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A importância da estrutura do clube para a formação de atletas e desenvolvimento de clubes

O Brasil há bom tempo tem equipamentos de base com qualidade baixa: simples e sem muita tecnologia ou conforto – exemplo disso era o CT de base do Corinthians localizado onde hoje se constrói o estádio, em Itaquera.

A partir de uma tendência européia, como a do centro de treinamentos do Milan, o Milanello, clubes brasileiros começaram a investir mais em seus equipamentos. Grande exemplo disso é o Parque São Jorge, do Corinthians, e o centro de base do São Paulo, em Cotia.

Ambos direcionam para uma nova perspectiva para os clubes nacionais. Mais um clube que terá um equipamento, em breve, é o Internacional, com a reforma no Beira-Rio.

Ter uma estrutura física digna e completa é fundamental para a manutenção de jogadores no clube, valorização do esporte e do atleta e é ainda essencial para o treinamento adequado e recuperação de atletas lesionados.

É fazendo os atletas se sentirem confortáveis, com sensação de lar, que se conseguirá maior resultado no esporte, pois passam ali muito tempo. Tem que ter privacidade, conforto e certas regalias bem como beleza.

A arquitetura é fundamental. Tanto para facilitar o treinamento e funcionamento, quanto para garantir o bem estar de todos que ali ficam, desde o infantil, até o time oficial. O Milanello conta com decoração e muito requinte e seria o ideal, mas, por ora, podemos considerar satisfatório o equipamento que temos. Já estamos caminhando.

É com essa estrutura que os clubes se desenvolvem em outros esportes que não o futebol, fazendo jus ao nome “esporte clube”, como Flamengo, São Paulo e Corinthians, por exemplo, e que, sem dúvida, trazem mais retorno financeiro e marketing para eles.

O Brasil ainda está longe da qualidade dos equipamentos europeus, principalmente não por poder comparar os lucros dos clubes, mas, conforme o país vai aprendendo e investindo na sua imagem, a estrutura de base tende a se adequar e cada vez mais ter novos talentos e times mais bem estruturados, bem montados, com jogadores que desenvolveram seu futebol em seu próprio ambiente.

A oportunidade das Olimpíadas pode forçar um investimento em alguns equipamentos de modalidades diferentes das do futebol – se não forçar, ao menos deveria, pois é a oportunidade, o momento de investir e desenvolver mais esportes.

Se os clubes têm atletas na natação ou na ginástica olímpica, por exemplo, seria o mínimo aproveitar o evento mundial para trazer benefícios aos esportes em forma de estrutura para crescimento das modalidades.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

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Sem alinhamento

A notícia que dá conta que o América de Natal começa a vender cadeiras para o seu novo estádio chama atenção pela eterna discussão sobre a existência, manutenção e sustentabilidade de grandes equipamentos esportivos nas cidades brasileiras.

Como todos sabem, Natal é uma das sedes da Copa, com a Arena das Dunas. E junto com Cuiabá, Brasília e Manaus, é uma das escolhas de sede da Copa mais criticada por dizerem que não há futebol consistente na capital potiguar. ABC e o próprio América são as principais equipes da cidade.

O registro do fato aponta para problemas que virão a prazo. Primeiro, que não se faz estádio de futebol sem futebol – e pós-Copa 2014 o futuro do estádio das Dunas tende a ser sombrio, pelo cenário que tem se desenhado.

Segundo, que ainda impera o amadorismo dos clubes em negociações com seus respectivos rivais – muitos dirigentes acreditam que a rivalidade deve ser mantida 24 horas por dia, ao invés de procurar fazer bons negócios em conjunto para poderem crescer juntos.

Por fim, o investimento do poder público, que poderá ser infrutífero nesses casos.

Apesar do caso em voga (Arena das Dunas) ter gestão-operação da Amsterdam Arena, com amplo know-how sobre gestão de estádios, é difícil imaginar sua sustentabilidade sem futebol.

