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Copa América de futebol 2011: primeiro raio-x da seleção brasileira de Mano Menezes e o jogo contra a Venezuela

A atuação da seleção brasileira de futebol não deve ter agradado a maioria dos torcedores, especialistas e pseudo-especialistas em sua estreia contra a seleção da Venezuela, na Copa América 2011.

Com três atacantes, com uma proposta de pressão constante sobre a bola já no campo de ataque, e com a tentativa de tornar velozes as construções e as transições ofensivas, a expectativa sobre o desempenho da equipe do Brasil antes da partida era muito grande.

Pois bem.

O jogo terminou empatado (0 a 0), e as críticas (inevitável) já começaram.

Dentro do Modelo de Jogo proposto pelo Brasil, talvez tenha sido, o início do jogo, o momento de sua melhor expressão.

Tentativas intensas para tentar recuperar a bola, progressões rápidas ao ataque, boa ocupação do espaço e boa mobilidade. Características, comportamentos e ações que foram se diluindo com o tempo e quase desapareceram durante o jogo.

Se compararmos, como exemplo, os mapas de calor do 1º e do 2º tempos de jogo, notaremos a grande diferença na ocupação do espaço entre as duas etapas, e quanto ela (a ocupação espacial) foi perdendo densidade pelas laterais e ficou “pesada” pelo corredor central do campo de jogo.


 

No mapa de calor, cores quentes representam maior concentração de ações e cores frias, menor concentração de ações.

Então, a cor vermelha representa maior concentração de ações do que a laranja, que representa maior concentração do que a amarela, que representa maior concentração do que a verde, que representa maior concentração do que a azul.

Notemos que no 1º tempo da partida, o Brasil conseguiu, de maneira geral, uma ocupação razoável das faixas laterais esquerda e direita na intermediária ofensiva.

A boa amplitude só não foi eficiente porque, além de não estar tão avançada quanto deveria (a ocupação lateral), também não encontrou concentração condizente no corredor central, em regiões mais próximas do gol.

Apesar das infiltrações constantes do jogador Ganso, em tentativas de aproximação do atacante Pato, o desenho tático do Brasil ao atacar (algo próximo de um 1-3-3-4, variando para um ofensivamente mais eficiente, porém com dificuldades na transição defensiva, 1-2-4-4) não conseguiu levar vantagens numéricas setoriais no confronto com o desenho tático venezuelano.


 

No 2º tempo da partida, as regras de ação e de ocupação do espaço do Modelo de Jogo da seleção brasileira se perderam.

Além da dificuldade para atacar a bola (uma dificuldade aparentemente, mais do comportamento individual não condicionado dos jogadores, do que somente da tática coletiva), podemos observar no mapa de calor, na 2ª etapa do jogo, que a estruturação do espaço perdeu em amplitude, volume e proximidade do gol de ataque.

A má ocupação espacial geral fez com que o Brasil tivesse no jogo 83% de aproveitamento nos seus passes (a Venezuela 71%) – e Ganso, que pouco costuma errar, 58% (26 passes/15 acertos).


 

Ao observarmos a posição média dos jogadores do Brasil no 1º tempo, podemos notar que boa parte da amplitude conseguida pela seleção brasileira deu-se principalmente pela participação dos laterais, e que de certa forma o “centro de gravidade da equipe” (leia sobre o assunto – Leitão, R.A.A. O centro de gravidade do jogo e o centro de gravidade das equipes que jogam: a influência dos atratores. Anais do Congreso Internacional de Fútbol de Valencia. 2009) esteve no seu campo de ataque.

O centro de gravidade da equipe no campo de ataque, associado às imagens do jogo, mostra que em boa parte da 1ª etapa o Brasil teve um grande número de jogadores ocupando o espaço ofensivo do campo, o que, além de possibilitar (em tese) manutenção da bola neste setor, poderia facilitar o ataque a bola logo após sua perda.

No entanto, a sincronização coletiva para pressionar a bola, e o hábito não condicionado de pelo menos cinco dos seis jogadores que iniciaram o jogo, propiciaram, sim, algumas vezes recuperação rápida da bola, mas muito distante da meta ofensiva.


 

No 2º tempo do jogo as coisas ficaram um pouco mais difíceis, especialmente porque a ocupação do espaço de ataque piorou, a mobilidade diminuiu, o centro de gravidade “baixou” e a pressão coletiva sobre a bola diminuiu muito em eficácia.

No geral do jogo, diria que ficou clara a proposta e o modelo idealizado por Mano Menezes – me parecem muito interessantes.

Condicionar o comportamento individual e coletivo para credenciar a seleção brasileira a cumpri-lo me parece um problema de tempo.

