Categorias
Sem categoria

Lições da final da Copa do Brasil

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Esta semana foi marcada no cenário futebolístico do Brasil pela vitória do Corinthians na Copa do Brasil.

Pudemos tirar duas importantes lições desse fato, que devem servir de exemplo para os outros clubes e demais organizações de futebol do nosso país.

A primeira delas é positiva. Em diversas oportunidades, temos dito neste espaço que o futebol nacional precisa ser alavancado pela presença de grandes jogadores. O Brasil é sem dúvida nenhuma o maior produtor de craques, e é inadmissível que nossos campeonatos não tenham um nível de excelência em campo.

Temos ressaltado também que é impossível segurar nos nossos clubes os grandes astros da atualidade, como Kaká, Robinho, etc. Porém, perdemos todos os anos jogadores espetaculares que, se tivéssemos uma maior organização interna, não iriam para o exterior.

Além disso, temos a chance de trazer de volta grandes ídolos que já fizeram carreira internacional, e, hoje, estão mais perto da aposentadoria e ainda jogando no exterior.

A vinda do Ronaldo para o Corinthians foi não só uma grande jogada de marketing, como também influenciou diretamente os resultados do time dentro de campo. Esse modelo de ação estratégica deve ser ressaltado e seguido por outros clubes, na medida de suas capacidades. Tudo em prol de um maior desenvolvimento de nossos campeonatos pátrios.

A lição é que temos que fazer o possível para manter, ou trazer de volta, nossos grandes valores.

A segunda grande lição da final da Copa do Brasil é a questão disciplinar. E essa é negativa.

Em um jogo de grande interesse por parte de investidores, mídia e torcedores, não podemos mais aceitar impunemente cenas de incitam a violência e o anti-jogo.

Dentro desses atos, incluem-se as cenas de brigas, que são obviamente lamentáveis, mas também a cena do jogador do Corinthians que impede que seu companheiro de clube levante-se, sugerindo que permaneça no gramado para retardar o reinício do jogo. Esse ato, naquela altura do jogo, provocou uma reação desmedida dos jogadores do Inter e deve ser igualmente repreendida.

Uma final como aquela aguça o emocional de quem quer que assista a partida. São esses sentimentos que fazem com que exista investimento no futebol.

E nosso papel é proteger esses momentos e blindá-los contra qualquer tipo de atitude negativa.

E parabéns ao Corinthians e ao Inter pelo belo espetáculo de futebol. Todos nós agradecemos.

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

O meu doutorado

Acabei o primeiro capítulo do meu doutorado. Na verdade, na verdade, é o segundo. É sobre a indústria do futebol europeu. O primeiro foi sobre o ambiente brasileiro. Só que esse eu escrevi em 2006 e em português. Ou seja, além de desatualizado, está na língua errada. Esse de agora, sobre o futebol europeu, resolvi escrever direto em inglês para poupar tempo. Não é nada fácil. Mas é melhor do ter que traduzir depois.

Nesse capítulo foram utilizadas 84 referências diferentes, 67 artigos e 17 notícias de jornais diversos. Ainda não contabilizei os livros e as revistas, mas deve ser pouco mais do que isso. O grosso é artigo mesmo. Tem até um falando sobre o futebol norueguês.

Eis o que tem de interessante:

– Os clubes da Premier League devem, conjuntamente, mais do que £3 bilhões. Metade disso é responsabilidade do Manchester United e do Chelsea;

– Em 10 anos, a receita dos clubes das cinco principais ligas da Europa cresceu 284%. O gasto com salários e transferências, em compensação, subiu 323%;

– De 1999 a 2001, o Leeds pegou £109 milhões emprestados e gastou £70 milhões só com transferências. Deu no que deu;

– A receita de camarotes do Emirates, novo estádio do Arsenal, gera a mesma grana por jogo que o antigo estádio inteiro, o Highbury;

– O Chelsea gastou £20 milhões em seu novo CT;

– Em 1991, sem a Premier League, a Sky tinha 2,1 milhões de assinantes. Em 2008, depois de 16 anos com a Premier League, a Sky tem 13,5 milhões de assinantes;

– O site da Bundesliga teve em média mais de 90 milhões de pageviews por mês na temporata 2007-2008;

– Os quatro clubes com maiores contratos de patrocínio da Premier League receberam em conjunto £ 36 milhões na última temporada. Os quatro menores receberam 10 vezes menos;

– Nos últimos 10 anos, todas as principais ligas da Europa viram um significativo aumento de torcida no estádio, menos a Itália, que passou de 31 mil a 23 mil torcedores por jogo.

