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O que deve ser aperfeiçoado para evolução do jogar da seleção brasileira sub-20?

A seleção brasileira de futebol sub-20 conquistou o pentacampeonato mundial da categoria vencendo a equipe de Portugal, na prorrogação, por 3 a 2. Mesmo com as ausências de Lucas e Neymar, que serviram a equipe principal na Copa América, os atletas comandados pelo técnico Ney Franco fizeram uma excelente campanha com cinco vitórias, dois empates, 18 gols marcados e cinco sofridos nos sete jogos que disputaram.

Diferentemente do ocorrido na Copa América, as críticas que foram amplamente distribuídas pela mídia ao treinador Mano Menezes, foram poupadas ao Ney Franco (e, consequentemente, à sua comissão técnica), devido à conquista do primeiro lugar. Porém, se quando se perde não significa que exatamente tudo está equivocado, quando se ganha, não significa que tudo está perfeito. Após as merecidas comemorações, é momento de reflexões do que precisa ser aperfeiçoado, ajustado, mantido e, até mesmo, modificado. Reflexões necessárias para que o potencial de supremacia da seleção brasileira seja confirmado não só como foi no Mundial, mas também, no Panamericano que acontecerá em outubro, nos Jogos Olímpicos de Londres no ano que vem e a fim de que em cada competição que as categorias inferiores estejam envolvidas, comecem a ser observados os jogadores que, futuramente, poderão integrar a equipe principal (como já aconteceu com Danilo).

Individualmente, a seleção brasileira contou com peças-chave em diferentes jogos, tanto em ações defensivas como em ofensivas. O goleiro Gabriel falhou (e não foi sozinho) em um único lance frente à equipe portuguesa. Nos demais jogos, mostrou-se muito eficaz na ação de proteção do alvo e praticamente imbatível no 1×1. Bruno Uvini foi muito seguro na manutenção do posicionamento zonal, nas coberturas defensivas e combates, além de ter sido a grande referência de liderança da equipe. Casemiro, de volante pelo lado direito, zagueiro da sobra ou central, poupou diversas substituições de Ney Franco para posições mais defensivas de modo que Dudu e Negueba pudessem entrar em todos os jogos.

Oscar, desta vez utilizado em setores do campo em que melhor pensa o jogo (se você ler o artigo sobre o Modelo de Jogo da seleção brasileira no sul-americano sub-20, poderá observar que algumas regras de ação de Oscar eram de atacante, o que lhe custou a titularidade), fechava muito bem linhas de passe, posicionava-se rapidamente atrás da linha da bola na ação defensiva e tinha a componente tomada de decisão-ação para o passe acima da média. Um belo organizador.

Henrique, com finalizações de média distância, linhas de passe abertas na zona de risco ou ataque à bola, mostrou recursos ofensivos suficientes para a premiação de bola de ouro do Mundial. Defensivamente, pressionou alto, retardou, recompôs e nas transições atacou a bola como poucos no Brasil geralmente fazem.

Dudu e Negueba precisam evoluir tática, defensiva e coletivamente, porém, com a bola nos pés, a imprevisibilidade da ação ofensiva deles aumenta exponencialmente. Desconcertam, driblam, fintam, cruzam e, o primeiro, ainda faz gols.

Coletivamente, a plataforma de jogo mais utilizada foi a 1-4-3-1-2 que, no segundo tempo, variava preferencialmente para a 1-4-3-3. A 1-3-4-3 contra a Espanha e 1-3-5-2 contra o México, também foram observadas. As variações estruturais do sistema aconteciam visando um melhor aproveitamento das características de Dudu e Negueba que têm melhores desempenhos pelas faixas laterais. Para utilizar três zagueiros, a solução encontrada por Ney Franco era recuar Casemiro entre Juan e Bruno Uvini.

Resumidamente, na fase defensiva, a organização zonal era mais bem executada na plataforma que a equipe utilizava no primeiro tempo. Com bom equilíbrio defensivo, boa compactação, retardamento e flutuação, a superioridade numérica e a cobertura defensiva eram constantes. Na transição ofensiva, a ação vertical era a mais procurada. Na fase ofensiva, as ultrapassagens dos laterais eram constantes; com dois atacantes, um recuava entre linhas adversárias para procurar tabelas, pivô e finalizações; Philippe Coutinho buscava diagonais para as faixas laterais e Oscar procurava a melhor linha de passe. Já com três atacantes, a amplitude gerada tendia a abrir a linha defensiva dos adversários e a bola nas faixas implicava em jogada individual para cruzamentos. Nas transições defensivas, ocorria principalmente a tentativa de recuperação imediata da posse com devida recomposição dos demais jogadores.

As breves linhas apresentadas até aqui indicam muitos comportamentos que foram eficazes ao longo do Mundial, no entanto, algumas ações individuais e coletivas necessitarão aperfeiçoamentos para evolução do jogar da seleção brasileira. Como, por exemplo, as reposições de bola do goleiro Gabriel que, por muitas vezes, resultaram em perda da posse e que remetem a um comportamento coletivo que não está bem internalizado.

As falhas de posicionamento da dupla William e Henrique, nas quais o primeiro apresentava dificuldade de movimentação entre linhas quando Henrique buscava profundidade na zona de risco. A maior circulação da posse no campo ofensivo para desorganizar as organizações defensivas adversárias e a amplitude de Danilo que diminuía o campo efetivo de jogo em setores muito distantes do alvo. Sobre as transições defensivas, executá-las em maior velocidade poderá dificultar as transições ofensivas de seleções de qualidade.