Da mesma forma, me parece um problema de tempo melhorar a “resistência de concentração” para jogar o jogo que se deseja, em seus 90 minutos.

O tempo, no entanto, é algo escasso no futebol, e especialmente na seleção brasileira, que terá pouquíssimos jogos oficias até a próxima Copa do Mundo (e cobranças estrondosas).

Mano Menezes já mostrou competência em um passado não muito distante para montar boas equipes, conquistar títulos e gerenciar grandes estrelas e torcidas do futebol.

O jogo que a seleção brasileira quer jogar me parece um bom jogo. Mas as únicas seis finalizações que conseguiu na partida contra a Venezuela mostraram que a distância entre o jogo que ela pode jogar hoje, e o jogo que ela quer jogar, ainda é grande.

Para mais informações específicas sobre o duelo em questão, leia o relatório completo da Scout Online. Clique aqui.

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br  

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Obrigado

Algum dia a hora chega. Já são quase seis anos aqui neste espaço. Tempo de muito aprendizado e de uma oportunidade tremenda de poder mostrar um pouco mais do que penso a respeito de futebol.

Infelizmente, a partir de hoje, deixo este nobre espaço. A agenda corrida já não estava permitindo que semanalmente eu conseguisse escrever meus textos para a Universidade do Futebol. Entre deixar o leitor na mão ou abrir mão de escrever, acredito que o mais correto é abrir o caminho para quem tem muito a compartilhar com você.

Toda despedida é dolorosa. Mas só tenho a deixar aqui o meu agradecimento para quem me ensinou muito ao longo desses seis anos.

O mestre Medina, os companheiros Tega e Afif, o amigo de toda hora Gheorge. Sem eles, nada do que você aprende diariamente nesta universidade virtual seria possível. Pode ter certeza que é da dedicação de grandes figuras como eles que foi possível termos essa evolução no futebol brasileiro nos últimos anos.

Não, ainda estamos muito longe de chegarmos ao mundo ideal. Mas é a troca de conhecimento que permite o crescimento. E é esse o maior legado da Universidade ao futebol brasileiro. Técnica, tática, treinamento, fisiologia, nutrição, administração, marketing, comunicação… Tudo está interligado e explicado nessa grande teia de conhecimento que é a Universidade do Futebol.

Por isso mesmo que é tão difícil dizer adeus. Muito mais com cara de um “até logo”. Agora é hora de reciclar, rever conceitos, relaxar um pouco a cabeça para poder aprender ainda mais. Enquanto isso, assumirei a condição de internauta, para conseguir rever conceitos e ampliar o conhecimento.

Obrigado a você, leitor. E, especialmente, a esses amigos tão especiais da Universidade. Sem vocês, podem ter certeza, nada tem sentido. Agora chegou a minha hora de vir para o lado de cá e “cornetar” um pouquinho.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br  

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A mesada do papai

Você sabia que um dos melhores jogadores do mundo – seguramente vai ser o melhor em breve – ainda ganha “mesada” do pai?

Sim, Neymar, o brilhante “Menino da Vila”, recebe R$ 10.000 todo mês, das mãos do seu pai.

Ok. R$ 10.000 é muita coisa.

OK, mas é muito menos do que os contratos assinados pelo jogador, com o Santos e com os patrocinadores, lhe asseguram.

Ok, mas isso não interessa aqui.

O que interessa é a educação financeira que o pai do prodígio lhe transmite, independentemente de múltiplos assessores que rodeiam o craque nas mais distintas áreas.

Com 13 anos, Neymar recebia do Santos um salário de R$ 30.000.

O pai, então, decidiu se dedicar integralmente ao filho nessa educação e gestão da carreira.

E tinha muita experiência, porque, em suas próprias palavras, “sabia muito o que fazer para uma carreira não dar certo”, uma vez que havia sido jogador medíocre e perambulado por vários clubes pequenos profissionalmente.

À experiência, somou-se a autoridade paterna, vinculando o aumento da “mesada” às metas atingidas.

O pai deixou o filho comprar o primeiro carro, com 18 anos… financiado em 48 vezes, em parcelas pagas que cabiam no bolso.

Queria um carro melhor e mais caro.

O pai disse que se fosse artilheiro do Sul-Americano sub-20 e fizesse gols na final, teria.

O filho conseguiu. O pai cumpriu o trato.

Neymar não foge muito do estereótipo dos craques do futebol brasileiro, ao nascer em berço humilde.

A diferença está no fato de que esse berço humilde sempre teve pai e mãe muito presentes na vida do filho.

Essa é a forja dos ídolos que se perpetuam.

E falando em educação financeira, dada a exuberância irracional do consumo no Brasil, pouca gente deve ter tido, em casa.

Até nas melhores famílias.

