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Entrevista Tática: Gilsinho, atacante do Corinthians

Com a ajuda de um preparador físico com experiência em muitos clubes do futebol brasileiro (Primavera-SP, São Bento-SP, Atlético-PR, São José-SP, Náutico-PE, Figueirense-SC, Ituano-SP, Americana-SP, Guaratinguetá-SP), Guilherme Bérgamo, publico a coluna desta semana que traz a opinião de Gilsinho, atacante do Corinthians de 27 anos, recém-contratado e que fez seu primeiro gol com a camisa corintiana na décima quarta rodada do Campeonato Paulista, contra o Comercial-SP.

Obrigado, Guilherme, pelo contato com o Gilsinho. Felizmente ainda é possível encontrarmos pessoas que se mantêm acessíveis mesmo com sucesso profissional.

Abaixo, a opinião do jogador:

1-Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Até aos 16 anos na escola de futebol do município de Américo Brasiliense-SP; dos 17 aos 18 anos no Marília-SP; no Ituano-SP dos 19 aos 22 anos; Paulista-SP com 23 anos; Júbilo Iwata-Jap, dos 24 aos 27 anos e atualmente estou no Corinthians-SP.

2-Para você, o que é um atleta inteligente?

Um atleta inteligente é aquele que tem um comportamento bom, dentro e fora de campo.

3-O quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

O futebol de rua foi muito importante para minha formação, porque foi onde tudo começou e eu tive meus primeiros contatos com uma bola.

Quantas horas por dia você ficava na rua jogando futebol?

Jogava bola na parte da manhã, ia pra escola na parte da tarde e de noite jogava novamente. Acho que dava umas três ou quatro horas.

4-Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Jogar como equipe e ter obediência tática.

Como é possível fazer com que uma equipe crie obediência tática? Quais podem ser os problemas caso ela não ocorra?

No grupo, todos devem pensar no mesmo objetivo e acreditar no esquema tático do treinador. Acho que assim aumenta a chance de desenvolver. Se algum jogador não exercer a função pedida pelo treinador, fica difícil. Por exemplo: o treinador quer marcar pressão, a equipe sobe a marcação, mas tem um jogador que não. Aí já complica.

5-Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

Tem vários trabalhos que são importantes em minha opinião: trabalhos técnicos, força, velocidade e agilidade.

Quais são os tipos de treino que você mais gosta? Descreva-os:

Com bola ou sem bola?

O que você preferir.

De trabalho físico prefiro os curtos e não os longos. Tiros de 30 e 40 metros por causa da minha posição. Gosto também de trabalhos com bola, campo reduzido, joguinhos. Eu acho que condiciona.

Pode dar um exemplo de um treino que o Tite dá que te deixa bem preparado pra jogar?

Num espaço reduzido, ele divide o campo em duas partes. Na defesa só pode dar três toques e no ataque é livre. Acho que deixa o jogo rápido lá atrás e dá liberdade para jogar ofensivamente.

6-Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Com a bola, jogar com dribles e velocidade para criar situações de gol; sem a bola, recompor para esperar o adversário de frente.

7-Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Como pontos fortes táticos, jogar ofensivamente e fazer recomposição rápida; técnicos, as jogadas individuais; e psicológicos, um nível de concentração alto.

Consegue fazer alguma relação entre eles?

Acredito que, para render, tem que estar bem com a cabeça. Nunca sofri nada muito contínuo que afetasse minha concentração dentro de campo.

8-Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

Porque com ele jogava quem estava melhor e passava muita confiança para seus jogadores.

9-Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Sim, eu me lembro muito bem. No começo não gostei, mas depois me adaptei e vi que era importante desempenhar duas funções.


 

Você pode mencionar qual era a função e falar sobre a adaptação:

No Japão, os meias não estavam bem e tive que desempenhar esta função por uma temporada. Eu tinha que acompanhar o lateral quando a jogada estava do meu lado e fechar nas linhas dos volantes quando a bola estava do lado oposto. Não gostei porque exigia muito mais de mim na marcação e porque ficava mais longe do gol. Fisicamente, também exigia muito e me “abafava”. Depois me adaptei e fui bem.

Eram duas linhas de quatro?

Isso. Eu jogava de meia do lado esquerdo.

10-Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

A importância é que o treinador passa as informações do time adversário, relembra o posicionamento da equipe, e aumenta o nível de concentração.

