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O Brasil em Londres

Hoje é a abertura oficial do maior evento esportivo do planeta, as Olimpíadas de Londres. Para os brasileiros, estes Jogos trazem a peculiaridade de não serem transmitidos pela Rede Globo de Televisão – em TV aberta, a exclusividade é da Record.

Os valores envolvidos e o alcance midiático demonstram que os Jogos Olímpicos da era moderna tomaram proporções inimagináveis pelos gregos e até, até mesmo pelo Barão de Coubertin.

No Brasil, com o crescimento do investimento no esporte olímpico oriundos da Lei de Incentivo ao esporte, a expectativa é quebrar o recorde de medalhas.

A delegação brasileira tem chances de trazer medalhas em futebol, judô, atletismo, natação, vôlei, basquete, iatismo, hipismo e ainda surpeender em esportes como o boxe, o taekwondo e o tênis.

O futebol deve trazer medalhas no feminino e no masculino, tal como o vôlei de quadra e de praia. No basquete, depois de anos, a seleção masculina chega com coindições de beliscar um bronze.

No judô, o Brasil conta com campeões mundiais nas mais diversar categorias, o que ocorre também no iatismo.

O atletismo e a natação concentram as esperanças respectivamente em Maurren Maggi e Cesar Cielo, enquanto o hipismo tem em Rodrigo Pessoa seu maior expoente.

Com relação às surpresas, o boxe e o taekwondo despontam como fortíssimos candidatos.

A expectativa aumenta ainda mais quando nos damos conta de que os próximos Jogos Olímpicos serão no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

Até o momento, em Londres, já foram constatados problemas de transporte e segurança, o que é de se lamentar para uma grande metrópole europeia e que abriga as Olimpíadas pela terceira vez.

Espera-se que além do recorde de medalhas, o Brasil possa aprender com erros e acertos britânicos para realizar Jogos Olímpicos fantásticos. Que possamos fazer do Rio 2016 uma experiência sensacional como a desfrutada por Barcelona em 1992.

Terei a satisfação de aferir “in loco” e comentarei nas próximas colunas.

Por fim, além dos Jogos Olímpicos, merece destaque o acerto do Clube Atlético Mineiro na contratação do Ronaldinho Gaucho.

A cada rodada os jornais europeus têm dado notas de meia página destacando o resultado da partida e a atuação do jogador.

Assim, ainda que o Atlético não consiga o título brasileiro, os esforços enviados na contratação do polêmico Ronaldinho já valeram pelo marketing conquistado.

Conforme já destacado em outras colunas, um bom contrato desportivo pode trazer ao clube retorno desportivo e financeiro e, até o fechamento desta coluna, o Atlético tem desfrutado de ambas as conquistas.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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A grande diferença entre arena e estádio

O texto desta semana visa desmistificar alguns termos muito utilizados atualmente e que nos deixam confusos. Muito se fala em arena e estádio, sendo que ninguém sabe ao certo a diferença entre eles.

Eu acredito que não tenha tanta diferença, funciona mais como uma ideia de inovação, de transformação de um estádio comum em um espaço de espetáculos, o que, arquiteturalmente falando, muda muito pouco.

Arena

A ligação do termo “arena” com os estádios surgiu dos anfiteatros romanos, em que a estrutura é basicamente a de um estádio comum, sem cobertura, com o centro de apresentação (jogos, shows, peças ou batalhas) no centro, no nível mais baixo das arquibancadas, que eram geralmente circulares ou ovais. Os anfiteatros tinham a grande intenção de abrigar um público grande. 

Estádio

O estádio foi criado para partidas esportivas e todos nós sabemos muito bem suas características: ele pode ser a céu aberto, semi coberto ou totalmente coberto.

Posteriormente, para bancar as necessidades financeiras, os usos começaram a aumentar com a realização de shows e eventos religiosos, como o recebimento do papa, por exemplo.

Recentemente, pela necessidade de mostrar que o estádio terá uso, não ficará ocioso, denunciando mau investimento, e garantindo também a sustentabilidade econômica do equipamento, a transformação de um mero estádio em uma “arena” traz a imagem de que o equipamento, assim como os anfiteatros, recebe um leque maior de atividades variadas.

