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Futebol ético?

Estamos vendo, rodada após rodada, no Campeonato Brasileiro de futebol, sucessivos erros de arbitragem e o consequente enxame de reclamações e discussões sobre os impactos destes erros nos resultados das partidas de futebol.

Mas, eventualmente, nós nos perguntamos se os clubes não acabam por serem tentados, através de seus interlocutores, em utilizar estas falhas de arbitragem como forma de esconder outros problemas internos em suas instituições esportivas.

Penso particularmente que sim, pois se o volume de reclamações contra a arbitragem cresce e ganha espaço exponencialmente. Por qual motivo o mesmo volume de retratações ou reconhecimentos de tais benefícios não cresce na mesma proporção?

Ou seja, será que nos falta mais ética no meio do futebol? Será que o lúdico do jogo perdeu definitivamente para a necessidade desesperada de vitórias e de sucesso das instituições esportivas? O falado Fair Play nestas situações é deixado de lado quando os erros de arbitragem acontecem?

Quando este erro acontece, o beneficiado geralmente não o reconhece e por este motivo igualmente não se pronuncia a respeito, se reserva o direito da palavra como que se o problema fosse apenas do outro clube e do trio de arbitragem de uma determinada partida. Aí talvez esteja um dos nossos problemas, não apenas dentro do futebol, mas dentro de nossa própria sociedade. Não nos respeitamos o suficiente e infelizmente buscamos intensamente a busca pela vantagem, mesmo que essa seja ilícita e que infrinja os direitos do outro que muitas vezes chamamos de coirmão.

Relembrando a definição de ética, por Mario Sergio Cortella, podemos endente-la como o conjunto de valores e princípios que usamos para definir nossa conduta. É a arte de responder a três grandes questões da vida: Quero?; Devo?; Posso? Ou seja, é a forma como lidamos com as questões sobre: Nem tudo que queremos, é possível fazermos; nem tudo que podemos, nós devemos fazer e nem tudo que devemos, nós podemos fazer. Ainda, de acordo com Cortella, nós estamos em paz de espírito quando aquilo que queremos é ao mesmo tempo o que podemos e o que devemos fazer.

Ou seja, a ética corresponde a teoria sobre a conduta que devemos ter em relação aos assuntos da vida cotidiana. É sobretudo a nossa capacidade de fazer escolhas e quando nossas escolhas deixam de refletir uma atitude integra e transparente podemos deixar de ser éticos.

Então, compreendendo que o jogo de futebol acontece num universo de uma disputa esportiva baseada no lúdico e mais, se entendermos que os próprios atletas mudam constantemente de clubes no futebol brasileiro, chega o momento de termos uma nova conduta em relação ao que acontece para todos os clubes de futebol. Afinal, o quão ético somos no futebol, se quando o erro nos beneficiam ficamos calados e felizes pelo simples fato de termos obtido a vitória numa determinada partida? Quer dizer que somos éticos apenas quando o erro não nos beneficia?

Neste ponto, podemos dar partida a uma nova reflexão a respeito, talvez seja o momento para o qual estejamos prontos a iniciar uma jornada de conduta mais adequada para o meio que atuamos: o esporte. E você amigo leitor, o que acha sobre o tema? 

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Arbitragem

O que temos a ver com a arbitragem? Tudo! As polêmicas recentes com arbitragem no Campeonato Brasileiro impressionam não exatamente pelos erros, mas sim pelas atitudes e comentários em torno de um problema crônico, que continuará sendo crônico enquanto não se mudar a forma como ele é tratado e compreendido.

O primeiro passo é entender que o departamento de arbitragem não é uma bolha intocável dentro do negócio como um todo. Enxergá-lo como um apêndice ou como uma célula a parte tem sido o grande fator de insucesso em seu processo de gestão e entendimento sobre a inovação necessária. Este distanciamento fica evidente à medida que vemos dirigentes, treinadores e atletas reclamando da arbitragem como se eles viessem de outro planeta, caindo de paraquedas no estádio apenas para apitar (ou “prejudicar” o seu próprio clube).

