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O valor do patrocínio (parte 02 de 03)

A relação do patrocínio com a quantidade de pessoas que uma propriedade é capaz de atingir: eis uma métrica simples, mas amplamente difundida no mercado publicitário. Logicamente, tem-se que se considerar inúmeros outros fatores, como a forma e o impacto de interação com as pessoas, associados com questões intangíveis, que são inerentes a atividade esportiva.

Mas por que ainda se considera a visibilidade como métrica principal? Talvez a resposta esteja no tamanho dos números. A relação de visibilidade do futebol com o espaço ocupado na mídia televisiva é muito alta. Os custos de anúncios em TV são igualmente elevados.

Naturalmente, o valor final de visibilidade de um clube qualquer que disputa uma primeira ou segunda divisão de Campeonato Brasileiro será muito grande. Os muitos cifrões antes da vírgula dão a ilusão de algo absurdamente bom. E até é, mas deve-se olhar com muito cuidado para estes montantes!

A questão é de compreensão de realidades e de visão mais holística do patrocínio. A queda de alguns números proporcionais de audiência na TV associado a um aumento exponencial da frequência do público na internet e redes sociais, por si, já enseja um debate para termos uma medição mais efetiva de todo o impacto causado por uma propriedade esportiva.

O que falar então dos conteúdos “on demand”, que atinge especialmente os consumidores “hard users”? Quem são e qual o valor de diferenciação deste público? E as ações de relacionamento dentro do estádio: quanto custam e quanto valem?

Existe um mundo imenso para além da televisão que precisa ser vivido tanto pelas propriedades quanto pelos patrocinadores. E a chave do sucesso está na capacidade de alcançar e de dialogar com os diferentes públicos. Quanto mais pessoas pudermos atingir com ações de qualidade, naturalmente o valor do patrocínio será maior (sempre ponderando para a qualidade deste alcance, que pode variar o seu montante final).

Na última coluna desta (breve) série, falarei um pouco mais sobre os nichos e a relação de valor do patrocínio em relação ao alcance dos diferentes públicos. 

 

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O valor do patrocínio (parte 01 de 03)

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Finanças dos clubes brasileiros em 2014

Receita total dos maiores clubes do Brasil

O 20 maiores clubes em receitas do Brasil apresentaram um faturamento conjunto de R$ 3,11 bilhões em 2014, uma queda de 1,4% em comparação com 2013.

A metodologia do estudo considera sempre os 20 maiores clubes em receitas de cada ano. Até o fechamento do estudo, o Criciúma não disponibilizou seu balanço.

Para ler a coluna na íntegra, basta clicar aqui

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O Nordeste, a Inglaterra e o boxe: futebol é entretenimento

O técnico Arrigo Sacchi, que comandou a seleção italiana na Copa do Mundo de 1994, disse uma vez que o futebol é “a coisa mais relevante entre as coisas menos relevantes do mundo”. É um segmento que emprega milhares de pessoas, movimenta cifras incalculáveis e tem papel preponderante como agente formador. Por isso, a verdade é que exigimos demais do futebol.

Queremos que ele empregue mais pessoas, seja mais austero, divida melhor as receitas e forme pessoas melhores. Em muitos momentos, quase nos esquecemos de algo fundamental: antes de tudo, futebol é entretenimento. O término dos principais torneios estaduais do Brasil mostrou isso.

No último domingo (03), decisões no Ceará e no Rio Grande do Sul acabaram em batalhas campais entre torcedores. Futebol é coisa séria, sim, e mexe com paixões capazes de fazer com que até mesmo pessoas sensatas participem de coisas assim. E isso não é um juízo sobre o ato, mas uma constatação: trata-se de um segmento que exerce enorme impacto no aspecto emocional das pessoas.

É aí que muitas vezes nos perdemos. Por ser algo com uma carga tão dramática e que movimenta tanta gente, acabamos esquecendo que futebol é essencialmente entretenimento. Que pode e deve ser levado a sério – como outras áreas do entretenimento, aliás –, mas que não pode extrapolar essa noção.