Taí uma oportunidade de negócio pro pai do Neymar.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br  

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Você convocaria o Arouca para a seleção brasileira?

“Acho que o Mano (Menezes) tem que olhar com carinho para este jogador. Se não fossem as lesões ele já poderia pintar numa convocação”. Essa foi a opinião de um comentarista esportivo durante a transmissão da final da Copa Libertadores, oportunamente, alguns minutos depois da participação do volante santista na jogada em que terminou com a finalização de Neymar e o 1 a 0 no placar. Como sabem, a partida terminou 2 a 1 para a equipe brasileira, que conquistou o título diante do Peñarol.

Para iniciar a análise individual de Arouca, é válido mencionar que todas as informações e vídeos divulgados na sequência da coluna não têm como objetivo estabelecerem julgamentos de valor, definindo acertos ou erros para cada ação. Caberá ao leitor a partir da interpretação das informações relatadas e observação das imagens, formar/melhorar uma opinião a respeito do referido atleta.

A final da Copa Libertadores permite uma análise do jogador exercendo regras de ação semelhantes em regiões distintas do campo de jogo. No confronto de ida, ainda com a ausência de Paulo Henrique Ganso, Arouca fez a função de volante com razoável estruturação do espaço pelo lado direito do campo e, na volta, com a presença do camisa 10, Elano retornou à posição de origem e Arouca exerceu a função de volante pelo lado esquerdo, predominantemente.

Na primeira partida, a plataforma de jogo utilizada pelo técnico Muricy Ramalho foi a 1-4-1-3-2 e como mandante utilizou a plataforma 1-4-4-2 (losango) como podem ser vistas nas figuras abaixo:

As ações técnicas de passe realizadas pelo volante na partida disputada no Uruguai totalizaram 30. Dentre elas, 12 tiveram predomínio vertical no sentido do alvo adversário, 10 predomínio horizontal, dois cruzamentos, dois passes para trás e quatro passes errados. Além disso, Arouca realizou duas interceptações, cometeu duas faltas e perdeu uma vez a posse de bola. Neste jogo Arouca não finalizou e não executou nenhum desarme.

No Pacaembu, Arouca foi o maior passador da equipe santista somando 43 ações. Destas, 19 tiveram predomínio vertical, 16 predomínio horizontal, quatro passes para trás e quatro passes errados. Em outras ações, recuperou seis vezes a posse de bola em desarmes e realizou duas interceptações. Perdeu a posse de bola por quatro vezes. Arouca também não finalizou neste jogo.

Os dados dos fundamentos técnicos acima (sem demais contribuições visuais/espaciais dos locais e situações de jogo nas quais tais ações aconteceram), não possibilitam uma análise global de desempenho do jogador. Com esses dados é possível somente perceber quais ações técnicas do futebol o jogador analisado executa com predominância.

Posto isso, a observação do jogo em sua fase ofensiva, defensiva e de transições em situações com e sem bola precisam ser inseridas para permitir uma análise mais completa.

Abaixo, veja uma sequência de lances sobre o comportamento do jogador santista na organização defensiva de sua equipe diante do Peñarol:
 


 

Dando continuidade na observação, o vídeo seguinte compreende uma síntese do comportamento de Arouca nas transições ofensivas da equipe santista:
 


 

Nos dois trechos publicados, informações importantes a respeito do desempenho de jogo do atleta podem ser obtidas. Para a fase defensiva, é possível perceber qual a região do campo mais utilizada para realizar suas ações defensivas, sua referência predominante de marcação, sua velocidade de recomposição, seu posicionamento entre bola e alvo, sua ação de recuperação da posse, sua velocidade de flutuação, entre outras questões.

Já para a transição ofensiva, pode-se visualizar sua predominância de comportamento em relação à movimentação, pode-se diferenciá-lo quando ele está mais próximo ou mais distante do centro do jogo, e ainda, quando recebe a bola é possível identificar setores/jogadores mais procurados.

Na próxima semana, o encerramento da coluna com a síntese das ações de Arouca na organização ofensiva e de transição defensiva da sua equipe contra o mesmo adversário e as conclusões.

Enquanto isso, veja a estreia da seleção brasileira na Copa América, analise o desempenho dos volantes que participarem do jogo e comece a estabelecer as devidas comparações.

Arouca poderia estar no lugar de Ramires, Lucas, Elias ou Sandro?

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
Especial: Mano Menezes, o treinador da seleção brasileira 
 


 

Introdução aos Aspectos Táticos do Futebol: conheça o curso online da Universidade do Futebol clicando aqui.

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Conflitos na equipe

Saudações a todos!

