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O futebol e o dinheiro

Alguém disse um dia que o futebol é um grande negócio. Um monte de gente acreditou. Esse alguém e esse monte de gente, infelizmente, estão errados. Futebol não é um grande negócio. É um negócio mediano. Energia, alimentação, automóveis, extração, jogos de azar e construção são grandes negócios. Futebol não. Não chega nem perto. Nem aqui, nem na Europa e muito menos na China.

Mas no fundo, isso pouco importa, afinal o futebol independe do dinheiro que ele gera. Não é isso que faz a máquina funcionar. Se o futebol gera 10 milhões ou 10 bilhões de reais, a diferença, especialmente pro mercado brasileiro, é muito pequena.

Isso acontece porque a cadeia de valores do futebol funciona de uma maneira bastante peculiar. Diferente de cadeias normais, onde o processo de produção é baseado essencialmente no processo financeiro, o futebol se baseia no processo esportivo, independente do financeiro. Basicamente, a idéia da cadeia é a seguinte: times existem para ganhar partidas; times com jogadores mais talentosos ganham mais partidas; existem muito mais demanda do que oferta de jogadores talentosos; jogadores talentosos tendem a escolher o clube por conta da proposta financeira; quanto mais dinheiro um clube tem, mais chance de contratar jogadores talentosos ele possui e, portanto, ele terá mais chances de obter vitórias.

Só que o valor de um jogador talentoso não é baseado em uma tabela fixa, mas sim no preço atribuído por outros clubes que competem pelo mesmo talento, independente do quanto for isso.

Clubes de futebol do mundo inteiro tendem a gastar em média uns 80% daquilo que arrecadam com salários e transferências e apenas 20% com outros custos, como estrutura de estádio e centro de treinamento. Esses últimos, porém, são gastos com valores determinados pelo mercado em geral, o que faz com que apenas essa parcela represente um ganho real de receita. Para esses valores, mais dinheiro de fato significa algo positivo. O resto, porém, é uma draga: quanto mais você ganha, mais você gasta.

Ou seja, não interessa quanto de dinheiro um clube ganha. Porque quanto mais ele ganha, mais ele gasta. O que interessa é que ele ganhe mais dinheiro do que os outros clubes. Se você analisar os números, na verdade você chega à conclusão que isso acontece de verdade: apesar das receitas dos clubes brasileiros terem aumentado significativamente ao longo da última década, os gastos aumentaram muito mais. Isso porque a competitividade por talento é quase que uma disputa bélica, e o único jeito de acabar com isso é justamente o jeito com que EUA e Rússia conseguiram frear o espiral de gastos da guerra fria: chegaram a um acordo de corte de gastos conjunto.

Clubes não deveriam se unir para descobrir um jeito de ganhar mais dinheiro. Deveriam se unir para descobrir um jeito de gastar menos.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

 

 

 

 

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E o futebol brasileiro cai na folia

A CBF é a entidade de administração do futebol brasileiro.

Sob sua administração, eclodiu o escândalo de arbitragem, em 2005, que ficou conhecido como “máfia do apito”.

O Poder Judiciário do Estado de São Paulo condenou a CBF, solidariamente, dentre outros réus na ação, a indenizar o montante de R$ 160 milhões à sociedade brasileira, para depositar no Fundo Especial de Reparação de Interesses Difusos Lesados.

Da decisão ainda cabe recurso.

Se a CBF é culpada, se o valor é exorbitante, se o Inter merecia o título do Corinthians… nada disso chama tanto a atenção para o episódio do que a estratégia de defesa protagonizada pelos advogados da entidade.

Algumas pérolas da linha afirmam que o “futebol é desprovido de interesse social relevante”, que é o “ópio do povo”, que ” paixão nacional não passa de slogan publicitário para vender cerveja e receptor de TV, que não corresponde à realidade”, e que o “escândalo foi um acontecimento “banal, irrelevante, do qual quase ninguém se lembra”.