Em relação à organização defensiva, um melhor equilíbrio quando em três zagueiros, um melhor posicionamento de Juan, que tende a esquecer de proteger o alvo, sai para combates desnecessários nas faixas laterais e expõe significativamente seu setor, além de maior participação de Philippe Coutinho fechando as linhas de passe e limitando o tempo de ação dos jogadores próximos ao seu setor. Uma observação sobre Casemiro: resolveu o problema da seleção sub-20 como zagueiro, mas dificilmente exercerá esta função na seleção principal. Para finalizar, nas transições ofensivas, melhorar o passe vertical, especialmente de Fernando e Juan.

Gostaria de postar vídeos, como geralmente faço, para identificar os comportamentos da seleção brasileira, acertos e erros acima descritos, porém, nesta semana, o tempo que tenho para produzir a coluna ficou ainda mais reduzido devido a uma viagem a Porto Alegre para participar do II Seminário de Futebol – Construindo os alicerces da formação nas categorias de base. Esta semana, o tempo que levo para editar os vídeos será dedicado para o meu aperfeiçoamento profissional.

Aguardem que compartilharei o conhecimento. Abraços e até a próxima semana!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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Jogos reduzidos vs treino convencional: vantagens e desvantagens

Historicamente, o desenvolvimento das capacidades físicas exigidas pelo futebol desenvolveram-se de forma seperada dos aspectos motores do jogo, principalmente pelo fato de se “importar” modelos de treinos já consagrados em outras modalidades esportivas, como o atletismo, por exemplo.

Embora em muitos clubes do mundo ainda seja comum encontrarmos treinos técnicos, físicos e táticos sendo realizados em sessões separadas, atualmente, a popularização dos chamados “jogos reduzidos” trouxeram a tendência de se integrar as diferentes exigências do futebol moderno.

Mas será que há indícios suficientes que garantam aos jogos reduzidos maior efetividade do que o treino convencional?

Os jogos reduzidos utilizam pequenos jogos em que as regras são adaptadas às quais variam o tamanho do campo, o número de jogadores e o tipo de estímulo que é dado (contínuo vs intervalado). Entre seus benefícios encontram-se a reprodução de movimentos específicos em situação competitiva, exigindo dos atletas tomadas de decisão em situação de pressão e também com fadiga acumulada facilitando a aquisição da habilidade técnica e da inteligência de jogo.

Para o sucesso efetivo desse tipo de estratégia é fundamental que as regras utilizadas permitam um jogo que aprimore exatamente aquilo que se deseja. Nesse caso, fatores como a área do jogo selecionada, o número de jogadores, a utilização ou não de goleiros, o incentivo do treinador e a característica do estímulo serão fatores que influenciam diretamente no sucesso ou fracasso da execução dos jogos reduzidos.

 

Jogos Reduzidos e Adaptados no Futebol: conheça o novo curso online da Universidade do Futebol! Faça a primeira aula gratuitamente 

 

Como controle da efetividade deste tipo de treino estudos já identificaram boa validade e reprotudibilidade. O controle da intensidade geralmente é feito pela análise da frequência cardíaca (FC), das concentrações sanguíneas de lactato ([La]) e da percepção subjetiva de esforço (PSE), sendo que a PSE apresenta-se mais confiável do que a FC e o [La].

Quanto à distância percorrida e as velocidades de deslocamento, a monitoração pelo Sistema de Posicionamento Global (GPS) tem se mostrado efetiva e impressindível no controle da carga, embora existam algumas limitações em atividades realizadas em alta velocidade e outros problemas técnicos como frequência de aquisição dos dados, quantidade de satélites para captação do sinal, bem como restrição de medida em lugares cobertos.

Quanto à especificidade do jogo, no geral os estudos demonstram que a intensidade da tarefa é maior quanto menor for o número de jogadores utilizados em relação à área do campo; entretanto, nem sempre isso significa que cada jogador tenha maior quantidade/qualidade na distância dos deslocamentos.

Também tem se sugerido que nos jogos reduzidos a intensidade costuma ser maior do que o jogo propriamente dito, assemelhando-se inclusive aos treinos genéricos realizados de forma intervalada, tanto de curta quanto de longa duração. Isso sugere que parece não haver diferença sobre o aspecto físico em se fazer um treino com jogo reduzido ou tradicional.

Sem dúvida, a grande vantagem dos jogos reduzidos está em integrar aspectos técnicos, físicos e táticos específicos do jogo que permitem economizar tempo – fator muito importante nos dias atuais. Porém, para que isso seja efetivo, a comissão técnica terá que ter o trabalho de desenvolver treinos lógicos e com logística suficiente para aprimorar aspectos específicos conforme os objetivos pré-estabelecidos. Caso isso não seja pensado, corre-se o risco de os jogos reduzidos desenvolverem outros aspectos que não são desejados no momento, ou até mesmo de se tornar menos efetivo do que os treinos convencionais.

Pelo visto, a escolha entre o chamado treino tradicional e os jogos reduzidos dependerá do conhecimento e da experiência prévia de cada comissão técnica que deverá calcular riscos, benefícios, vantagens, desvantagens e limitações de cada estratégia.

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br  

Saiba mais:

Hill-Haas SV, Dawson B, Impellizzeri FM, Coutts AJ. Physiology of small-sided games training in football: a systematic review. Sports Med. 2011 Mar 1;41(3):199-220.

Gray AJ, Jenkins DG. Match analysis and the physiological demands of Australian football. Sports Med. 2010 Apr 1;40(4):347-60.

