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O mapa mental do futebol

Olhar para o jogo (e para o treino) de futebol é uma tarefa de elevado grau de complexidade. A infinidade de relações e interações possibilita uma gama de interpretações do jogo que varia de acordo com a capacidade que cada indivíduo tem de compreendê-lo. Varia também através dos recursos disponíveis, que traduzem em informações relevantes elementos não tão perceptíveis a “olho nu” ou em tempo real.

Neste contexto, limitações na capacidade de interpretação do jogo, recursos insuficientes ou irrelevantes podem trazer consequências negativas ao processo de crescimento e desenvolvimento que é a permanente construção de uma equipe de futebol.

Para organizar a interpretação do Jogo (e do treino) uma ferramenta simples pode ser utilizada. Idealizada pelo escritor inglês Tony Buzan e denominada Mapa Mental, tal ferramenta consiste num diagrama e tem como objetivo a compreensão e solução de problemas. Através de um registro gráfico, os mapas mentais têm sido utilizados em todas as áreas do conhecimento humano para planejar qualquer tipo de evento, profissional ou não, individual ou em grupo.

De acordo com o site Wikipédia, os Mapas Mentais já foram utilizados por mais de 250 milhões de pessoas.

Você, alguma vez, já utilizou um mapa mental para o futebol?

Como você organiza as ideias e informações do Jogo?

Para ler a coluna na íntegra, basta clicar aqui

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Libertadores também se ganha nos tribunais

Enfim começou a fase de grupos da competição de clubes mais importante das Américas, a Copa Libertadores. E neste ano, o Brasil conta com representantes fortíssimos: Atlético, Corinthians, Cruzeiro, Internacional e São Paulo. Todos já conquistaram a América.

Com o objetivo de trazer mais transparência, lisura e disciplina às competições, desde 2013, a Copa Libertadores conta com um Código Disciplinar que traz o embasamento normativo do Tribunal Disciplinar da Conmebol que tem a atribuição de julgar os atos de indisciplina dos atletas, clubes, dirigentes e até mesmo dos torcedores.

As decisões tomadas pelo Tribunal Disciplinar da Conmebol poderão ser objeto de recurso que será julgado pela Câmara de Apelações da entidade.

Diante disso, além de montar uma boa equipe, os clubes deverão estudar o Código Disciplinar e disponibilizar um departamento jurídico preparado, pois, as decisões do Tribunal da Conmebol podem retirar atletas de jogos importantes, determinar a disputa de partidas sem torcedores e, até mesmo, eliminar um clube da competição.

Ora, uma análise equivocada de um ato de indisciplina o de um processo disciplinar pode derrubar o planejamento desportivo de um ano inteiro.

Imagine a perda do mando de campo em uma partida de “mata-mata” contra o Boca Jr, ou a falta de um Ganso, Jadson, Nilmar, Luan ou Fábio em uma partida decisiva?

Um grande exemplo da interferência disciplinar no âmbito desportivo foi experimentado pelo São Paulo que não pôde estrear o atacante Ricardo Centurión no clássico contra o Corinthians, já que o argentino foi expulso na partida entre Racing e Lanús, pela Copa Sul-Americana de 2013, e foi condenado a duas partidas de suspensão. Como o jogador não disputou nenhum torneio da Conmebol desde então, terá de cumprir na Copa Libertadores deste ano.

Por todo exposto, é imprescindível que os clubes brasileiros profissionalizem seu departamento jurídico a fim de garantir julgamentos disciplinares justos e, impedir, eliminações precoces na Libertadores da América.

Vale destacar que, por mais que alguém possa ter relutância em aceitar a possibilidade de contribuição jurídica para um título, e por mais que não se ganhe competições no Tribunais, é possível que se perca e a Portuguesa está aí como exemplo.

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Desempenho financeiro do Flamengo em 2014

O Flamengo foi até o momento o clube brasileiro que mais chamou a atenção, em termos financeiros em 2014.

O clube da Gávea viu suas receitas crescerem ainda mais que em 2013 e manteve um controle efetivo dos custos com futebol.

Paralelamente resolveu o problema histórico do clube renegociando débitos fiscais, contribuições sociais e FGTS com o Governo Federal.

Todos esses pontos são realmente destaques extremamente positivos da gestão do atual presidente Eduardo Bandeira de Melo.