E por que essa discussão é pertinente? Ora, vejamos o que aconteceu no último fim de semana: com tantas decisões de Estaduais e tantos jogos extremamente representativos, que tipo de entretenimento foi oferecido aos torcedores? Que tipo de lembrança eles terão além do que aconteceu nas quatro linhas?

Em São Paulo, por exemplo, nem a liturgia do Hino Nacional foi respeitada. Enquanto a música era executada, o Palmeiras entrava em campo – apenas o Santos estava perfilado. O atraso deveu-se a um desses absurdos logísticos do esporte nacional – a chegada do ônibus alviverde coincidiu com a entrada de uma torcida organizada, e o policiamento teve de ser destacado para acompanhar os adeptos.

A Fifa dá um exemplo simples disso ao criar produtos alusivos aos jogos da Copa do Mundo – eram camisetas em 2010, na África do Sul, e foram copos personalizados em 2014, no Brasil. O futebol brasileiro não consegue sequer organizar uma festa de premiação que seja atrativa para quem está no estádio ou vê a partida pela televisão.

Pensar no futebol como entretenimento é entender que a experiência de um jogo não tem a ver apenas com o que acontece dentro das quatro linhas. O torcedor é um consumidor que precisa ser instigado a todo instante e que tem de ser considerado em cada ponto do planejamento.

O futebol, afinal, concorre diretamente com o cinema e com o teatro. É o lazer das pessoas, e as pessoas investem em lazer porque esperam um retorno em experiências. Aqui vale a lógica dos apaixonados por viagem (“viajar é a única coisa que você compra e que faz você ficar mais rico”).

O último fim de semana teve um exemplo contrário. Ninguém passou incólume pela luta entre Manny Pacquiao e Floyd Mayweather. O duelo de boxe foi tratado como a “luta do século”, promovido exaustivamente e recheado de histórias além do ringue. Com tanto em jogo e tanto entregue ao público, o que aconteceu no ringue foi o de menos.

Agora tente lembrar de qualquer jogo de futebol no Brasil durante o último fim de semana. Mesmo com tanto em jogo, qual Estadual teve um esforço de promoção tão grande? Qual teve tantas histórias e tantas coisas para as pessoas acompanharem?

Em vez disso, os exemplos que ficam são as confusões. As brigas em campo e o que aconteceu em Santa Catarina são as marcas dos torneios regionais (uma disputa judicial impediu a federação catarinense de confirmar no domingo o título conquistado pelo Joinville).

Por isso, parece até utópico falar em conceito de entretenimento. Os torneios regionais do Brasil são exemplos do contrário: não conseguimos sequer fazer o básico na estrutura do esporte nacional.

Organizar adequadamente o esporte demanda conhecer melhor o consumidor. É o caso dos estaduais, por exemplo: eles são relevantes e importantes para a manutenção de toda a cadeia, mas ainda têm o mesmo apelo? Há sentido na manutenção das atuais bases? Existe um público para isso?

A Copa do Nordeste é uma demonstração do quanto é impensável manter os atuais formatos. É o torneio regional mais bem sucedido no Brasil em 2015 – na relação custo-benefício e na questão de popularidade. É um exemplo em muitos sentidos: promoção, geração de mídia espontânea, relação com os parceiros de transmissão, aproveitamento de recursos, divisão de receita e venda de produtos, por exemplo.

Esse sucesso começa a chamar atenção de outros clubes. Tem muito a ver com a copa ter uma estrutura própria, muito mais ágil e profissional do que as federações estaduais. Num cenário em que uma liga nacional é politicamente inviável, esse é um modelo híbrido e já representa enorme evolução.

Não é necessário matar os estaduais para termos um futebol melhor. Precisamos apenas mudar o jeito de pensar sobre os campeonatos – e isso independe de quais campeonatos. Precisamos passar a ver o futebol como um produto de entretenimento, com todas as coisas necessárias a um bom produto.