Inúmeras ofensas à racionalidade, bom senso e competência técnica foram cometidas nessa linha de defesa, sendo que a maior delas foi acreditar que o Poder Judiciário brasileiro é um apêndice da própria CBF, tal qual foi, durante muito tempo, o TJD da entidade.

Também demonstram desconhecimento e/ou mau uso de argumentos jurídico-esportivos, como aqueles originários da Constituição Federal, da Lei Pelé, dentre outras fontes normativas.

Uma leitura básica e atenta de um advogado, preocupado em construir a defesa de seu cliente sem afrontar o bom senso de um homem médio – o que dizer então de um Juiz que deve ser convencido do contrário – levaria aos tópicos a seguir.

Segundo a Lei 9615/98, a Lei Pelé, no artigo 2º, “o desporto, como direito individual, tem como base os princípios:

III – da democratização, garantido em condições de acesso às atividades desportivas sem quaisquer distinções ou formas de discriminação;

V – do direito social, caracterizado pelo dever do Estado em fomentar as práticas desportivas formais e não-formais;

VII – da identidade nacional, refletido na proteção e incentivo às manifestações desportivas de criação nacional;

VIII – da educação, voltado para o desenvolvimento integral do homem como ser autônomo e participante, e fomentado por meio da prioridade dos recursos públicos ao desporto educacional;

IX – da qualidade, assegurado pela valorização dos resultados desportivos, educativos e dos relacionados à cidadania e ao desenvolvimento físico e moral;

XI – da segurança, propiciado ao praticante de qualquer modalidade desportiva, quanto a sua integridade física, mental ou sensorial;

XII – da eficiência, obtido por meio do estímulo à competência desportiva e administrativa.”

Ainda, sobre a natureza e as finalidades do desporto:

“Art. 3o O desporto pode ser reconhecido em qualquer das seguintes manifestações:

I – desporto educacional, praticado nos sistemas de ensino e em formas assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da cidadania e a prática do lazer;

II – desporto de participação, de modo voluntário, compreendendo as modalidades desportivas praticadas com a finalidade de contribuir para a integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde e educação e na preservação do meio ambiente;

III – desporto de rendimento, praticado segundo normas gerais desta Lei e regras de prática desportiva, nacionais e internacionais, com a finalidade de obter resultados e integrar pessoas e comunidades do País e estas com as de outras nações.”

Finalmente, e em caráter explícito:

“§ 2o A organização desportiva do País, fundada na liberdade de associação, integra o patrimônio cultural brasileiro e é considerada de elevado interesse social, inclusive para os fins do disposto nos incisos I e III do art. 5o da Lei Complementar no 75, de 20 de maio de 1993. (Redação dada pela Lei nº 10.672, de 2003).”

Usando linguagem jurídica corrente, o grifo acima é nosso.

Para, enfaticamente, afirmar que, se eu fosse advogado da CBF, depois da repercussão negativa do meu trabalho e da condenação em R$ 160 milhões, somados à afronta ao texto claro da Lei Pelé em destaque, mudaria de profissão.

Por imprudência, imperícia e negligência, todas juntas.
Como fez o árbitro Edilson Pereira de Carvalho, condenado na mesma ação que a CBF.

Ele trabalha como garçom em Jacareí (SP).

Eu iria bem mais longe do que Jacareí. E, no carnaval, pra passar despercebido.

Mas levaria a CBF, minha cliente, junto.

Deixaria o futebol nacional pra quem sabe que ele tem elevado interesse social.

Leia mais:

‘Analfabetismo funcional’: a atuação da CBF na disputa judicial da Máfia do Apito e a relação da entidade com o futebol no Brasil

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O Twitter e a informação

Pelo Twitter, Diego Tardelli confirma proposta do futebol russo e diz que deve deixar o Atlético-MG. Pelo microblog, também, o zagueiro Alex Silva amplia a sua discussão com Valdívia, fruto do clássico entre São Paulo e Palmeiras, e provoca grande polêmica ao ameaçar o jogador chileno para um duelo fora de campo.

Os dois casos, dos mais recentes encontrados no Twitter brasileiro, exemplificam de que forma o microblog pode ser usado como fonte de informação pela mídia e como forma de expressão das celebridades que usam a rede social.

