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Princípios de jogo defensivos e os problemas que podem terminar em gols

Ao assistir a uma partida de futebol por alguns minutos, é possível observar uma repetição de comportamentos nos quatro momentos do jogo que, numa análise mais ou menos complexa, permite identificar quais são as características de cada equipe e o quão elaborado é a manifestação dos seus princípios de jogo.

Aplicar um jogar elaborado no que tange a referência operacional de proteção do alvo compreende manifestar no nível individual e coletivo alguns elementos que são fundamentais para o sucesso defensivo.

Entre estes elementos, que podem ser facilmente observados em equipes de alto nível do futebol mundial, destacam-se: a ocupação de setores importantes, próximos à zona de risco, entre bola e alvo; a presença de comportamentos táticos coletivos comuns (flutuação, equilíbrio, retardamento, compactação, recomposição, etc.); a redução em espaço e tempo da ação do adversário e a ação individual a partir de todas as referências do jogo (bola, adversários, companheiros e alvo).

Estes elementos, se reproduzidos nas inúmeras situações imprevisíveis que acontecem num jogo de futebol, possibilitam que todos os atletas tenham a mesma resposta (e não a mesma ação) durante os 90 minutos. Uma utopia (e um sonho) para qualquer treinador!

Nos quatro últimos jogos da Copa SP, o Corinthians teve como adversários Primeira Camisa-SP, América-MG, Atlético-PR e Fluminense-RJ. Algumas imagens de cada uma destas equipes, relacionadas à proteção do alvo, foram editadas para a discussão referente ao tema desta semana.

Como sugestão, aconselho acompanhar cada lance com o seu respectivo comentário para maior compreensão didática do vídeo.
 


 

Abaixo, os problemas defensivos que de alguma forma influenciaram o placar final de cada um dos confrontos:

1-Jogador como única referência de marcação e setores importantes vulneráveis (00:03 a 00:06);

2-Volante do 1x4x1x4x1 com referência individual de marcação e consequente má ocupação da zona de risco (00:11 a 00:15);

3- Linha defensiva bem postada, porém, combate à bola da linha de meias em detrimento à proteção da zona de risco e lentidão na recomposição (00:19 a 00:22);

4-Excessiva lentidão para ação de comportamentos táticos coletivos, referência de marcação individual e setores importantes vulneráveis (00:33 a 00:37);

5-Ineficiente ação de retardamento, combate à bola em detrimento a proteção do alvo (00:43 a 1:02);

6-Plataforma de Jogo do América-MG 1x4x2x3x1

7-Uma das únicas equipes que tentou sair jogando em toda competição. Infelizmente, a Lógica do Jogo não “perdoa” (01:12 a 01:20); (obs: que o treinador assim mantenha suas equipes)

8-Escanteio a favor do Corinthians. Quatro jogadores na linha da marca penal e ataque à bola após cobrança aberta (1:23 a 1:26);

9-Comportamento coletivo distinto, perda da linha defensiva e setor importante vulnerável (1:29 a 1:41);

10-Escanteio a favor do Corinthians. Quatro jogadores na linha da marca penal e um na pequena área. Ataque à bola após cobrança aberta (1:43 a 1:46);

11-Mau equilíbrio da linha de defensores e meias. Setor importante vulnerável. (1:49 a 1:59);

12-Linha defensiva com comportamentos coletivos não comuns, setor importante vulnerável, referência individual de marcação (2:04 a 2:14);

13-Escanteio a favor do Corinthians. Fluminense marca como está indicado no vídeo (2:21 a 2:25);

14-Escanteio a favor do Corinthians. Fluminense repete a forma de marcação (2:26 a 2:31);

15-Escanteio a favor do Corinthians. Fluminense repete a forma de marcação (2:32 a 2:36);

16-Escanteio a favor do Corinthians. Fluminense repete a forma de marcação. Por optar pela marcação individual, o atleta que marca Antônio Carlos não reage à mudança de direção e é ineficaz na marcação (2:42 a 2:51);

Termino o texto deixando uma pergunta: face aos inúmeros recursos ofensivos que o Corinthians demonstrou (bolas paradas, jogadas individuais, movimentações, ataque pelas laterais, pelo corredor central, transição rápida, finalizações de fora da área) e as dificuldades circunstanciais identificadas de cada um dos adversários, o que (e como) treinar para melhorar?

Aguardo sugestões!

Para interagir com o colunista: eduardo@universidadedofutebol.com.br
 

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O futebol da terra do Tio Sam

No próximo domingo será realizado o Super Bowl XLVI, grande final da Liga de Futebol Americano dos EUA, a NFL, que reunirá em Indianápolis o New York Giants e o New England Patriots. 

O Super Bowl, mais que um evento esportivo, é um grande negócio que atrai milhares de anunciantes e corresponde à grande final da liga NFL disputada entre os campeões das Ligas AFC e NFC em uma cidade sede pré-definida. 

É o jogo de campeonato mais assistido do mundo, sendo transmitido ao vivo para 180 países. Ademais, tem uma audiência anual de quase metade dos lares com TV americanos, sendo que as 15 maiores audiências da história da televisão americana foram em jogos de Super Bowl. 

Desde os anos 1990, quando ultrapassou o beisebol, o futebol americano é o esporte mais popular nos Estado Unidos, onde é conhecido como “football”. A referida denominação se dá ao fato de o futebol e o rugby terem sido introduzidos praticamente na mesma época no Estados Unidos. 

