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Renan para Presidente

Depois de um certo tempo escrevendo nesse espaço, cheguei a uma conclusão: tudo acontece na quarta-feira. É impressionante.
 
Eu já tava com a coluna engatilhada. Seria sobre o Corinthians, a MSI, a lavagem de dinheiro, a Fifa, o Brasil e a soberania do futebol. Um assunto interessantíssimo, pronto para ser dissecado. Afinal de contas, há muito já se conversa como o mundo do futebol é peculiar. Como o mundo do futebol obedece regras próprias. Como as pessoas não estão lá muito preocupadas com a ética ou com a moral quando a bola é o que está em jogo. E como os governos do mundo todo têm cada vez mais sucumbido a uma certa soberania da Fifa..
 
De certa forma, existem dois mundos hoje: o mundo real e o mundo da Fifa. No mundo real, acontecem as coisas de todo dia. No mundo da Fifa, acontecem as coisas do futebol. Quando os dois mundos se misturam, no momento em que as coisas do futebol incidem sobre o mundo real, ninguém sabe lá bem o que fazer, quem vai fiscalizar e quem vai policiar. Aí, a terra do real e do futebol acaba virando a terra de ninguém. E como a terra não tem dono e nem polícia, todo mundo faz o que quer. Daí uma das razões pelas quais se proliferam pelo mundo casos de péssimas práticas, lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico de armas/drogas/pessoas, entre outros, envolvendo clubes de futebol.
 
É um ótimo tema para uma coluna. Gera rios de parágrafos e mares de caracteres.
 
A coluna estava na cabeça, pronta para ser digitada. Mas aí, nessas coisas que acontecem principalmente às quartas, tudo muda. Quase fechando o dia, fico sabendo que Senado Federal resolveu arquivar bois, amantes e empreiteiras na mesma gaveta.
 
Como, daí, iria eu falar alguma coisa do Corinthians, da MSI, da lavagem de dinheiro, da Fifa, do Brasil e da soberania do futebol? Que moral tenho eu para tal? Afinal, o que o Corinthians e a MSI fizeram de tão errado assim? A investigação da Polícia Federal não pode ser revista? Arquivada, talvez?
 
Nisso tudo, que eu prefiro nem ficar confabulando muito porque me dá dor de cabeça, três coisas são certas: 1) Eu não volto a tentar escrever uma coluna sobre corrupção e afins no mundo do futebol tão cedo, pelo menos não até eu conseguir resgatar a minha moral de cidadão que no momento se encontra grudada embaixo da sola do meu sapato; 2) Berezovsky deveria considerar seriamente em sair como candidato a senador no Brasil; e 3) Ficou claro que o jeito mais eficiente, rápido e seguro de tirar o Corinthians da atual situação em que se encontra é elegendo Renan Calheiros seu presidente.

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Desporto aprova hino e bandeira em competições

A Comissão de Turismo e Desporto aprovou o Projeto de Lei 1500/07, do deputado Deley (PSC-RJ), que torna obrigatória a execução dos hinos nacionais e o hasteamento das bandeiras dos países competidores em eventos esportivos de nível internacional no País.

"As competições ou eventos esportivos internacionais transcendem o caráter de mero evento ou espetáculo desportivo e entram no jogo das relações internacionais", afirmou o relator, deputado Pedro Chaves (PMDB-GO).

Ao país anfitrião, afirmou, cabe receber bem as delegações e não há, em sua opinião, maior demonstração de respeito do que a dedicada aos símbolos nacionais, como o hino e a bandeira.

O deputado destacou que a aprovação do projeto "sinaliza para as organizações esportivas internacionais que o país preocupa-se com os mais diferentes aspectos das competições, de forma a facilitar a realização de olimpíadas ou da Copa do Mundo de futebol no Brasil".

A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

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O bom senso no jornalismo

O Palmeiras protagonizou no último dia 7 de setembro uma das melhores ações de marketing no ano, no evento de lançamento do terceiro uniforme do time de futebol. Uma foto posada do time com 1.500 pessoas, entre torcedores e convidados, em plena cadeira numerada descoberta do Palestra Itália, selou uma interessante estratégia de promoção da nova camisa.
 
