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Engenhão

Com o alto número de jogos somado à grande área de sombra proporcionada pela cobertura do Engenhão, os problemas do gramados são duros de combater. A alta frequência de jogos desgasta, enquanto a falta de luz natural faz com que pragas se proliferem.

Recentemente, o estádio adquiriu um equipamento moderno, de iluminação artificial a fim de suplementar a iluminação no gramado, principalmente nos pontos mais críticos. No entanto, os problemas não serão resolvidos sem um calendário de jogos mais coerente e consciente.

Aí é que o Botafogo entra em um impasse: como aumentar as rendas diminuindo os jogos?


 

Com jogos com frequência de quatro a seis mil torcedores, aumentando somente com a presença de Seedorf, e ainda somente nas primeiras partidas (com cerca de 23.500 espectadores), o time não conseguiu, nem mesmo, lotar o estádio (com capacidade atual de 47.000).

Três motivos podem estar diretamente ligado com o baixo público: o rendimento do time em campo, a forte ligação do clube com o torcedor e a localização do estádio.

Todos os itens são trabalháveis. O primeiro, com trabalho direto no campo; o segundo, com uma boa equipe de marketing e espelhamento em grandes times europeus, ou até mesmo no Internacional; já o terceiro é um item mais complicado. Daí a importância da escolha do local onde se construir um estádio. Temos locais da Copa, mesmo, com problemas e duvidosos da eficiência. Mas, voltando ao Engenhão, algumas coisas podem ser facilitadas.

A localização do Engenhão não é das melhores, próxima ao Complexo do Alemão, recentemente alvo de tentativa de pacificação e atuação da polícia. Esse fator não traz segurança total de acesso. É um problema social que interfere diretamente na frequência.

O medo atinge diretamente famílias que vão ao estádio juntos, os mais precavidos, a presença de crianças, mulheres e idosos. E com certa razão. Quem sai de casa para ir com dificuldade ao estádio, com riscos e ver o time do coração perder?

Além disso, o transporte público é complicado. Além de distante, o estádio não conta com metrô, o estacionamento é complicado, e não são tantas linhas de ônibus que passam ali. Ou seja, o custo, indo de carro ou táxi, também é grave e não é democrático.

A Prefeitura do Rio de Janeiro poderia muito bem melhorar o transporte até a região, não só pelo futebol, pelo Botafogo, pois não seria justificável, mas pela sociedade, mesmo. Iluminação na região é essencial para a segurança, assim como fiscalização, para quem for de carro ter o mínimo de tranquilidade.

São coisas simples, mas que podem trazer mais público ao Engenhão.

O estádio precisa de mais identidade. Não basta um escudo estampado no gramado, nem charme com os desenhos de listras no mesmo. Precisa que o torcedor se sinta totalmente em casa, e não em um estádio qualquer.

Precisa achar ações das quais a torcida participe. Mesmo fora de jogo, que ela tenha motivos para visitar o estádio. Isso pode gerar renda.

O Botafogo precisa trabalhar em cima de tudo isso, ou continuará com uma bomba nas mãos.

Sem mudanças nesse sentido, jamais o Engenhão poderá ser sede nas Olimpíadas, nem mesmo na Copa das Confederações, ou o público será baixo novamente, com gastos olímpicos.

O Rio de Janeiro precisa enxergar as possibilidades e necessidades para lucrar com os eventos e não ser um fiasco.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

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Inteligência de jogo e Cristiano Ronaldo: o desempenho complexo no futebol

No blog “Falemos de Futebol” há uma entrevista, datada de 2009, feita por Nuno Amieiro (um dos autores do livro “Por que tantas vitórias?”) com o professor Vitor Frade, idealizador da “Periodização Tática”. É uma entrevista com pontos bem interessantes para debate.

Separei um trecho dela (abaixo) para que possamos fazer algumas reflexões. Está como aparece no blog, com o “português de Portugal”.

Antes, contudo, vou deixar solta no texto uma pergunta (que retomarei adiante). Vejamos: o que precisa ter um jogador para jogar bem futebol em alto nível?