O segundo e óbvio passo é parar com o cansativo “papo” de usar ou não tecnologia. Definitivamente, cansou. Estamos no século XXI. Um torcedor qualquer vê no estádio o replay do lance no seu celular e tem a certeza do ocorrido em qualquer lance polêmico! É inadmissível que estejamos ainda neste debate. O futebol evoluiu. Os jogadores correm o dobro – e contam com muitas tecnologias para correr e performar mais. Só os árbitros ficaram no tempo. Somente por conta disso, deveriam ser tratados como vítimas e não como vilões do sistema!

Por fim, e corroborando com os dois itens anteriores, compreender que isso tudo é só mais um complemento necessário e fundamental para as melhorias da entrega do produto dentro de uma perspectiva da gestão da modalidade. Ao excluirmos a arbitragem do sistema, apesar de, ao mesmo tempo, eles estarem lá, em todos os jogos, mandamos uma mensagem muito ruim para aqueles que acompanham ou investem no futebol.

A melhora da qualidade na arbitragem é tão importante quanto a necessária melhora da gestão do futebol brasileiro como um todo. Dirigentes, treinadores, atletas e, naturalmente, árbitros e oficiais, são corresponsáveis por isso. E devem trabalhar juntos para a melhoria do sistema! 

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Estamos preparados para analisar o futebol moderno?

O trabalho do técnico Pep Guardiola tem marcas indeléveis desde a época em que ele comandava o Barcelona. Posse de bola, marcação pressão e linha de defesa adiantada são características que servem como exemplos de todas as equipes montadas por ele. Na temporada 2015/2016, porém, esses pontos tiveram um novo patamar. O Bayern de Munique montado pelo espanhol prescindiu de zagueiros e venceu o Bayer Leverkusen por 3 a 0 no Campeonato Alemão. Isso, não houve zagueiros. Não houve zagueiros de ofício e não houve zagueiros improvisados. A equipe bávara é o caso mais bem lapidado de um futebol que nós ainda não sabemos analisar.

Quando a escalação do Bayern de Munique foi montada, a notícia repercutiu na rede social Twitter. Jornalistas, torcedores e curiosos de todo o mundo discutiram qual seria o esquema do time de Guardiola e quem seria responsável pela zaga. Lahm é lateral direito, mas também atua como volante. Alaba e Bernat também são alas, e Xabi Alonso, volante, já havia sido escalado na linha defensiva. Seriam os quatro? Três deles? Dois?

Guardiola já tinha transformado Mascherano em zagueiro no Barcelona. Também criou no time espanhol uma formação fluida, que tinha o lateral esquerdo Abidal alternando funções na linha defensiva de acordo com a necessidade de cada partida.

No Bayern de Munique, Guardiola criou algo ainda mais flexível. A defesa que jogou contra o Bayer Leverkusen não tinha defensores. Aliás, o meio-campo também não tinha meio-campistas, e o ataque não tinha atacantes. O espanhol tem tentado derrubar o posicionamento fixo, com nomes e números, algo que norteou as opiniões sobre o futebol nas últimas décadas.

O futebol preconizado por Guardiola é alicerçado em leitura de jogo e na necessidade de posicionamento para cada instante. O que o espanhol defende é que os atletas entendam o que está acontecendo no campo e se comportem de acordo com isso.

A criação de um ambiente assim vai contra o modelo de formação usado no futebol brasileiro há anos. Vivemos num país em que a base pedagógica – e não apenas no esporte – é tecnicista e militarizada, com pouquíssimo espaço para entendimento e construção de raciocínio crítico. Como o colunista e ex-jogador Tostão cansou de escrever, nossos atletas têm conhecimento empírico (sabem fazer e conseguem resolver problemas, mas não sabem por que fazem ou como resolvem).

Romper esses paradigmas é parte fundamental para a construção de um futebol diferente no Brasil. Muitos dos problemas que o país tem no esporte – e a seleção brasileira é o ápice disso – são decorrentes de como aprendemos a olhar para o ambiente e como construímos conceitos sobre o jogo.

O problema é que o futebol está mudando tão rapidamente quando o mundo que nos cerca. O futebol de outro dia não existe mais, assim como o mundo de outro dia não existe mais. Se continuarmos buscando as respostas antigas e continuarmos usando apenas os conceitos antigos, não conseguiremos ler o jogo moderno.