Fora isso, é tudo enrolação, que se arrasta por 21 longas páginas. Trabalho acadêmico bom é aquele que você escreve o conteúdo de uma linha em uma página.

Peço desculpas pelo teor da coluna. Sei que tem coisa muito mais importante pra falar do que o meu doutorado. Mas, acredite, o dia que você tiver a infeliz idéia de fazer uma tese de doutorado, você vai perceber que não consegue falar sobre mais nada além dela.

O primeiro capítulo, ou o segundo, pelo menos, já foi.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

O jogo da lei contra o mercado

O Direito, expressado por sua regulamentação normativa, normalmente, surge como consequência dos acontecimentos sociais, não como sua causa. 

A legislação, quando é meramente proibitiva, costuma engessar a capacidade de evolução da atividade humana. É melhor regulamentar do que apenas proibir. Sempre. 

No futebol, não seria e não é diferente. Legislação desportiva – amplamente considerada aqui, e que inclui regulamentos e normativas da própria Fifa e desígnios do sistema jurídico no Brasil – e as movimentações dos atores no grande mercado esportivo mundial costumam vivenciar momentos de tensão e energia transformadora, de tempos em tempos, para, como nos terremotos, acomodarem-se as placas dos interesses em disputa.

Não só nestes casos, mas também isso ocorre, ainda que de maneira latente, em contratos válidos e em vigor, que se transformam na chamada “lei entre as partes”.

Ilustremos este embate de forças por meio de quatro recentíssimos temas que impulsionam a discussão sobre a prevalência de um sistema sobre o outro.     

1. Miranda: o jogador foi para a seleção brasileira campeã da Copa das Confederações e teve visibilidade internacional ainda maior do que o prestígio conquistado em tempos de São Paulo. O Milan demonstrou interesse, segundo o próprio jogador. Lei: paga-se a cláusula penal em favor do São Paulo, estimada em US$ 20 milhões e o jogador é transferido. Mercado: o São Paulo necessita de dinheiro em caixa e admitiu vender o jogador por menos. Vitória para o mercado. 

2. Kaká: foi para o Real Madrid vendido pelo Milan por estimados US$ 65 milhões. Talvez a cláusula penal de seu contrato fosse maior do que isso e o valor/utilidade do jogador sejam maiores. Mas o Milan também precisava de dinheiro. Vitória para o mercado.

3. Copa Paraná: a Lei Pelé obriga as entidades de administração do esporte que, em seu âmbito de atuação, federal ou estadual, ofereçam calendário de competições oficiais durante o ano todo para os clubes filiados. No Paraná, para a disputa da copa estadual, no segundo semestre, houve apenas três clubes interessados. Os demais alegaram prejuízos insanáveis para disputá-la e a competição foi cancelada. Vitória para o mercado.

4. Lúcio: um dos melhores zagueiros do futebol mundial nos últimos anos e capitão da seleção brasileira, além de nove anos de sucesso no futebol alemão. Com este histórico, acaba de ser dispensado pelo novo técnico de seu clube, Louis Van Gaal, do Bayern de Munique, mesmo tendo mais um ano de contrato. Provavelmente, jogador e clube entrarão num acordo amigável para liberação e, por ser o Lúcio quem é, será contratado por um grande clube do futebol internacional, por valores muito menores do que seria em uma transferência como a de Kaká. Vitória para o mercado.

Em minhas contas, goleada do mercado sobre a lei, por pujantes 4 X 0.