11-Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

Eu acho que o esquema tático depende muito dos jogadores que o treinador tem em seu grupo, mas eu gosto do 4-4-2 porque o time fica mais consistente no meio campo.

12-Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

•Com a posse de bola: jogar com trocas de passes e atacar pelos lados.
Assim que perde a posse de bola: assim que perde a posse de bola, tenta recuperar, se não conseguir, todos voltam atrás da linha da bola.
Sem a posse de bola: jogar compacto e todos marcam para roubar a bola sem falta.
Assim que recupera a posse de bola: se tiver oportunidade para fazer o contra-ataque, faz; senão, faz a posse.
Bolas paradas ofensivas e defensivas: nas bolas paradas ofensivas, deixar o espaço para atacar a bola e, nas defensivas, manter a linha e marcar por setor.

13-O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Tento motivar meus companheiros, para conseguirmos reverter uma situação difícil.

14-Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Eu fico relembrando os lances que aconteceram e pensando no que eu poderia ter feito naquela hora para que esses erros não venham a se repetir. Poder escutar a comissão técnica para um diálogo é muito importante.

15-Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

A diferença é que o futebol brasileiro é mais cadenciado e o europeu é mais dinâmico.

Fale um pouco do Barça:

São jogadores com muita qualidade e que jogam muito tempo juntos. Todos atacam e todos defendem, inclusive o Messi, que é o melhor jogador do mundo. Tem também muita movimentação.

Você jogou entre 2008 e 2011 no futebol japonês. Compare-o com o brasileiro:

Tecnicamente o futebol brasileiro é superior. Só que futebol
japonês é muito dinâmico, tem muita marcação, muita correria, tanto que alguns brasileiros não conseguem se adaptar lá. Quando eu cheguei, dominava a bola e em seguida tinha três ou quatro jogadores em cima.

16-Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma comissão técnica, qual seria?

A comissão tem que ser amiga. Saber o que o grupo quer para tentar tirar o máximo de cada um dos jogadores, porém, sempre tem que ter autoridade.

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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Não somos vira-latas

Após a expectativa gerada com a visita de Joseph Blatter, presidente da Fifa à Presidenta Dilma Roussef, a Lei Geral da Copa ainda não foi votada pelo plenário da Câmara dos Deputados. São muitas as discussões originadas da Lei Geral da Copa. Fala-se em imposições da Fifa e até em perda de soberania.

O fato é há de um lado a entidade máxima do futebol, dona de um megaevento esportivo, e do outro o Brasil querendo organizá-lo. A Fifa organiza a Copa do Mundo sem o Brasil, mas o Brasil não organiza o Mundial sem a Fifa.

Em 2007, o país assumiu compromissos com o órgão para ter o direito de organizar o Mundial – trata-se do “host agremeent” (acordo do anfitrião). Neste documento, o país se compromete, entre outros pontos, a garantir eventuais patrocinadores do evento.

Agora, ser soberano não é rechaçar o que vem de fora, mas emitir um juízo de valor e avaliar se é bom concordar. Se não for interessante ao Brasil aceitar os termos do “host agreement” para organizar o Mundial, basta não aceitar e não organizar a Copa do Mundo.

Esta é a análise que deve ser feita. E, sinceramente, não passa pela cabeça de algum brasileiro não organizar o Mundial em razão da venda de bebidas nos estádios, por exemplo.

Todos os países que organizaram grandes eventos esportivos fizeram alguma concessão pelos benefícios de organizá-lo. Assim foi nos EUA, na França, no Japão, na Coréia, na Alemanha e na África do Sul. As exigências não são exclusivas do Brasil. Não somos um vira-latas entre as nações.

No cômputo geral, muitos são os benefícios que um grande evento pode proporcionar ao país. Seja pela propaganda do mesmo no mundo, pelo turismo ou pela arrecadação de impostos. A Alemanha, por exemplo, atingiu índices de simpatia nunca vistos desde a II Guerra. Barcelona, na Espanha, de cidade abandonada, tornou-se um dos cinco destinos mais visitados do mundo após os Jogos Olímpicos de 1992.

Além disso, a soberania brasileira foi ratificada com o pedido de desculpas da Fifa pelas declarações de Jérôme Valcke e Joseph Blatter esteve no país.