Enfim, este é o registro de mais um caso da falta de alinhamento entre poder público, empresa parceira do estádio e negociação com os clubes. Este pilar é fundamental para que o equipamento seja efetivamente rentável ao longo de sua operação.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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Formar, vencer e um até breve

Dia 10/07/2011 eu iniciava minha caminhada dentro das colunas da Universidade do Futebol.

Em todos os meus textos sempre tinha como objetivo contribuir de alguma forma para a evolução e transformação de nossa prática esportiva, seja no âmbito socioeducativo, como no alto rendimento.

Duas perguntas me acompanharam ao longo das 53 colunas que escrevi e vão me acompanhar por um longo tempo. São elas:

“Como ganhar jogos?” e “Como formar atletas melhores?”.

Vocês têm as respostas?

Se alguém tiver, me envie e podemos discutir muito e através de inúmeras óticas.

Essas perguntas se reinventam a cada dia e quanto mais estudo, mais caminhos com novos desafios se abrem. A cada dia tenho um novo problema circunstancial para resolver, e isso me faz crescer como profissional e como pessoa.

Na primeira coluna que escrevi, falava sobre a dicotomia entre teoria e prática; hoje já vejo que essas partes são indissociáveis, e a única coisa que posso fazer é ter partes fractais do conhecimento teórico/prático sobre o jogo.

Conhecimento.

Teoria.

Prática.

Tempo…

Toda essa busca por conhecimento está ocupando meu tempo e pela necessidade das produções científicas deixarei de escrever as colunas semanais nos próximos meses.

É um até breve, e não um adeus!

Além disso, preciso tirar um tempo para assimilar e acomodar novos conhecimentos que estão borbulhando em minha cabeça – aguardem que, em breve, virão informações novas comprovadas no dia a dia de treino e de jogo.

Mesmo sendo um até logo, gostaria de agradecer a toda equipe da Universidade do Futebol.

Em especial ao Gheorge e ao Bruno Camarão, que me ajudaram em todos os aspectos da coluna e sempre entenderam minhas dificuldades de horário!

Ao Tega e ao Medina, sonhadores, que me inspiram a continuar nessa luta por um futebol melhor a cada dia.

Aos colegas de trabalho que sei que buscam a cada dia formar atletas de uma maneira integral!

Aos professores e amigos Leandro, Gustavo e Eduardo.

Ao mestre Rodrigo Leitão, pelos debates que me fazem crescer a cada dia. Inclusive tenho a honra de anunciar como o substituto de minhas colunas e com quem faço a parceria para a produção dos artigos científicos.

À Bianca, pelo amor e apoio incondicional.

A vocês, leitores, que fazem tudo isso acontecer!

Obrigado por todos os e-mails que pretendo responder o mais rápido possível.

E, como de praxe:

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br
 

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Dirigentes e investidores: aprendam sobre a (boa) formação

Três notícias futebolísticas dos últimos dias, aparentemente desconexas, têm uma significativa relação. Por terem ocorrido coincidentemente em uma mesma semana motivaram-me a escrever sobre o que elas representam.

A primeira diz respeito à convocação de um atleta para a seleção brasileira sub-15, formada por jogadores nascidos em 1998, que se reuniu na Granja Comary para um período de treinamentos. É o início da preparação da categoria comandada por Emerson Ávila que, em 2013, estará no “ano bom”.

A outra notícia se refere à opinião de Seedorf em relação a um dos seus companheiros no Botafogo. Após orientá-lo defensivamente quanto à sua tomada de decisão para desarmes, o jogador holandês elogiou-o publicamente quanto ao seu jogo ofensivo: “é muito dinâmico e não enrola com a bola no pé”.

Por último, a contratação de um lateral direito pela equipe do Real Madrid. A princípio a contratação é para a equipe B, porém, como nem todos os atletas iniciaram a pré-temporada, o jogador, que tem sido convocado para os últimos jogos da seleção brasileira sub-20, está treinando com a equipe principal.