No jornalismo, o Twitter não pode ser a fonte final para qualquer informação. Infelizmente, o imediatismo da internet e a necessidade de o jornalista ter o “furo” de reportagem levam a mídia a publicar qualquer frase de um famoso como manchete para a home page. Não é para tudo isso.

O Twitter facilitou o jornalismo declaratório, baseado apenas no que as pessoas falam (e, no caso atual, escrevem), esquecendo-se de que a matéria-prima essencial da profissão é a pesquisa e a qualidade de apuração do jornalista.

Da mesma forma, quem usa o Twitter precisa entender que ele não é “terra de ninguém”. Não é possível achar que, ao usar o microblog, ele não estará sujeito à análise popular. Alex Silva errou, e muito, ao provocar Valdívia fora de campo. Está no direito dele falar o que pensa, mas para isso també precisa aguentar as consequências.

O Twitter continuará a ser fonte de informação, mas infelizmente o jornalismo tem se especializado em fazer da rede social a fonte final para a sua apuração, prendendo-se apenas ao que é escrito por lá, sem ir mais a fundo na notícia.

Confiar em fonte no Twitter é o mesmo que acreditar em apenas uma fonte na hora de publicar uma notícia. O jornalismo é baseado nas declarações de entrevistados, mas não pode se ater apenas a ele.

O Twitter pode, sem dúvida, facilitar o trabalho de muito jornalista, mas como qualidade de informação, rapidamente ele terá de ser questionado. Afinal, ele não pode ser a única fonte para um jornalista.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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E os pequenos? Argumentações sobre os direitos de imagem

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Gostaria, através desta coluna, parabenizar nosso colega Erich Beting por sua coluna desta semana, muito oportuna. Isto porque também quero fazer alguns comentários sobre os recentes fatos envolvendo o Clube dos 13, TV Globo, clubes, etc.

Não quero fazer juízo de valor sobre quem está certo nessa história. O C13 tem o seu ponto, a Globo também, da mesma forma os clubes.

O que quero chamar atenção, a exemplo do Erich, é para um possível retrocesso na forma de distribuição de renda entre os clubes no Brasil.

A forma liberal e capitalista de individualizar os clubes, para que cada um consiga o maior valor para si, mostra-se equivocada no futebol. Nesse esporte, como cansamos de dizer neste espaço, a concorrência é saudável, e a tendência ao monopólio atrapalha o atual modelo de negócio do futebol como um todo e põe em cheque a sua viabilidade financeira.

Cada vez mais os mais poderosos devem atrair receita, não só da TV, mas também de patrocinadores, investidores, sócios-torcedores. Entretanto, existe também uma crescente necessidade de se promover uma distribuição solidária desses recursos aos clubes que não foram agraciados com uma grande torcida (e, por conseguinte, por um grande apelo perante os potenciais financiadores do esporte).

Se os clubes passarem a negociar diretamente com a TV a renda decorrente da cessão dos direitos televisivos, corremos o risco de ter em um futuro próximo um campeonato chato, monótono, com poucos clubes poderosos, e uma grande massa de clubes em vias de extinção.

Veja, por exemplo, o exemplo de Portugal, que ainda não adotou o sistema de venda coletiva de direitos (fonte: www.epfl-europeanleagues.com). Invariavelmente, temos todos os anos o Porto liderando a tabela, seguido (mas sem risco de alcançar) do Benfica, e depois do Sporting. Sempre. Os demais times de lá, com sorte, sobreviveriam à A2 ou A3 do Campeonato Paulista. Com sorte.

Acho que a atual discussão que devemos promover no Brasil não é a de quem está certo ou errado com os últimos rumos que a venda de direitos do Brasileirão está tomando. Mas sim que o caminho da venda individual pode parecer apetitoso para os clubes mais ricos no curto prazo, mas no longo prazo isso representará um enorme retrocesso ao nosso jogo.