O jogo é tático e estratégico com 22 jogadores dentro de campo ao mesmo tempo (11 por equipe), cada um com uma tarefa atribuída para a jogada.

O objetivo do jogo é somar mais pontos. A principal jogada é entrar na área ao fundo do campo adversário (endzone) com a posse da bola (touchdown), ganhando seis pontos e direito a pontapé livre a gol por mais um ponto extra, ou dois pontos extras – se os jogadores tentarem, ao invés de um pontapé livre ao gol, um passe ou uma corrida. 

Há, ainda, uma situação onde um jogador com posse de bola é derrubado por um adversário em sua própria (endzone). Tal situação confere dois pontos à equipe do jogador que derrubou o adversário. É a única situação onde um time sem a posse de bola pode pontuar. Algo como um gol contra.

O jogo tem a duração de 60 minutos, e é dividido em dois tempos e cada metade consiste de dois quartos com a duração de 15 minutos. Se um jogo estiver empatado ao fim do tempo regulamentar, joga-se um prolongamento. Os prolongamentos obedecem ao método de “morte súbita”, o que significa que a equipe que pontuar primeiro, vence.

A partida inicia-se com um chute inicial (kickoff, em inglês) que também é usado para reiniciar o jogo depois de cada field goal ou uma tentativa de conversão depois de um touchdown

As jogadas são denominadas “escaramuças” (scrimmage) e este é um de uma série de downs atribuída à equipe que detém a posse da bola. 

Cada equipe tem quatro downs (tentativas) para tentar ganhar 10 jardas. A linha que uma equipe deve atingir para ganhar um primeiro down é chamada linha a conquistar. À equipe com posse de bola chamada-se equipe ofensiva e à outra, equipe defensiva.

Cada down é uma jogada de scrimmage. Antes de cada jogada de scrimmage, as duas equipas alinham-se em lados opostos de uma linha de scrimmage, que é determinada pelo ponto onde a bola ficou na jogada anterior. 

Um down, ou jogada de scrimmage, começa com um snap e termina quando a bola fica morta por qualquer razão. Um snap é uma entrega entre as pernas do central ao quarterback, ou um passe entre as pernas do central ao quarterback ou possivelmente a outro jogador como um punter ou um transportador para uma tentativa de field goal (gol de campo). 

A bola é considerada morta, terminando o down, porque um jogador na sua posse é empurrado, ou porque o seu progresso é parado, ou porque sai dos limites do campo, ou porque um passe em frente fica incompleto.

Para avançar a bola mantendo a sua posse a equipe pode correr com a bola (o quarterback, que é o jogador que geralmente fica com a bola depois do snap, pode correr com ela ou, o que é mais frequente, entregá-la ou fazer um passe curto para um running back, que se transforma no transportador de bola. A maior parte dos outros jogadores de ataque têm tarefas de bloqueio) ou por meio de um passe em frente que só pode ser feito numa jogada de scrimmage e de uma posição atrás da linha de scrimmage

Um passe incompleto é um passe em frente em que a bola bate no chão ou sai do terreno de jogo, caso em que no ponto em que o passe termina a bola fica morta e é posta na linha de escaramuça anterior para a jogada seguinte. Interceptação é um passe que é apanhado pela defesa, o que transfere a posse de bola para a equipe defensiva, que pode correr com a bola.

Não há muita divulgação no Brasil, mas, desde 1998 existe uma Federação internacional (IFAF) com 45 associados e que organiza desde 1999, a cada quatro anos, uma Copa do Mundo de Futebol Americano. Os Estados Unidos enviaram equipe amadora (sem as estrelas da NFL) para as duas últimas edições, tendo se sagrado campeão em ambas, sendo que a última edição foi organizada na Áustria em 2011.

Apesar de nunca ter participado de um Mundial, o Brasil possui uma Associação de Futebol Americano participante da IFAF e, desde 2010, há também uma Liga composta por 12 equipes divididas em duas conferências, sendo a final realizada em partida única na casa da melhor equipe da temporada regular entre os campeões de cada conferência.

Esta partida é denominada “Brasil Bowl” e a sua última edição (a segunda) foi realizada no estádio Couto Pereira em Curitiba e reuniu o Coritiba (campeão da Conferência Sul) e o Fluminense (campeão da Conferência Norte). Nesta partida, a equipe paranaense sagrou-se campeã.

Apesar da complexidade das regras, o futebol americano tem passado por uma importante ascensão mundial com reflexos, inclusive no Brasil (este ano, a seleção brasileira disputou sua primeira partida em casa). Portanto, vale a pena ficar ligado no esporte, pois há muito que evoluir.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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A proximidade do torcedor com o campo e o comportamento da torcida em Copa do Mundo

Quem nunca frequentou uma Copa do Mundo talvez não tenha reparado na diferença de comportamento da torcida. Fora do Brasil, em muitos países (até mesmo alguns com grande tradição no futebol), é comum assistir sentado às partidas.

Em Copas, por haver muitas nacionalidades presentes nos estádios, isso acaba gerando alguns conflitos, embora não seja comum acontecer brigas ou grandes discussões, muito menos vandalismo. No entanto, o Brasil é um público legitimamente fanático, assistindo em pé e muitas vezes destruindo cadeiras e arquibancadas, permanecendo muitas vezes em cima dos assentos.

