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Quem é dono da informação?

Por que uma empresa investe em esporte? Quais são os diferenciais do setor? Há várias respostas possíveis para essas perguntas, mas o fundamental é que elas sejam feitas. Entender as possibilidades do segmento é um passo básico para saber como tirar proveito dele.

Quando Henry Ford começou a investir em esporte, no início do século 20, a relação era clara: mostrar que os carros da montadora dele eram mais velozes e mais seguros do que os outros.

Hoje em dia, algumas marcas ainda podem dizer que investem no automobilismo para mostrar que são mais eficientes do que as outras. E o que explica, então, todo o aporte feito pelas empresas associadas aos carros que estão no fim do grid?

No esporte, assim como na vida, entender os porquês é questionar a essência das coisas. As empresas podem buscar associação a valores da modalidade ou a personalidades que fazem parte da disputa, por exemplo. Podem pensar em atributos, no perfil de público que acompanha o evento ou apenas na visibilidade que ele oferece.

Em toda a história, a mídia sempre foi um argumento de venda do esporte. A lógica de que o patrocínio é uma forma de a marca "aparecer" para quem acompanha um campeonato é praticamente um axioma, algo difundido de torneios colegiais a ligas profissionais.

O problema é que essa linha de pensamento alterou drasticamente a relação do esporte com a mídia. Quando entenderam o papel que exerciam na venda, veículos passaram a influenciar destinos e exercer controle sobre o segmento.

Essa realidade é ainda mais presente no Brasil, país em que a mídia convive há décadas com cenário de monopólio. O esporte sabe que estar na Globo, por exemplo, é um argumento de venda para patrocinadores e ajuda na própria disseminação da modalidade. A TV também entende esse processo, e a partir disso exige que o "produto" cumpra demandas de grade e de perfil.

É assim o ciclo que define a relação do futebol com a mídia no Brasil: o esporte depende da TV aberta para ter mais popularidade e vender mais patrocínios. A TV aberta precisa do esporte para atingir determinado perfil de público e de anunciantes, mas não precisa a ponto de abrir mão de outros produtos. Então, aproveita a posição favorável na negociação e exige adequação do esporte. Isso justifica, por exemplo, os horários de transmissões de jogos.

O futebol não passa às 22h de quarta-feira simplesmente porque a TV quer. O esporte ocupa esse espaço porque é menos relevante, em audiência e comercial, do que a novela. E a novela é apenas um exemplo de produto que ocupa uma faixa mais nobre da programação.

Também é essa a explicação do que acontece com outras modalidades. A Superliga de vôlei precisou fazer uma série de adaptações e concessões para ter espaço na TV aberta. A lista de mudanças vai de decisão em jogo único até a redução da duração dos sets.

A liga nacional de basquete (NBB) passou por um processo semelhante para conseguir espaço na TV. A Stock Car também fez alterações drásticas no regulamento e no modelo de disputa. Tudo em nome da mídia.

Enquanto o esporte enxergar a mídia como argumento de venda e depender da exposição que ela oferece, essa relação sempre penderá para os interesses de quem controla a exposição.

A Red Bull é um exemplo de como subverter esse ciclo que baliza a relação entre esporte e mídia. Esse é um dos muitos paradigmas que a empresa derrubou com o modelo de comunicação adotado nos últimos anos.

Em 2007, a Red Bull lançou um conceito chamado Red Bull Media House. Trata-se de uma produtora de conteúdo com abrangência multimídia. Gradativamente, as coisas que esse braço da empresa faz vão substituindo os comerciais e o investimento em comerciais tradicionais.

Em vez de comprar espaço nos intervalos comerciais de rádios e TVs ou nas áreas publicitárias de mídia escrita, a Red Bull decidiu ser a própria mídia. Ao assumir a produção, a empresa passou a ocupar locais destinados ao conteúdo.

Hoje em dia, a Red Bull não precisa mais da TV aberta. Aliás, a empresa depende pouco de qualquer mídia que não seja a dela. Tudo que a companhia faz repercute muito, e a receita para esse alcance é baseada em relevância, ousadia e foco.

Ok, a Red Bull é uma empresa gigantesca e investe milhões na Fórmula 1, que é uma plataforma midiática e está na TV aberta. Além disso, fez anúncios em mídia tradicional durante anos até atingir esse patamar. Mas o que dizer, então, do coletivo de humor chamado Porta dos Fundos?

O Porta dos Fundos não precisou de TV aberta para ganhar fama. Tudo que eles têm é oriundo das próprias mídias – o grupo é formado por blogueiros, atores e comediantes que já tinham algum sucesso individualmente.

O que os humoristas do Porta dos Fundos fazem condensa uma série de atributos positivos. Talvez seja precoce discutir os porquês de a fórmula deles funcionar, mas é inegável que há pilares como qualidade e linguagem adequada a um determinado público.

Independentemente do formato, o que eles fizeram é um modelo para a comunicação no esporte. É fundamental que o segmento deixe de depender da mídia convencional e da exposição gerada por ela.

O esporte tem potencial para atrair atenção e negócios de uma série de outras maneiras. Para isso, porém, é fundamental que tente entender a própria essência. Por que uma empresa investe em esporte? Quais são os diferenciais do setor?

