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O campeonato que se sabota

Encerrado no último fim de semana, o primeiro turno do Campeonato Brasileiro podia ter sido marcado pelo sucesso das rodadas matinais aos domingos – jogos às 11h tiveram a melhor média de público da competição, e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aumentou a pedido das equipes a quantidade de partidas no horário. Também podia ter sido um período marcado pelas novidades (em campo, com a consolidação de jogadores jovens como Luan, Gabriel, Jorge, Jemerson, Renan, Otávio e Malcom, ou fora, com a ascensão de treinadores com boas propostas, casos de Eduardo Baptista e Roger Machado). Entre tantas histórias para contar, porém, a marca da principal competição do futebol nacional é mais uma vez o quanto ela se sabota.

A metade inicial do Campeonato Brasileiro de 2015 teve média de 2,2 gols por jogo e um nível técnico superior ao que foi apresentado em edições anteriores. A evolução em alguns aspectos é nítida, e um exemplo é o desenho dos gols anotados pelo Grêmio na vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG na última quinta-feira (13). Ambos foram construídos a partir de troca de passes (22 toques seguidos até a conclusão de Douglas no primeiro caso). Não é otimismo exacerbado: ainda que esteja aquém de torneios internacionais e do potencial local, o nível técnico do principal certame nacional evoluiu neste ano.

O Campeonato Brasileiro de 2015 também tem sido extremamente competitivo, com alternância de posições em quase todos os trechos da tabela – a exceção é a zona de descenso, que tem sido mais constante. E nem a proximidade entre os times que ocupam as primeiras posições é assunto.

Horas depois do término do primeiro turno, falamos sobre arbitragem. Falamos sobre os erros que ajudaram o Corinthians, atual dono da primeira colocação, e sobre a falta de critério no apito – da escolha dos juízes e auxiliares à marcação de cada lance. Atlético-MG e Flamengo, dois times prejudicados no fim de semana, enviaram representações à CBF para reclamar.

A arbitragem também é o tema que domina os debates sobre futebol brasileiro na TV (e não apenas na TV aberta). Todos os canais têm especialistas para debater cada lance e mostrar no vídeo paralisado o quanto deveria ter sido simples a decisão que o árbitro tomou em segundos. Falar de polêmica acrescenta pouco, mas chama atenção. Nossa mídia tem se tornado especialista em analisar o esporte parado, sem todas as intercorrências do instante em que a decisão é tomada.

Também existe aí o componente da leviandade. Os debates sobre arbitragem têm aproximado muito a mídia brasileira do que acontece nos bares e distanciado do que é jornalismo. São opiniões irresponsáveis, rasas e desprovidas de qualquer apuração. Tudo assim, empilhado, simplesmente pela polêmica.

Pense então na pressão que isso gera para os árbitros. Formadores de opinião (jornalistas, jogadores, técnicos e dirigentes) passam horas discutindo cada lance em que eles erram ou acertam e sugerindo intenções ocultas em cada um, ainda que não apresentem provas. Torcedores ressoam isso e colocam em dúvida a lisura do trabalho de todos, de forma generalizada. A partir disso, toda decisão passa a ser questionada ou avaliada a partir de pré-conceitos.

Erros e acertos são inerentes a qualquer atuação humana, e a arbitragem não pode ser excluída disso. Entretanto, esse é um claro exemplo do quanto temos dificuldade para a crítica construtiva. Há anos convivemos com reclamações e acusações sobre arbitragem, mas quais foram as propostas no período, da CBF, dos clubes ou de qualquer outra parte interessada, para que isso fosse minimizado? Qual é a preparação que os donos do apito têm para lidar com um ambiente de tão grande pressão?

É sempre mais fácil sugerir. É sempre mais fácil gerar a polêmica pela polêmica. Mais uma vez, perdemos a chance de identificar um problema, discutir modelos viáveis e trabalhar para evoluir. O futebol brasileiro tem uma restrição inexplicável a qualquer processo.

O pior é que a arbitragem é apenas um dos tópicos em que o Campeonato Brasileiro perde espaço em qualquer discussão. O futebol do primeiro turno também foi suplantado, por exemplo, pelas mudanças causadas nos elencos. Com a desvalorização da moeda local e a perda de potencial econômico de curto prazo na maioria das equipes, o êxodo de atletas subiu de forma assustadora. Entre os 11 titulares do Flamengo contra o Palmeiras no último domingo (16), cinco sequer integravam o elenco profissional rubro-negro no início do torneio nacional.