Agora, ao trecho:

“Nuno Amieiro: Deixe-me pegar agora no exemplo do Cristiano Ronaldo… A generalidade das pessoas está claramente convencida de que o que ele é hoje enquanto jogador se deve em grande parte ao trabalho de ginásio (eu: academia, trabalho com pesos, etc.) que desenvolveu e provavelmente continua a desenvolver…

Vitor Frade: Isso rebate-se com facilidade. O Cristiano tem um morfotipo e joga numa posição que pode permitir que o lado atlético seja um acrescento. Mas eu penso que a juventude dele e o facto de estar a jogar em Inglaterra (eu: na época da entrevista o Cristiano Ronaldo jogava no Manchester United) ainda não o fez dar-se conta do desperdício que é o não uso tão regular da capacidade de drible, de simulação e de engano que ele tinha. E o jogo assente neste padrão atlético em que ele se está a viciar e do qual beneficiam os abdominais e o porte que ele tem, tirou-lhe algo que ele também tinha potencialmente, que era aquele poder de «ginga», que é mais o registo (eu: registro), por exemplo, do Messi.

E eu pergunto, alguém no seu perfeito juízo é capaz de dizer que o Cristiano Ronaldo é melhor do que o Messi? Na melhor das hipóteses dirão que um é tão bom quanto o outro. E o Messi é exactamente o oposto em termos de morfotipo: é pequeno, enfezado,… E é doente, pois tem problemas metabólicos.

Acho que o que é fundamental é que o jogador tenha a capacidade de resistir e de ter força… Mas é importante que se perceba o que eu quero dizer com isto, pois não tem nada a ver com o entendimento comum… Repare na conversa que há pouco estávamos a ter sobre o Fábio Coentrão. O Coentrão, sendo um indivíduo débil, frágil, numa disputa de bola contra dois jogadores matulões do FC Porto, o Cissokho e o Rolando, conseguiu, com uma «ginga», sentar os dois e ir embora com a bola… Isto, para mim, é que é ter força. Ter capacidade de arrancar, travar, voltar a arrancar mas pelo lado contrário…”

Pois bem. Independente do debate que vou propor a partir deste trecho, sugiro a leitura da entrevista na íntegra no blog (que parou de ser atualizado em 2009).

Então, vejamos.

O que você acha do apontamento feito por Vitor Frade, a respeito do desenvolvimento atlético do jogador Cristiano Ronaldo, quando argumentou em sua resposta, que a “aposta” em tal desenvolvimento deprimiu-lhe (tirou-lhe) a “ginga”?

O que você acha da associação feita por ele sobre o fato de Messi ser um jogador muito bom (melhor que Cristiano, ou na melhor hipótese – para o jogador português – “tão bom quanto”) e ter a “ginga” como marca registrada (além de pequeno, fisicamente falando)?

Jogadores de futebol podem alcançar o sucesso no alto nível competitivo, adotando caminhos diferentes, sendo oriundos de culturas diferentes, apresentando características morfológicas diferentes, com distintos comportamentos e distintas formas de jogar.

Seria justo com a Complexidade atribuir, por exemplo, à capacidade de driblar de um jogador, ou à sua potência muscular de membros inferiores, o sucesso do seu jogar (ou usar tais critérios para dizer que o jogador “A” é melhor ou pior que o jogador “B”)?

Não seria o Cristiano Ronaldo da época de Manchester United mais eficiente, perigoso e importante para a equipe, do que em sua época em Portugal? Não seria esse Cristiano Ronaldo, da Inglaterra, o que despertou o interesse do espanhol Real Madrid, e o alçou de vez como um dos melhores do mundo?

Reparem que não estou eu aqui dizendo (ou escrevendo) que o português, é melhor jogador depois que partiu de sua terra natal, em função de um motivo “X” ou “Y”. Estou insinuando apenas que ele melhorou, sem fazer atribuições a motivos específicos.

Isso quer dizer, que não seria simplesmente por “gingar” mais, ou menos, ou estar menos ou mais forte que Cristiano Ronaldo tornou-se um jogador melhor! Isso quer dizer, também, que não podemos julgar, baseado em nossas preferências particulares o desempenho de um futebolista.

O jogador torna-se melhor, mais eficaz, decisivo e determinante conforme aprimora sua capacidade de perceber?interpretar?avaliar?decidir?agir (percebendo aquilo que é importante, interpretando e avaliando corretamente, decidindo melhor e tendo capacidade de agir de maneira condizente com suas decisões), o mais rápido possível e de maneira mais econômica possível (economia complexa).

E, isso tudo, respeitando sua individualidade.

O jogador torna-se melhor, conforme fica mais inteligente para jogar. E então, o que precisa ter um jogador para jogar bem futebol em alto nível?

