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Guerra de marcas

Na última terça-feira assistimos a Milan e Barcelona, esperando ansiosamente pelo duelo do “Pequeno Gênio” argentino diante do “Gigante” sueco, conforme plantado pela grande mídia. O resultado do jogo pouco importa. O que interessa é o espaço crescente ocupado pelos clubes europeus no mercado brasileiro – e tal fato não é de hoje.

Perante um estado quase que basal da economia européia, os clubes europeus, com suas poderosas marcas, estão procurando expandir seus negócios e fincar suas bandeiras em mercados emergentes. As primeiras investidas foram direcionadas para o mercado asiático, mais especificamente a China, que é a menina dos olhos do mundo todo. Lá, pelo menos por um olhar à distância, parece simples a penetração de novos conceitos, por conta de o futebol não ser tão desenvolvido quanto em outras partes do mundo.

A ampliação de horizontes por parte do velho mundo começa a atingir o Brasil. E o que chama atenção é que aqui as marcas dos clubes locais deveriam fazer uma espécie de bloqueio contrário ou blindagem à vinda de clubes de fora, que poderiam inclusive ser considerados rivais, até para estimular um maior envolvimento do mercado interno.

Ao contrário, ao invés dos clubes brasileiros investirem suas forças para fortalecimento de suas marcas, a ação quase que insana é de entupir o bem mais valioso do clube, que é a sua camisa de jogo, tradicional, algumas delas que comunicam atributos de glória, superação e vitória, com marcas de empresas com nenhuma ou pouca identidade com os mesmos.

A poluição visual prejudica, sim, o fortalecimento dos clubes como entidades, produtoras de um espetáculo ímpar. O fato de o “País do Futebol” consumir o que vem de fora demonstra a sua inoperância enquanto produtores deste espetáculo por conta da ineficiência administrativa de suas marcas (de seus estádios, de seus produtos licenciados, do cuidado na comercialização de patrocínios, e por aí vai).

E, por fim, gostem ou não, o fato de a maior emissora do Brasil demandar cada vez mais a cultura do futebol europeu deve ter clara relação com o interesse das pessoas. A mídia, como é óbvio, respeita os anseios do mercado, que é composto por pessoas e organizações, ditando costumes, modas e preferências. Foi a partir dela que o voleibol e o basquetebol, para ficarmos restritos a dois exemplos, mudaram suas regras…

Portanto, é salutar uma medida conjunta para fortalecimento do mercado interno dos clubes de futebol para não corrermos o risco de daqui uns 10 anos termos um diálogo nesta base com um garoto (brasileiro) de 7, 8 anos:

“- Qual é o seu time do coração?”.

“- Sou rubro-negro, é claro…”.

“- Ah, flamenguista, então…”.

“- Não, não, sou Milan de coração!”.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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Frases de futebol

Olá, amigos!

Nesta semana abro espaço para refletirmos um pouco sobre a função de técnico no Brasil. Sem a preocupação de considerar um lado mais errado do que o outro, sejam os dirigentes ou sejam os próprios profissionais, muita coisa precisa ser observada.

Vamos, desta forma, fazer apenas o que eu chamaria de exercício provocativo, com a finalidade de levantar a discussão, que é cíclica e frequente no futebol. Com isso, explico a proposta do texto.

Com base em informações veiculadas na imprensa, selecionei algumas frases de técnicos e dirigentes. Após isso, colocaremos algumas perguntas e tópicos que podem nos levar a um debate, mas deixarei neste momento que o leitor analise e tire suas conclusões, sem entrar no posicionamento de ideias.