O Campeonato Brasileiro de 2015 também foi (e vai continuar sendo) o torneio em que os times perderam peças relevantes em momentos nevrálgicos. Em setembro, por exemplo, convocações da seleção brasileira principal e do time nacional sub-23 vão tirar 16 atletas da Série A. Esses jogadores perderão duas ou três rodadas, o que pode ter peso decisivo numa competição tão equilibrada.

Arbitragem, êxodo de atletas e um calendário que compete com os jogos da seleção brasileira são apenas alguns exemplos do quanto o Campeonato Brasileiro é um produto que se sabota. É difícil falar de futebol quando os assuntos mais relevantes estão sempre à margem.

Havia uma lista de marcas possíveis para o primeiro turno do Campeonato Brasileiro. No fim, infelizmente, o torneio de 2015 vai ser visto como o que teve pouca ou nenhuma evolução nas questões que mais precisava discutir.

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Arbitragem e a credibilidade no futebol

Antes da partida decisiva contra o Corinthians, válida pela penúltima rodada do 1º turno do Campeonato Brasileiro, o Sport Recife protestou junto à Comissão Nacional de Arbitragem contra a escalação do árbitro Luiz Flávio de Oliveira, eis que pertence à Federação Paulista de Futebol.

O principal fundamento do clube alvinegro é de que árbitros de determinada Federação não deveriam apitar partidas de clubes filiados a ela.

A Comissão Nacional de Arbitragem manteve a escalação do árbitro paulista e a partida acabou sendo decidida em uma marcação de pênalti polêmica em favor do Corinthians, filiado à Federação Paulista de Futebol.

Vale dizer que na rodada anterior, a arbitragem deixou de marcar um pênalti contra o Corinthians em um lance muito parecido e que o mesmo árbitro não marcou uma penalidade em favor do Flamengo em partida contra o Cruzeiro em um lance praticamente idêntico.

O Estatuto do Torcedor estabelece em seu artigo 30 que é direito do torcedor que a arbitragem das competições desportivas seja independente, imparcial, previamente remunerada e isenta de pressões.

No caso em comento, era pública e notória a pressão sofrida pelo árbitro, uma que vez que pertence à mesma Federação de um dos clubes e que este clube que disputa o título já havia sido beneficiado por um erro de arbitragem na rodada anterior. A tudo isso se soma a suspeição apontada pelo clube adversário, o Sport Recife

Ora, em se tratando de esporte, não basta ser honesto, tem que parecer honesto. É justamente por isso, por exemplo, que o art.27-A da Lei Pelé proíbe que duas ou mais entidades de prática desportiva disputem a mesma competição quando uma mesma pessoa explore, controle ou administre direitos que integrem seus patrimônios.

Assim, para o desporto, não basta ser honesto, tem que parecer honesto, tal como está inserido na essência do art. 27-A da Lei Pelé. Tal medida é indispensável para a evolução do desporto de forma técnica e também de sua credibilidade como negócio.

Ademais, a arbitragem da partida estava eivada de pressão o que, como exposto, violação ao artigo 30 do Estatuto do Torcedor.

Por fim, urge acrescer que o futebol corresponde a um negócio que movimenta, além de paixão, altíssimos valores financeiros, bem como gera empregos e eventuais dúvidas quanto à sua imparcialidade acabam por desvalorizar o “produto”. 

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A mente treinando pênaltis

Quando as competições de caráter eliminatório, como as denominadas “Copas”, avançam em sua execução, os clubes eventualmente se deparam com a fatídica disputa de pênaltis.

Nesta situação, na qual em muitos casos nem sempre a equipe que por acaso tenha jogado melhor no período dito de bola rolando é a que vence, nos questionamos sobre o que poderia ter faltado para que o resultado da disputa fosse diferente.

Buscando contribuir com essa questão compartilho com vocês que, além de executar uma série de treinamentos necessários das cobranças de penalidade máxima, os clubes podem lançar de mão do treinamento mental destas mesmas cobranças. Isso mesmo, é possível fazer com que os atletas treinem mentalmente tais cobranças, com o objetivo de aumentar o aproveitamento nos momentos de decisão através de disputa de pênaltis.