É só pensar em como são conduzidos os debates sobre o futebol brasileiro atualmente. Vivemos numa época em que as análises se baseiam em frames de vídeos, em imagens congeladas e em provocações de torcedores. Vivemos numa época em que se coloca os erros sob lupa (erros de atletas, de técnicos e de árbitros), mas não temos contexto. Criticar a arbitragem a cada falha é fácil (e necessário, diga-se), mas precisamos atacar o problema certo: a estrutura que possibilita a escalação de profissionais mal preparados e mal formados.

O futebol, como costuma dizer o sociólogo Ronaldo Helal, é um microcosmo da sociedade. Assim como o mundo que o cerca, o esporte tem coisas boas, coisas ruins, gente boa e gente ruim. A estruturação pedagógica é apenas parte disso, mas nós vamos seguir com problemas se não atacarmos as questões certas.

Não basta questionar o nível da seleção brasileira se não colocarmos isso em contexto e cobrarmos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e dos clubes uma estrutura que melhore a formação dos atletas. Não basta criticarmos treinadores e dirigentes se não tivermos um nível melhor de formação deles no Brasil. Não basta reprovarmos árbitros e auxiliares se não pensarmos em como eles podem ser mais bem preparados.

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A manifestação intuitiva da Lógica do Jogo

A tarefa, no papel, é fácil: colocar o implemento móvel do jogo, leia-se bola, no alvo adversário mais vezes do que o adversário coloca na meta da sua equipe.

Na prática, dada à imprevisibilidade e complexidade das relações que constituem o jogo, o gol, evento raro ao longo de 90 minutos, é classificado como a donzela difícil do futebol (Sally e Anderson, 2013).

E enquanto cada uma das equipes tenta cumprir a tarefa, uma leitura instantânea parte de fora das quatro linhas, mais precisamente das arquibancadas, e retrata a capacidade coletiva de resolução dos problemas do jogo. A torcida, que vibra, lamenta, aplaude, critica, canta, xinga, empurra, suspira, empolga, vive e se emociona com o jogo em maior ou menor dimensão. Ao viver o jogo demonstra, mesmo que intuitivamente, se sua equipe está ou não no caminho para a vitória.

Obviamente, a torcida não enxerga o jogo de maneira especializada. Não precisa, afinal, não é sua função. Desvendar complexamente o jogo, composto pelas interações, oposições, sistemas com padrões de organização (e/ou desorganização!?) muito bem definidos e todos os detalhes estratégicos é função, em qualquer que seja a área, dos que recebem para isso. Não é o caso das torcidas…

O fato é que todo este trabalhoso desvendar, construído nos treinamentos, é resumido circunstancialmente pela torcida em cada uma das milhares de jogadas que acontece durante um jogo. O resumo é simples e objetivo: o coro da aprovação ou desaprovação.

Vamos, então, para alguns exemplos:

Um chutão para interceptar um ataque envolvente do adversário é visto com bons olhos pela torcida, que aprova a equipe por ter conseguido evitar uma ação ofensiva do adversário. Já um chutão com a equipe em posse de bola, com possibilidades evidentes de construir um ataque elaborado, é desaprovado.

Jogo empatado e o adversário sobe a marcação na tentativa de recuperar a posse de bola. Sem alternativas de passe vertical, o zagueiro usa o goleiro para manter a posse e dessa forma buscar outras possibilidades de progressão. A torcida responde em tom de aprovação. Jogo empatado e o adversário espera em seu próprio campo. A equipe, com a bola no meio campo, sem alternativas de passes verticais, mas com alternativas de passes horizontais, recua a bola para o goleiro. A vaia da torcida é um sinal claro de desaprovação.

A equipe rouba a bola no meio de campo e dispara um contra-ataque fulminante. O levantar das arquibancadas é a mostra de que a equipe percebeu a exposição do adversário. Se a jogada terminar com finalização, aprovação completa e muitas palmas. A mesma roubada de bola, seguida de desaceleração do jogo e lentidão para fazer a bola chegar ao terço final do campo é correspondida com lamentação por desperdiçar uma jogada potencialmente perigosa. Reprovação unânime!

O drible vertical, quando a equipe tem as linhas de passe fechadas e enganar o adversário é uma das poucas alternativas restantes, é facilmente aprovado. O drible num setor errado, egocêntrico e individualista, seguido de contra-ataque ao adversário é, também facilmente, reprovado.