Essa é a tendência. As tentativas da lei de encerrar o mercado numa redoma regulatória, fundamentalmente, servirão para conter abusos e equilibrar forças e disputas de poder entre os atores do palco chamado futebol.

Não é suficientemente eficaz e inteligente enclausurar o futebol num escafandro de ferro chamado contrato, pois ele irá quebrá-lo ou morrer sufocado, se não houver este equilíbrio de forças e clareza de propósitos entre aqueles que o firmaram e, por que não, quando chega o momento de resolvê-lo consensualmente. 

O mercado, atualmente, é time grande e global, como Real Madrid, Milan, Barcelona, Manchester. A lei, talvez seja convidada para disputar a Copa Paraná.

Em 2010, se houver quórum…

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

O neverland do futebol

Michael Jackson se foi. E, junto com ele, foi o seu neverland, a sua terra do nunca, a máscara em que ele mesmo se meteu e se acabou ao longo de quase 30 anos de sucesso na indústria da música e do entretenimento.

O maior erro na vida de Michael Jackson talvez tenha sido ter virado uma presa fácil ao massacre da mídia. Desde que surgiu lá nos Jackson Five, nos anos 60, Michael se prendeu a um rótulo que a mídia criou. O show-man dos palcos se transformou no homem da terra do nunca dentro de casa, preso a uma mansão, atolado em dívidas, viciado em remédios.

A deplorável forma como terminou a vida de Michael Jackson revelou o que há de pior na perseguição da mídia às celebridades. Ao longo de décadas, a pressão da imprensa sobre um astro do pop levou-o à ruína, perdido dentro da imagem que a própria mídia criou.

O que vale para a música, sem dúvida vale da mesma forma para o esporte. O astro é equiparado o tempo todo ao esportista de sucesso. Pressão da mídia, necessidade de dar grandes shows, vida privada sempre devassada pelos jornalistas… 

Na sexta-feira, Vanderlei Luxemburgo foi demitido do Palmeiras. O treinador decidiu usar o Twitter e o seu blog pessoal para anunciar a decisão da diretoria palmeirense. 

Hoje, Luxa talvez seja o mais midiático técnico de futebol do país. Só que essa sua habilidade no relacionamento com a mídia é o que mais tem levado-o ao seu neverland. Luxemburgo tem se perdido na imagem que a própria mídia criou para ele.

Manager, estrategista, rei do Brasileirão… 

Já foram muitos os adjetivos usados para descrevê-lo. Curiosamente, quase sempre todos foram aplicados no momento de glória da carreira do treinador. 

E, assim como Michael Jackson, o treinador Vanderlei Luxemburgo tem ficado cada vez mais preso a essa imagem criada no passado, esquecendo-se da sua essência, que é ser um treinador de futebol.

A pior coisa que pode acontecer a um profissional midiático é ele ficar preso ao rótulo que a mídia criou. E o futebol é repleto de casos assim.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Referências táticas: futebol para a autonomia

Muitas das coisas que fazemos ou deixamos de fazer no dia a dia são norteadas por parâmetros criados ao longo de séculos pelos homens e suas sociedades.

Não importa o lugar, idade ou condição, sempre existirão parâmetros que norteiam nossa conduta.

Em ambientes específicos, a existência de certos parâmetros é comumente confundida com estímulo a dependência, destruição do pensamento, robotização do ser humano. Essa confusão, que faz nascer um ambiente contrário à autonomia, acaba muitas vezes por servir de argumento para que se defenda a abolição de parâmetros em outros ambientes.

No futebol, vivemos a todo o tempo e em varias dimensões esse problema. Aterei-me a um deles.

Na história desse nosso apaixonante esporte, o desconhecimento e a fragmentação cartesiana fizeram com que em momentos distintos surgissem discussões que opuseram por vezes “futebol força” e “futebol arte”, por vezes “preparação” e “talento”, por vezes “regras a serem seguidas” e “perda de autonomia”.