Para isso torna-se importante reconhecermos que atualmente é comprovado cientificamente, que um movimento imaginado e exercitado mentalmente produz micro contrações e consequentemente uma melhoria da coordenação neuromuscular, além disso há um efeito fisiológico significativo, pois, uma maior irrigação de sangue é constatada na musculatura envolvida. Assim percebemos mais claramente que o treinamento mental é uma alternativa valiosa a considerarmos tanto para melhoria da performance atlética, quanto para a aquisição de habilidades motoras. Se assim o é, podemos sim utiliza-lo para capacitar melhor nossos atletas quanto a cobranças de pênaltis e com isso aumentar as chances de serem mais bem-sucedidos nas decisões em campo nos momentos de cobranças.

Ah, é valido aproveitar este momento para podermos destacar algumas utilizações, vantagens e benefícios do treinamento mental fornecidas por profissionais envolvidos no estudo do desenvolvimento esportivo.

Utilização (Magill, 1998)

• Aquisição de habilidades motoras;
• Reaprendizagem de habilidades motoras;
• Melhoria no desempenho de uma habilidade motora bem aprendida;
• Programas de reabilitação.

Vantagens (Franco, 2000)

• Diminui a carga física – menos cansaço;
• Diminui a carga psíquica – situação sob total controle;
• Eliminação de lesões físicas – sem risco;
• Menor gasto de tempo;
• Sem exigência de espaço adequado;
• Sem exigências de condições físicas – casos de contusões;
• Maior chance de concentração – não há estímulos perturbadores externos.

Benefícios do Treinamento Mental na aprendizagem de habilidades motoras (SCHMIDT e WRISBERG, 2001)

• Pode envolver a prática de aspectos cognitivos, simbólicos e de tomada de decisão da habilidade;

• Pode permitir ao atleta imaginar ações possíveis e estratégias, estimulando os resultados prováveis na situação real;

• Pode ser acompanhado por atividade muscular mínima, muito longe da necessária para produzir a ação, que envolve os músculos que são utilizados durante o movimento real;

• Pode auxiliar na focalização da atenção dos executantes nas dicas relevantes da tarefa, o que pode ser útil para a performance física subsequente.

E aí, podemos ou não atentarmos ao uso do treinamento mental para aumentar as habilidades em cobranças de pênaltis?

Até a próxima! 

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Ensinar marketing

Na indústria do esporte, não são poucos os argumentos que sacramentam: “ah, a gente tenta, mas as pessoas / as equipes não entendem nada de marketing. Aí a coisa não funciona. Nem os patrocinadores, às vezes, entendem de marketing esportivo. Por isso, não dá certo!”.

Para sair do ambiente das lamentações, a NBA veio ao Brasil, em parceria com o NBB (que já vinha trabalhando isoladamente de maneira muito adequada, diga-se de passagem), e emplacou aquilo que é comumente feito por ela nos EUA: um evento de marketing para congregar e estimular a comunidade do basquete a pensar diferente em relação a produto, relacionamento com torcedores, relacionamento com patrocinadores e mídia. Nenhum mistério!

O evento ocorreu nesta semana, no dia 11 de agosto de 2015. A proposta é mostrar como as ferramentas de marketing podem contribuir para o desenvolvimento da plataforma basquetebol no país e quais são as estratégias de um projeto de âmbito global, como é o caso da NBA.

O recado é simples: se queremos uma indústria que pensa diferente, é fundamental ensinar as pessoas que lidam com o esporte da mesma maneira há muito tempo a passar a pensar efetivamente diferente. Apenas educando e persistindo na replicação de conceitos modernos e inovadores é que será possível desenvolver um mercado em prol do esporte. 

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Encaixe de área

De acordo com as estatísticas, não sofrer gols numa partida é um passo importante para se aproximar da vitória. Para cumprir com este objetivo, diversos comportamentos individuais e coletivos precisam ser aplicados. Conseguir manter a posse de bola (diminuindo o tempo útil de posse do adversário), neutralizar contra-ataques do adversário (através de tentativa de recuperação imediata após a perda da posse ou rápida proteção da meta) e inibir finalizações a partir das zonas de risco (com quebras de linha no portador da bola) são mecanismos que, se corretamente aplicados, contribuem para o sucesso defensivo.

Na coluna desta semana, será discutido um princípio de jogo que tem a mesma finalidade dos comportamentos de jogo supracitados. O princípio é denominando encaixe de área.

Em uma de suas colunas na Universidade do Futebol, o treinador Rodrigo Leitão afirmou que a ocupação do espaço de jogo deve ser “transreferencial” na tentativa de solucionar as diversas situações-problema que emergem do jogo.

Nesta perspectiva, o adversário é (e não só ele), permanentemente, uma referência para a estruturação coletiva do espaço de jogo, seja defensiva ou ofensivamente.