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Atletas pelo Brasil

O esporte brasileiro sempre nos brindou com grandes ídolos. Pelé, Garrincha, Senna, Zico, Sócrates, Irmãos Grael, Oscar, Romário, Eder Jofre, Guga, Robert Scheidt, Adhemar Ferreira da Silva, João do Pulo, Hortência, Paula, Bernardinho, Gustavo Borges, dentre tantos outros que, desculpas à minha mistura de falta de memória com ignorância, acabo por esquecer de listar, aqui, no panteão.

Nessa constelação, porém, destacam-se dois nomes de absoluta relevância ao esporte nacional, no presente, cujo legado de luta será ainda mais valioso no futuro (breve).

Ana Moser e Raí. Líderes do movimento "Atletas pelo Brasil" que, antes, muito apropriadamente, chamava-se "Atletas pela Cidadania".

O papel desempenhado por estes dois grandes ícones do nosso esporte na articulação e união dos atletas do país para transformar a sociedade é digno de absoluto elogio.

Além de comandarem suas prestigiadas ONGs – Instituto Esporte Educação e Fundação Gol de Letra – que executam programas de inclusão social através do esporte, sobra-lhes tempo para mobilizar a categoria de atletas e ex-atletas para que a transformação social esteja na sua pauta.

Uma dos importantes sonhos pleiteados pelo grupo é que se dê importância ao papel educacional que o esporte possui e, naturalmente, 100% das escolas tenham infraestrutura de quadras poliesportivas e de profissionais de educação física habilitados para trabalhar com a mais moderna concepção do esporte integrado à cidadania (questões de gênero, acessibilidade, pluralidade de modalidades esportivas, etc.)

A mais recente luta, com vitória parcial até agora, foi a aprovação da Medida Provisória n. 620/2013, que altera a Lei Pelé.
Parcial vitória, pois a aprovação ocorreu na Câmara dos Deputados e precisa ser apreciada e votada, ainda, no Senado, para que possa ser sancionada e entrar em vigor.

Basicamente, os pontos em que se sustenta a emenda à Lei Pelé, para se criar e fortalecer um marco de governança corporativa para as entidades de administração do esporte que receberem recursos públicos são os seguintes:

Profissionalização – Obrigatoriedade de remuneração de dirigentes que atuem efetivamente na gestão executiva das entidades.

Alternância – Para entidades que recebam verbas públicas, limitação de apenas uma reeleição em mandatos de quatro anos.

Participação – Garantia de representação da categoria de atletas no âmbito de órgãos e conselhos técnicos.

Contas – Transparência na gestão, inclusive quanto a dados financeiros, contratos, patrocínios e outros aspectos.

E o futebol?

A CBF não recebe dinheiro público. Nunca quis. Para nunca prestar contas a ninguém. Nem aos órgãos de fiscalização. Nem ao povo. Nem ao próprio futebol brasileiro, no que diz respeito ao desenvolvimento da modalidade segundo conceitos modernos de gestão esportiva, como se vê em federações lá fora.

A CBF está de costas para todo mundo. Lá em Miami. E dando de ombros para tudo isso que acontece por aqui.

Mas, não importa. Quanto mais se adia o pagamento dessa dívida social, maior vai ficar a conta, cobrada por todos os Atletas pelo Brasil e, nós, que abaixo assinamos.

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O treino recreativo no planejamento semanal

É procedimento padrão nos clubes de futebol, em diferentes categorias, encerrar a semana de treinamentos com um jogo recreativo. Nesta atividade, os atletas jogam fora de suas posições de origem e, muitas vezes, até os membros da comissão técnica participam.

Com o objetivo de descontrair o grupo e deixar o ambiente "leve" para a partida do dia seguinte, cerca de vinte minutos do tempo de treino semanal são consumidos para dedicar a uma prática sem qualquer relação com o jogar da equipe ou então com o próximo adversário.

E como em nossa atuação profissional devemos buscar a excelência, reflexões e questionamentos sobre os costumes (muitas vezes empíricos) da modalidade devem ser feitos constantemente com o intuito de aperfeiçoá-la.

Sendo assim, surge uma reflexão sobre o tema: será que o treino recreativo é a melhor atividade para encerrar a semana de treinamentos?

Sabemos que, durante um microciclo, a correta distribuição da carga de treino é fundamental para que a equipe tenha condições de atingir o pico de performance na competição. E esta carga (física, técnica, tática, psicológica), interrelacionada para alguns, integrada para outros, ou isolada para outros mais, diminui consideravelmente na véspera da partida.

Apesar da diminuição da carga, o ideal é que a sessão de treino, mesmo com um menor desgaste complexo, proporcione adaptações positivas no sistema.

Sistema que, rodada a rodada, está sujeito a alterações, seja por lesões, suspensões, ajustes na construção diária do modelo de jogo ou até substituições por nível de desempenho.

Com todas estas alterações, os vinte minutos dedicados ao Recreativo podem ser melhor utilizados com repetições de situações de jogo que fortaleçam o sistema e direcione-o para o cumprimento da lógica do jogo.