Portanto, as exigência da Fifa não devem ser vistas como uma afronta ao povo brasileiro, mas como um rol de pontos necessários para que o país possa ser anfitrião do evento e ter acesso a todos os benefícios de sua organização.

Ou alguém prefere não organizar a Copa do Mundo?

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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Jogos Conceituais e Jogos Específicos: alguns exemplos

Tenho recebido alguns e-mails com dúvidas sobre Periodização Tática, Periodização de Jogo e Jogos Reduzidos na “preparação física” do futebolista.

Tenho tentado respondê-los à medida do possível.

Nas últimas três semanas, porém, saltaram à frente dúvidas relacionadas ao melhor entendimento a respeito de Jogos Fundamentais, Jogos Gerais, Jogos Estratégicos, Jogos Contextuais e especialmente sobre os Jogos Conceituais e Jogos Específicos (todos já mencionados outrora quando fiz a primeira publicação a respeito da Periodização de Jogo em 2006).

Pois bem! Vou começar, nesta vídeo coluna, conceituando e explicando (e dando exemplos) as diferenças entre os Jogos Conceituais e os Jogos Específicos.

Ao longo das próximas colunas na Universidade do Futebol, vou diluindo com outros temas os demais Jogos.

Espero que o material possa sanar as primeiras dúvidas.

Até a próxima!

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
Todas as colunas de Rodrigo Leitão

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Não se deve temer a Lei Geral da Copa: segurança nos estádios

A Lei Geral da Copa é a pauta mais discutida e adiada para votação dos deputados. Muitos brasileiros se negam a aceitar as imposições da Lei, no entanto, é parte do contrato assinado e de conhecimento antes mesmo da candidatura do Brasil para ser sede do evento.

Se estamos construindo estádios com normas da Fifa, por que não aceitar as regras da entidade durante um único mês? Com exceção de cláusulas que duram até o fim do ano, os grandes empecilhos da aprovação brasileira são para somente um único mês, no qual o evento é realizado. São normas que só regram um país bagunçado como o nosso e que a cada quatro anos são apresentadas e aceitas até mesmo por países muito mais corretos e organizados que o Brasil.

O ponto que mais é apedrejado é a venda de bebidas nos estádios. A Lei pede garantias de que poderão ser divulgadas, distribuídas e vendidas, as marcas do evento. A Budweiser é uma patrocinadora do evento e será vendida nos estádios, é parte do acordo. A Fifa nunca permitirá que um de seus patrocinadores seja prejudicado. Mas, as exigências e orientações são contestáveis, dentro do possível.

A África do Sul passou por experiência similar, pois nos estádios sul-africanos, a venda de garrafas de vidro era proibida e isso foi um quesito que o país não abriu mão de mudar. A Budweiser, então, desenvolveu uma garrafa plástica, com a cor das garrafas originais da marca, para serem vendidas nos estádios, garantindo a segurança que a África do Sul exigia. Na Copa da Alemanha, em 2006, Kaiserslautern também teve problemas, pois seu maior produto e atrativo turístico seria a cerveja própria , produzida na região e o assunto também foi resolvido com a Fifa.

Na mesma lei, a entidade máxima do futebol exige comportamento adequado, contra violência, racismo e preconceitos, antes de entrar ou já dentro dos estádios, podendo um ou mais torcedores serem banidos do evento, mesmo com os ingressos em mãos. Existem seguranças em todas as partes do estádio durante o evento. Existe também um grande número de profissionais garantindo a segurança, com treinamento de retirada de invasores ou torcedores violentos, com técnicas que evitam agressões ou lesões, levando-os para a parte externa do estádio, sem possibilidade de retorno.

A cerveja não é responsável pelo mau comportamento em estádios, mas a falta de educação, tanto do povo brasileiro, como também existente na Holanda, Inglaterra (já suavizada), Alemanha e outros países.

Neste momento, o Brasil deveria investir em segurança adequada, privada, não fardada, pois a estratégia da polícia nos estádios é ofensiva e não é tática. Além disso, são obrigatórios postos policiais dentro dos estádios, mas o governo deveria se limitar a isso. O foco não deveria ser em tirar o policiamento das ruas para colocar dentro dos estádios.