É uma discussão que o Brasil precisa ter, mas que os dirigentes daqui evitam. Na Inglaterra, onde o tratamento dado ao futebol é o de um produto, os torcedores já entenderam bem isso. Não por acaso, na semana passada a torcida do Arsenal entoou um grito irônico sobre o Chelsea, que conquistou no último domingo o título nacional (algo como “Chato, chato, Chelsea”, como você pode ver aqui, ó: https://goo.gl/UUF2wz).

Os torcedores ingleses reclamaram porque não querem um jogo que seja apenas sobre vencer ou perder. Futebol é muito mais do que isso e envolve emoções que não podem ser traduzidas apenas pelo placar. A sobrevivência dos estaduais depende de os dirigentes entenderem isso.

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Atacante de lado, para marcar, só tem que acompanhar o lateral(!)(?)

É sabido que o futebol que se pratica hoje, em alto nível, é muito distinto do praticado décadas atrás. Maior envolvimento coletivo, maior velocidade do jogo (que acarreta maior exigência espaço-temporal) e maior similaridade de princípios entre as equipes são alguns elementos que conotam tal evolução.

Individualmente, no futebol moderno, espera-se que um jogador seja capaz de participar ativamente de todos os momentos do jogo, independentemente da função exercida.

Participar ativamente significa desempenhar variadas regras de ação (com ou sem bola) que estejam em consonância com o Modelo de Jogo da equipe e que contribuam na solução dos milhares problemas circunstanciais que surgem em uma partida.

Neste contexto, será levantada uma questão referente às regras de ação dos extremos/atacantes de lado. Antes de discuti-la, será apresentado um quadro com as regras de ação dos jogadores que exercem esta função.

Tais regras foram definidas de acordo com o que tem sido apresentado pelas principais equipes do futebol mundial, pelo que tenho estudado, pelo que vi e aprendi com treinadores e clubes que trabalhei e pelo que tenho esperado desta posição na equipe em que atuo como treinador.

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Copa América para a América

Nesta semana, Dunga convocará a seleção brasileira para a principal competição entre seleções do continente.

O campeonato sul-americano de seleções é o mais antigo do mundo quando se fala em selecionados nacionais.

Com o passar dos anos, dado o número reduzido de filiados (10), a CONMEBOL, passou a convidar seleções de outras Confederações, como México, EUA e até o Japão.

A CONCACAF, por sua vez, tem em sua competição continental esvaziada pelo baixo índice técnico das seleções e pela dominação de México e EUA.

Em 2016, como parte das comemorações do centenário da CONMEBOL, será realizada, nos EUA, a primeira Copa América de verdade com a participação das principais seleções das Américas do Sul, Central, do Norte e Caribe.

Este formato é mais competitivo e atrativo comercialmente, eis que colocará frente a frente fortes seleções como Brasil, Uruguai, Argentina, México e forças emergentes como EUA, Costa Rica, Chile e Colômbia.

Entretanto, este formato não deve ser repetido, pois, para tanto, CONCACAF e CONMEBOL deveriam abrir mão de suas competições continentais e realizar a Copa América em conjunto.

A realização da competição única, apesar de rentável e atraente, poderia trazer redução de força política das Confederações, por isso, dificilmente, haverá uma segunda verdadeira Copa América.

Perde-se a chance de fortalecer o futebol no continente americano e de se criar um embrião para uma futura competição continental de clubes.

Uma pena, pois, enquanto o futebol europeu se fortalece, as Américas ficam cada vez mais defasadas técnica e financeiramente. 

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Objetivos ou metas no futebol?

Com os estaduais chegando ao fim, para aqueles clubes que não estão disputando as finais dos campeonatos em seus estados o ritmo é de preparação visando o campeonato brasileiro de 2015. Com isso, muitos clubes buscam estipular os resultados que desejam obter no campeonato brasileiro e consequentemente no final da temporada. E isso deve acontecer através da criação de metas claras que podem servir como referência ou guia para levar os times ao desempenho esperado.