“Aqui eu quero todo mundo estressado. Quem disser que está tranquilo, mando pra casa dormir” (Muricy Ramalho, técnico)

“Que trabalho motivacional? Aqui não se motiva ninguém, meu amigo. Aqui a gente cobra” (idem)

“Sei como eles jogarão: de meia, calção e chuteiras” (idem)

“Acredito que existe mais mérito agora que conseguimos o acesso do que no ano passado, quando fomos rebaixados” (Ricardo Guimarães, ex-presidente do Atlético MG)

“Futebol é que nem cachorro-quente: só serve o que é feito na hora” (Roberval Davino, técnico)

“O importante é conseguir o resultado positivo, mesmo se jogarmos mal” (Vanderlei Luxemburgo, técnico)

“Isso é o momento do futebol. Estou indo, mas posso voltar” (Joel Santana, técnico)

Existem mais frases, que poderíamos colocar, mas deixemos para um outro momento. A seguir, elenco alguns tópicos para debate futuro:

1.Uma equipe deve se preocupar com o resultado independentemente do estilo de jogo?

2.O que representa as idas e vindas dos técnicos em suas inúmeras passagens por um mesmo clube?

3.O resultado só aparece com altos níveis de estresse?

4.Só o salário deveria ser fator motivacional para os atletas?

5.Vale a pena investir tempo e dinheiro em análise dos adversários?

6.Um técnico só pode ter continuidade se não perder nenhum campeonato que dispute? (mesmo que tenha sido vice, ou ainda reformulado a equipe)

E você, que aspectos levantaria para a discussão?

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

 

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Futebol de bom humor

Perdemos, em uma semana, dois grandes gênios, cada um a sua maneira.

Chico Anysio e Millôr Fernandes.

Porém, ambos tinham algo em comum, muito valioso para que a vida seja leve, e que nos brindavam sem nos exigir nada em troca: o bom humor.

Chico, em seus mais de 200 personagens, criava ou reproduzia nestes papéis, interpretados por si mesmo, figuras populares, em que facilmente o povo se reconhecia nos enredos dos quadros de seus programas.

Millôr era genial no uso da linguagem – mais ampla que a língua – pois era cartunista, escritor, jornalista, tradutor, dramaturgo, calígrafo – para tratar com ironia, sabedoria, acidez, inventividade, o cotidiano e suas situações que, nas suas palavras e no seu traço, ficavam banhadas em bom humor.

Frequentou e ajudou a construir veículos de comunicação como “O Pasquim”. Ajudou a criar e difundir o Frescobol, único esporte que, segundo ele, possuía espírito esportivo:

“O Frescobol foi um esporte que cheguei a jogar bastante bem. Esporte maravilhoso, praticado à beira mar – os participantes quase nus – de tempo em tempo interrompido por um mergulho refrescante, o Frescobol é elegante e dinâmico o tempo todo, beneficiando-se ainda da sorte inaudita de nunca nenhum idiota ter tido a ideia de lhe traçar normas, aferir pontos – permanece até hoje uma atividade pura. Há competição, mas não formalizada, pontificada. Não há vencidos nem vencedores. Portanto sem possibilidade de violência”.

Era torcedor do Fluminense.

E, como grande frasista que ficou notadamente reconhecido, eis algumas sobre futebol:

“E no oitavo dia Deus fez o Milagre Brasileiro: um país todo de jogadores e técnicos de futebol.”

“O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia.”

“Futebol não tem lógica. Mas, se a gente tivesse Garrincha, Pelé, Paulo César, Nilton Santos, Domingos da Guia e Rivellino de um lado só, a zebra ia ter que rebolar.”

“Há os que são Flamengo doente. Eu sou Fluminense saudável.”

“Mal comparando, Platão era o Pelé da filosofia.”

“Em 1978, lembram?, o Brasil, já na técnica da retranca, perdeu a Copa invicto. Empatou todas. Inventamos uma coisa extraordinária: a Invictória.”

“Ninguém joga futebol tão bem quanto o brasileiro. Isso porque o futebol e o Brasil são iguaizinhos; não têm lógica.”

Chico foi humorista, ator, dublador, escritor, pintor. E também comentarista esportivo, na Rádio Guanabara, com 17 anos e, na Copa de 1990, com 58 anos.

