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O que estamos administrando?

Mais uma para a série “o que é o mercado do futebol?” ou “o que é a gestão de um clube de futebol?”. A inspiração vem da frase de um alto dirigente do nosso futebol, proferida nesta semana, que dizia: “assumo a responsabilidade (pelo rebaixamento), mas não sei onde errei”.

Trata-se do típico caso do gestor que não sabe explicar o fenômeno em que está inserido. Desconhece, portanto, qualquer leitura sobre o mercado, seus concorrentes e os modelos de negócios que estão funcionando para aplicação direta em seu próprio clube.

A falha mais grave dos clubes tem sido justamente este: não aprender nem com seus próprios erros nem com seus acertos (conforme já escrito por mim em colunas passadas aqui na Universidade do Futebol).

E o problema, reforço, não está centrado no erro em si (que aliás é comum em diversos processos de gestão, inclusive nas maiores empresas do mundo), mas sim de não perceber os problemas para minimizá-lo.

O mercado mudou. Os interesses se transformaram. O faturamento dos clubes aumentou significativamente nos últimos anos. Por tudo isso, não se pode mais admitir que não se saiba o que se está administrando!!!

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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As três perguntas de ouro para quem busca a vaga dos sonhos

Saudações a todos!

Como fazer um currículo bem feito? Como se comportar em uma entrevista? O que fazer em uma dinâmica de grupo? Estas são as três perguntas de ouro para quem busca uma vaga ideal. Como sabemos, qualquer mínimo erro em uma destas etapas costuma sair caro e perder a oportunidade dos sonhos é uma tragédia.

Como fazer um currículo bem feito

Você precisa entender que embalagens ruins não vendem. E a embalagem de uma pessoa é o seu currículo. Ao incluir o currículo nos sites de empregos ou da empresa, fique atento:

– Preencha todos os campos com atenção, capriche na redação e na escolha das palavras: um bom vocabulário faz toda diferença. Não tenha “preguiça” de incluir todos os dados solicitados no momento do cadastro de seu currículo. Se você não teve disposição e energia para preencher de maneira completa algo simples, o selecionador não vai perder tempo com você.

– Informe sua formação de maneira detalhada, mas não seja repetitivo.

– Jamais minta, não exagere, mas não se subestime.

– Inclua todas as experiências que você teve mesmo aquelas fora do ambiente corporativo ou sem remuneração (voluntárias). Conhecimento é um diferencial importante na hora ser avaliado.

– As buscas por candidatos se dão por palavras-chaves, então explique suas experiências de forma clara e utilize o jargão da área. Por exemplo, se a sua experiência é comercial, tenha certeza de que seu currículo inclua palavras como “comercial”, “vendas”, “clientes”, “resultados” e outras que sejam específicas do mercado em que você atua ou pretende atuar.

– Coloque uma boa foto, que mostre bem o rosto, com uma expressão aberta e positiva, mas sem exageros. As mulheres devem enviar uma foto recatada, sem decotes, evitando exposição desnecessária do corpo. Lembre-se de que é muito provável que seu currículo seja analisado por outra mulher.

– Inclua um vídeo-currículo. Esta é uma boa forma de ter dois ou três minutos de “proximidade” com o selecionador.

– Visite sempre os sites das empresas em que você cadastrou seu currículo e se inscreva em todas as vagas de seu interesse. Os selecionadores iniciam suas pesquisas de candidatos primeiramente pelos inscritos na vaga.

Como devo me comportar em uma entrevista

1. O entrevistador fará perguntas específicas sobre a empresa e seu negócio e será um grande diferencial se ele sentir que você sabe sobre o assunto. Para obter informações sobre a empresa, visite o site, veja a área institucional, seus principais negócios, as últimas notícias, sua cultura, forma de atuação, clientes e fornecedores.

2. Visite as redes sociais da empresa, lá você identificará a forma como ela se comunica com seu público e conhecerá um pouco sobre sua cultura. Curta a página, acompanhe as publicações da empresa em sites como Facebook, Linkedin e Twitter.

3. Leia as notícias divulgadas sobre a empresa, segmento e concorrentes.

4. Revisite o seu currículo e tudo que informou: você só chegou à entrevista porque as informações do currículo estão próximas ou de acordo com o perfil desejado pela empresa. Isso significa que a entrevista terá como ponto inicial as informações do currículo.

5. Fique à vontade diante do seu entrevistador. Um bom exercício, que ajuda a ter mais tranquilidade, é mentalizar as informações no currículo e falar “com você mesmo” sobre elas. Construa um roteiro do que será falado, sempre com base no seu currículo, ou seja, pense em seus objetivos profissionais, formação e experiência, seus pontos fortes e debilidades, entre outros.

6. Olhe, sempre, diretamente, para os olhos de seu entrevistador. Ele sente mais segurança quando você fala olhando nos olhos dele.

7. Mantenha uma postura confiante. Já ouviu a expressão “o corpo fala”? Pois é, ficar “largado” na cadeira pode passar um tom de desleixo. Lembre-se de que você está em uma entrevista e está sendo avaliado de maneira ampla, cada detalhe faz a diferença.

8. A roupa é outro item fundamental. Procure saber a cultura da empresa e vá de maneira a não ficar diferente dos outros. Se na empresa a cultura é usar terno e gravata, vá assim; se for mais casual, tire o terno e a gravata. Caso tenha dúvidas, siga esta regra: se a empresa for uma instituição financeira ou com atuação na área jurídica, vá de terno e gravata. Se a empresa for de outro segmento, os homens podem dispensar a gravata. Uma calça e camisa sociais serão suficientes. Para as mulheres, use roupa social e evite extravagâncias com acessórios. Não exagere na maquiagem.