Mais do que a “oportunidade única”, jargão que virou dogma no marketing esportivo, o fato curioso do evento acabou sendo uma batalha entre os torcedores e a imprensa que cobria o evento.
 
Com o sol na capital paulista a pino e a temperatura beirando os 30°C, o torcedor teve paciência de esperar os seus ídolos para tirar a foto durante mais de três horas. O evento estava programado para começar às 10h30, mas os atletas só chegariam às 13h para o registro da imagem.
 
Enquanto o tempo passava, os torcedores se distraiam com o que podia. O problema, porém, foi quando o time entrou em campo para uma foto oficial. Os repórteres, que mal haviam chegado ao estádio, se amontoaram após o registro e começaram a fazer perguntas aos principais astros do time.
 
Obviamente, Edmundo foi o mais requisitado. Enquanto todo o time já havia descido aos vestiários e se dirigia à numerada para a foto oficial, o “Animal” continuava a dar entrevistas, a falar sobre novo uniforme, renovação de contrato, chance de título, de classificação à Libertadores, etc.
 
Foi nesse momento que a paciência do torcedor se esgotou. O atraso de uma hora para a foto ser tirada foi canalizado na atuação dos jornalistas naqueles quase 15 minutos em que Edmundo ficou “preso” dando entrevistas à imprensa.
 
Foi a gota d’água para os impropérios começarem. Sobrou até mesmo para quem não tinha nada a ver com a história, que foi o animador da platéia durante o evento. Edmundo, em ótima jogada de marketing, foi solicito com os jornalistas até o momento em que percebeu que toda a tensão do estádio estava voltada a ele. Saiu da entrevista correndo, acenando aos torcedores, que deliravam e gritavam por seu ídolo.
 
Jogo de cena à parte, o profissional de imprensa muitas vezes não percebe que o bom senso poderia ajudá-lo, e muito, no exercício de seu trabalho. A imagem de um jornalista fiel a seus princípios, que não vê hora para a notícia acontecer, que perturba quem quer que seja e quando ele quiser, que sempre vê espaço para mais uma pergunta já virou lenda.
 
No passado, os filmes americanos adoravam mostrar uma imagem caricata do jornalista como uma espécie de pessoa de outro planeta. A essência pode até ser essa, de alguém que é curioso em excesso, que não vê entrave para uma pergunta que derrube o entrevistado, que está muito bem informado de tudo o que acontece.
 
Mas a boa educação e, principalmente, o bom senso, não precisam deixar de existir.

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O mito dos laterais que não "sobem" ao mesmo tempo e o balanço defensivo – A culpa é do 4-4-2 ou de quem disse isso?

Autores e pesquisadores que estudam e escrevem sobre algumas vertentes das ciências exatas e outros tantos cientistas do esporte apontam para um raciocínio didático bastante interessante sobre o jogo. Eles exploram a idéia de que existem jogos que podem ser caracterizados por “Estratégias Seqüenciais” e jogos caracterizados por “Estratégias Simultâneas”.
 
Os jogos com estratégias seqüenciais são aqueles onde as ações dos jogadores ocorrem em seqüência e que, portanto, cada jogador tem consciência das ações anteriores dos outros jogadores (por exemplo jogo de Damas, Xadrez, etc). Os jogos com estratégias simultâneas são aqueles em que os jogadores agem ao mesmo tempo “desconhecendo” as ações dos demais; tentando deduzir e prever dentro de uma lógica as ações de um jogador baseando-se nas ações dos outros (por exemplo jogo de basquete, futsal, futebol, etc).
 
No caso do futebol, jogo de estratégia simultânea, o problema central está em antever estruturalmente, geometricamente e taticamente o conjunto de ações desencadeadas a partir da ação, por exemplo, do jogador que está com a bola, e buscar uma reorganização que permita dentro do imprevisível, possíveis previsíveis. Em outras palavras, partindo-se do raciocínio de que há uma linha lógica que orienta as movimentações ofensivas e defensivas de uma equipe, poder-se-ia buscar para cada ação-problema de um jogador, soluções rápidas compartilhadas coletivamente pela equipe sem que haja uma comunicação formal explícita.
 