Inúmeras ações do jogo podem ser reproduzidas com uma baixa densidade. Basta a comissão técnica estar atenta em relação a quais intervenções são necessárias e controlar os estímulos para preservar o metabolismo de jogo, que será utilizado no dia seguinte.

Bolas paradas ofensivas e defensivas, reposições em tiros de meta, primeira e segunda bola, movimentações em arremesso lateral, setor de pressão, distribuição das peças no campo de ataque, saída jogando, ações ofensivas do adversário, ação em setores vulneráveis do adversário, são apenas alguns exemplos do que pode ser treinado na véspera do jogo.

Mas e o Recreativo? Deve ser abolido do futebol?

Se na véspera do jogo a atenção das atividades deve estar voltada para os ajustes necessários da equipe e para o próximo adversário, o início da semana pode ser o dia ideal para esta prática culturalmente inserida no futebol brasileiro.

No início da semana, ainda sem maiores preocupações com o próximo jogo e ainda num processo de recuperação da partida anterior, a justificativa para descontrair o grupo parece mais coerente.

Surgirá então, outro problema: as equipes que perderem na partida anterior também poderão fazer o treino recreativo?

Aguardo sua opinião, caro leitor!

A propósito: quando você realiza o treino recreativo?

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Tupi x Aparecidense: o dia que o massagista foi goleiro

O último final de semana proporcionou ao futebol um dos lances mais bizarros e surreais de sua história na partida disputada entre o Tupi de Juiz de Fora e a Apareciense de Goiás pelas oitavas de final da Série D do Campeonato Brasileiro.

A partida disputa no Estádio Mário Helênio, em Juiz de Fora (MG) e classificou os goianos em razão do empate por 2 a 2, já que em Goiás, as equipes empatarem em 1 a 1.

Entretanto, o placar que classifica a Aparecidense pelo critério de gols fora de casa se deu em virtude de, aos 44 minutos do segundo tempo, o massagista Romildo Fonseca da Silva (do time goiano) ter aparecido em cima da linha para tirar um chute do atacante Ademílson, que colocaria a equipe mineira em vantagem (3 a 2) a poucos minutos do fim do jogo. Este resultado classificaria o Tupi.

Enquanto a diretoria do Tupi está tomando todas as providências para que a Aparecidense seja eliminada, a diretoria da Aparecidense afirma não temer a eliminação ou a remarcação da sob a alegação de que o massagista era um "corpo neutro" em campo, e não teria influenciado a partida.

De fato, em 2006, durante jogo entre Santacruzense e Atlético Sorocaba pela Copa FPF (atual Copa Paulista), a árbitra Sílvia Regina de Oliveira validou um gol a favor do time da casa marcado pelo gandula, eis que a bola foi para fora, mas o gândula a colocou para dentro do gol com o pé enquanto a arbitragem não via.

Destarte, o tal corpo "neutro" que evitou o gol de Ademílson foi o funcionário do Aparecidense, diretamente interessado no resultado da partida, talcomo não era neutro o gandula da Santacruzense em 2006. O livro de regras referente ao biênio 2012/2013 que a CBF distribuiu aos árbitros, traz em sua Regra 3 (Interpretação das Regras do Jogo e Diretrizes para Árbitros) dispositivo claro neste sentido.

Destaque-se que a a Regra 3 determina que se, após ser marcado um gol, o árbitro perceber, antes de reiniciar o jogo, que havia uma pessoa extra no campo de jogo no momento em que o gol foi marcado o árbitro deverá Invalidar o gol se a pessoa extra for um agente externo e interferir no jogo ou a pessoa extra for um jogador, substituto, jogador substituído ou funcionário oficial da equipe que marcou o gol.

No caso em comento não se trata de um gol, mas de um lance tão decisivo e importante quanto oriundo da atividade de um funcionário oficial da equipe que se beneficiou. Trata-se de dispositivo importante e que pode auxiliar na decisão acerca do futuro do jogo.

Diante de tudo isso, o STJD agoi rapidamente e seu presidente do suspendeu o placar da partidae marcou o julgamento do polêmico caso para a próxima segunda-feira.

A decisão do presidente Flávio Zveiter acatou a denúncia e o pedido de sanção da Procuradoria do STJD que considerou a atitude do massagista "uma repudiante agressão aos mais consagrados princípios do desporto: moralidade, fair play e competição".

Possivelmente, o time goiano será enquadrado no Artigo 243-A, que determina multa de R$ 100 a R$ 100 mil além da anulação da partida em casos de influência de alguma pessoa relacionada ao clube de forma contrária à ética desportiva, veja-se:

Art. 243-A. Atuar, de forma contrária à ética desportiva, com o fim de influenciar o resultado de partida, prova ou equivalente.

Pena: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais), e suspensão de seis a doze partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, ou pelo prazo de cento e oitenta a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código; no caso de reincidência, a pena será de eliminação.

Parágrafo único. Se do procedimento atingir-se o resultado pretendido, o órgão judicante poderá anular a partida, prova ou equivalente, e as penas serão de multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais), e suspensão de doze a vinte e quatro partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, ou pelo prazo de trezentos e sessenta a setecentos e vinte dias, se praticada por qualquer outra pessoa
natural submetida a este Código; no caso de reincidência, a pena será de eliminação.