Chegou a torcer para o América-RJ, mas acabou convertido ao Vasco posteriormente.

O personagem Coalhada, genialmente criado e interpretado por Chico, encerra muito do estereótipo do “boleiro” no Brasil. Otávio Arlindo Antunes do Nascimento é um jogador estrábico, que exibiu seu futebol em vários clubes do país, contando com o trabalho do empresário Bigode. É um perna-de-pau, apesar de se achar o craque, e vive se defendendo das críticas.
 


 

“E depois eles dizem que o Coalhada é isso, que o Coalhada é aquilo…”.

Creio que esses dois gênios vão seguir dividindo uma mesa de boteco, na frente de uma TV, pra acompanhar o futebol brasileiro.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br
 

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A preparação desportiva e as teorias gerais do treinamento

Venho lendo ultimamente vários textos com diversos pontos de vista sobre a preparação física e seu papel nas novas metodologias de treinamento.

Alguns dizem que a preparação física vai acabar, outros que nada vai se modificar e assim por diante.

Acredito que como todas as funções dentro da comissão técnica esse profissional precisa evoluir e se adequar às novas exigências do mercado; contudo, penso ser um tanto quanto radical demais dizer que o preparador físico desaparecerá das comissões em um futuro próximo, mas deixemos essa discussão para outras oportunidades…

Pois bem!

Dentro da Periodização Complexa de Jogo (Leitão, 2009), a vertente física é parte fractalmente integrante do jogar e precisar ser: vista, analisada, mensurada e planejada complexamente dentro do processo para que sua evolução ocorra junto com os demais fractais do jogo.

Para que isso seja feito de maneira adequada, preciso dominar vários conceitos “bio-físio-químico-motores” do jogo.

Com o objetivo de iniciar uma série de discussões “físicas”, trago conceitos basais sobre este assunto: “As Teorias Gerais do Treinamento”.

Tais teorias, segundo Zatsiorsky e Kraemer no livro “Ciência e Prática do Treinamento de Força (2006)”:

“…são modelos muito simples, que técnicos e especialistas utilizam amplamente para resolver problemas práticos.”

Resolver problemas práticos!

É disso que precisamos.

Nas teorias gerias do treinamento segundo tais autores temos a teoria de um fator (teoria da supercompensação) e a teoria de dois fatores (teoria da fadiga-condicionamento).

Cada uma delas trata de uma maneira diferente a preparação e o condicionamento do atleta.

Vamos detalhar cada uma delas, sem deixar de levar tudo a campo, é claro!

Comecemos pela teoria de um fator ou supercompensação.

Nessa teoria, define-se que os estímulos de treino são responsáveis pela depleção de substâncias bioquímicas que serão restauradas nos momentos de repouso e pausa. Sendo o tempo de recuperação adequado, acredita-se que as concentrações de substâncias bioquímicas se elevam acima das concentrações iniciais, configurando-se, assim, uma fase de supercompensação.

Em outras palavras, tenho uma sessão hipotética em que as atividades têm por objetivo desenvolver predominantemente a capacidade anaeróbia dos atletas. Sendo assim, a densidade das mesmas é alta e a depleção de glicogênio muscular é intensa.

Segundo essa teoria, acredita-se que após um treino como esse devo ter uma pausa adequada para que os níveis de glicogênio se restaurem acima dos encontrados antes de tal sessão.

Porém, consigo fazer isso no futebol? Posso deixar um atleta 48-72 horas recuperando e esperando o pico da supercompensação entre duas sessões de treino com as características descritas acima?

A teoria da supercompensação é muito utilizada, mas precisa ser vista de uma maneira crítica e adequada a modalidade e as necessidades do grupo em questão.

Vamos para a segunda: teoria de treinamento de dois fatores ou fadiga-condicionamento.

Nessa teoria, leva-se em conta fatores que se modificam vagarosamente e fatores que se modificam rapidamente. O efeito imediato do treino é caracterizado pela ação de dois fatores: ganhos de condicionamento e fadiga. Sendo assim, a performance do atleta melhora em virtude do ganho em condicionamento e piora em decorrência da fadiga.