Em relação a este ponto, acho muito interessante falarmos um pouco sobre importância das metas, mas principalmente sobre as diferenças entre um objetivo e uma meta, até por que eles são diferentes e precisamos compreender estas sutis diferenças entre eles antes de evoluir no assunto.

Esclarecendo brevemente, um objetivo pode ser definido como aquilo que se deseja obter, os resultados que um clube ou indivíduo deseja atingir. Já uma Meta está relacionada ao caminho para se chegar a um objetivo. É um marco, um desafio que se pode realizar e medir, uma etapa a ser atingida dentro de um objetivo. Aqui, alguns exemplos podem contribuir para ficar ainda mais clara essa diferença.

Exemplo 1
Objetivo: Ter uma boa classificação no Campeonato Brasileiro.
Meta: Terminar o campeonato brasileiro de 2015 nas cinco primeiras colocações.

Exemplo 2
Objetivo: Pontuar constantemente no Campeonato Brasileiro.
Meta: Conquistar 7 pontos, a cada 12 pontos disputados.

Agora com mais clareza sobre a diferença entre um objetivo e uma meta, vale a pena reforçarmos a importância das metas para os clubes, suas equipes e seus atletas.

Para os clubes e equipes podemos perceber esta importância na citação de Vicente Falconi (Consultor de Gestão): “O SUCESSO de uma organização é algo DESEJADO POR TODOS e quando acontece é uma grande FONTE DE ALEGRIA E SATISTAÇÃO. É fato amplamente conhecido que ALCANÇAR BONS RESULTADOS é uma das maiores FONTES DE MOTIVAÇÃO HUMANA.” (Vicente Falconi). Ou seja, se quando um clube ou uma equipe alcança seus melhores resultados traz satisfação aos envolvidos e se torna uma fonte de motivação, ter uma ou mais metas passa a ter grande importância devido a capacidade de mobilizar os envolvidos numa direção comum.

Para os atletas, enquanto indivíduos, as metas do clube ou coletivas ganham importância na medida em que estas são traduzidas em metas individuais para cada um dos atletas. Quando estas metas individuais estão alinhadas com as metas coletivas, o atleta demonstra empenho superior para atingi-las e ao se conquistar as metas desdobradas, caminha-se rumo ao atingimento da meta coletiva. Cabe complementar que o grande aliado para a conquista de uma meta é um bom plano de ação, que uma vez executado potencializa a as chances de se conquistar as metas estipuladas e assim atingir os objetivos planejados.

Até a próxima. 

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O valor do patrocínio (parte 01 de 03)

Vou iniciar uma sessão com três colunas complementares para tratar da temática “patrocínio” e o amplo debate em torno da sua aplicabilidade no esporte. A proposta não é polemizar, tal e qual está sendo o assunto do momento relacionado aos patrocínios da Crefisa para o Palmeiras e os árbitros do Campeonato Paulista. A ideia é gerar reflexões visando melhores práticas.

Vamos começar, então, com a apresentação de dois vídeos, que convido os leitores a assistir antes de continuar:

Se fizéssemos a pergunta: o que vocês viram em cada um dos vídeos? Talvez os mais viciados em marketing esportivo diriam que viram no primeiro vídeo a “Vivo”, a “Brahma”, a “Nike”, a “Batavo” ou a “Caninha 51”. O fato é que, o público em geral, olha várias vezes para o feito e enxerga “tão somente” o golaço de Ronaldo contra o Santos, com uma parcela residual de lembrança das marcas apenas se for estimulado a esta memória. Para o segundo vídeo, muito provavelmente, será consenso que as pessoas virão apenas mais uma propaganda criativa da Coca-Cola.

E qual a mensagem desta reflexão inicial em relação a patrocínio esportivo? Que um patrocínio por si só não emite efetivamente toda a mensagem comercial desejada por uma marca. É necessário, fundamentalmente, atrelar o patrocínio a um processo de comunicação amplo, que se convencionou chamar “ativação”.