E a aprovação e reprovação surgem também dos lances que envolvem as finalizações, a falta delas e os gols. O pouco espaço encontrado que permite um chute de fora da área que raspa o travessão, enche de expectativa o torcedor que suplica por mais lances como este. A troca de passes sem objetivo, a falta de movimentações agudas e o avanço do cronômetro sem tentativas de finalização irritam, incomodam e deixam os torcedores impacientes, que se perguntam: “será que eles sabem que precisa chutar em gol”? E, é claro, os gols! Sempre aprovados, mais ou menos comemorados, em função do contexto, do peso e do placar do jogo.

Muitos outros lances, que se sucedem ao longo de 90 minutos, são passíveis de interpretação intuitiva pela torcida em relação ao cumprimento da lógica do jogo. As substituições da comissão técnica, a característica dos passes errados e a postura mais ou menos comprometida dos jogadores são apenas mais alguns exemplos.

A essência do jogo é captada pela torcida. Ao longo dele, a incidência da aprovação e desaprovação pode ser um bom indicador do que a equipe tem feito para se aproximar ou distanciar das vitórias.

O dito popular afirma: “não se deve dar bola para a torcida.” A lógica do jogo contrapõe: “não seria melhor ouvi-la?”

Pensemos nisso! Até a próxima!  

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Crise no time: o que fazer?

Sempre que o returno do Campeonato Brasileiro se inicia, muitos times que estão povoando a parte de baixo da tabela de classificação buscam alternativas para superarem a crise e, em muitos casos, a troca de comando é a alternativa preferida por parte dos clubes.

Antes de trocar o comando técnico do time, acredito que quando ainda se possui alguma crença na capacidade profissional do comando de um determinado time, talvez seja mais prudente utilizar-se de outras formas de contribuição para a equipe e o Coaching pode ser uma delas.

Mas por que o Coaching pode contribuir num momento de crise numa equipe de futebol? Vou compartilhar alguns pontos importantes que podem ser alavancas de transformação num momento de crise.

1. O processo de Coaching pode oferecer aos atletas uma oportunidade de conhecerem suas competências e também de aprimorá-las, auxiliando eles a lidarem com seus pontos a desenvolver e com isso auxiliar no aumento da competitividade;

2. Promover melhoria na comunicação dos atletas, ao serem mais assertivos em sua comunicação eles podem promover um melhor senso de equipe, elevando o respeito que possuem uns pelos outros, além de contribuir para a melhoria do potencial de colaboração entres os membros da equipe;

3. O autoconhecimento estimulado pelo processo de Coaching pode contribuir para melhorar o foco e a autoconfiança dos atletas;

4. Este processo igualmente pode contribuir para a diminuição do nível de stress e número de conflitos no elenco, uma vez que os atletas se conhecem melhor, se comunicam melhor, se respeitam e passam a compreender o poder do coletivo na busca dos objetivos do time.

Outros pontos poderiam ser abordados aqui, mas pensando num momento de crise se conseguirmos endereçar os pontos acima mencionados já estaremos gerando uma contribuição bem significativa e valiosa para as equipes em situação delicada dentro de uma competição de alta competitividade como é nosso campeonato brasileiro de futebol.

Agora, se a gestão do clube tem a crença muito estabelecida de que o problema está ligado ao trabalho realizado pelo treinador atual e que este não apresentou o encaixe de trabalho esperado conforme a filosofia do clube, talvez a troca de maneira planejada e pensada por outro comando que esteja mais alinhado com os conceitos que o clube deseja implantar, seja mesmo a saída mais apropriada, uma vez que ninguém mais acredita que o trabalho atual possa ser capaz de levar a equipe a novas vitórias e com isso superar o fantasma do rebaixamento.

Até a próxima! 

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A leveza do futebol no banco dos réus

Na última rodada do Campeonato Brasileiro, Luis Fabiano e Carlos Alberto, protagonizaram uma cena que remonta aos tempos românticos do futebol, quando por brincadeira, trocaram tapas e “safanões” .

O fato ficaria marcado como um ato de amizade e leveza em um esporte tão competitivo como o futebol, não fosse a Procuradoria de Justiça Desportiva denunciá-los por conduta contrária à ética desportiva, prevista no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

Importante, neste momento, definir ética que corresponde à parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social.

Pois bem, as normas aplicáveis ao caso tratam de punições disciplinares, ou seja, a condutas que assegurem o bem estar dos envolvidos e o bom funcionamento da partida.