Principalmente no Brasil, em que nossos craques são inicialmente revelados nos clubes pequenos, do interior. Os grandes precisam agora olhar para eles e entender que eles precisam ser financiados, em um sistema de distribuição solidária, para que nosso futebol seja viável e que os verdadeiros clubes formadores sobrevivam.

Meu caro Erich Beting, um abraço e novamente parabéns por sua coluna desta semana.

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br

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Novidades de 2014

As magníficas novidades relacionadas a Copa do Mundo de futebol em 2014 englobam, semanalmente, o aumento “inesperado” dos custos das obras dos estádios brasileiros que servirão o mundial.

Às vezes a informação vem do nordeste, em outros do sudeste, por vezes surge no norte e centro-oeste. Nesta semana, vem do sul, com a incrível descoberta de comissão à empreiteira que construirá o novo Beira-Rio, na ordem de 30 a 35% do valor da obra (veja o link).

Em uma fase de planejamento, os cenários internos são relativamente controláveis. Orçamentos, tomadas de preço, características do empreendimento etc. entram no espoco de necessidades. A pesquisa de mercado também contribui para minimizar erros de cotação e orçamento: como operam as empreiteiras? Como se deu a construção de estádios mundo afora? Quais foram os problemas de orçamento dos Jogos Pan-americanos em 2007 que são possíveis de eliminar? E daí por diante.

É verdade que fatos alheios, externos, podem impactar sobremaneira, e de forma negativa em um plano construído há algum tempo. Esses fatores não são controláveis internamente, apesar de poderem ser previstos com alguma antecedência e minimizados se porventura fatos análogos ocorrerem.

Mas o que se percebe pelos noticiários e pelas declarações daqueles que atuam na gestão e organização da Copa é que as variáveis internas foram e ainda são mal exploradas. É a mesma coisa que embarcar para a região da Antártida sem obter as informações básicas do que encontrará por lá e seguir com uma mala de viagens com bermudas e roupas para o calor.

Recomendo a leitura do artigo do professor Lamartine Pereira da Costa, no livro “Legados de Megaeventos Esportivos” (que pode ser baixado gratuitamente neste link) quando fala sobre o modelo 3D, que trata de um modelo de planejamento que considera o espaço, o tempo e o impacto como variáveis necessárias a analisar para se alcançar o legado do megaevento esportivo.

A verdade que transparece, em uma visão de fora e alheia às questões políticas, é que ninguém ainda sabe que “bicho” é esse chamado “Copa do Mundo”. Governantes, com discursos pomposos, preocuparam-se somente com o tom político-eleitoreiro e a velha e nefasta mania nacional de “deixar para ver o que poderá ser feito lá na frente”.

E vida que segue. Os líderes da Copa a fazer de conta que estão com o controle da situação no que diz respeito aos cronogramas e orçamentos do megaevento e o povo a acreditar em dias magníficos durante e depois do mundial, com seus frutíferos legados.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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Individualismo cego

O racha no Clube dos 13 só beneficia quem quiser comprar os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Sem um pensamento conjunto dos clubes para negociar a venda dos direitos, perde-se força na hora de discutir com as TVs.

Enquanto cada clube quiser remar por conta própria, além de ser criado um problema jurídico – por lei, os dois times que disputam uma partida têm de concordar com a sua exibição pela TV, do contrário ela não poderá ser transmitida -, perde-se receita com uma queda-de-braço infrutífera para o futebol.

Afinal, é ilusão pensar que os clubes só terão a ganhar num cenário de sucesso da eventual negociação individual. Com pesos diferentes para as TVs, os clubes terão receitas muito distintas entre si. Isso fará com que o abismo financeiro entre os grandes e os pequenos fique ainda maior. No longo prazo, essa é a fórmula que levará o futebol brasileiro para algo que ele sempre combateu: a previsibilidade do resultado do Brasileirão.

Enquanto os clubes no Brasil continuarem a se ver como rivais fora de campo, o principal campeonato do país continuará a ser um produto menos lucrativo do que deveria. Rivalidade boa é aquela que se resume às quatro linhas. Fora dela, os clubes devem se unir.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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Insurreição

Ou revolta, levante, rebeldia, sedição.