Após a coluna da semana passada, na qual abordei a importância de um líder nato, recebi e-mails de várias pessoas que lideram equipes com uma dúvida recorrente: “na minha equipe existem conflitos e tenho dificuldades em lidar com eles. O que devo fazer?”

Acreditem, seja no trabalho, na rotina social, no seu clube, na família, entre os amigos ou em qualquer lugar que exista convívio entre pessoas, sempre existirão conflitos, pois cada pessoa age de forma distinta e, portanto, tem opiniões diferentes sobre o mesmo tema.

Como lidar com essa miscelânea de opiniões e transformar esses conflitos em algo positivo para a equipe, em uma troca de opiniões saudável, de forma que todos adquiram conhecimentos e o que os conflitos não se transformem em brigas?

Tenho algumas dicas que ajudam a resolver essa questão:

1 – Seja transparente em relação às suas decisões e ações. Deixe clara a razão pela qual elas foram tomadas. Assim, descontentamentos serão evitados, uma vez que todos saberão o que aconteceu e os motivos pelos quais foi tomada a decisão, uma espécie de “ação e suas consequências”.

2 – Meritocracia: quem faz mais, ganha mais e quem faz menos, ganha menos. Todos são impactados positivamente ou negativamente de acordo com suas contribuições pessoais e todos devem conhecer bem essa “equação”.

3 – Educação e respeito pelo outro: troca de opiniões, divergência e conflitos são normais em ambientes onde existam pessoas. Educação e respeito são fundamentais para construção de relacionamentos saudáveis, devem existir sempre.

4 – Ouvir as pessoas: ouvir a opinião das pessoas envolvidas no conflito (de preferência todas juntas), olhando no olho e dando importância e atenção ao que estão narrando é fundamental para que as opiniões e os acontecimentos do dia a dia sejam conhecidos por você e consequentemente você possa agir.

5 – Críticas sempre construtivas: dicas e críticas devem ser expostas, mas sempre de maneira construtiva. Fale claramente sobre o problema, mas acima de tudo aponte o que pode ser melhorado. Desta maneira, as pessoas se sentem valorizadas e realmente refletem sobre o que podem melhorar.

6 – Todos devem ganhar: exija, solicite, cobre, mas valorize sempre, recompense, pois um ambiente só é bom quando todos sentem que saíram ganhando.

7 – Exemplo é tudo: transforme o discurso em prática, aja conforme fala.

8 – Reflita antes de agir: sempre que precisar fazer qualquer interferência, qualquer ação, pense, veja as consequências, planeje, só depois faça.

9 – Não deixe de resolver problemas: pode ser mais trabalhoso, mas não deixe de resolver nenhum problema imediatamente. Momentaneamente, deixar o problema no cantinho, quieto, pode parecer mais tranquilo, mas se transformará em algo maior e mais difícil de resolver no futuro. Às vezes, por um descuido ou por falta de ação, o conflito que era pequeno, fica intransponível e só é resolvido com ações radicais, o que na maioria das vezes não é bom para ninguém.

10 – Encerre o assunto: tenha certeza de que o assunto foi completamente resolvido, não deixe arestas.

Se na sua empresa ou no seu clube você está tendo a maioria das ações acima, tenha certeza de que está no caminho certo e transformará conflitos em conquistas, o que é fundamental para o sucesso do grupo, pois hoje, mais do que as competência técnicas e habilidade em jogar, as empresas e clubes valorizam muito os relacionamentos, a forma como as pessoas agem com as outras pessoas, com o grupo.

Portanto, saber lidar com as opiniões divergentes e com conflitos é fundamental para o desenvolvimento da carreira. Cabe ao bom líder evitar conflitos, antes mesmo de eles existirem e crescerem ao ponto de sair do controle.

No esporte, saber lidar com conflitos e aplicar as dicas que passei acima é ainda mais importante, pois a todo instante os profissionais estão competindo, seja em um treino, no jogo ou mesmo na concentração onde disputam partidas de videogame.

É isto pessoal. Agora, intervalo, vamos aos vestiários e nos vemos na próxima semana!

Abraços a todos!

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br  

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O papel da genética no processo de seleção, formação e detecção de talentos no futebol

Após o mapeamento do genoma humano, o interesse em saber a influência do genótipo (informações contidas em nosso DNA) sobre o fenótipo (característica manifestada) cresceu substancialmente não só na área da medicina para a cura de várias doenças, mas também no esporte como tentativa de predição de desempenho.

O primeiro estudo que relacionou o desempenho a algum tipo de gene foi realizado por Montgary et. al. (1998), que verificaram prevalência do alelo I (inserção) tanto homozigoto (II) quanto heterozigoto (ID) do gene da enzima conversora de angiotensina (ECA) em montanhistas que acendiam até 7000 m de altitude sem necessidade de suprimento extra de oxigênio.