Por "n" razões, seja por ausência de visão do lado esportivo ou mesmo por falta de interesse em desenvolver uma estratégia da parte das marcas é que vemos um cenário ainda inerte a grandes inovações e transformações neste meio, salvo raras exceções.

No Brasil, o único termômetro para medir a efetividade de um patrocínio continua a ser a visibilidade, motivo pelo qual as propriedades esportivas são pouco lastreadas em diferentes plataformas de modo a atingir uma maior quantidade de pessoas.

Não à toa que, no berço do marketing esportivo, o mercado americano, as marcas se associam ao cenário esportivo de uma maneira muito discreta ou de um modo que possa contribuir com o enriquecimento visual do jogo em si. Eis aí o grande valor, tanto para as marcas do esporte quanto para aquelas que se vinculam a este, construindo um verdadeiro conjunto de valores e troca de atributos intangíveis.

Nesta primeira abordagem reforçamos, portanto, um conceito muito vivo nas mesas de debates e comentários de especialistas em marketing esportivo, mas ainda pouco usual na prática. Na próxima coluna vamos abordar a relação do patrocínio com a quantidade de pessoas que uma propriedade é capaz de atingir. 

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O novo caso Jobson e o papel social do futebol

O Botafogo disputou no último domingo (26) o primeiro jogo da decisão do Estadual do Rio de Janeiro (derrota por 1 a 0 para o Vasco no Maracanã). Jobson, não. Suspenso pela Fifa por ter se recusado a fazer exame antidoping em 2014, quando defendia o Al-Ittihad (Arábia Saudita), o atacante terá de ficar afastado dos gramados por quatro anos. Mas será que essa pena condiz com o papel social do futebol?

Em primeiro lugar, existe uma discussão em torno do caso. Jobson alega que o time árabe tinha uma dívida com ele, que já havia reclamado publicamente. O antidoping surpresa foi um pedido do próprio Al-Ittihad, e o profissional mandado ao hotel em que o atacante estava não falava português. Segundo o jogador, a recusa a se submeter àquela análise foi uma defesa para evitar qualquer tipo de armação.

No atual momento, contudo, discutir o episódio específico é apenas parte da história. Ainda que estivesse dopado e que tivesse rechaçado o exame para não ser flagrado, Jobson não podia ter sido submetido ao protocolo atual.

“Não sei [onde ele está]. Passei duas mensagens, mas até agora não tivemos resposta. Ele ficou de ir ao hotel [em que a equipe estava concentrada], mas não foi”, disse o técnico do Botafogo, René Simões, depois do jogo de domingo.

Anteriormente, o treinador já havia dito que colocaria profissionais para monitorar Jobson nesse período pós-notícia. Os advogados do atacante entrarão com um recurso na Fifa e pedirão efeito suspensivo para que ele volte a atuar – o atacante vinha sendo titular do Botafogo –, mas o medo agora não esportivo. Trata-se de um jogador reincidente no consumo de drogas, que foi alijado da profissão e que recebeu uma série de rótulos difíceis de não pespegar (“doente”, “viciado”, “indisciplinado” e “insolente”, por exemplo).

Nenhuma outra seara submete pessoas a provações públicas sobre drogas sociais. Quando esse tipo de substância foi incluído no antidoping do esporte, a alegação era criar exemplos para as pessoas que acompanham o segmento. A questão aqui é: será que o melhor exemplo é afastar Jobson da única coisa que ele sabe fazer, impor uma desilusão a ele, criar um ambiente hostil e fazer dele um pária? Talvez esse seja exatamente o roteiro para aproximá-lo novamente do vício.

Não discuti em momento algum se é correto o uso de drogas sociais. Não discuti em momento algum se esse consumo combina com o esporte, com figuras públicas ou com pessoas que são exemplos para gerações mais novas. Meu ponto é apenas um: suspender preventivamente, divulgar o fato, afastar um atleta por quatro anos e submetê-lo a um tribunal como um doping “comum” pode ser uma boa lição para outros, mas e para ele?