É fato longitudinal no futebol que a visão que impera (e por vezes sai à tona) é aquela na qual ou se privilegia a criatividade, a beleza e o brilhantismo, ou se privilegia o cumprimento das “ordens” do treinador, o resultado e o pragmatismo.

O ser humano não se separa em corpo físico, alma e mente. O ser humano é corpo, é alma e é mente ao mesmo tempo, o tempo todo, sempre. Portanto quando se movimenta, carrega consigo uma série de significados que dão sentido à sua ação (e À sua existência).

Isso quer, dizer em outras palavras, que se a ação tem porquês que a simbolizam, não importa qual seja ela, esses símbolos vão sempre existir. Sendo assim, como é possível que ela (a ação) seja ordenada em um esporte como o futebol, onde 11 jogadores com objetivos comuns (e particularidades distintas) enfrentam outros 11 jogadores?

A resposta é inevitável: criando referências (parâmetros) para o jogo, de maneira que os jogadores possam coletivamente agir a partir de um entendimento comum.

Em outras palavras, da mesma maneira que a ação individual faz sentido para o próprio indivíduo, a ação coletiva também precisa fazer sentido à totalidade dos jogadores e a cada um deles ao mesmo tempo. E ao contrário do que se pensa comumente, isso não precisa significar, inibir o ser criativo ou transformar homens em máquinas; pelo contrário.

Criar referências que deem significado para a ação dos jogadores, não só pode qualificar a ação coletiva a partir de um melhor entendimento do jogo, como também pode cada vez mais propiciar decisões acertadas e criativas por parte de quem joga (e ainda ao mesmo tempo, mais inusitadas para os adversários).

A beleza do jogo está na ação do indivíduo; mas ele não joga sozinho. Os parâmetros para o jogo coletivo em equipe são as referências que norteiam suas ações. Não as referências que o condicionam a burras ações robotizadas pelo controle remoto do treinador – essas só reforçam a correta ideia de que os “parâmetros” inibem o jogador -, mas as referências que possibilitam melhor compreensão individual e coletiva do jogo, para que os jogadores, lendo o mesmo jogo, possam tomar decisões convergentes, de maneira criativa e autônoma.

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br  

Categorias
Sem categoria

A função social do futebol

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Tivemos novamente no futebol notícias com relação a comportamentos não desejáveis entre jogadores profissionais no Brasil. Os jornais de hoje estampam a possível agressão verbal que teria sido feita pelo atacante argentino Maxi López, do Grêmio, contra o zagueiro brasileiro Elicarlos, do Cruzeiro.

Evidentemente, atitudes de desrespeito, e eventualmente criminosas como aquelas envolvendo racismo, são indesejáveis em qualquer parte. No futebol, em especial, isso se agrava pelo fato de termos nesse jogo uma função social importante.

Como mencionamos exaustivamente neste espaço, o futebol cumpre um papel crucial no desenvolvimento de comunidades, na formação de jovens cidadãos e na reinserção social de comunidades menos favorecidas. 

Não só através da participação ativa da população no jogo em si, como também no seu envolvimento como espectadores. O futebol leva a alegria para milhares de torcedores apaixonados.

Esse poder, entretanto, pode ter um efeito negativo. Condutas impróprias dos ídolos podem acarretar em uma má influência nos milhares de fãs.

É assim que o jogador de futebol possui uma grande responsabilidade social. O jogador é, em última análise, a ponte entre o esporte e o torcedor. Entre os princípios de fair play, respeito ao adversário, etc. e os valores do dia-a-dia de uma sociedade.

Tratando-se de o esporte mais popular da face da Terra, essa responsabilidade é evidentemente potencializada. E tratando-se do Brasil, o país do futebol, temos uma potencialização ao quadrado.

Nessa medida, temos que apurar sempre os atos dos jogadores, e punir severamente aqueles que forem comprovadamente danosos a essa imagem positiva do futebol. Temos que garantir que o futebol seja sempre uma forma de transformar nossos jovens em pessoas que valorizam os valores éticos e morais. E que sejam cada vez melhores cidadãos.