Há, ainda, quem defensa a eliminação do Aparecidense com a conseqüente classificação do Tupi para a próxima fase. Entretanto, não supedâneo legal para isto.

Dessa forma, a tendência é que a partida seja anulada e realizada novamente. Que os Deus do futebol façam justiça e o Tupi se classifique em campo.

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Como os treinadores podem lidar com o estresse no futebol?

O estresse dentro do futebol é algo muito comum, a cultura de buscar resultados no curto prazo faz com que os profissionais que exerçam liderança passem por situações deste tipo. Ainda mais quando vivemos um momento como esse de 2013, aonde a dança das cadeiras no futebol brasileiro atinge os clubes da primeira divisão e seus respectivos treinadores.

William James disse: "A maior arma contra o estresse é nossa habilidade de escolher um pensamento ao invés do outro."

Quando o equilíbrio fisiológico/psicológico dos técnicos vão além da capacidade que estes têm de suportar estes profissionais ficam desregulados e desordenados, sem conseguir produzir nos seus comandados as ações de alto desempenho já conseguidas em outras ocasiões.

O estresse pode impedir a qualquer um de nós de manter o foco no que precisamos fazer, de resolver nossos problemas de maneira criativa, de expressar nossas emoções de forma efetiva e consequentemente de estarmos com nossa mente em paz.

Sabem que muito do nosso estresse vem da percepção das inúmeras ameaças, reais ou imaginárias em nossas vidas; se nosso status social, nosso ego ou nosso desejo de controlar as coisas estiverem ameaçados nós reagimos e nosso sistema de fuga ou de luta toma conta.

E alguns casos esse estado de hiperestimulação pode tornar-se permanente e muitos de nós passamos a sentir os alguns dos sintomas abaixo:

• Ansiedade excessiva;
• Tensão muscular crônica;
• Tremor decorrente de batimentos cardíacos elevados;
• Palpitações;
• Palmas das mãos úmidas;
• Necessidade de se isolar;
• Incapacidade de manter o foco, entre outros sintomas.

Com os treinadores acontece exatamente a mesma coisa. Quando estão sob forte estresse em sua vida cotidiana e mesmo que alguns sejam altamente resilientes e resistam mais, a somatização de estímulos pode provocar os sintomas em questão.

Mas, então, como os treinadores podem reduzir essa exposição ao estresse e lidar com isso na vida profissional? A resposta pode estar no melhor equilíbrio entre o lado pessoal e o profissional.

Um trabalho específico de gerenciamento do tempo e das emoções do treinador é muito importante para promover a redução do estresse. Com o apoio de um coach, o treinador pode precisar das seguintes ações:

• Examinar o desperdício de tempo;
• Explorar as situações em que o profissional se sente realizado ou se sente subutilizado;
• Discutir possíveis trocas/compensações que o treinador precisa ter para obter mais equilíbrio na vida pessoal;
• Determinar os valores do indivíduo e priorizá-los;
• Identificar e lidar com o vício pelo sucesso.

Além dos itens acima, devemos relevar a importância das técnicas de relaxamento e visualização, também muito eficazes na redução do estresse.

Cabe aqui compartilhar alguns princípios fundamentais para combater o estresse, não só indicados para os treinadores, mas também para todos nós.

1. Viva o hoje;
2. Lembre-se de que 95% das nossas preocupações não se transformam em problemas;
3. Todo problema tem solução;
4. Pare de sofrer pelo passado;
5. Saiba perdoar a si mesmo e ao outro;
6. Evite reagir à ansiedade dos outros como se fosse sua;
7. É preciso ter sempre alguém com quem possa falar abertamente;
8. Compreenda de uma vez por todas: "VOCÊ É O QUE VOCÊ FAZ DE SI MESMO".

Acredito que devemos compreender, cada vez mais, o tamanho do desafio profissional de um treinador de futebol no Brasil, pois se repararmos muito bem os estímulos em excesso que podem causar o estresse estão intensamente presentes na vida destes e atuar com excelência neste cenário sem o apoio e ferramentas adequados é muito complicado, não acham?

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Um mar de oportunidades (1)

Ontem, participando do VII Fórum Internacional de Marketing Esportivo, organizado pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e Brunoro Sport and Business (BSB), o público teve uma série de palestras que trataram do tema futebol e suas oportunidades em relação ao marketing e comunicação com o consumidor.

Nas primeiras palestras, chamou a atenção a fala de Fabio Laudísio, da Dentsu, que mostrou as plataformas de comunicação possíveis com grandes eventos sem ferir a ética comercial ou que se caracterize como emboscada, apresentando tais possibilidades de maneira bem técnica.

Paralelamente, me deparo com a Revista da Gol Linhas Aereas (p. 134-138) deste mês, que traz uma reportagem sobre a pequena vinícola Lídio Carraro, da Serra Gaúcha, que conquistou o direito de produzir vinhos exclusivos e oficiais para a Copa 2014.