O que fazer em uma dinâmica de grupo

1. Reestude, detalhadamente, o negócio da empresa e o segmento em que ela atua e seus fornecedores e concorrentes. Na dinâmica estes assuntos podem ser abordados, por isso sugiro que:

– Visite o site da empresa.
– Visite as redes sociais da empresa e de seus fornecedores e concorrentes.
– Leia notícias e informações divulgadas sobre a empresa nos últimos anos.
– Procure notícias detalhadas sobre o segmento e tendências para os próximos anos.

2. Vá vestido adequadamente. Você já participou de entrevistas e viu como as pessoas da empresa se vestem, portanto siga essa linha. É importante se destacar na dinâmica, mas pelo seu conhecimento e participação. Não pague o mico de se destacar a ponto de ser um ponto de referência: “fiquem perto do cara de camisa laranja com bolinhas pretas”. Algumas dinâmicas exigem liberdade de ação, por isso as mulheres devem evitar saias curtas.

3. Chegue no horário. Atrasar pode ser o fim do processo para você. Principalmente em grandes cidades, a desculpa de que pegou trânsito não funciona mais.

4. Fique atento às instruções iniciais. Por ansiedade, você pode deixar de ler e entender as instruções e isso pode ser fatal na dinâmica de grupo.

5. Seja participativo, mas não chato. Participar e dar opiniões é fundamental, mas lembre-se que você está em um grupo, portanto, fale e ouça os outros também. Pondere outras opiniões, faça contrapontos, mas nunca corte a fala dos outros. Ouça até o fim o que os outros têm a dizer (mesmo que na sua visão seja uma grande bobagem), para somente então emitir sua opinião ou seu contraponto. Cuidado: a ansiedade pode fazer você não ouvir e entender o que os outros estão dizendo, portanto escute tudo com atenção.

6. Tente esquecer seus observadores. Se você conseguir “mergulhar” no grupo e esquecer que está sendo observado, com certeza agirá mais naturalmente e seu desempenho será melhor.

7. A forma como você se comunica e expressa sua opinião está sendo fortemente avaliada, portanto cuidado com o vocabulário, evite gírias, erros de pronúncia e, principalmente, palavrões.

É isto pessoal, se estiverem em busca da vaga dos sonhos, avaliem cada uma das dicas acima e coloquem imediatamente em ação.

Agora, intervalo, vamos aos vestiários e nos vemos no próximo mês.

Abraços a todos!

*Cezar Tegon é graduado em Estudos Sociais, Administração de Empresas e Direito. É presidente da Elancers e sócio-diretor da Consultants Group by Tegon. Com experiência de 30 anos na área de RH, é pioneiro no Brasil em construção e implementação de soluções informatizadas para RH. Diretor de novos produtos da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), é membro de criação do CONARH.

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br

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A não-festa

A temporada 2008/2009 do Campeonato Alemão de futebol foi extremamente equilibrada. Na penúltima rodada, os quatro primeiros colocados estavam separados por apenas três pontos. Preocupada, a federação nacional (DFB, na sigla em alemão) enviou e-mail a todos os parceiros de transmissão do torneio, em âmbito global, para detalhar as possibilidades de definição da competição. E mais importante: como se daria a festa em cada um dos desfechos.

A mensagem tinha um rigor que soava engraçado. A DFB informava, por exemplo, quantos minutos os jogadores teriam para dar a volta olímpica, o tempo de montagem do palco e o período que as emissoras poderiam usar para intervalos comerciais antes da premiação oficial.

A programação considerava ainda as peculiaridades de cada um dos estádios em que o título podia ser definido. Admito ter caçoado da mensagem quando li pela primeira vez. Admito não ter confiado na exatidão das projeções – ora, como garantir que os atletas festejariam no gramado por exatos 12 minutos, por exemplo?

O teor daquela mensagem reverberava enquanto eu via pela televisão o desfecho do Campeonato Brasileiro de futebol de 2012. Festa insossa, mambembe, sem nenhuma programação especial. O Fluminense assegurou o título com vitória por 3 a 2 sobre o Palmeiras em Presidente Prudente. Não havia taça, fogos ou sequer um espaço para os atletas celebrarem a campanha vitoriosa.

Pior: minutos depois do título, a TV Globo, dona dos direitos de transmissão do evento em rede aberta, cortou as imagens para São Paulo e iniciou o “Domingão do Faustão”, programa cuja principal atração era uma homenagem ao atacante Neymar.

A lógica da Globo é compreensível. A festa do Fluminense diminuiria o alcance televisivo do evento, que seria basicamente resumido à torcida vencedora. Neymar, ao contrário, é referência nacional. Uma homenagem a ele, em teoria, seria interessante a qualquer amante de futebol que via a partida e não era adepto da equipe tricolor.

O problema é que essa linha de pensamento considera apenas o que é melhor para a Globo. E o campeonato, como fica? No momento mais nobre, o da definição de quem conquistou o título, as empresas que mais investiram no torneio e no time campeão tiveram pouca ou nenhuma exposição na principal praça da comunicação nacional.

Se o tempo de exposição em TV aberta é a principal justificativa que clubes, empresas e agências usam para fechar contratos de patrocínio no esporte brasileiro, a ação da Globo no domingo foi um baque financeiro enorme para o campeonato.