No entanto, é mero discurso. A arquitetura não tem muita diferença, pois é costumeiro se pedir a tal “arena multifuncional”, como se o termo fosse o suficiente para definir conceitos, estratégias ou diretrizes arquitetônicas.

Embora o intuito de ter diferentes usos em um mesmo espaço seja interessante, a forma como é desenvolvida é muito vaga. Seria necessária uma definição mais focada para uma arquitetura específica e diferenciada.

A principal mudança que vemos com o termo é que os estádios (agora transformados em arenas) são necessariamente cobertos. No entanto, essa cobertura – cobrindo todos os assentos das arquibancadas e todos os anéis – se dá pela necessidade atual do público e exigência dos reguladores de campeonatos, como a Fifa, e nada tem a ver com o anfiteatro – este sempre a céu aberto.

Portanto, arena e estádio são estratégias de vendas de um produto igual como se tivesse um conceito diferente. O mesmo acontece com outros termos frequentemente utilizados sem fundamento e sem justificativas, como “legado” e “sustentabilidade”. Puro discurso.

Nota sobre a coluna da semana passada:

A usina de Battersea foi vendida para uma empresa da Malásia, portanto, o sonho de estádio icônico do Chelsea não será concretizado ali.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

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Estamos preocupados com o futuro?

Às vezes me pergunto se estamos efetivamente preocupados com o futuro das marcas dos nossos clubes de futebol. Será que estamos atingindo efetivamente a cabeça (e o coração) das crianças e jovens da nova geração? Como está a comunicação voltada para este público? O que será dos clubes daqui 20, 30 anos, uma vez que as crianças que estão hoje na faixa dos 10 anos de idade pertencerão à faixa da população economicamente ativa até lá?

A reflexão veio da leitura da reportagem do Mundo do Marketing, intitulada “Quem são e por que as marcas não entendem os consumidores infantis”.

Percebe-se, pelo relato, a dificuldade que as marcas do meio corporativo têm para atingir o público infantil diante de um mundo cada vez mais digital, com reduzida fração no interesse por bens tangíveis para um apreço maior sobre as coisas virtuais. Isso que estas empresas estudam e procuram monitorar as preferências do seu público-alvo.

A mídia esportiva, em alguns casos, tem tentado esta aproximação, nomeadamente por meio dos “Fantasy Games” e pela interação em alguns programas com as redes sociais e a internet. Mas ainda são ações isoladas, sem um efetivo aproveitamento dos clubes.

A constatação serve apenas para efeito de reflexão, mesmo, uma vez que as mudanças e inovações tardam em muito por ser implementadas no futebol brasileiro.

E o motivo todos sabem: a única preocupação é se o clube deve ou não demitir o treinador no próximo domingo…

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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O crime não compensa quando o esporte é opção

Estava conversando com amigos meus sobre os rumos da eleição para a prefeitura de Curitiba.

Muita imaginação e adivinhação política por parte de todos nós.

Comentários sobre as articulações de bastidores, possíveis e improváveis coligações.

Um tanto de decepção sobre como os rumos de nossa democracia são maltratados no país.

Em boa parte por nossa culpa, sim, pois ficamos alheios a uma cobrança e participação popular mais ativa, que extrapole o direito de votar e ser votado.

Eis que a conversa começou a pender sobre como combater os altos índices de criminalidade e violência, atualmente também associados ao tráfico e consumo de drogas.

Disse, com firmeza, mas ressabiado da repercussão: “o esporte pode ser, sim, um grande vetor de mudança positiva desse cenário. Mas associado, obrigatoriamente, à educação”.

Vi que meus amigos se entreolharam e assentiram frente à sugestão.

Fui além e disse que a prática esportiva ajuda na integração por meio dos esportes coletivos; na concentração e disciplina a partir dos esportes individuais; a formação de valores e do caráter das pessoas resta favorecido; a produção intensa de adrenalina, endorfina, dopamina.

