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A linha de defesa e as bolas cobertas e descobertas

Em outra oportunidade, meses atrás, foi discutida a importância dos adequados ajustes do posicionamento corporal do goleiro, zagueiros, laterais e volantes para potencializar as possibilidades de ação numa equipe que tem o jogo apoiado como princípio de construção em organização ofensiva.

O posicionamento corporal correto é um comportamento que cada jogador deve dominar em todos os momentos do jogo e de acordo com cada circunstância que o jogo o impõe.

Nesta semana, será abordado o posicionamento corporal da primeira linha de defesa (seja com três, quatro ou cinco defensores) de acordo com distintas situações. São elas: bola coberta ou bola descoberta.

No entanto, antes de discutirmos sobre o posicionamento corporal será introduzido brevemente os conceitos de bola coberta e descoberta. Tais conceitos, embora relativamente simples, pelo que tenho notado, geram poucas discussões e reflexões nos diferentes ambientes que se discute futebol.

O acesso a estes conceitos, com estas terminologias, deu-se em solo curitibano através de diferentes profissionais que já os adotavam em seu dia-a-dia de treinamentos.

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Perda de pontos no Brasileirão: entenda

O "fair play" financeiro tem por objetivo melhorar a saúde financeira dos clubes de futebol e começou a ser implementado na Europa em 2011 quando as equipes classificadas para as competições da UEFA passaram a ter que provar a inexistência de dívidas em atraso com outros clubes, jogadores, segurança social e autoridades fiscais para poder competir.

Para a temporada 2013/2014, a UEFA apertou o cerco e passou a exigir uma gestão equilibrada em "break-even", ou seja, os clubes não podem gastar mais do que ganham.

A fim de fiscalizar o “fair play” financeiro, a UEFA criou o Comité de Controle Financeiro dos Clubes da UEFA que analisa as contas das equipes.

Os clubes que não cumprirem o requisito do equilíbrio poderão sofrer penas de perda de pontos e até desclassificação.

Vale dizer, que o descumprimento dos regulamentos não implica em exclusão automática, eis que há vários tipos de sanções como advertência, repreensão, multa, perda de pontos, retenção de receitas; proibição de inscrição de novos jogadores; eliminação e/ou exclusão de competições.

Este ano o futebol brasileiro começa a ensaiar os primeiro passos na busca pelo “fair play” financeiro ao apontar indícios de que a CBF trará no Regulamento Geral da Competições a possibilidade de perda de pontos para os clubes que atrasarem o salário dos jogadores.

A punição só ocorreria se os jogadores denunciarem os clubes e seria julgado pelo STJD. Entretanto, não há consenso, ainda, por exemplo, sobre o tipo de atraso salarial, ou seja, se seria considerado somente o valor registrado na carteira de trabalho ou os direitos de imagem também.

Caso se consolide, a iniciativa da CBF configurará um avanço inestimável para o futebol brasileiro, pois criará a atmosfera de confiança necessária para que a renegociação das dívidas fiscais dos clubes seja aprovada e, consequentemente, viabilizará a sua recuperação financeira atraindo-se patrocinadores e valorizando o produto.

O grande desafio é conseguir mudar a mentalidade dos clubes brasileiros e conscientizá-los da necessidade de se manter as contas equilibradas. Ademais, as punições deverão ser efetivas e exemplares, sob pena de todo o esforço ser vão.

O estágio atual do futebol não dá espaço para amadorismo e os resultados em campo são fruto de uma gestão moderna, racional e profissional, cujo exemplo a Alemanha apresentou na Copa do Mundo. 

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Coaching para os tamanhos de projeto esportivo

Quem está começando a ouvir falar sobre Coaching no esporte já pôde perceber que os muitos casos práticos e trabalhos que vem sendo realizados estão em muitas situações ocorrendo em clubes de maior investimento, mais efetivamente aqueles presentes nas séries A e B do Campeonato Brasileiro.

Isso significa que só é possível aplicar um processo de Coaching em ambientes aonde o investimento financeiro se faz presente em grande escala?

Em minha opinião, a resposta a esta questão é não. No meu ponto de vista, o Coaching pode e deve ser aplicado em todos os portes ou tamanhos de projetos esportivos.