O Brasil poderia, facilmente, trabalhar a conscientização do público nos estádios e também ir elaborando leis mais punitivas a transgressores do bom comportamento neste tipo de equipamento. A Inglaterra teve experiência com o hooliganismo e suavizou com técnicas de fiscalização, por meio de policiais ocultos no meio das torcidas, evitando a violência e não agindo após um ato já ocorrido, trabalhando com prevenção. Além disso, qualquer torcedor identificado, deveria se apresentar em horários de jogo ao departamento de polícia como punição.

Não há motivos para ir contra a Lei Geral da Copa, mas para apoiá-la e dar condições para que o nosso comportamento seja adequado, com ou sem cerveja.

Fora isso, a Lei não interfere negativamente em nada, nem em estrutura de estádios: somente fere o orgulho de alguns cidadãos indignados e que se sentem revolucionários por ir contra a Fifa e seu poder.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

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ISO para eventos

Ao acessar a reportagem, por indicação do colega André de Paula (com quem realizo algumas pesquisas na área de responsabilidade social para o esporte), me deparei com algumas reflexões feitas já em outras colunas, passíveis de relacionar com a forma com a qual o futebol se posiciona perante a opinião pública de uma maneira geral.

Trata-se da proposta de norma ISO para eventos, a ser efetivada pela ABNT a partir de junho deste ano. E as perguntas que sempre fazemos são: como o futebol vai olhar para a nova (vindoura) proposta? Vai esperar todos os outros setores fazer para, depois de alguma pressão, realizar em seus estádios? Vai esperar o mundo adotar para depois (de alguns 10 a 20 anos) implementar no Brasil?

Lembrando que a antecipação à mudança tende a ser mais barata no longo prazo. Lembrando também que os pioneiros são sempre reconhecidos e, além de dar um contributo à sociedade, o primeiro clube que conseguir implementar e ser certificado poderá obter conquistas intangíveis, como maior apreço de seu torcedor, da mídia e até de empresas patrocinadoras, que hão de procurar atrelar sua imagem a um clube que transmita de fato uma imagem positiva.

Pela representatividade do futebol no Brasil, um dos grandes legados sociais e ambientais dos inúmeros jogos realizados todas as semanas em nosso território pode ser a sustentabilidade destes eventos.

Está aí uma ótima oportunidade para o segmento ampliar seu desenvolvimento!

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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Tecnologia não é só máquina. É também processo, planejamento…

Na última semana, o Ibope divulgou uma nota da intenção de mensurar a audiência do conteúdo televisivo que é assistido em plataformas móveis em gerais, como tablets e smartphones. Entretanto, não encontram ainda tecnologia compatível para realizar essa análise.

O amigo pode se questionar e o que é que isso tem de relação com futebol. Explico.

Por várias vezes escrevi que tecnologia é recurso e processo, isto é, estruturação de aparatos tecnológicos aliados a organização e sistematização de necessidades e objetivos.

E nesse aspecto mencionamos que um dos grandes focos de resistência que o futebol apresenta (embora já seja possível visualizarmos mudanças) é justamente no que se refere aos processos. Enfim, recursos e soluções tecnológicas existem aos montes e, ainda que não supram todas as necessidades, são subutilizados no esporte bretão.

A falta de organização e visão dificulta o desenvolvimento e, sobretudo, a implementação da tecnologia a serviço do futebol.

Pois bem. Voltemos ao problema informado pelo Ibope.

Embora muito criticado, o instituto informou que seguirá com esse projeto de mensurar conteúdos de plataformas móveis, mas enquanto não tem a tecnologia suficiente, adotará um método utilizado por diversas vezes e que, embora mais lento e susceptível a falhas, sempre funcionou ao longo dos tempos.

O ibope vai solicitar aos sujeitos que farão parte da pesquisa que anotem os conteúdos assistidos no dia, bem como o horário.

A solução adotada pode parecer bizarra para quem olha com os óculos modernos de um mundo que vive na era digital, porém, tem de se valorizar que o processo prevalece. Se por um lado a tecnologia vem para facilitar e otimizar nossos processos, estes só são válidos se podem viver sem ela, pois aí tem-se a certeza de que existe organização

A tecnologia tem de vir para ajudar e otimizar. A ausência ou a insuficiência dela não pode impedir as coisas de acontecerem, mas também temos de tomar cuidado para que isso não seja justificativa para que nunca seja adotada.