Segundo Oliveira et. al. (2004) o gene da ECA localiza-se no cromossomo 17 e esse polimorfismo (responsável por cerca de 50% da ECA circulante) corresponde a Inserção (alelo I) ou Deleção (alelo D) de 287 pares de bases no intron 16 do gene. Os indivíduos homozigotos DD apresentam maior concentração de ECA circulante que os heterozigotos ID e homozigotos II e teriam maior vantagem em tarefas relacionadas com força, enquanto os homozigotos II teriam maior vantagem em tarefas aeróbias.

Com o avanço tecnológico e a evolução da Biologia Molecular, vários outros estudos foram conduzidos na tentativa de encontrar genes “alvo” como possíveis marcadores de desempenho esportivo.

Atualmente, além do gene da ECA, os que parecem ter mais relação com o rendimento são: BDKRB2 (-9/+9), ACTN3 e R577X, GDF-8K153R, E164K, P198A, I225T, CCL2 e CCR2, AMPD1 C34T, CKMM, BMP2, HIF1A P582S, MSTN e FST, CNTF e INSIG2.

Mais especificamente no futebol, alguns estudos interessantes já têm sido conduzidos com o intuito de verificar se há algum polimorfismo, alelo ou gene que explique de forma satisfatória o rendimento.

Juffer et. al., (2009), por exemplo, verificaram em 54 jogadores profissionais do gênero masculino maior frequência de alelos ID da ECA e de CT da AMPD1 e menor frequência do gene GDF-8 K153R. Esses dados indicam que jogadores de elite tendem a apresentar um genótipo favorável para o desenvolvimento de força e potência musculares ao invés de resistência aeróbica. Vale lembrar que o alelo II do gene da ECA causa uma troca de um aminoácido no angiotensinogênio atua

O mesmo foi verificado por Santiago et. al. (2008) que investigou a distribuição de frequência do genótipo R577X da ACTN3 em jogadores de futebol profissional da Europa. Ao comparar a expressão gênica de 52 jogadores, os autores verificaram que 85% deles possuíam o alelo R da ACTN3, sendo 48,3% homozigóticos RR, 36,7% heterozigóticos RX e apenas 15% homozigóticos XX. Estes dados também evidenciam que jogadores com relativo sucesso possuem genótipo favorável para o desenvolvimento da força e da potência musculares.

Apesar dos estudos apresentados nesta coluna darem indícios de que dentro de um período de tempo relativamente curto será possível mapear os genes de um recém nascido e saber quais modalidades ele teria mais chance de se desenvolver, vale ressaltar que aspectos pedagógicos, técnicos, táticos, motivacionais, nutricionais, além de vários outros fatores que interferem no máximo desempenho de um jogador de futebol jamais poderão ser desconsiderados.

Outro ponto importante que deve ser lembrado é que mesmo com o conhecimento advindo da Biologia Molecular auxiliando na investigação de diferentes genes que estejam associados ao desempenho de alto rendimento no futebol, esta forma de identificação jamais deverá ser utilizada de forma isolada para seleção, formação e detecção de talentos. Ela poderá, sim, dar melhores direções para o sucesso ou fracasso em determinada modalidade, mas jamais deverá tirar o poder de escolha do praticante ou desconsiderar os demais aspectos necessários para o sucesso.

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br

Referências bibliográficas

Juffer P, Furrer R, González-Freire M, Santiago C, Verde Z, Serratosa L, Morate FJ, Rubio JC, Martin MA, Ruiz JR, Arenas J, Gómez-Gallego F, Lucia A. Genotype distributions in top-level soccer players: a role for ACE? Int J Sports Med. 2009 May;30(5):387-92.

Montgomery HE, Marshall R, Hemingway H, Myerson S, Clarkson P, Dolley C, Hayward M, Holliman DE, Jubb M, World M, Thomas EL, Brynes AE, Saeed N, Barnard M, Bell JD, Prasad K, Rayson M, Talmud PJ, Humphries SE, Human gene for physical performace. Nature 1998 393: 221-2.

Oliveira EM, Ramires PR, Lancha-Júnior, AH. Nutrição e Bioquímica do Exercício. Rev paul Educ Fís 2004 18: 7-19.

Santiago C, González-Freire M, Serratosa L, Morate FJ, Meyer T, Gómez-Gallego F, Lucia A. ACTN3 genotype in professional soccer players. Br J Sports Med. 2008 Jan;42(1):71-3.

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Investimentos sustentáveis: realidade ou apenas um sonho?