O tratamento destinado a Jobson pode ser exemplar, mas não tem sido exatamente a melhor abordagem do ponto de vista humano. Quem vai se responsabilizar se o atacante voltar a usar drogas ou se decidir se afastar das pessoas que estão tentando ajudá-lo?

Desde que os problemas de Jobson foram deflagrados, a única instituição que tem sido cuidadosa e tratado bem o jogador tem sido o Botafogo. O clube sempre esteve à disposição – ofereceu tratamentos e profissionais, por exemplo –, deu oportunidades e não fez publicidade sobre um drama que é extremamente pessoal. A Fifa não teve essa sensibilidade em momento algum.

Doping é um assunto relevante, obviamente, e por relevante deve ser acompanhado com minúcia pela imprensa. Agora cabe um questionamento sobre comunicação: em casos de drogas sociais, o posicionamento adotado pela Fifa é realmente o mais prudente?

Drogas sociais não adicionam ganho de performance. As substâncias flagradas em exames anteriores de Jobson não foram ingeridas porque ele queria ser um atacante melhor, mas por questões fora de campo. Para a Fifa, porém, isso sempre foi tratado como um desvio de conduta de um atleta, e não de uma pessoa.

Em primeiro lugar: é irresponsabilidade jogar doping social no mesmo balaio de outros casos. Se um atleta usou esse tipo de droga, não pode ser julgado como os que tentaram obter vantagem competitiva.

Além disso, o esporte tem uma função social. Trata-se de um agente formador (qualquer pessoa que tenha praticado uma modalidade na vida, ainda que de forma amadora, pode relatar o quanto isso influenciou no desenvolvimento de aspectos como dedicação, controle, concentração, trabalho coletivo, relação com a derrota e etc.). Estamos sendo corretos com Jobson?

Considero absolutamente absurda a divulgação de qualquer caso nesse sentido. De que serve as pessoas saberem qual droga ele ingeriu, quando foi e por que foi? De que adianta as pessoas revirarem a vida pessoal dele como se fosse um criminoso? É, não adianta.

Como agente formador e como ente social, o esporte tem um dever de dar exemplos e contribuir com as pessoas que o seguem. Mas também tem um dever de cuidar dos próprios atletas e de quem serve como pilar para a modalidade.

Agora leve o exemplo de Jobson a outros casos. Quais são as iniciativas do futebol mundial para ensinar jogadores a administrar dinheiro, por exemplo? Atletas que ganharam muito e gastaram ainda mais também são péssimas influências. O que é feito para evitá-las?

E os atletas que simulam agressões ou que tentam enganar árbitros e torcida? O que é feito para que eles não sejam exemplos para a sociedade?

O caso Jobson é um exemplo extremo do quanto o futebol (e a Fifa, de uma forma bem específica) negligencia a formação. Os bons exemplos são forças naturais amparadas por aspectos que a modalidade desenvolve, mas não por um trabalho consistente.

Enquanto tratarmos os atletas apenas como entidades a serem observadas e avaliadas, esse problema seguirá em diferentes áreas. Passou da hora de entendermos que lidamos com humanos e que humanos são sujeitos a dramas humanos. No esporte ou fora dele. 

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Feedback gera aprendizado?

Por muitas vezes um treinador de futebol necessita ser eficaz na orientação de seus atletas, seja para reforçar comportamentos positivos e ações bem executadas, quanto para contribuir no desenvolvimento destes através da melhoria e ajustes dos comportamentos percebidos de seus atletas na busca por melhores desempenhos.

Mas para se realizar esta ação muitas vezes se recorre de maneira isolada ao famoso feedback, muito difundido entre os profissionais atualmente em qualquer nicho de atuação. Porém dúvida em relação a eficácia do feedback como única forma de contribuir para a melhoria do desempenho dos atletas.