Para que aja evolução da preparação em longo prazo é preciso que os efeitos em duração da fadiga sejam menores que os efeitos dos ganhos do condicionamento.

Em outras palavras, nessa teoria, o treino é visto com um ambiente onde o atleta equilibra efeitos positivos e negativos. Por exemplo, tenho uma atividade de 5×5 em que o objetivo é a manutenção da posse de bola. Ao longo da atividade se espera que os atletas evoluam e consigam resolver os problemas do jogo de uma maneira mais elaborada; contudo, a fadiga ao longo do tempo age como um fator limitador da performance. Dessa forma, a evolução está ocorrendo, mas é limitada de certa forma pela fadiga acumulada ao longo da sessão.

Sendo assim, preciso fazer o planejamento, seja dentro do treino ou ao longo do processo, a fim de minimizar os efeitos da fadiga entre as sessões e potencializar os efeitos positivos do treino.

Em minha opinião, a segunda teoria se adéqua melhor às exigências do futebol, mas precisa ser muito bem entendida, e o planejamento bem feito!

Vejam que essas teorias são apenas fatores gerais que interferem no treinamento. Então, como podemos negligenciar essa parte, dita física, tão importante da complexidade do jogo?

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br
 

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Ah, é o Edmundo!

Em um ano, de 1992 a 1993, ele saiu da reserva do time sub-20 do Vasco para ser a maior estrela contratada pela via láctea que a Parmalat montou no Palmeiras. Foi campeão do Rio e tirou da fila de 16 anos o novo clube na nova cidade que o acolheu aos berros de “animal” e onde viveu dias e noites de amor incondicional ou ódio amplo, geral e irrestrito das arquibancadas, tribunas e gerais.

Ele pisou muito na bola que tratou como poucos nos últimos 20 anos. Ele desandou demais fora dos campos do Brasil e Itália. No gramado, se não tivesse a excepcional técnica, ainda poderia ser um grande jogador por ter nascido um atleta forte, resistente e veloz, imune à dor e as pancadas. Por ter nascido um sujeito que saía da balada para o treino como se não houvesse amanhã. Ou como se tudo fosse uma longa noite de prazeres e poderes.

Ele foi capaz de transformar um centímetro quadrado num latifúndio redondo pelo repertório impressionante de dribles. Como é capaz de ser constrangedoramente simpático e simples na maior parte do tempo e, num mau dia, driblar quem ficar pelo caminho. Fazendo jus ao animal que ficou como elogio esportivo e como elegia de vida.

Bacalhau ou animal, genial e genioso, ele é um dos maiores ídolos e craques do Vasco e também do Palmeiras. Em São Januário cresceu como menino que ama a mãe de berço. No Palestra, conheceu a paixão de adulto pela amada. Para ele, a mãe uma ou outra vez o traiu; a paixão adulta, jamais. É um coração onde cabem Vasco e Palmeiras num peito que já vestiu Flamengo e Corinthians. E Santos. E Cruzeiro. E Fluminense. E Fiorentina e Napoli. E Tokyo Verdy e Urawa Red. E Nova Iguaçu e Figueirense. Até terminar no Vasco onde começou profissional. Onde hoje se despede com um físico e um futebol que poderiam ainda encantar.

Fez bobagens. Muitas. Casos de polícia. Coisas de uma vida difícil, com problemas em casa – como muitos. Mas com um talento para driblar em campo e fora dele – como poucos. Casos de quem foi ensinado a jogar futebol. Mas não a ser adulto. Como ele aprendeu apanhando e batendo. Na mesma proporção.

Tem muita gente que o detesta tanto quanto está odiando este texto. Se eu não torcesse pelo time que torço, se eu não gostasse de um atacante talentoso, se não tivesse um interesse por personalidades do tipo, se não o conhecesse há quase 20 anos, se não trabalhasse com ele há dois anos, talvez não estivesse escrevendo tudo isso. Talvez estivesse dando razão aos que não vêm razão para tanta festa e elogios.