Mesmo sendo no Brasil, a Copa do Mundo deveria prezar por um comportamento mais adequado. Jamais deixará de ser brasileiro por adotar a educação e bons hábitos na praça esportiva.

No entanto, entra aí a questão das barreiras físicas entre campo e arquibancadas. A maioria das modernizações de estádio no mundo preza a eliminação de barreiras físicas e visuais, com a função de aproximar o público do evento.

Saem, então, os fossos com aspecto medieval, cheio de armadilhas, como espetos, arames farpados e alturas relativamente grandes, e entram uns mais discretos, onde há um desnível relativamente pequeno, criando corredor entre o campo e a arquibancada, onde ficam posicionados os seguranças e mantendo a mesma cota entre dos degraus mais baixos e o campo de jogo.

 

Mas essa solução gera alguns problemas, pois é contraditória. Para a segurança da partida, são posicionados seguranças no novo ‘fosso’ e alguns também nos níveis mais baixos, criando uma barreira móvel para o torcedor.

Além disso, as próprias placas de publicidade ao redor do campo geram uma nova barreira, pois não deixam que o público veja os limites com campo, perdendo saídas de bola. Inutilizando, assim, as primeiras fileiras das laterais.

Nas arquibancadas atrás do gol é pior ainda, pois a barreira imensa de fotógrafos não permite a visibilidade do campo como um todo.

Acima, a solução escolhida para o Soccer City, em Johannesburg, na Copa de 2010 e em treinamento com a segurança contratada para auxilío de invasores. Gradil no limite da arquibancada com portões que abrem contra o público, suportes metálicos esgastados para evitar o acesso direto ao fosso e seguranças nos dois níveis.

De fato, a proximidade buscada nem sempre consegue seu objetivo. Um estudo muito cauteloso deve ser feito para achar um ponto adequado para a cota mais baixa das arquibancadas e as barreiras da Copa e dos jogos nacionais – que tem alturas bem diferentes.

Nenhuma campanha começou de fato a conscientizar o brasileiro para os bons modos e é um risco manter esse tipo de solução. Inicialmente, seria muito adequado manter uma barreira translúcida (a Fifa especifica uma material como sugestão em seu manual de requerimentos) a fim de ganhar tempo para o país se adequar a esses “novos” comportamentos, pois o brasileiro não está preparado…

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

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Linha de defesa: jogar em linha ou com sobra?

Tenho participado de discussões muito interessantes nesse pequeno período pós- confronto entre FC Barcelona e Santos, pela partida final do Mundial Fifa de Clubes de 2011. Estive em dois mini-fóruns e tenho mais dois agendados – e o tema ainda diz respeito a construção do jogar da equipe catalã.

Então, pretendo, a partir de abril, produzir um material a respeito destes debates e publicar aqui na Universidade do Futebol.

Por ora, ainda que o assunto “FC Barcelona” me tente a escrever (já!), vou me concentrar em outros temas que também têm gerado debates com colegas do Café dos Notáveis.

Hoje, vou, então, através de uma “vídeo coluna tática”, falar a respeito da linha de defesa das equipes em geral – mais especificamente do seu posicionamento típico – quando elas (as equipes) estão de posse da bola, já no seu campo de ataque.

Tentarei dar uma ideia básica e geral sobre o posicionamento em linha, dos jogadores de defesa, sem que haja sobra em profundidade (comumente observado nas equipes europeias) e o posicionamento da defesa, com sobra em profundidade (comumente observado nas equipes no Brasil).

Antes, porém, meus agradecimentos ao César e ao Feco (analistas de desempenho) e ao Marcelo e ao Gustavo (futuros adversários pelos campos de jogo) pelo empenho e dedicação gratuitos (mas de muito valor para mim)!

Vamos à coluna…
 

 

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br  
 

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Transferências

Assistimos nesta terça-feira ao fechamento da janela de transferências de jogadores na Europa. Nada de especial, como era de se esperar. A época da janela também não tem lá muita expectativa, servindo apenas para a reposição de peças no elenco que deveria ter sido formado no meio do ano passado, ou seja, início da temporada europeia.

Atenção apenas para a Itália, que pareceu apostar em contratações duvidosas, quase que uma ação desesperada de soluções para dar resposta à torcida, ou de se comportar como um mercado emergente, servindo como ponte para jogadores mais jovens chegarem no mercado europeu para uma futura revenda – algo muito semelhante a que Portugal e alguns países do Leste Europeu fizeram até pouco tempo atrás.

O retrato é, em suma, um aparente declínio de um mercado que era protagonista para um cenário de mercado “marginal”, fruto de uma série de mas escolhas em termos de gestão dos clubes e da própria liga italiana como um todo.

O alerta serve para o Brasil, em um momento quase que unânime de euforia exagerada por parte dos clubes. Vale lembrar que a construção, visão de longo prazo e pensamento único dos clubes para formar uma competição interna rentável está bem longe de se concretizar.

E as notícias do início de 2012 vindo dos principais clubes de futebol são preocupantes. Clube campeão de Copa do Brasil com salários atrasados. Craque contratado a peso de ouro que não é pago, não se sabe nem quem vai pagar. Dirigente a declarar que jogador ganha muito e, portanto, pode suportar salários atrasados… e por aí vai.

