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Ter respeito pelos bons relacionamentos

Saudações a todos!

Ao comemorar grandes conquistas, a tendência da maioria das pessoas é falar sobre as dificuldades enfrentadas até chegar ao topo, como superaram as dificuldades, quais as pessoas que prejudicaram de alguma forma seu trabalho, como se livraram dos contratempos, etc. Nesse momento de empolgação, típica de quem acabou de vencer, não é difícil se esquecer de falar de quem as ajudou.

A exceção para esta regra são os verdadeiros campeões. Eles, quando celebram grandes conquistas, lembram e destacam quem os ajudou a chegar lá. Agindo assim, além de fazerem “justiça”, mantêm por perto pessoas importantes e dispostas a ajudar.

Ter uma rede de relacionamentos ativa e disposta a contribuir é um dos grandes segredos dos verdadeiros campeões que, não por acaso, se mostram grandes líderes. Exemplos não faltam para confirmar esta realidade.

Citarei nesta coluna dois deles, por terem conquistas importantes, conhecidas por todos e bem recentes, assim como serem emblemáticas.

O primeiro exemplo é o Tite. Não preciso falar da dimensão da conquista dele até porque acho que ainda é imensurável. Além de ganhar a Libertadores, que por si só já é uma conquista ímpar, o treinador gaúcho ganhou sendo invicto, com o time super ajustado, ganhou pelo Corinthians – que sonhava há anos com esse título. Superou o Santos de Neymar na semifinal (tido por muitos como o melhor time da América) e na final venceu o Boca (tido como o “papão” do torneio).

A magnitude dos fatos que levaram a esta conquista são tão relevantes que posso apostar que estará entre os três maiores destaques do esporte na América Latina em 2012.

O segundo exemplo é o Felipão, que conquistou a Copa do Brasil, outro campeonato que só pela conquista e importância merece destaque. Mas ele foi além da “simples” conquista: foi campeão invicto com um time considerado limitado tecnicamente; além disso, lidou com situações políticas internas e com muita pressão já que não conquistava um título de maior importância há 13 anos e vinha sonhando em voltar a disputar a Libertadores.

A maioria das pessoas no lugar deles agradeceriam os atletas, a comissão técnica, as pessoas mais próximas no clube, a direção, o presidente e contaria as dificuldades e como as superou e já estava bom, né? Afinal, nestas horas, todos querem os flashes e os holofotes em si. Certo? Errado! Nem todos…

Os verdadeiros campeões, os líderes de fato, como o Tite e o Felipão, no momento das grandes conquistas, também agradecem a “todos mais próximos”, mas, além disso, agradecem quem está longe, quem ajudou na conquista e ninguém sabia e teoricamente “não precisava” ser lembrado.

Essa parte, só os nobres campeões sabem fazer! E fazem de forma exemplar.

Vejam os fatos no caso do Tite e do Felipão:

O Tite falou que a ajuda do Abel Braga foi fato muito importante para a sua conquista. Abel, treinador do Fluminense e que recentemente havia sido eliminado pelo Boca, deu dicas, contou “segredos”, deu sugestões, etc. e, claro, ajudou na conquista do corintiano.

O que chama atenção é que mesmo o Tite citando este fato, ele teve pouco destaque e tenho certeza de que muita gente ainda não sabia disso. O mais importante para o Tite é que o Abel que foi quem o ajudou, ouviu isso e com certeza ficou orgulhoso pela contribuição e sempre estará disposto a repetir!

O Felipão, da mesma forma, destacou que a contratação do Betinho, jogador de atuação decisiva nas finais – que marcou um gol e sofreu um pênalti –, foi avalizada pelo volante Márcio Araújo, que trabalhou com o jogador no São Caetano.

À época da contratação, ao ser questionado pelo Felipão, Araújo, além de “dar o seu aval”, conferiu dicas sobre a personalidade do atleta e de como aproveitá-lo melhor.

O que chama atenção mais uma vez é que mesmo o Felipão citando este fato, a mídia deu pouquíssimo destaque. Com certeza o volante ficou orgulhoso por ser lembrado e contribuirá novamente!

E você, tem essa atitude nobre que tiveram o Tite e o Felipão quando obtém conquistas?

Com o mercado de trabalho aquecido, as oportunidades tendem a surgir com maior frequência e se você for um dos “premiados” com uma conquista – uma promoção, um aumento salarial, a conquista de um emprego melhor, uma venda importante, uma barreira superada na carreira ou na família, etc., comemore muito e não se esqueça de relembrar sua trajetória até a conquista. E, principalmente, não deixe de agradecer e enaltecer quem contribuiu para que ela fosse possível.

Depois de refletir um pouco sobre isso, lembre as dicas dos seus primeiros chefes, as broncas, como isso te ajudou, ou os seus clientes mais exigentes (internos ou externos) que te cobraram e que te deram “pistas” de como fazer melhor. Ou ainda lembre os colegas para os quais você ligava quando precisava saber como fazer algo…

Depois de relembrar tudo isso, ligue para eles ou mande um SMS, um e-mail, conte sobre suas conquistas e ressalte a importância das contribuições deles na conquista.

Tenho certeza de que eles ficarão felizes e orgulhosos por terem sido lembrados e saiba que, quando precisar, estarão ali com você novamente.
É isto, pessoal!

Vejam se estão agindo como verdadeiros campeões, compartilhado e agradecendo suas conquistas com quem contribuiu para que elas fossem possíveis ou então viverão êxitos solitários e de pouco valor real.
Agora, intervalo, vamos aos vestiários e nos vemos no próximo mês.

Abraços a todos!