Norteados por essa idéia, façamos uma reflexão sobre uma questão importante para o jogo de futebol. Estudiosos das ciências do desporto apontam para o fato de que, o que caracteriza se uma equipe está atacando ou defendendo é sua condição de estar com ou sem a posse da bola. Ou seja, se a equipe está de posse da bola, está atacando; se está sem a posse, está defendendo.
 
Certamente essa idéia já fora debatida em grande volume em muitas “Academias de Conhecimento” mundo a fora, e talvez esteja sendo tratada hoje como obviedade. Mas estou aqui para contestar tal idéia. Não por capricho ou falta do que escrever. A questão é que sob o ponto de vista científico (pedagógico) aplicado, se eu enquanto técnico de futebol convencer meus atletas de que todos (jogadores, estruturas e sub-sistemas) estão atacando quando a equipe está com a posse da bola, ou o contrário (se defendendo) quando está sem ela; tornarei ineficazes, inconsistentes e quase virtuais as transições ataque-defesa e defesa-ataque, bem como não possibilitarei a eles (meus atletas) um raciocínio inteligente sobre situações-problema que aparecerão no jogo.
 
Aí corremos o risco de solidificar paradigmas que deveriam ser quebrados – por exemplo: “quando se joga no 4-4-2 é importante que os laterais não “subam” ao mesmo tempo, se não a equipe fica exposta ao contra-ataque”. – Por quê? Quem foi que disse? O problema é a subida dos dois laterais ou da estrutura criada para se defender quando a equipe está com a posse da bola?
 
Senhores, o problema é da estrutura. E se é da estrutura não há motivos para insistir na não subida simultânea dos dois laterais.
 
Vamos tentar visualizar a “tese” que estou defendendo. Existe um conceito no futebol, também conhecido como “Balanço Defensivo”. Esse conceito reflete a estruturação geométrico-estratégica dentro do jogo que permite aos jogadores raciocinarem defensivamente quando estão atacando. Então enquanto um grupo de jogadores foca na construção ofensiva de uma jogada sem deixar de considerar a organização defensiva, outros jogadores da mesma equipe focam na organização defensiva sem deixar de considerar a estruturação da construção ofensiva.
 
Apresento a seguir alguns exemplos de estruturas de “balanço defensivo”, para tornar meus argumentos mais reflexivos. Na figura “A” apresento um conservador e freqüente balanço defensivo em losango estruturado pela equipe vermelha. Na figura “B” desenho um tipo de balanço defensivo menos usual e mais ousado; o balanço em diagonal defensiva. Na figura “C”, o balanço e “T” invertido e na figura “D” o balanço em “T” convencional (poderíamos explorar tantos outros, mas creio já ser possível construir as idéias a partir dos citados).
 
 
Cada um deles concebe um raciocínio defensivo quando uma equipe está de posse da bola. Então enquanto alguns jogadores “atacam” outros, da mesma equipe, “defendem”. Se voltarmos a questão do 4-4-2, e a subida dos laterais, notaríamos que, a questão não é quem sobe ou quem não sobe, quem ataca ou que defende. A questão é que ao se buscar o ataque uma equipe precisa se orientar defensivamente a partir de uma estrutura qualquer, onde jogadores, simultaneamente se orientam, alternando funções (com maior ou menor freqüência).
 
Em outras palavras, se eu quero que os dois laterais subam ao mesmo tempo ocupando regiões de ataque, independente da plataforma de jogo (4-4-2, 4-3-3, ou qualquer outra) é necessário que se construa uma lógica para o “balanço defensivo” que estruture tal subida. E insisto, isso realmente independe da plataforma de jogo!
Então eu pergunto caros leitores: estamos preparados e dispostos a derrubar mitos ou estamos tão acostumados a nos acostumar que é mais cômodo acreditar neles? (Os laterais não sobem e a culpa é do 4-4-2).
 