O mercado milionário do futebol está em alerta. Investimentos descontrolados e pouco planejados colocam em risco a sustentabilidade do negócio. Lendo, na manhã da última terça-feira, o artigo de Erich Beting, intitulado “O mercado do esporte em 2017”, comecei a refletir sobre como o esporte, mais especificamente o futebol, está sendo pensado para os próximos cinco anos, por exemplo.

O que se vê é uma gestão do futebol pensando nos “incêndios” do próximo dia, ações mal planejadas e sem visão sistêmica do futuro. Talvez, a aparente desorganização seja uma forma simples de sucumbir gestões pouco qualificadas e não profissionais. Um balanço social bem elaborado certamente vai apontar as falhas que lá existem.

Chiavenato (2004) é enfático quando explica que o “mundo dos negócios” está sendo alterado com uma rapidez incrível. Além disso, o autor continua dizendo que a velocidade e a profundidade são características marcantes neste processo de mudança, mas, apesar da profunda mudança, o processo está se tornando descontínuo. A descontinuidade causa uma grande ruptura com relação ao passado.

Aproximo o termo descontinuidade, utilizado por Chiavenato, à desconfiança que as empresas demonstram ao decidir pelo investimento no esporte. Como muito bem falado por Beting, o volume de investimentos tem aumentado, mas este crescimento está na mesma proporção em que os proveitos multiplicaram.

Para se ter uma ideia do mercado esportivo, vamos pegar dois exemplos a título de comparação: o primeiro nos remete ao Banco Itaú que, de acordo com a Época Negócios (10-jun-2011), é a marca mais valiosa do Brasil, tendo um crescimento de 18% em seu valor de 2009 para 2010; o segundo se refere ao Corinthians, que a mesma Época Negócios aponta para um crescimento sobre seu valor de marca na ordem de 24% no mesmo período.

Aproximadamente 749,8 milhões de reais foi o valor mensurado para a marca alvinegra, segundo números do estudo da Crowe Horwarth RCS, divulgado no jornal O Estado de S. Paulo em dezembro de 2010.

Caracterizado por KHAUAJA (2005, p.23-24), uma marca sólida e valiosa:

É lembrada pelos consumidores potenciais;
Possui benefício(s) forte(s) e diferenciador (es) para o consumidor-alvo;
É considerada relevante para atender às necessidades e aos desejos de um grupo;
Mantém-se relevante para o consumidor em longo prazo;
É considerada diferente das demais pelos consumidores-alvo;
Possui uma imagem condizente com a identidade transmitida pela empresa;
Seu portfólio ajuda a construir sua imagem;
Possui percepção de qualidade adequada às expectativas dos consumidores-alvo das ações de marketing da empresa;
Cria um vínculo de fidelidade com seus consumidores-alvo;
Garante a lucratividade da empresa ou pelos menos da unidade de negócios;
Possui valor patrimonial elevado.

Trabalhar para a construção de marcas sólidas e valiosas deve ser o objetivo de um clube que pretende conquistar, fidelizar e reter bons investidores. Por isso ainda digo que os investimentos sustentáveis no futebol ainda não passam de um sonho.

*A redação desta coluna é de autoria de Douglas Strelow, após um pedido especial do colunista Geraldo Campestrini.

Douglas está no último ano do curso de Educação Física na UNIVILLE (Universidade da Região de Joinville) e desde o primeiro ano de faculdade se dedica a estudos, pesquisas e experiências relacionadas à gestão e ao marketing esportivo.

Contato: douglas@agon.esp.br.

Referências

Chiavenato, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

KHAUAJA, D. M. R. Fatores de marketing na construção de marcas sólidas: estudo exploratório com marcas brasileiras. 2005. 239p. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo.

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Desafios para o profissional do futebol: transformar dados em resultado

Na última segunda-feira, no portal Terra, uma notícia estava em destaque. Não era relacionada ao futebol, mas seu teor é de suma importância para aqueles que trabalham envolvidos com os centros de inteligência e informação desportiva.

Embora ainda seja um termo relativamente estranho ao futebol, tais centrais, às vezes, chamadas de “datacenter”, têm começado a brotar em alguns clubes brasileiros, conforme já comentamos na coluna do dia 14 de junho (Ao superar barreiras tecnológicas, é necessário definir rumos).

A notícia com o título “Volume de informação e disponibilidade são desafios de TI” trata da dificuldade que o universo tecnológico enfrenta com o excesso de dados que ele mesmo produz. É como se a tecnologia aplicada para gerar dados possa em pouco tempo entrar em colapso, tamanha a sua capacidade de captação de dados sem que seja acompanhada por uma eficaz utilização e conhecimento prático desses. Em síntese, a afirmação de Mark Beyer, vice-presidente da empresa de consultoria que faz o alerta, explica bem esse paradoxo:

“Os lideres de TI devem educar as empresas para ter certeza do grau de controle e de que o montante de dados não se tornem caos”.