De certo não é driblar mais, ou correr mais. O que ele precisa, na essência, é expressar em ato, respostas excelentes aos problemas circunstanciais e imprevisíveis, emergentes durante uma partida. Cada jogador a sua maneira econômica, sem estereótipos, sem cartesianismos…

Se o desenvolvimento atlético de Cristiano Ronaldo atrapalhou sua “ginga” eu não sei. Mas que ele é melhor jogador hoje e que faz mais gols do que antes em Portugal, não há dúvidas – os “scouts” estão aí para mostrar.

Viva a Complexidade!

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A várzea forma melhor que os clubes brasileiros?

Certa vez encerrei uma de minhas colunas com a seguinte pergunta: a várzea forma melhor que os clubes brasileiros?

Na ocasião já deixava em pauta (para reflexão) um tema que tem, com os Jogos Olímpicos de Londres, um momento bem pertinente para abordá-lo.

No futebol masculino, dois atletas brasileiros tem se destacado na campanha que levou a seleção à final dos jogos diante do México.

O primeiro deles é Leandro Damião, que até a final havia marcado seis gols e estava isolado na artilharia da competição. Numa busca da história profissional do atleta, que tem 23 anos, podem ser extraídas algumas informações interessantes.

Reprovado em diversas peneiras de grandes clubes do futebol brasileiro, o atacante conseguiu espaço no futebol catarinense e foi uma das revelações do campeonato estadual de 2009 pelo Atlético de Ibirama-SC.

Havia ingressado no clube aos 18 anos, já em fase final de formação, e em menos de duas temporadas foi negociado junto ao Internacional-RS. Com a manutenção de seu desempenho e dos gols, num curto espaço de tempo chegou à seleção brasileira.

Com seu poder de posicionamento-remate, Leandro Damião integra a reduzida lista dos melhores centroavantes do futebol brasileiro na atualidade (que ultimamente, além de meias, também tem recorrido a atacantes estrangeiros).

Ver que um atleta chegou à seleção brasileira sem ter passado um período de formação em qualquer categoria de base (ao menos assim é a informação divulgada) permite alguns questionamentos e reflexões: será que os clubes brasileiros não estão conseguindo formar jogadores de alto nível para compor seu elenco principal e, inclusive, o da seleção?

Quais competências de Leandro Damião foram adquiridas na várzea que permitem que o atacante seja um dos melhores da função no futebol nacional?

É possível sistematizar o ensino de tais competências na base para aumentar o número de jogadores com potencial para servir à seleção brasileira?

Será que os clubes brasileiros, muitas vezes, retiram o Jogo dos nossos atletas e fragmentam o futebol (e os treinamentos) em suas quatro vertentes, distantes da realidade competitiva? Será que este não pode ser um dos grandes motivos da ausência de melhores jogadores no nosso futebol?

Mudando de assunto para o segundo atleta, menciono Neymar e suas atuações nos jogos olímpicos. Após um período de desempenho não excepcional, em que foi bem marcado na Libertadores pelos adversários estrangeiros das fases finais e pelo Corinthians (que tem os melhores princípios de jogo defensivos do futebol brasileiro), mais de um veículo de comunicação elogiou o atleta.

Segundo a mídia esportiva, mesmo diante da sua limitação de análise de jogo, mas respaldada pela opinião de Mano Menezes, o jogador está mais coletivo, solidário e evitando o drible (e a consequente perda) quando bem marcado.

O fato é que muitos têm afirmado que o período que Neymar tem passado com a seleção tem feito bem para o seu crescimento profissional.

Sabemos que o tempo em que os atletas ficam com as seleções, seja de base ou principal, são curtos e que muitas vezes o tempo de preparação para as competições são insuficientes. Diante disso, no tempo que está no cargo, Mano Menezes tem tentado desenvolver uma cultura de jogo que seja aplicada do sub-15 à seleção principal. Em médio-longo prazo este trabalho pode trazer resultados (não me refiro somente às vitórias). Enquanto isso, Neymar logo voltará ao seu clube e, se mal orientado, velhos comportamentos de jogo podem vir à tona.

Para facilitar o trabalho de Mano (e ele já afirmou isso em várias oportunidades), é urgente o desenvolvimento nos clubes de uma Filosofia condizente com os princípios de jogo do futebol moderno. Infelizmente, ainda vemos vários exemplos de projetos embrionários, ou então, inexistentes.

Se o cenário dos clubes assim permanecer, logo terei que publicar outra coluna. Desta vez, intitulada:

A seleção forma melhor que os clubes brasileiros?