Se trocássemos o ano de 2012 por 1992, não acredito que as notícias seriam lá muito diferentes…

Será que realmente estamos vivenciando um período de evolução?

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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Dois não é, simplesmente, igual a um mais um

O futebol nos brindou com duplas que se consagraram nos gramados, cujo entrosamento era visível em diversos aspectos.

Podíamos dizer que era uma relação amorosa baseada no talento dos jogadores.

Washington e Assis, o famoso Casal 20 do Fluminense campeão brasileiro de 1984.

Bebeto e Romário na Copa de 1994.

Gullit e Van Basten na Holanda da Eurocopa e no Milan de Arrigo Sacchi.

Maradona e Careca no Napoli que dominou o Calcio no fim dos anos 1980.

Pelé e Pepe no mítico Santos.

Edmundo e Evair no Palmeiras e também no Vasco na década de 1990.

Ronaldinho Gaúcho e Eto’o no Barcelona.

Paulo Nunes e Jardel, no Grêmio de Felipão.

Rivaldo e Ronaldo na Copa do Mundo em 2002.

Também tivemos, na zaga, monstros sagrados atuando juntos, como Oscar e Dario Pereira no São Paulo, além de Maldini e Baresi no Milan.

O grau de conhecimento recíproco que um tinha do outro, nas suas forças e fraquezas, permitia cimentar a relação no campo, fazendo com que não mais se pudesse considerar apenas um ou o outro.

A referência era sempre conjunta.

A bola necessitava vê-los lado a lado.

Tal qual um casal de namorados, amantes, existia algo quase místico para que uma espécie de reação química promovesse a interação.

Os amigos os tinham como dupla perfeita. Bastava um olhar, ou até mesmo sem olhar entre ambos para as coisas funcionarem – algo premonitório, como dizia Chico Buarque, ao afirmar que “o drible de corpo é quando o corpo tem presença de espírito”.

Mal sabiam os vizinhos que isso também era construído, nos treinamentos, com muito empenho e dedicação. Às vezes com brigas, discussões, hiatos.

Mas sempre superados, já que os objetivos eram comuns e o respeito prevalecia.

Numa dupla ou casal, a comunicação não-falada existe e funciona.

Mas a verbalização deve sempre existir, para que o silencio não opere e possa ser interpretado, equivocadamente.

Isso se exercita todos os dias da semana e constantemente. Não se deve achar que é algo automático, divino ou que se ganha de presente.

Não é dado, é construído.

Um relacionamento a dois provoca um cenário complexo, em que A+B não é simplesmente “(A+B)”, mas sim um terceiro elemento “C”, que possui características próprias.

E não se trata de perder ou anular a identidade individual. Ao contrário.

Como canta o espanhol Joaquin Sabina, “Pero dos no es igual que uno más uno”.

Quando a relação de uma dupla é vista, nitidamente, por todos, como um elemento “C”, um ente uno, realmente atingiu o estado da arte.

A e B sempre poderão se lembrar do tempo em que passaram juntos com bastante alegria.

Ainda que se separem e formem um outro elemento C.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br
 

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Uma visão tática da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2012

Todo início de ano temos a tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior. Em tal competição podemos observar equipes de todos os cantos do país se enfrentando em busca do título e, mais do que isso, em busca da visibilidade nacional que o torneio proporciona.

Para obter essa tão sonhada visibilidade é preciso mostrar algo diferente e que chame a atenção dos holofotes.

Como acompanhei muitos jogos com o olhar voltado para as “questões táticas”, tentei identificar algo diferente em relação aos comportamentos táticos e aos modelos de jogo apresentados pelas equipes.

Confesso que em diversas equipes não observei nada de novo. As mesmas apresentaram modelos baseados em poucas referências e sem muita elaboração nos diferentes momentos do jogo; contudo, observei exceções que tinham modelos bem elaborados com conceitos sólidos.

Vi que o esquema tático predominante é o 1-4-4-2 com dois volantes e dois meias, que muitas vezes foi alterado para um esquema com três volantes quando se estava ganhando ou para três meias quando se estava perdendo. Pude observar inúmeros outros esquemas que variaram do 1-2-4-4, caso extremo onde a equipe precisava fazer o gol, ao 1-6-4-0, onde a equipe precisava segurar o jogo.

O esquema tático foi uma referência que as equipe modificaram bastante em função do resultado. O mesmo era confundido muitas vezes com o modelo de jogo em si.

Em relação à ocupação do espaço para além do esquema tático, vi que muitas equipes se posicionam em função do adversário, tanto no momento ofensivo como no defensivo. Quando isso acontecia por parte das duas equipes na partida, o jogo ficava “amarrado” e o que se via eram várias disputas de 1×1 no campo todo.

Outras equipes por sua vez ocupavam o espaço de forma mais zonal e chamavam a atenção de alguns desavisados que gritavam da arquibancada: “tá sozinho, pega”, dentre outras coisas.

A amplitude foi pouco observada – as equipes ocupavam mal o espaço do lado oposto ao da bola, e assim o jogo ficava muito “condensado” nas regiões próximas à bola.

A compactação na maior parte das equipes era bem feita defensivamente, mas ofensivamente era ruim.

As transições geralmente eram lentas, principalmente as defensivas. Equipes que se destacaram pela velocidade e pela regra de ação circunstancial adequada nesse momento do jogo conseguiram bons resultados.

