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Cargos e especialidades

Resolvi ampliar um pouco mais a pesquisa que iniciei na última semana. Agora para ter um olhar um pouco mais amplo sobre as Ligas Esportivas, seus cargos, funções e profissionais envolvidos.

O misto é de curiosidade com o anseio de compreender porque, há quase duas décadas, discutimos as mesmas coisas e as soluções que são postas em prática são sempre as mesmas – naturalmente, o resultado pífio em termos organizacionais não muda.

Cargos como (1) “Desenvolvimento do Patrocínio nas Equipes” (uma função dentro da liga que se presta a se relacionar com as equipes e seus respectivos patrocinadores, de modo a potencializar o retorno), (2) “Gerente de Inovação e Crescimento da Plataforma” (que pensa as possibilidades e as oportunidades de mercado), (3) “Pesquisa e Estratégia de Mercado” (que alimenta com dados e informações as demais áreas estratégicas e operacionais da liga), (4) “Gerente de CRM” (cuida do relacionamento com os consumidores), e (5) “Diretor de Novos Negócios para a América Latina”, aparecem no rol de atividades desempenhadas por alguns dos profissionais ligados a NBA, a Liga Profissional de Basquetebol dos Estados Unidos.

Ao todo, em pesquisa simples realizada no LinkedIN, o resultado é de 923 pessoas que atuam no escritório americano da NBA (sem considerar os profissionais espalhados pelo mundo). Na jovem MLS, a Liga de Futebol (Soccer) dos EUA, são 391 profissionais, com cargos e funções similares a apresentadas acima, respeitando-se tão somente a proporção do tamanho de ambas as organizações. Ligados à FA, da Inglaterra, são 1.113 profissionais e, seguindo a mesma premissa, com uma gama enorme de ocupações.

Da CBF, somente 114 pessoas aparecem no resultado do LinkedIN. Naturalmente que o resultado da pesquisa não reflete necessariamente o todo em relação ao número total de colaboradores que a CBF emprega. Mesmo assim, é válido para compreender mais um pouco as funções exercidas. E a conclusão é que não há nenhum cargo sequer relacionado a Planejamento ou Estratégia dentro da entidade máxima do futebol brasileiro. As atividades operacionais e técnicas parecem, entretanto, relativamente bem preenchidas em quantidade quando comparado com o resultado total da pesquisa.

O mais grave é que, diferente dos exemplos americanos ou inglês, tem-se no Brasil um reflexo claro da inoperância de um sistema pela ausência evidente de profissionais no campo da gestão em suas diferentes vertentes.

A profissionalização do esporte no Brasil passa pela compreensão da importância sobre as diferentes especialidades necessárias para que uma organização evolua. E, infelizmente, quando se olha para o meio da pirâmide hierárquica das entidades esportivas do país, vê-se um déficit enorme em áreas que cuidam exatamente da construção sistemática do futuro organizacional. Não é por acaso que estamos parados no tempo! 

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Vale a pena discutir?

Há diversas formas de conduzir uma discussão sem sequer passar pelo assunto que é cerne do debate. Desviar o foco, por exemplo: funciona em shows de mágica, conversas sobre política ou gestão de esporte. O mesmo vale para abordagens superficiais e erradas: qualquer história de detetive ensina que uma visão sobre uma cena só funciona se for sistêmica. Em geral, deduções fantásticas e chamativas advêm de detalhes que uma análise superficial não consegue considerar. 

Nossa sociedade ainda tem pouca vivência de discussão (sim, aqui a generalização é pertinente). Somos uma democracia jovem e temos um enorme contingente que passou décadas alijado de qualquer conversa sobre o que acontece no país. E como as crianças ensinam, o instinto primitivo em um debate é um atacar o interlocutor em vez do conteúdo.

Some a esse cenário o surgimento de um mural que não existia até a década passada – e que, até por causa disso, ainda não tem funcionalidades totalmente compreendidas. As redes sociais são um amplificador capaz de transformar qualquer um em mídia, e isso também afeta drasticamente o debate.