Seria somente mais uma inversão de valores do nosso confuso futebol!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br
 

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Projeções do COB para 2016: crescimento de 100%

Os Jogos Olímpicos de Londres caminham para o seu final e o Brasil conquistou 15 medalhas e há expectativa de outras em modalidades como o vôlei, cujas finais ainda não ocorreram. Assim, a meta estabelecida pelo COB já foi atingida.

Há 20 anos, em 1992 (Barcelona), foram três medalhas; em 1996 (Atlanta), quinze; em 2000 (Sidney), doze; em 2004 (Atenas), dez; e em 2008 (Pequim), quinze. Dessa forma, a tendência é que se mantenha a média recente que atesta a evolução da equipe olímpica brasileira.

Os investimentos no esporte de alto rendimento aumentaram 48% desde Pequim e para o ciclo olímpico do Rio esta verba deve aumentar de 370 milhões de dólares para 700 milhões de dólares.

Com este aumento, o Comitê Olímpico Brasileiro tem a intenção de dobrar o número de medalhas, conquistando trinta em 2016.

Este crescimento de 100% é superior ao chinês que, de 63 medalhas em Atenas (2004), alcançou 100 medalhas em Pequim (2008), um acréscimo de 59%.

Além disso, pela proporção investimento x medalha, cada pódio chinês custou 30 milhões de dólares,enquanto cada conquista brasileira custará 23,3 milhões de dólares.

Importante destacar que medalhas olímpicas não podem ser compradas e que só o dinheiro não é suficiente, deve haver instituições, qualificação de treinadores, atletas experientes, enfim, o investimento deve ser contínuo.

Outro aspecto importante constado pelo COB é de que as grandes potências olímpicas para manterem seu padrão de medalhas devem conquistá-las em pelo menos treze modalidades, e o Brasil costuma chegar ao pódio em poucas categorias.

Metade das conquistas brasileiras são oriundas de vela, vôlei e judô. Em 2016, o COB pretende conquistar medalhas em dezoito modalidades.

A fim de alcançar a meta de 30 medalhas em 18 modalidades, o COB utilizará um programa de computador que levará em conta o número de medalhas em disputa em cada modalidade e dentre elas está o boxe, que conquistou três medalhas em Londres.

Ademais, será conferida experiência internacional aos atletas a fim de se evitar deslumbramentos.

Se tudo der certo, daremos um salto fantástico no Rio de Janeiro em 2016. Entretanto, deve-se ficar atento para que o crescimento seja duradouro como o chinês e não fracassado como o grego, que após avançar 23% entre 2000 e 2004 (saltou de 13 para 16 medalhas), conquistou apenas quatro em 2008.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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Clubes buscam novos endereços

Com a desatualização de suas casas, muitos clubes, no Brasil e em outros países, buscam novos endereços para ter seus estádios. O grande motivo é a impossibilidade de reformar, por limitações do entorno ou da capacidade do equipamento atual.

O Chelsea, como mostrei em uma coluna aqui na Universidade do Futebol, está em busca de um novo local para um estádio icônico e com capacidade maior. O Corinthians já deixou de ter o Pacaembu como palco principal de seus jogos para ter agora seu próprio estádio. Assim como o Grêmio e como muitos outrosclubes italianos e suas modernizações visionárias.

É totalmente compreensível a busca por novos espaços que sejam fonte renda e que tragam mais identidade e força para o clube. No entanto, como ficam os vários estádios abandonados? Virarão museus? Um galpão abandonado é facilmente transformado em edificações para outras atividades, mas e os estádios? É difícil imaginar uma atividade.

Que jogos o Pacaembu, por exemplo, terá? Shows são proibidos no estádio por causa da vizinhança. Quais atividades manterão o estádio? É interessante que cada estado tenha seu estádio público, mas a que custo?

O Morumbi é um exemplo de fidelidade. O São Paulo tem uma identidade e orgulho de seu equipamento, embora localizado em um terreno com entorno muito bem firmado e construído, ou seja, limitado para expansões e até mesmo para receber grandes eventos. Os que permanecem têm certas dificuldades, mas o que se faria se o São Paulo abandonasse um estádio como o Morumbi?

Universidades, museus, clubes, centros culturais? Algo bem inusitado, mas poderiam ser opções; mas, enfim, seriam equipamentos de múltiplas funções para conseguir dar conta financeiramente de um equipamento de grande porte como um estádio.