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br

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O FC Barcelona, o treinador José Mourinho, a Periodização Tática e os treinos analíticos: fatos e reflexões

“Para quem tem como única ferramenta o martelo, todos os problemas são pregos.”
 

Parafraseando Mark Twain, que é o autor da frase acima, proponho nesta semana uma reflexão sobre alguns fatos que envolvem discussões (e problemas) que têm cercado o momento “metodológico” e “filosófico” do nosso (brasileiro) futebol profissional e de base.

De início, vamos aos fatos.

Fato 1: Quando começou a ganhar destaque no cenário mundial do futebol, conquistando títulos internacionais pela equipe do FC Porto, o treinador José Mourinho deu início também a uma eufórica e desenfreada série de reportagens, matérias, vídeos e livros reverenciando sua ação como treinador e os seus métodos inovadores de trabalho.

Estar ao lado dele, conhecê-lo, ser seu amigo ou mesmo ter sido seu professor em alguma etapa de sua formação acadêmica passou a ser, de alguma forma, vantajoso. Qualquer tipo de associação com a sua imagem fez aumentar o capital simbólico de publicações, pessoas e mais especificamente para a nossa discussão, de metodologias de treino.

Fato 2: Quando o Santos FC foi “atropelado” (me desculpem pelo “atropelado”) pelo FC Barcelona na partida final do Mundial de Clubes da Fifa 2011, emergiu no Brasil uma série de debates propondo nas entrelinhas (e sobre as linhas) que o “modelo” Barcelona de jogar e formar jogadores precisava, por que não, ser seguido pelas equipes brasileiras – sugerindo que os clubes no Brasil estavam (ou estão) atrasados em planejamento, conhecimento, modelos de treino, nível de profissionais, e etc.

Assim como aconteceu no caso do treinador português José Mourinho, passou a ser vantajoso para defender certos pontos de vista, utilizar o FC Barcelona como referência para justificar argumentos em uma ou em outra direção.

Pois bem.

Colocados os fatos, é bom esclarecer que não tenho intuito com esse texto de apontar verdades, mentiras, erros ou acertos, nem tampouco fazer julgamentos exatos sobre qualquer coisa.

O que desejo realmente é provocar reflexões.

Então, vamos lá.

Estive, entre 2010 e 2012, em três momentos distintos (simpósio, fórum e competição – não nesta ordem) com profissionais das categorias de base do FC Barcelona debatendo e trocando informações sobre futebol, processo formativo, meios e métodos de treinamento.

Tive acesso às planilhas do clube, assisti a vídeos de treinos e pude filmar alguns. E para os que dizem o contrário, posso afirmar: são realizados sistematicamente nos treinamentos das categorias de base do clube exercícios analíticos (fragmentados, previsíveis e centrados na técnica).

E que relação tem isso com o “fato 2” mencionado acima?

Muitos de nós, na justa ânsia de romper com paradigmas impregnados no nosso “brasileiro futebol” e expandir as fronteiras do conhecimento – em prol da disseminação de uma ideia de Complexidade – acabamos muitas vezes por associarmos nossas ideias àquilo que seria feito nas categorias de formação do time catalão (naquilo que, nos nossos sonhos, justificaria a avassaladora aula de futebol dada por eles na final do Mundial de Clubes).

Essa associação justificou muitas vezes a não utilização de atividades analíticas de treino. Mas, como, se o FC Barcelona se utiliza desse tipo de atividade em seus treinamentos?

Não estou defendendo os exercícios analíticos. O que estou sugerindo é a análise crítica dos fatos, e acima de tudo da Complexidade.

Não podemos aceitar os argumentos a favor de uma ou outra metodologia de treino, contrária a atividades analíticas, utilizando o FC Barcelona como referência dessa não utilização.

Continuemos.

Da mesma maneira que argumentos são associados ao FC Barcelona para dar valor a certas ideias, muitas e muitas vezes, foi e continua sendo vinculada à forma de trabalhar do treinador português José Mourinho a metodologia portuguesa (concebida pelo professor Vitor Frade) de concepção dos treinamentos chamada “Periodização Tática”.

Ainda que tenha grande valor, será mesmo que Mourinho se utiliza da Periodização Tática para planejar e construir seus treinos?

Por muito tempo os portugueses vêm dizendo que sim. E isso tem aumentado cada vez mais o simbolismo da Periodização Tática.

Estive com Rui Faria (adjunto do treinador português) em uma visita ao centro de treinamento do Real Madrid, por ocasião de uma viagem a Espanha, e em uma conversa informal, pude perguntar sobre o seu trabalho com Mourinho e sobre a relação desse trabalho com aquilo que foi “batizado” de Periodização Tática (tema que o próprio Rui debateu em trabalho acadêmico no passado).

Objetivamente, ele apontou para o fato de que não aplicavam a “Periodização Tática” de Vitor Frade, mas sim, uma periodização que também levava em conta a ação tática do jogador dentro do planejamento geral.

Disse que o jogo de José Mourinho é um jogo muito maior do que aquele de dentro do gramado, e que afirmar que eles (Mourinho e sua comissão técnica) trabalhavam e alcançavam sucesso a partir da Periodização Tática seria uma redução demasiada da qualidade e complexidade do trabalho que realizavam.

Não estou criticando a Periodização Tática; especialmente porque ela é um marco na história metodológica do treinamento dentro do futebol – ainda que apresente lacunas em nome da própria Complexidade que defende. O que estou sugerindo mais uma vez é a observação crítica dos fatos.

Não podemos construir a base dos nossos argumentos em falsas verdades (ou no desconhecimento dos fatos reais) – porque assim eles perdem consistência. E não estou aqui dizendo que sou eu o conhecedor dos fatos reais.