Imagine a situação de um clube de baixo investimento no cenário nacional, aquele que convive duramente com seu exercício diário de sua gestão do futebol, tanto em termos financeiros quanto em termos da própria prática esportiva. Será que não caberia neste ambiente um trabalho que pudesse contribuir para a construção de objetivos comuns para todos os envolvidos?

Eu penso que sim, caberia plenamente este tipo de trabalho e vou além, penso ser de fundamental importância uma vez que em muitos casos vale mais o atleta ter a capacidade mental e emocional para evoluir num ambiente onde ele possui objetivos claros e bem definidos e sabe exatamente aonde todos pretendem chegar. Isso por si só já gera uma enorme alavanca de desenvolvimento destes profissionais, pois quando temos uma meta comum e conhecida estamos inconscientemente estimulados ao desafio do aprendizado necessário e contínuo para superar este desafio, representado em forma de uma meta ou mais metas desejadas.

Pensando desta forma, podemos entender que o trabalho sério e bem aplicado de Coaching pode sim fazer parte de todos os projetos esportivos no futebol, sejam eles de grande volume de investimento financeiro ou não. O importante está em conseguir equilibrar e orquestrar o desenvolvimento do trabalho conforme as condições existentes e a clareza dos objetivos esperados por todos ao final do projeto.

E você, concorda?

Até a próxima! 

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Por que tantos problemas não resolvidos?

Vez por outra converso com meus pares, colegas que atuam também na área de gestão do esporte, alunos e ex-alunos e mesmo amigos de fora do meio esportivo e uma pergunta recorrente é: por que o esporte enfrenta tantos problemas e não consegue encontrar as soluções mais adequadas, se parecem tão óbvias?

Talvez parte da resposta esteja no quadro abaixo que montei para esta coluna, comparando o pessoal de uma grande empresa de entretenimento (que administra casas de espetáculo, realiza shows e até eventos esportivos, com sede no Brasil mas também operações na América do Sul) com três grandes clubes do futebol brasileiro (de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre). A empresa de entretenimento faturou pouco mais de R$ 500 milhões no último ano. Os clubes selecionados, somados, faturaram o equivalente a R$ 865 milhões (balanços de 2013), ou seja, média de R$ 288,3 milhões por clube.

* Do autor. Realizado com base em informações retiradas da Rede Social LinkedIN (pessoas que declaram trabalhar nas respectivas empresas selecionadas).
Amostra Total: 564 pessoas.

Não vou me ater aos números absolutos pois, do contrário, estaria tentando comparar “bananas com laranjas”. Vamos focar aos dados relativos que importam e saltam mais aos olhos nesta análise. Em destaque:

1) Atividades-fim: apresenta-se números muito parecidos entre os dois segmentos. Se no caso da Empresa de Entretenimento a atividade-fim pode ser resumida no pessoal de “Produção e Operação” (14,9% do total), no caso dos clubes de futebol são os profissionais de esporte que ocupam este lugar (23,2%). Nada mais natural e plenamente justificável. Aqui, entenda-se, incluem-se todos os profissionais que atuam na área de preparação física, treinamento desportivo, aulas de esporte etc. Poderíamos ainda somar os 12,1% de profissionais que atuam em áreas multidisciplinares (médicos, fisioterapeutas, fisiologistas, ortopedistas, assistentes sociais etc.) que, apesar de não pertencerem efetivamente ao grupo de profissionais em atividades-fim, mas dão suporte direto e muito próximo a estes. Daqui, percebe-se como a área técnica, apesar de muitas (e justas) críticas em alguns segmentos, é claramente o setor mais bem formatado dentro destas entidades. Desconsiderei nesta primeira análise tanto os artistas do mundo do entretenimento quanto os artistas do meio esportivo!

2) Atividades-meio: pelo gráfico, percebe-se como os clubes de futebol são formados por um ambiente extremamente operacional e burocrático, sem um espaço efetivo para áreas de inteligência, estratégia e planejamento. Por isso tem-se 18,7% do pessoal alocado em áreas de Secretariado e Administrativo Geral. Pode-se explicar tal relação pelo fato de os tomadores de decisão pertencerem ao quadro político (não-remunerados ou estatutários), necessitando precipuamente de pessoal que executem demandas e não que desenvolvem projetos efetivamente em prol do crescimento da organização. Em contrapartida, a Empresa de Entretenimento conta com quase 5% do pessoal alocados em áreas de planejamento e estratégia e outros 4,2% na parte administrativa geral. O setor de estratégia e inteligência competitiva é, por exemplo, o responsável pela constante identificação de oportunidades no mercado para a oferta de serviços específicos ao público consumidor.