Vale lembrar que o brasileiro não tem costume de visitar museus. Temos um índice baixíssimo perto de países europeus. Então, neste momento de abandono, é o momento de fomentar a visitação, a cultura e educação, ou buscar usos mais inusitados ainda para conseguir evitar, aí sim, os elefantes brancos. Elefantes brancos não serão os da Copa do Mundo de 2014, mas aqueles deixados para a história.

Realmente era necessária a construção de novos estádios para a Copa do Mundo. Em alguns locais, os existentes não dariam conta mesmo com grandes reformas, por questões principalmente de segurança. Mas é realmente necessário pensar no que fazer com palcos de tantas partidas até então.

Estamos, assim como todos os proprietários desses estádios abandonados, fadados a encontrar uma atividade, uma forma de utilizar bem os espaços deixados para trás ou para uma possível e triste demolição.

Compreensível a atitude, mas problemática.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

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Competição

A que mercado pertencemos? Onde a indústria do futebol está classificada? Com quem o futebol compete? Eis uma antiga discussão, que tem também um pouco a ver com miopia de marketing e a não compreensão sobre o setor em que a organização de fato atua.

Michael Porter, considerado um dos grandes nomes da estratégia organizacional, fala que a definição do trabalho estratégico deve passar pela compreensão e enfrentamento da competição.

Porter fala nas famosas cinco forças que moldam a competição no setor:

A ameaça de novos entrantes: caracterizado pelas organizações que investem para conquistar participação no mercado. Os clubes pouco sofrem com este fator no curto prazo por conta da longevidade que muitas marcas possuem e por não serem substituíveis tão facilmente quanto outros produtos de consumo.

O poder dos fornecedores: que transferem custos para os participantes do setor. No futebol, poderíamos exemplificar os agentes de futebol, que negociam contratos e comercialização de jogadores, fazendo pressão sobre as finanças dos clubes.

O poder dos clientes: podem captar valor ao forçar os preços para baixo ao exigir melhor qualidade ou mais serviços. Para o futebol, temos como clientes os patrocinadores, a mídia e os torcedores, para ficarmos nos exemplos mais simples. A questão é que raras vezes os supracitados são tratados de fato como clientes na acepção da palavra.

A ameaça de substitutos: desempenham função idêntica ou semelhante à do produto “original”, só que por meios diferentes. Considerando que estamos no mercado do entretenimento, todas as formas de fazê-lo podem ser substitutas ao futebol. Logicamente que marcas como Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras, São Paulo, Fluminense etc. são insubstituíveis. Mas na plataforma de consumo, em muitas situações, o são.

A rivalidade entre os atuais concorrentes: se manifesta sob formas como descontos de preços, lançamentos de novos produtos, campanhas publicitárias e melhorias nos serviços. Um patrocinador poderá escolher um ou outro clube por conta da sua organização, dos craques que as equipes possuem ou por um momento esportivo mais favorável.

Logicamente que seria leviano comparar os Jogos Olímpicos com o ofuscamento do Campeonato Brasileiro em virtude da dimensão dos dois eventos. Mas em histórico recente, muitos jogos de futebol têm perdido em público e audiência para outros esportes ou outras plataformas de entretenimento, como novela, shows, teatro, cinema ou passeio no shopping.

O breve relato serve para refletir sobre como efetivamente definimos nossas estratégias diante do mercado e do cenário macroeconômico e social existente. Entender estes movimentos e perceber as forças de cada aspecto é fundamental para a sobrevivência no médio-longo prazo.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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Culpa e desculpa

Um vídeo de grande repercussão, nesta semana, fez-me pensar a respeito dos rumos da gestão esportiva no Brasil, em termos estratégicos.

O futebol, obviamente, não escapou da crítica ali presente, também sendo citado como uma das causas do baixo grau de organização e desenvolvimento do contexto esportivo nacional, por canalizar os esforços de regulamentação legislativa e dos investimentos públicos e privados.

Intitulado “O Esporte pede desculpas”, são apontados diversos fatores que poderiam explicar e justificar os resultados ruins nos Jogos Olímpicos de Londres.
 


 

Penso que, em essência, são duas as formas de análise sensata do “quadro de medalhas”, até aqui, metade da competição já disputada.

Uma delas, individualizante, põe os atletas e/ou equipes sob a luz. Por que Cielo, Murer, futebol feminino, basquete feminino, Diego Hipólito, não conseguiram melhor desempenho?

Por que, se, dentre outros fatores, são os mesmos adversários que normalmente se encontram com os brasileiros nas demais competições internacionais – algumas de mesmo grau de exigência?