A conduta dos atletas, portanto, não viola o respeito à essência das normas, eis que não se ocorreu violência ou prejuízo ao andamento da partida, mas de meros afagos (pouco convencionais, mas afagos) entre os atletas.

O futebol e a vida precisam de mais leveza e de menos “politicamente correto”. Brincadeiras e atos de descontração como comemorações inusitadas e atitudes excêntricas, desde que não perturbem o bem estar e o andamento da partida devem ser toleradas e até incentivadas.

O futebol está na alma do povo brasileiro e sua importância extrapola as quatro linhas, eis que é o espelho da “molecagem” e da irreverência que tanto qualificam o atleta brasileiro.

O Brasil conquistou a alcunha de “país do futebol” graças ao seu jeito “moleque”, leve e bonito de jogar e não por possui 11 “robôs” disciplinados. A irreverência do futebol brasileiro encantou o mundo nas Copas de 1958, 1962, 1970 e 1982.

O 7 a 1 que tanto retunda nos nossos corações também é fruto da onda do “politicamente” correto que, como um tsunami, varre do futebol brasileiro sua alma, sua essência.

O que seria do futebol brasileiro sem os dribles moleques de Garrincha, sem a falta de compromisso tático de Zagalo, sem a Malandragem de Romário ou sem a ousadia de Pelé?

Enquanto o futebol brasileiro insistir na “chatice” do “politicamente correto” e do rigor disciplinar, inclusive com relação a atos lúdicos e românticos como os perpetrados por Luis Fabiano e Carlos Alberto, continuaremos amargando derrotas históricas. 

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O que há de novo no futebol?

Recentemente assisti uma reportagem recente sobre os alguns treinadores que estão fazendo reconhecidamente um bom trabalho no futebol este ano, o foco principal da reportagem abordava a questão da preparação do profissional para o exercício da profissão de treinador de futebol profissional.

Sabemos que seja para aqueles que tiveram uma carreira no futebol profissional, quanto para os que não tiveram uma carreira profissional e talvez tenham tido a oportunidade de praticar o esporte de maneira amadora, alguns pilares podem ser fundamentais no desenvolvimento de uma carreira de treinador.

Destaco os pilares que acredito terem contribuição efetiva para uma boa carreira de treinador.

• Estudo e formação – o estudo adequado e a formação de qualidade sobre o desporto e sobre a modalidade para qual se deseja trabalhar formam bases fundamentais para o profissional que atuará como treinador profissional de futebol.

• Realização de intercâmbios – os estágios, intercâmbios e ciclos de aprendizagem orientada são igualmente importantes para os futuros profissionais, uma vez que nesses momentos o treinador em desenvolvimento pode observar na prática a aplicação de muitos conceitos aprendidos durante seu desenvolvimento acadêmico sobre o tema. Vivenciar experiências distintas e poder compreender estilos de jogos e dinâmicas diferentes poderão ampliar a visão deste futuro profissional.

• Busca pelo desenvolvimento contínuo – a busca constante por aprimoramento dos seus conhecimentos pode contribuir para que este profissional possa desenvolver novas formas de pensamento, amplitude de conhecimento técnico e tático, além de aumento da capacidade de argumentação profissional no seu ramo de atuação.

• Conhecimento do ser humano – buscar conhecimentos sobre o funcionamento do ser humano e também do funcionamento da mente humana irá contribuir para o treinador compreender o universo complexo que somos cada um de nós, com isso ele poderá entender essencialmente as diferenças dos seres humanos, seus atletas, podendo ter consciência elevada de que cada um pode ser abordado de uma forma diferente, aumentando as chances de sucesso em sua capacidade de comunicação.

• Desenvolvimento da empatia e liderança – a empatia e a liderança desenvolvidas poderão contribuir e muito para que o treinador possa entrar no universo dos seus atletas, se colocando quando necessário no lugar deles para que possa interpretar cada vez melhor as situações cotidianas de seu elenco. Uma capacidade de liderança bem desenvolvida possibilitará ao futuro treinador promover coesão de suas equipes, atuando junto aos atletas e oferecendo suporte apoio adequado ao desenvolvimento de todos eles. Contribuirá igualmente para ampliar sua capacidade de resolução de conflitos e sua habilidade em conduzir o grupo aos melhores resultados coletivos e individuais.