Reforço novamente que o que desejo é propor reflexões.
Citando Bruno Pivetti, “sabemos que no futebol existem muitas verdades e mentiras, que há possibilidade de o certo resultar em errado, e de o errado transfigurar-se em correto” (livro “Periodização Tática”, que recomendo).

E será isso obra do acaso, ou resultado da nossa incapacidade de compreender a ordem dentro do Caos?

Por que não avançarmos e tentarmos perceber, de posse de um martelo como única ferramenta, outros problemas, que não sejam somente pregos – dando ao martelo outra utilidade?

Por que não sustentarmos e apoiarmos nossos argumentos na essência das coisas, e que, certos ou errados, não precisemos fazer associações incorretas para aumentar o capital simbólico deles?

Tem um martelo? Então, qual o seu problema?

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br
 

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Os princípios e a leitura de jogo

Durante o recesso dos campeonatos europeus, os olhares se voltaram para o futebol brasileiro. E tanto nos campeonatos nacionais, como nos estaduais de divisões inferiores, poucos minutos de acompanhamento por jogo são suficientes para a constatação de que muitas de nossas equipes estão aplicando princípios de jogo de maneira incoerente e os jogadores executando (demasiadamente) leituras de jogo equivocadas.

Os estudos do futebol apontam que para uma equipe apresentar/manter um bom desempenho ela deve convergir (e ter coerência) em seus princípios de jogo para cada um dos momentos do jogo. Tais convergências e coerências (que não podem perder a relação com o Todo e com a Lógica do Jogo) fazem com que os comportamentos individuais e coletivos pretendidos sejam mais facilmente aplicados e, dessa forma, o sistema-equipe se mantenha mais organizado.

É comum observar equipes que pretendem jogar em posse, mas não têm os onze jogadores posicionados no campo de ataque para circular a bola enquanto buscam a finalização. Sem os onze jogadores no ataque, as coberturas ofensivas, a superioridade numérica e a formação de triângulos (que dão coerência ao jogar em posse) ficam mais difíceis. Facilitar o comportamento de manutenção da posse implica zagueiros com qualidade de jogo no campo ofensivo, quesito raramente observado em nosso futebol.

Também é comum observar equipes que, dentro de casa, estão operacionalmente orientadas para buscar a recuperação da posse de bola. Com pressões individuais, ausência de referências espaciais ou atitudinais para a pressão e excessiva distância entre linhas, este comportamento se mostra, frequentemente, pouco eficaz.

Já fora de casa, observam-se equipes orientadas para impedir progressão. Para dar coerência a este princípio, a gestão do espaço entre bola e alvo, a recomposição, a boa flutuação e o direcionamento para setores de menor risco são fundamentais. O que se observa, porém, é um acúmulo desordenado de jogadores próximos à bola, a negligência ao espaço e a atenção excessiva ao adversário como referência para marcação.

Quanto à transição ofensiva, para aquelas equipes que buscam a retirada vertical do setor de recuperação, pedem-se leitura e passe de quem recuperou a posse, um balanço ofensivo bem posicionado e jogadores que buscam deslocamento ofensivo para receberem a bola em setores mais próximos do alvo adversário. É mais comum, no entanto, a falta de recurso técnico-tático para a transição, o mau posicionamento dos jogadores responsáveis pelo balanço ofensivo, que ignoram sua função defensiva quando se encontram à frente da linha da bola e a lentidão dos jogadores distantes dos setores de recuperação que dariam sentido à pretendida retirada vertical.

E na transição defensiva, para as equipes que buscam a recuperação imediata, ao invés de serem detectados a pressão coletiva de espaço e tempo na região em que se perdeu a posse de bola e o rápido mecanismo de fazer campo pequeno a defender, a prevalência é de ataques isolados à bola, combinados com perdas preciosas de segundos para mudanças de atitude por parte de alguns jogadores.

Toda esta incoerência na aplicação dos princípios de jogo exemplificados evidenciam os graves problemas de leitura de jogo que acometem o jogador brasileiro. Num olhar direcionado para as individualidades do sistema é certo que para o mesmo problema os jogadores apresentem quatro, cinco ou seis respostas diferentes. A equipe joga apenas um jogo e a diferente leitura expressa pelos jogadores resulta numa unidade coletiva desorganizada. Um grande passo para o insucesso de um treinador.

Enquanto nos nossos treinos não predominarem a resolução de situações-problemas, vinculadas ao Todo e à Lógica do Jogo, o cenário não irá mudar. Enquanto não buscarmos uma leitura de jogo coletiva e maiores previsibilidade e ordem aos imprevisíveis problemas do jogo, nosso desempenho seguirá minimizado. Teremos, por exemplo, que suportar scouters do futebol europeu debocharem do futebol brasileiro ao mencionarem que nosso jogo está taticamente ultrapassado, de seis ou sete Copas atrás. Ou então, corroborar com Tostão que aprecia o jogo europeu, pois vê mais jogadores procurando o passe.

Chegamos ao triste ponto de, neste ano, uma equipe comemorar um título tendo vibrado durante o jogo ao se desfazer da bola com um chutão.

Percebam que a discussão parou na coerência dos princípios. Imaginem se nas análises forem consideradas suas inter-relações…

O nosso futebol merece mais! Capriche no seu treino!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br
 

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Copa do Mundo: evolução, lei geral, polêmica e legado

A Copa do Mundo de futebol foi concebida em 1928 pelo então presidente da Fifa, o francês Julies Rimet, e teve sua primeira edição realizada dois anos depois no Uruguai.