Forte oposição ao estado de coisas.

O futebol brasileiro passa por isso.

Quase que coincidentemente com as manifestações populares no mundo árabe, que ameaçam a estabilidade – baseada em premissas não-democráticas – dos governos e seus governantes.

O Clube dos 13, entidade legitimada a representar os interesses dos maiores clubes do futebol do Brasil está ruindo, num período delicadíssimo, o da concorrência para se definir a venda dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro entre 2012 e 2014.

Como pano de fundo, a manipulação política de CBF-Globo x Record-C13.

A disputa não é meramente comercial, mas de poder político.

Varias alegações mercadológicas podem ser consideradas de cada lado.

A Globo, por entender que ela é que possibilitou o aumento do valor das competições do futebol brasileiro – das nacionais às internacionais, passando pelas estaduais.

A Record, porque quer justamente a audiência que o futebol já oferece à Globo, mas também prometendo ter a flexibilidade de horários na grade e o pagamento de um plus sobre a posição favorável de que goza a emissora carioca junto ao edital de concorrência.

O Clube dos 13, alegando que, pela primeira vez, uma concorrência real possibilitaria também um aumento real no valor de venda dos direitos – e não ficar à mercê do que a Globo ofertasse num mero reajuste, não no efetivo acréscimo.

E a CBF?

Esse é o verdadeiro problema.

A entidade sempre agiu tal qual os Estados Unidos frente aos regimes ditatoriais que se alinhavam a sua política externa, incluindo Egito e Arábia Saudita, na atual crise do Oriente Médio e países árabes.

Os americanos precisavam garantir certa estabilidade política, para fazer valer seus interesses comerciais. Quando a estabilidade política vencia ou não se sustentava nas mãos dos tiranos, muda-se o tirano, não o regime.

A CBF provocou essa instabilidade, pois ela precisa assegurar o lucrativo mercado que a seleção brasileira tem em mãos e que só foi possível graças à aliança longeva com a TV Globo.

Até porque a CBF não ta nem aí com o Campeonato Brasileiro. O que lhe interessa é a seleção brasileira e a Copa 2014.

Mexeram com a Globo, mexeram com a CBF.

A motivação é econômica, não política.

A política é a cortina de fumaça nessa história.

It’s the economy, stupid!

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Banco de jogos: atividade de transição ofensiva estrutural e 'pressing' com dobras de marcação

Descrevo hoje o exemplo de uma atividade que pode, se bem conduzida e bem inserida, contribuir para o desenvolvimento do comportamento de ataque à bola (com dobras de marcação ou ataques triplos), para a retirada da bola da zona de pressão e para a manutenção da posse da bola a partir da estruturação zonal do espaço.

Não é uma atividade inicial dentro do processo. Ela requer que conceitos já estejam bem estabelecidos entre jogadores e equipe.

As dimensões do campo e o número de jogadores devem variar de acordo com o nível de desenvolvimento dos atletas, objetivos e momento do processo.

Descrição:

a) A atividade é composta por 3 equipes (uma equipe de 4 coringas e duas equipes de 5 jogadores de linha

b) Os coringas jogam no exterior do campo de jogo delimitado pelas linhas demarcatórias (cada um dos coringas é responsável por um lado do campo de jogo e pode deslocar-se livremente sobre esse lado).

c) As equipes de 5 jogadores jogam entre si no espaço delimitado pelas linhas, sendo que a equipe com posse da bola pode contar com o apoio dos coringas 

d) No espaço de jogo existem “zonas”desenhadas (as zonas A, B, C, D e F). Cada equipe, ao ter a posse da bola deve ter um jogador em cada uma dessas zonas (sendo que esses jogadores só podem agir com bola, em suas regiões).

e) A equipe sem a posse da bola pode ocupar livremente o espaço de jogo e deve buscar criar dobras de marcação

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500500

500
500

500500

Pontuação:

Momento 1 – as equipes marcam 1 ponto todas as vezes que conseguirem recuperar a posse da bola na mesma zona em que ela foi perdida, antes que haja troca de posição da bola entre as zonas.