Por isso vou terminar hoje com uma frase de uma conhecida música:
“Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação”… portanto tomemos cuidado com os monstros que andamos criando; um dia eles nos engolem e aí…
Bom, aí irão nos restar apenas os mitos (e “as noites inteiras imaginado uma solução”)!

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Futebol desigual

O princípio mais básico e fundamental que rege a indústria do futebol diz que time que tem mais dinheiro, tem mais chance de ganhar títulos. É a partir dessa idéia que tudo posteriormente toma forma e faz as coisas ficarem do jeito que são. Afinal, todos os profissionais, seja lá qual a área, tendem a ter no dinheiro o motivo principal da sua evolução profissional. Em geral, o profissional que é melhor em sua função ganha mais dinheiro, e a empresa que paga mais em relação ao resto do mercado tem, em geral, os melhores profissionais.
 
Como clubes de futebol tendem a servir apenas como um catalisador do capital disponível dos seus torcedores, revertendo o montante em performance, clubes que possuem torcedores mais ricos e mais dispostos a gastar dinheiro acabam naturalmente sendo favoritos para ganhar qualquer competição.
 
Imaginando que não há nenhuma outra variável incidente que desestabilize essa cadeia, uma vez que se supõe que qualquer outro valor adicional se mantém na proporção da relação público/renda, a competitividade do futebol em campeonatos de longo prazo cai bastante.
 
Dessa forma, não é surpresa que o São Paulo esteja liderando o Campeonato Brasileiro. Também não é surpresa que ele tenha ganhado o campeonato passado, muito menos que venha a ganhar o próximo. Afinal, o clube é identificado com a parcela mais rica da população da cidade mais rica do país.
 
Não houvesse desvio de dinheiro, má-administração, dívidas e outras variáveis mais obscuras, os campeonatos brasileiros estariam nas mãos dos paulistas, invariavelmente.
 
O histórico dos campeonatos em pontos corridos, como tem que ser, oferecem subsídios para essa interpretação. Até agora, todos os campeões saíram da Região Sudeste, de longe a mais rica do país. A concentração de títulos, mais especificamente, está na mão dos clubes de São Paulo, de longe o estado mais rico da União.
 
Caso a perfeição administrativa do futebol brasileiro um dia seja alcançada, a competitividade e imprevisibilidade do campeonato nacional, certamente o seu maior atrativo, cairá por terra. O campeonato provavelmente ficará mais chato e previsível.
 
Coisas da vida. Se o futebol é um reflexo econômico da sua região, e se as regiões são extremamente desiguais, o futebol fica naturalmente desequilibrado.
 
Em um país desigual, o futebol também é desigual.

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Futebol, saúde, cultura e educação

Há uma visão do senso comum que toma o futebol e o esporte de uma forma geral, como sinônimo de saúde, cultura e educação. Visto superficialmente, não temos nada contra este pensamento.
 
Entretanto, precisamos entender que há diferentes dimensões da prática esportiva. O futebol, por exemplo, pode ser praticado como competição de alto rendimento, cujo objetivo primeiro é a conquista, a vitória. Ele pode também ser praticado como proposta educativa, no âmbito escolar e aí o objetivo é mais formativo. E, finalmente, podemos ver o futebol como forma de puro lazer, onde se deve buscar o equilíbrio físico e emocional, a saúde, a descontração e o divertimento. Nesta forma de lazer, o futebol pode também ser considerado como espetáculo, onde os interessados podem participar apenas como espectador, no estádio, à frente da TV ou ouvindo uma transmissão pelo rádio.
 
Mas seja qual for o objetivo, é preciso que entendamos que o futebol não é bom ou benéfico para seus praticantes, por si só. Para que se atinja seus objetivos específicos é sempre necessário que haja uma intencionalidade, ou seja, uma intenção por trás das nossas ações.
 