Sei lá, muito hormônio desses que literalmente “surravam” o corpo e a mente, fazendo com que as únicas coisas que eu queria fazer, ao chegar em casa dos treinos, era comer, ler e dormir.

A conversa foi ficando mais rica, na medida em que essa experiência democrática e participativa era alimentada com ideias para viabilizar a boa intenção, mas de maneira prática.

Aumentar e melhorar as instalações esportivas nas escolas e centros públicos e privados; investir na qualificação dos professores; criar programas de incentivo financeiro vinculados ao desempenho escolar e esportivo; envolver as comunidades e famílias locais.

Alguns se perguntam se, efetivamente, os indicadores do esporte, nesse contexto de prevenção e redução de problemas vinculados à criminalidade, são passíveis de mensuração.

Afirmo que sim, pois recebi de um amigo escritor e ativista social da Irlanda, Don Mullan, um relatório da Universidade de Chicago que ampara esta iniciativa.

A partir de um programa chamado World Sport Chicago and Youth Guidance, voltado para a redução da violência juvenil, o Laboratório de Criminologia da Universidade realizou estudo que comprovou que a terapia cognitiva comportamental associada ao aconselhamento e à prática esportiva teve significativo impacto no aumento do engajamento nos estudos e a redução da violência em 43%.

O estudo foi apoiado em jovens do sexo masculino de Chicago que vivem em áreas de alto risco social na cidade.

Gostaria de ver esse tipo de discussão qualificada nos debates e nos programas de governo/mandato nestas eleições.

Aliás, fiz um pouco da minha parte, ao sugerir a destinação do orçamento da cidade, para 2013, por meio do serviço oferecido à população para balizar a votação da Lei Orçamentária Anual.

Cobrar de maneira eficaz é o segundo passo para transformarmos o país – também por meio do esporte.

Só o primeiro passo – a indignação e reclamação – já não adianta mais.

O endereço era http://loa.curitiba.pr.gov.br/.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br 
 

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Paramos no tempo?

Queria começar a coluna desta semana com uma afirmação do treinador Levir Culpi no último programa “Bem, Amigos!” quando questionado se o mesmo estava ansioso para voltar a trabalhar no mercado nacional.

“Eu fiquei 5 anos no Japão e aprendi muito com o país. Agora que voltei (ao Brasil) estou ouvindo os comentários e fico impressionado como o futebol brasileiro não evoluiu”, afirmou Levir.

Alguma surpresa?

Estamos discutindo há algum tempo que precisamos evoluir e nos adequar à nova realidade do futebol mundial.

Sabemos que novos métodos de trabalho e novas formas de jogar vêm sendo discutidas e desenvolvidas há tempos em países como Espanha, Holanda, Alemanha, Portugal entre outros.

Sabemos muito bem disso.

A fala do treinador é a constatação de alguém que esteve dentro do processo, saiu do país, evoluiu como treinador e voltou esperando que nosso futebol tivesse acompanhado a evolução mundial. Mas isso não ocorreu.

A minha dúvida é: será que continuaremos parados no tempo? Até quando?

Essa estagnação é culpa do ambiente, da resistência ao novo, do continuísmo, do imediatismo e da própria evolução dos nossos conceitos.

Enquanto discutimos a tática como o centro das atenções e a Periodização Tática como a solução dos problemas, existem outras teorias mais recentes que já colocam por terra muitas coisas que achamos ser o suprassumo do processo.

O fato é que precisamos fazer algo e continuar lutando, pois não podemos ficar parados!

A fala do Levir Culpi mostra que essa estagnação está incomodando a todos. Só espero que esse incômodo gere algum tipo de atitude para a mudança.

Sei que isso já está acontecendo e há profissionais que estão à frente de seu tempo (se é que podemos dizer isso), mas o trabalho ainda é lento e desgastante.

Acredito que precisamos ser ouvidos e, quando isso acontecer, temos que estar preparados para ajudar na real mudança!

Ela vai acontecer, mais cedo ou mais tarde (Espero que seja o mais rápido possível).