E por que a Globo pôde fazer isso? Porque os responsáveis pelo campeonato, que são a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes, não se preocuparam. A festa não foi programada, e a transmissão da comemoração tampouco estava entre as exigências nos contratos das equipes com a emissora.

O futebol, pela proporção que tem, reúne grandes empresas com interesses muitas vezes antagônicos. É fundamental que existam regras para que essas visões dicotômicas sejam balizadas. Se não houver, o lado menos organizado sempre será prejudicado.

A não-festa do Fluminense é a síntese da falta de preocupação com a imagem do Campeonato Brasileiro, liga que não tem sequer um logotipo oficial. Não existe planejamento de comunicação e marketing suficiente para vender algo que não é concebido como um produto.

Independentemente de ter acontecido em um estádio neutro, a partida que podia definir o campeão brasileiro merecia mais. Aliás, em termos de exposição e planejamento de comunicação, todo o torneio merecia mais. A principal competição de futebol no país do futebol precisa ser tratada com respeito. Isso é urgente.

E por falar em planejamento, respeito e urgência, o Palmeiras precisa deixar de agir como se não estivesse acontecendo nada. A morosidade dos dirigentes e a resignação do elenco e da comissão técnica são combustíveis para todas as reações absurdas que parte da “torcida” vem tendo.

A análise dos erros que levaram o Palmeiras ao atual estágio deve ser densa, minuciosa e livre de amarras políticas. Independentemente do desfecho do campeonato, e mesmo que o time consiga a improvável salvação, a campanha é uma mancha na história de um clube tão glorioso.

Mas manchas em histórias vitoriosas são, infelizmente, algo que acontece com alguma frequência no esporte. O que muda é como lidar com esses momentos de crise institucional.

No caso do Palmeiras, chama atenção o tom da comunicação. O time paulista deveria buscar exemplos em comportamentos de instituições, empresas e até governos durante momentos conturbados. A participação e o grau de entrega podem ser diferentes, mas o sofrimento é coletivo. O dilema que se oferece ao clube agora é como lidar com ele.

Uma comunicação bem conduzida pode usar um momento ruim para unir torcida e time e desencadear um sentimento de reação. Uma comunicação mal conduzida pode acirrar ânimos, criar vilões e gerar insurgências incontroláveis.

E quando eu falo em comunicação, bem entendido, não se trata apenas do departamento de comunicação. Tudo comunica. De funcionários com salários módicos a jogadores e dirigentes, todos devem ser contagiados por um sentimento similar e devem ser guiados por diretrizes similares.

É necessário planejar até para saber como lamentar reveses. Quem falar, o que falar e como falar? As respostas são determinantes para as reações que uma derrota gera.

Mas planejar a comunicação exige um alto grau de planejamento. Só quem está muito bem preparado consegue lidar com momentos de perda sem transformar percalços em muros intransponíveis. Parece um mundo muito distante para um país que não sabe sequer como comemorar.

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br

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A questão das faixas e cartazes ofensivos na partida entre Atlético-MG e Fluminense

Na épica partida contra o Fluminense, no estádio Independência, insatisfeitos com equívocos da arbitragem que teriam favorecido ao time carioca, torcedores do Atlético-MG formaram um mosaico com as letras CBF e as cores do clube visitante.

Além disso, os atleticanos também levaram cartazes com montagem dos escudos da entidade e do Fluminense e muitos usaram nariz de palhaço.

Em razão destes fatos, o procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, apresentou denúncia ao entender que o Atlético-MG colaborou para a formação do mosaico e o enquadrou no artigo 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportivo (CBJD), incisos I e II, em que o clube é acusado de “deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de obrigação legal e de regulamento, geral ou especial, de competição”. Se for punido, o clube mineiro terá de pagar multa de R$ 100 a R$ 100 mil.

O Estatuto do Torcedor, em seu artigo 13-A, estabelece que são condições de acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo não portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo.

Destarte, a interpretação deste dispositivo legal deve-se dar de forma congruente com o que dispõe a Constituição Brasileira que assegura a liberdade de expressão. Assim, não há impedimento às manifestações, mas a atos que possam ser ofensivos, notadamente racistas ou xenófobos.

A intenção da torcida atleticana, tal qual já havia se manifestado os torcedores do Náutico, era chamar atenção para os notórios e repetidos erros de arbitragem no Campeonato Brasileiro.

Importante citar a sustentação do dr. Lucas Ottoni, advogado do Clube Atlético Mineiro:

“Se a CBF tivesse se sentido ofendida, ela teria agido e solicitado que fosse tomada alguma atitude. Talvez a procuradoria esteja aumentando. No futebol, isso é um traço cultural. Admite-se esse tipo de expressão. O clube tem sim o direito de agir, mas neste caso não houve nada pessoal. No caso do Joinville há sim manifestação ofensiva direcionada. No caso do Grêmio foi contra a dona Miguelina, mãe do Ronaldinho, e também houve desrespeito. A liberdade de expressão é garantida à nossa constituição e, neste caso, uma eventual condenação é desconhecer, é voltar aos tempos de regime de ditadura do nosso país. Por não haver nenhuma manifestação ofensiva e sim de protesto, a defesa vem pedir que o clube seja apenas advertido”.

No julgamento pelo STJD, o presidente da sessão, Paulo Valed Perry e o relator, Washington Oliveira, votaram a favor da absolvição, enquanto o auditor Felipe Bevilacqua votou para a punição de R$ 20 mil, ao entender que deixar de punir este fato pode abrir precedentes para outros casos.