Na verdade, a prática do futebol, profissional, escolar ou de lazer, depende de seus atores ou líderes que conduzem estas práticas, para que se garanta reais benefícios a todos. Explico: se esses praticantes são pessoas egocêntricas, reprimidas, violentas ou agressivas, é bem provável que estas características sejam reproduzidas e refletidas no jogo. 
 
Portanto, podemos concluir que o futebol pode, sim, ser um excelente instrumento de cultura, de educação e de saúde, mas para que isto ocorra em sua plenitude, é necessário que as pessoas envolvidas em sua prática e, principalmente, os treinadores, professores ou líderes comunitários que conduzem estas práticas, tenham estas boas intenções de forma clara e segura, fato que, infelizmente, nem sempre acontece.

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Choque sem Reis

A história coloca o clássico entre Palmeiras e São Paulo como sendo o jogo do Choque-Rei, envolvendo os dois mais poderosos clubes da capital paulista, times ligados à elite e aos imigrantes italianos.
 
A história atual coloca o clássico entre Palmeiras e São Paulo como sendo o jogo do Choque sem Reis, envolvendo os dois mais deprimentes clubes do país.
 
Neste ano, o que se viu até agora no clássico de maior potencial bélico do Brasil foi um show de presepadas e aulas de não-comportamento dos dois lados.
 
A começar pela entrada dura de Edmundo em Miranda no primeiro jogo, revidada por Alex Silva em diversos lances contra Valdívia no jogo do returno. Passando pela inexplicável polêmica com Richarlyson criada por José Cyrillo Jr. e pelas declarações imprudentes de Rogério Ceni na véspera do confronto derradeiro. E se encerrando na ridícula cena do goleiro reserva são-paulino Bosco após a justa vitória tricolor no clássico da última semana.
 
Palmeiras e São Paulo remontam, aos poucos, a rivalidade criada no início dos anos 40, com a perseguição dos dirigentes tricolores ao então Palestra Itália, que foi forçado a trocar de nome em 13 de setembro de 1942 para o atual Palmeiras.
 
O que falta explicar a dirigentes, jogadores e torcedores dos dois times é que o futebol, atualmente, não permite mais comportamentos como os observados em todo este ano por figuras importantes das duas equipes.
 
O futebol atingiu um grau de profissionalização que exige de jogador e dirigente um comportamento ético e racional. Não tem cabimento um atleta violentamente tirar outro de campo, ou então quase quebrar a perna do adversário numa disputa de bola. Não tem espaço para declarações polêmicas que incitam o adversário.
 
Da mesma forma, é impensável hoje um atleta querer simular ser atingido por um objeto com o único desejo de tentar punir o adversário com a perda do mando de campo. Ainda mais quando todas as câmeras de TV ainda estão ligadas e revelam a farsa num só instante.
 
O jogo Palmeiras e São Paulo do último dia 29 de agosto tinha tudo para ser um dos grandes clássicos do Campeonato Brasileiro de 2007 e talvez do Choque-Rei. Mas passará para a história como uma partida tão ridícula quanto aquela que, em 20 de setembro de 1942, não terminou porque os são-paulinos decidiram se retirar de campo, inconformados com uma decisão da arbitragem de dar pênalti ao recém-nomeado Palmeiras, então já vencedor do jogo por 3 a 1.
 
Nem na maternidade os recém-nascidos palmeirenses e são-paulinos seriam capazes de protagonizarem discussões como a de quarta-feira passada.

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Como desestruturar um sistema defensivo

Tem gente que bebe café pra esquentar o corpo em “um dia frio num bom lugar pra ler um livro“. Tem gente que bebe café pra “dar uma acordada”. Sem a intenção de discutir verdades e mitos sobre o café ou sobre a cafeína e menos ainda com o propósito de fazer uma discussão bioquímica e fisiológica a respeito do assunto, diria que faz muito tempo, que “tomar um café” deixou simplesmente de remeter a idéia de beber um cafezinho. Passou a ser um ritual, em que muitas vezes come-se uma “bolachinha” e nem se passa perto do tal.
 