Essa preocupação deve estar presente no futebol através dos profissionais que estão inserindo os recursos tecnológicos no seu cotidiano. Não basta coletar dados, não basta armazená-los. É preciso interpretá-los, mas também não podemos encerrar nisso, criando apenas um armazenamento de interpretações de dados. É imprescindível transformá-los em conhecimento.

Nesse aspecto é que um termo da frase dita por Beyer ganha notoriedade: “educar”. É preciso educar, isto é, capacitar e tornar aptos e hábeis os profissionais na arte de transformar dados em conhecimento e intervenção, evitando assim excesso de dados desnecessários e não compreendidos que serão perdidos.

Enquanto na TI a preocupação é o que fazer com os dados, deveríamos no futebol nos focar além do que fazer com os dados naqueles que darão vazão e naqueles que transformarão dados em resultados através de sua metodologia de trabalho e intervenção.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Fast Track 2014

George W. Bush, durante seu governo nos EUA, fez uso do chamado Fast Track.

A tradução da expressão ao português significa Via Rápida.

Com isso, todos os acordos e tratados comerciais negociados pelo presidente não seriam submetidos à aprovação do seu teor pelo Congresso do país.

Uma vez negociado, caberia ao Congresso aprovar no todo, ou vetar no todo, o texto normativo.

Não havia ingerência do Legislativo sobre o Executivo. Não havia outorga de poderes e/ou limites de um Poder para outro Poder.

Os limites eram a Constituição e o ordenamento jurídico norte-americanos.

Preservava-se, com efeito, a autonomia do chefe do Poder Executivo para negociar em nome do país – o que permitiu grande expansão comercial dos EUA em tratados bilaterais e regionais, como com o Chile, ASEAN e outros.

No Brasil, o governo acaba de aprovar, em Medida Provisória, o Regime Diferenciado de Contratação Pública (RDC), para acelerar a licitação e execução das obras da Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016.

Suscitou polêmica o ponto que assegura sigilo na divulgação da estimativa de preço das obras no edital.

O governo alega que a postura serve para evitar superfaturamento e cartel de empresas. A ideia é inverter o pólo da negociação: não se sabe quanto tem no bolso do comprador; por isso, as empresas se esforçariam em apresentar melhor técnica e preço para vencer a licitação.

Ademais, os órgãos de controle interno e externo saberão de todos os detalhes referentes aos editais, incluindo o preço que o governo está disposto a bancar.

Uma mudança positiva levantada é a contratação de ponta-a-ponta, turn key (chave na mão) ou design and build (projete e construa). Todos, na prática, referem-se ao fato de que quem planeja e projeta a obra deve construí-la.

Isso facilita o processo licitatório e de fiscalização, além de inibir intermináveis aditivos contratuais, diante da divergência entre o projeto e a execução da obra.

Não podemos, simplesmente, tratar algo complexo e importante como a seriedade e transparência com o dinheiro público apenas na base da gritaria.

O RDC pretende, a meu ver, flexibilizar o processo de organização dos eventos esportivos que o Brasil receberá.

Obviamente, deve-se respeitar a legislação nacional e os princípios e boas práticas de gestão pública.

Portanto, ao trabalho quem tem que fiscalizar e tem competência técnica e obrigação funcional para tanto: Tribunal de Contas, Procuradoria, Ministério Público.

Fiscalizar tecnicamente é um grande problema brasileiro.

Não é minha função. Não é a sua.

Nem da imprensa sedenta por sensacionalismo.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br  

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DVD's: os "melhores momentos" dos jogadores de futebol

No ambiente corporativo, a contratação de bons profissionais passa inicialmente pelo crivo da seleção de currículos e, num segundo momento, iniciam as entrevistas e dinâmicas de grupo. Para jogadores de futebol, a criação do seu DVD é o seu currículo e, consequentemente, carta de apresentação para os procedimentos iniciais de uma possível contratação.

As contratações e negociações de atletas acontecem em todos os níveis do futebol, entre equipes de base e profissionais, em transferências no país ou internacionais, nas primeiras e nas últimas divisões nacionais, por intermédio de empresários, agentes, dirigentes e até por indicações de treinadores.

Para quem já teve oportunidade de assistir à edição de jogos de algum atleta, provavelmente deve ter se deparado com uma exacerbação de qualidades técnicas, com imagens fechadas em um ou dois jogadores na maioria das ações, com predomínio de jogadas individuais e ações exclusivamente com bola.