Casamichana D, Castellano J. Time-motion, heart rate, perceptual and motor behaviour demands in small-sides soccer games: effects of pitch size. J Sports Sci. 2010 Dec;28(14):1615-23.

Foster CD, Twist C, Lamb KL, Nicholas CW. Heart rate responses to small-sided games among elite junior rugby league players. J Strength Cond Res. 2010 Apr;24(4):906-11.

Rampinini E, Impellizzeri FM, Castagna C, Abt G, Chamari K, Sassi A, Marcora SM. Factors influencing physiological responses to small-sided soccer games. J Sports Sci. 2007 Apr;25(6):659-66.

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A poluição do patrocínio

Discussões recentes norteiam o “abadá” que virou as camisas de futebol de grande parte dos clubes brasileiros. A mais recente investida teve como personagem principal o Flamengo, que após negar boas propostas no início de 2011 se viu obrigado a dividir espaço no seu manto com outras cinco marcas, contribuindo para o festival de aberrações que vemos no Campeonato Brasileiro, com as camisas de jogo completamente desfiguradas.

É redundante falar em amadorismo nas organizações do esporte no Brasil. Por isso, os créditos (ou débitos) dessa “estratégia” não podem recair completamente nas costas dos dirigentes dos clubes de futebol. O grande problema é que o ciclo de profissionalismo ainda não fechou entre todos os entes envolvidos com o esporte.

Lembro de algumas palestras de José Carlos Brunoro que menciona o “Ciclo Virtuoso do Sucesso”, o qual transcrevo a seguir. O ciclo até começa a se desenhar de maneira clara em alguns clubes, apesar de em muitos dos casos apresentar alguns desvios.


 

Um destes desvios diz respeito ao “poder de comunicação” e de “posicionamento de marca”. Como uma empresa quer ser bem vista pelos seus consumidores se ela não respeita o emblema mais sagrado para eles? Será que a visibilidade se sobrepõe em relação à mensagem percebida pelos torcedores?

Lembro de notícia publicada no site Máquina do Esporte em janeiro de 2010 que relatava a ação do Banco Hipotecario Nacional, que literalmente limpou a camisa do Racing, da Argentina. Para fazer valer o investimento, a instituição projetou inúmeras ações de ativação para comunicar o vínculo e o respeito que a mesma possui perante o clube.

Por isso é que acredito que as marcas, no fim das contas, é que estão subvalorizando o potencial de negócios que o futebol pode gerar. Veem as camisas como “outdoor ambulante”, mas se esquecem que, ao contrário de um outdoor, por trás dos clubes de futebol há uma massa de consumidores apaixonado e sedento por investir no seu time do coração.

“INNOVET QUI VENIT” na indústria do patrocínio esportivo!

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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O livro do ano

Gislaine Nunes, ou melhor, a “Doutora” Gislaine, não deve ser muito conhecida do grande público.

Existem muitos outros profissionais liberais – médicos, dentistas e advogados – que conquistaram notoriedade no país, ingressando na vida pública ou emitindo opiniões aos meios de comunicação.

Gislaine ficou famosa por confrontar clubes de futebol, em nome de seus clientes, os jogadores.

A trajetória de sucesso foi forjada na esteira da vigência da Lei Pelé, quando suas liminares obtidas na Justiça atordoavam os clubes e movimentavam o mercado de transferências de jogadores – em especial do Brasil ao exterior.

Agora ela lançará sua autobiografia, chamada de “Vim, vi e venci”.

Na resenha ou excertos do primeiro capítulo do livro, disponíveis em seu site oficial, faz menção ao início da carreira e da experiência adquirida no Sindicato dos Atletas de SP, quando liderava os jogadores na busca pela liberdade de exercício do trabalho.

Talvez, o que mais chama atenção é o conteúdo dedicado às ameaças sofridas, em público ou clandestinamente, da cartolagem que reprovava sua atuação.

Um trecho:

Recordo-me as ameaças de morte que se seguiram com a explosão da libertação de atletas. As concessões de liminares que libertavam os atletas profissionais de futebol dos grilhões que prendiam seus tornozelos aos seus empregadores (Clubes de Futebol) aconteciam em grande número. Às vezes quatro ou cinco por dia. Era muito bom. Era gratificante ver o Judiciário acolhendo a ânsia daqueles que tanto sonharam com o livre exercício ao trabalho.

Seus mais recentes e famosos casos são a defesa de Zé Elias, na revisão de pensão alimentícia que o levou à prisão, e o volante Cristian, contra o Corinthians.

Mas a lista de casos midiáticos foi muito extensa – Fábio Costa, Luizão, Rogério Ceni, Marcelinho Carioca, Juninho Pernambucano e Ricardo Oliveira.

Em que pese o mérito, sua atuação, nos primeiros anos de Lei Pelé, contou com a total desorganização dos departamentos jurídicos do clubes.

Hoje, o cenário seria absolutamente diferente. Futebol é gerido como negócio. Negócios geram dinheiro. Negócios necessitam de proteção jurídica. E os clubes aprenderam com a navalha na carne.

Gislaine promete ir além e revelar tudo, tudo o que viveu no meio do futebol.

Afirma ela que fará as narrações de acontecimentos que com certeza irão abalar algumas estruturas, na qual, renderão processos por danos morais, etc. Mas aconteceram. Direi onde, como e quem foram os autores destas mediocridades… A hora chegou!

Que Andrew Jennings x Fifa, que nada!

Se for tudo isso, o livro do ano, no futebol brasileiro será o da “Doutora” Gislaine.