Os balanços defensivos e ofensivos não fugiram do tradicional, em que no defensivo cada um marcava um adversário e um jogador ficava na sobra. No ataque ficavam os dois atacantes, geralmente um aberto e outro centralizado.

A marcação foi em sua maioria individual por setor, com equipes marcando por zona, e outras individual aos pares.

Nas bolas paradas foi o ponto no qual observei as maiores variações. Movimentações distintas, marcações distintas e muitos gols nesse tipo de jogada.

Vi equipes jogando no chutão, outras com um bom jogo de progressão apoiada, outras com jogo de manutenção.

Algumas equipes pressionavam a bola o tempo todo, umas bem estruturadas, outras não, em que os jogadores “corriam” à toa e ficavam bravos com seus companheiros.

Muitos modelos distintos e algumas evoluções vistas com bons olhos.

Que venham as próximas competições e que os destaques continuem aparecendo para além das questões individuais.

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br

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Ano Novo, vida nova

Saudações a todos!

Mesmo que seja um símbolo, pois na prática a vida é uma sequência ininterrupta de acontecimentos, o calendário gregoriano, a cada 12 meses, nos dá a oportunidade de recomeçar. Nessa época, as pessoas renovam suas energias, ficam mais motivadas, querem fazer diferente, pensam em novos planos, objetivos e metas.

Acredito que o Ano Novo possa ser um marco, no qual podemos fazer um balanço sobre o que fizemos ao longo do ano anterior e assim avaliar os pontos positivos, os pontos negativos, o que deve ser mantido, o que pode ser mudado, o que deve ser abandonado, quais serão as novas rotas e assim por diante.

Geralmente, os clubes esportivos, alguns de forma mais estruturada e planejada, pensam no longo prazo e, outros, menos estruturados, pensam no curto prazo. Costumam realizar esse balanço antes de iniciarem suas pré-temporadas para avaliar o que deu certo e será mantido e o que não deu certo e será melhorado, mudado ou excluído. Na sequência determina-se a escolha do treinador, comissão técnica, os jogadores, as metas a conquistar (campeonatos) e só depois partem para o jogo.

Se compararmos o tipo de planejamento dos clubes de futebol com as empresas, podemos perceber que dentro das organizações esse processo é mais acanhado e amador. Vejo, então, uma oportunidade de como as empresas podem aprender com as pré-temporadas dos clubes mais estruturados, pois são poucas que de fato realizam um balanço dos acontecimentos e que baseadas nesse balanço planejam mudanças estruturais. É comum que a grande parte das empresas faça, no máximo, um planejamento orçamentário ou de headcount para o ano fiscal seguinte.

Se nas empresas a situação já é complicada por não existir uma “pré-temporada”, imagine quando olhamos para as nossas vidas, vemos que o problema é ainda maior, pois todos nós temos desejos de mudar, de aproveitar o Ano Novo para fazer algo realmente “novo”, mas infelizmente na prática poucas pessoas pensam nos meios que terá para chegar lá, nas “acabativas”, e aí a vontade de mudar vai minguando, os desejos vão sendo esquecidos e depois do Carnaval tudo está como sempre foi e nada de novo será feito ou pensado até o próximo Ano Novo, quando uma nova motivação surgirá.

Faço sempre uma parábola para exemplificar esta situação: imagine se, em uma corrida de F1, primeiramente o Vettel recebe o troféu de vencedor, estoura o champanhe comemorando no pódio e só depois ele vai para a pista para tentar ganhar a corrida. É óbvio que essa cena não existe, pois primeiro o Vettel corre, ganha a corrida e só então acontece o ritual de comemoração. É neste momento que percebemos que seu objetivo foi atingido. Já que para ele chegar lá, precisou de muitos treinos, lutar por uma boa classificação, se preparou fortemente, e só depois, de passar por tudo isso, é que vem a vitória.

Quando eu conto esta história, as pessoas concordam que é um absurdo e aí enxergam o quanto é complicado querer algo, ter um objetivo, desejar um cargo ou uma posição melhor, sem antes pensar nos meios para alcançar esse objetivo, sem trabalhar e se capacitar para isso.

Para os que querem de fato mudar e cumprir suas promessas de Ano Novo – como conseguir um emprego melhor, ser valorizado, ter sucesso e etc., eu tenho algumas dicas, já conhecidas pelas pessoas com as quais eu convivo e me relaciono ou meus leitores. Creio que minha experiência mostra que elas são essenciais para atingir os objetivos, para antecipar resultados, para buscar novas oportunidades e para alcançar o sucesso almejado.

Lembro ainda que uma mudança pode ser feita a qualquer hora, não precisa do Ano Novo, mas como ainda estamos vivendo esta fase em que o sentimento de renovação está mais latente, que tal aproveitá-las?

Veja abaixo as dicas:

0.Trabalhe todos os dias com se fosse seu primeiro dia na empresa. Lembrem-se: “Sucesso só vem antes do trabalho no dicionário”.

1.Conheça seu perfil comportamental. Conhecendo seu perfil, você poderá mapear com mais clareza quais as áreas e posições que deseja e que pode atuar com desenvoltura. Não se esqueça de apontar as atividades nas quais você terá melhor desempenho.

2.Tenha suas metas bem definidas, documente seu plano e faça revisões periódicas.