Vamos nos preparar e buscar algo além! Não vamos ficar copiando de uma forma precária conceitos desse ou daquele autor, e sim inovar, propondo conceitos próprios.

Há muita coisa para se estudar e aplicar no jogo! Inove!

Para terminar, uma frase de Steve Jobs, considerado um dos maiores nomes da inovação:

“Você quer vender água com açúcar o resto de sua vida, ou quer uma oportunidade para mudar o mundo?”

Vamos inovar!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br
 

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As regras certas e a dinâmica do jogo: treinando a organização ofensiva – parte III

O tema desta semana se refere à sequência das colunas publicadas meses atrás relativas ao treinamento e, consequentemente, ao jogar de qualidade. Se você não teve oportunidade de ler a primeira ou a segunda partes, aconselho que retome a leitura a fim de que o texto não adquira uma conotação de “receita de bolo”, para ser reproduzida sem a mínima reflexão.

Conforme havia mencionado, as sugestões de regras apontadas nas próximas linhas favorecem o treinamento da organização ofensiva de sua equipe. Para continuar, outro conceito que não pode ser perdido na interpretação das regras e, obviamente, na elaboração e aplicação do treino diz respeito aos fractais, abordado noutra coluna semanas atrás.

Para treinar alguns Meios Táticos Ofensivos como Desmarques, Apoios, Mobilidade com ou sem Trocas de Posição, as seguintes regras podem ser utilizadas para compor o jogo:

•Dividir o campo de ataque em diversos setores e a equipe pontuar quando receber passes em setores desocupados pelo adversário. Esta regra força os jogadores da equipe que detém a posse de bola a buscarem constantemente os espaços vazios no campo de ataque do adversário;

•Dividir o campo de ataque em diversos setores e o atleta que fizer o passe deve mudar de setor, caso contrário, pontuação ao adversário. Esta regra faz com que o atleta que realizou o passe internalize o conceito de dar sequência a jogada mesmo após ter realizado uma ação direta com bola;

•Dividir o campo de ataque em diversos setores e a cada passe feito no campo de ataque todos os atletas que estão no campo ofensivo (com exceção do jogador que recebeu o passe), devem mudar de setor. Uma regra que favorece significativamente a mobilidade ofensiva, mas deve ser feita somente quando os atletas dominarem competências prévias relativas à movimentação da equipe, pois a desordem gerada no jogo devido às constantes mudanças de setores pode dificultar a aplicação do jogo;

•A equipe pontuar quando houver uma troca de posição entre dois jogadores no campo de ataque, em que um dos jogadores responsáveis pela troca receba um passe. Regra que implica que a equipe que possui a posse de bola execute trocas de marcação com o objetivo de dificultar e desorganizar a organização defensiva adversária. Como envolve somente três jogadores (o que faz o passe, além dos dois que realizam a troca), esta regra possui maior facilidade de aplicabilidade;

•A equipe pontuar ao trocar um número determinado de passes no campo de ataque sem poder devolver o passe para o jogador no qual o atleta o recebeu. Espera-se com esta regra que o atleta que fez o passe não seja o próximo a realizar o apoio e que demais atletas aproximem-se do que recebeu a bola, abrindo-lhe linhas de passe;

•Restrição do número de toques na bola por jogador. Regra bastante utilizada e propagada para acelerar o jogo ofensivo, logo, exigir maior mobilidade coletiva;

Para estimular o Meio Tático Ofensivo de Fintas e Dribles, como sugestões de regras:

•Delimitar um setor próximo à zona de risco em que um drible realizado precedido por um passe equivale a uma pontuação. Estimula os atletas a tentarem jogadas individuais em setores próximos ao alvo em que a equipe precisa manter a posse de bola;

•Gol precedido por drible em setores próximos à zona de risco ter pontuação maior que demais gols. Regra que privilegia o drible que antecede a finalização, ou seja, uma das poucas circunstâncias do jogo em que este recurso precisa ser utilizado;

•Dividir o campo em setores em que o drible é permitido. Executá-lo em setores não permitidos e a equipe perder a posse de bola, pontuação para o adversário. Regra que busca o aprendizado coletivo dos setores ideais para a realização do referido Meio Tático;

Lembre-se de dividir corretamente os pontos para o jogo ficar competitivo. Do contrário, a Lógica do Jogo criada pode privilegiar comportamentos coletivos distantes do que idealiza para a equipe.