E que o racismo não tenha mais espaço neste mundo. E que exemplos como o da torcida da África do Sul sejam utilizados. Como foi bonito ver aquela multidão de sulafricanos, a grande maioria tendo sofrido com o apartheid, gritando o nome de seu ídolo, independente da sua cor e raça.

Vamos nos juntar ao coro: ¨Boooooooo¨!!!

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Confronto de gigantes

A BSkyB, mais conhecida apenas como Sky, sempre dominou o futebol inglês. Aliás, foi a grana depositada por ela que permitiu que o futebol daquelas bandas se reerguesse no começo da década de 1990. A Sky salvou o futebol inglês, e o futebol inglês também acabou salvando a Sky, que hoje está em diversos cantos do mundo, inclusive, sabe bem você, no Brasil.

Quando a Sky comprou os direitos de transmissão da Premier League, ela estava na beira do abismo. A dívida da empresa era absurda e ela não conseguia atrair consumidores que estivessem dispostos a pagar pelo conteúdo que ela oferecia. Ela precisava ampliar a sua programação com produtos de qualidade. E com urgência. Por isso que ela quase triplicou os direitos da Premier League. Quando ela assegurou a exclusividade sobre o futebol na televisão inglesa, a venda das antenas explodiu. A partir daí, foi lucro após lucro, ano após ano. Seu dono, Rupert Murdoch, só é o magnata midiático que é por causa da Sky. E a Sky só é o que é por causa do futebol inglês.

Pois bem. Alguns anos depois, a ITV, um canal aberto inglês, tentou fazer a mesma coisa que a Sky fez. Na verdade, a ITV sempre foi a dona do futebol inglês, em conjunto com a BBC. Ela era a detentora dos direitos da primeirona inglesa até a chegada da Sky. Depois, ficou apenas com a seleção inglesa e com a FA Cup, dois subprodutos. E eis que, em 1999, ela resolveu lançar um canal fechado e pagar 250 milhões de libras pela exclusividade da transmissão da Segunda Divisão da Inglaterra, de forma a popularizar a sua nova plataforma. Logicamente, não deu certo. Em 2002 a ITV Digital, o novo canal, foi fechado.

A Sky nunca se incomodou muito com a ITV, mas o sucesso da ITV Digital poderia significar certa concorrência. Como ela quebrou, a Sky seguiu tranquila o seu reinado, até o momento em que a Comissão Européia mandou a Premier League acabar com o monopólio da Sky e dividir os direitos com outras emissoras. A PL dividiu o calendário em seis pacotes de jogos, dos quais uma emissora poderia comprar no máximo cinco. A Sky comprou quatro, os mais importantes. Os jogos menores, dois pacotes de 23 partidas cada, ficou com a Setanta, uma rede irlandesa que começava a querer dar passos maiores no mercado. Além da Premier League, a Setanta também comprou uma série de outros eventos esportivos, como o campeonato escocês.

Mas eis que os dois pacotes de jogos, menores, não foram o suficiente para que a Setanta popularizasse o seu canal. Como não é barato comprar direitos de transmissão do futebol inglês, ela acabou dando um calote na Premier League. Logo depois, decretou falência. Os clubes escoceses entraram em desespero, porque não iriam mais receber pela transmissão do campeonato, o que implicaria na falência de diversos clubes. Alguns clubes ingleses temiam seguir o mesmo caminho.

Mas, eis que surgiu a ESPN e comprou os direitos da Premier League da ITV. Pela primeira vez, a gigante mundial manifestou seu interesse em começar a dar passos maiores no mercado europeu. Diferente da ITV e da Setanta, a ESPN é uma rede consolidada, de alcance global, e possui diversos canais de financiamento. Ajuda, e muito, fazer parte do grupo Walt Disney.

A Sky deve entrar em desespero. É a primeira vez que a competição se acirra dessa maneira. Dentre as diversas previsões possíveis, a mais provável é que, caso a ESPN realmente queira entrar no mercado inglês e europeu, os valores dos direitos da Premier League vão disparar. Se o montante pago já é alto e significativamente superior aos outros mercados europeus, a tendência é que fique ainda maior. Nada mal para tempos de crise.