A primeira Copa que foi vencida pelos anfitriões contou com 13 participantes e um público de 434.500 torcedores.

Vinte anos depois, em 1950, o Brasil organizou o Mundial, também vencido pelo Uruguai, com 13 seleções e público de 1.043.500 torcedores, ou seja, mais do que o dobro do primeiro evento.

Em 1978, a Argentina organizou e venceu sua primeira Copa, desta vez disputado por 16 países e com público de 1.546.151 torcedores. Pela primeira vez houve preocupação quanto à visibilidade dos anunciantes. Ademais, a Fifa constatou que a Copa do Mundo poderia ser lucrativa por meio da venda de direitos de exibição e publicidade.

Aliás, o responsável pelo crescimento do evento e de sua audiência é o publicitário Patrick Nally, pois foi a sua agência, a West Nally, que criou o modelo seguido atualmente pela Copa do Mundo e pelos Jogos Olímpicos.

Neste contexto com uma série de exigências, em 1982, na Espanha, a Fifa, pela primeira vez vendeu publicidade e direitos de transmissão. O número de participantes aumentou para 24, o público foi de 2.109.723 e a competição foi vencida pela Itália.

Em 1998, na França, novamente o número de participantes cresceu, passando para 32. O Mundial foi vencido pelos anfitriões e contou com público total de 2.785.100.

No intuito de “ganhar” o mercado asiático, em 2002, a Copa foi co-organizada pela Coreia do Sul e pelo Japão com a participação de 32 equipes e público de 2.705.19 torcedores. O Mundial que teve jogos também na Coreia do Norte foi vencido pelo Brasil.

Em 2006, a Alemanha organizou pela segunda vez o evento (a primeira vez foi em 1974). Com 32 países, público de 3.359.439 torcedores. O Mundial foi vencido pela Itália. Apesar disso, segundo o então técnico alemão, Klismann, a Alemanha perdeu a Copa mas ganhou um país, em alusão à unidade do povo alemão pós-queda do muro de Berlim.

Finalmente, 2010, a Copa do Mundo chega ao continente africano. Organizado pela África do Sul, a competição teve 32 participantes, público 3.178.856 torcedores e foi vencida pela Espanha.

Diante do exposto percebe-se que de pouco menos de meio milhão de torcedores, a Copa do Mundo chegou a mais de três milhões de torcedores, tornando-se o maior evento esportivo do planeta e o Brasil terá a missão de sediá-lo em 2014. Isso sem contar os bilhões de telespectadores.

Para tanto e a fim de proteger a qualidade do evento e seus patrocinadores, a Fifa realiza uma série de exigências. Aliás, ao se candidatar, o país já sabe o que deverá fazer para receber o evento. Estas exigências foram legitimadas por meio da Lei Geral da Copa.

A referida lei logo no início demonstra uma estrutura semelhante a um contrato, eis que se tem de um lado a Fifa, dona do evento, e do outro o Brasil, querendo organizá-lo.

Ao ser sancionada, a presidente Dilma Roussef vetou alguns pontos:

-Parágrafo que separava 10% dos ingressos para jogos do Brasil (300 mil ingressos na Copa do Mundo e 50 mil na Copa das Confederações) para venda a preços populares (cerca de R$ 50)

-Artigos que não permitiam que o serviço de voluntários substituísse empregos assalariados ou precarizassem relações de trabalho já existentes

-Trecho que suspendia leis locais sobre meia-entrada para os estádios

-Dois artigos que determinavam que os estrangeiros tirassem seus vistos em seus países de origem com prazo mínimo de 30 dias

Vale lembrar que os vetos podem ocorrer por inconstitucionalidade ou interesse público. Além disso, muitos foram os pontos polêmicos, com destaque especial para a venda de bebidas alcoolicas em estádios de futebol e proteção às marcas da Fifa e de seus parceiros.

Sobre a questão das bebidas alcoolicas, imprescindível destacar que não há qualquer vedação no Estatuto do Torcedor, o que a lei de proteção do torcedor proíbe é a venda de produtos que prejudiquem a segurança do evento.

Destarte, o álcool não é causador de violência, pois esta é fruto de diversos elementos, a saber:

•Emoção

•Descarga de frustrações cotidianas

•Falta de infraestrutura adequada e de atenção aos direitos dos torcedores

•Ausência de medidas pedagógicas e educacionais

•Sensação de impunidade

•Ausência ou demora de medidas punitivas

No que tange às marcas, é natural que o Brasil combata a pirataria e também que impeça o maketing de emboscada, ou seja, que uma empresa não patrocinadora ou parceira “pegue carona” no evento e divulgue a sua marca.

Na África do Sul, por exemplo, um incidente ganhou detaque. Na partida entre Dinamarca e Holanda, uma marca de cerveja utilizou-se de belíssimas mulheres com microvestidos para divulgar o produto durante a partida, em detrimento da patrocinadora oficial, a Budweiser. As modelos foram presas e deportadas.

Ora, trata-se de empresas que investem milhões de dólares, viabilizam o evento e querem, portanto, assegurar o seu retorno publicitário.

Conferiu-se muita atenção a estes pontos e esqueceu-se de que durante a Copa do Mundo alguns artigos do Estatuto do Torcedor foram revogados, com destaque para a responsabilização objetiva do mandante e do organizador do evento. A responsabilidade objetiva corresponde à desnecessidade de comprovação de culpa do agente, basta comprovar o dano e o nexo de causalidade com o evento.

Assim, se o torcedor sofrer um dano em uma partida da série A-3 do Campeonato Paulista, os organizadores serão responsabilizados objetivamente. Mas, se o dano ocorrer na final da Copa do Mundo, caberá ao torcedor comprovar a culpa da Fifa.