O primeiro atleta ainda é um adolescente e fez parte somente de uma convocação. No entanto, ter oportunidade de ser lembrado num momento em que a CBF tem divulgado a importância de um trabalho de base em longo prazo, que reflita positivamente no elenco principal, é considerável.

O segundo, em fase final de formação com apenas 20 anos, busca um espaço na equipe carioca. Neste momento, poder ter como conselheiro o experiente Seedorf pode cortar-lhe bons caminhos na busca pela titularidade.

Já o último, igualmente jovem, viveu em pouco mais de um ano uma ascensão profissional meteórica. Após a Copa São Paulo de 2011, o atleta foi negociado com o Fluminense, disputou as competições juniores daquele ano, a Copa São Paulo de 2012 e após a disputa do torneio Oito Nações pela seleção, foi transferido para o Rio Ave. Não ficou nem um mês em Portugal antes de ser emprestado por seis temporadas ao clube que tem Mourinho como treinador.

José Marcos, Gabriel e Fabinho. Três atletas em clubes e momentos distintos da carreira, mas com um ponto em comum: tiveram importante passagem pelo mesmo clube formador.

O primeiro por dois anos, durante 2010 e 2011 e os outros dois, por seis anos, de 2005 a 2010.

Frutos de uma boa formação, claro que sem desconsiderar as passagens pelos seus respectivos clubes posteriores, o posicionamento que cada um destes atletas tem atingido em suas carreiras evidencia o que é urgente e sabido por alguns profissionais do futebol, porém, desconsiderado pela grande maioria dos dirigentes e investidores.

Como nos orgulhamos em afirmar, no Brasil, somos cerca de duzentos milhões de treinadores. Entre esses duzentos milhões encontram-se muitos dirigentes e investidores que creem ter a fórmula certa para prosperar no futebol.

A partir dessa visão, contratam, dispensam, gerenciam, gastam, competem e investem sem critérios eficazes, o que em médio-longo prazo leva para a insustentabilidade.

A solução seria buscarem informações do que é tendência na ciência do treinamento em futebol para formarem equipes de trabalho capazes de agregar valor a cada um dos atletas em formação num determinado clube. Com um trabalho qualificado, invariavelmente, os resultados (promoção de jovens valores, negociações, sustentabilidade, retorno financeiro) apareceriam.

Como a solução praticada não é essa, temos que observar exemplos quase que cotidianos de equívocos técnicos permitidos por deficiências administrativas. Por exemplo, a opinião de Zinho ao mencionar uma das justificativas ao demitir Joel Santana. O dirigente disse que o Flamengo precisa de um treinador com ideias novas. A ideia nova não deve partir do treinador e sim da gestão da instituição. É ela quem deve saber o que é ou não atual.

Quanto àquele clube formador, que os resultados continuem aparecendo e os referidos atletas, além de outros também, se destaquem no mercado do futebol para que sirvam como bons exemplos aos questionamentos feitos por aqueles que são avessos ao conhecimento.

Espero, somente, que esses que são avessos ao conhecimento não digam que foram meras coincidências…

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br
 

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O Brasil em Londres

Hoje é a abertura oficial do maior evento esportivo do planeta, as Olimpíadas de Londres. Para os brasileiros, estes Jogos trazem a peculiaridade de não serem transmitidos pela Rede Globo de Televisão – em TV aberta, a exclusividade é da Record.

Os valores envolvidos e o alcance midiático demonstram que os Jogos Olímpicos da era moderna tomaram proporções inimagináveis pelos gregos e até, até mesmo pelo Barão de Coubertin.

No Brasil, com o crescimento do investimento no esporte olímpico oriundos da Lei de Incentivo ao esporte, a expectativa é quebrar o recorde de medalhas.

A delegação brasileira tem chances de trazer medalhas em futebol, judô, atletismo, natação, vôlei, basquete, iatismo, hipismo e ainda surpeender em esportes como o boxe, o taekwondo e o tênis.

O futebol deve trazer medalhas no feminino e no masculino, tal como o vôlei de quadra e de praia. No basquete, depois de anos, a seleção masculina chega com coindições de beliscar um bronze.