Pena que o futebol escocês não possa dizer o mesmo.

Para interagir como autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

De utopia e de grandes nomes

O ano de 2009 ainda mal chegou à metade e já nos pregou varias peças… Não! Não estou me referindo à queda de Wall Street e a crise que se seguiu à sua derrubada, mas sim à despedida deste mundo de grandes figuras humanas…
 
Aqueles que acompanham a história de nossa América do Sul receberam com tristeza a notícia do falecimento, dia 19 do mês de maio, do escritor uruguaio Mario Benedetti, “um poeta comunista que traduziu em poemas sua utopia”, segundo palavras estampadas em diário brasileiro.
 
Dias antes (02), logo no início desse mesmo mês, morria entre nós Augusto Boal, teórico, diretor e dramaturgo expoente do teatro de resistência à ditadura sob o jugo da qual vivemos por 20 anos, desde o golpe à democracia brasileira instado pelos militares em 1º de abril de 1964. Mês e meio antes de seu falecimento (25 de março), o criador do Teatro do Oprimido dizia – por ocasião de sua nomeação como embaixador do teatro pela Unesco – que “atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade, e sim aquele que a transforma!”.
 
Pois o que isso tem a ver com a Universidade do Futebol e esse canto que nela ocupo? Tudo!
 
Explico… Tenho acompanhado as recentes peripécias do Corinthians – cá pra nós, superando até as expectativas do mais fervoroso fiel torcedor -, as quais me fizeram lembrar de um cronista que ocupava um espaço semanal na Folha de S. Paulo lá pelo final da década de 70, início da de 80 do século passado (!!), vez ou outra escrevendo sobre uma de suas paixões, qual seja… O Corinthians.
 
Pois em 1977 – mais exatamente no dia 12 de novembro – Lourenço Diaféria -assim se chamava – se superou, escrevendo o que abaixo transcrevo a vocês.
 
Ele não faleceu em 2009, mas um pouco antes, em setembro de 2008. Mas como os que acima menciono, faz parte da galeria dos que enaltecem a raça humana!
 
Antena ligada
 
Troquei meu televisor em branco e preto por um em cores com controle remoto, para facilitar a vida de meus filhos, que agora, sabe como é, época de provas, estão se virando mais que pião na roda. Imaginem que outro dia um professor teve a coragem de mandar meu filho gavião-da-fiel fazer um trabalho sobre o Sócrates.
Fiquei uma arara.
 
Em todo caso, apanhei a revista Placar e recomendei que o garoto consultasse os arquivos esportivos aqui da Folha e do Jornal da Tarde. Não é por ser meu filho, mas o guri caprichou do primeiro ao quinto.
Tirou zero.
 
Puxa, assim também é demais. Resolvi levar um papo com o professor, ver se não era perseguição. O professor foi muito gentil, porém ninguém me tira da cabeça que ele é palmeirense disfarçado de sãopaulino. Garantiu-me que havia ocorrido um equívoco: o Sócrates que ele queria era um craque da redonda que tomou cicuta. Essa é boa. Por que não avisou antes? Como é que vou adivinhar que o homem jogava dopado?
 
Me manguei, mas o professor percebeu meu azedume. Disse que ia dar uma nova chance.
 
Falou e disse.
 
Preveni meu garoto que ficasse de orelha em pé, lá vinha chumbo. Dito e feito. O professor, deixando cair a máscara alviverde, deu uma de periquito campineiro e pediu um trabalho completo sobre o Guarani.
 
Deixa que eu chuto, falei a meu filho. Pode contar comigo na regra três. Eu mesmo cuido da pesquisa.
 