Por outro lado, temos um histórico déficit sistêmico no esporte brasileiro, quando olhamos de cima.

Faz muito pouco tempo que temos um estímulo a um maior número de esportes para proliferar no país.

Ainda assim, esbarra-se no baixo número e qualificação do aparelhamento e instalações capazes de forjar novos atletas.

Associado a isso, a organização das competições no país força, obrigatoriamente, os atletas promissores – não os de ponta, que já estão lá – a saírem do país para treinar e competir.

Por fim, mas como ponto mais importante, falta-nos estímulo maciço e qualificado da prática esportiva nas escolas.

Sim, esporte escolar. Esporte como educação. Esporte no ensino fundamental, médio e superior, que possibilite aumentar o número de praticantes com nível competitivo médio, para que, na ponta do alto rendimento, mais e melhores atletas disputem competições internacionais representando o país.

Como ocorre nos Estados Unidos.

Como poderia ocorrer aqui no Brasil, com vários esportes, incluindo o futebol.

Enfim, um sistema esportivo-educacional que, no mínimo, formaria um grande número de cidadãos inseridos na sociedade e que disseminariam os valores que lhes proporcionara o esporte.

Quando, e se esse momento chegar, as críticas negativas ou os grandes elogios aos nossos atletas e equipes serão mais sensatos.

Até lá, prefiro ficar na torcida, na arquibancada, e não pensar em culpa ou desculpas.

Simplesmente, torcer, pois é o que resta no cenário de carência de pensamento e ação integrados para aproveitar o potencial esportivo do país como transformação social, como primeiro passo, e medalhas no pescoço, como consequência.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br 
 

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As sutilezas do jogo de futebol: ataque a bola, velocidade e complexidade

Antes da minha coluna propriamente dita, devo dizer (escrever) que é um grande prazer participar novamente, semanalmente desse espaço.

Mais ainda por poder dar sequencia ao trabalho do colunista e amigo Bruno Baquete, e retomar algumas discussões que outrora deixei pelo caminho.

Importante destacar que na minha ausência das colunas, dentre outras coisa, pude me dedicar a análise de uma infinidade de dados que comigo estavam sendo armazenados por anos, ávidos para se transformarem em informação científica.

E agora, formatados para publicação, passo-os ao Bruno, para que sejam discutidos e publicados. E nesse revezamento de atribuições e produções, ganhamos todos nós.

Pois bem.

Então, agora vamos lá…

A análise da velocidade no jogo de futebol não deve estar restrita somente à observação dos movimentos dos jogadores (com ou sem bola).

Ela (a análise da velocidade) deve estar condicionada, além da execução da ação, propriamente dita, à percepção, interpretação, avaliação e tomada de decisão do jogador.

Da percepção para a ação, temos o tempo total entre um problema emergente e a resposta a ele em uma circunstância de jogo.

A boa “leitura” das situações-problema em uma partida de futebol pode permitir dedução antecipada das próximas ações dos adversários, e tornar mais rápidas e eficientes as respostas a essas ações.

Em um jogo ocorre um sem número de interações sistêmicas, a partir das quais, a ação de cada um dos jogadores interfere de imediato (direta ou indiretamente) na ação de seus companheiros e adversários.

Então, jogadores que “encurtam” o hiato entre o “perceber?…?agir”, acabam por exigir de seus companheiros e adversários, reações de mesma magnitude temporal, especialmente daqueles mais próximos de onde está a bola.

Tomemos como exemplo a distância entre um jogador de posse da bola e seu marcador, que se aproxima para tentar um desarme.

À medida que o marcador chega mais perto do jogador que tem a bola sob seu domínio, o ângulo de passe desse jogador se modifica. E estando o ângulo de passe condicionado a essa aproximação, o posicionamento em campo, de qualquer jogador que queira servir de apoio ao portador da bola, também estará condicionado a ela (a aproximação).
Isso significa que para dar sequência a uma jogada a partir da transmissão da bola, o jogador de posse dela, necessitará que seus companheiros se movimentem na mesma magnitude temporal do problema gerado pelo defensor que está se aproximando.

Na figura que segue podemos ver uma ilustração sobre esse exemplo.

O jogador “A” está de posse da bola. Os jogadores “A1” e “A2” são seus companheiros oferecendo linhas de passe. O jogador “D” (em vermelho) é o marcador, que do “quadro 1” ao “quadro 4” vai se aproximando da bola.