Mas quem torceu pelo Animal, quem conheceu um pouco do cara fora de campo e dos problemas que ele criou, sabe que existe um cara que merece a festa que recebe do Vasco e que também merecia do Palmeiras. Sabe que errar fica mais humano com Edmundo.

Para interagir com o autor: maurobeting@universidadedofutebol.com.br

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

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Será que tinha alguma placa na área penal?

Duras críticas têm sido feitas ao futebol brasileiro nos últimos tempos. Como afirmou o zagueiro corintiano Paulo André, estamos numa encruzilhada, tentando observar as engrenagens dos motores holandeses, espanhóis, portugueses e alemães. As críticas são feitas, pois sabemos o enorme potencial que temos, porém, que é subaproveitado por inúmeros fatores culturais, administrativos e técnicos.

Diante disto, a busca por um bom futebol passa necessariamente pelo acompanhamento de jogos do continente europeu, mais especificamente do melhor campeonato de clubes do mundo. E numa semana de clássico pela Uefa Champions League 2011/2012 entre Milan e Barcelona, acompanhar as prévias para este jogo seria a atitude mais racional.

No entanto, como estas equipes são mais comumente analisadas pelos resultados conquistados e, por isso, estão em maior evidência, o meu olhar se volta ao Olympique-FRA que, juntamente ao Apoel-CHI, é a surpresa das quartas de final da competição.

Para isso, a observação dos jogos da equipe francesa contra a Inter-ITA, válidos pelas oitavas de final, foi feita para compreender alguns princípios de jogo ofensivos e estimar o desempenho dos comandados por Didier Deschamps na sequência da competição.

É importante mencionar que a coluna foi iniciada antes do confronto contra o Bayern-ALE, porém, encerrada após o conhecimento (sem acesso às imagens) da derrota por 2 a 0.

O Olympique-FRA está estruturado na plataforma 1-4-2-3-1, como pode ser observado na figura abaixo:

 

O elenco que participou da primeira partida, vencida pelos franceses por 1 a 0 foi: Mandanda; Azpilicueta, Diawara, N’Koulou e Morel; Diarra e Cheyrou; Amalfitano, Valbuena e Ayew; Brandão.

No jogo de volta, em que os italianos venceram por 2 a 1, Cheyrou e Brandão deram lugar a Mbia e Remy, respectivamente.

O início da construção ofensiva do Olympique-FRA impressiona: amplia muito bem o espaço efetivo de jogo, tem boa circulação e chega com a bola dominada com progressão em velocidade no último quarto do campo. E é nesta parte do terreno, onde deveria impor comportamentos de jogo que são tendências nas equipes de alto nível do futebol mundial, que a equipe de Marselha simplifica (e banaliza) seu bom futebol.

As características dos jogadores permitiriam uma sequência de combinações ofensivas bem diferentes das que foram predominantemente observadas durante os jogos analisados.

Azpilicueta poderia manter a circulação da posse com os volantes e com Valbuena; Morel poderia aproveitar suas movimentações em diagonal e se aproximar dos setores de finalização, Valbuena poderia potencializar seus recursos técnicos no corredor central com tabelas, dribles e assistências em penetrações de Amalfitano, Ayew ou Remy.

Com os apoios constantes dos laterais, as movimentações dos meias abertos poderiam ser mais efetivas se gerassem superioridade numérica em setores mais perigosos ao adversário. Ainda é possível mencionar a possibilidade de maior participação dos volantes neste momento (e terreno) do jogo, o recuo entre linhas de Brandão para dificultar a marcação adversária e um maior aproveitamento de Remy, que sai bem da área, porém, não é acionado.