Urge destacar que concordar com eventuais exigências da federação não corresponde a uma afronta à soberania, eis ser soberano corresponde à autonomia para aceitar ou rejeitar o que se propõe. Se o Brasil não quer aceitar, basta dizer “não” e a entidade máxima do futebol realizará a Copa do Mundo em outro país.

O fato é que não passa pela cabeça de nenhum brasileiro deixar de receber a Copa em razão de venda de bebidas, proteção de marcas, ou qualquer outro item da Lei Geral.

O importante é que o país utilize os grandes eventos que se aproximam para trazer um legado ao seu povo. Os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992), por exemplo, revitalizaram a cidade e hoje a capital catalã é uma das cinco cidades mais visitadas do mundo. A Alemanha dobrou o número de turistas no ano seguinte ao Mundial.

Além disso, há o investimento em infraestrutura que tem como foco a Copa e/ou os Jogos Olímpicos, mas cujos benefícios serão usufruidos para sempre.

Portanto, percebe-se a magnitude e a importância de se receber um grande evento esportivo, cabendo ao Brasil conduzir a sua realização de forma que tenhamos dias inesquecíveis e um legado fantástico.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Concurso e Olimpíadas buscando o espírito olímpico

O Comitê Olímpico, junto ao IAB-RJ, abre oportunidade para jovens graduados. A ideia de buscar novas oportunidades para os mais jovens arquitetos se concretizou com o lançamento do concurso de projetos para a área social do primeiro campo de golpe público (com 18 buracos, ou seja, completo) do Rio de Janeiro.

Não só será um projeto para as Olimpíadas como também visa fomentar o esporte no Brasil a partir deste equipamento, ficando, sim, como legado para a população.
 

O golfe nas Olimpíadas do Rio poderá aumentar o número de praticantes no Brasil

O concurso visa receber projetos de profissionais formados a partir de 1997 e inclui, como programa, um restaurante, área social, bar, loja, vestiários, local para eventos e administração e tem premiações para os três melhores projetos.

A importância de concursos públicos de arquitetura

Já faz tempo que defendo a causa. A abertura de concursos evita direcionismo a profissionais parceiros e democratiza a oportunidade de se projetar um equipamento público.

Se todos somos cidadãos, todos podem propor ideias para o poder público com igualdade. Tudo isso dá um leque maior de opções para o governo evitando projetos equivocados, uma vez que se pode escolher o melhor dentre muitas ideias e conceitos, o que dificilmente poderia ser enxergado com uma única proposta de um único profissional.

Desde que seja transparente, o concurso evita também corrupções. Não em todos os sentidos, mas, ao menos, em um deles.

O fator polêmico entre muitos arquitetos é que todos se esforçam, todos trabalham e somente cerca de três são pagos. Isso gera uma desvalorização do trabalho, uma vez que o cliente recebe inúmeras propostas e não paga pela maioria como se não fossem trabalhos com horas dedicadas.

No entanto, é uma oportunidade dada; quem se inscreve está ciente disto e está disposto a propor ideias, livremente, sem ser, necessariamente pago por isso.

O golfe nas olimpíadas

Nas Olimpíadas no Rio em 2016 “estrearão” duas modalidades: o golfe e o rugby. No entanto, o golfe foi praticado até 1904, ano no qual participou com somente dois países (Estados Unidos e Canadá).

Para o Brasil, teremos não só a reestreia do esporte, mas também podemos esperar muito mais países participando (cerca de 30, com participantes masculinos e femininos).

Além disso, o legado olímpico mencionado acima fica a favor desta ideia, democratizando o esporte no Brasil e aumentando o número de praticantes de um esporte que, até então, é elitizado por ter custos mais caros que outras modalidades.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

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Instalações e pessoas

Estamos assistindo a uma ampla revolução, qualificação e especialização de instalações esportivas por todo o país, impulsionado sobretudo pelos megaeventos esportivos que estão por ser abrigados no Brasil.

A lista é vasta: vai desde estádios de futebol com infraestrutura de primeiro mundo, sem precedentes por aqui, até pequenos e médios centros de treinamento que sonham em receber alguma delegação internacional para período de aclimatação de seleções e equipes estrangeiras.

Este lado é um ótimo indicador do desenvolvimento esportivo de uma nação. Mas, e as pessoas? Quem vai administrar estes equipamentos pós-2016? O plano estratégico que envolve a concepção e construção da instalação esportiva compreende a formação de especialistas para que a mesma se torne autossustentável no longo prazo?

A breve reflexão é no sentido de termos uma visão mais holística da gestão do esporte, que por vezes não está atrelada somente a bens tangíveis como fundamentais para o desenvolvimento da prática, mas é fruto principalmente do conhecimento acumulado por diversas ciências ligadas à gestão e ao esporte.

Este raciocínio lógico é fundamental em um momento após grandes eventos, como o ocorrido em Londres neste mês. A tendência de justificar bons e maus resultados recai em grande parte sobre a estrutura.

E a mídia e o grande público acabam acreditando que é só isso que resolve…

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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Tecnologia, só, não faz verão

Passado esse momento olímpico cria-se um espaço de debate, críticas e reflexões sobre o investimento no esporte, modelos de gestão de federações e análises do desempenho esportivo.

Sabemos que esses ciclos olímpicos muito têm a contribuir com o estudo das ciências do esporte, pois sempre surgem novos paradigmas a respeito de uma diversidade de aspectos, seja no treinamento, seja nos equipamentos, nos movimentos de competição, enfim, novidades sempre são apresentadas, ainda que demorem um pouco para serem percebidas e analisadas com profundidade.