3) Marketing e Comercial: aqui tem-se uma relação importante. Enquanto a Empresa de Entretenimento possui uma equipe de vendas que representa quase 1/5 do seu quadro de pessoal, os clubes de futebol não alcançam 1% do total. Na área de marketing o equilíbrio é um pouco mais próximo, embora a diversidade de cargos seja o grande diferencial. Na Empresa de Entretenimento os colaboradores atuam principalmente em áreas como o CRM, o Atendimento ao Cliente ou o Pós-Venda de Patrocínio. Nos Clubes, os cargos que mais se aproximam desta premissa são os de Relacionamento com o Sócio Torcedor.

A soma do Item 02 (atividades-meio) com o do Item 03 (marketing e comercial) é capaz de retratar a realidade dos clubes de futebol no Brasil: se não há equipe especializada em planejamento com vistas a inovação e a atenção ao mercado, tampouco força de vendas, preferencialmente subsidiada por informações qualificadas, como se espera vender e faturar mais?

As grandes oportunidades do mercado de entretenimento só serão alcançadas pelos clubes a partir do momento em que deixarem um pouco a arrogância de lado para se debruçarem verdadeiramente sobre construção e desenvolvimento de projetos em atenção a patrocinadores, mídia e consumidores.

E aqui não está-se a sugerir que deve-se diminuir ou minimizar as chamadas “áreas administrativas” ou “operacionais” dos clubes. Elas são fundamentais para que processos e tarefas sejam cumpridos e possam dar todo o suporte para que as atividades-fim sejam aplicadas com excelência.

A reflexão passa muito mais para ter-se a noção da necessidade de se criar núcleos mais robustos de planejamento e que deem suporte para setores de vendas, de modo a atingir o maior número de stakeholders possível.

Se olharmos para o Relatório Anual do Manchester United (2013), por exemplo, vê-se que a equipe de vendas do clube beira as 125 pessoas (não, eu não errei. São 125 colaboradores dedicados a área comercial dos diabos vermelhos). A área comercial, naturalmente, não se limita a venda de patrocínios, obviamente. Trata-se do conjunto de todas as atividades de venda, que vão desde a bilheteria até os naming rights do Centro de Treinamento. Muito por isso que a área de marketing fatura quase R$ 600 milhões (o patrocínio máster, de camisa, representa apenas 15% deste total).

A resposta à pergunta do título desta coluna pode ser tão simples quanto “pessoas”. Tanto em quantidade quanto em qualidade. Tanto na sobreposição de setores quanto na ausência de pessoal para áreas específicas.

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Desempenho financeiro do Flamengo em 2014

Desempenho financeiro do Flamengo

O Flamengo foi até o momento o clube brasileiro que mais chamou a atenção, em termos financeiros em 2014.

O clube da Gávea viu suas receitas crescerem ainda mais que em 2013 e manteve um controle efetivo dos custos com futebol.

Paralelamente resolveu o problema histórico do clube renegociando débitos fiscais, contribuições sociais e FGTS com o Governo Federal.

Todos esses pontos são realmente destaques extremamente positivos da gestão do atual presidente Eduardo Bandeira de Mello. 

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O orgulho como ferramenta de comunicação

O esporte é um segmento naturalmente passional, e entender isso é fundamental para qualquer plano relacionado à área. A comunicação, por exemplo, tem de seguir uma série de estratégias que também seriam pertinentes em outras searas. No entanto, não existe eficiência nesse caso se as ações desconsiderarem a emoção como base de qualquer processo. Poucas ferramentas são mais poderosas do que o orgulho.

Orgulho é um conceito extremamente pessoal, é claro. É possível ter orgulho de um título, de uma história, de um ídolo ou até de um atributo específico (um local ou uma característica da instituição, por exemplo). Sabe aquela coisa que todo torcedor usa no bar quando quer convencer o mundo que o time dele é o melhor que existe?

Então: nada vende mais do que orgulho. O São Paulo criou há quase uma década o conceito “Soberano”, por exemplo. Ainda que seja extremamente questionável e que tenha impingido atributos indeléveis e questionáveis à marca do clube, a ideia era uma resposta a algo que a torcida sempre tentou “vender”.