A breve coluna serve para introduzir melhor este tema, quando avançaremos com maior profundidade nas próximas semanas. A analogia tem respaldo na enorme quantidade de oportunidades que temos para comunicar as empresas por meio do esporte, que transcendem a simples inserção de patrocínio na camisa de jogo ou anúncios na TV.

O simples e barato, muitas vezes, pode até se tornar mais eficiente, dependendo do tipo de negócio que se pretende comunicar…

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Jornalista x torcedor: uma discussão de 140 caracteres

"É revoltante e inaceitável que profissionais da imprensa brasileira possam, sem apontar nenhuma evidência, por mera criação fantasiosa, colocar em dúvida a honestidade e a idoneidade do clube".

O excerto anterior foi retirado de um comunicado emitido no último domingo pelo Grêmio. No texto, assinado pelo presidente Fabio Koff, o clube gaúcho critica comentários feitos pelos comentaristas esportivos Flávio Gomes e Arnaldo Ribeiro, ambos da "ESPN", em posts feitos na rede social Twitter.

Gomes e Ribeiro publicaram o conteúdo no sábado, dia em que o Grêmio venceu a Portuguesa por 3 a 2 em Porto Alegre pelo Campeonato Brasileiro. O time tricolor chegou a estar vencendo por 2 a 0, cedeu o empate e conseguiu o triunfo graças a um pênalti muito contestado pela equipe paulista.

"Juiz vagabundo, timinho escroto desde 1903. São muito machos no Sul. Mas adoram dar a *****", escreveu Gomes. "Por favor. Monitorem ligações de Fabio Koff e cia para comissão de arbitragem e CBF nos últimos dias. #vergonha", completou Ribeiro.

"As manifestações desses profissionais não honram a tradição da emissora, que deveria estar sempre comprometida com a ética, a verdade, a justiça e a justeza de suas informações", respondeu Fabio Koff no texto de domingo. Na segunda, Gomes foi demitido.

A celeuma criada pelos posts dos comentaristas ilustra bem um dos principais problemas das redes sociais no Brasil: a indefinição sobre público e privado. Afinal, é possível dissociar o jornalista da pessoa que escreve nas redes sociais?

Criar essa distinção seria correr contra o maior avanço provocado pelas redes sociais. O advento desse tipo de plataforma mudou radicalmente o consumo e a disseminação de informações porque transformou todo mundo, literalmente, em mídia.

Antigamente, se eu quisesse dar repercussão a algo, tinha como único caminho tentar emplacar esse material na grande mídia. Hoje em dia, se eu fico sabendo de algo relevante, posso abastecer meus próprios perfis em redes sociais.

No dia 30 de agosto, o blog "Não Salvo" publicou uma sequência de caracteres que gera um bug para usuários do sistema iOS. Ao visualizar o código, todo aplicativo nessa plataforma fecha automaticamente.

Em quatro horas, o perfil oficial do blog perdeu 5 mil seguidores no Twitter. Além disso, colocou seis entre os dez assuntos mais comentados na rede social no Brasil.

O criador do blog não é uma personalidade. Nunca teve um trabalho consistente em outras mídias. Ele é "apenas" um blogueiro, mas a repercussão enorme do post sobre o bug da Apple mostra o quanto as novas mídias mudaram a lógica de distribuição de conteúdo.

Se o mesmo código tivesse sido dito em uma rádio ou publicado em um jornal, talvez não tivesse repercutido tanto. O mundo tem 1,7 bilhão de usuários de redes sociais atualmente, 18% a mais do que no ano passado, e as regiões com mais adeptos desse tipo de plataforma são Ásia-Pacífico (777 milhões) e América Latina (216,9 milhões).

Ainda que as últimas pesquisas tenham mostrado rotas descendentes de usuários no Facebook e no Twitter, as redes sociais não dão nenhuma demonstração de serem algo efêmero. O público pode migrar para uma nova onda ou buscar a febre mais atual, mas não vai deixar de frequentar esse tipo de ambiente.

Ao entregar ao consumidor da notícia o poder de fabricá-la, as redes sociais mudaram radicalmente a lógica da mídia. Isso precisa estar muito claro para quem é público, mas ainda mais para quem produz conteúdo.

O que aconteceu com os jornalistas da "ESPN" está sendo usado aqui apenas como exemplo, mas não quero ser cabotino. Há outros exemplos de profissionais do mesmo segmento que também tiveram problemas por causa de mídias sociais. Essas plataformas ainda não são totalmente compreendidas e dominadas, o que torna ainda mais possível o deslize.

Quando o Twitter começou a se popularizar nos Estados Unidos, virou uma febre entre atletas. Alguns deles começaram a postar conteúdo durante os jogos, nos momentos em que estavam no banco ou nos vestiários.

Isso levou a liga profissional de basquete dos Estados Unidos (NBA) a criar um manual de conduta para redes sociais. Algumas empresas de mídia, no Brasil e no exterior, também estabeleceram regras de conduta.

No entanto, isso leva a outro ponto pertinente da discussão: não são apenas as redes sociais que moldam o perfil que o público tem do jornalista. Quem produz conteúdo vende credibilidade, e credibilidade só se constrói com uma marca.