Com este resultado, imperou o respeito às normas constitucionais, especialmente no que concerne à liberdade de expressão e também ao bom senso.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Reconciliação. Vamos fazer diferente?

Quando aceitei o honroso convite da Universidade do Futebol para escrever uma coluna, logo me veio a preocupação com o tema desse primeiro texto. Não queria falar sobre estatísticas, dados, projeções, etc, nem fazer análises ou mostrar gráficos como todos já se acostumaram a ver nos estudos da Pluri.

Também não quero ser mais um reclamando contra tudo e contra todos, repetir mais sobre tudo aquilo que já tanto falamos.

É verdade, não há mudança sem aqueles que gritam, são eles os primeiros a apontar para os erros e injustiças. Mas chega uma hora em que precisamos ir além, dar um passo a mais, você não acha?

Há muitos problemas com o nosso pobre e surrado futebol, ele parece pior a cada dia, dentro e fora do campo. Tem uma atmosfera pesada, há nuvens cada dia mais cinzentas, reclamações de todos os lados, posturas exaltadas, uma mistura de cansaço e raiva. Jogadores, técnicos, dirigentes, juízes, tribunais, torcedores, imprensa, analistas, a verdade é que todos nós estamos muito pilhados.

Há muitas mãos levantadas, muitas caras fechadas e dedos apontados. Dá pra ser diferente?

Uma de minhas bandas preferidas é a australiana Midnight oil, sempre fui fã dos caras pelas letras fortes, a consciência do poder da música pra mudar uma realidade…

Você já ouviu Bedlam Bridge, dos oils? Ela fala sobre um lugar diferente, quase um paraíso, muito diferente do mundo hostil em que vivemos, e para chegar a esse lugar, basta cruzar a Bedlam Bridge.

Onde está a nossa Bedlam bridge?
 


 

Na Pluri, vamos iniciar em breve um movimento para aglutinar pessoas e ideias em torno de propostas objetivas para o futebol, um movimento inclusivo e que olhe para todos os lados, se não fizermos isso não vamos avançar.

Há vários temas complicados a discutir, o problema do calendário, o futuro dos clubes pequenos, como fazer os grandes virarem potências internacionais, o risco da espanholização, as discussões sobre as convocações para seleção, os estádios cada dia mais vazios, etc.

Mas também temos muitas pessoas inteligentes e propostas inovadoras, por que não mobilizar e unir esse pessoal?

Certo, os obstáculos são muitos, a caminhada será longa e há interesses em jogo, muitos deles conflitantes e antagônicos, mas isso não nos impede de tentar, impede?

Há muitas iniciativas boas e que nunca foram à frente, nós desistimos antes mesmo de começar, por que tem que ser assim? Eu acredito em um novo amanhecer do nosso futebol, não nessa noite eterna em que vivemos.

Não me fale em continuar repetindo o velho bordão “isso nunca vai mudar”: é hora de deixar nosso cinismo de lado e trabalhar por um futebol melhor.

Quem quer levantar e seguir em frente?

Nós vamos trabalhar por isso, de um jeito acolhedor, inclusivo, vamos tentar reconciliar as pessoas do futebol. É verdade, alguns dos que são contra a modernização dos clubes e federações são verdadeiros gangsters, desses não podemos esperar nem pedir nada. Mas tantos outros talvez não sejam, talvez com uma abordagem diferente possamos avançar.

Eu realmente acredito nisso, e não sou um cara ingênuo. Todos nós temos preocupações e medos, queremos driblar as incertezas do futuro, e por isso agimos de acordo com aquilo que é melhor para nós ou para as pessoas próximas a nós. Isso explica muitas das atitudes, decisões erradas ou até mesmo a falta de decisões que nos levaram ao estado atual.

Aqueles de coração bom se revoltam, veem o nosso esporte preferido e nossos clubes de infância maltratados, pensam como as coisas poderiam ser diferentes…toda a alegria desperdiçada.

Sei que temos dentro de nós o sentimento verdadeiro da tentativa de fazer o melhor, desde pequenos fomos programados pra isso. Quem de nós não teve aquelas fantasias de infância, de salvar as pessoas e o mundo? Tenho esse sentimento dentro de mim, e com o tempo a experiência nos mostra os atalhos, que muitas vezes estão ao nosso lado mas insistimos em não olhar, acomodados, com o caminho de sempre.

É hora de caminhar, eu vou tentar!

Up on bedlam bridge somebody is waiting…

Para interagir com o autor: fernando.ferreira@universidadedofutebol.com.br

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Carreira esportiva, uma sucessão de escolhas

Na ocasião em que cursei o MBA em Gestão Esportiva dei um grande foco no tema “carreira” dentro do ambiente esportivo, tanto que o trabalho final foi realizado exatamente sobre o planejamento de carreiras para atletas profissionais.

Num momento como este, após o jogador de futebol profissional Adriano deixar escapar o que provavelmente pode ter sido sua última oportunidade de atuar num grande clube do Brasil, eu me motivei a falar brevemente sobre o assunto “carreira esportiva” aqui na coluna semanal.

Muitos atletas durante suas carreiras tomam decisões por impulso ou devido a motivos valiosos a outros envolvidos em suas profissões e não aos seus objetivos como atleta e ser humano, o que acontece com uma frequência muito maior do que imaginamos.