Confira o artigo na íntegra, clicando aqui.

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Torcidas

O tema “torcidas organizadas”, quase que invariavelmente associado a violência, voltou à tona nas primeiras semanas de 2015 por força de uma série de casos recorrentes, que se repetem ano após ano há algum tempo e se intensificam justamente neste período, quando diversos clássicos regionais são disputados em um curto período de tempo.

O assunto é de extrema importância para o ambiente de negócios que se debate também há algum tempo no futebol brasileiro. A violência associada ao futebol afasta, por um lado, diversos torcedores, como muitas pesquisas tem apontado e se materializa pelos números pífios de ocupação e média de público nos estádios. Mas, por outro lado, as torcidas organizadas, quando bem estruturadas ao sabor de um projeto mais amplo, poderiam ser um eixo condutor para uma maior atratividade do jogo, contribuindo para o apreço e deleite sobre o jogo.

A questão é de uma complexidade enorme e me assusta bastante as soluções que se aplicam na prática. Mais das vezes, como é comum em nossa cultura, são proposições paliativas, que atendem unicamente um determinado momento, sem um olhar para o futuro. E, em quase todas elas, como já abordei inúmeras vezes aqui neste espaço, os clubes e as entidades de administração se mostram omissas a alguns processos decisórios.

Por sua vez, ações como a do próximo clássico GreNal, com setor específico para torcida mista (http://globoesporte.globo.com/rs/noticia/2015/02/dupla-gre-nal-confirma-setor-de-torcida-mista-no-beira-rio.html), são um alento e uma esperança por um futuro muito mais positivo neste âmbito. E mesmo que ocorra uma eventual falha, a atitude não pode e não deve ser rejeitada ou subjugada. Precisa sim ser dada uma margem para aprendizagem e evolução do processo.

Reforço a necessidade de se debater mais amplamente o assunto e de trabalhar a questão de uma maneira muito mais holística. Se um projeto consistente for bem aplicado neste âmbito no futebol brasileiro teremos grandes chances de transformarmos significativamente a experiência de se assistir futebol… no mundo! 

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O futebol e a perda de relevância

A temporada 2015 já apresentou duas grandes mudanças no futebol brasileiro. O calendário nacional foi refeito, espremeu os Estaduais e ofereceu aos times um período para pré-temporada. Além disso, a TV Globo deixou de exibir a rodada de sábado de Carnaval, que tradicionalmente era a pior audiência da emissora com a modalidade. As duas coisas parecem distantes, mas são parte de uma análise maior sobre relevância.

A criação de um período de pré-temporada, por exemplo, teve de ser avalizada pela Globo e por seus parceiros comerciais. A TV não mexeu no bolso, é claro. Em vez disso, teve de convencer os patrocinadores de que um mês sem jogos não afetaria o resultado final do pacote futebol.

Esse processo de convencimento demandou negociação. Surgiu aí o limite de inscritos, regra adotada por alguns dos principais Estaduais de futebol em 2015. Impedir o uso de um grande número de atletas foi uma forma encontrada por TV e federações para forçar o uso de formações titulares – em anos passados, algumas das grandes equipes nacionais vinham preservando suas estrelas em partidas dos torneios regionais.

A lógica não é tão simples assim, é claro, mas o reducionismo aqui é didático: a Globo e os patrocinadores aceitaram ficar sem jogos durante um período maior. Para isso, quiseram que os times usassem suas principais estrelas. Algo como “tenho um produto por menos tempo, mas tenho um produto melhor”. E menos de um mês depois do início, a TV abre mão de exibir uma rodada.

Em outras palavras, a Globo tentou forçar federações e clubes a criar um produto que fosse um pouco mais atraente. E nem assim o futebol mostrou força suficiente para ser um produto viável em meio a um feriado.

Um pouco disso tem a ver com o perfil: o Carnaval é um feriado extremamente importante para o público que consome futebol. No entanto, é inegável que esses movimentos são prova da perda de relevância dos Estaduais.

E aí existe um problema enorme de comunicação. O que os Estaduais fazem para impedir essa perda de relevância? Qual é o trabalho desenvolvido por clubes, federações ou até mesmo pela Globo?