Entre os temas discutidos estão o direcionamento dos recursos ao intercâmbio de atletas, o investimento em técnicos estrangeiros, centros de excelência esportiva e até um instituto de formação de técnicos. Enfim, vários temas recorrentes em nossas discussões sobre melhorias que podem chegar ao nosso universo do futebol também.

Entre tantos assuntos e temas que ganham projeção nesse momento julgo que um merece uma análise neste espaço. Um argumento que me chamou atenção em um evento logo após o término dos jogos, que se apresentava mais ou menos desta forma:

“O Brasil está anos luz atrás em termos de tecnologia dos outros países, é complicado competir em igualdade de condições”.

É importante nesse ponto verificar que é uma situação muito similar ao discurso que tem permeado o universo do futebol. Os resultados, principalmente em termos de seleção brasileira, estão cada vez mais contestados, questiona-se a falta de atletas de ponta (não se acham mais craques no futebol brasileiro, dizem muitos); é como se o nosso futebol tivesse parado no tempo.

Pois bem, voltando ao momento olímpico, de fato, a tecnologia colocada à disposição para os outros países contribui e bastante para uma diferença de desempenho. Porém, não podemos esquecer o conceito mister do que é tecnologia. Conceito este que já abordamos por algumas vezes, no qual entendemos que tecnologia é recurso e processo.

Assim, não importa ficar discutindo se os milhões investidos no esporte foram ou não suficientes, mas como eles foram investidos. É caro investir em equipamentos de ponta?

Sim, ainda mais se pensarmos em uma federação de boxe, nos recursos que, com certeza, são bem mais limitados do que os recursos alocados para o centro de treinamento da seleção de vôlei.

Porém, será que não existem fases de treinamentos e equipamentos comuns às diferentes modalidades que compõem o programa olímpico? O mesmo se aplica ao futebol, não existe forma de compartilhar estrutura para buscar melhores desempenhos?

E o mais importante é discutir como capacitar as pessoas para tirar proveito desses recursos tecnológicos. De nada adianta investir em equipamento, estrutura de centro de treinamento, coisa que os clubes brasileiros já têm feito, mas é importante dar um passo à frente. Quem opera esses centros? Quem cobra resultados? (não de jogo, mas de projetos, de análises) Quem administra? Afinal, quem lida com o processo tecnológico?

Faltam recursos humanos competentes?

Não acredito nisso. Temos cientistas do esporte espalhados pelo Brasil desenvolvendo importantes trabalhos nos seios da universidade; temos profissionais formando e influenciando novas gerações de profissionais do esporte.

É preciso nesse momento entender que tecnologia precisa de pessoas com competência de operá-las e, sobretudo, de transformar sua utilização em ações práticas.

E o investimento deve ser nesse sentido, de capacitar pessoas para agir no processo tecnológico vinculado à ciência do esporte.

Quando este momento chegar, os clubes disputarão os “direitos federativos” deste profissional que se destaca na competência de operar e transformar os recursos tecnológicos em desempenho. Esses, muitas vezes, serão os craques por detrás do campo.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br 

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Futebol Salva-Vidas

O futebol pode salvar inúmeras vidas em todo o mundo.

Aliás, já salva, num certo sentido.

Muitos jovens que se engajam nas categorias de base dos clubes por aí afora podem ser vistos como tendo sido salvos dos riscos sociais típicos, em especial drogas, violência e desocupação profissional.

Além dessa atividade voltada ao alto rendimento, podemos também nominar alguns projetos sócio-esportivos ou, até mesmo, as escolas de futebol, como vetores de desenvolvimento e transformação social.

Porém, o futebol também tem amparado uma fantástica iniciativa que ajuda a “salvar vidas” num sentido mais “literal” ou, pelo menos, mais trivial.

O Complexo Pequeno Príncipe é o maior hospital pediátrico do Brasil e tem sede em Curitiba. Os números são impressionantes: 390 mil crianças são atendidas por ano, incluindo consultas, exames e procedimentos cirúrgicos.

Há cinco anos, foi fundado o Instituto de Pesquisas Pelé Pequeno Príncipe, tendo como patrono e grande apoiador o maior ídolo do nosso futebol em todos os tempos.

Por tal motivo, promove-se o envolvimento entre o futebol e a responsabilidade social, por meio dos projetos socioesportivos e culturais desenvolvidos pelo Programa Gols pela Vida, vinculado ao Instituto de Pesquisas Pelé Pequeno Príncipe.

Atualmente, são 60 linhas de pesquisa, incluindo genoma humano e transtornos neurocognitivos.

O Programa Gols pela Vida foi concebido como plataforma de iniciativas que visam a levantar recursos para as pesquisas, em prol da saúde infantil, realizadas pelo instituto.

E uma delas é a chamada Copa Gastronômica Gols pela Vida.

Um time de 15 chefs renomados, do Brasil e do exterior, liderados por Claude Troisgros, o simpaticíssimo francês do programa de culinária “Que Marravilha”, são convidados a apresentar pratos especiais, a preços populares, em eventos voltados à arrecadação de fundos.

O projeto foi aprovado junto ao Ministério da Cultura e contou com diversas empresas parceiras.

A mais recente etapa se deu em São Paulo, na linda Sala São Paulo. Antes de se servirem dos pratos especiais do evento, os frequentadores puderam acompanhar um concerto de música erudita, regido pelo maestro Norton Morozowicz, que fazia parte da programação oficial.

Mais de 2500 pessoas circularam pelo evento.