Para criar uma marca, é fundamental que o profissional tenha um histórico condizente com o que produz. O público percebe quem é oportunista.

Não cabe julgamento sobre o profissional que diz para qual time torce, por exemplo. Todo mundo que trabalha com futebol faz isso porque ama o esporte, e todo mundo que ama o esporte tem ao menos simpatia por uma equipe.

No entanto, profissionais que escancaram o time do coração trilham um caminho sem volta. Eles vão ficar sempre marcados ou sempre terão opiniões colocadas em dúvida por causa disso.

Um jornalista pode criar uma marca de alguém que torce para determinado time ou condena uma prática, mas precisa manter coerência quanto a esses aspectos para conseguir moldar uma marca.

Isso mostra que, assim como as redes sociais são apenas um simulacro da vida real, as restrições ao comportamento de jornalistas nessas plataformas são um reflexo do que deve acontecer em outras situações.

Ser flagrado em um estádio como torcedor é para um jornalista algo tão complicado quanto manifestar torcida em redes sociais. Isso pode jogar contra a credibilidade e a autonomia do profissional.

Não é proibido torcer, tampouco dizer o que pensa. Ao fazer uma dessas coisas, porém, o jornalista precisa saber que está adicionando atributos a um perfil que o público constrói.

É claro que o problema é quando essas posturas são exacerbadas a ponto de extrapolar limites, sobretudo quando resvalam em preconceitos. Mas esses momentos de ápice só são possíveis para quem tem usa frequentemente a ferramenta para exprimir opiniões, por mais ordinárias que elas sejam.

Jornalista é jornalista no trabalho, na folga ou nas redes sociais. Tudo isso contribui para a construção de um perfil. Depois de tantos exemplos que repercutiram muito no mercado brasileiro de comunicação, espero que as pessoas comecem a assimilar isso.

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Respostas da democracia brasileira à Fifa e o que podemos aprender com os EUA em política e relações internacionais

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, em uma recente declaração, revelou que a entidade pretende aprender com aquilo que viu e ouviu do povo brasileiro durante a Copa das Confederações.

O mandatário afirmou que tratará de assegurar, na legislação da Fifa, que somente poderão ser aceitas as candidaturas de países-sede para a Copa do Mundo que tiverem sido aprovadas pelo Legislativo ou por outro mecanismo democrático que legitime o processo internamente.

A previsão da entrada em vigor é para a Copa de 2026. As manifestações sociais democráticas e legítimas que ocorreram no Brasil, em boa parte, motivadas pela realização da Copa do Mundo e pela falta de planejamento, executividade e transparência nas obras atreladas ao evento – em especial, dos estádios – serviram de alerta e inspiração para a Fifa agir.

Isso é um gigantesco avanço quando se trata de política administrativa adotada pela Fifa na história de organização dos seus eventos ao redor do mundo.

O conservadorismo e centralização nas decisões e na política desenvolvimentista foram as marcas da instituição. Sem contar os recentes escândalos que acusaram membros do seu Comitê Executivo de vender seus votos na escolha dos países-sede da Copa do Mundo.

Este avanço é ainda mais positivo para os países que desejam ser os anfitriões do evento. Com isso, exige-se, dentro de cada um deles, que a legislação e os mecanismos democráticos sejam respeitados antes mesmo das inferências privadas – CBF, no exemplo do Brasil – ou do Poder Executivo avocarem toda a responsabilidade pela tomada de decisão em nome do interesse público maior.

De fato, isso diminui a margem de erro e risco quando um país pretenda se lançar aos braços de um megaevento esportivo, pois os custos financeiros e políticos também costumam ser proporcionais.

Nos Estados Unidos, quando se tratam de relações internacionais e temas de grande relevância ao país, como, por exemplo, a assinatura de tratados comerciais ou intervenções militares, o presidente, em regra, é obrigado a obter autorização do Congresso Nacional, que lhe outorgará os limites de seus poderes para agir em nome do povo naquela dada situação.

Somente em algumas situações de exceção e já consolidadas em exemplos análogos é que o presidente pode dispensar a consulta ao Congresso e decidir deliberadamente – a chamada via rápida (fast track).

Por isso é que, além das costuras de política externa que os EUA fazem a respeito da possível ação militar na Síria de hoje, faz-se necessário convencer o povo, internamente, por meio de seus representantes democraticamente legitimados a por eles decidir, a respeito da melhor decisão.

Obviamente, quaisquer problemas oriundos deste processo que envolve o Executivo e o Legislativo podem e devem ser apreciados pelo Judiciário (Suprema Corte) no mais apropriado e transparente contexto que se espera de uma democracia.

Seria diferente com uma Copa do Mundo? Creio que não, pois, no caso do Brasil, os custos globais estimados para realizar todas as obras da Matriz de Responsabilidades gira entre R$ 30 e 40 bilhões, tal qual os impactos que um tratado comercial ou a participação numa guerra podem provocar.

Para mais ou para menos, as melhores práticas de gestão pública e privada recomendam meios transparentes e eficazes de controle sobre a realização destes megaeventos esportivos.

Assim, o slogan "# A Copa do Mundo me representa" poderia sair às ruas tranquilamente.