O futebol deve se organizar acerca de processos e planejamento, pois, assim, a excelência tão almejada pode ser vislumbrada e recheada de recursos e processos tecnológicos.

Mas não adianta trazer um aparelho de última geração, tampouco um excelente cientista que sabe manuseá-lo, se não existir planejamento, coerência e processo.

Do contrário, viraria show pirotécnico: encanta, fascina, mas serve apenas ”pra inglês ver”.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br
 

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Quants

Você sabe o quer significa “quant”?

Muito menos eu.

Bom, mentira.

Fiquei sabendo há pouco, por uma palestra proferida por um grande amigo, Paris de l’Etraz, empreendedor em diversos segmentos e professor do IE de Madrid.

“A mente profissional em tempos de incerteza” é o título do assunto tratado na TEDx, já famoso ciclo de palestras com líderes de diversos segmentos:
 


 

“Quants” são os analistas quantitativos, em geral matemáticos, que fazem uso de processos estatísticos para racionalizar tudo.

Foram eles que, dentre outros gananciosos, quebraram Wall Street.

Os “quants” costumam ser pessoas altamente reativas a mudanças, seja na vida ou na profissão.

Tudo deve ser previsível, minimamente, caso contrário, a zona de conforto enxergada por eles fica abalada e não conseguem viver tranqüilos.

São estereotipados como “nerds”, tímidos, introvertidos, avessos aos holofotes e aos relacionamentos humanos mais íntimos.

Paris evoca sua própria história pessoal para inspirar as pessoas a, profissionalmente, lançarem-se ao empreendedorismo.

Ele mesmo mudou radicalmente de postura e de segmento, saindo do mercado financeiro para trabalhar com esporte e entretenimento.

O futebol brasileiro necessita de muita gente com esse espírito inovador e empreendedor.

Já tenho sido consultado por pessoas que desejam um aconselhamento e compreensão do mercado esportivo, pois estão inquietas, com os dois pés em postos de trabalho triviais, mas com a cabeça no esporte.

É bem verdade que ótimas oportunidades no mercado esportivo ainda são raras.

Mas isso é para os “quants”. Gente acostumada a cenários previsíveis e seguros.

Quem deseja ingressar na diversas áreas especializadas que necessitam de profissionais qualificados no futebol, precisa dar o primeiro passo em direção a esse chamado.

Paris afirma que a vida é muito curta para esperar demais. E não se trata sobre o que você faz. É sobre por que você faz o que você faz.

“Comece a ser agora o que você será daqui pra frente”, dizia São Jerônimo.

Isso facilitará que tenha um largo sorriso no rosto, fazendo o que gosta.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

 

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Ricardo Teixeira: o que a mudança de gestão acarreta na prática

Depois de 23 anos no comando da CBF, Ricardo Teixeira deixou o cargo após uma série de denúncias.

Ao longo de sua gestão o futebol brasileiro passou por altos e baixos.

Pelo lado positivo, fomos duas vezes campeões do mundo e conseguimos o direito de sediar a Copa em 2014.

Já pelo lado negativo, tivemos várias denúncias de corrupção em nossa entidade maior, alguns “fiascos” em Mundiais e atualmente nossa capacidade em sediar um evento deste porte é colocada à prova constantemente.

Com a saída de Teixeira, quem assumiu seu posto foi José Maria Marin.

O novo mandatário, em uma de suas primeiras entrevistas, afirmou que nada vai mudar e que o trabalho vai continuar sendo feito da mesma maneira…

Será que o “continuísmo” vai “continuar”?

Só o tempo nos dirá!

Mas o que a saída de Teixeira muda em nossa prática?

Bom, estamos em um momento de mudança paradigmática de nosso futebol (Ponto).

A troca de gestão pode ser um “potencializador” e “acelerador” de mudanças, se vier para isso, é claro.

Em um passado recente, houve uma mudança na gestão em um clube bem conhecido por todos nós: o Barcelona.

O clube não vivia o melhor de seus dias, dentro e fora do campo. Não havia grandes preocupações com o processo, nem com o planejamento. O clube não tinha uma política de contratações e gastava muito dinheiro a esmo.

Todo esse cenário foi visto por uma nova comissão gestora, comandada por Ferran Soriano, como uma grande oportunidade para mudança e evolução do clube.