O que se viu nos dois jogos nos últimos 25 metros do campo se resume nos vídeos abaixo:

 


 

Apesar de apresentarem bons princípios de jogo para os demais momentos e até para boa parte da organização ofensiva, a maneira que o Olympique-FRA busca cumprir a Lógica do Jogo não condiz com o bom e belo futebol.

Como o jogo é imprevisível, pode ser que um chutão despretensioso termine em gol, como o que Brandão fez e classificou a equipe francesa para as quartas de final.

Para terminar, menciono o comentário de Vítor Frade em uma de suas aulas (daquelas que tenho gravadas) que ouço com regularidade.

Ele afirma que em alguns jogos de futebol parece que colocaram a seguinte placa na área penal: “É proibido tocar a bola no chão”.

Será que Deschamps a colocou e eu não a vi? Como vemos, não são só as equipes brasileiras que precisam rever alguns conceitos.

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

 

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Mais uma tragédia

No ultimo fim de semana, o torcedor brasileiro assistiu estarrecido à mais uma tragédia. Em um confronto envolvendo cerca de 300 torcedores de Corinthians e Palmeiras, o torcedor do clube alviverde, André Alves Lezo, de 21 anos, foi baleado na cabeça e morreu. Tal fato trouxe à tona a efetividade do Estatuto do Torcedor no combate à violência.

Importante destacar que o Estatuto do Torcedor tem a função primordial de estabelecer uma série de direitos a um consumidor específico, ou seja, o consumidor de eventos esportivos. Dentre estes direitos encontra-se o direito à segurança nos estádios.

Tenho analisado as leis antiviolência nos países sulamericanos e não há duvidas de que a legislação brasileira tem a melhor e mais completa redação. Mas, é preciso conferir aplicabilidade ao Estatuto do Torcedor para que ele tenha legitimidade e produza maiores resultados.

O Estatuto do Torcedor trouxe uma série de conquistas, especialmente, no que diz respeito à proibição das gerais e da instalação de cadeiras em todo estádio. Por outro lado, ainda há muito o que fazer, como a implantação de centrais de atendimento ao torcedor, entre outros.

No caso específico, ocorrido no último domingo, o clube mandante e a Federação Paulista possuem responsabilidade objetivas pelos danos causados aos feridos e à família do torcedor morto. Para tanto, é indispensável que cada torcedor lesado acione o Poder Judiciário.

A conscientização e o conhecimento da Lei pelo torcedor são os maiores instrumentos para o aumento do respeito aos seus direitos e, por consequência, para o fim da violência nos estádios.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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AC Milan vs FC Barcelona: as relações sistêmicas e os elementos do jogo

Apoiando-me em algumas ideias do professor português Julio Garganta, publicadas em 1998, sobre os jogos desportivos coletivos, vou tentar traçar uma análise um pouco diferente a respeito do jogo entre AC Milan e FC Barcelona pela 1ª partida das quartas de final da Uefa Champions League 11/12, jogada na Itália – que terminou empatada sem gols.

Com um olhar sistêmico sobe o jogo de futebol, gostaria então de me fixar nas relações (e interações) entre alguns elementos básicos para a dinâmica do jogo: o jogador, a bola, os companheiros, os adversários e o alvo.

Esses elementos, segundo o professor português Julio Garganta, produzem relações distintas, que, para o aprendizado e a evolução do jogar, podem ser enunciadas em relação "eu-bola" (centro na familiarização, controle e ação do jogador com a bola), relação "eu-bola-alvo" (centro no objetivo final do jogo através do arremate), relação "eu-bola-adversário" (centro na combinação de habilidades, na conquista e manutenção da bola; além da busca à finalização quando transformado em “eu-bola-adversário-alvo”), relação "eu-bola-colegas-adversários" (combinação de habilidades, com transmissão da bola e exploração de conceitos de defesa e de ataque) e relação "eu-bola-equipe-adversários" (com aproximação do jogo formal e exploração de princípios de jogo, de defesa e de ataque).

Dentro do objetivo máximo do jogo (não confundamos com lógica do jogo) está a necessidade de se fazer gols.