Essa não é uma discussão sobre o modelo ideal de calendário. Tampouco sobre as mazelas que seguem no futebol brasileiro – a pré-temporada ainda não é ideal, por exemplo, e a queda de popularidade dos Estaduais tem relação com um processo de sucateamento do esporte nacional. A questão aqui é puramente sobre comunicação: existe um problema colocado, que é de perda gritante de relevância. O que está sendo feito para impedir que isso continue?

Os Estaduais são ferramentas políticas relevantes no atual cenário do futebol brasileiro. São torneios importantes para os times pequenos, e os times pequenos são responsáveis pelos votos que mantêm o poder nas federações. Ah, e as federações têm os votos que mantêm o poder na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Esse ciclo é claro para qualquer um que acompanha a modalidade. O que assusta é ver que nem os integrantes da roda demonstrem preocupação.

O exemplo mais gritante disso é a violência. Qualquer pesquisa sobre o que afasta os torcedores de estádios de futebol no Brasil tem esse aspecto como o mais citado. E onde estão as campanhas institucionais para mudar a percepção do consumidor?

Em Pernambuco, o Sport fez uma ação curiosa (mães de torcedores foram colocadas para fazer a segurança de um setor no clássico contra o Náutico). No Rio Grande do Sul, Internacional e Grêmio criaram um setor misto para o clássico.

São boas medidas, e ambas têm chance de criar ambientes menos violentos. Mas são ações isoladas, que não têm qualquer repercussão no contexto geral do país. Isso não é uma crítica ao que os clubes fizeram, mas à falta de um planejamento que uma federações, clubes e agentes sociais para que isso seja a regra, e não a exceção.

Em São Paulo, a discussão foi em torno da adoção de torcida única nos estádios. O Ministério Público do Estado sugeriu isso para o clássico Palmeiras x Corinthians, que foi disputado no Allianz Parque, mas a medida foi abortada após pressão de vários lados.

A pergunta é: em meio a toda essa discussão, o que foi feito para conscientizar o torcedor que foi ao estádio? Que medidas ativas foram tomadas? Banners e faixas pedindo o fim da violência não são mais suficientes.

O futebol brasileiro está perdendo relevância, e os Estaduais são o maior exemplo disso. Será que alguém vai fazer algo para impedir que o processo continue? 

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Doping no Esporte

O esporte mundial se assombrou com os exames que apontaram o “doping” do lutador Anderson Silva, logo após o seu retorno ao octágono.

Considera-se doping o uso de qualquer droga ou medicamento que possa aumentar o desempenho dos atletas durante uma competição. Também é considerado doping a utilização de substâncias que não tragam necessariamente ganho esportivo como a maconha.

A proibição da dopagem tem por objetivo assegurar a paridade de condições entre os competidores. Assim, garante-se que as regras desportivas estabelecidas sejam respeitadas, permitindo-se que os atletas, individualmente ou em equipe, possam disputar as competições com fair play (o jogo limpo).

A fim de uniformizar as regras do doping e as substancias proibidas, foi a criada em 1999, pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), a Agência Mundial Antidopagem (WADA).

A WADA, por sua vez, criou um Código Mundial Antidopagem que deve ser respeitado por todas as Federações filiadas ao Comitê Olímpico Internacional.

Como a Federação Internacional de MMA não é filiada ao COI e, consequentemente, as artes marciais mistas fazem parte do calendário olímpico, o UFC não é obrigado a seguir as regras da WADA, razão pela qual o julgamento de Anderson Silva não se dará com base no Código Mundial Antidopagem.

Doutro giro, o futebol, como modalidade olímpica, tem a obrigação de seguir todas as regras antidopagem estabelecidas pela WADA.

Assim, caso um jogador de futebol faça uso de algum estimulante, diurético, anabolizante ou hormônio, o atleta sofrerá severas penas, como ocorreu com o atacante brasileiro Jobson. O doping pode acarretar até mesmo o banimento do esporte.

A importância da garantia da lisura das competições e do combate ao doping é tão grande que o Governo Brasileiro criou a ABCD (Agência Brasileira de Controle de Dopagem) que tem a missão de consolidar a consciência antidopagem e defender no âmbito nacional, o direito dos atletas de participarem de competições esportivas livres de quaisquer formas de dopagem.

Importante destacar, ainda, o exemplo que os atletas de ponta trazem aos jovens que, muitas vezes, espelham suas atitudes e ações nos seus ídolos do esporte.