Eu que pouco bebo café, respiro em um Café muitas idéias para discutir futebol. Em um dos mais recentes encontros para tais discussões no “Café dos Notáveis” (onde se discute futebol sob a luz da Ciência), algumas inquietações. Trago uma para debatermos.
 
É de conhecimento dos “preparadores físicos”, fisiologistas e bioquímicos do desporto que para o organismo do atleta melhorar sua performance integral, é necessário que haja um estímulo estressor que cause desarranjo, desequilíbrio, incômodo as estruturas estáveis do organismo. Este estímulo tira-o (o organismo) do estado de equilíbrio e exige dele respostas adaptativas que proporcionem uma reorganização em um nível mais estruturado. Tal reorganização ocorre para que ele (o organismo) seja capaz de manter o equilíbrio se um estímulo estressor de mesma magnitude resolver “atacá-lo”.
 
Se o estímulo estressor não tiver magnitude suficiente não provocará resposta adaptativa (porque não é capaz de tirar o organismo do estado de equilíbrio). Se a magnitude for superior aos limites do organismo, o desequilíbrio causado pode ser tão grande que ele (o organismo) não seja capaz de se reorganizar, se reestruturar; ter uma resposta adaptativa positiva (que represente ganhos).
 
Temos aí alguns conceitos importantes:
a-    se o estímulo estressor for maior do que a capacidade do organismo de reagir a ele à intenso desequilíbrio,
b-    se o estímulo estressor for menor do que a necessidade do organismo para reagir a ele à não há desequilíbrio,
c-    se o estímulo estressor for adequado à respostas adaptativas satisfatórias, ou seja, o organismo equilibrado se desequilibra, reage e torna se equilibrar.
 
Em jogos de futebol esses conceitos podem ser aplicados também em questões táticas das dinâmicas que envolvem o jogo. Se uma equipe está atacando, tenta, a partir do seu equilíbrio ofensivo “desequilibrar o equilíbrio” defensivo da outra equipe. Se suas estratégias causarem desequilíbrios muito intensos no adversário, levarão com maior contundência a chances de finalizações e gols. Se as movimentações ofensivas tiverem pequenas magnitudes, não conseguirão desequilibrar a defesa adversária, o que em termos ofensivos vai resultar em “nada”. Se o estímulo for “adequado” causará certos desarranjos a defesa adversária, seguidos de respostas organizadas, que exigirão novas e mais intensas dinâmicas ofensivas para tentar desequilibrar o sistema defensivo.
 
Em outras palavras, o ataque de uma equipe busca desequilibrar intensamente a defesa adversária. Se suas dinâmicas e estratégias não forem intensas o suficiente a defesa levará vantagem. Se for, o ataque levará vantagem, com facilidade. Grandes jogos (e outros nem tão “grandes” assim) apresentam equilíbrios e desequilíbrios constantes, com estratégias de ataque para desequilibrar a defesa, e estratégias de defesa para se manter equilibrada e desequilibrar o ataque, onde repostas e estímulos vão se alternando o tempo todo.
 
Temos aí outros conceitos interessantes. Se por um lado o ataque de uma equipe tenta desequilibrar o sistema defensivo de outra, o sistema defensivo de uma equipe poderá adotar três estratégias alternativas para responder aos ataques adversários. A primeira estratégia remete a tentativa da equipe de manter seu sistema defensivo equilibrado.
 
A segunda, remete para a tentativa de equipe provocar desequilíbrio no sistema ofensivo adversário. A terceira estratégia é a alternância circunstancial das estratégias anteriores.
 
No primeiro caso, buscar manter-se em equilíbrio significa desenvolver uma estratégia “passiva” para roubada de bola, buscando uma estruturação posicional vantajosa (característica principalmente de marcações por zona), induzindo o adversário ao erro.
 
No segundo caso, causar desequilíbrio significa desenvolver estratégias “ativas” de busca incessante para recuperar a posse da bola (característica, principalmente, de marcações individuais, “por camisa”).
 
No terceiro caso, o mais elaborado e complexo, causar desequilíbrio significa alternar as estratégias, de tal maneira que se busque uma estruturação posicional vantajosa para se partir para a busca intensa pela recuperação da posse da bola.
 