Peguei a escalação completa do Guarani, botei o Neneca no gol, fiz a maior apologia do time da terra das andorinhas. Pra me cobrir e não deixar nenhum flanco desguarnecido, telefonei pro meu amigo Antonio Contente, que transa em assuntos culturais e conexos, como seja a imprensa, e pedi por favor que ele me mandasse uma camisa oito autografada. Diretamente de Campinas e pelo malote.
Não é pra falar, mas o trabalho escolar ficou um luxo.
 
Sem falsa modéstia, estava esperando pro meu filho no mínimo aprovação cum laude e placa de prata, para não dizer medalha de honra ao mérito.
 
Pois deu zebra.
 
Começo a desconfiar que o tal professor me armou uma arapuca e entrei fácil, como um otário. O homem deve ser primo do Dicá. Sabem o que o mestre fez? Hem? Querem saber? Deu outro zero pro meu filho. O pior é que não devolveu a camisa oito autografada.
 
Essa não deixei barato. Fui de peito aberto, às falas.
 
– Ilustre – eu disse -, com o perdão da palavra, mas que diabo de safadeza vossa senhoria anda arrumando pro meu garoto gavião-da-fiel? Então eu perco tempo, pesquiso, consulto a história gloriosa da equipe campineira, faço a maior zorra com o time do Brinco da Princesa, e o garoto ganha cartão vermelho?
 
Que grande cínico! O homem me olhou com aqueles olhos de olheiras – acho que tem almoçado e jantado mal, sei lá dizem que professor padece um bocado -, coçou a cabeça, murmurou:
 
– Foi o senhor que fez a lição?
 
Fiquei meio sem jeito:
 
– Bem, fazer não fiz. Dei uma orientação didática. Pai é para essas coisas…
 
Ele não se comoveu. Ao contrário, foi até rude:
 
– Se aceita um conselho, para de dar palpite na lição de casa de seu filho. O senhor não conhece nada do Guarani.
 
Falar isso na minha cara! Tive de agüentar calado. Nunca soube que no diacho do time campineiro figurasse uma dupla de área chamada Peri e Ceci. E com essa constante mudança de técnicos, como podia sacar que o técnico atual é o Zé de Alencar?
 
– Tá bem – eu disse -, não vamos brigar por tão pouco. O professor pode dar outra oportunidade ao menino?
 
Deu. O professor quer agora os capítulos completos de um romance, por
coincidência com o mesmo nome do time de Campinas: o Guarani. É qualquer coisa com índio sioux que de repente se vê obrigado a salvar uma mulher biônica das águas da enchente. Deve ser novela em cores. Mas só para complicar a vida de meu filho, o professor não revelou o horário. Porém desta vez ele não me ferra. Pela dica do enredo, que deixou escapar, deve ser mais uma dessas sucessões de cenas de violência que a gente é obrigado a engolir todas as noites na televisão.
 

Estou de antena ligadona, meu chapa.

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Trabalhar e ter sucesso no futebol globalizado? Obrigatória a língua inglesa, pelo menos…

Carlos Alberto Parreira está 40 anos à frente da maioria absoluta dos técnicos brasileiros.
 
Calma, sem polêmicas…
 
Não por sua sabedoria tática no comando de clubes e da seleção. Mas porque domina a língua inglesa, escrita e falada, desde o final da década de 1960, quando foi desbravar a então longínqua África para comandar a seleção de Gana.
 
Em 2010, a Copa do Mundo será na África do Sul, hoje comandada por outro brasileiro, Joel Santana – que não domina a língua e, naturalmente, isso lhe impõe muitas dificuldades no dia-a-dia do relacionamento com equipe, jornalistas e torcedores.
 
O “embromation” do treinador virou sucesso no Youtube e até ganhou versões funk e mixada com os desvarios de outro compatriota imperito na língua predominante no mundo, Anderson, meio-campista do Manchester United.
 
Não é só com o inglês que nossos profissionais sofrem. Luxemburgo também passou pelo mesmo enquanto foi “galáctico” no Real Madrid e destilava seu “portunhol” sem perder a pose jamás.
 