Entender todo esse contexto é fundamental para balizar qualquer análise sobre o atual cenário do país, mas também é uma introdução relevante em discussões sobre o esporte. Antes de pensar em soluções ou em práticas que podem ser benéficas para toda a indústria, temos instintos que passam por egoísmo, determinação de culpa e combate a rivais.

Meu time perdeu? A culpa é do técnico que escalou mal, do zagueiro que perdeu uma bola ou do atacante que desperdiçou chance clara. Meu time faz temporada ruim? Culpa dessa diretoria incompetente, que montou um elenco incapaz. Meu time está afundado em dívidas? Culpa de gestões passadas, da Lei Pelé, da crise econômica internacional ou de tudo isso. Culpa de alguém, sempre.

Determinar culpados é importante, sim. É um passo fundamental para compreender processos e não repetir erros. O ponto aqui é que apontar o dedo é insuficiente – e mais uma vez, essa lógica serve para política, futebol ou outras searas.

É exatamente isso que os clubes brasileiros têm feito nos últimos meses ao discutir o formato de disputa do Campeonato Brasileiro. É um debate raso, quase sempre direcionado apenas por preferências pessoais ou clubísticas. Pior: é uma conversa influenciada por dados retirados de contexto, que servem mais para confundir do que para elucidar.

Funciona assim com a audiência. Os números do futebol na TV aberta têm despencado a ponto de a Globo discutir se vale a pena manter um espaço para a modalidade em todas as noites de quarta-feira. Trata-se de um processo longo, que não pode (de forma alguma!) ser reduzido a somente um ou dois motivos. As novelas também têm perdido espectadores, por exemplo. Existe novela por pontos corridos?

Em um caso tão complexo, qualquer reducionismo é prejudicial ao debate. O futebol brasileiro não consegue lotar estádios: culpa dos pontos corridos? Será que isso não é uma forma de desconsiderar fatores importantes, como preço, serviço oferecido e até a qualidade do espetáculo?

Por iniciativa de Romildo Bolzan Júnior, presidente do Grêmio, clubes brasileiros têm intensificado um debate sobre o modelo de disputa do Campeonato Brasileiro. A grita chegou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que criou uma comissão para discutir o assunto. A Globo, principal mecenas da modalidade no país, é entusiasta da mudança.

Mas será que hoje, pouco mais de uma década depois da adoção dos pontos corridos, discutir o modelo de disputa ainda é pertinente? Isso faz algum sentido para a indústria do esporte no país?

Não interessa discutir o modelo de disputa se o futebol brasileiro não pensar num calendário mais evoluído, que tenha projeções claras de temporada para todas as equipes e garanta pagamento anual para todos os atletas. Não interessa discutir o modelo de disputa se não houver uma adequação de receitas e estruturas.

A revista “Placar” de março tem uma reportagem sobre os “escravos da bola”, jogadores de futebol que vivem por migalhas no Brasil. Há casos estarrecedores: jogadores que vivem amontoados em casas e não têm sequer colchões, por exemplo. Menos de 10% dos profissionais do futebol brasileiro recebem mais de um salário mínimo. A realidade dos milionários e perdulários é restrita, e mesmo essa casta está longe da estabilidade econômica – casos de atrasos e calotes não são tão raros entre os maiores clubes do país. Qualquer discussão sobre modelos no futebol brasileiro parece pequena diante de uma realidade tão desumana (ou será que a discussão sobre modelo é parte da realidade desumana?). 

Debater mata-mata ou pontos corridos, afinal, só pode ter duas finalidades: enxergar apenas parte do problema, o que não resolve nenhuma discussão, ou desviar o foco das questões que são verdadeiramente relevantes. De uma forma ou de outra, o futebol só perde com isso. 

O futebol brasileiro necessita urgentemente de um debate, e esse debate precisa ser feito de forma abrangente e cuidadosa. Perder tempo falando sobre como o Campeonato Brasileiro é disputado não é atacar o problema, mas fugir dele.

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O futebol brasileiro, a alienação da universidade e o naufrágio alertado por Paulo Calçade

Ao longo dos últimos pouco mais de 15 anos tenho estudado, trabalhado e pesquisado o jogo de futebol.