Na verdade para conseguirmos contribuir efetivamente para o desenvolvimento do outro, precisamos compreender que o aprendizado de algo novo é um processo que muitas vezes pode passar despercebido pela mente do atleta. Muitas vezes quando estamos tentando aprender algo novo, não percebemos como nós aprendemos a aprender estas coisas novas.

Na verdade, é muito importante conhecermos o processo de aprendizagem humana para podermos contribuir com o desenvolvimento de alguém. Ou seja, conhecer a forma que nos levará do não saber ao saber.

Para desenvolvermos algo novo, passamos por quatro estágios neste caminho que nos levará ao desenvolvimento daquilo que buscamos. São eles:

1. Incompetência inconsciente – Quando o indivíduo não sabe que lhe falta alguma competência para fazer algo, ou seja, ele não sabe que não sabe alguma coisa.

2. Incompetência consciente – Neste estágio você provavelmente passa a ter consciência de que não sabe o que precisa para executar algo novo. Ou seja, sua incompetência sobre alguma coisa está clara e sua consciência está elevada quanto a isso.

3. Competência consciente – Aqui você aprendeu o precisava e não haverá mais um grande esforço consciente para acertar e conseguir fazer bem o que se necessita.

4. Competência inconsciente – Nesta fase a pessoa de fato aprendeu o que precisava! A habilidade em fazer algo passa a ser natural e não é necessário esforço algum para atingir um ótimo desempenho.

Desta forma, pode ser valioso para todo treinador de futebol que procura ser mais assertivo em suas orientações e no incentivo ao desenvolvimento de seus atletas, que ele consiga levar o atleta do estado de incompetência inconsciente para o de incompetência consciente, pois neste momento o atleta vai compreender claramente que lhe falta algo a aprender e com isso a consciência de sua incompetência poderá leva-lo a buscar os aprendizados necessários para tornar-se competente no que necessita e com isso melhorar seu desempenho na busca pela melhor performance esportiva. 

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Patrocínio da arbitragem

Na reta final do campeonato paulista, o patrocínio da Crefisa e da FAM estampado na camisa dos árbitros chamou atenção, eis que se tratam dos mesmos patrocinadores do Palmeiras, um dos semifinalistas da competição.

O Estatuto do Torcedor determina que é direito do torcedor que a arbitragem das competições desportivas seja independente, imparcial, previamente remunerada e isenta de pressões. Além disso, é assegurado ao torcedor a transparência nas competições.

Outrossim, em se tratando de imparcialidade e da relevância do futebol no cenário sociocultural do Brasil, ser honesto não basta, deve-se parecer honesto.

Neste esteio, a FIFA, em seu Regulamento de Organização de Arbitragem estabelece que o patrocínio da arbitragem é permitido, desde que não exista conflito de interesses.

Destarte, se há um clube na competição com os mesmo patrocinadores, resta claro o conflito de interesses e violação ao princípio da independência da arbitragem.

Vale dizer que apesar da polêmica ter se instaurado no campeonato paulistas, em outros Estados os árbitros também são patrocinados.

Inclusive, em Minas Gerais, a CEMIL, empresa de bebidas lácteas patrocina Cruzeiro, Atlético e a arbitragem mineira.

Outrora inexistente, o patrocínio da arbitragem carrega consigo um importante papel de fortalecimento de uma marca, eis que o juiz de futebol, responsável pela tomada de decisões durante a partida, transmite a imagem de ética e imparcialidade.

Urge destacar que não a FIFA não proíbe o patrocínio dos árbitros, o que a instituição veda é a coexistência de patrocínios comuns com os clubes, e também de cassinos, casas de apostas, bebidas e cigarros.

Por fim, importante uma reflexão, se é proibido o patrocínio de árbitros e clubes pela mesma empresa sob pena de se levantar questionamentos éticos, não se abre precedente para conflitos entre clubes com mesmos patrocinadores?