Portanto, há um movimento mundial no combate à fraude de resultados desportivos por meio de substâncias proibidas e, para que as competições tenham sua credibilidade asseguradas, é imprescindível que haja punições severas aos atletas que utilizem substâncias dopantes. 

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Enciclopedião – A Arena Nilton Santos

Não gosto de mudar nome de logradouro. Especialmente quando batizado com nome de gente.

Vinícius de Morais merecia todas as esquinas e cantos do Rio. Mas Montenegro é sobrenome. É gente. Não precisava mudar o nome da rua. Para homenagear um ícone não precisa “desomenagear” uma pessoa. Vale até para ditador que dá nome a minhocão, ponte, rede de esgoto, o que for.

Meu pai já virou túnel na Imigrantes, escola do SESI na Tambaú natal, espaço cultural no Rio de Janeiro, rua em Campos do Jordão (que tinha nome de flor), e tinha um projeto que quase foi levado à Câmara Municipal de São Paulo para que a Turiaçu (onde fica o clube e o estádio do Palmeiras) se chamasse rua Joelmir Beting.

Agradeci imensamente ao carinho e atenção do vereador paulustano Laércio Benko. Mas antes de meu pai tem tanto palestrino e palmeirense que merece a homenagem que não sei nem por onde começar. Para não dizer que Turiaçu, em tupi, significa “campeão do século”.

Enfim, falando sério, sou contra mudar os nomes dos logradouros. O direito ao nome é sagrado.

(E, se quiser vendê-lo, a história é outra. É naming right, outros direitos e deveres já aqui bastante falados).

Mas tem um novo estádio no Rio. Ou um novo nome que, de tão clássico, é verbete de enciclopédia. Melhor: é a própria.

Oficialmente é o Olímpico João Havelange, pronto em 2007 muito mais caro que o orçado, fechado para reformas em 2013 por problema bizarro e discutível, e, agora, parcialmente reaberto por quem está tomando conta dele: o Botafogo.

O nome oficial é mais oficial que nome. Mas está lá. Que lá fique.

Engenhão é o popular, ainda que não seja tão popular assim.

Mas o nome de rebatismo é o que merece pegar.

Arena Nilton Santos.

Inaugurada com goleada de 4 a 0 sobre o Bonsucesso. Um time muito longe do Fogão que foi de Nilton de 1948 a 1964. Mas que venceu um Bonsucesso que havia vencido o time de Nilton no primeiro confronto, em maio de 1948, por 2 a 1.

Outros tempos, outros templos.

Mas o Nilton que dá nome ao Engenhão-Havelange é o que deveria ficar. Eterno como Nilton Santos. É lei. Nilton. É eterno. Santos.

Com todo respeito ao ex-presidente da CBD de 1958 a 1974 (tricampeão mundial), com todo respeito ao presidente da Fifa (1974 a 1998), e nenhuma admiração por muitas das denúncias, o estádio municipal arrendado pelo Botafogo já merecia homenagear o filho da Ilha do Governador desde sempre.

Outros grandes craques cariocas poderiam dar nome ao estádio do Pan e da Olimpíada. Zico, para ficar em um só.

Mas Nilton, que sempre foi Botafogo na carreira iniciada tarde (22 anos), é o nome que não se discute para ser a casa do Botafogo. Como desde 2000 é estádio em Palmas.

Nilton que não era Botafogo até virar o maior, em 1948.

Nilton que no fim de 1947 foi treinar nas Laranjeiras, mas ficou sem graça de ver a pompa da sede do Fluminense naquele noite de treino. De ver as roupas caras de Ademir de Menezes e Rodrigues Tatu nos salões tricolores contrastadas com a roupa do homem simples da Ilha.

Santos preferiu seguir para o Largo do Machado ali perto, comer um sanduíche com média, pegar várias conduções e voltar para a Ilha do Governador e para as peladas, de onde meses depois seguiria para não sair mais de General Severiano. E, de lá, para o Maracanã, em 1950, Rasunda, em Estocolmo, em 1958, Nacional de Santiago, em 1962, e para o panteão do futebol mundial desde então. (LEIA MAIS A RESPEITO NO IMPERDÍVEL “O VELHO E A BOLA”, de MANECO MULLER (Maquinária Editora).