Momento 2 – além da regra anterior, as equipes podem pontuar a cada 10 passes que realizarem sem interrupção por parte do adversário.

500

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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Segredos do mercado de transferências

Acompanhando o blog (http://esportejuridico.blogspot.com/) do colega e postulante ao título de Bacharel em Direito, Felipe Tobar, não pude deixar de referi-lo pela contextualização e pertinência da discussão de seu último texto, que versa sobre “os doze principais segredos do mercado de transferências”.

Tobar extraiu do livro de Simon Kuper e Stefan Szymanski (Soccereconomics – Por quê a Inglaterra perde, a Alemanha e o Brasil ganham, e os Estados Unidos, o Japão, a Austrália, a Turquia – e até mesmo o Iraque – podem se tornar os reis do esporte mais popular do mundo) que detalhou os “12 principais segredos listados para os clubes atuarem no mercado de transferências:

(1) Não permita que um novo técnico desperdice dinheiro com transferências; (2) Use a sabedoria das massas (quanto mais opiniões melhor); (3) Astros de Copas do Mundo ou campeões europeus recentes são sobrevalorizados. Ignore-os; (4) Certas nacionalidades são sobrevalorizadas; (5) Jogadores mais velhos são sobrevalorizados; (6) Centroavantes são sobrevalorizados, goleiros são subvalorizados; (7) Os cavalheiros preferem os louros: identifique e abandone “preconceitos visuais”; (8) O melhor momento para comprar um jogador é quando ele tem 20 e poucos anos; (9) Venda qualquer jogador quando outro clube oferecer mais do que ele vale; (10) Substitua seus melhores jogadores antes mesmo de vendê-los; (11) Compre jogadores com problemas pessoais e os ajude a superá-los; (12) Ajude seus jogadores a se adaptar. Como opção, os clubes podem simplesmente se aferrar à sabedoria convencional!”

Na verdade, não acredito em “fórmulas de bolo” em nenhum ramo de negócios, tal e qual os “segredos” são expostos. Mas há uma evidência clara de que, se pegarmos alguns deles e fizermos um estudo por amostragem, encontraremos um comportamento semelhante, com elevada correlação entre cada caso prático.

Os ensinamentos têm claro respaldo nas teorias relacionadas a gestão de recursos humanos e que, intrinsecamente, remete a uma reflexão voltada para a adoção de uma cultura e política de critérios para os clubes, particular a cada um deles. Profere ainda que não se deve possuir um comportamento atrelado a meros modismos que o mercado passa a adotar em determinadas situações, o que incentiva uma ação por impulsos que às vezes é irracional.

Perpassa ainda a importância de haver um acompanhamento e alinhamento de todos os departamentos dentro de um clube de futebol, para que estes, desde a parte técnica até a de marketing, passando pelo setor administrativo, financeiro e outros, se conversem a fim de otimizar as tomadas de decisões em termos de contratação e montagem de um elenco, atendendo os anseios dos diversos stakeholders.

Mesmo discordando um pouco do item 2, que fala para se “ouvir as massas” e, nesse caso, se as tais “massas” não tiverem conhecimento técnico de nada valerão, bem como pelo item 11, que deve ser olhado com um cuidado maior do que a singela crença de que “em educando o atleta, o mesmo ficará eternamente grato ao clube”, penso, em resumo, ser bastante válido os pontos de reflexão para futuras ações relacionadas a gestão de contratações e transferências de atletas.

A leitura crítica ao texto do blog produzido pelo Felipe Tobar, conforme referido anteriormente, pode contribuir também para o confronto de ideias e evolução dos princípios ora apresentados.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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Modelos de gestão no futebol: Inter e São Paulo, o que está acontecendo?

Olá, amigos!

No texto desta semana permito-me fazer um carta de protesto ao futebol.

Não, não sou contra o futebol, muito pelo contrário, sou um aficionado que teve o prazer de se tornar um profissional que atua no meio. Porém, como vocês que me acompanham sabem, defendo um futebol antenado com as práticas modernas de gestão e tecnologia.