E a pronúncia é “Gisleine”. Senão, vai sobrar pra você também.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br  

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O quinto momento do jogo: bolas paradas

O jogo de futebol pode ser entendido a partir de quatro momentos: ofensivo, defensivo, de transição ofensiva e de transição defensiva, os quais se relacionam entre si de forma complexa.

Em decorrência da observação do comportamento distinto das equipes nas jogadas originárias de bolas paradas surgiram várias discussões sobre a necessidade de se adicionar um novo momento para o entendimento do jogo de futebol: o momento das bolas paradas.

Surgira, assim, o quinto momento do jogo!

Alguns autores foram além e afirmaram que o quinto momento correspondia às bolas paradas defensivas e o sexto momento às bolas paradas ofensivas – não é o objetivo entrar nessa discussão e vamos tratar as bolas paradas como um momento apenas.

Nesse quinto momento do jogo, as equipes partem da organização, ou seja, os jogadores “conhecem” o posicionamento da sua equipe e do adversário (fato raro no jogo de futebol que se caracteriza por um jogo em que o caos é seu ambiente). A partir dessa organização, os jogadores que têm a bola parada a seu favor tentam desorganizar o adversário para obter o êxito na jogada enquanto a equipe adversária exerce uma ação contrária.

Toda essa dinâmica tanto ofensiva como defensiva precisa ser norteada pelo Modelo de Jogo que deve contemplar ainda a transição após essas jogadas.

No Modelo de Jogo preciso definir a forma de marcação, a forma de ataque, a estruturação do espaço, a barreira (em tiro livre direto/indireto), o balanço ofensivo e defensivo (pensando na transição), quem e como a reposição será feita, etc.

A partir da definição dos conceitos devo construir as atividades.

As atividades seguem os mesmos pressupostos apresentados nas colunas anteriores, só que neste momento a ênfase é nas questões pertinentes às bolas paradas sem descontextualizá-las do jogo. Isso significa que as bolas paradas devem estar inerentes ao jogo e não ser treinadas separadas e sem ter uma ligação com os momentos subsequentes à mesma.

Vamos ao exemplo prático.

O Modelo de Jogo da minha equipe pressupõe que a marcação a ser realizada na bola parada defensiva no escanteio é a marcação mista com um jogador marcando a zona da bola baixa (2), um marcando a zona da primeira trave (7), um marcando a zona central da área (4) e um jogador marcando a zona da entrada da área (10), com os demais marcando individualmente, conforme ilustração abaixo:


 

No balanço ofensivo, minha equipe possui um jogador no meio de campo na lateral oposta lado do escanteio e um jogador centralizado, conforme ilustração abaixo:


 

Na transição ofensiva, minha equipe deve estruturar rápido um 1-4-4-2 em losango e o jogador que recuperar a bola deve buscar um passe vertical e a equipe deve progredir e realizar um contra-ataque ou um ataque rápido, conforme animação abaixo:
 


 

A fim de desenvolver os conteúdos descritos acima relacionados à bola parada defensiva no escanteio a atividade abaixo foi concebida.

Descrição
– Atividade de 11 X 11 no campo todo (“coletivo” adaptado)
– Toda a vez que a bola sair do campo a reposição é feita a partir de um escanteio

Pontuação

Geral
– Gol durante o jogo vale três pontos (sem ser a partir do escanteio)

Equipe que ataca no escanteio
– Finalização no gol ou pra fora vale um ponto
– Gol vale cinco pontos

Equipe que defende no escanteio
– Se ultrapassar a linha tracejada com a bola dominada marca um ponto
– Se fizer o gol no contra-ataque vale cinco pontos

Regra do goleiro
– Se fizer a saída completa no escanteio sua equipe marca um ponto
 


 

Treinemos as jogadas de bola parada que elas alteram, sim, o placar!

Para interagir com o autor: bruno@universidadedofutebol.com.br  

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O currículo de formação do atleta de futebol – parte IV

Na parte II do currículo de formação do atleta, foi possível observar os oito grandes conteúdos que compõem o material. Naquela oportunidade, foram identificados os temas que derivam de cada conteúdo e sinalizado que em outro momento seriam apresentados os sub-temas.

Nem todos os temas se dividem em sub-temas. Por exemplo, o conteúdo “Lógica do Jogo”, que se subdivide nos temas aplicação e abordagem da Lógica do Jogo Formal, já se encerra neste desdobramento. Deste modo, alguns conteúdos e temas não serão identificados no presente texto.

O tema Relação com a Bola, derivado do conteúdo Competências Essenciais, subdivide-se em:

Vivência de todos os fundamentos técnicos do futebol;
Utilização de membro não dominante;
Descentrar-se da bola ofensivamente;
Descentrar-se da bola defensivamente.

Para o tema Estruturação do Espaço, que também é derivado do mesmo conteúdo, os sub-temas são os seguintes:

Estruturação racional do espaço em diferentes tamanhos de campo (?, ¼,½, campo todo etc);
Estruturação do espaço ofensivo;
Estruturação do espaço defensivo;
Estruturação de acordo com Referências do Jogo (alvo, bola, adversário, companheiro e região).

Já o tema Comunicação na Ação, último que deriva das Competências Essenciais, compreende os sub-temas:

Tomada de decisão;
Antecipação da ação;
Na ação ofensiva, todos participam;
Na ação defensiva, todos participam;
Nas transições, todos participam.

O próximo tema se refere às Plataformas de Jogo, que compõem o Conteúdo Referências do Jogo de Futebol. Os sub-temas das Plataformas são:

As plataformas de jogo básicas (1-4-4-2 – quadrado; 1-3-5-2 e 1-4-3-3);
Variações das plataformas de jogo;
Utilização da plataforma de jogo em Jogos Conceituais e Conceituais em Ambiente específico.