No judô, o Brasil conta com campeões mundiais nas mais diversar categorias, o que ocorre também no iatismo.

O atletismo e a natação concentram as esperanças respectivamente em Maurren Maggi e Cesar Cielo, enquanto o hipismo tem em Rodrigo Pessoa seu maior expoente.

Com relação às surpresas, o boxe e o taekwondo despontam como fortíssimos candidatos.

A expectativa aumenta ainda mais quando nos damos conta de que os próximos Jogos Olímpicos serão no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

Até o momento, em Londres, já foram constatados problemas de transporte e segurança, o que é de se lamentar para uma grande metrópole europeia e que abriga as Olimpíadas pela terceira vez.

Espera-se que além do recorde de medalhas, o Brasil possa aprender com erros e acertos britânicos para realizar Jogos Olímpicos fantásticos. Que possamos fazer do Rio 2016 uma experiência sensacional como a desfrutada por Barcelona em 1992.

Terei a satisfação de aferir “in loco” e comentarei nas próximas colunas.

Por fim, além dos Jogos Olímpicos, merece destaque o acerto do Clube Atlético Mineiro na contratação do Ronaldinho Gaucho.

A cada rodada os jornais europeus têm dado notas de meia página destacando o resultado da partida e a atuação do jogador.

Assim, ainda que o Atlético não consiga o título brasileiro, os esforços enviados na contratação do polêmico Ronaldinho já valeram pelo marketing conquistado.

Conforme já destacado em outras colunas, um bom contrato desportivo pode trazer ao clube retorno desportivo e financeiro e, até o fechamento desta coluna, o Atlético tem desfrutado de ambas as conquistas.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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A grande diferença entre arena e estádio

O texto desta semana visa desmistificar alguns termos muito utilizados atualmente e que nos deixam confusos. Muito se fala em arena e estádio, sendo que ninguém sabe ao certo a diferença entre eles.

Eu acredito que não tenha tanta diferença, funciona mais como uma ideia de inovação, de transformação de um estádio comum em um espaço de espetáculos, o que, arquiteturalmente falando, muda muito pouco.

Arena

A ligação do termo “arena” com os estádios surgiu dos anfiteatros romanos, em que a estrutura é basicamente a de um estádio comum, sem cobertura, com o centro de apresentação (jogos, shows, peças ou batalhas) no centro, no nível mais baixo das arquibancadas, que eram geralmente circulares ou ovais. Os anfiteatros tinham a grande intenção de abrigar um público grande. 

Estádio

O estádio foi criado para partidas esportivas e todos nós sabemos muito bem suas características: ele pode ser a céu aberto, semi coberto ou totalmente coberto.

Posteriormente, para bancar as necessidades financeiras, os usos começaram a aumentar com a realização de shows e eventos religiosos, como o recebimento do papa, por exemplo.

Recentemente, pela necessidade de mostrar que o estádio terá uso, não ficará ocioso, denunciando mau investimento, e garantindo também a sustentabilidade econômica do equipamento, a transformação de um mero estádio em uma “arena” traz a imagem de que o equipamento, assim como os anfiteatros, recebe um leque maior de atividades variadas.

No entanto, é mero discurso. A arquitetura não tem muita diferença, pois é costumeiro se pedir a tal “arena multifuncional”, como se o termo fosse o suficiente para definir conceitos, estratégias ou diretrizes arquitetônicas.

Embora o intuito de ter diferentes usos em um mesmo espaço seja interessante, a forma como é desenvolvida é muito vaga. Seria necessária uma definição mais focada para uma arquitetura específica e diferenciada.

A principal mudança que vemos com o termo é que os estádios (agora transformados em arenas) são necessariamente cobertos. No entanto, essa cobertura – cobrindo todos os assentos das arquibancadas e todos os anéis – se dá pela necessidade atual do público e exigência dos reguladores de campeonatos, como a Fifa, e nada tem a ver com o anfiteatro – este sempre a céu aberto.