Sei que é pouco, perto do que muitos treinadores profissionais, especialistas e amigos envolvidos na área têm de prática e de pesquisa.

Mas é quase metade do que tenho de idade.

Posso dizer que de certa forma o futebol representa muito para minha vida, pois me propiciou coisas fantásticas, me levou a pessoas muito interessantes, me deu acesso a uma série de conhecimentos, me oportunizou aprendizados singulares… me possibilitou desenvolvimento pessoal, a saber mais sobre ele (o futebol) e a entender melhor a riqueza e diversidade das relações interpessoais.

Tecnicamente falando, uma das melhores coisas que tenho tido no futebol, é a possibilidade de expor e de ouvir, dentro e fora do Brasil (em fóruns específicos) pensamentos, achados, dúvidas e conclusões sobre o jogo.

Ao longo dos anos, tive contato, em diferentes oportunidades e fóruns, com o que tem sido feito em clubes como o Boca Juniors, o FC Barcelona, o Real Madrid, a Inter de Milão, a Juventus de Turim, o Manchester United, o Mamelodi (África do Sul), além de conhecer um pouco sobre o modelo de desenvolvimento de jogadores em equipes no Canadá e Bolívia.

E com um pé sempre dentro da Universidade, a grata possibilidade de que essas oportunidades se tornassem debates com muitos dos nossos melhores pensadores das “Ciências do Esporte”.

Interessante perceber que muitas das coisas que eram (e são) ditas e expostas em muitos dos fóruns internacionais (conceitualmente falando), eram (e são) de conhecimento, há muito, da nossa Academia (Universidade) – mas, de certa forma, distantes da prática do dia-a-dia do futebol brasileiro.

Quantas coisas por exemplo ditas por professores e amigos aqui, eu acabava escutando lá fora, como se fosse a maior novidade do mundo!?…

“No tempo em que as novidades demoravam a chegar por aqui, ninguém precisava se preocupar com o que o Real Madrid ou Milan faziam na Europa. (…) Nosso esporte sempre funcionou na banguela, movido pela força da gravidade e pela administração amadora dos cartolas. Era o suficiente para competir e sobreviver. Pouco importava se havia algum ponto de intersecção com o resto do planeta (…).” Paulo Calçade (trecho do texto “Os urubus do nosso quintal” (recomendo a leitura dele todo) – no Estadão – vide completo em http://esportes.estadao.com.br/noticias/geral,os-urubus-do-nosso-quintal-imp-,1642377).

Nós, brasileiros, de certa forma, sempre aceitamos indiscutivelmente a ideia de que nascemos no país do futebol.

Não sei se essa premissa é que alimentou, como escreveu Paulo Calçade, o “funcionamento na banguela do nosso futebol, movido pela força da gravidade”, ou se o contrário, foi alimentada por ele (pelo tipo de funcionamento inercial).

Preocupação zero com as “intersecções com o resto do planeta”.
O fato, é que enquanto outras culturas futebolísticas olhavam para frente, para trás, para os lados e para nós, nós só olhávamos para nós mesmos – e não víamos.

E o pior é que de certa forma, penso que ainda estamos olhando, hipnotizados e continuamos não vendo – é a hipnose dos focos errados.

A vitória consistente, com os porquês devidamente respondidos, é um processo; não é um evento isolado, descontextualizado e sem significado simbólico.

A derrota avassaladora não é fruto do acaso…

E se por um lado, a realidade factual nos mostra o quanto deixamos de olhar para o “resto do mundo”, por outro, de certa forma, poucas foram as contribuições internas e genuínas ao olharmos para nós mesmos (e claro, poucas, não significa nenhuma, é bom que se diga).

Tenho que concordar, por exemplo, que uma massa grande de conhecimento produzido pelas Universidades no Brasil (no passado e ainda no presente), exposta a partir das exigências de publicações científicas, tem pouca conexão com a realidade dos problemas de comissões técnicas, jogadores, equipes e clubes de futebol.

É polêmico, mas é real.

Por isso às vezes, o olhar para dentro não tem nos mostrado muitas opções.