Quer outro exemplo? Quando contratou Ronaldo, que na época era o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, o Corinthians desenvolveu uma linha de produtos com a marca dele. As vendas foram expressivas – maiores do que artefatos vinculados a outros atletas. Uma das razões para isso é justamente o orgulho que a torcida tinha de dizer que ele havia escolhido o clube.

São dois exemplos recentes e de um mesmo mercado (São Paulo, no caso), mas o orgulho tem sido força motriz do esporte desde sempre e em qualquer lugar. Na Europa, a maioria das campanhas voltadas a sócios-torcedores tem como base a ideia de que quem ajuda o clube é mais próximo e mais apaixonado do que os demais. É o orgulho até em forma individual.

No Brasil, os Estaduais são sobre orgulho. Há muito os torneios regionais têm perdido relevância e se tornado um fardo para o calendário de qualquer equipe. Essa depreciação tem relação direta com a falta de um trabalho adequado de comunicação institucional, mas não tirou (ainda) algo que faz essas competições terem algum sentido: o orgulho que gera uma vitória direta contra rivais locais.

Nenhum time brasileiro tem sido exemplo mais positivo disso em 2015 do que o Botafogo. A equipe alvinegra é líder do Estadual do Rio de Janeiro e tem aproveitamento expressivo. No domingo, bateu o Flamengo por 1 a 0 com um gol marcado por Tomas num golpe de sorte – a bola bateu na trave em um chute de longe, voltou nas costas do goleiro Paulo Victor e entrou.

Parece pouco, é verdade – é começo de ano, a liderança no início do Estadual não vale muita coisa e foi apenas um lance de sorte em uma partida –, mas é preciso colocar tudo isso em contexto. O Botafogo foi um time devastado na temporada 2014 e acabou rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Além disso, carregava consigo um estigma negativista. Sabe aquela ideia de que “tudo acontece com o Botafogo”?

Por tudo isso, o início de ano é uma reação contundente, sim. É uma recuperação de autoestima e de orgulho. É uma reação para quem teve um ano com poucos motivos para sentir orgulho.

O Palmeiras passou um pouco por isso no início do ano. As 19 contratações que o time alviverde fez para 2015 não foram apenas uma mudança de perfil no elenco. Foram uma forma de dizer à torcida que as agruras da temporada anterior eram coisa do passado e que era possível apostar de novo no time.

Também há em São Paulo um bom exemplo de orgulho individual. Ou algum torcedor do Corinthians deixou de sentir isso quando Jadson recusou uma proposta do Jiangu Sainty (China) e decidiu ficar no clube para ganhar metade do salário que receberia na Ásia?

Os chineses aceitaram pagar a multa rescisória do contrato de Jadson (algo em torno de 5 milhões de euros), e o meia era a única pessoa que podia cancelar o negócio. Ao recusar, ele usou como principais argumentos a vontade da família e a chance de virar ídolo do Corinthians. Quer uma forma mais clara para deixar o torcedor orgulhoso?

É possível despertar orgulho até mesmo em momentos complicados. O Grêmio desfez em 2015 o elenco que havia feito uma temporada regular no ano passado. Algumas das principais referências deixaram a equipe (Zé Roberto, Barcos, Pará e Bressan, por exemplo). Até o centroavante Marcelo Moreno, que voltou ao clube após boa passagem pelo Cruzeiro, saiu. Contudo, o técnico Luiz Felipe Scolari, ídolo da torcida tricolor, ficou. E se isso não for motivo suficiente para mexer com o emocional da torcida, a debandada criou uma chance enorme de identificação. Afinal, o novo grupo de atletas tem bem mais espaço para jogadores formados na base – garotos normalmente despertam empatia natural no público.

São muitos exemplos, e quase todos têm relação com o início dos Estaduais. A questão é: quem fez uma campanha focada no orgulho de seus torcedores? Talvez o Palmeiras, mas o clube preferiu usar isso como mote para alavancar seu plano de sócios.

Orgulho não vende apenas carteirinhas de filiação. A relação passional é o maior diferencial que o esporte tem no mercado de entretenimento, e é fundamental que os clubes tentem tirar disso uma fonte relevante de receita. E para transformar orgulho em receita, é fundamental que eles saibam como comunicar isso. 

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A violência vencerá o futebol?