Incluem como referências que podem nortear a organização estrutural da equipe o espaço, a bola, as metas e os companheiros.

Assumir que a ocupação de espaços transcenda referências na manifestação do jogar da equipe pode ser muito útil para o cumprimento da Lógica do Jogo. Como a coluna desta semana tem um caráter predominante dos aspectos defensivos do jogo, vamos a um exemplo:

Imagine que uma equipe defende de forma zonal com sua primeira linha de 4. Em jogos de alto nível, é muito comum que um atacante adversário esteja permanentemente tentando confundir os defensores para receber no espaço entrelinhas, ou então, para atacar o espaço nas costas da linha, através de infiltrações. De acordo com o local da bola (que é uma das referências para o posicionamento da primeira linha), pode ser que o atacante consiga se movimentar entre os zagueiros de tal forma que um deles não veja o movimento de infiltração em suas costas. O que fazer nesta situação?

Se, além do espaço, o adversário também for uma referência para a organização defensiva da equipe, provavelmente o “facão” do atacante será “perseguido” por um daqueles que o viu, que deve ser o jogador de cobertura mais próxima.

Vamos, agora, ao encaixe de área.

Em situações que o adversário se encontra nos corredores laterais próximos à meta de ataque, é comum que se construam ações ofensivas com cruzamentos. Atraídos fortemente pela bola, também é bem comum que zagueiros, volantes e lateral do lado oposto “esqueçam” que os adversários em condições de finalização também são uma importante referência para potencializar o êxito da ação defensiva.

Dessa forma, o encaixe de área, executado com marcação individual nos jogadores que estão em zonas potenciais de finalização, em situações imediatamente prévias aos cruzamentos, podem minimizar as chances de finalização do adversário, logo, de gol sofrido.

Gostaria que, nesta rodada do Campeonato Brasileiro e abertura do Campeonato Inglês, você, caro leitor, acompanhasse lances de ocorrência (ou não) do encaixe de área e o quanto este princípio influenciou as ações de finalização.

Aguardo seus feedbacks e comentários por e-mail para continuar a discussão.

Abraços e até a próxima!  

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A mente brilhante e o esporte

Poucos dias atrás pudemos ser brindados com o retorno de Ricardo Gomes (ex-atleta de futebol e treinador profissional) aos gramados, mais precisamente à beira deles no comando técnico do Botafogo Futebol e Regatas.

Isso nos inspira a debater ainda mais na capacidade da mente humana em superar todo e qualquer desafio impostos à nós em nossa vida cotidiana.

O caso de Ricardo, um exemplo de superação para todos nós, foi de extrema gravidade e sua dedicação desejo de retornar à sua prática profissional foram muito importantes em sua recuperação. Penso que o simples fato de acreditarmos que algo é possível já coloca nossa mentem funcionamento a nosso favor e isso já uma enorme contribuição para a recuperação de qualquer ser humano para superar uma adversidade imposta pela vida.

E isso acontece em grande escala no universo do futebol, porém, claro que em gravidade infinitamente menor que a do caso citado do atual treinador do Botafogo, mas acontece num nível de gravidade que impacta momentaneamente ou permanentemente a vida profissional dos atletas, as lesões decorrentes da prática esportiva. Já abordei esse tema aqui na Universidade do Futebol e hoje com outro objetivo trago novamente o tema à nossa pauta.

Resgato que, em quadros de lesão, geralmente o atleta apresenta uma série de reações emocionais negativas, tais como raiva, ansiedade, medo, depressão, incerteza sobre o futuro no esporte, mudanças nos hábitos alimentares, mudanças no sono, obsessão pelo retorno, negação da lesão, tentativas de esconder a lesão, alterações de humor, etc.

Cabe relembrar que existem dois aspectos que desempenham um papel importante e complementam os aspectos médicos da reabilitação, são eles: a resposta emocional e os processos cognitivos, ou seja, a forma como cada atleta interpreta a lesão e suas expectativas quanto à eficácia do tratamento e sua recuperação.

Porém, nesta coluna, não vou aprofundar sobre o trabalho de Coaching junto aos atletas em momentos de lesão, mas sim estimular os atletas a se utilizarem deste processo em momentos como este, pois quando vemos o caso de recuperação de Ricardo Gomes é impossível ficarmos alheios a este tema e deixarmos de aproveitar para inspirarmos os atletas a encararem o momento de lesão como uma etapa, que por sua própria característica, irá ter fim em algum momento.