Claro, existem muitas exceções (temos que separar o joio do trigo), e sim, a Ciência tem muito para contribuir com o futebol – assim como tem sido em países como Espanha, França, Alemanha, Inglaterra – e também Brasil.

Temos que entender o que está acontecendo lá fora… Sim!!!

Temos que olhar para trás, para frente, para os lados, mas também para NÓS MESMOS, com os óculos adequados e com o foco ajustado (afinal temos que entender o que está acontecendo aqui dentro).

A “hipnose dos focos errados”, para dentro (nosso ambiente) e/ou para fora (ambiente dos outros) é ruim.

Mas desconsiderar o que acontece aqui dentro e/ou lá fora também!!!

E se o “pedido de socorro com o naufrágio em curso” – como bem escreveu Paulo Calçade – não for ouvido ou for mal interpretado, o pior virá; porque apesar de tudo, o navio ainda não afundou!!!

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A linha de defesa e as bolas cobertas e descobertas

Em outra oportunidade, meses atrás, foi discutida a importância dos adequados ajustes do posicionamento corporal do goleiro, zagueiros, laterais e volantes para potencializar as possibilidades de ação numa equipe que tem o jogo apoiado como princípio de construção em organização ofensiva.

O posicionamento corporal correto é um comportamento que cada jogador deve dominar em todos os momentos do jogo e de acordo com cada circunstância que o jogo o impõe.

Nesta semana, será abordado o posicionamento corporal da primeira linha de defesa (seja com três, quatro ou cinco defensores) de acordo com distintas situações. São elas: bola coberta ou bola descoberta.

No entanto, antes de discutirmos sobre o posicionamento corporal será introduzido brevemente os conceitos de bola coberta e descoberta. Tais conceitos, embora relativamente simples, pelo que tenho notado, geram poucas discussões e reflexões nos diferentes ambientes que se discute futebol.

O acesso a estes conceitos, com estas terminologias, deu-se em solo curitibano através de diferentes profissionais que já os adotavam em seu dia-a-dia de treinamentos.

Para ler a coluna na íntegra, basta clicar aqui

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Perda de pontos no Brasileirão: entenda

O "fair play" financeiro tem por objetivo melhorar a saúde financeira dos clubes de futebol e começou a ser implementado na Europa em 2011 quando as equipes classificadas para as competições da UEFA passaram a ter que provar a inexistência de dívidas em atraso com outros clubes, jogadores, segurança social e autoridades fiscais para poder competir.

Para a temporada 2013/2014, a UEFA apertou o cerco e passou a exigir uma gestão equilibrada em "break-even", ou seja, os clubes não podem gastar mais do que ganham.

A fim de fiscalizar o “fair play” financeiro, a UEFA criou o Comité de Controle Financeiro dos Clubes da UEFA que analisa as contas das equipes.

Os clubes que não cumprirem o requisito do equilíbrio poderão sofrer penas de perda de pontos e até desclassificação.

Vale dizer, que o descumprimento dos regulamentos não implica em exclusão automática, eis que há vários tipos de sanções como advertência, repreensão, multa, perda de pontos, retenção de receitas; proibição de inscrição de novos jogadores; eliminação e/ou exclusão de competições.

Este ano o futebol brasileiro começa a ensaiar os primeiro passos na busca pelo “fair play” financeiro ao apontar indícios de que a CBF trará no Regulamento Geral da Competições a possibilidade de perda de pontos para os clubes que atrasarem o salário dos jogadores.

A punição só ocorreria se os jogadores denunciarem os clubes e seria julgado pelo STJD. Entretanto, não há consenso, ainda, por exemplo, sobre o tipo de atraso salarial, ou seja, se seria considerado somente o valor registrado na carteira de trabalho ou os direitos de imagem também.

Caso se consolide, a iniciativa da CBF configurará um avanço inestimável para o futebol brasileiro, pois criará a atmosfera de confiança necessária para que a renegociação das dívidas fiscais dos clubes seja aprovada e, consequentemente, viabilizará a sua recuperação financeira atraindo-se patrocinadores e valorizando o produto.