A não ser que estejamos falando do Qatar… Lá, a vontade do povo e a democracia estão soterradas por dólares e petróleo.

E essa determinação valerá, apenas, a partir de 2026.

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Finalizações e cobranças de pênaltis desperdiçadas: o futebol dos erros

Hoje gostaria de escrever um pouco sobre a "cobrança de pênalti" no futebol – na verdade, deixar no ar e no tempo algumas questões para reflexão.

Ainda que não se trate de um assunto realmente e/ou aparentemente novo, talvez possa arejar algumas discussões, que ainda, vez ou outra, teimam em reaparecer.

E mesmo que digam que os apontamentos e argumentos, no texto que segue, pareçam distantes de uma teia sistêmica de ideias, garanto que, no aparente desprendimento e desconexão com a complexidade, ela (a complexidade) está totalmente presente em todos os detalhes da explanação que vem frente.

Então vejamos. Em um rápido levantamento – não científico – de dados pela internet é fácil constatar que em jogos de futebol em diversos continentes, países, divisões e categorias, muitas cobranças de pênaltis são desperdiçadas. Claro, é óbvio que mais vezes as cobranças resultam em gols, do que em "não gols".

Mas, dada a situação, aparentemente bastante controlada e blindada à imprevisibilidade, dada a distância entre a bola e o gol, ao fato de que ela está parada, de que entre ela e a meta só há o goleiro, e de que inúmeros estudos (especialmente da Biomecânica do Movimento) mostram com precisão e exatidão onde, como e com qual velocidade a bola deve ser chutada no gol para que o goleiro jamais possa defendê-la, posso sim me arriscar a dizer, que se a cada dez pênaltis cobrados, dois forem perdidos, sim, é "muito desperdício".

Mesmo no altíssimo nível competitivo, no qual jogadores de excelência praticam o futebol, os erros não deixam de estar presentes.

Para não precisarmos buscar referências muito distantes, recentemente Lionel Messi em jogo de sua equipe (o FC Barcelona) contra o Atlético de Madrid, valendo troféu, desperdiçou uma cobrança que poderia ter dado a vitória ao seu time (chutou para fora).

Mas se há um "padrão de cobrança" a ser seguido, que é goleiro-independente, e que garante implacavelmente o gol, por que será que os jogadores não conseguem garantir aproveitamento de 100% em suas cobranças de pênalti?

Mesmo os exímios cobradores, conhecidos na história pela precisão, tiveram em algum momento penalidades desperdiçadas. Por que?

Será que é tão difícil treinar cobranças perfeitas de pênaltis? Se olharmos para toda situação, desenhada da maneira que fiz, e considerarmos o ser humano um robô, seria fácil responder a pergunta acima.

O fato, óbvio, é que mesmo em uma circunstância aparentemente de ambiente tão controlado como no caso de uma cobrança de pênalti, toda complexidade que envolve a ação do jogador para execução do chute, não pode integralmente ser reproduzida na sua totalidade.

O jogador, antes de jogador, é o ser humano que joga (Manuel Sérgio). Isso quer dizer que o decidir-agir, expresso na ação propriamente dita é uma composição harmônica de uma série de variáveis e articulações sistêmicas, que interferem e sofrem interferência constante e permanente do ambiente. Não são músculos mecanicamente que se contraem e ponto!

Parece óbvio? Talvez, justamente porque se trata de uma situação-problema do jogo em que bola e gol nunca em outra circunstância, parecem se atrair tão fortemente. E, mesmo nela, o virtual estereótipo de um movimento perfeito não dá conta de resolver o desafio de fazer a bola entrar no gol.

O que poderíamos dizer então, de outras situações-problema, "mais difíceis", como por exemplo, as que envolvem a finalização da bola a gol nos jogos, mas, em que ela (a bola) está em movimento, onde há pressão do tempo e do adversário, e em que o hiato entre o decidir e o agir parece não existir?

Será que uma abordagem realmente "não complexa" dá ou daria conta de resolver tais "situações-problema"?

Pois é, meus amigos, infelizmente com todo o movimento de transformação que o futebol vem sofrendo ainda emperramos nisso. E vejam, não estou discutindo métodos, modelos de treino… Não estou discutindo minijogos, exercícios analíticos e/ou não analíticos…

O que estou discutindo e chamando a atenção é para a abordagem dentro dos métodos, ou da maneira que o futebol é percebido. Enxergamos aquilo que os nossos olhos querem perceber!

Então, que vivam os pênaltis desperdiçados!!!

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O que é o progresso desportivo e o que se passa no Brasil…

Ao ver, pela TV, a contestação de larga representação do povo brasileiro, designadamente o mais jovem, pelos gastos desmesurados do seu governo, em estádios de futebol e na Taça das Confederações e no Mundial de 2014, logo me ocorreu o encontro que me foi proporcionado, pelo meu amigo Lino Castellani Filho (que seria, mais tarde, secretário de Estado do Desporto do presidente Lula), com o Sócrates, nesse distante setembro de 1983, jogador de futebol do Corinthians e líder do movimento Democracia Corintiana.