Muitos ainda são surpreendidos pelo inevitável “dia de parar” e, geralmente, não se preparam da forma adequada para este momento. Isso pode e, frequentemente, vai gerar impactos profundos em suas vidas, inclusive com envolvimento equivocados em projetos de negócios que não se configurariam como uma trilha de carreira aderente ao perfil deste indivíduo causando frustrações, prejuízos financeiros e consequências psicológicas graves.

Em alguns casos, a falta de motivações e objetivos claros que tragam valor para a vida profissional e pessoal do atleta, precipita este dia da aposentadoria; sendo que este cenário ainda piora consideravelmente que este ainda acredita ser um super-homem ou um ser extraordinário, pois assim pode ter sido rotulado pelos torcedores em suas infinitas paixões em boa parte de sua vida como atleta profissional.

Devemos entender que uma carreira nos transmite a ideia de um caminho minimamente organizado no tempo e no espaço que de alguma forma todos os indivíduos desejam seguir. Neste processo estão envolvidos comportamentos e atitudes orientados para o objetivo de um crescimento na carreira e conquista de resultados profissionais e pessoais. A carreira tem uma série de estágios e transições que refletem as necessidades, motivações, expectativas e aspirações individuais. No meio esportivo, da mesma forma que no corporativo, os profissionais querem evoluir e atingir patamares mais elevados de resultados e conquistas.

Cabem aqui para reflexão: existe um planejamento de carreira que seja realmente eficaz sem o atleta passar por um processo de autoconhecimento, no qual este se reconheça no espelho observando o reflexo de suas competências comportamentais e características pessoais? Você, por exemplo, algum dia já se fez a seguinte pergunta: como posso estar mais feliz e realizado profissionalmente daqui a cinco anos? Pensou e respondeu esta última pergunta? Foi difícil? Imagine como é para um atleta de futebol profissional responder esta questão?

A carreira de atleta traz um ingrediente próprio que faz o planejamento ser fundamental para o sucesso profissional: a sua curta duração! Após a primeira experiência, como atleta, este ser humano passa repentinamente à condição de um ex-atleta e, na maioria das vezes, percebe que está diante de um novo cenário em sua vida e que necessita de uma nova visão, de outro ponto de vista.

Planejar estrategicamente uma carreira está relacionado a compreender a importância que as escolhas terão no seu futuro profissional e consequentemente pessoal. Passar a ter consciência que: ou se escolhe os caminhos de vida ou se deixa que a vida decida por você e lhe ofereça resultados que nem sempre são aqueles que se espera. Aliás, geralmente, são resultados diferentes daqueles que você gostaria de obter.

Sabemos que cada escolha, uma renúncia e como disse Augusto Cury: “O destino é uma questão de escolha”. O atleta necessita ter foco e atenção nas suas metas e objetivos além de possuir autoconhecimento, pois não existem escolhas certas ou erradas, mas sim aquelas que estão diretamente ligadas aos anseios, desejos e motivações da sua vida profissional e pessoal. Este é um tema de aprofundamento inesgotável, necessita de debates esclarecedores e merece uma atenção especial dos gestores do esporte atualmente.

Em breve continuarei a falar sobre o tema planejamento de carreira no esporte, no qual comentarei sobre as fases de uma carreira esportiva e suas transições. Espero a coluna de hoje possa ser o início de uma grande e positiva exploração deste assunto, para contribuirmos efetivamente com o desenvolvimento do esporte no Brasil. Conto com vocês, leitores, profissionais do esporte, estudiosos e todos os interessados pelo esporte em geral nessa empreitada! Até a próxima semana.

Para interagir com o autor: gustavo.davila@universidadedofutebol.com.br

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Até quando?

Até quando vamos assistir da arquibancada os clubes brasileiros se apequenando ante as atitudes e vaidades das grandes estrelas do futebol? A dúvida posta guarda relação com as últimas consequências do caso “Adriano-Flamengo”.

Nesta história, vou me furtar a tecer comentários sobre o atleta. Parece-me muito “simples” criticar ou julgar a pessoa sentada na frente do computador sem conhecer sua realidade.

Apesar de estarmos diante de uma narrativa no mínimo intrigante e cheia de elementos capazes de definir alguns traços do comportamento humano, entendo que não vale a pena focar neste momento tal abordagem.

Do clube, ou do sistema clubístico em geral, ao contrário, cabe novamente a pergunta: até quando? Mesmo diante de uma série de episódios que ensejariam aprendizados contínuos, percebe-se que os mesmos pouco conseguem discernir aquilo que é eventual com as situações permanentes do cotidiano.

A leitura simples que se faz é a seguinte: nem se realiza um trabalho sério de recuperação do atleta, para evitar superexposição midiática ou tratamento intensivo para cura de seus problemas; nem se toma atitudes de não contratar ou de ignorar atletas que saiam da linha de um comportamento considerado adequado para o bem da indústria como um todo.

Em suma, vê-se que não existe aprendizado. E o resultado em um futuro não muito distante é de termos clubes contratando mais jogadores problemáticos sem a mínima gestão de riscos e preparação para recebê-los e de termos um “imperador” disputando o Campeonato Estadual de 2013 por um time qualquer…

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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O preço da notícia

Pedro nunca foi afeito a idiossincrasias. Ao contrário, era homem pragmático. Hábitos tão assíduos quanto pleonásticos, cuja personalidade podia ser definida pelas atitudes e pelo trabalho.

Pedro nunca foi de ruminar. Identificava-se algo que podia ser mudado ou consertado, agia. Formulava-se uma ideia, não tinha medo de compartilhá-la e disseminá-la. Nunca teve medo de ser oriundo de um tempo em que, ao contrário do que acontece hoje em dia, era mais comum consertar objetos do que conceitos.