O grande desafio é conseguir mudar a mentalidade dos clubes brasileiros e conscientizá-los da necessidade de se manter as contas equilibradas. Ademais, as punições deverão ser efetivas e exemplares, sob pena de todo o esforço ser vão.

O estágio atual do futebol não dá espaço para amadorismo e os resultados em campo são fruto de uma gestão moderna, racional e profissional, cujo exemplo a Alemanha apresentou na Copa do Mundo. 

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Coaching para os tamanhos de projeto esportivo

Quem está começando a ouvir falar sobre Coaching no esporte já pôde perceber que os muitos casos práticos e trabalhos que vem sendo realizados estão em muitas situações ocorrendo em clubes de maior investimento, mais efetivamente aqueles presentes nas séries A e B do Campeonato Brasileiro.

Isso significa que só é possível aplicar um processo de Coaching em ambientes aonde o investimento financeiro se faz presente em grande escala?

Em minha opinião, a resposta a esta questão é não. No meu ponto de vista, o Coaching pode e deve ser aplicado em todos os portes ou tamanhos de projetos esportivos.

Imagine a situação de um clube de baixo investimento no cenário nacional, aquele que convive duramente com seu exercício diário de sua gestão do futebol, tanto em termos financeiros quanto em termos da própria prática esportiva. Será que não caberia neste ambiente um trabalho que pudesse contribuir para a construção de objetivos comuns para todos os envolvidos?

Eu penso que sim, caberia plenamente este tipo de trabalho e vou além, penso ser de fundamental importância uma vez que em muitos casos vale mais o atleta ter a capacidade mental e emocional para evoluir num ambiente onde ele possui objetivos claros e bem definidos e sabe exatamente aonde todos pretendem chegar. Isso por si só já gera uma enorme alavanca de desenvolvimento destes profissionais, pois quando temos uma meta comum e conhecida estamos inconscientemente estimulados ao desafio do aprendizado necessário e contínuo para superar este desafio, representado em forma de uma meta ou mais metas desejadas.

Pensando desta forma, podemos entender que o trabalho sério e bem aplicado de Coaching pode sim fazer parte de todos os projetos esportivos no futebol, sejam eles de grande volume de investimento financeiro ou não. O importante está em conseguir equilibrar e orquestrar o desenvolvimento do trabalho conforme as condições existentes e a clareza dos objetivos esperados por todos ao final do projeto.

E você, concorda?

Até a próxima! 

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Por que tantos problemas não resolvidos?

Vez por outra converso com meus pares, colegas que atuam também na área de gestão do esporte, alunos e ex-alunos e mesmo amigos de fora do meio esportivo e uma pergunta recorrente é: por que o esporte enfrenta tantos problemas e não consegue encontrar as soluções mais adequadas, se parecem tão óbvias?

Talvez parte da resposta esteja no quadro abaixo que montei para esta coluna, comparando o pessoal de uma grande empresa de entretenimento (que administra casas de espetáculo, realiza shows e até eventos esportivos, com sede no Brasil mas também operações na América do Sul) com três grandes clubes do futebol brasileiro (de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre). A empresa de entretenimento faturou pouco mais de R$ 500 milhões no último ano. Os clubes selecionados, somados, faturaram o equivalente a R$ 865 milhões (balanços de 2013), ou seja, média de R$ 288,3 milhões por clube.

* Do autor. Realizado com base em informações retiradas da Rede Social LinkedIN (pessoas que declaram trabalhar nas respectivas empresas selecionadas).
Amostra Total: 564 pessoas.

Não vou me ater aos números absolutos pois, do contrário, estaria tentando comparar “bananas com laranjas”. Vamos focar aos dados relativos que importam e saltam mais aos olhos nesta análise. Em destaque:

1) Atividades-fim: apresenta-se números muito parecidos entre os dois segmentos. Se no caso da Empresa de Entretenimento a atividade-fim pode ser resumida no pessoal de “Produção e Operação” (14,9% do total), no caso dos clubes de futebol são os profissionais de esporte que ocupam este lugar (23,2%). Nada mais natural e plenamente justificável. Aqui, entenda-se, incluem-se todos os profissionais que atuam na área de preparação física, treinamento desportivo, aulas de esporte etc. Poderíamos ainda somar os 12,1% de profissionais que atuam em áreas multidisciplinares (médicos, fisioterapeutas, fisiologistas, ortopedistas, assistentes sociais etc.) que, apesar de não pertencerem efetivamente ao grupo de profissionais em atividades-fim, mas dão suporte direto e muito próximo a estes. Daqui, percebe-se como a área técnica, apesar de muitas (e justas) críticas em alguns segmentos, é claramente o setor mais bem formatado dentro destas entidades. Desconsiderei nesta primeira análise tanto os artistas do mundo do entretenimento quanto os artistas do meio esportivo!

2) Atividades-meio: pelo gráfico, percebe-se como os clubes de futebol são formados por um ambiente extremamente operacional e burocrático, sem um espaço efetivo para áreas de inteligência, estratégia e planejamento. Por isso tem-se 18,7% do pessoal alocado em áreas de Secretariado e Administrativo Geral. Pode-se explicar tal relação pelo fato de os tomadores de decisão pertencerem ao quadro político (não-remunerados ou estatutários), necessitando precipuamente de pessoal que executem demandas e não que desenvolvem projetos efetivamente em prol do crescimento da organização. Em contrapartida, a Empresa de Entretenimento conta com quase 5% do pessoal alocados em áreas de planejamento e estratégia e outros 4,2% na parte administrativa geral. O setor de estratégia e inteligência competitiva é, por exemplo, o responsável pela constante identificação de oportunidades no mercado para a oferta de serviços específicos ao público consumidor.

3) Marketing e Comercial: aqui tem-se uma relação importante. Enquanto a Empresa de Entretenimento possui uma equipe de vendas que representa quase 1/5 do seu quadro de pessoal, os clubes de futebol não alcançam 1% do total. Na área de marketing o equilíbrio é um pouco mais próximo, embora a diversidade de cargos seja o grande diferencial. Na Empresa de Entretenimento os colaboradores atuam principalmente em áreas como o CRM, o Atendimento ao Cliente ou o Pós-Venda de Patrocínio. Nos Clubes, os cargos que mais se aproximam desta premissa são os de Relacionamento com o Sócio Torcedor.

A soma do Item 02 (atividades-meio) com o do Item 03 (marketing e comercial) é capaz de retratar a realidade dos clubes de futebol no Brasil: se não há equipe especializada em planejamento com vistas a inovação e a atenção ao mercado, tampouco força de vendas, preferencialmente subsidiada por informações qualificadas, como se espera vender e faturar mais?

As grandes oportunidades do mercado de entretenimento só serão alcançadas pelos clubes a partir do momento em que deixarem um pouco a arrogância de lado para se debruçarem verdadeiramente sobre construção e desenvolvimento de projetos em atenção a patrocinadores, mídia e consumidores.

E aqui não está-se a sugerir que deve-se diminuir ou minimizar as chamadas “áreas administrativas” ou “operacionais” dos clubes. Elas são fundamentais para que processos e tarefas sejam cumpridos e possam dar todo o suporte para que as atividades-fim sejam aplicadas com excelência.

A reflexão passa muito mais para ter-se a noção da necessidade de se criar núcleos mais robustos de planejamento e que deem suporte para setores de vendas, de modo a atingir o maior número de stakeholders possível.

Se olharmos para o Relatório Anual do Manchester United (2013), por exemplo, vê-se que a equipe de vendas do clube beira as 125 pessoas (não, eu não errei. São 125 colaboradores dedicados a área comercial dos diabos vermelhos). A área comercial, naturalmente, não se limita a venda de patrocínios, obviamente. Trata-se do conjunto de todas as atividades de venda, que vão desde a bilheteria até os naming rights do Centro de Treinamento. Muito por isso que a área de marketing fatura quase R$ 600 milhões (o patrocínio máster, de camisa, representa apenas 15% deste total).

A resposta à pergunta do título desta coluna pode ser tão simples quanto “pessoas”. Tanto em quantidade quanto em qualidade. Tanto na sobreposição de setores quanto na ausência de pessoal para áreas específicas.