Motivos não faltam agora para chamar o estádio de Nilton Santos.

Deveria ser sempre. Como é o Rei Pelé de Maceió. O Mané Garrincha de Brasília.

Como virou Ferenc Puskas, em Budapeste.

Como virou o Giuseppe Meazza, em Milão.

Como ainda não são mais estádios pelo mundo batizados em homenagem a quem tanto construiu cada história de amor. Muitos deles têm nomes de grandes cartolas de grandes fortunas que os construíram. E que seriam ainda maiores e mais ricos se dessem às obras de pompa e muitas vezes arrogância nomes dessa gente simples que compôs a história do futebol do time.

Sempre o real motivo para a construção de colossos de cimento amado.

Ainda são poucos estádios com nomes de mitos entre tantos craques raros e caros.

Mas os poucos mais que merecem. Como o Nilton da Ilha do Governador. Aquele que inspirou a pena botafoguense do acreano Armando Nogueira:

“Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto! Eras um só, Nílton Santos”.

Já são dois estádios agora os tantos cantos de Nilton.
 

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

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O poder do conjunto no futebol

É interessante vermos acontecer no futebol casos em que os clubes fazem inúmeras contratações no início da temporada e muito se espera quanto aos resultados positivos logo nos primeiros jogos ou competições. Mas será que estamos compreendendo o impacto que causa a uma equipe todas as mudanças ocasionadas por muitas alterações tanto na comissão técnica quanto no elenco?

O treinador enquanto líder do elenco, sendo ele recém-chegado no clube ou não, tem uma dura missão de conseguir promover uma rápida e eficaz sinergia entre os atletas para que eles possam desempenhar em campo o que se imagina e espera que eles possam fazer. Com isso, espera-se igualmente a chegada dos resultados positivos. Mas, eventualmente isso não acontece.

Recentemente li um texto de Daniel Goleman falando sobre o poder do “nós” e o quanto isso está sendo esquecido por líderes da atualidade. Eles vivem se perguntando os reais motivos pelos quais não se conseguem construir um time, que trabalhe de maneira colaborativa e sinérgica. Conforme Goleman, o autoconhecimento impulsiona a autogestão. A autoconsciência também impulsiona empatia. Se um líder não entrar em sintonia com ele próprio, não será capaz de se sintonizar bem com os outros. Estas competências irão permitir que um líder possa criar ressonância e mover as pessoas a sua volta na direção de uma visão autêntica e convincente. Quando existe um propósito comum compartilhado, isso torna o trabalho emocionante e envolvente.

Neste contexto o poder do “nós” pode ter alguma relação com o resultado de um time. Atualmente estudos de felicidade e bem-estar mostram que quando uma pessoa é uma parte de uma comunidade, tente a ser próspera e produtiva. Assim, um treinador enquanto líder que esteja consciente da importância dos relacionamentos com sua equipe, poderá criar um ambiente no grupo que envolva os atletas a colocarem o seu melhor na conquista de um bem comum.

O caminho para conseguir materializar o poder do conjunto talvez esteja na integração, para com isso chegar num engajamento sustentável dos envolvidos. Hoje sabemos que uma maneira de criar um senso de comunidade é integrar as várias partes de um grupo e o papel do líder se faz em reconhecer e promover a percepção de que todos estão juntos nessa. A competição não é diretamente de uns com os outros e se faz necessário reconhecer que cada atleta traz algo de valioso para o grupo, com o objetivo de melhorar continuamente todo o elenco.

Quando o treinador começa a perceber todos os envolvidos no elenco como parte de um todo, ele vê a importância do conjunto e passa a ser capaz de criar os vínculos necessários para a sua integração. Começa-se a perceber que as pessoas não são apenas elementos individuais, mas sim um conjunto que atua em harmonia e os laços de colaboração começam a serem mais efetivos.

Assim, reflito sobre este desafio adicional das equipes recentemente montadas e suas respectivas capacidades de utilizarem o poder do conjunto ou do “nós” em seu cotidiano, para com isso vencer a barreira do tempo curto na busca por melhores resultados em campo.

Um grande desafio, não acham? 

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A lei funciona?

A Lei Pelé, de 1998, e suas subsequentes alterações trouxe uma série de inovações na forma de regulamentação da legislação pertinente ao esporte no país, dentre as quais a responsabilização dos dirigentes que mal conduzem as entidades as quais assume mandato por tempo determinado.