Do tema seguinte, denominado Referências Operacionais, desdobram-se os sub-temas:

Referências Operacionais de Ataque – manutenção da posse de bola, progressão ao alvo e ataque ao alvo;
Referencias Operacionais de Defesa – proteção do alvo, impedir progressão ao alvo e recuperação da posse de bola;
Referências Operacionais de Transição Ofensiva – manutenção da posse na zona de recuperação, retirada horizontal da zona de recuperação e retirada vertical da zona de recuperação;
Referências Operacionais de Transição Defensiva – recuperação imediata da posse de bola e recuperação a partir de outras referências do jogo.

O terceiro e penúltimo tema deste conteúdo são as Referências Espaciais que se subdividem em:

As linhas do campo – Linhas 1,2,3,4 e 5;
As faixas do campo – laterais e central;
As zonas de risco – altíssimo, alto, médio e baixo risco.

E, o último tema, classificado como Referências Atitudinais, apresenta os sub-temas abaixo:

Referências Atitudinais a partir do adversário;
Referências Atitudinais a partir da própria equipe.

Dentro de poucas semanas, será dada continuidade na apresentação dos sub-temas restantes, derivados do conteúdo Estratégico-Tático do Jogo. A separação foi feita devido à extensão de cada um deles e à reflexão que se pretende dos sub-temas já apresentados.

Em relação às reflexões, comece a perceber as inter-relações existentes entre cada grande conteúdo e as implicações que as mesmas geram em sua sessão de treinamento.

Exemplificando, pensar um jogo que estimule a Referência Operacional Ofensiva de manutenção da posse de bola significa que algumas habilidades da equipe oriundas de outros conteúdos serão necessárias para que a esperada posse aconteça. Dentre as habilidades esperadas, pode-se mencionar uma boa relação com a bola no fundamento passe, uma eficaz descentralização ofensiva, uma boa estruturação de espaço ofensivo no tamanho do campo em questão (posicionar bem em 40m x 20m não significa posicionar bem em 100m x 70m) e até nas regras de ação a serem executadas de acordo com a função exercida na plataforma de jogo utilizada.

Outra reflexão se refere a determinados sub-temas que nunca serão o único macro-objetivo de uma atividade. Por exemplo, não se criará um jogo em que a única preocupação será com o sub-tema tomada de decisão.

Sabemos que decisões são tomadas a todo o momento (acertadas ou não), por todos os jogadores, em cada um dos quatro Momentos do Jogo e em cada emergência que ocorre no Jogo. Melhorar a tomada de decisão só ganha significado se alinhada ao aperfeiçoamento de novos comportamentos da equipe em relação a habilidades, como: setores de recuperação da posse de bola, ação técnica e operacional principal de transição ofensiva ou quaisquer outros conteúdos e suas derivações que se pretenda trabalhar.

E, para o que se pretende trabalhar, o seguinte questionamento é fundamental: em que nível sua equipe se encontra e qual nível se espera alcançar?

Esteja seguro que ter a resposta mais assertiva possível para este questionamento e dominar o modo mais eficaz de evoluir o jogar de uma equipe te aproximará (mas não te garantirá) das vitórias, afinal, o desempenho no futebol é multifatorial.

Já começou as reflexões? Para aperfeiçoar a Relação com a Bola da equipe no fundamento cabeceio defensivo, de quais habilidades ela precisa?

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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Planejamento pessoal e profissional em três fases – fase II de III

Saudações a todos!

A pré-temporada é uma fase de reflexões, testes e planejamento sobre o que será feito no ano. No futebol, o período é utilizado para verificar o que foi realizado durante o ano anterior. Neste momento, são revisados os acertos, os erros, quais os pontos podem ser melhorados, qual o esquema tático que será utilizado na próxima temporada, quais competições serão priorizadas, qual será o time titular, os reservas imediatos, como será a evolução da preparação física, em quanto tempo a equipe deverá estar tinindo, etc.

Já na Fórmula 1, a pré-temporada é o período em que são testadas as partes aerodinâmicas do carro projetado, quais os pneus que funcionam melhor, quais os ajustes básicos para os principais circuitos, se o carro anda melhor com pouca ou com muita gasolina, etc.

Como acontece em todo processo de planejamento, e até mesmo no esporte, a exemplo do futebol ou da Fórmula 1, para realizarmos um bom planejamento, precisamos de uma pré-temporada, e foi isso o que vimos na semana passada: iniciamos a nossa pré-temporada. O momento é realmente para refletir sobre o passado, pensar em erros, em acertos, no que deve ser continuado, no que pode ser melhorado e em seguida iniciar um planejamento, com a definição de objetivos e prioridades.

Agora, iniciaremos a fase II do nosso exercício, uma fase de muita reflexão e investimento para termos um alicerce sólido. Darei uma semana a mais para vocês refletirem e traçarem seus planos.

Que tal relembrar o que foi proposto na fase I (se ainda não realizou, ainda há tempo de começar)? Clique aqui e veja o artigo anterior.

Após a conclusão da fase I (saiba que sempre que achar necessário, acrescente, detalhe ou retire conteúdo das etapas que já completou), gostaria que você escrevesse de forma resumida, mas não muito, a história de sua vida até hoje, seguindo esta ordem:

1) O que fez e o que não fez;

2) O que gosta e o que não gosta; e

3) O que gostaria que tivesse acontecido ou mudado em sua vida profissional/ pessoal.