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Desempenho financeiro do Flamengo em 2014

Desempenho financeiro do Flamengo

O Flamengo foi até o momento o clube brasileiro que mais chamou a atenção, em termos financeiros em 2014.

O clube da Gávea viu suas receitas crescerem ainda mais que em 2013 e manteve um controle efetivo dos custos com futebol.

Paralelamente resolveu o problema histórico do clube renegociando débitos fiscais, contribuições sociais e FGTS com o Governo Federal.

Todos esses pontos são realmente destaques extremamente positivos da gestão do atual presidente Eduardo Bandeira de Mello. 

Para ler a coluna na íntegra, basta clicar aqui

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O orgulho como ferramenta de comunicação

O esporte é um segmento naturalmente passional, e entender isso é fundamental para qualquer plano relacionado à área. A comunicação, por exemplo, tem de seguir uma série de estratégias que também seriam pertinentes em outras searas. No entanto, não existe eficiência nesse caso se as ações desconsiderarem a emoção como base de qualquer processo. Poucas ferramentas são mais poderosas do que o orgulho.

Orgulho é um conceito extremamente pessoal, é claro. É possível ter orgulho de um título, de uma história, de um ídolo ou até de um atributo específico (um local ou uma característica da instituição, por exemplo). Sabe aquela coisa que todo torcedor usa no bar quando quer convencer o mundo que o time dele é o melhor que existe?

Então: nada vende mais do que orgulho. O São Paulo criou há quase uma década o conceito “Soberano”, por exemplo. Ainda que seja extremamente questionável e que tenha impingido atributos indeléveis e questionáveis à marca do clube, a ideia era uma resposta a algo que a torcida sempre tentou “vender”.

Quer outro exemplo? Quando contratou Ronaldo, que na época era o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, o Corinthians desenvolveu uma linha de produtos com a marca dele. As vendas foram expressivas – maiores do que artefatos vinculados a outros atletas. Uma das razões para isso é justamente o orgulho que a torcida tinha de dizer que ele havia escolhido o clube.

São dois exemplos recentes e de um mesmo mercado (São Paulo, no caso), mas o orgulho tem sido força motriz do esporte desde sempre e em qualquer lugar. Na Europa, a maioria das campanhas voltadas a sócios-torcedores tem como base a ideia de que quem ajuda o clube é mais próximo e mais apaixonado do que os demais. É o orgulho até em forma individual.

No Brasil, os Estaduais são sobre orgulho. Há muito os torneios regionais têm perdido relevância e se tornado um fardo para o calendário de qualquer equipe. Essa depreciação tem relação direta com a falta de um trabalho adequado de comunicação institucional, mas não tirou (ainda) algo que faz essas competições terem algum sentido: o orgulho que gera uma vitória direta contra rivais locais.

Nenhum time brasileiro tem sido exemplo mais positivo disso em 2015 do que o Botafogo. A equipe alvinegra é líder do Estadual do Rio de Janeiro e tem aproveitamento expressivo. No domingo, bateu o Flamengo por 1 a 0 com um gol marcado por Tomas num golpe de sorte – a bola bateu na trave em um chute de longe, voltou nas costas do goleiro Paulo Victor e entrou.

Parece pouco, é verdade – é começo de ano, a liderança no início do Estadual não vale muita coisa e foi apenas um lance de sorte em uma partida –, mas é preciso colocar tudo isso em contexto. O Botafogo foi um time devastado na temporada 2014 e acabou rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Além disso, carregava consigo um estigma negativista. Sabe aquela ideia de que “tudo acontece com o Botafogo”?

Por tudo isso, o início de ano é uma reação contundente, sim. É uma recuperação de autoestima e de orgulho. É uma reação para quem teve um ano com poucos motivos para sentir orgulho.

O Palmeiras passou um pouco por isso no início do ano. As 19 contratações que o time alviverde fez para 2015 não foram apenas uma mudança de perfil no elenco. Foram uma forma de dizer à torcida que as agruras da temporada anterior eram coisa do passado e que era possível apostar de novo no time.