O mundo do futebol foi surpreendido pela vitória da violência sobre o futebol. Isso porque o Governo da Grécia decretou a suspensão do campeonato nacional por tempo indeterminado em razão de graves incidentes que antecederam o clássico entre o Panathinaikos e o Olimpiacos.

Os torcedores do Panathinaikos invadiram o campo quando o treinador da Equipe adversária realizava seu ritual de tocar nas redes em frente à torcida.

Infelizmente, a violência tem sido uma constante nos estádios de futebol pelo mundo a fora e, alguns países em específico, dentre eles o Brasil, parecem estar na iminência de deixar o futebol sucumbir.

No Brasil, o Estatuto do Torcedor traz alguns dispositivos que buscam combater a violência nos estádios de futebol, mas tem se mostrado insuficiente. Ademais, não há previsão legal para suspensão das partidas de futebol, como se deu na Grécia.

O ano de 2015 começou com alguns lampejos de genialidade no combate à violência. A primeira grande medida se deu no recife quando a campanha “security moms” levou ao clássico Sport e Náutico as mães dos torcedores como seguranças que receberem treinamento. A campanha trouxe certa comoção aos torcedores que emocionados abraçaram suas mães.

No Paraná, as Diretorias de Atlético e Coritiba sob o slogan “Uma Disputa Sadia. Um aperto de mão” lançaram a campanha “Sempre Rivais. Nunca Inimigos.” A campanha foi, de pronto, abraçada pelas torcidas organizadas que fizeram uma bela festa sem violência no primeiro clássico do ano.

Finalmente, no Rio Grande do Sul, Inter e Grêmio criaram o “clássico da paz” ao reservar um espaço de dois mil lugares para que colorados e gremistas sentem-se lado a lado no primeiro Grenal do Gaúcho. Neste espaço, o colorado terá o direito de levar um acompanhante colorado.

Estas medidas, ao mesmo tempo que representam uma forma da sociedade civil se movimentar, demonstram um incrível amadurecimento dos Dirigentes que deixaram a rivalidade agressiva de lado e decidiram usar a paz para promover o evento.

Tais medidas nos trazem a sensação de que algo de muito bom está para acontecer e de que logo estaremos muito longes do caos instalado no futebol Grego. 

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O planejamento e a gestão esportiva

Hoje, caro amigo leitor, quero compartilhar com vocês uma reflexão breve sobre a importância do bom planejamento para a eficácia da gestão esportiva.

Sabemos que todo bom projeto de sucesso começa por um ótimo planejamento, pois todo esforço e tempo investido na fase do planejamento do seu negócio significa mais eficiência na execução do seu plano de ação e consequentemente aumenta consideravelmente as chances de sucesso na busca por atingir seus objetivos corporativos.

No futebol, se pensarmos no planejamento de uma temporada ou até sendo mais otimistas num sonhado planejamento de três ou cinco anos, de imediato aparece à importância de criarmos um plano de ação que seja robusto e que envolva toda a direção do negócio, bem como todas as áreas envolvidas. Atualmente não só no esporte, mas também nas demais organizações, essa percepção começa a ser valorizada e muitos gestores já estão sensíveis a necessidade de se fazer um planejamento estratégico e buscar com ele definir metas factíveis e mensuráveis para a evolução do negócio em questão. Mas talvez seja justamente neste ponto que muitos gestores possam cair na armadilha de acreditar que apenas por se ter uma ou mais metas o jogo esteja ganho e ao compartilha-las com toda a sua organização ou clube, no caso do futebol, isso já é o suficiente para que elas sejam atingidas no final do ciclo.

Aqui, neste exato ponto, quero dividir com vocês a importância se identificar de maneira mais próxima da realidade qual é a real distância entre a situação atual do seu negócio e a sua(s) meta(s) e em muitos casos falhamos nesse exercício de clarificação. Muitas vezes, enquanto gestores, evoluímos das metas diretamente para a elaboração dos planos de ação pelo simples fato de acreditarmos que conhecemos exata e profundamente os problemas que possuímos e as suas causas raiz, então elaboramos um plano de ação de forma empírica e sem o menor trabalho de análise sobre a situação. Neste momento a armadilha da pressa nos pega e o risco de executarmos um plano, falho em atender os objetivos do negócio, vira um fato e nos perdemos na execução do nosso trabalho de gerir e alavancar o negócio esportivo.