Bem, essa é apenas uma reflexão a respeito de quais pilares poderiam fornecer melhor base para formação dos futuros treinadores de futebol profissional e podemos constatar que vão além do conteúdo mínimo e necessário de uma boa formação acadêmica.

Até a próxima! 

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Pela porta da frente

Por seguir Barcelona, Messi e Neymar no Instagram, minha manhã de segunda começou inundada de fotos do atacante Pedro, recém-contratado pelo Chelsea e que, inclusive, marcou gol na estreia pelo novo clube no Campeonato Inglês. Foi a despedida do atacante espanhol do clube catalão, realizada na própria segunda-feira, um dia após a sua estreia no clube londrino.

O que foi feito pelo Barcelona em relação a Pedro é uma forma comum de os clubes europeus tratarem seus ídolos, ou ex-ídolos. É para ser vista, pensada e aprendida pelos clubes brasileiros. Por aqui, tem-se um hábito muito ruim de tratar mal aqueles que trocam de clube ou que deixam o clube por ter acabado um ciclo esportivo. Pensa-se em “trairagem” ao invés de encarar com a naturalidade cíclica que um nível competitivo tão alto exige.

Em determinados momentos, o casamento entre interesses individuais já não combinam mais com os coletivos por uma série de circunstâncias, o que leva a um processo natural de ruptura. Nem por isso essa ruptura precisa virar “novela mexicana”. Ela pode terminar com algo bom para todos, mostrando que tudo faz parte de um processo – e realmente faz!

Foi o que o Barcelona fez com Pedro. Não foi o que o Palmeiras, recentemente, fez com Valdivia, por mais que não se possa comparar o comportamento dentro e fora de campo de ambos jogadores. Apenas para ficamos em dois exemplos com atitudes diametralmente opostas dos respectivos clubes.

Um tratamento elegante desmoraliza qualquer atitude de enfrentamento, choque ou oposição ao término de um ciclo, em que se poderia contar tão somente as coisas boas da relação. Perde-se a oportunidade de falar bem e escolhe-se a opção pelo ruim, o fracasso ou o que não deu certo.

O processo como o de Pedro+Barcelona acaba sendo bom para todos: (1) para as marcas do clube e do atleta, que são vistas sob o holofote de notícias positivas e não no caderno de fofocas, que poderia denegrir a imagem de todos os participantes; (2) para o clube, que passa uma mensagem positiva para os jogadores que estão no elenco naquele momento, de que poderão receber um tratamento respeitoso em eventual desejo de saída. Isso tranquiliza qualquer ambiente de trabalho e impacta sim na performance da equipe; e (3) para o jogador, que mantém as portas abertas e a admiração dos torcedores, sem a necessidade de se criar tumulto em eventual duelo futuro.

Este é só um exemplo de muitos que tem ocorrido de maneira similar em clubes europeus. Como disse no início, eis um trabalho que precisamos aprender, absorver e aplicar efetivamente aqui em nosso mercado, de modo a contribuir com a construção de um mercado mais sólido. A construção de ídolos/mitos é uma peça importantíssima neste processo! 

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O curioso caso do líder Corinthians

Atrasos em contas e salários. Dívida crescente e dificuldade para obter fluxo de caixa em curto prazo. Desmanche no meio da competição. Jogadores com muito tempo de casa e passado vencedor ficam perto do fim de seus contratos, mas não são procurados para negociar novos vínculos. Reforços rendem pouco, e a principal contratação da temporada acaba relegada ao banco de reservas. Ainda assim, a liderança de um torneio tão equilibrado quanto o Campeonato Brasileiro. O Corinthians de 2015 pode não ser um exemplo de gestão institucional ou de bom futebol, mas é definitivamente um case de gestão de pessoas.

Nos oito meses do ano, não foram poucos os assuntos que poderiam ter minado o desempenho alvinegro. Principalmente pela questão financeira – com dívida crescente e a necessidade de pagar custos referentes à construção de seu estádio, o Corinthians atrasou salários, premiações e valores referentes a compra de direitos de atletas. Além disso, deixou de renovar com Paolo Guerrero, perdeu nomes como Fabio Santos e Emerson Sheik e tentou empurrar para fora do clube outros titulares, como Gil e Elias.