Portanto, arena e estádio são estratégias de vendas de um produto igual como se tivesse um conceito diferente. O mesmo acontece com outros termos frequentemente utilizados sem fundamento e sem justificativas, como “legado” e “sustentabilidade”. Puro discurso.

Nota sobre a coluna da semana passada:

A usina de Battersea foi vendida para uma empresa da Malásia, portanto, o sonho de estádio icônico do Chelsea não será concretizado ali.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

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Estamos preocupados com o futuro?

Às vezes me pergunto se estamos efetivamente preocupados com o futuro das marcas dos nossos clubes de futebol. Será que estamos atingindo efetivamente a cabeça (e o coração) das crianças e jovens da nova geração? Como está a comunicação voltada para este público? O que será dos clubes daqui 20, 30 anos, uma vez que as crianças que estão hoje na faixa dos 10 anos de idade pertencerão à faixa da população economicamente ativa até lá?

A reflexão veio da leitura da reportagem do Mundo do Marketing, intitulada “Quem são e por que as marcas não entendem os consumidores infantis”.

Percebe-se, pelo relato, a dificuldade que as marcas do meio corporativo têm para atingir o público infantil diante de um mundo cada vez mais digital, com reduzida fração no interesse por bens tangíveis para um apreço maior sobre as coisas virtuais. Isso que estas empresas estudam e procuram monitorar as preferências do seu público-alvo.

A mídia esportiva, em alguns casos, tem tentado esta aproximação, nomeadamente por meio dos “Fantasy Games” e pela interação em alguns programas com as redes sociais e a internet. Mas ainda são ações isoladas, sem um efetivo aproveitamento dos clubes.

A constatação serve apenas para efeito de reflexão, mesmo, uma vez que as mudanças e inovações tardam em muito por ser implementadas no futebol brasileiro.

E o motivo todos sabem: a única preocupação é se o clube deve ou não demitir o treinador no próximo domingo…

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O crime não compensa quando o esporte é opção

Estava conversando com amigos meus sobre os rumos da eleição para a prefeitura de Curitiba.

Muita imaginação e adivinhação política por parte de todos nós.

Comentários sobre as articulações de bastidores, possíveis e improváveis coligações.

Um tanto de decepção sobre como os rumos de nossa democracia são maltratados no país.

Em boa parte por nossa culpa, sim, pois ficamos alheios a uma cobrança e participação popular mais ativa, que extrapole o direito de votar e ser votado.

Eis que a conversa começou a pender sobre como combater os altos índices de criminalidade e violência, atualmente também associados ao tráfico e consumo de drogas.

Disse, com firmeza, mas ressabiado da repercussão: “o esporte pode ser, sim, um grande vetor de mudança positiva desse cenário. Mas associado, obrigatoriamente, à educação”.

Vi que meus amigos se entreolharam e assentiram frente à sugestão.

Fui além e disse que a prática esportiva ajuda na integração por meio dos esportes coletivos; na concentração e disciplina a partir dos esportes individuais; a formação de valores e do caráter das pessoas resta favorecido; a produção intensa de adrenalina, endorfina, dopamina.

Sei lá, muito hormônio desses que literalmente “surravam” o corpo e a mente, fazendo com que as únicas coisas que eu queria fazer, ao chegar em casa dos treinos, era comer, ler e dormir.

A conversa foi ficando mais rica, na medida em que essa experiência democrática e participativa era alimentada com ideias para viabilizar a boa intenção, mas de maneira prática.

Aumentar e melhorar as instalações esportivas nas escolas e centros públicos e privados; investir na qualificação dos professores; criar programas de incentivo financeiro vinculados ao desempenho escolar e esportivo; envolver as comunidades e famílias locais.

Alguns se perguntam se, efetivamente, os indicadores do esporte, nesse contexto de prevenção e redução de problemas vinculados à criminalidade, são passíveis de mensuração.

Afirmo que sim, pois recebi de um amigo escritor e ativista social da Irlanda, Don Mullan, um relatório da Universidade de Chicago que ampara esta iniciativa.