Como dicas para os gestores atuais e futuros, sugiro que usem e abusem das ferramentas básicas de gestão que podem contribuir para uma análise adequada da situação atual do seu clube enquanto negócio, com isso terão fatos e dados e identificação de causas que uma vez validadas, possibilitarão a elaboração de um plano consistente e com ações mais diretamente relacionadas aos seus objetivos estratégicos. Isto feito o desdobramento das metas em grandes ações, baseadas na análise das raízes dos seus problemas, permitirão o detalhamento de projetos e/ou tarefas (com seus respectivos responsáveis e prazos) que muito contribuirão efetivamente ao atingimento das metas desejadas. É importante também que sejam definidos indicadores relacionados às suas metas e que permitirão o devido acompanhamento do efeito da execução do seu plano em relação aos objetivos desejados.

Ah, por falar em acompanhamento, muita atenção com a gestão da sua rotina pois ser fiel as suas reuniões de acompanhamento e avaliação dos seus resultados são de fundamental importância para a manutenção do caminho a seguir e também permitirá que você como gestor do negócio possa ter possibilidade de corrigir rotas em caso de não eficácia das suas ações.

E aí, amigo leitor, acredita que o futebol por se beneficiar de uma boa gestão?

Até a próxima. 

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Razão e Emoção

O eterno dilema da razão ante a emoção aparece com alguma frequência no ambiente do futebol. Isso não é nenhuma novidade! No entanto, compreendê-lo em seus pormenores é fundamental para tentar explicar algumas tomadas de decisão que parecem incompatíveis com a vida real, mas extremamente comuns em um mundo de fantasias como o que se vive frequentemente no esporte.

Para ilustrar um pouco do processo racional, um estudo recente do Itaú BBA sinaliza os grandes problemas identificados nas contas dos principais clubes do futebol brasileiro (veja na notícia aqui: http://goo.gl/QItB1n ou com comentários aqui: http://goo.gl/QjoK47). Por sinal, ótimos estudos financeiros que balizam muito bem a compreensão sobre o estado periclitante do futebol brasileiro. Outros, de consultorias ou institutos de pesquisa igualmente indicam problemas similares.

A pergunta, no final das contas, é sempre a mesma: se é tão evidente que o problema existe, por que não há solução? Por que o futebol anda em círculos há tanto tempo, uma vez que os mesmos problemas somem e reaparecem como um passe de mágica?

A resposta está, sem dúvidas, no fator emocional, que impacta diretamente nos processos de gestão e respectivas tomadas de decisão. Enquanto não houver uma solução prática para o controle ou orientação aos clubes no sentido dos negócios com vistas a sua sustentabilidade econômico-financeira que gere benefícios reais e tangíveis tanto institucionais quanto pessoais (aos dirigentes), continuaremos a manter este estado de paralisia.

E, por mais incrível e inusitado que possa parecer, hoje, na forma que está, existem mais benefícios de curto prazo em não manter as contas em dia do que mantê-las “no azul”. Os efeitos negativos só aparecem no médio-longo prazo, quando o dirigente já não está mais no clube (e, às vezes, com alguns títulos no currículo, o que reforça ainda mais sua atitude nefasta perante a opinião pública em geral).

A resposta para explicar tudo não pode ser restrita a análise fria de balanços financeiros. Enquanto não houver uma solução para o efetivo equilíbrio entre razão e emoção na estrutura de gestão dos clubes, o assunto permanecerá recorrente por longas décadas!!! 

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Afinal, o que pensa o torcedor?

Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015: em post feito na rede social Facebook, a torcida organizada Independente chamou Muricy Ramalho de ultrapassado e cobrou a demissão do técnico do São Paulo, time que dois dias antes havia sido superado pelo Corinthians por 2 a 0 na abertura da fase de grupos da Copa Libertadores.

Sábado, 21 de fevereiro de 2015: o São Paulo bateu o Audax por 4 a 0 pelo Campeonato Paulista, no Morumbi. Não foi a redenção definitiva do time após a derrota no clássico, mas algo chamou atenção: em grande parte do segundo tempo, os pouco mais de 9 mil torcedores que foram ao estádio gritaram o nome de Muricy Ramalho.