3.Faça uso da tecnologia. Em qualquer área ou profissão, tecnologia é fundamental, e não é porque você utiliza o e-mail que estará atualizado com as ferramentas tecnológicas. Esteja sempre antenado com o que a tecnologia oferece para aperfeiçoar suas funções. Com certeza você encontrará várias opções!

4.Não se acomode com a situação atual. Como eu disse no item 0, “Trabalhe sempre como se fosse seu primeiro dia na empresa”. Contribua, seja participativo. Quando detectar um problema, aponte sempre uma solução.

5.Aproveite o bom momento do mercado e estude.

Se não tem graduação, faça já; Se já tem, faça uma pós.

Estude um segundo idioma. Minha sugestão é que cuide do idioma, antes de fazer uma pós.

Se tiver um segundo idioma, estude um terceiro.

Se puder ter uma experiência no exterior, não perca a chance, essas vivências fora do país são muito valorizadas pelas empresas.

Participe de cursos, seminários, eventos, palestras em sua área de atuação. Dinheiro não pode ser desculpa, existem vários cursos bons e baratos, alguns até mesmo gratuitos.

6 – Mantenha sua rede de relacionamento (seu networking) ativo, e mais:

a)Deixe uma imagem boa por onde passar: mantenha um bom relacionamento em todas as empresas por onde passar: com seus superiores, com seus pares, com seus subordinados, clientes e fornecedores. Agindo dessa forma você será sempre uma referência positiva e consequentemente manterá o seu networking ativo. Mantenha o grupo informado sobre suas atividades profissionais, mudança de emprego, promoções, um novo empreendimento, um grupo que participe ou lidere, etc.

Participe de eventos (cursos, seminários, palestras, reuniões, etc.).

b)Acesse as Redes Sociais – Dicas de Uso: uma das características fundamentais na definição das redes é a sua abertura e porosidade, possibilitando relacionamentos horizontais e não hierárquicos entre os participantes, portanto:

Tenha um perfil nas principais redes sociais – Facebook e Linkedin são mais profissionais. As empresas e grande parte de seus executivos consultam essas redes, portanto, ao fazer um perfil, evite brincadeiras inadequadas, podem ser mal interpretadas por quem ainda não te conhece.

Com o seu perfil inserido nas redes, entre em grupos relacionados à sua área de atuação, dê opiniões, proponha soluções, conte suas experiências e evite falar de problemas, evite fazer críticas.

Redes sociais são ótimos pontos de networking, mas para ter um relacionamento efetivo exigem o famoso “ganha-ganha”, você extrai resultados, mas deve contribuir com o grupo.

Colabore com os membros do seu networking, esteja sempre presente. Estar presente é fundamental para manter o networking ativo e fortalecido, os dias são corridos para todos, mas um e-mail ou um telefonema não exigem tempo ou deslocamento e mostram que você cultiva os relacionamentos frequentemente (datas especiais como aniversário ou felicitações por uma promoção nunca podem ser esquecidos).

Não procure o grupo apenas nos momentos que precisa de ajuda, criar uma imagem de que “só procura o grupo quando precisa” é difícil de mudar e tem consequências desastrosas para o networking. Fique atento também aos colegas que precisam de apoio, apoiar nessas horas garante networking duradouro.

É isto, pessoal. Agora, intervalo, vamos aos vestiários e nos vemos no próximo mês.

Abraços a todos!
 
Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br  

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Para ampliar a discussão e acelerar a evolução do futebol brasileiro

Na semana passada, a Universidade do Futebol publicou na íntegra o post feito pelo zagueiro do Corinthians Paulo André, em seu blog oficial, a respeito das categorias de base, mais especificamente em relação ao clube que atua.

Uma semana depois, um importante canal de televisão brasileiro, em seu portal de notícias, promoveu uma matéria com um atleta corintiano recém-contratado, em que o tema principal era a qualidade da “resenha” do jogador e as mais de 500 mulheres com as quais ele já saiu.

Como devemos respeitar as diferentes interpretações/visões da realidade, feitas por cada indivíduo/sociedade, e compreender que questões como estas, ou então, de Luiza, do Michel Teló, além do episódio no BBB, são mais atrativas do que questões ideológicas e revolucionárias, prefiro, ao invés de criticar a referida matéria, divulgar a louvável iniciativa do zagueiro Paulo André e “brigar” para que ela ganhe maiores dimensões.

Há alguns dias, participei de uma matéria feita pelo canal SporTV que abordava a perda de prestígio dos treinadores brasileiros no cenário mundial. De uma maneira simplificada, a reportagem permitiu a compreensão de somente um pequeno fragmento do todo que tem desprestigiado nossos treinadores e, é claro, nosso futebol. A repercussão da matéria: mínima!

Da grande parte das ideias que tentei transmitir em cerca de cinco minutos de entrevista, somente alguns segundos foram ao ar. Estou certo de que muitas, senão todas as ideias que mencionei à jornalista já foram bastante discutidas/exploradas/evidenciadas na Universidade do Futebol. Porém, estas ideias (as minhas, as suas, as dos demais colunistas e colaboradores) não podem ter suas divulgações restritas somente a este espaço.

E é neste ponto que o atleta Paulo André pode contribuir com nossas reflexões diárias acerca do futebol.

Atleta profissional de um clube de massa, com respeito de diretoria, torcedores e mídia em geral, o valor simbólico da sua opinião é infinitamente superior a minha, colunista semanal e técnico adjunto do pequeno Paulínia FC.