Aguardo sugestões de como você treinaria cada um destes Meios Táticos. Esta troca de informações é muito enriquecedora.

Para finalizar, lembre-se também que as preocupações técnicas-físicas-mentais para o desenvolvimento do jogo devem acontecer. Por isso, o controle adequado do tempo de estímulo, tamanho do campo, ações técnicas predominantes e até a observação e intervenção diante de comportamentos individuais durante o jogo devem ser estabelecidas para que o seu TODO seja contemplado.

E ainda falam que o futebol (ensinar e jogar) é fácil…

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br
 

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Como nasce um esporte olímpico

Em uma semana o mundo celebarará o início dos Jogos Olímpicos de Londres, que trará ao mundo disputas nas mais diversas modalidades.

Em uma análise rápida do programa percebe-se a ausência de vários esportes. Assim, surge a dúvida: o que é necessário para se tornar um esporte olímpico?

Quem decide se um esporte entra ou não em um programa olímpico é o COI.

Em regra, o requisito para se tornar um esporte olímpico é de que seja praticado por homens em, no mínimo, 75 países e quatro continentes e, no caso das mulheres, se é praticado, no mínimo, em 40 países e em três continentes.

Entretanto, enquadrar-se nesta regra geral não é o suficiente para que o esporte seja incluído no programa dos Jogos Olímpicos, uma vez que o COI, para evitar um número gigantesco de esportes e, consequentemente, de atletas, inviabilizando assim a organização dos Jogos, definiu que um esporte somete será incluido com a saída de outro. Essa decisão é tomada pelo COI, que analisa cada modalidade.

Em 2004, o COI criou uma comissão do Programa Olímpico encarregada de analisar o programa olímpico e todos os esportes não-olímpicos reconhecidos.

A função é de estabelecer um abordagem sistemática à criação do programa olímpico para cada celebração dos Jogos. Neste esteio, formulou-se sete critérios para julgar se um esporte deve ser incluído no programa olímpico.

Tais critérios são a história e a tradição do esporte, a universalidade, a popularidade do esporte, a imagem, a saúde dos atletas, o desenvolvimento da Federação Internacional que rege o esporte e os custos de exploração do esporte.

Nenhum esporte pode ser incluído no programa no ano de realização dos Jogos. O esporte deve ser admitido no programa com sete anos de antecedência.

Destarte, na 114ª Sessão do COI, em 2002, o programa dos Jogos Olímpicos limitou a um máximo de 28 esportes, 301 eventos e 10.500 atletas.

Em 2005, na 117ª Sessão do COI, a primeira grande revisão do programa foi realizada e excluiu-se o beisebol e o softbol do programa oficial dos Jogos de Londres 2012. Como não houve acordo para a inclusão de dois outros esportes, o programa de 2012 contará com apenas 26 esportes.

Os Jogos de 2016 e 2020 voltarão a ter o máximo de 28 esportes, com a adição do rugby sevens e do golfe.

Mesmo não estando no programa olímpico, um esporte pode ser “reconhecido” pelo Movimento Olímpico. É algo como uma ante-sala à sua inclusão no programa. Para que isso ocorra, a Federação Internacional do esporte deve existir há, no mínimo, dois anos, além de provar para o Movimento Olímpico os requisitos e que o esporte possua estatuto e um caráter olímpico. Assim, o programa para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro já está encerrado.

Há quem diga que é possível incluir uma modalidade de um dos esportes do programa, como, por exemplo, o beach soccer como modalidade do esporte futebol. No entanto, esta polêmica argumetação será objeto de outra coluna.

Sorte aos atletas brasileiros no Jogos Olímpicos de Londres. Estarei lá no dia 27!