Vou ignorar, neste contexto, a Lei Zico, de 1992, que igualmente previu sanções a dirigentes por má administração – apenas para facilitar e tornar mais objetivo esta coluna, embora extensa pela complexidade do tema.

Vamos destacar os seguintes artigos e redações: (1) no Artigo 2º, que fala em “responsabilidade social de seus dirigentes” – o “seus”, grifado, refere-se as entidades do desporto; (2) no Artigo 23, que aborda a “inelegibilidade dos dirigentes” que forem condenados por crime doloso, inadimplentes na prestação de contas de recursos públicos ou da própria entidade que dirigem, afastados de cargos eletivos ou de confiança de entidade esportiva, inadimplentes das contribuições previdenciárias e trabalhistas ou falidos. Reforça ainda que o dirigente, mesmo que o estatuto da entidade esportiva não preveja, estará afastado preventivamente ao incorrer em uma das hipóteses supra citadas, prevendo-se a sua destituição; (3) no Artigo 27 há a previsão de que dirigentes de entidades de administração ou prática esportiva de competições profissionais sujeitam seus bens particulares (grifo meu, por remeter ao Código Civil), além das sanções e responsabilidades previstas também no Código Civil, que é, em síntese, a devolução do prejuízo à entidade na hipótese de gerar proveito próprio ou de terceiros; (4) o Artigo 27 vai além, prevendo em seu parágrafo 6º que o financiamento com recursos públicos ou os programas de recuperação econômico-financeira só poderão ocorrer se atenderem a condições como apresentação de um plano de resgate e de investimento (inciso II), garantia de independência dos conselhos fiscal e de administração (inciso III), adotar modelo profissional e transparente (inciso IV), apresentar suas demonstrações financeiras em conjunto com relatórios de auditoria, conforme já estipulado na própria Lei (inciso V). Complementa no parágrafo 7º que a implementação de um eventual plano de resgate deverá ser utilizado para a quitação prioritária de débitos fiscais, previdenciários e trabalhistas (inciso I), subsidiariamente para investimentos na construção ou melhoria de equipamentos esportivos (inciso II); (5) permanecendo no Artigo 27, parágrafo 13, reforça-se que, para fins de fiscalização e controle, as entidades esportivas com atividades profissionais equiparam-se às sociedades empresárias; (6) no Artigo 46-A, reforça-se o viés da transparência, obrigando as entidades esportivas com atividades profissionais de darem publicidade a suas demonstrações financeiras, separando as atividades econômicas e regidas por critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Contabilidade. Como sanção, prevê-se a inelegibilidade de dirigentes (por até 10 anos) ou a nulidade de atos praticados, com aplicação da lei vigente.

Com base nesta narrativa e todas estas amarrações legais, vou listar aqui o nome e a agremiação de todos os dirigentes já punidos por meio da legislação vigente:

Exatamente! Nenhum dirigente até hoje foi punido (se estiver enganado, me avisem! Pelo menos posso afirmar que não tive conhecimento…). Apesar de vermos que o legislador se preocupou com diferentes questões ligadas a sanções e fiscalização das entidades esportivas, o resultado prático é o que temos visto nos últimos anos: o crescimento exponencial do endividamento dos clubes. Nenhuma entidade de prática ou de administração do esporte abriu denúncias ou foi efetivamente responsabilizada por seus atos.

Ou seja, mudar lei achando que irá mexer no sistema é um debate anacrônico. Já se tentou isso várias vezes ao longo da nossa história recente. O fato é que sempre vamos para o caminho mais fácil, que é o da sanção ante a previsão de regras que, ao serem descumpridas, tem-se efetivamente a punição a A ou B, que dificilmente acontece.

Na prática, a morosidade ou a ausência de punição torna o desvio algo estimulante na cabeça da grande maioria dos dirigentes – é bom que se diga que tal linha de raciocínio e sistema não são privilégios do esporte de uma maneira geral.

Falar que as entidades esportivas são, há anos, coniventes com administrações nefastas também não é nenhuma novidade. Que o poder judiciário segue a mesma premissa também não o é. Está claro que há um descumprimento massivo da legislação vigente. Aí pergunto: por que devemos acreditar que agora será diferente?