Pedro nasceu em 1920, num mundo que não existe mais. Para ele, o rádio de pilhas era indefectível. A rotina sofria influência direta dos horários da TV – o telejornal, a novela e o futebol eram compromissos imutáveis, por exemplo.

A geração que Pedro representa viu e protagonizou muitas mudanças, mas tudo isso aconteceu em um período espaçado. Por isso, essa geração sempre preservou a opção de não se adaptar. Pense em quantas vezes você viu alguém dessa faixa etária se recusar a aprender algo (dirigir, escrever, usar um computador, carregar um celular ou até aderir a redes sociais, por exemplo). A resiliência é uma característica que se perdeu.

A informação era um bem valioso na realidade em que esse grupo de pessoas cresceu. É a geração dos magnatas da mídia, que se reportavam a um público passivo e ditavam os hábitos de consumo da população.

Essa realidade acabou. O advento de novas tecnologias e as mudanças geopolíticas ampliaram a oferta de informações. O público, anteriormente passivo, começou a se especializar em algumas searas.

O período da especialização contribuiu muito para a produção de conhecimento. Surgiram aí o controle remoto e os canais específicos, em diferentes mídias, para abordar determinados assuntos em perspectiva mais densa.

E a mídia, que na gênese ditava padrões de consumo, passou a viver de anúncios direcionados, focados no público que consumia determinado segmento – cadernos de esportes de jornais, por exemplo, adotaram prospecção comercial focada em marcas que já investiam em esporte.

Essa segmentação total também ficou no passado. A geração seguinte foi marcada por uma relação mais sistêmica com a realidade, com conhecimento mais aprofundado sobre uma lista mais abrangente de assuntos.

O passo seguinte na evolução da comunicação foi a interação entre diferentes conteúdos, que é a síntese da maior funcionalidade de redes sociais. Hoje em dia, vivemos em um mundo que não se contenta com informações sobre assuntos diferentes. É fundamental vincular as notícias e estabelecer pontes entre esses dados e o cotidiano de quem acompanha.

Editorialmente, a mídia parece ter entendido que precisava mudar. Na forma e no conteúdo, não há veículo que tenha passado incólume a todas as alterações que o mundo sofreu. Surgiu um novo padrão de texto, uma nova relação com imagens e uma nova lista de recursos para a apresentação de um mesmo conteúdo.

A grande questão é outra: qual é o valor comercial disso? Fazer jornalismo é uma atividade como tantas outras, com custos e necessidade de gerar lucro. Mas como um veículo de mídia ganha dinheiro?

Essa questão é o cerne de uma crise que o Brasil vive atualmente. O país pode estar em um momento econômico favorável, com taxas de evolução em diversos segmentos, mas acompanhou nos últimos dias uma saraivada de notícias preocupantes no segmento de mídia.

O Grupo Estado pôs na rua a última edição do “Jornal da Tarde”, periódico que circulou durante 46 anos, e anunciou o fim do atual (e excelente) formato da rádio Estadão/ESPN. O Grupo RAC, de Campinas, encerrou a versão impressa do jornal “Diário do Povo”. E a Record decidiu reformular a Record News, processo que, segundo a “Folha de S.Paulo”, motivará mais de 40 demissões.

É impossível não pensar sobre o que motiva o fim de tantos veículos, ainda que as situações sejam radicalmente diferentes. O Grupo Estado, por exemplo, fez uma revisão de portfólio a fim de cortar custos e aumentar eficiência. A empresa tinha um gasto anual milionário para usar a marca e os profissionais da ESPN, e o JT sempre foi um veículo deficitário.

Aí entra o problema: deficitário. Sempre. O JT foi criado com um conceito diferente de jornalismo, com textos mais burilados, diagramação menos convencional e fotografias mais instigantes. Uma combinação que gerou uma produção de muita qualidade nos primeiros números, mas que também jogou os custos nas alturas.

Quando foi fechado, o JT tinha 37 mil assinantes. Isso, 37 mil. A cada 24 horas, 37 mil pessoas compravam o principal produto da marca. E nem assim o jornal conseguia ser superavitário.

Não há exemplo mais escancarado de como os veículos de comunicação precisam repensar as fontes de receita. Se o JT não conseguia viver de assinaturas e não conseguia viver de anúncios voltados a esse perfil de público, esse é um sinal de que a informação não pode ser fim em um plano de negócios. Ela tem de ser meio.

É isso que explica o sucesso de alguns veículos de nicho, com tiragem muito menor do que o JT. Há diversos caminhos possíveis, e o mais comum é o uso da marca do veículo para chancelar eventos ou espaços. A editora Abril faz isso com corridas da revista “Runners” e camarotes da revista “Placar”.

Veículos de mídia podem servir para muitos propósitos além de vender anúncio. Até mesmo para vender notícia – a “Agência Estado”, que abastece sites e outros jornais, é responsável por mais de 60% do faturamento do Grupo Estado. A “Gazeta Press” também é a principal fonte de receita da “Gazeta Esportiva”.

O que não é admissível é a ignávia. Fosse em outro segmento, a sucessão de notícias ruins já teria motivado protestos, pacotes de ajuda ou outra sorte de consequência. O mais triste é que o “Jornal da Tarde”, o “Diário do Povo” e a rádio Estadão/ESPN morrerão em silêncio.