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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Chelsea em Battersea

Há cerca de dois meses, o Chelsea publicou que poderia mudar sua casa para a antiga usina termoelétrica de Bettersea. Trata-se da maior construção de tijolos da Europa e, para que pudesse ser um novo estádio para o clube inglês, deveria ter uma grande gama de especialistas para o projeto.

A ideia é difícil de sair, pois alguns torcedores têm direitos financeiros sobre o Stamford Bridge, além disso, a construção é complicada.

Além disso, há cerca de três semanas, a Ernst & Young, empresa que gerencia o prédio, informou que um consórcio malaio venceu a concorrência e terá direito a comprar a construção.

Segundo comunicado público divulgado, as empresas compatriotas Setia e Sime uniram-se e fizeram uma proposta de 400 milhões de libras (pouco menos de R$ 1,3 bilhão) para assumir o controle da antiga fábrica. O consórcio pretende usar o local da usina e terrenos próximos para erguer um enorme complexo comercial e residencial.

No entanto, deixando a viabilidade de lado, explicarei, baseado na minha experiência com restauro, como seria o processo de projeto desse novo estádio com capacidade de 60.000 torcedores (contra 40.000 do atual).



Acima, Stamford Bridge, casa atual do Chelsea

Para a concretização deste projeto, a equipe deveria ser formada por dois grupos: o de projeto de estádios (especializado) e o grupo de restauro (composto por arquitetos especializados em restauro, historiadores, restauradores para fazer prospecções e topógrafos).

Para início, deveria ser feito o levantamento detalhado, do que existe hoje, suas patologias e também prospecções para descobrir materiais e cores originais. Junto à equipe de projeto, decidiria-se o que deveria ser preservado, então. Independente do quê, tudo deveria ser registrado em desenhos e em fotografias.

A partir daí, cada equipe desenvolveria o seu projeto, conversando entre si para compatibilização das ideias e interferências estruturais. A parte de restauro iria identificar todos os serviços a serem feitos (limpezas, lavagens, trocas de materiais, consertos, impermeabilizações, restauro de elementos, etc.) e definiria as novas intervenções, com especificações de materiais e cores que se destaquem na construção salientando a nova intervenção.
 

“Restaurar um edifício não é mantê-lo, repará-lo ou refazê-lo, é restabelecê-lo em um estado completo que pode não ter existido nunca em um dado momento.”

Viollet LeDuc, restaurador renomado

 

A intenção para o novo estádio do Chelsea seria usar a imagem icônica da construção para marcar o estádio. Para isso, as torres seriam mantidas e lavadas. No entanto, o perigo é se tornar o antigo Wembley, com uma arquitetura pesada e que foi perdida na renovação mais recente. Pode funcionar como ícone, mas não necessariamente de beleza.

A descaracterização da construção é necessária para a construção do estádio e, eu, como profissional da área, acredito que não seja um benefício nem para o Chelsea, nem para a história da Usina de Battersea.

Para quem não conhece, a usina já foi capa do álbum do Pink Floyd, “Animals”, e também de gravação de vídeo dos Beatles (Help!). É um edifício muito grande, muito famoso, com história importante e com suas peculiaridades.

É também protegida em Londres, o que dificultaria ainda mais a intervenção drástica que uma arena exigiria. Teria que ser muito modificado para conseguir ser transformado em estádio.

Vale mais a pena se manter em casa, Chelsea!

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Do “Diablo” para o “Devil”

Não precisa aparecer na camisa para se aproveitar o potencial da marca de um clube. É sob esta perspectiva que iniciamos esta coluna para falar de um case específico, o do Casillero del Diablo ao patrocinar o Manchester United, cujo acordo teve início em agosto de 2010.

Uma das maiores vinícolas do mundo, a chilena Concha y Toro, utiliza a marca de um de seus vinhos, o Casillero del Diablo, facilmente associado aos “Red Devils”, ou “Diabos Vermelhos”, como é conhecido o clube de Manchester.

A parceria prevê, além do uso da marca de ambos para ações de marketing das marcas, o fornecimento de produtos, ou seja, o Casillero del Diablo é o vinho oficial vendido em jogos em Old Trafford, apenas para citar um exemplo.