Notemos que quanto mais próximo da bola está o defensor, maior a necessidade de que os apoios se distanciem entre si para continuar oferecendo linhas de passe. Ao mesmo tempo, mais evidente a precisão de que o passe fique mais lateralizado.

Se os apoios se movimentassem em direção ao seu companheiro que está com a bola, talvez pudessem manter entre si a distância, mas diminuiriam em demasia o tamanho triângulo formado por “A”, “A1” e “A2”.

De qualquer maneira, quanto mais rápido o marcador se aproximar da bola, menos tempo terá o portador e seus apoios para continuar com as mesmas opções de ação.

A análise da velocidade no jogo de futebol envolve uma série de questões que precisam ser bem compreendidas, especialmente para que se entenda o significado de “velocidade no jogo” e “velocidade de jogo”.

O mesmo vale para qualquer variável, dimensão, conceito, habilidade ou capacidade relevante para o jogar.

O jogo de futebol é um sistema complexo. Toda auto-organização decorrente da interação e interdependência dos elementos desse sistema resulta em um dinamismo que se expressa na sutileza dos seus detalhes.

Olhar para os fenômenos do jogo, e perceber tais sutilezas, é o primeiro passo para entendê-las, e intervir nelas.

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br
 

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O papel do treinador na dimensão individual – parte I

Somos unânimes quanto aos objetivos do treinamento. Na sua operacionalização, porém, aplicamos meios e métodos distintos, baseados em nossas experiências, crenças e conhecimentos teórico-práticos, na constante busca pelo aperfeiçoamento da nossa equipe.

Quem procura atuar a partir de uma perspectiva sistêmica deve respeitar o conceito dos fractais, já discutido em outra coluna, em que toda situação de treino criada deve ser uma parte representativa do Todo. Como o Todo, na essência, é Jogo, é fundamental que os treinos assumam essas características para que o princípio da especificidade seja contemplado.

E numa comissão técnica que assume (ou ao menos tenta assumir) uma periodização que tenha as situações de jogo como norteadoras do planejamento de treinos, dúvidas (naturais) surgem ao longo do desenvolvimento do trabalho.

Dentre essas dúvidas, uma parece ser predominante: a necessidade de realizar exercícios técnicos diversos (finalizações, cruzamentos, cabeceios) para complementar o trabalho. Sob esta ótica, acreditam que os erros individuais das ações técnicas do jogo serão corrigidos simplesmente com a repetição destas “mesmas ações” em situações de treino analíticas.

As justificativas para fazerem este complemento são bem variadas e abrangem além da destacada necessidade do aprimoramento técnico, a necessidade do atleta adquirir confiança na repetição do gesto e até a opinião do próprio treinador que pode não ter visto essas “mesmas ações” ao longo dos treinamentos e, portanto, realiza o complemento.

Influenciados pelo pensamento tecnicista, muitos treinadores simplificam o real problema de suas equipes. Simplificam, pois essas “mesmas ações” reproduzidas em exercícios analíticos, na verdade, estão muito distantes dos problemas impostos pelo jogo.

Quantas vezes você já viu um atleta finalizar seis bolas em sequência, todas aproximadamente na mesma distância do alvo? Acontecem quantas vezes num jogo a ida de um lateral a linha de fundo em que ele ergue a cabeça, vê que na área só tem companheiros de equipe e que ele deve cruzar a bola sem que o goleiro possa interceptar o cruzamento? E o volante que inverte uma bola sem qualquer pressão de espaço e tempo no setor que, no jogo, é o mais ocupado do campo?

Não significa que devemos retirar esses complementos que incidem sobre a dimensão individual da equipe e sim contextualizá-los (e aí eles deixam de ser complementos e fazem parte da periodização) com a realidade do Modelo de Jogo da equipe e, mais do que isso, do próprio Jogo.

Inicialmente, o treinador deve refletir se os erros observados que ele pretende corrigir tem origem exclusivamente técnica. Reitero a afirmação de outras colunas sobre os problemas do jogo (tático-técnico-físico-mentais) que são tantos para cada um dos seus onze jogadores, que é equivocado reduzirmos à somente uma vertente.

Então, uma vez que treinos (jogos) mais complexos, que envolvam maior número de jogadores e grandes princípios de jogo, podem não proporcionar a densidade de ações pretendida para um determinado problema de dimensão individual e diante do que foi abordado, qual pode ser a solução para o treinador corrigir problemas com essa origem?

A solução está nos Jogos Conceituais!