Mais do que oportunidades de emprego ou espaços para acomodar o número cada vez maior de jornalistas que o Brasil forma, esses veículos eram vozes. As mortes deles representam menos opiniões em um mundo que precisa tanto de novas opiniões.

O mundo atual acabou com a dúvida. Assuntos que anteriormente gerariam discussões intensas e intermináveis atualmente são resolvidos na palma da mão, com uma busca na internet ou um aplicativo específico. Não existe mais o “não sei”.

Se antigamente eu tinha apenas a notícia e depois eu tinha acesso a apenas uma interpretação, hoje eu posso comparar um texto com fóruns, visões de especialistas, vídeos, imagens, infográficos e uma série de conteúdos relacionados. É o que foi descrito pelo argentino Jorge Luis Borges no conto “A biblioteca de Babel”: o universo é um mundo de prateleiras e livros, que só aumenta a nossa certeza de que é impossível conhecer tudo.

Entender que o mundo mudou é fundamental para a sobrevivência de qualquer veículo de mídia. É impossível buscar em uma realidade diferente as mesmas fontes de receita de outrora.

Também é fundamental que os profissionais entendam isso. Desde o jornalista, que precisa desenvolver muito mais o interesse pela criação de produtos e conteúdos vendáveis, até as pessoas que trabalham no esporte. Se o produto vendido é diferente, há novos caminhos a serem explorados.

O mais importante nesse processo é o veículo e seus profissionais entenderem o valor da marca. Saber os atributos associados a um produto é um passo primordial para transformá-lo em algo que realmente gere receita.

Pedro nunca foi um sujeito pronto para lidar com as mudanças na realidade em que ele vivia. Preferia seguir com o rádio de pilhas, mas ensinava, pai e avô orgulhoso, algo que os grandes veículos mundiais ainda precisam assimilar: não existe bem maior do que o que a imagem que você constrói e os ensinamentos que você deixa.

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O sangue fervente de Heleno

“Não existe futebol sem sangue fervendo”, diz Heleno de Freitas, na interpretação de Rodrigo Santoro para a cinebiografia do famoso jogador brasileiro das décadas de 1940 e 1950.

A frase resume, em boa parte, o temperamento do primeiro craque bad boy que o futebol brasileiro viu e fez surgir.

Jogador talentoso dentro de campo e, tanto quanto, fora dele, para se envolver com as mulheres e criar confusão com adversários e companheiros do próprio time.

O maior ídolo do Botafogo antes de Garrincha.

Fugia do estereótipo do jogador-problema dos dias de hoje, pois havia cursado ótimo colégio no Rio de Janeiro, bem como se formara em Direito pela UFRJ.

Além disso, o pai era dono de fazendas de café e isso também lhe proporcionava acesso à alta roda social da cidade na época.

O comportamento sexual promíscuo e uso de drogas o fez contrair sífilis, que o levaram à demência e também à morte.

Algumas das passagens do filme, nesse desenho do perfil do personagem como sendo alguém intempestivo, arrogante, nervoso, intenso, inconsequente, são interessantes como contraponto ao que se vê hoje em dia.

Heleno cobrava atitude dos companheiros, acima de tudo.
 


 

Atitude positiva e desafiadora, para que buscassem algo mais que apenas jogar futebol em troca do salário.

Quando foi transferido ao Boca Juniors, relutou e foi a contragosto, pois o Botafogo era sua paixão candente.

Dizia um jornalista da época que o egocentrismo de Heleno o fazia esquecer que “era apenas um jogador de futebol”.

Ao que rebatia, afirmando que era jogador “do Botafogo”.

O que vemos nos tempos atuais? Afora demonstrações de vontade e garra travestidas de violência e incompreensão do futebol como um jogo inteligente, não se percebe mais a existência de ídolos identificados com os clubes.

Com a seleção brasileira, então…

O cenário altamente mercantilizado deixou valores humanos essenciais muito distantes. À parte dos excessos de Heleno, ele personificava a essência do jogar futebol com grande prazer, envolvimento e identidade com algo maior que a si mesmo.

Os ecos chegam à crise de identidade e de formação de talentos no Brasil. O que acontece antes do campo se reflete dentro dele.

Heleno morreu sem ter disputado uma Copa do Mundo – seu maior sonho.

Precisamos resgatar a paixão que movimenta o futebol brasileiro, desde sua origem e que permeia todo o contexto desse esporte.

Já dizia Nelson Rodrigues que “sem paixão, não dá nem pra chupar um picolé”.

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O inglês Chelsea FC, do suíço/italiano treinador Roberto Di Matteo

O ano está chegando ao fim (como sempre, tudo passa rápido demais), e na reta final do Campeonato Brasileiro de Futebol 2012, começa a ganhar mais espaço na mídia, de maneira geral, o Mundial de Clubes Fifa que acontece em dezembro.

Apesar de, no ano de 2011, dedicar parte da minha atenção a observação e análise das equipes do Real Madrid e do FC Barcelona, já em 2012, desde as semifinais da Champions League 11/12, direcionei o olhar também para o time inglês do Chelsea FC (e como já disse aqui mesmo outrora, sugiro – com relação ao futebol europeu – que além de Chelsea FC, FC Barcelona e Real Madrid, não percamos a chance de acompanhar a Juventus, da Itália).

Como o Chelsea FC é a equipe europeia no Mundial de Clubes, resolvi nesta semana escrever um pouco sobre ela (ainda que, por enquanto, superficialmente), especialmente sobre aspectos ligados à ocupação de espaço no campo de jogo.