A partir de um programa chamado World Sport Chicago and Youth Guidance, voltado para a redução da violência juvenil, o Laboratório de Criminologia da Universidade realizou estudo que comprovou que a terapia cognitiva comportamental associada ao aconselhamento e à prática esportiva teve significativo impacto no aumento do engajamento nos estudos e a redução da violência em 43%.

O estudo foi apoiado em jovens do sexo masculino de Chicago que vivem em áreas de alto risco social na cidade.

Gostaria de ver esse tipo de discussão qualificada nos debates e nos programas de governo/mandato nestas eleições.

Aliás, fiz um pouco da minha parte, ao sugerir a destinação do orçamento da cidade, para 2013, por meio do serviço oferecido à população para balizar a votação da Lei Orçamentária Anual.

Cobrar de maneira eficaz é o segundo passo para transformarmos o país – também por meio do esporte.

Só o primeiro passo – a indignação e reclamação – já não adianta mais.

O endereço era http://loa.curitiba.pr.gov.br/.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br 
 

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Paramos no tempo?

Queria começar a coluna desta semana com uma afirmação do treinador Levir Culpi no último programa “Bem, Amigos!” quando questionado se o mesmo estava ansioso para voltar a trabalhar no mercado nacional.

“Eu fiquei 5 anos no Japão e aprendi muito com o país. Agora que voltei (ao Brasil) estou ouvindo os comentários e fico impressionado como o futebol brasileiro não evoluiu”, afirmou Levir.

Alguma surpresa?

Estamos discutindo há algum tempo que precisamos evoluir e nos adequar à nova realidade do futebol mundial.

Sabemos que novos métodos de trabalho e novas formas de jogar vêm sendo discutidas e desenvolvidas há tempos em países como Espanha, Holanda, Alemanha, Portugal entre outros.

Sabemos muito bem disso.

A fala do treinador é a constatação de alguém que esteve dentro do processo, saiu do país, evoluiu como treinador e voltou esperando que nosso futebol tivesse acompanhado a evolução mundial. Mas isso não ocorreu.

A minha dúvida é: será que continuaremos parados no tempo? Até quando?

Essa estagnação é culpa do ambiente, da resistência ao novo, do continuísmo, do imediatismo e da própria evolução dos nossos conceitos.

Enquanto discutimos a tática como o centro das atenções e a Periodização Tática como a solução dos problemas, existem outras teorias mais recentes que já colocam por terra muitas coisas que achamos ser o suprassumo do processo.

O fato é que precisamos fazer algo e continuar lutando, pois não podemos ficar parados!

A fala do Levir Culpi mostra que essa estagnação está incomodando a todos. Só espero que esse incômodo gere algum tipo de atitude para a mudança.

Sei que isso já está acontecendo e há profissionais que estão à frente de seu tempo (se é que podemos dizer isso), mas o trabalho ainda é lento e desgastante.

Acredito que precisamos ser ouvidos e, quando isso acontecer, temos que estar preparados para ajudar na real mudança!

Ela vai acontecer, mais cedo ou mais tarde (Espero que seja o mais rápido possível).

Vamos nos preparar e buscar algo além! Não vamos ficar copiando de uma forma precária conceitos desse ou daquele autor, e sim inovar, propondo conceitos próprios.

Há muita coisa para se estudar e aplicar no jogo! Inove!

Para terminar, uma frase de Steve Jobs, considerado um dos maiores nomes da inovação:

“Você quer vender água com açúcar o resto de sua vida, ou quer uma oportunidade para mudar o mundo?”

Vamos inovar!

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As regras certas e a dinâmica do jogo: treinando a organização ofensiva – parte III

O tema desta semana se refere à sequência das colunas publicadas meses atrás relativas ao treinamento e, consequentemente, ao jogar de qualidade. Se você não teve oportunidade de ler a primeira ou a segunda partes, aconselho que retome a leitura a fim de que o texto não adquira uma conotação de “receita de bolo”, para ser reproduzida sem a mínima reflexão.