A Concha y Toro, por sua vez, utiliza o emblema do Manchester United para agregar valor a seus produtos e criar produtos licenciados com a merca do clube.

Entre outras ações de marketing, temos alguns vídeos que demonstram a busca de sinergia entre as duas marcas e a utilização da imagem de ídolos do clube para a promoção do Casillero del Diablo.
 


 


 

O breve relato serve para reforçar o conceito de valores que um patrocínio esportivo possui, que vai muito além da visibilidade na camisa de jogo, conforme já abordado aqui na Universidade do Futebol em outras colunas.

“Manchar” a camisa continua não parecendo a atitude mais inteligente, tanto para os patrocinadores quanto para os patrocinados.

Permanecemos tendo um mar de oportunidades dentro do escopo de patrocínio a clubes de futebol. As marcas dos clubes são muito fortes, basta usar um pouco de criatividade para atingir a gama de torcedores que os mesmos possuem.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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A conquista da América

Está aberta a temporada de excursões e jogos amistosos, dos grandes clubes europeus, para a América do Norte.

Mais precisamente para os Estados Unidos.

Essa prática vem sendo repetida nos últimos anos e tem provocado benefícios tanto para o futebol europeu quanto para o desenvolvimento do mercado americano.

O interesse em acompanhar de perto clubes como Milan, Real Madrid, Barcelona, Chelsea e Manchester United movimenta o contexto desse esporte no país, ao atrair canais de TV – que irão transmitir os jogos e torneios para todo o mundo –, estádios lotados para ver grandes ídolos de perto, bem como oportunidades de intercâmbio de negócios.

Naturalmente, ao se associar a inteligência norte-americana na formatação e gestão de eventos esportivos, com a necessidade de conquista de novos mercados e consequente geração de receitas, o que se vê é um movimento de internacionalização do futebol, como atividade econômica, cada vez maior.

Em torno das disputas dentro de campo também existe uma avidez junto à exploração plena de oportunidades comerciais: venda de merchandising oficial; ingressos para treinos; ingressos para os jogos; venda dos direitos de TV; negociação de patrocínios locais; clínicas para crianças; observação de talentos locais e/ou transferência de jogadores consagrados, mas em final de carreira, para os EUA.

Um grande exemplo: o Real Madrid cobrará pouco mais de 300 euros para quem quiser acompanhar um treino do clube, com direito a sessão especial de autógrafos com Casillas e Sergio Ramos. Os mais baratos estão cotados a quase 70 euros.

Já para os jogos amistosos, cobram-se 448 euros para ver o clube enfrentar o Los Angeles Galaxy com Beckham em campo.

Ainda há outro fator de geração de receita que é a cota mínima que os clubes cobram para que uma determinada empresa adquira os direitos de exploração comercial (licenciamento) oriundos dos jogos/excursão.

Até mesmo clubes tidos como pequenos, como é o caso do Celtic, da Escócia, vão aproveitar a pré-temporada para expandir sua marca e gerar novas e valiosas receitas.

Já há algum tempo que se esboça uma discussão maior, aqui no Brasil, para adequar o calendário nacional – maior entrave alegado pelos clubes – ao europeu, o que permitiria, dentre outras coisas, a realização de jogos amistosos e a participação de torneios lá fora.

Algo ainda mais evidente em tempos de estrelas do porte de Seedorf e Forlán – ícones internacionais que, associados a clubes de êxito recente dentro e fora de campo, como Corinthians, Santos, Inter, São Paulo, podem despertar o interesse da audiência e dos mercados estrangeiros.

Também gostaria de ousar pensar que o Brasil poderia receber estas excursões dos clubes europeus aqui dentro de casa.

Ou não estamos na América?

Diferentemente do que ocorreu na história do continente, não vejo como algo predatório, extrativista.

Vejo como sinal de evolução da nossa indústria do futebol e, sobretudo, que também o Velho Mundo quer conhecer de perto o Novo Mundo.

E ensinar bastante coisa para nós.

Deixariam mais do que levariam na bagagem de volta.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br