Partindo da observação de jogos disputados pela equipe inglesa na Uefa Champions League 12/13, e dos relatórios disponibilizados pela própria entidade que rege o futebol no Velho Continente, sobre fluxo de passes, distâncias percorridas e posicionamentos médios efetivos dos jogadores nas partidas, destacarei dois apontamentos importantes:
1)A equipe inglesa tem adotado comportamentos (operacionais, estruturais, etc.) de jogo diferentes daqueles observados no Campeonato Inglês da temporada passada e também nas fases finais da Champions League 11/12, quando foi campeã.

2)Diferentemente do 1-4-3-3 que, por algum tempo, caracterizou o Chelsea FC, agora o 1-4-2-3-1 do treinador italiano (cidadão italiano nascido na Suíça) Roberto Di Matteo parece possibilitar aos jogadores e à equipe maior dinamismo e mobilidade ofensiva.

Com relação ao primeiro apontamento, talvez o aspecto mais importante se refira ao fato de que, antes, a equipe inglesa, com ou sem bola, pouco tentava o protagonismo do jogo.

Jogava mais em reação do que em ação (exceto claro, nas transições ofensivas) – mesmo contra adversários mais fracos.

Tanto para ocupar o espaço, quanto para definir regras de ação, era a constante “espera ativa” (diferente da “espera passiva”), a marca mais registrada da equipe.

Isso não significa, e nunca significou, que o time inglês não conseguia ter controle de alguns dos seus jogos, mas o fazia, muitas e muitas vezes, em resposta direta à maneira de jogar dos seus adversários.

Talvez esse aspecto do comportamento de jogo do Chelsea FC se explique pelo fato de o atual treinador (o italiano Roberto Di Matteo) ter assumido a equipe bem no meio da Champions League 11/12, em uma situação complicada, em que as chances de que ela ficasse fora da competição eram demasiadamente grandes.

Então, tendo que “trocar o pneu com o ônibus andando”, pode o italiano ter optado pelo que parecia ser mais eficiente para o momento da equipe – e agora com um título importante conquistado e tempo para trabalhar, sem perder a essência do que fez vencedor o Chelsea FC, poder modelar o time inglês com novos conteúdos.

Com relação ao segundo apontamento, antes de qualquer coisa, o mais importante é salientar que, ainda que a estruturação matriz do espaço se pareça com a de um 1-4-3-3, as dinâmicas de jogo e as interações sistêmicas entre os jogadores evidenciam uma estruturação do espaço típica do 1-4-2-3-1.

Vejamos a figura:

No 1-4-2-3-1, a movimentação e ocupação do espaço dos três jogadores da “linha de 3” (linha do meio campo) é altamente dependente de cada um deles entre si (setas de cor azul-escuro). E ainda que as ações dos jogadores dessa linha também se relacionem com as ações dos jogadores da “linha de 2” e do atacante centralizado (e também com a linha de defesa e goleiro), a força de relação e interdependência entre esses três jogadores é maior do que a deles, em conjunto, com a da “linha de 2” ou com o atacante a frente (setas cinzas).

No caso específico do Chelsea FC, nos jogos observados, dos três jogadores da “linha de 3”, aquele que joga centralizado tem mostrado maior interação sistêmica com o atacante a sua frente (seta amarela), do que a interação desse mesmo atacante com os jogadores da “linha de 3” que jogam em suas extremidades (setas cinzas).

Na época do 1-4-3-3, as interações sistêmicas eram mais fortes entre os jogadores que formavam o triângulo do meio-campo (entre si), e mais à frente a interação entre os jogadores da própria linha de ataque (como mostra a figura que segue).

Claro que essa mudança, aparentemente pequena, não explica totalmente a melhora significativa das dinâmicas ofensivas do time inglês.

De qualquer forma, o 1-4-2-3-1 tem permitido especialmente três coisas, que antes no 1-4-3-3 o Chelsea tinha um pouco de dificuldade:

1)Como os jogadores da “linha de 3” têm como uma forte referência a manutenção da própria linha, os jogadores que jogam nas extremidades dela não se movimentam a partir das ações dos jogadores laterais das equipes adversárias (apesar de gerenciá-los zonalmente). Isso dá vantagens posicionais nas transições ofensivas, na media que circunstancialmente possibilita a presença de um ou dois jogadores nas costas dos adversários de meio-campo (formando quase que um 1-4-4-1-1 para defender). De certa forma, isso tem possibilitado à equipe muito mais passes médios e curtos, do que passes longos nos jogos.

2)Nas transições defensivas, além de um balanço defensivo espontaneamente mais bem desenhado (em função do 1-4-2-3-1), consegue ter mais jogadores na faixa central do campo de jogo para fazer o ataque a bola e tentar recuperá-la ainda no setor de ofensivo (muito diferente das antigas longas recomposições para trás da linha da bola como regra de ação principal), antes de ter efetivamente que recuar os jogadores ao campo de defesa. Recuperando a bola mais ao ataque, consegue trabalhar um pouco mais em equilíbrio ofensivo.

3)Com a “linha de 3” no meio-campo, os jogadores da extremidade da linha podem ser atacantes, meias ou até volantes, sem que a essência da estruturação do espaço se altere. Com isso, diferentes dinâmicas auto-organizativas surgem para confundir os adversários defensivamente.

Bom, por ora, é isso.

Mais à frente, em oura oportunidade e em novos textos, explorarei com mais detalhes e profundidade a equipe inglesa.

Então, obrigado, e até a próxima…

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br