UM MOMENTO DE DESEQUILÍBRIO:
 
Um dos Notáveis do Café contou que há alguns anos, em um jogo presenciou a seguinte situação:
 
Primeiro escanteio ofensivo do jogo, para a equipe “A”. Dos dez jogadores de linha, sete foram para a grande área e proximidades dela. Até aí, nada aparentemente anormal. A equipe “B” deveria por comodismo (como quase todas as equipes por aí) deixar dois atacantes para puxar o contra-ataque e trazer os demais oito jogadores para participar da defesa. Então, situação habitual, comum: três defensores da equipe “A” marcando dois atacantes da equipe “B”, que por sua vez teria oito jogadores marcando sete (6+1 que cobra o escanteio). Mas eis que surge o inesperado; um momento de intenso desequilíbrio – a equipe “B” resolve manter não dois,
mas cinco atacantes para puxar o contra-ataque (deixando apenas cinco jogadores dentro da área para defenderem o escanteio).

 
A equipe “B” tentou se manter em equilíbrio, ou tentou desequilibrar o ataque adversário? O que você faria se fosse treinador da equipe “A”?
 
Bom, a equipe “A” manteve três jogadores para se defender; ou seja, no seu escanteio ofensivo posicionou sete jogadores atacando (6+1) contra cinco defensores.
 
Escanteio cobrado, nas mãos do goleiro da equipe “B”. Sem pestanejar, contra-ataque armado. Aproveitando o intenso desequilíbrio causado no sistema defensivo da equipe “A” (5×3), gol para a equipe “B”.
 
Senhores, a equipe “B” causou grande desequilíbrio na equipe “A” ao manter cinco jogadores na linha de meio-campo para puxar o contra-ataque. A equipe “A” não respondeu de forma inteligente em tempo hábil. Aí sofreu o gol.
 
Se analisarmos atentamente a situação, notaremos que antes da cobrança do escanteio a equipe “A” tinha seis jogadores mais um contra cinco defensores mais um (o goleiro).
 
Como aumentar essa vantagem numérica sem recorrer a remanejamentos de jogadores, possibilitando maiores chances de criar uma situação de gol?
 
Se ao invés de cruzar a bola diretamente na área, a equipe “A” tivesse realizado uma cobrança curta – saísse jogando – como ficaria a situação numérica? Simples, o 6+1 se transformaria em sete. O 6+1 contra 5+1 se transformaria em sete contra 5+1.
 
Levando em conta que os jogadores que ficaram para puxar o contra-ataque tentariam voltar para auxiliar a defesa, a equipe “A” teria ainda cerca de cinco segundos para buscar o desfecho da jogada com vantagem numérica. Na pior das hipóteses para a equipe “A”, a equipe “B” conseguiria se reequilibrar defensivamente a tempo, mas perderia a vantagem numérica ofensiva em um eventual contra-ataque.
 
Aí, quem teria desequilibrado quem? (“Tostines vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais? – se não quiser se arriscar é melhor ir pegando o “bolachinha” da prateleira; e se não gosta de bolachas…, bom, aí é melhor vir tomar um “Café”.)

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O êxodo e a Copa

Sexta-feira se fecha a janela de transferências de jogadores de futebol para clubes europeus. Isso não significa necessariamente o fim do êxodo de jogadores dos times brasileiros, uma vez que a Uefa corresponde a pouco mais da metade do destino dos atletas. A CBF ainda não divulgou números oficiais, mas o meu chute permanece acima dos 900. 907, para ser mais preciso.
 
Lula não gostou muito do número. Para ele, e para muitos, o êxodo de jogadores é um problema e precisa ser combatido, melhorando a estrutura do futebol nacional. Discordo. O êxodo não é um problema por si, ele é pura e simplesmente uma conseqüência. Ele só acontece por conta de uma série de problemas de fato, pertencentes um tanto a problemas ambientais e outro tanto a problemas de dentro da esfera do futebol.
 