Ao ler o post de Paulo André, redigi a seguinte opinião:

“Qualquer comentário sobre a atual situação do futebol brasileiro pode parecer pobre quando comentada em poucas linhas, ainda mais quando o assunto se refere às categorias de base, ou melhor, ao FUTURO do nosso futebol.

Já mencionei em uma das minhas publicações na Universidade do Futebol que o Brasil tem material humano suficiente para ter pelo menos um Barcelona (clube modelo de formação) por Estado. Para isso, falta o principal: gestão competente do departamento de futebol profissional dos mais de mil clubes espalhados pelo país.

Poderia comentar a visão da gestão para os diferentes perfis de clubes (formadores, clubes de massa, clubes pequenos) e também sobre os diferentes perfis de administração (terceirização, abandono, descaso, investimentos exorbitantes), que possibilitaria uma maior visão sobre as categorias de base no Brasil, porém, como você relata o case Corinthians (clube de massa com investimento anual exorbitante na Base), é nele que irei me prender.

Concordo plenamente que poucos jogadores estão maduros (fisica-técnica-tática-emocionalmente) aos 18 anos para ingressarem em alto nível no Depto. Profissional, porém, emprestar jogadores penso que não é a alternativa mais viável. Disputar competições com uma equipe B é uma opção plausível. O elenco principal teria mais tempo para a pré-temporada (e você mais tempo de preparação que tanto deseja) se vocês jogassem somente alguns jogos do Campeonato Estadual. Num ano em que vale o título ainda não conquistado (Libertadores), Campeonato Paulista não deve ser prioridade de título da diretoria. Eis um momento importante para jovens jogadores amadurecerem!

Sobre a mudança de idade da Copa SP, na minha visão, é indiferente. Clubes bem planejados, não devem fazer deste torneio o divisor de águas sobre um bom ou um mau trabalho. O São Paulo foi Campeão Paulista sub-20 e eliminado na 1ª fase da Copinha; sinal que está tudo errado e que alguém deve pagar por isso? De maneira alguma.

Caso o Corinthians seja campeão (assim como foi), também não significa que muitos estarão em condições de jogar no profissional. Com diversas competições nacionais e internacionais de categorias de base, a Copa SP é somente mais uma com mais visibilidade do que as demais devido ao recesso do futebol profissional.

Desfazer-se da categoria de base, no caso do Corinthians, é desfazer-se da grande identidade futura do clube. Qual o melhor ambiente para a raça corintiana (idolatrada pela torcida) ser adquirida que não no depto de formação do clube? Será que, ao longo do tempo, todos os jogadores contratados viriam com este sentimento/atitude?

Será que as contratações se encaixariam perfeitamente no Modelo de Jogo do clube (e não no Modelo do treinador)? Se tal Modelo estiver sendo desenvolvido desde o Dente de Leite (como faz o Barça) ao sub-20/sub-23, pouquíssimos jogadores precisariam ser contratados.

Este meu argumento poderia ser facilmente batido ao mencionar que o Real Madrid quase não tem jogadores da base. É fato, como também é certo que é muito custoso (muito mais que R$ 15 milhões) e que não é garantia de título. Faz anos que o Real não disputa uma final de Champions.

Concluindo, passa tudo pelo principal: gestão competente do depto de futebol profissional que deve estreitar a comunicação com a base, contratar profissionais capacitados para o depto. de formação, aproveitar as mudanças da Lei Pelé que privilegiam o clube formador com um contrato, transmitir uma filosofia desejada e supervisionar sua aplicação, profissionalizar com salário coerente, atletas em potencial e preparar os jogadores (fisica-técnica-tática-emocionalmente) com o que há de mais atual em relação à metodologia de treinamento e se desvincular de agentes/empresários que limitam a evolução do futebol brasileiro e prejudicam os clubes.

Enfim, é um processo demorado, trabalhoso, mas que pode dar sentido (lucro e sustentabilidade) à existência das categorias de base dos clubes de massa.

Talvez, com a operacionalização de tudo isso, jogadores mais “maduros” (atletas e não boleiros) apareçam em maior número e já nas idades de transição da categoria Júnior.”

O Paulo André ainda irá fazer mais três publicações sobre o mesmo tema. Irá, inclusive, contrapor a opinião da postagem inicial. Não deixe de se posicionar! Entre no blog do atleta e o instigue com reflexões, questionamentos e comentários. Enfim, faça sua parte. Quanto mais pessoas pensarem e intervirem nas questões do futebol de formação, mais rápida será nossa evolução.

Por enquanto, agradeço ao Paulo André pela iniciativa. Bem que poderíamos ter um jogador (atleta e não boleiro) como este por clube grande do futebol brasileiro!

Para interagir com o colunista: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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Mecanismo de solidariedade: incentivo ao clube formador

Com o fim do passe, que segundo Luciano Brustolini, Diretor do Instituto Mineiro de Direito Desportivo, “era a compensação financeira, a quantia que um clube pagava a outro para transferir determinado jogador” (Acesso em www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=971_), aventou-se que poderia haver desestímulo aos clubes para a formação de atletas. Inclusive, o referido tema foi objeto de artigo de Danilo Ricchetti Basso, aqui na Universidade do Futebol.