Quando o atleta possui o apoio adequado e decide genuinamente ultrapassar essa etapa de lesão tudo começa a evoluir e seus comportamentos, estimulados pela maneira mais positiva de pensar aliada à confiança, facilitam o percurso até a volta à prática esportiva.

Então, não acham realmente que a mente é algo brilhante e indispensável ao conhecimento do universo esportivo?

Até a próxima! 

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Olhar para fora

Está, de fato, cada vez mais complicado pensar em gestão de entidades esportivas ou de eventos esportivos sem estar alinhado com questões da sociedade e que são tratadas como o “ambiente externo” das organizações.

A organização dos Jogos Rio-2016 são um exemplo disso: as notícias mais latentes neste período de preparação guardam relação estrita com aspectos ambientais, como o caso da poluição da Baía de Guanabara, ou sociais, como os legados para as comunidades menos favorecidas, e não somente esportivos. Vivenciamos questões similares no período pré-Copa 2014.

Nas organizações esportivas, está cada vez mais difícil blindar os aspectos internos e políticos dos clubes, federações ou confederações do seu impacto causado nas pessoas e na vida em sociedade. Não é, nem nunca foi, concebível pensar a estrutura de uma entidade esportiva sem olhar para fora. A diferença é que nos últimos tempos as atitudes precisaram ser melhor estruturadas e justificadas.

A gestão do esporte é multifacetada. Não basta conhecer os meandros do esporte combinadas com as teorias da gestão. É preciso entender de maneira profunda o que ocorre a sua volta. É obrigação do gestor do esporte aprofundar estudos antropológicos e sociais, por exemplo, sob pena de se ver às voltas sobre problemas ou questões que nem sempre são resolvidas com uma caneta na mão… 

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O papel das novas arenas

Apos a Copa do Mundo, o torcedor brasileiro tem experimentado um novo paradigma no que diz respeito à qualidade e ao conforto nos estádios de futebol.

Por outro lado, um debate essencial que deve ser promovido é a utilidade das novas arenas, que custaram bilhões, quando não houver jogos de futebol.

A Constituição Brasileira assegura o exercício do direito de propriedade, desde que ela exerça sua função social.

Ainda que não houvesse tal previsão, a grande parte dos investimentos foram públicos, razão pela qual exige-se uma utilização afeita ao interesse publico, inclusive das arenas entregues em concessão.

Dessa forma, as grandes esplanadas construídas no entorno dos estádios devem ser abertas ao público para atividades lúdicas em dias que não houver jogos, os estacionamentos devem ser abertos diariamente para utilização publica, ainda que paga.

Enfim, as imediações das novas arenas devem compor o cenário urbano e se integrar à comunidade.

O Estado, as concessionárias e os administradores das arenas devem ter em mente que o estádio corresponde a um patrimônio de interesse publico e que deve ter relevante utilidade também quando não houver partidas de futebol.

Tal mentalidade existe em toda a Europa e nos EUA que criam no entorno dos estádios grandes espaços de lazer com bares, lojas e praças esportivas para uso da população.

A adequação das novas arenas a uma função social relevante trará grande bem estar à população, bem como assegurará o retorno do dinheiro público investido. 

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Emoções: amigas ou inimigas do atleta?

Sabemos que em muitas situações do futebol percebemos que os atletas passam por momentos de descontrole emocional dentro e fora dos gramados. Por isso temos a impressão de que as emoções são nossas inimigas, dificultando nosso desenvolvimento e a busca pelo nosso melhor desempenho profissional.

Um meio bastante eficaz de usar suas emoções a nosso favor é compreender que todas elas nos são úteis. Quando aprendemos com nossas emoções e conseguimos utilizá-las para contribuir na geração dos resultados que desejamos, podemos obter melhores desempenhos profissionais e mais qualidade de vida. Anthony Robbins (considerado um dos maiores especialistas em Neurolinguística do mundo) defende a ideia de que aquilo que conhecemos por emoções negativas são na verdade um chamado à ação na prática ou simplesmente Sinal de Ação. Ele comenta que a partir do momento em que estivermos familiarizados com cada sinal de ação e sua respectiva mensagem, as emoções deixam de ser suas inimigas, tornam-se nossas aliadas.