Reforça-se ainda, dentro deste contexto, que a “transferência de responsabilidade” das entidades esportivas para o governo, com a criação de uma “Agência Reguladora” a partir do refinanciamento de dívidas fiscais, em um momento que, ironicamente, o Governo Federal passa por severos ajustes fiscais, é algo extremamente questionável.

Mas, como diz o ditado, “águas passadas não movem moinhos”, vamos ao que interessa: teremos uma Agência Reguladora! É o que foi definido em um ciclo de reuniões no Ministério do Esporte na última semana.

Por se tratar de uma premissa que parece irrefutável, resta-nos pensar em soluções para o cenário que foi construído por linhas não tão retilíneas assim. Para que uma Agência Reguladora no esporte seja efetiva e para que não precisemos voltar ao mesmo assunto daqui 10 anos, insisto, como venho fazendo há algum tempo, que o sistema inverta a sua direção e forma de abordagem, encarando o problema definitivamente.

Ao invés de punitivo, que se crie um SISTEMA DE ESTÍMULOS. Para mudar de fato a gestão dos clubes, a única solução que consigo enxergar é o de aplicação da MERITOCRACIA, ou seja, aqueles que fazem bem feito, terão BENEFÍCIOS. Aqueles que não cumprirem com determinados indicadores, serão sistematicamente esquecidos.

Seria algo como o que a Agência Moody’s faz, sinalizando ao mercado quais são as empresas que merecem investimentos e quais são aquelas que não vale a pena manter qualquer tipo de relacionamento comercial, pontuando-as periodicamente.

Para o caso do futebol, seria o indicador para que patrocinadores e mídia saibam quem são as entidades boas para se investir e quais são aquelas com maiores riscos de imagem e credibilidade que podem impactar negativamente seus negócios.

Para atletas saberem quem são bons contratantes e quem são os maus pagado
res, utilizando a informação como poder de barganha para as suas negociações (ou em uma via de mão-dupla se pensarmos com a cabeça dos clubes com melhores avaliações na hora de negociar contratos). Para fornecedores de quaisquer naturezas a premissa é similar a dos atletas. Para empréstimos ou benefícios fiscais, se teria um balizador importante, tanto para o governo quanto para bancos no momento de calcular os juros, por exemplo.

Neste âmbito, apenas as entidades com boas práticas de gestão teriam facilidades para se relacionar com o mercado e, consequentemente, serem competitivas no meio esportivo. Automaticamente, educa-se o mercado esportivo para uma concorrência sadia por aperfeiçoar suas práticas de gestão.

Para finalizar, vamos a mais uma analogia do nosso cotidiano para poder reforçar o conceito: o que se está tentando fazer ao se criar mais um sistema de sanções às entidades esportivas é o mesmo que achar que a segurança pública se resolve com mais presídios e não com mais educação e projetos sociais de longa duração e elevado impacto… Voltando a pergunta do título: “Só a Lei funciona?”. 

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A comunicação e o combate à violência no esporte

A despeito de ter sido feita de forma empírica ou de ter sido alicerçada em casos isolados durante muitos anos, existe no marketing uma área destinada a estudar a experiência do consumidor. Esse desenho é parte fundamental em qualquer plano de comunicação e inclui toda a relação que as pessoas têm com a marca, da percepção ao consumo. Esse é mais um conceito que o esporte precisa aprender. Urgentemente.

A experiência do consumo começa com a relação que as pessoas têm com marcas e eventos. O esporte sai na frente nesse caso – times precisam fazer nada ou quase nada para criar nos torcedores uma relação que oscila entre a empatia e o amor. E aí as perguntas servem para qualquer um no Brasil: o que seu time faz para ter uma relação ainda mais próxima com você? O que os outros times fazem para tentar conquistar você?

Parte desse descaso afeta a própria imagem das instituições. O desenho de qualquer experiência depende fundamentalmente do que as pessoas pensam sobre a marca. A Disney, exemplo mais bem acabado e mais antigo desse tipo de estratégia, não é um sucesso comercial apenas por ter boas atrações ou bons personagens. O planejamento da empresa inclui a criação de um conceito que transforme os parques e produtos em objetos de desejo.