Sabemos que a cada semana o futebol nos prega peças, e traz à tona a famosa frase: “quando achei que já tinha visto tudo no futebol, não é que…”. Pois bem.

Desculpem-me cair no chavão, mas quando achei que já tinha visto cada coisa estranha no futebol, não é que o Internacional, o clube modelo de gestão no Brasil nos últimos tempos, demite o técnico do time reserva que o clube decidiu que disputaria o Estadual para dar prioridade à Taça Libertadores?

Na coluna do dia 21 de dezembro do ano passado (A derrota do Inter: ver DVDs funciona no Brasil?) comentávamos sobre a eliminação frente ao tricampeão africano Mazembe no Mundial de Clubes da Fifa, apontando um retrospecto que colocava o Inter de igual pra igual com grandes potências européias, dado o sucesso de sua trajetória recente, porém com a ressalva de que algo mais precisa acontecer.

Jamais um time com a estrutura e o nível profissional da equipe gaúcha (ou que pelo menos passa essa imagem) pode por desconhecimento ser surpreendido de tal forma (reforço) por desconhecimento do adversário, sem tirar os méritos do campeão africano.

Para fazer um outro recorte, no dia 7 de setembro de 2010 (São Paulo: sobre planejamento e troca de técnicos), comentávamos sobre o São Paulo e criticamos a mudança de técnico com base na emoção e não na analise e planejamento. O mesmo São Paulo que foi alvo de uma outra coluna em 24 de fevereiro de 2009 (Ainda São Paulo x Corinthians), focando uma possível miopia de gestão que poderia ter reflexo mais pra frente.

Pois bem, em todos os casos citados, muitas críticas (sempre são bem vindas) vieram às analises que foram feitas. Porém, insisto com os amigos que se Inter e São Paulo – que são tidos como modelo de gestão – tomam algumas decisões que nos surpreendem, que caminhos devemos seguir rumo a um futebol realmente profissional?

Pois apenas para ficar em alguns pontos, lembramos os seguintes fatos:
 

  • O São Paulo que até certo tempo se vangloriava por ter alternância de poder, no tocante à presidência do clube, e o quanto isso era benéfico e base do sucesso, criticando veementemente seus rivais, hoje vive a expectativa de uma alteração de estatuto para permitir mais um mandato de seu presidente.
     
  • O São Paulo tricampeão brasileiro demitiu seu técnico pelo desempenho na Liberadores. O que aconteceu depois? Ficou sem títulos e manteve um desempenho similar na disputa continental, lembrando que a participação constante e as eliminações em fases adiantadas não devem ser encaradas como fracasso. Neste ano, está fora do torneio.
     
  • O Inter bicampeão da Libertadores em espaço curtíssimo de tempo, um título do Mundial de Clubes, sofreu a inesperada queda frente ao Mazembe, surpreendido por uma equipe rápida e forte fisicamente. Num mundo onde as informações são abundantes e os recursos tecnológicos para obtê-las cada vez mais velozes e precisos, ser surpreendido de tal forma não é normal.

E agora o Inter demite um técnico que tem uma história nas categorias de formação. Basta olhar quantos jogadores a equipe tem formado e o papel de Enderson Moreira nisso.

O clube demite um profissional até pouco bem valorizado no próprio clube, por um desempenho num torneio relegado ao segundo plano, no qual a equipe sequer usou seu elenco e comissão técnica principais. E, junto com isso, descarta alguns jogadores que foram importantes na temporada passada, inclusive desejados por outros clubes para ficar só no exemplo do zagueiro Danny Morais.

Talvez as pessoas fiquem inconformadas com minhas críticas a Inter e São Paulo, mas o certo é estamos vendo erros estratégicos crassos, erros de planejamento significativos, que aos poucos vão mostrar seu efeitos.

Gestão de futebol deve ser feita por completo e constantemente, não adianta profissionalizar só uma parte, ou o que é pior, se dizer profissional quando ganha. Na derrota a gestão é muito mais importante para detectar e redimensionar rumos, não apenas dizer “viu, fizemos certo, somos modelo de gestão”. Mas como?

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br