Porém, será que realmente temos clareza sobre a fonte de nossas emoções? Na verdade, nós somos a fonte de todas as nossas emoções! A partir desse conceito vem o questionamento: mas, se somos nós mesmos a fonte de nossas emoções, porque não conseguimos nos sentirmos bem na maior parte do tempo em nosso dia a dia? Isso acontece devido ao que conhecemos por emoções negativas estarem nos dizendo alguma mensagem a cada momento de nossas vidas. E qual seria essa mensagem?

Seria a mensagem de que tudo o que estamos fazendo num determinado momento não está dando muito certo e que devemos mudar o curso dos acontecimentos, por isso a sensação negativa em relação a estas emoções. É importante termos em mente que as nossas percepções são controladas pelo que focalizamos e pelos significados que damos para interpretarmos situações.

Agora, o melhor disso tudo é que todos somos capazes de mudarmos nossa percepção dos fatos num instante, pelo simples fato de mudarmos a maneira como encaramos o fato em si.

Na prática, Anthony Robbins sugere que utilizemos seis passos que contribuem para o controle emocional e isso pode ser muito útil aos atletas.

1 – Identificar o que realmente se sente

2 – Reconhecer e apreciar suas emoções, sabendo que elas o apoia

3 – Ser curioso sobre a mensagem que cada emoção está lhe oferecendo

4 – Ser confiante

5 – Ter a certeza de que pode controlar não apenas o hoje, mas também o futuro

6 – Permanecer animado e entrar em ação

Com esses seis passos simples, sugere-se que os atletas possam passar a dominar praticamente qualquer emoção que surgir em suas vidas. Se em algum momento descobrirem que vem lidando com a mesma emoção muitas e muitas vezes, este método de seis passos os ajudarão a identificar o padrão de reação e mudá-lo num curto período. Portanto, é altamente indicado o uso deste sistema. Como acontece com qualquer outra coisa nova, a princípio pode parecer um pouco difícil. Mas quanto mais se fizer, mais fácil se tornará o uso, e logo se descobrirá capaz de navegar pelo que antes julgava-se como turbulências emocionais.

Ah, e quando seria o melhor momento para iniciar o controle de uma emoção? No momento em começar a senti-la, pois é bem mais difícil interromper um padrão emocional depois que ele se torna plenamente desenvolvido ou seja após ele estabelecer um caminho neural que esteja sedimentado em sua mente.

E aí caro leitor, será que conseguimos tornar as emoções mais amigas do que nossas inimigas?

Até a próxima! 

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O que é visível?

Ver, enxergar e processar a informação. Este é, sem dúvida alguma, um dos processos base das ferramentas de comunicação em marketing. Neste sentido, reforçarei o título: o que é visível efetivamente nas comunicações de patrocínio esportivo?

A pergunta, que é recorrente no meio do esporte especialmente para as empresas que investem no segmento, volta para mim após uma breve pesquisa feita para a identificação de patrocinadores nas camisas de clubes de futebol de médio e grande porte.

A constatação, que não é surpresa para muitos que estudam visibilidade no patrocínio, é que as marcas amontoadas na camisa ou nas costas dos atletas (exceção feita à marca acima do número) é praticamente invisível, mesmo para alguém que está procurando marcas patrocinadoras. Ao tentar imaginar o torcedor comum, que está interessado tão somente no jogo, fiquei um tanto quanto assustado com o resultado.

A reflexão tem a ver com uma questão simples: vale mesmo a pena colocar um bom dinheiro no patrocínio somente para ter o “prestígio” de ter a marca na camisa de jogo, mesmo que isso não seja percebido pelo fã da modalidade? Será que não seria melhor investir em propriedades mais limpas ou explorando a atividade-fim da empresa, tal e qual fazem a Gerflor, no patrocínio a pisos esportivos, em que coloca seus próprios produtos nas quadras quando há interesse em exposição; ou a Gatorade, cujo case fala por si só?

Logicamente que nem todas as empresas tem condições de trabalhar o patrocínio tendo relação com sua atividade-fim pois nem sempre o produto ou serviço é passível de uso no esporte ou mesmo que possua boa visibilidade natural no ambiente de jogo. Mesmo nestes casos, é possível ter sucesso com alternativas de exposição mais baratas e muito melhor posicionadas do que simplesmente jogar a marca em qualquer canto da camisa de um clube de futebol.

Tanto quem patrocina quanto quem é patrocinado precisam passar ainda por um processo maior de amadurecimento neste sentido. O grande desafio é repensar os formatos das propriedades e identificar soluções inovadoras para que a marca não seja simplesmente vista mas também processada e efetivamente armazenada pelo público.