Na noite seguinte, num jantar mais restrito e também com intuito de arrecadação de recursos, foram recebidos 250 convidados, para apreciar o fantástico menu liderado por Troisgros e que também contou com Alex Atala, Roberta Sudbrack, Iñaki Aizpitarte e Ignacio Echapresto, ambos da Espanha.

Tive o grande prazer de convidar e dividir a mesa com Beatriz Pantaleão e Raí, da Fundação Gol de Letra, Ana Moser, do Instituto Esporte e Educação, Jair Libardoni, do Projeto Bom de Bola Paraná.

Além destes, o jogador do Corinthians, Paulo André, cujo instituto leva seu nome, e Eduardo Tega, representando a Universidade do Futebol.

Raí e Ana Moser também lideram os Atletas pela Cidadania, que se constitui num grande fórum de discussão e execução de iniciativas socioesportivas no Brasil.

A conversa foi bastante rica, com grandes experiências compartilhadas a respeito de como se deve encarar o futebol como agente de transformação social no país, também tendo como semente a aproximação de líderes de instituições que pensam e agem seriamente sobre essa premissa.

Peraí, acho que me enganei lá em cima…

Disse que o projeto da Copa Gastronômica Gols pela Vida foi aprovado junto ao MinC, não junto ao Ministério do Esporte.

Não, não me enganei.

Futebol também é cultura.

Também pode salvar vidas.

Que marrravilha!

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Estruturação do espaço de jogo: a simetria e a assimetria defensivas

Em um jogo de futebol, a todo instante a variação dinâmica do posicionamento da bola, dos companheiros e dos adversários faz surgir, instantaneamente, uma readequação da estruturação individual e coletiva do espaço.

A variação dinâmica de qualquer natureza tende a gerar microdesequilíbrios organizacionais, tanto para a equipe que tem a posse da bola, quanto para sua adversária.

Sob o ponto de vista da estruturação do espaço, a lógica de reorganização dinâmica da equipe para manutenção de um equilíbrio posicional (defensivo e/ou ofensivo) pode ocorrer, ou de forma simétrica ou de forma assimétrica (LEITÃO, 2009; 2012).

Em geral, tanto a lógica de reorganização simétrica quanto a assimétrica independem da simetria ou assimetria geométrica da estruturação do espaço da equipe.

Isso quer dizer, em outras palavras, que para uma ocupação espacial simétrica do espaço, pode haver uma lógica interna de movimentação dos jogadores, simétrica ou assimétrica. O mesmo vale se a ocupação do espaço também for assimétrica.

Vou tentar exemplificar então, no texto desta semana, a partir de uma estruturação espacial defensiva zonal, o funcionamento de uma lógica interna de reorganização coletiva simétrica, e uma assimétrica.

Vejamos a Figura 1.

Temos nela (na Figura 1), a “equipe amarela” estruturada no 1-4-3-3.
Acrescentaremos uma equipe adversária (branca), de posse da bola, atacando pelo lado direito da defesa do time amarelo (Figura 2).

Com a bola pela esquerda da defesa, a equipe amarela flutua zonalmente para o lado dela (da bola).

A linha de ataque formada pelos jogadores 11, 9 e 7 (do time amarelo) mantém uma relação espacial entre eles, porém diminuindo a área do triângulo virtual formado no campo de jogo (Figura 3). O jogador número 9 assume um posicionamento especial para evitar que o time adversário consiga voltar a bola para trás (ele fecha o passe no jogador 3 do time branco).

Toda flutuação da equipe amarela tenta manter a geometria desenhada pelo 1-4-3-3.

Se a bola consegue ser circulada pelo adversário (equipe branca), saindo da direita do seu ataque, passando pelo centro, para depois chegar do seu lado esquerdo, deverá a equipe amarela (que se defende) flutuar de maneira a manter suas linhas do esquema tático, bem definidas.

Então, conforme podemos observar nas Figuras 4 e 5, quando a bola muda de lado, basta que as linhas da equipe que se defende, mantendo sua geometria, desloquem-se no campo de jogo, da esquerda para a direita.

Com a bola na direita da defesa, respeitando a mesma lógica defensiva que estava presente no lado esquerdo, mais uma vez a linha de ataque diminui a área do seu triângulo virtual, com o jogador número 9 “fechando” o passe do adversário para trás.

Toda essa lógica interna de reorganização dinâmica em função da posição da bola é uma lógica simétrica para a estruturação do espaço.

Isso é caracterizado pelo fato de que os jogadores das linhas de defesa, meio-campo e ataque não precisam mudar de posição entre si dentro da sua própria linha ou entre as linhas para poder manter a ocupação desejada do espaço (durante toda a dinâmica os jogadores 2, 3, 4 e 6 permanecem na linha de defesa, os jogadores 5, 8, e 10 permanecem na linha do meio campo, os jogadores 7, 9 e 11 permanecem na linha de ataque, e o goleiro mantém sua posição principal).

Agora, vejamos, para a mesma situação incial, e para a mesma estruturação do espaço, outra dinâmica de ocupação espacial.
Mais uma vez, a bola está do lado esquerdo da equipe amarela que se defende (Figura 6).

Mais uma vez o jogador número 9 da linha de ataque do time amarelo se posiciona para fechar o passe para trás da equipe branca.

Agora começa (didaticamente falando) a assimetria (Figura 7).

Quando a bola consegue ser circulada ao centro (pela equipe branca), ao invés do jogador número 9 (amarelo) correr para a faixa central, ele entra na linha do meio campo da sua equipe, pelo lado esquerdo.

Ao mesmo tempo sai para a linha de ataque o jogador número 8 (que pertencia à linha do meio-campo) – permanecendo nela (na linha de ataque).