Nestas edições, os vídeos dos goleiros compreendem as ações diretas de defesa e algumas saídas do gol, os dos defensores, os desarmes, carrinhos, subidas de cabeça e interceptações e nos vídeos dos atacantes observam-se os dribles, finalizações e gols. Para cada posição, os vídeos resumem-se aos fundamentos técnicos mais utilizados pelas suas regras de ação.

Nos grandes clubes, que devem contratar bons jogadores ou então potenciais bons jogadores em atividade, conhecer a performance atual de um atleta é simples. Com um departamento de análise de desempenho, bons analistas, vídeos e relatórios de vários jogos do atleta pretendido, é possível definir se o jogador em questão atende aos interesses da diretoria e/ou comissão técnica em relação ao desempenho de jogo.

Já para todos os demais clubes (a grande maioria), que são os não tão grandes, os pequenos, os formadores e até os que nem sabem o que são, a realidade já não é a mesma. Departamento de análise de desempenho e analistas inexistem. No entanto, do menor ao maior clube, em todas as salas dos departamentos de Futebol espalhadas pelo Brasil, inúmeros DVD’s se acumulam semana após semana.

A questão é: os DVD’s existentes realmente mostram os “melhores momentos” de um determinado jogador de futebol? Infelizmente, não!

Com a precocidade das negociações do mercado atual e a repercussão gerada pela mídia, é bastante comum meninos de 13, 14 e 15 anos já terem seus “melhores momentos” editados em uma mídia e distribuídos pelos pais em diversos clubes e até postados na internet.

A partir dos 16 anos, a quantidade de DVD’s é espantosa. Distribuídos por agências, dirigentes e empresários, esses materiais chegam até aos clubes, para agregar valor ao produto jogador de futebol e despertar interesse de contratação.

O conteúdo, porém, não permite a identificação de todas as características de jogo de determinado atleta para além de sua relação com a bola. Um bom material deveria apresentar predomínio de imagens amplas, que visualizassem diversos jogadores na mesma ação e que possibilitassem a observação dos comportamentos não só individuais como coletivos para cada momento do jogo.

Independente da posição, um bom DVD deveria conter ações ofensivas, defensivas e de transições do jogador para ações com e sem bola.


 

No olhar tradicional, os “melhores momentos” são observados somente quando o jogador tem a bola sob seus pés (ou mãos, no caso dos goleiros), mas, quem já superou esse paradigma sabe que o tempo sem bola ao longo de um jogo é consideravelmente superior ao tempo com bola. Logo, muitos melhores momentos durante uma partida acontecem quando o jogador está exercendo alguma ação sem bola que identifica o seu nível de compreensão do jogo.

Com bons DVD’s em mãos, equipes profissionais com poucos recursos financeiros e equipes de futebol de base poderiam ser mais precisas nas contratações, reduzindo seus custos.

Exemplificando: para aquelas três vagas que existem no alojamento não precisam passar vinte atletas até três serem escolhidos pelo treinador e dirigentes para permanecer no clube. Uma pré-seleção a partir do DVD pode ser feita e seis ou sete atletas convidados para a segunda fase do processo seletivo.

Uma equipe apresenta carência em uma posição e o treinador precisa de um meio-campista que já tenha jogado aberto em uma plataforma 1-4-4-2 em duas linhas de quatro, faça diagonais com e sem bola em velocidade, tenha bom passe curto e longo, seja veloz na transição defensiva para passar a linha da bola e feche linhas de passe para marcar. Quando sua equipe recupera a posse, busca rapidamente a faixa lateral do campo. Um bom DVD lhe pouparia tempo para encontrar tal jogador.

Em relação às negociações, apresentar bons DVD’s aumentaria o poder de barganha para a negociação, sendo valorizado o currículo do jogador de futebol e apresentado com a maior fidedignidade possível o seu desempenho técnico-tático-físico-emocional.

Porém, antes de mudar os DVD’s existentes no futebol brasileiro, a visão do mercado sobre o atleta deverá mudar. Treinadores, dirigentes, empresários e agentes precisam enxergar de maneira ampliada as funções de um jogador de futebol, pois a produção dos “melhores momentos” atuais somente contribui para a manutenção de um pensamento reducionista, limitado as ações técnicas do jogo e que escondem muitas características de cada jogador.

Como para tudo na vida, a mudança não acontecerá na mesma velocidade e com todas as pessoas. Seguramente, aqueles que mais rapidamente se adaptarem terão maiores chances de sucesso no concorrido mercado futebolístico, seja para captar bons jogadores, ou então, para negociar o seu produto.

E se um dia todos mudarem, no período de recesso do futebol europeu, talvez não escutemos mais inúmeras declarações de jogadores brasileiros dizendo que os treinamentos por lá são muito diferentes dos treinamentos feitos por aqui, principalmente no que diz respeito à “parte tática”.

Você já viu um bom DVD?

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br