A partir das quatro situações hipotéticas abaixo, indicarei atividades conceituais que incidirão predominantemente sobre o problema.

1º Um centroavante precisa fazer mais penetrações;
2º Um meia não tem buscado a recuperação imediata da posse de bola após sua perda;
3º Um lateral tem errado muito as decisões quando chega à linha de fundo;
4º Um meia tem finalizado pouco.

Como o objetivo da coluna não é de trazer respostas prontas, antes de apresentar minhas sugestões, aguardo sua opinião, caro leitor.

Abraços e bons treinos!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br
 

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Abertura dos Jogos Olímpicos e os fatos de relevância jurídico desportiva

No último dia 27 aconteceu a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. Eu tive a satisfação de acompanhar a festa em uma “fun fest” oficial realizada no Hyde Park, em Londres. 

Chamou atenção a estrutura extremamente organizada com abundância de banheiros e de pontos de venda de alimentos. Famílias e pessoas de todas as idades confraternizaram-se durante a abertura das Olimpíadas e curtiram os shows de Duran Duran e Snow Patrol.

No entanto, o evento teve algumas falhas. A primeira delas foi o sistema de som que emudeceu por alguns momentos. Além disso, não houve transmissão dos desfiles dos atletas, pois realizaram um show durante o desfile que foi abruptamente interrompido para exibir a chegada da tocha olímpica.

Outro ponto negativo diz respeito à frieza do povo inglês: as maiores manifestações se deram quando a Rainha apareceu no telão. Para completar, ao final da cerimônia os telões pediram silêncio por se tratar de área residencial.

Iniciados os Jogos Olímpicos, dois fatos chamaram a atenção do mundo jurídico desportivo.

O primeiro diz respeito à eliminação de duplas de badminton por conduta antidesportiva, eis que violaram o espírito esportivo ao jogarem para perder.

A Federação Mundial de Badminton eliminou quatro duplas femininas do badminton. As sul-coreanas Ha Jung-Eun, Kim Min-Jung, Jung Kyung-eun e Kim Ha-na, as indonésias Meiliana Juahari e Greysia Polii e as chinesas Yu Yang e Wang Xiaoli, atuais campeãs mundiais, foram acusadas de perder partidas intencionalmente. 

O outro envolveu uma esgrimista sul-coreana que foi prejudicada pela arbitragem e perdeu a chance de disputar a medalha de ouro. O fato se deu na semifinal olímpica, contra a alemã Britta Heidemann. Quando o combate já estava empatado na prorrogação, algum problema aconteceu com o cronômetro, que parou quando faltava um segundo para o fim. Foi aí que a esgrimista alemã aplicou três golpes em Shin A. Lam e, em um deles, conseguiu pontuar e garantiu sua vaga na disputa pela medalha de ouro. 

No primeiro caso, de fato, a carta olímpica, no capítulo 1, artigo 2º, confere ao COI a atribuição de promover a ética no desporto. Destarte, jogar para perder constitui violação a este preceito e o atleta deve ser punido exemplarmente.

Inclusive, segundo o diretor de comunicação do COI, Mark Adams. “Há uma cláusula (na carta olímpica) de que jogadoras têm que fazer seus melhores esforços”, afirma ele.

Com relação à esgrimista, as decisões dos árbitros são soberanas, razão pela qual devem ser acatadas. Juridicamente, um caminho a ser seguido seria uma ação civil indenizatória por perda de chance, nada mais. Por perda de uma chance entende-se a conduta de alguém que faz desaparecer a probabilidade de um evento que possibilitaria um benefício futuro para a “vítima”.

Um exemplo concreto ocorreu em decisão do Superior Tribunal de Justiça envolvendo uma pessoa que teve frustrada a chance de ganhar o prêmio máximo de 1 milhão de reais no programa televisivo “Show do Milhão”, em virtude de pergunta mal formulada.

De toda sorte, entre erros e acertos, o saldo é positivo. Parabéns aos organizadores pelo evento e que o Brasil possa figurar por diversas vezes no pódio olímpico.

Finalmente, além dos Jogos Olímpicos, outro fato polêmico deve ser destacado, qual seja, o adiamento, em virtude do desgaste do gramado, da partida entre Flamengo e Atlético Mineiro que aconteceria neste sábado, no Engenhão.

Circulam na internet comentários de que teria havido violação ao Estatuto do Torcedor, entretanto trata-se de “papo de internet” sem qualquer fundamento legal, uma vez que a lei de proteção ao consumidor não traz nenhuma previsão a respeito.

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