Foi montada uma diretoria com histórico de sucesso em diversas áreas empresariais aliada a contratações de profissionais capacitados para as questões de campo.

A gestão passou a ser profissional, e as contratações eram regulamentadas por documentos que traziam o perfil que o clube esperava.

Por trás de tudo isso, o processo e o jogo da equipe estavam sendo desenvolvidos!

A revolução silenciosa já estava em curso desde a época de Cruyff, mas o novo ambiente criado dentro do clube propiciou uma evolução sistemática em todos os aspectos que culminou hoje em uma filosofia de jogo admirada pelo mundo todo.

Complexidade…

Será que não estamos em um momento para que isso ocorra? Será que essa não é uma grande oportunidade para voltarmos a ser aquele Brasil em que o próprio Guardiola disse que se espelhava?

Não tenho essas respostas…

Mas o fato é que a mudança de gestão pode contribuir, e muito, para a mudança de paradigmas e de nossa prática.

Se tivermos gestores que entendam de complexidade e nos respaldem, gastaremos menos energia com paradigmas antigos e passaremos a nos focar naquilo que pode ser feito para o desenvolvimento integral dos atletas.

Viva a mudança!

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br
 

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Quando a tática não importa

A rescisão de contrato do atacante Adriano foi tema de centenas de matérias esportivas na última semana. O custo de R$ 12.000,00 por minuto jogado e o de R$ 2,4 milhões por gol marcado, efetuados com base no salário mensal de aproximadamente R$ 380.000,00 são apenas alguns dos tópicos levantados nas notícias que questionavam o custo x benefício deste exorbitante investimento dos dirigentes corintianos.

Como todo tema que movimenta a semana e possibilita inserções em meu cronograma de colunas, o problema com o referido jogador me levou a inúmeros pensamentos e reflexões, sob diferentes pontos de vista, num exercício de empatia, essencial numa atuação interdisciplinar.

Como torcedor, ficaria a sensação de que, após um longo período de recuperação da lesão sofrida no tendão, o jogador se encontra na fase final de reabilitação e um mês será suficiente para voltar a jogar em alto nível, o Corinthians reabilitou quase que integralmente um jogador que irá balançar as redes por outro grande clube do futebol brasileiro. Uma possível falta de gols na competição mais importante do ano para a equipe alvinegra, a Libertadores, e ela será atribuída à dispensa do, outrora, “Imperador”. Afinal, como torcedor, é impossível esquecer aquele gol (e muitos outros ao longo de sua carreira) na reta final do Campeonato Brasileiro do último ano.

Como dirigente corintiano, refletiria sobre os prós e contras da tomada de decisão relacionada à rescisão. Na ocasião da contratação, eu me perguntaria se algum comportamento apresentado pelo jogador era desconhecido. Os problemas com mulheres, má companhias, peso, horários e bebidas seriam alguma surpresa? O dinheiro investido neste atleta poderia ter sido direcionado para alguma outra contratação?

Diante dos lamentáveis fatos, será que valeria a pena esperar o término do contrato, tentar amenizar o relacionamento interpessoal entre o atleta e o técnico Tite e se livrar da multa contratual? Será que após o mês que o atleta afirma precisar para estar melhor preparado, ele poderia contribuir na busca pelo inédito (e cobrado) título da Libertadores?

Como (ex)companheiro de elenco, pensaria que se abriu espaço para uma das 18 vagas de competição na que, atualmente, é a melhor equipe do futebol brasileiro e que joga o melhor torneio de clubes da América do Sul. Agradeceria pelo final desta novela de privilégio, mimo, excesso de atenção e “vista-grossa” para um atleta que recebe muito mais do que eu. Poderia dizer também que o grupo está unido, que sentimos a perda do Adriano, que ele é um grande jogador e que logo irá superar esta fase ruim e voltar a ter alegria e jogar um bom futebol (clichê típico do ambiente).

Como dirigente de outro clube, eu me questionaria se vale a pena o investimento. Poderá o Adriano jogar e incomodar os adversários como já o fez? Conseguirá recuperar o poder de finalização que o consagrou como um dos grandes atacantes do futebol mundial? “Banco” o investimento ciente que a reincidência é um caminho bem provável? Arrisco alguns milhões num “produto” que, há tempos, não permite retorno?