Aprender o inglês como segundo idioma, o espanhol como terceiro, o alemão como quarto não significa ser arrogante para atuar em um meio historicamente avesso aos letrados, estudiosos e ávidos por conhecimento.
 
Atualmente, isso é sinônimo de vantagem competitiva, pois dá aos profissionais mais chances de buscar dados e informações diretamente nas fontes de pesquisa (vide internet) para sua área de atuação, o que pode acarretar melhores contratos, mais chances de adaptação no estrangeiro e credibilidade.
 
Informação de qualidade e confiável vale muito num futebol fantasticamente globalizado em que vivemos hoje. Muito dela é produzida na esteira da vanguarda profissional européia e norte-americana, quando se trata de gestão esportiva e seus desdobramentos.
 
Para o Parreira sempre valeu muito, dentro do futebol, pois lhe possibilitou treinar várias seleções e clubes do exterior. E fora de campo, também, pois foi garoto-propaganda justamente de uma rede de escolas de inglês no Brasil durante a Copa do Mundo de 2006.
 
So, keep learning.
 
Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br
Categorias
Sem categoria

Porcos-espinho, tecnologia, Muricy e São Paulo

Olá amigos.

Gosto muito de alguns textos, fábulas e parábolas que, de maneira curta e sutil, nos trazem muitas lições. Em especial esta que apresento a vocês, me fez refletir sobre dois pontos, um que nos acostumamos a abordar nessa coluna e outro que foi repercutido nesta semana.

A difícil convergência entre alguns setores profissionais do futebol com os recursos tecnológicos e a saída de Muricy Ramalho do comando do São Paulo.

Eis o texto:

Durante uma era glacial, muito remota, quando parte do globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso. Indefesos, morreram por não se adaptarem às condições do clima hostil.  Foi então que uma grande manada de porcos-espinho, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, e juntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso. Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte e afastaram-se feridos, magoados, hostilizados, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus companheiros.

Aqueles espinhos que aqueciam também feriam e doíam muito. Mais tarde, descobriram que essa não era a melhor solução: afastados e separados, logo começaram a morrer congelados, os que não morreram voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precauções, compreensão, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver, resistindo à longa era glacial.

Um texto curto e simples, mas que, conforme afirmado anteriormente, se identifica muito com os casos citados.

Por mais que o espinho chamado tecnologia possa incomodar alguns profissionais, a convivência entre ambos é por demais necessária para que a tecnologia não morra, como também para evitar que o profissional se iluda com a falsa consciência de que não precisa de ninguém e de nada, pois já é auto-suficiente (diz que sempre ganhou tudo sem precisar de nada, ainda que nunca tenha ganho nada). 

Em outro fato, temos a saída do tricampeão brasileiro Muricy Ramalho. Muitos espinhos sobram para todos os lados nesse fato. Seja na relação Muricy x imprensa, ou Muricy x diretoria, ou ainda diretoria x Copa do Mundo. Enfim, muitos caminhos.

Confesso que não sou um fã incondicional do Muricy Ramalho. O que para alguns pode ser uma tremenda heresia e um desconhecimento de futebol, por não considerar o que todos observam que ele é o técnico eleito melhor do Brasil por quatro anos consecutivos, tendo conquistado três títulos. Mesmo porque, penso existir diferentes formas de se desenvolver um trabalho sem que uma exclua a outra (sem que os espinhos sejam nocivos). Mas deixemos essa discussão para outra oportunidade. 

Nesse momento, deve-se atentar que o São Paulo, reconhecidamente um clube estruturado e mestre em planejamento, deve ter motivos sólidos para suas ações. Apenas para reflexão, basta pesquisarmos a quanto tempo Arsène Wenger é técnico do Arsenal e pensar como seria se a cada eliminação do torneio intercontinental, ou ainda, no período de construção do estádio, ou nas reformulações do elenco, sua cabeça fosse colocada a prêmio. 

O fato é que na era glacial que o São Paulo está passando, os muitos porcos-espinho se aproximaram demais uns dos outros e sabemos como é que é, a corda sempre estoura no “espinho mais fraco”.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br