Relembro ainda que ele então frequentava o terceiro ano da Faculdade de Medicina da USP. Eu visitava o Brasil, pela primeira vez, a convite do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte. Encontramo-nos os três, no hotel onde me hospedaram, ainda hoje na Avenida do Ipiranga, no centro de São Paulo.

O "doutô" (assim o conheciam, por ser estudante de Medicina) magro, alto e bamboleante, um acérrimo defensor da democracia, a alturas tantas desapegando-se do enovelado da conversa, alterou a voz para dizer-nos:"O Brasil não vai só vencer aqueles que o oprimem, tem de vencer também aqueles que o exploram".

Eu levara comigo (bem me lembro), para as minhas horas de insônia, O Físico Prodigioso, de Jorge de Sena e, pela defesa impetuosa do seu anticapitalismo, logo me apeteceu ver no Sócrates um físico (ou médico) prodigioso… pela sua tão vincada politização (ou partidarização).

Finda a licenciatura em Medicina, que completou sem nunca deixar de jogar futebol, não sei se ainda bruscamente se afastava da "ditadura do lucro" que nos governa. Mas, sei que lutou pelo PT, nos anos heroicos da fundação deste partido. Enviei-lhe, pelo correio, o meu livro Filosofia do Futebol e tive notícia que o referenciou, em programa da TV Cultura.

Entretanto, há um ano, faleceu. Mas, não esqueço a frase que escutei, em 1983, a um brasileiro, exímio jogador de futebol. A mania do rendimento, do recorde, da medida é, de fato, consequência da alta competição capitalista. Marx tinha razão, ao escrever na Miséria da Filosofia:"a sociedade atual está baseada na concorrência".

Nasce, assim, o mito do êxito, da agressividade, do conflito, do narcisismo mais egocêntrico. No meu livrinho Algumas Teses sobre o Desporto (4ª. Edição, 2010) levantei a interrogação seguinte: "Se não serve o desenvolvimento, para que serve o desporto?" (p. 17).

É que há uma homologia rigorosa entre o desporto degradado pela ausência de certos valores e a estrutura retificada do mercado liberal, onde grande parte da Comunicação Social e dos intelectuais se integram.

Desta forma, são muitas as instituições e os estudiosos que eliminam, nos estudos sobre o desporto (e portanto sobre o futebol), uma relação nítida, entre a prática e a teoria, entre a ciência e a filosofia, entre a economia e a política, quedando-se a mensagem, pelo clubismo, pelo regionalismo, pelo espetacular, pelo sensacional, ou seja, pelo humano deformado e diminuído.

No entanto, no meu modesto entender, se o desporto se resume tão-só aos publicitados e fulgurantes desempenhos dos Ronaldos e dos Messis; se nele não há nada de subversão cultural, de indomesticável liberdade, de signo atuante de uma contestação radical do neoliberalismo que nos explora; se o desporto não passa de negócio, como uma copiosa galeria de bem-pensantes congemina – os praticantes limitam-se a bestas esplêndidas, os espectadores a singelos títeres, acéfalos e acríticos, e os clubes a Sociedades Anônimas Desportivas onde satisfazem a fome de pecúnia alguns atletas, empresários e dirigentes.

Leio os cartazes e as palavras de ordem que os jovens contestatários levantam: "Brasil, vamos acordar. O professor vale mais que o Neymar", "Da Copa, da Copa, da Copa largo a mão. Queremos o dinheiro para a saúde e educação".

O futebol brasileiro está a ser sacudido por um temporal que exige uma dolorosa interrogação social e política. É que não foi o futebol que criou o capitalismo, foi o capitalismo que criou este futebol. Por isso, no futebol-espetáculo, como na sociedade toda, não falta dinheiro, mas fica sempre nos mesmos clubes e… nos mesmos bolsos!

"As receitas do mercado europeu de futebol em 2011/2012 aumentaram 11% e chegaram, de acordo com um relatório da empresa Deloitte, aos 19,4 mil milhões de euros" (A Bola, 19 de junho de 2013). Isto, no meio da maior crise financeira que, durante os meus oitenta anos de idade, alguma vez senti a Europa sofrer.

Donde nasce e porque nasce este dinheiro? Para que o futebol cresça e se desenvolva, ou para que alguns enriqueçam e outros pacoviamente, de rosto afogueado, batam palmas, gratos, veneradores e obrigados?

O futebol não é o sistema; o futebol faz parte do sistema. Por isso, o futebol (quantas vezes já o disse?) reproduz e multiplica as taras da sociedade capitalista. Ele é um dos elementos do mesmo todo que nos explora. A juventude brasileira já o sabe. Daí, a sua contestação. Nas mãos que empunham os cartazes lampeja, com a coragem e a lucidez, um grande clarão de generosidade.

Deixo a todos os jovens contestatários um sincero abraço fraterno. Já é tempo, de fato, de acordar: muito do futebol que por aí se movimenta adormece os marginalizados à recusa da sociedade injusta estabelecida.

 

*Antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.

Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.

Esse texto foi mantido em seu formato original, escrito na língua portuguesa, de Portugal.

Para interagir com o autor: manuelsergio@universidadedofutebol.com.br