Ao se combater o êxodo por si, você estará combatendo na verdade a livre vontade de um profissional evoluir na vida, e isso jamais pode ser negado a um indivíduo. Eu, você e o cara aí do seu lado almejamos por melhores condições de vida, e é assim que tocamos a nossa vida profissional.
 
É fato, porém, que o próprio êxodo em si é superestimado. O fato de oitocentos e poucos jogadores terem saído do país no ano passado não representa a raiz da preocupação em si. Muitos desses jogadores sairiam de um jeito ou de outro, uma vez que o futebol brasileiro não comporta tanta produção de atletas. Por isso, entre outras tantas razões, que jogadores saem jovens. Não tem time suficiente no país pra todo mundo. Com tanta produção, serão cada vez mais comuns casos de jogadores nascidos no Brasil jogando em seleções de outros países, como Deco, Pepe e Eduardo da Silva. O problema não está nos oitocentos e poucos jogadores por ano, mas sim nos cinqüenta ou sessenta que saem da primeira e da segunda divisão, o que eventualmente diminui a já pouca identificação da torcida com o time e a também já bem baixa qualidade do jogo apresentado.
 
Mas se Lula se preocupa tanto assim com o alto número de jogadores brasileiros se transferindo para mercados internacionais, os oitocentos e pouco, ele pode colaborar em reduzir esse número. Basta diminuir a produção de jogadores. Para isso, é só melhorar as condições educacionais do país e as possibilidades de evolução social dos indivíduos, principalmente dos jovens de baixa renda. Dessa forma, os mesmos jovens que hoje focam seus talentos no jogo de futebol podem eventualmente focar os seus talentos em fazer do Brasil um lugar melhor pra se viver. Essa nova filosofia, porém, reduziria drasticamente o número de bons jogadores de futebol do país.
 
Obviamente que isso implicaria em criar um embate pro Estado, uma vez que ele teria que escolher entre o melhor para a sociedade brasileira como um todo ou o melhor para a seleção brasileira de futebol.
 
Pelo conjunto histórico da obra e pelo jeito que está sendo conduzida a candidatura da Copa de 2014, não é muito difícil prever qual o lado que o Estado iria escolher.

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Futebol: ciência e arte

Um tema sempre presente nas conversas dos bons apreciadores do futebol e também de seus profissionais é o do papel das ciências para a evolução desta modalidade esportiva.
 
A eterna discussão, por exemplo, em torno da prevalência do futebol-força em relação ao futebol-arte parece representar certo preconceito em relação à ciência, já que se subentende que estas duas dimensões são coisas opostas ou antagônicas. Ou se tem arte, representada pela técnica apurada, pelo estilo e plástica do jogo, ou se tem a força, representada pelo bom preparo físico, velocidade e disciplina tática.
 
Cria-se uma separação artificial muitas vezes prejudicial à melhor compreensão e desenvolvimento deste esporte.
 
Para aprofundarmos este assunto, talvez fosse interessante antes de qualquer coisa entender um pouco o que é ciência e o que é arte. O exato significado do que seja uma e outra tem sido um desafio para pensadores, cientistas e demais profissionais que se preocupam com o tema e o que se observa é que não há muito consenso entre eles.
 
Particularmente gosto da definição de ciência como a síntese provisória e possível do saber acumulado pela humanidade em um determinado período histórico. Como arte podemos entender a habilidade do ser humano de produzir algo belo ou estético. Ela se manifesta de diferentes formas através da música, dança, cinema, teatro, pintura, esporte etc.
 
Entendidas assim, ciência e arte, ao invés de ocuparem lugares opostos ou antagônicos, deveriam ser consideradas como dimensões complementares a serviço da nossa evolução e desenvolvimento.
 
Em especial no futebol, a exemplo de tantas outras manifestações humanas, seria maravilhoso se utilizássemos o conhecimento e inovações científicas para aprimorarmos a arte de jogar com habilidade, estilo e beleza, tornando esta paixão nacional e mundial cada vez mais atraente.
 
Pena que ainda nos atrapalhemos ao lidar com estas duas dimensões.

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