Então, em linhas gerais, independente das relações que são criadas e mais praticadas no desenvolvimento de jogadores e equipes (relação “eu-bola”, relação “eu-bola-adversário”, etc.), é fato, que em algum momento do processo de treinamento, toda “relação” previamente criada deverá interagir com o alvo (“eu-bola-alvo”, “eu-bola-adversário-alvo”, etc.).

Pois bem.

A equipe do FC Barcelona apresenta, faz alguns anos, uma relação muito forte com a bola. Ela (a equipe) quer muito tê-la sob o seu controle. Seus jogadores centram suas ações em recuperá-la o mais rápido quanto possível, para a partir daí fazê-la circular pelo campo de jogo.

Para fortalecer a relação que gosta de ter com a bola, o FC Barcelona também fortalece a relação “eu-companheiro”.

Enquanto o “eu-bola” constrói e desenvolve a relação individual do jogador com a bola, o “eu-companheiro”, acaba por centrar o desenvolvimento dos jogadores na percepção das ações de seus colegas de equipe.

Isso quer dizer o seguinte: dentro do jogo, a ação dos jogadores da mesma equipe é simultânea e interfere e influencia na movimentação uns dos outros. Cada jogador precisa, o tempo todo, perceber e interpretar a ação do seu companheiro – enquanto ele e os outros fazem o mesmo.

Jogadores “emitem” sinais a partir da maneira como agem, e esses sinais devem ser desvendados o tempo todo pelos seus pares.


 

Pois bem.

O que o FC Barcelona faz para fortalecer o “eu-bola” é transformá-lo, ao invés de um “eu-bola-companheiro” (o que é mais comum), em um “eu-companheiro-bola”. Ele inverte a ordem das relações.

E como o objetivo final é ter controle sobre a posse da bola, a relação “eu-companheiro” é toda construída em função disso.

O problema (que não nunca tem sido problema) se tornou virtude. Fortalecer em demasia o “eu-companheiro” pode acabar (como aconteceu na equipe catalã) gerando um “eu-companheiro-bola” mais forte do que um “eu-bola-alvo” ou um “eu-bola-companheiro-alvo”, tornando muito distante a relação entre o “eu” e o “alvo”.

Não que o FC Barcelona tenha problemas com o alvo – o que pode dever-se (ou não) ao fato de ter um ou dois jogadores, com ótima e mais forte relação sistêmica com o gol, do que com os companheiros.

O fato é que no jogo contra o AC Milan (que defensivamente parece ter uma forte relação “eu-companheiro-bola”), o FC Barcelona em muitos momentos decisivos privilegiou o “eu-bola” e até o “eu-bola-alvo” (muito mais do que o habitual).

Outra coisa importante é que a equipe italiana conseguiu em uma fração significativa do jogo, quando da marcação em bloco alto, mostrar forte relação do seu “eu-bola” (o que não lhe parece típico, como mencionei no parágrafo anterior).

Como está mais acostumada a enfrentar equipes que não se mostram fortes no “eu-bola” defensivo (principalmente em bloco alto), a equipe catalã teve dificuldades para fazer valer seu “eu-companheiro-bola” para chegar até o alvo – o que a influenciou algumas vezes a quebrar essa sua forte relação sistêmica.

Outra coisa importante a se destacar é que a equipe do Milan apresentou ao FC Barcelona relações do tipo “eu-bola-alvo” e “eu-bola-companheiro-alvo” muito mais fortes do que a equipe catalã está acostumada a enfrentar.

Como, dentro destas relações, o time italiano conseguiu otimizar a distância e o tempo entre o “eu” e o “alvo”, teve chances reais de fazer um gol.

E o que será do segundo jogo?

