiva, com ação indireta no centro do jogo, que passará a ser direta caso o responsável pela contenção seja ultrapassado.

Quanto mais próximo da zona de risco, mais próxima deve ser a cobertura defensiva.

Já o equilíbrio defensivo, que também deve assegurar a superioridade numérica setorial, é feito pelo(s) atleta(s) responsável(is) pela interpretação da ação de movimentação dentro ou fora do centro do jogo pela equipe que detém a posse de bola. A correta aplicação deste mecanismo defensivo faz com que o adversário não tenha espaços para progressão, que dificulte o recebimento da bola pelos atacantes que executam movimentação em setores livres e de perigo e que a estabilidade no centro do jogo seja
alcançada.


 

A análise do comportamento defensivo de uma equipe em função do centro do jogo possibilita a compreensão de quais são os princípios defensivos da ideia de jogo de um treinador. Nas trocas de passes do adversário, é possível perceber a (re)organização da equipe nos comportamentos funcionais de recuperação/impedir progressão/proteção do alvo. E nessas trocas, pode-se observar quais jogadores fazem contenção, qual a qualidade dessa ação e até a partir de qual região ela se inicia.

Essa análise também pode ser feita em relação à eficácia da obtenção da superioridade numérica no centro do jogo, que, por sua vez, decorre de adequadas coberturas e equilíbrios defensivos ou até mesmo por meio de ataques desordenados à bola, que resultam em espaços vazios para serem explorados pelos adversários.

Durante todo o jogo, ter os jogadores preparados (técnica-tática-física-emocionalmente) para agir no centro do jogo é a chave da vitória.

Há momentos que o centro do jogo está distante de determinado jogador e uma simples flutuação é suficiente para se executar a melhor decisão para a emergência do jogo, porém, há várias situações que o centro do jogo muda tão rapidamente que o milésimo de segundo separa o vencedor do perdedor.

E, nos últimos dias, uma equipe que é soberana nas decisões acertadas no centro do jogo em organização ofensiva e defensiva, não esteve preparada para agir durante os 90 minutos. Num escanteio cedido à equipe adversária, a concentração mental do líder da equipe para uma das últimas ações do jogo, ao invés de centrar-se na proteção coletiva do alvo e possível participação no centro do jogo, foi direcionada para a reclamação com o assistente. O placar do jogo penso que vocês já sabem. A bola não perdoa e os bons também não!

Se o placar do jogo teria sido diferente caso não houvesse a reclamação? Não saberemos nunca! Deve ser por isso que gostamos tanto de futebol…

Para encerrar, acompanhe o comportamento do Santos em função do centro do jogo e faça uma breve análise sobre o processo defensivo desta equipe em algumas ações do jogo contra o Corinthians.
 


 

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br