“Eu estou no São Paulo há muito tempo. Muito. Comecei aqui aos nove anos, e essa aqui é a minha casa. Fico mais aqui do que na minha casa, mesmo. A torcida sabe o quanto eu trabalho, mas algumas pessoas querem fazer com que eles pensem outra coisa. Mas eu conheço tudo nesse clube, e qualquer movimento eu sei que acontece. É difícil fazer a cabeça da torcida, mas eu estou ligado e sei quem são [as pessoas que tentam fazer isso]”, disse Muricy em entrevista coletiva após o jogo.

Muricy não foi enfático, mas tampouco sutil: diante da sequência de fatos, o técnico do São Paulo sugeriu que a manifestação da torcida organizada contra ele tenha sido uma ação orquestrada. Afinal, é possível direcionar o que pensa “o torcedor”?

“O torcedor”, em primeiro lugar, é um conceito extremamente cinza. Times de futebol são instituições extremamente populares, que permeiam diferentes setores da sociedade e têm massas formadas por públicos absolutamente distintos. É impossível tentar igualar o comportamento de um membro de torcida organizada, por exemplo, com o de uma pessoa que ocasionalmente frequenta estádios ou com aquele que prefere apenas ver as partidas pela TV.

Ter isso em mente é fundamental para evitar um erro comum em estratégias de comunicação: é impossível criar um plano uniforme para toda a torcida, e isso independe do time. É fundamental pensar em um conjunto abrangente de ações, que chegue a grupos com objetivos e anseios notadamente diferentes.

A despeito disso, existe um problema no atual modelo de relacionamento entre clubes e torcedores no Brasil. Se as relações não são claras, manifestações de grupos passam a ser sempre condicionadas a ações direcionadas.

Para deixar mais claro: como os times não têm um planejamento definido e extenso sobre comunicação para diferentes perfis de torcida e mantêm relações obscuras com torcidas organizadas, nenhuma manifestação pode ser admitida prontamente como algo legítimo.

O comportamento da torcida do São Paulo serve como exemplo nesse aspecto. Os organizados realmente queriam a demissão de Muricy Ramalho ou trabalharam, como sugeriu o treinador, a partir do direcionamento de alguém no clube?

A questão pode parecer pequena, mas tem efeito em larga escala. Para citar outro exemplo relacionado ao São Paulo, a mesma organizada boicotou o jogador Richarlyson quando ele defendia a equipe tricolor. Antes do início das partidas, o meio-campista era o único que não tinha seu nome gritado. Isso gerou discussão nas arquibancadas, e outros grupos chegaram a homenageá-lo.

Tudo isso é parte de um problema de comunicação na relação entre clubes e torcedores no Brasil. Com os sócios-torcedores ganhando importância, têm sido mais frequentes as ações focadas nesse público e na criação de conteúdo relevante para quem é filiado. Mas o que é feito em larga escala?

Torcidas organizadas são instituições independentes, é verdade, mas usam a marca dos clubes. Um plano adequado de comunicação deve zelar por todas as aparições de uma marca, e bradar independência não é suficiente nesse caso.

O Cruzeiro já iniciou um caminho e anunciou que cobraria de organizadas pelo uso da marca do clube. O Palmeiras deu outro exemplo e cortou benefícios concedidos às torcidas. No entanto, ninguém pensou até hoje em como aproveitar de forma profissional esse grupo grande e apaixonado.

Torcedores organizados são fanáticos. Portanto, como mostra qualquer pesquisa, estão no grupo mais propenso a gastar dinheiro com seus clubes. Essa paixão e essa disposição precisam ser trabalhadas, e não menosprezadas.

Torcedores comuns têm relação mais distante com os clubes e consomem menos. Por isso, também precisam ser afagados sempre – eles são as pessoas que circulam nos corredores de um shopping e que precisam ser cativadas por uma vitrine.

São necessidades bem distintas, é verdade, mas são dois potenciais igualmente mal aproveitados. Os clubes brasileiros não trabalham de forma consistente para extrair o máximo de seus torcedores / consumidores, e a comunicação tem enorme parcela nesse problema.

Em vez de ter um plano claro de ações para os torcedores, é mais conveniente direcioná-los de forma sutil. O público podia ser um ativo dos clubes, mas passa a ser massa de manobra política.

O futebol brasileiro precisa entender que discutir o que acontece nas arquibancadas não pode ser apenas “conter a violência” ou “tratar bem o torcedor”. É preciso aproveitar o potencial que esses grupos têm.