Também há em São Paulo um bom exemplo de orgulho individual. Ou algum torcedor do Corinthians deixou de sentir isso quando Jadson recusou uma proposta do Jiangu Sainty (China) e decidiu ficar no clube para ganhar metade do salário que receberia na Ásia?

Os chineses aceitaram pagar a multa rescisória do contrato de Jadson (algo em torno de 5 milhões de euros), e o meia era a única pessoa que podia cancelar o negócio. Ao recusar, ele usou como principais argumentos a vontade da família e a chance de virar ídolo do Corinthians. Quer uma forma mais clara para deixar o torcedor orgulhoso?

É possível despertar orgulho até mesmo em momentos complicados. O Grêmio desfez em 2015 o elenco que havia feito uma temporada regular no ano passado. Algumas das principais referências deixaram a equipe (Zé Roberto, Barcos, Pará e Bressan, por exemplo). Até o centroavante Marcelo Moreno, que voltou ao clube após boa passagem pelo Cruzeiro, saiu. Contudo, o técnico Luiz Felipe Scolari, ídolo da torcida tricolor, ficou. E se isso não for motivo suficiente para mexer com o emocional da torcida, a debandada criou uma chance enorme de identificação. Afinal, o novo grupo de atletas tem bem mais espaço para jogadores formados na base – garotos normalmente despertam empatia natural no público.

São muitos exemplos, e quase todos têm relação com o início dos Estaduais. A questão é: quem fez uma campanha focada no orgulho de seus torcedores? Talvez o Palmeiras, mas o clube preferiu usar isso como mote para alavancar seu plano de sócios.

Orgulho não vende apenas carteirinhas de filiação. A relação passional é o maior diferencial que o esporte tem no mercado de entretenimento, e é fundamental que os clubes tentem tirar disso uma fonte relevante de receita. E para transformar orgulho em receita, é fundamental que eles saibam como comunicar isso. 

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A violência vencerá o futebol?

O mundo do futebol foi surpreendido pela vitória da violência sobre o futebol. Isso porque o Governo da Grécia decretou a suspensão do campeonato nacional por tempo indeterminado em razão de graves incidentes que antecederam o clássico entre o Panathinaikos e o Olimpiacos.

Os torcedores do Panathinaikos invadiram o campo quando o treinador da Equipe adversária realizava seu ritual de tocar nas redes em frente à torcida.

Infelizmente, a violência tem sido uma constante nos estádios de futebol pelo mundo a fora e, alguns países em específico, dentre eles o Brasil, parecem estar na iminência de deixar o futebol sucumbir.

No Brasil, o Estatuto do Torcedor traz alguns dispositivos que buscam combater a violência nos estádios de futebol, mas tem se mostrado insuficiente. Ademais, não há previsão legal para suspensão das partidas de futebol, como se deu na Grécia.

O ano de 2015 começou com alguns lampejos de genialidade no combate à violência. A primeira grande medida se deu no recife quando a campanha “security moms” levou ao clássico Sport e Náutico as mães dos torcedores como seguranças que receberem treinamento. A campanha trouxe certa comoção aos torcedores que emocionados abraçaram suas mães.

No Paraná, as Diretorias de Atlético e Coritiba sob o slogan “Uma Disputa Sadia. Um aperto de mão” lançaram a campanha “Sempre Rivais. Nunca Inimigos.” A campanha foi, de pronto, abraçada pelas torcidas organizadas que fizeram uma bela festa sem violência no primeiro clássico do ano.

Finalmente, no Rio Grande do Sul, Inter e Grêmio criaram o “clássico da paz” ao reservar um espaço de dois mil lugares para que colorados e gremistas sentem-se lado a lado no primeiro Grenal do Gaúcho. Neste espaço, o colorado terá o direito de levar um acompanhante colorado.

Estas medidas, ao mesmo tempo que representam uma forma da sociedade civil se movimentar, demonstram um incrível amadurecimento dos Dirigentes que deixaram a rivalidade agressiva de lado e decidiram usar a paz para promover o evento.

Tais medidas nos trazem a sensação de que algo de muito bom está para acontecer e de que logo estaremos muito longes do caos instalado no futebol Grego.