Pensando como o técnico Tite, recordaria cada entrevista, declaração, preleção e roda de conversa que o atleta foi poupado para dar-lhe tempo e tranquilidade para se recuperar. Será que toda a gestão de conflito de um atleta que nunca esteve em totais condições foi eficiente? Será que declarações mais polêmicas e pressões diretas ao jogador teriam um resultado final mais produtivo a instituição? Com isso, será que prejudicaria o elenco?

Como o próprio jogador, eu me indagaria se todas as respostas que dei alguns dias antes a uma grande emissora de televisão foram, de fato, sinceras. Questionaria se ainda anseio por jogar futebol ou pela fama e repercussão que este papel me proporciona. Pensaria também onde está o problema em ingerir bebidas alcoólicas, curtir a vida noturna e esbanjar o dinheiro que o futebol me proporcionou. Ser atleta e não boleiro, como o Paulo André, não é pra mim!

É claro que diversos outros pensamentos foram elaborados por cada um dos personagens identificados no texto e que podem, ou não, representar a realidade. Representam a minha, ao menos. É certo também que um bom número de conversas de bastidores, a que não temos acesso, ocorreu para culminar no encerramento do contrato de Adriano.

O que deixo, futebolisticamente, é um exercício de reflexão para problemas inevitáveis na gestão de uma equipe que não envolvem diretamente os esquemas táticos, os momentos de jogo ou as estratégias, e para os quais nunca haverá um fluxograma com as melhoras respostas. Como você agiria numa situação semelhante a esta?

Não se esqueça de considerar todos os envolvidos! Pensar e agir somente sob sua perspectiva poderá limitar os caminhos de uma ponte (perigosa) que você precisará cruzar.

Deixo também, mais humanamente, diante de tudo que pôde ser acompanhado neste período de 11 meses, uma simples opinião livre do meu papel de técnico de futebol e também livre de julgamento: que o Adriano, que até confinado ficou na insana tentativa de levá-lo ao alto rendimento esportivo a qualquer custo, independente dos erros ou acertos cometidos em seus últimos passos, encontre seu caminho para os passos seguintes na busca do alto rendimento humano.

Sem a ajuda de alguém, acredito que será difícil encontrar tal caminho e, sem ele querer, acredito que é algo impossível.

Tomara que ele saiba que gols, entrevistas, fama e mulheres são passageiros. Já a sua vida…

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br 

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O futebol brasileiro pós Ricardo Teixeira

Há algumas semanas, os rumores apontavam para a renúncia de Ricardo Teixeira à Presidência da CBF e do COL. Entretanto, somente há poucos dias, os boatos se confirmaram.

Muitas são as críticas à gestão de Teixeira, a maioria delas atinente a corrupção e enriquecimento ilícito. De toda sorte, sob o ponto de vista técnico, em 23 anos sob o comando dele, o futebol brasileiro conquistou duas Copas do Mundo, algumas Copas América e três Copas das Confederações.

Ademais, o tão sonhado Campeonato Brasileiro por pontos corridos tornou-se uma realidade. No entanto, nem tudo são flores. Para agradar as Federações, os deficitários Campeonatos Estaduais permanecem no calendário e os clubes permanecem com o “pires na mão”.

Muitos comemoraram a saída de Teixeira mas, pelo menos em um primeiro momento, nada deve mudar; eis que seus sucessores devem adotar linha semelhante de administração. O ideal seria que os sucessores convocassem novas eleições para conferir legitimidade ao novo Presidente que assumirá o comando do futebol brasileiro em um momento pra lá de delicado.

Ora, temos uma seleção que não convence, vamos organizar um Mundial e os atrasos permanecem. Isso sem contar o anseio dos clubes por uma nova organização do campeonato brasileiro. Fala-se, inclusive, na criação de uma Liga.

Dessa forma, o momento é de se ponderar os pontos positivos (sim, existiram pontos positivos) e negativos da gestão que se encerra, tomando-os como aprendizado a fim de que o futebol brasileiro possa se estruturar para definitivamente ser o melhor do mundo.

Aos torcedores, cabe fiscalizar esta transição e, se for o caso, acionar os dirigentes judicialmente, na forma do Estatuto do Torcedor que prevê, em seu artigo 37, até a possibilidade de haver sua destituição.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br