Conforme destaca Carlezzo, “as transferências de jogares de futebol envolvem bilhões de dólares por ano e empregam milhões de pessoas ao redor do mundo. Praticado por mais de 242 milhões de pessoas em todo o mundo, o futebol faz parte do ‘segmento de massas’ e justamente por isso, tornou-se um negócio global multibilionário.”

Assim, objetivando incentivar os clubes formadores de atletas, a Fifa criou uma maneira de compensá-los financeiramente por meio de percentual dos valores das transferências internacionais dos jogadores de futebol, conforme estabelece o artigo 21 do Regulamento de Transferências da Fifa:
 

Artigo 21. Mecanismo de Solidariedade Se um Profissional for transferido antes do termo do seu contrato, qualquer clube que tenha contribuído para a sua educação e formação receberá uma percentagem da compensação paga ao clube anterior (contribuição de solidariedade). As disposições relativas às contribuições de solidariedade constam no Anexo 5 do presente Regulamento.
 

Segundo este Regulamento, para que um clube possa pleitear o pagamento do mecanismo de solidariedade, basta haver a existência de transferência internacional onerosa de jogador profissional de futebol.

Dessa forma, 5% do valor da transferência serão destinados aos clubes formadores. Havendo mais de um clube que registrou o atleta entre os 12 e 23 anos, esse valor será dividido proporcionalmente.

Segundo o Regulamento da Fifa, o pagamento do mecanismo de solidariedade deverá ser feito pelo clube que estiver contratando o atleta, em até 30 dias após o pagamento do valor da transferência. Ademais, caso necessário, o jogador deverá auxiliar o seu novo clube a cumprir a obrigação, informando todos os clubes que tenha atuado durante o período de formação, ou seja, entre os 12 e 23 anos de idade.

No caso de transferências nacionais, inspirado no Regulamentos da Fifa supracitado, a Lei Pelé, em seu artigo 29-A, inovou no direto brasileiro com o chamado mecanismo de solidariedade, pelo qual, conforme já mencionado, busca-se a valorização das entidades de prática desportiva que contribuíram para a formação do atleta profissional, fazendo com que elas, sempre que ocorram transferências, recebam percentual dos valores transacionados, obrigatoriamente distribuídos entre as entidades de prática desportiva que contribuíram para a formação do atleta, na proporção de: um por cento para cada ano de formação do atleta, dos quatorze aos dezessete anos de idade, inclusive; e meio por cento para cada ano de formação, dos dezoito aos dezenove anos de idade, inclusive.

Cabe à entidade de prática desportiva que recebe o atleta profissional a incumbência de reter do valor a ser pago à entidade de prática desportiva cedente (5%), distribuindo-o às entidades de prática desportiva que contribuíram para a formação do atleta.

Na hipótese do atleta se desvincular da entidade de prática desportiva de forma unilateral, mediante o pagamento da cláusula indenizatória desportiva, caberá à entidade de prática desportiva que recebeu a cláusula indenizatória desportiva distribuir cinco por cento de tal montante às entidades de prática desportiva responsáveis pela formação do atleta.

Os valores a serem repassados às entidades de prática desportiva formadoras deverão ser proporcionais ao tempo de permanência em formação do atleta, mediante comprovação por certidão expedida pela entidade nacional de administração do desporto (no caso, a CBF), no prazo máximo de trinta dias da efetiva transferência.

A entidade de prática desportiva formadora do atleta terá o direito de assinar com ele, a partir de 16 (dezesseis) anos de idade, o primeiro contrato especial de trabalho desportivo, cujo prazo não poderá ser superior a 5 (cinco) anos.

Segundo a Lei Pelé é considerada formadora de atleta a entidade de prática desportiva que forneça aos atletas programas de treinamento nas categorias de base e complementação educacional; e satisfaça cumulativamente os seguintes requisitos:

 

  1. estar o atleta em formação inscrito por ela na respectiva entidade regional de administração do desporto há, pelo menos, 1 (um) ano;
  2. comprovar que, efetivamente, o atleta em formação está inscrito em competições oficiais;.
  3. garantir assistência educacional, psicológica, médica e odontológica, assim como alimentação, transporte e convivência familiar;
  4. manter alojamento e instalações desportivas adequados, sobretudo em matéria de alimentação, higiene, segurança e salubridade;
  5. manter corpo de profissionais especializados em formação tecnicodesportiva;
  6. ajustar o tempo destinado à efetiva atividade de formação do atleta, não superior a 4 (quatro) horas por dia, aos horários do currículo escolar ou de curso profissionalizante, além de propiciar-lhe a matrícula escolar, com exigência de frequência e satisfatório aproveitamento;
  7. ser a formação do atleta gratuita e a expensas da entidade de prática desportiva;
  8. comprovar que participa anualmente de competições organizadas por entidade de administração do desporto em, pelo menos, 2 (duas) categorias da respectiva modalidade desportiva; e
  9. garantir que o período de seleção não coincida com os horários escolares.

À Confederação Brasileira de Futebol compete a fiscalização das operações pertinentes aos repasses previstos, bem como deverá certificar como entidade de prática desportiva formadora aquela que comprovadamente preencha os requisitos legais.

Portanto, o mecanismo de solidariedade constitui incentivo aos clubes para o investirem nas categorias de base, uma vez que pode representar importante fonte de receita para o custeio das atividades esportivas que demandam cada vez mais recursos para garantia de performances dos atletas de alto nível, além de atrair investidores.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br