Nesta fase, aprofunde-se em seus sentimentos (VOCÊ). Essa reflexão vai enriquecer o trabalho e trazer mais elementos para VOCÊ pensar e desenvolver o seu projeto pessoal de planejamento profissional e de vida (tempo estimado – três dias).

Fase II – 12 dias

Passos para realização de planejamento profissional/pessoal

1) Planejar “a vida” profissional/pessoal no espaço e no tempo (tempo – 12 dias)

Pensar em termos de tempo e desejos (objetivos), ou seja, procure planejar no prazo de um, três e cinco anos (após o primeiro ano da realização deste trabalho, será possível ampliar o planejamento em termos de 10 anos).

Modelo (sugestão) para desenvolver o trabalho. Procure descrever de forma detalhada e objetiva todos os itens acima:

– Item: 1

– Projetos: fazer uma MBA – Internacional

– Data limite: 01/12/2012

– Objetivos: estar apto a assumir novas responsabilidades em [determinar prazo]

– Observações: faz parte de minha iniciativa para aprimorar meus conhecimentos em gestão e…

Neste trabalho, procure analisar as informações da fase anterior como os conhecimentos (habilidades) que tem; caso defina algum ítem que necessite de um conhecimento (habilidade) que você não tenha, significa que deverá desenvolver este conhecimento (habilidade).

Nota: lembre-se que o planejamento é algo que sempre precisa ser revisto e reprogramado, pois os objetivos/desejos podem mudar assim como o ambiente a sua volta.

Procure durante a realização de seu planejamento identificar quais treinamentos ou outros meios podem auxiliá-lo a desenvolver os conhecimentos (habilidades) necessários para a realização de seus projetos.

Após realizar seu planejamento de um, três e cinco anos, procure analisar o material para identificar e listar suas necessidades, ou seja, a partir desta análise você terá condições de elaborar seu Plano de Ação de Desenvolvimento.

Esta etapa é muito importante, pois você pode identificar a necessidade de desenvolver algum conhecimento por meio de curso (como por exemplo, um MBA, um curso de línguas e outros) ou por outros meios (como um estágio em uma determinada área, conversar com profissionais que atuam utilizando tal conhecimento, etc.).

Para o Plano de Ação de Desenvolvimento, sugerimos o modelo abaixo, que deverá ser preenchido de forma detalhada.

– Ação: pesquisar junto aos meios de comunicação e na Internet sobre os cursos de MBA – Internacional. Verificar preço, qualidade de ensino entre outras informações que julgar importante.

– Data Pretendida: 01/03/2012

– Data da Conclusão: __/__/____

– Status: ( ) em andamento/ ( ) mudei de prioridade/ ( ) realizado

– Comentários: Preciso executar esta ação para poder programar a realização do curso em…

Esta etapa do trabalho faz com que os desejos sejam priorizados e programados, não restando dívidas ou desculpas de esquecimento por VOCÊ. Ao final do trabalho acima procure escrever uma conclusão final. Isso ajuda a fortalecer SEU compromisso consigo mesmo.

Importante: esse planejamento sugere que você seja acompanhado por um “tutor”, que terá a função de te orientar (uma pessoa de sua confiança e isenta de opinião), ou seja, tem que ser uma pessoa que tenha credibilidade para analisar o material que VOCÊ está produzindo em cada etapa, deve te dar dicas ou sugestões para que o trabalho seja realizado com a maior independência possível e com a comprovação de quem VOCÊ realmente é.

Entre as características exigidas para um tutor, está te conhecer com um maior detalhamento possível, para assim saber te nortear em seus próximos anos e no seu dia-a-dia.

Lembre-se que costumamos planejar uma viagem ou um encontro, mas em geral não damos a mesma atenção ao planejamento de nossa vida.

Em suma, este material tem a função de tornar a trajetória da pessoa, seja na vida profissional ou pessoal, mais objetiva e clara. Isso não significa que não se deva mudar ou modificar uma ação ou pensamento; ao contrário, este material convém ser consultado exatamente nestas ocasiões, quando pensamos em mudar ou rever caminhos em nossa vida. O poder de decisão está com você!

Agora, intervalo, vamos aos vestiários! O objetivo é que entre 19/08 e 01/09, vocês concluam esta etapa e voltemos a nos ver aqui no dia 02/09, para as instruções da fase III, última etapa do nosso planejamento.

Abraços a todos!

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br  

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A importância de se quantificar variáveis fisiológicas em conjunto com aspectos técnicos e táticos nos jogos reduzidos

Muito já se discutiu nesse portal a utilização dos jogos reduzidos para melhora de diversos aspectos relacionados às especificidades do jogo. Mas, como escolher o tamanho certo do campo e o número de jogadores de acordo com o que se pretende desenvolver?

Um estudo realizado por Owen et. al. (2011) demonstra que jogadores de elite trabalham fundamentos técnico-táticos diferentes conforme o tamanho do campo.

No estudo, os autores compararam aspectos fisiológicos (frequência cardíaca) e técnicos (choque, dribles, cabeceios, interceptação, passe, recepção, chute, condução de bola e roubada de bola) em jogos reduzidos (3×3 vs 9×9) que constaram de três estímulos de cinco minutos e intervalos de recuperação passiva de quatro minutos.

Os resultados mostraram que o 3×3 apresentou menor número de choques, cabeceios, interceptações, passes, dribles e recepções de bola do que no 9×9. Além disso, a quantidade total de contato com a bola também foi menor no jogo 3×3; porém, em termos relativos, cada indivíduo teve mais contato com a bola no 3×3 do que no 9×9 (p<0,05). O número de chutes a gol também foi maior no 3x3 do que no 9x9 (p<0,05).