Independentemente da modalidade, times brasileiros não se esforçam para construir marcas que sejam objetos de desejo. Não há planos de comunicação que sejam focados no que os torcedores querem consumir (e consumir aqui é um conceito infinitamente maior do que “comprar produtos oficiais”).

O desleixo com eventos esportivos é apenas parte desse problema. Como não se preocupam com a imagem que vendem, times não pensam em quais consumidores eles querem atingir, em quais momentos e com quais mensagens. Tampouco ponderam quais são as pessoas a serem atraídas em jogos e como levá-las às arenas.

No início de 2015, essa falta de conceito sobre eventos esportivos afetou diretamente dois dos principais Estaduais de futebol do Brasil. A venda de ingressos tornou-se motivo de discussão no Rio de Janeiro e em São Paulo.

No Rio, Flamengo e Fluminense insurgiram-se contra a política de ingressos imposta pela Federação Estadual do Rio de Janeiro (Ferj). Eduardo Bandeira de Mello, presidente da equipe rubro-negra, chegou a ameaçar retirar os titulares do Estadual para evitar prejuízos pelo controle de preços.

Após pressão, a Ferj admitiu que Flamengo e Fluminense estabelecessem preços superiores ao limite que a entidade havia estabelecido. Os dois clubes alegam que precisavam de valores mais altos para custear a operação das partidas e obter lucro. E em nenhum momento o perfil de público foi tema de debate.

Aqui cabe uma comparação com as principais ligas esportivas dos Estados Unidos. O tíquete médio cobrado em jogos de beisebol é muito menor do que o valor de um ingresso para o futebol americano. A lógica incutida nisso é que são atrações para diferentes tipos de público – e diferentes tipos de público carregam diferentes demandas.

Em São Paulo, a polêmica teve a segurança como plano de fundo. Palmeiras e Corinthians disputaram clássico no último domingo (08), no Allianz Parque. Por influência do Ministério Público de São Paulo e da diretoria alviverde, a Federação Paulista de Futebol (FPF) chegou a anunciar que a partida teria torcida única. Após ameaça do presidente corintiano, a entidade mudou de ideia.

FPF e Ministério Público usaram a segurança como justificativa para defender torcida única no clássico; O Palmeiras também citou aspectos comerciais (a separação de público exigiria uma série de adaptações e inutilizaria uma série de cadeiras do estádio). E ninguém pensou na experiência do torcedor.

O Corinthians também entra nessa discussão. Quando teve acesso a uma carga de ingressos, o time alvinegro destinou essas entradas a torcedores organizados. Talvez tenha pesado o apoio que esses grupos oferecem ao time, mas será que houve ao menos uma discussão sobre o melhor perfil de público para destinar um número pequeno de bilhetes?

A relação é de oferta e procura. Se eu tenho um universo de milhões de torcedores e acesso a pouco mais de mil entradas, qual é o critério para escolher a quem destiná-las? A partir da definição do critério, em que a experiência do jogo é modificada para atender a apenas esse contingente?

A ideia que um torcedor oganizado tem de um jogo ideal é radicalmente diferente da ideia de alguém menos fanático ou assíduo, por exemplo. São pessoas com necessidades e vontades distintas, e entender isso é parte de um plano de comunicação adequado para um evento.

O esporte é um segmento plural, que permeia diferentes classes sociais e atrai pessoas com perfis muito diferentes. Além disso, é um segmento democrático, que coloca todos esses grupos em um mesmo ambiente. O problema é confundir democracia com tratamento homogêneo.

Entender isso é ponto fundamental para determinar questões como preço e serviço. O ingresso de um jogo de futebol é caro? A resposta é: não sei. Barato e caro são conceitos muito subjetivos, que não têm relação apenas com a quantidade de zeros da conta bancária do consumidor. Você já deve ter achado que pagou muito por um produto barato, mas que foi inútil. Da mesma forma, deve ter achado uma pechincha quando teve uma experiência inesquecível, mesmo após ter desembolsado um bom dinheiro.

A discussão sobre aspectos como preços e cargas destinadas a torcedores em eventos esportivos deve ser abrangente, levando em conta fatores como segurança, custo da operação e comportamento do público. Mas também deve passar necessariamente por um desenho da experiência, e isso tem de ser feito a partir de um plano de comunicação. Afinal, que tipo de torcedor o esporte quer atrair para um evento? E que tipo de experiência o esporte quer proporcionar?