Jogadores como Danilo e Ralf, campeões de tudo pelo Corinthians, ambos com cinco anos de casa, têm contrato até o fim do ano e ainda não chegaram a qualquer definição sobre futuro. Em meio a esse processo arrastado, os dois também perderam espaço na rotação montada por Tite: Ralf, que já foi capitão, hoje é reserva de Bruno Henrique; Danilo, outrora uma espécie de 12º jogador, perdeu minutos e tem sido menos acionado.

O que o Corinthians tem feito com os dois pode ser comparado com um caso do atual vice-líder do Campeonato Brasileiro. No Atlético-MG, o lateral direito Patric também tem vínculo apenas até o fim do ano e não chegou a um acordo para renovação. O jogador assinou pré-contrato com o Osmanlispor (Turquia), foi afastado pelo técnico Levir Culpi durante dez partidas, recebeu críticas públicas de dirigentes, desistiu de sair e agora tenta encontrar um meio legal para seguir na equipe brasileira.

E o caso de Vagner Love, então? Maior contratação da temporada, dono de um dos maiores salários do elenco, o jogador oriundo do Shandong Luneng perdeu espaço e deixou até de entrar em algumas partidas. Em outros clubes, esse roteiro seria suficiente para reclamações e insatisfação. No Corinthians, ele até chegou a se manifestar de forma negativa depois de uma substituição, mas logo contemporizou. A diferença de perfil dos atletas conta nesse caso, é evidente, mas o que chama atenção é a condução que o líder do Brasileirão teve em todas essas histórias.

Talvez seja justamente esse o maior mérito de Tite no atual Corinthians. De volta ao clube em que foi vitorioso, o técnico tem alguns aspectos que o transformam em para-raios: é respaldado pela torcida, sabe gerir pessoas e vive num contexto de paz política.

Tite e os responsáveis pelo departamento de futebol conseguiram blindar o Corinthians de todas as coisas erradas que aconteceram em 2015, e isso não é pouco. Até seleções brasileiras, como a que disputou a Copa do Mundo de 1990, já tiveram ambientes minados por questões administrativas.

Isso não faz do Corinthians um mundo perfeito. Sequer faz do clube um favorito ao título ou às primeiras posições do Campeonato Brasileiro. Independentemente do desfecho da história, porém, o grau de competitividade de uma equipe tão abalada por fatores externos é notável.

O Corinthians é exemplo do quanto o fator humano é importante no futebol. O futebol é um esporte, e nós costumamos avaliá-lo a partir de diferentes aspectos – tático, físico e técnico, por exemplo. Enquanto a lupa, os telões interativos e as imagens pausadas pululam em análises, o componente humano ainda é pouco abordado. E o esporte, afinal, é feito de gente.

Ou não foram componentes humanos que decidiram o triunfo do Flamengo sobre o São Paulo no último domingo (23)? O time paulista vencia por 1 a 0 no Maracanã, mas falhas assustadoras de Thiago Mendes e Auro deram base para a virada. Foram erros técnicos, de fundamentos, mas eles teriam acontecido se os atletas estivessem concentrados, tranquilos e convictos de suas ações?

O futebol é um trabalho como outros, e é comum que os profissionais tenham lapsos em qualquer ambiente. Erros podem ser potencializados por problemas pessoais ou questões simples – uma dor de dente, uma conta atrasada, um filho doente ou uma briga em casa, por exemplo. Em qualquer processo de gestão de pessoas, lidar com isso é um processo fundamental.

Em diferentes graus e de diferentes fontes, problemas vão existir sempre e vão afetar constantemente o rendimento dos profissionais de qualquer segmento. No caso do futebol, já passou da hora de entendermos que isso acontece e que os atletas não podem ser vistos apenas como máquinas. A blindagem feita pelo Corinthians é uma prova inequívoca do quanto isso é relevante.

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O encaixe de área para evitar gols!

Caro leitor,

Na última coluna, foi discutido um princípio defensivo que tem como objetivo minimizar as possibilidades de finalização do adversário, logo, de gols, a partir de jogadas com cruzamentos.

No texto, foi sugerida a realização de um encaixe de área, executado com marcação individual nos jogadores que estão em zonas potenciais de finalização, em situações imediatamente prévias aos cruzamentos.

Para ler a coluna na íntegra, basta clicar aqui