A tabela abaixo demonstra os valores encontrados em cada variável analisada:

*Diferente de 9×9 (p<0,05).

A frequência cardíaca apresentou valores médios superiores durante o jogo 3×3 do que 9×9 (90±2.4 vs 81±5.5% FCmáx, respectivamente, p<0,05). O jogo 3x3 também apresentou maior frequência cardíaca de pico (94±2.7 vs 89±4.8% FCmáx, p<0.05.
 

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Em relação ao tempo de manutenção da frequência cardíaca, no jogo 3×3 os jogadores permaneceram menos tempo (0.9±0.5 vs 8.3±1.3 minutes, p<0,05) na zona de frequência cardíaca moderada (71 a 84% da FCmáx) do que na zona de frequência cardíaca máxima (>85% da FCmáx) (13,4±0,64 vs 4,8±1,5 minutes, p<0,05) em relação ao 9x9.

Com esses achados, fica evidente a importância de se quantificar as variáveis fisiológicas durante as sessões de treinamento – não de forma isolada, mas juntamente com os aspectos técnico-táticos. Além disso, de acordo com as capacidades e os fundamentos específicos do futebol que se pretende trabalhar, conclui-se que é imprescindível acertar no tamanho do campo, na quantidade de jogadores e nas regras que vão nortear os trabalhos de jogos reduzidos.

Referências bibliográficas

Owen AL, Wong del P, McKenna M, Dellal A. Heart Rate Responses and Technical Comparison Between Small- vs. Large-Sided Games in Elite Professional Soccer. J Strength Cond Res. 2011 Aug;25(8):2104-10.

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br

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A educação do Fair Play

As incongruências entre discurso e prática são observados constantemente no mundo de uma maneira geral e de forma evidente, pelo nosso convívio, no ambiente do esporte/futebol. A educação para o Fair Play e tudo que tem a ver com comentários sobre o tema estão, em muitas situações, em posições diametralmente opostas.

Vamos esclarecer os fatos citando cinco exemplos distintos para que os leitores tirem posteriormente suas próprias conclusões.

Caso 01 – Fair Play do Kléber, Palmeiras: no fim de julho deste ano, em disputa pelo Campeonato Brasileiro entre Flamengo e Palmeiras, o polêmico centroavante Kléber lançou discussão para mais uma polêmica, não respeitando um lance que se convencionou como uma devolução de bola para o adversário, tentando marcar um gol. Vale a pena rever o lance e depois os comentários do jogador na entrevista coletiva para guardarmos o conteúdo para os exemplos subsequentes.
 


 

Caso 02 – Gol de mão de Henry, da França: em jogo decisivo das Eliminatórias para a Copa de 2010 entre França e Irlanda, com a ajuda da mão de Henry os franceses tiraram os irlandeses do Mundial, causando enorme discussão mundo afora. O mesmo Henry, em 2006, sugeriu que os brasileiros jogavam bem futebol porque não estudavam – com os dois lances podemos rechaçar que, na verdade, foi Henry quem não aprendeu boas lições de educação na escola (ou na base). E fica mais um fato para fazermos um apanhado geral e final posteriormente.
 


 

Caso 03 – Túlio Maravilha pelo Brasil contra a Argentina: aqui, em mais um gol ilegal, a prática e o discurso se confundem de maneira complicada. De um lado a mídia defende o viés de esporte e educação, fala em ter ações sociais com comunidades carentes e que o esporte ajuda a transformar a sociedade (e blá blá blá). De outro, em telejornais, ensina os jovens a trapacear por meio do esporte, como se isso fosse uma vantagem competitiva.

Aqui podemos voltar para os caso 01 e 02: qual a diferença destes três fatos? Apenas o discurso midiático que se desenvolveu entre eles, sendo que Kléber foi um verdadeiro tirano e Túlio e Henry os atacantes mais espertos do planeta.
 


 

Caso 04 – Goleiro Gustavo do Sport: na Taça BH de Futebol Júnior, em jogo entre Sport e Vasco neste ano, o jovem goleiro da equipe pernambucana aplica um golpe digno de UFC (e nada precisamos comentar pois as imagens dizem tudo). O atleta, semanas após o episódio, é reintegrado ao clube. Até aí tudo bem. Questiona-se a educação aplicada pelo clube antes do fato para culminar com uma agressão àquele nível, pois se espera, após o ocorrido, que se apliquem medidas preventivas para que não aconteça novamente com ele e outros atletas do clube algo semelhante em situações vindouras. Este fato fica para ser rememorado no próximo…
 


 

Caso 05 – Professor de Handebol, Ricardo Paula (Jogos Escolares): e é aqui que encontramos a explicação para todos os anteriores. O Prof. Ricardo infelizmente (ou felizmente) foi pego para “Cristo”, transformando-se em símbolo daquilo que é comum nos centros de formação de atletas, de praticamente todas as modalidades e especialmente no futebol. Aquele linguajar, de chamar o atleta de “burro”, é dos “menores problemas” que existem. E é deste tipo de trato que saem todas as atitudes anteriormente comentadas.
 


 

Não queiramos que os nossos atletas respeitem o adversário, devolvendo a bola para ele, se na base tratamos jogadores como commodities. Não queiramos que jogadores não deem voadoras se o cenário que é criado fora de campo é quase que de uma guerra. Não queiramos que os atletas ensinem educação aos mais jovens se a mídia prega a hipocrisia nela própria.