Essa troca de posição, aparentemente mais racional sob o ponto de vista do deslocamento no campo de jogo, leva a mudanças posicionais constantes, de maneira que, para cada vez que a bola alterna de uma faixa para outra do campo de jogo, novos jogadores saem de uma linha para a outra.

Se a bola sai da faixa central e vai para a faixa direita da defesa da equipe amarela, dentro da assimetria estabelecida pela equipe, emerge uma simetria, pois após a mudança de linhas entre os jogadores de ataque e meio-campo, eles permanecem em suas novas posições sistêmicas (Figura 8).

No entanto, podemos observar (ainda na Figura 8) que ainda que esteja mantida a geometria do 1-4-3-3 zonal, estão diferentes as interações entre os jogadores 7, 9 e 11, e entre os jogadores 5, 8 e 10; porém não entre as linhas de defesa, meio-campo e ataque.

Com uma lógica interna de reorganização assimétrica, para manutenção equilibrada do espaço, é então de se esperar, que caso a bola saia agora da faixa direita de defesa da equipe amarela, em direção à faixa central, mais uma vez com uma troca, possivelmente o jogador número 8 (que agora na Figura 8 está fechando o passe para trás) entrará novamente na linha do meio-campo (por fora, pelo lado direito), e assumirá a faixa central na linha de ataque, o jogador número 11.

E, assimetricamente falando, por hoje é isso…

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br
 

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A vertente emocional e mais um argumento para o treinamento com jogos

Antes de iniciar as discussões acerca do tema desta semana, gostaria de parabenizar a iniciativa de alguns profissionais do futebol que têm utilizado as redes sociais para a troca e propagação de conhecimento relativo a uma das tendências metodológicas do treinamento em futebol, mais especificamente da Periodização Tática.

Tenho acompanhado muitas das atualizações, porém, não tenho comentado por já possuir um espaço em que posso, de certa forma, colocar minha visão do mundo, ou melhor, do futebol. Além disso, não seria correto opinar e não ter tempo suficiente para avançar em discussões.

O fato é que se nota, nas leituras que faço cotidianamente, a intenção positiva dos profissionais em propor algo mais ao nosso futebol que, também notoriamente, está clamando por melhorias.

Em certos momentos percebi que alguns assuntos foram tão polêmicos a ponto de gerarem comentários mais ásperos. Penso que a divergência de opiniões é fundamental para o crescimento de todos e não há nada melhor que bons argumentos (teórico-práticos) para enriquecer e contribuir na eterna formação que deve ser nossa existência. Sugiro, apenas, como seres humanos que somos (nunca agindo somente racional ou emocionalmente), que reflitam ao optarem por reações equivocadas (colocações ásperas) que somente limitam a construção de um novo futebol.

E agora, iniciando o tema e buscando constantemente a construção de um novo futebol, lanço a seguinte pergunta: como você treina a vertente emocional de sua equipe?

Quando alguém joga futebol, representa em cada ação seu comportamento tático-técnico-físico-emocional diante dos problemas impostos pelo jogo. Para problemas semelhantes, na grande maioria das vezes, os atletas apresentam respostas também semelhantes. Exemplificando, aquele atleta que se omite do jogo quando a situação está adversa (problema) continuará se omitindo (resposta) na maioria das vezes que tal situação se repetir.

E como sabemos, a omissão não é o único comportamento evidenciado em uma partida. Diferentes situações como, torcida, placar do jogo, decisão do árbitro, cobrança de companheiros, atitudes do rival, local do campo, jogada anterior, peso da competição e tradição do adversário, potencializam o desencadeamento de inúmeras reações emocionais (e não só emocionais) em cada um dos participantes de um determinado jogo. Além de omissão, possivelmente por medo, raiva, confiança, insegurança, euforia, nervosismo, ansiedade, coragem e tranquilidade são exemplos de alguns comportamentos emocionais manifestados pelos seres que jogam.

Para você que é treinador de um clube de categoria de base, quantos jogadores de sua equipe “sentiram o jogo” ao enfrentarem um clube grande?

Outra pergunta, mais especificamente para quem trabalha com algum rebelde, quantas vezes este atleta se desligou do jogo após uma cobrança sua ou dos companheiros de equipe?

E você, que assistiu à final dos Jogos Olímpicos? Reparou em comportamentos emocionais distintos (com o placar desfavorável) dos evidenciados ao longo da competição?

Então, qual é o método de treino capaz de aproximar os problemas (não só emocionais) do jogo no treino? O método que utiliza jogos, obviamente.

Como o treinamento com jogos utiliza fractais do futebol para preparar a equipe, a essência e os pressupostos do jogo (desequilíbrio, imprevisibilidade, desafio e representação) são mantidos. Dessa forma, os atletas continuamente são expostos (no treino) aos problemas que podem (e vão) se repetir no jogo.

Infelizmente, não conseguimos recriar no ambiente de treino a totalidade das características que envolvem um jogo oficial, mesmo assim, a possibilidade de confrontar a todo o momento erros e acertos da equipe, vantagem e desvantagem no placar, erros e acertos do árbitro (técnico), ou até o comportamento nas transições ofensivas e defensivas, permite uma leitura precisa de cada um dos atletas.

Com a leitura desta vertente da equipe em mãos, a comissão tem mais uma boa ferramenta para periodizar o seu jogar.

Concluindo, não confundam a discussão do tema com a dispensa do psicólogo no grupo de profissionais que integra uma equipe. Acredito que seu papel é de uma assessoria na educação (eterna formação) do indivíduo para além do desporto. É a profissão que nos orienta para o autoconhecimento. Tema (quem sabe) para uma coluna futura.

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br