Conforme havia mencionado, as sugestões de regras apontadas nas próximas linhas favorecem o treinamento da organização ofensiva de sua equipe. Para continuar, outro conceito que não pode ser perdido na interpretação das regras e, obviamente, na elaboração e aplicação do treino diz respeito aos fractais, abordado noutra coluna semanas atrás.

Para treinar alguns Meios Táticos Ofensivos como Desmarques, Apoios, Mobilidade com ou sem Trocas de Posição, as seguintes regras podem ser utilizadas para compor o jogo:

•Dividir o campo de ataque em diversos setores e a equipe pontuar quando receber passes em setores desocupados pelo adversário. Esta regra força os jogadores da equipe que detém a posse de bola a buscarem constantemente os espaços vazios no campo de ataque do adversário;

•Dividir o campo de ataque em diversos setores e o atleta que fizer o passe deve mudar de setor, caso contrário, pontuação ao adversário. Esta regra faz com que o atleta que realizou o passe internalize o conceito de dar sequência a jogada mesmo após ter realizado uma ação direta com bola;

•Dividir o campo de ataque em diversos setores e a cada passe feito no campo de ataque todos os atletas que estão no campo ofensivo (com exceção do jogador que recebeu o passe), devem mudar de setor. Uma regra que favorece significativamente a mobilidade ofensiva, mas deve ser feita somente quando os atletas dominarem competências prévias relativas à movimentação da equipe, pois a desordem gerada no jogo devido às constantes mudanças de setores pode dificultar a aplicação do jogo;

•A equipe pontuar quando houver uma troca de posição entre dois jogadores no campo de ataque, em que um dos jogadores responsáveis pela troca receba um passe. Regra que implica que a equipe que possui a posse de bola execute trocas de marcação com o objetivo de dificultar e desorganizar a organização defensiva adversária. Como envolve somente três jogadores (o que faz o passe, além dos dois que realizam a troca), esta regra possui maior facilidade de aplicabilidade;

•A equipe pontuar ao trocar um número determinado de passes no campo de ataque sem poder devolver o passe para o jogador no qual o atleta o recebeu. Espera-se com esta regra que o atleta que fez o passe não seja o próximo a realizar o apoio e que demais atletas aproximem-se do que recebeu a bola, abrindo-lhe linhas de passe;

•Restrição do número de toques na bola por jogador. Regra bastante utilizada e propagada para acelerar o jogo ofensivo, logo, exigir maior mobilidade coletiva;

Para estimular o Meio Tático Ofensivo de Fintas e Dribles, como sugestões de regras:

•Delimitar um setor próximo à zona de risco em que um drible realizado precedido por um passe equivale a uma pontuação. Estimula os atletas a tentarem jogadas individuais em setores próximos ao alvo em que a equipe precisa manter a posse de bola;

•Gol precedido por drible em setores próximos à zona de risco ter pontuação maior que demais gols. Regra que privilegia o drible que antecede a finalização, ou seja, uma das poucas circunstâncias do jogo em que este recurso precisa ser utilizado;

•Dividir o campo em setores em que o drible é permitido. Executá-lo em setores não permitidos e a equipe perder a posse de bola, pontuação para o adversário. Regra que busca o aprendizado coletivo dos setores ideais para a realização do referido Meio Tático;

Lembre-se de dividir corretamente os pontos para o jogo ficar competitivo. Do contrário, a Lógica do Jogo criada pode privilegiar comportamentos coletivos distantes do que idealiza para a equipe.

Aguardo sugestões de como você treinaria cada um destes Meios Táticos. Esta troca de informações é muito enriquecedora.

Para finalizar, lembre-se também que as preocupações técnicas-físicas-mentais para o desenvolvimento do jogo devem acontecer. Por isso, o controle adequado do tempo de estímulo, tamanho do campo, ações técnicas predominantes e até a observação e intervenção diante de comportamentos individuais durante o jogo devem ser estabelecidas para que o seu TODO seja contemplado.

E ainda falam que o futebol (ensinar e jogar) é fácil…

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br