Como mudar discurso e prática envolve um viés cultural muito forte por estarmos em uma sociedade extremamente individualista, cabe a lamentação para dizer que muitos outros casos a este nível ou pior se repetirão enquanto não se trabalhar de forma séria na educação das pessoas de uma maneira ampla e na formação dos atletas em uma visão específica, com resultados positivos apenas no longuíssimo prazo.

O texto serve como reflexão e como alerta para, talvez na próxima semana ou próximo mês, não precisarmos nos descabelar ou arregalar os olhos para fatos que hão de vir dentro de um contexto muito próximo aos exemplos supra citados.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br  

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A montagem de um elenco II

Em um texto anterior sobre montagem de elenco, começamos a discutir alguns aspectos que norteiam ou pelo menos deveriam estar presentes nas decisões sobre esse processo. Fizemos o seguinte questionamento: “montar um elenco de uma equipe profissional de futebol não é uma das tarefas mais simples. Mas o que deve servir de parâmetro e quem são as pessoas que precisam gerir e tomar decisões neste processo?”.

À ocasião, o abordamos a questão do compartilhamento de funções e da importância que isso tem em diminuir responsabilidades e dependência de pessoas específicas.

Assim, quem são os profissionais que devem ser ouvidos? A seguir, indico e descrevo brevemente alguns que entendo que deveriam fazer parte do processo, sem ainda distribuir pesos e hierarquia de importância entre eles, mas ainda que tenham poder de decisões diferenciado.

Acredito que todos tenham importante contribuição no processo:

Técnico

É o responsável direto pela montagem, a partir de sua “filosofia de trabalho” – ou o que seria mais adequado, de acordo com a mentalidade de jogo do clube, vai definir prioridades com base nas temporadas passadas para ajustar e melhorar o elenco;

Preparador físico

Importante no papel, pois compreende as carências de capacidades físicas no elenco e pode fazer uma análise prévia das condições e do encaixe do novo reforço de acordo com a filosofia de jogo e carências apresentadas;

Médico

É comum no futebol se fazer o exame médico antes de assinar o contrato. Já vimos casos de jogadores praticamente anunciados não fecharem acordo por não serem aprovados em tais exames. O médico poderia antecipar com um banco de dados, com um acompanhamento em grande escala, o que facilitaria o inicio ou não das negociações. Uma previsão realista do médico, sem interesses obscuros por trás, poderia informar se o atleta suporta 50 jogos na temporada ou se o limite são 20 jogos. Assim, cabe ao grupo decidir se esses 20 jogos limites são significativos ou não; não que isso invalidaria, mas que deixaria claro como deve ser utilizado tal atleta;

Analista de desempenho

Responsável pela rede de olheiros (scouts) e quem organiza o banco de informações. Em sintonia com o restante da comissão técnica, identifica carências no elenco e oportunidades no mercado. Vide o exemplo citado por Soriano, no livro “A bola não entra por acaso”. Na ocasião da contratação de Deco pelo Barcelona, um meia criativo que possuía um numero elevados de desarmes;

Diretor de futebol

O diretor de futebol para funcionar nesse processo deve deixar de ser uma figura política e se tornar parte do planejamento do grupo. O presidente só deve entrar nas negociações em última instância, pois não vive o dia-a-dia de treino da equipe, ao passo que o diretor deve ter proximidade com a comissão técnica e desenvolver ações para escolha de acordo com a mentalidade do treinador, mas também sem ficar refém deste. Deve pensar no clube caso o treinador não permaneça por muito tempo: as contratações devem servir ao clube, e não a uma única pessoa;

Diretor financeiro

O departamento financeiro deve estar ciente e por dentro das opções de mercado, porem não pode apenas focar nos valores. Pode e deve colocar limites e evitar extravagâncias por mais que sejam justificáveis do ponto de vista técnico, porém o clube deve ter em mente sua segurança financeira.

Esse papel de freio é importante, mas não pode ser feito apenas com o olhar tradicional – devem-se ter alternativas para situações especificas, como contusões inesperadas que demandam trazer atletas de nível ou ainda oportunidades que podem se encaixar na filosofia de trabalho do clube;

Diretor de marketing

Ainda com muita resistência no meio, o marketing deve, sim, participar, pois é ele quem pode viabilizar recursos para a vinda de um jogador de ponta ou ainda, por outro lado, identificar potencial de imagem em atletas até então desconhecidos e sem grande apelo, gerando assim visibilidade da marca do clube

São algumas posições e funções que imagino podem estar presentes nas decisões, desde que se tenha elaborado um peso e uma hierarquia de decisão. Quando tiramos a responsabilidade e dependência das mãos de uma única pessoa, conseguimos abrir mais a mente a outras possibilidades. Alternativas, sejam pelo viés financeiro (veja o Santos quando lançou Robinho e Diego em 2002), seja por marketing e oportunidade (Ronaldo no Corinthians), ou ainda pelo aspecto técnico (Jucilei, Ralf e Paulinho no próprio clube paulistano) contribuem muito para a montagem de um elenco forte e competitivo.

Sendo ainda que, quanto mais pessoas estão envolvidas, a gente consegue filtrar emoções e opiniões com argumentos sólidos e consistentes antes de abrir uma frente de negociação, entendendo que o ato de negociar gasta tempo e dinheiro. Evitaríamos abrir frentes cujas variáveis surgiriam e não permitiriam uma concretização como, por exemplo, o estado médico de um atleta, um “rolo jurídico” de outro.

Em síntese, poderíamos tornar mais certeiras as negociações, pois teriam sido pensadas por um grupo de pessoas capacitadas, analisadas com precisão e rigor antes de serem iniciadas.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br