Sob seus domínios, com a grama milimetricamente aparada, torcida contagiante, e cabeça no lugar para dar “força” às relações que realmente são “fortes”, provável que aconteça o de sempre: no mínimo, um excelente espetáculo…

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br  

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Terceirização de atividade fim

O tema desta semana guarda relação com a reportagem da Gazeta do Povo (talvez o principal jornal do Estado do Paraná), publicada no dia 20 de março com o título “Dívida atrela Paraná à Base por 10 anos”.

Explicando sinteticamente: o Paraná Clube terceirizou suas categorias de base há pouco mais de quatro anos para uma empresa chamada “Base”, que construiu um Centro de Treinamento e operava o seu departamento, trabalhando desde a captação de atletas, à formação e comercialização dos mesmos.

O modelo, que já foi testado inúmeras vezes em outros clubes no passado e nunca funcionou, parece, quase que invariavelmente, aos olhos dos dirigentes, algo espetacular: “ora, deixo de ‘gastar’ com os garotos e ainda ganho um troquinho lá na frente se um deles vingar. Transfiro o risco do negócio para terceiros e posso investir toda a minha ‘fortuna’ no time principal”, pensam os “sabidões”.

Acontece que, depois de um tempo, começam a surgir conflitos de interesse. O investidor a querer se desfazer rapidamente dos primeiros talentos, para obter retorno financeiro rápido, passando a negociar atletas inclusive com clubes rivais.

O clube a reclamar que os jovens atletas não são aproveitados na equipe profissional passando a pensar que poderia ganhar muito mais se tivesse preparado bem o processo de transição da base para o time de cima.

O resultado acaba sendo o mesmo em todos os casos que acompanhei: um grande passivo para o clube e um eterno recomeço para as categorias de base – lembrando que um trabalho decente e sério de formação de atletas tende a dar seus primeiros frutos a partir do seu 10º aniversário (fazendo um cálculo rápido para ilustrar: se identificarmos um potencial talento aos 10/12 anos, o mesmo será trabalhado ao longo do tempo até os seus 20/22 anos, quando tende a despontar na equipe profissional, completando o ciclo de 10 anos mencionado…).

Por fim, os dirigentes têm dificuldade em entender a importância das categorias de base além da venda de direitos federativos dos jogadores no futuro – negócio este que passa hoje por um período “conturbado” em razão da crise do mercado mundial e do início de um controle mais rígido da Uefa ante os clubes europeus, com a instituição do “Fair Play Financeiro”.

Investir em atletas tem um valor intangível fundamental, que vem desde a formação não só de jogadores, como também de novos torcedores no caso de o trabalho ser bem implementado com crianças e adolescentes.

Da mesma maneira, o atleta formado no clube tende a guardar uma relação emocional de maior valor com o mesmo, facilitando sua identificação com a torcida.

Enfim, terceirizar atividade fim, além de ilegal, é um péssimo negócio no longo prazo para quem o faz. Valendo lembrar que tenho acompanhado alguns noticiários de outros clubes de pequeno e médio porte a seguir a insana atitude de terceirizar um de seus maiores patrimônios: as categorias de base.

Ironicamente falando: talvez estes tenham dificuldade em acessar o “Google” para checar o que aconteceu consigo mesmo no passado ou com outros clubes coirmãos que acabaram por sucatear a formação de atletas para entes alheios a sua agremiação.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
Confira especial da Universidade do Futebol sobre trabalho desenvolvido nas categorias de base dos clubes brasileiros
 

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Princípios estruturais: atividades práticas para compactação defensiva e bloco

Na coluna “Princípios estruturais: atividades práticas para apoio e mobilidade”, iniciei uma discussão que terá seu segundo capítulo nesta semana.

Esta série vem para discutir algumas atividades que podem ser utilizadas para o desenvolvimento de determinados princípios estruturais de jogo.

Discutirei nesta oportunidade a compactação defensiva e o bloco. Ambos se configuram como princípios de defesa e, como destaquei em coluna anterior, eles servem para deixar o campo “pequeno” quando a equipe está sem bola, dificultando, assim, as investidas do adversário.

Vamos à definição dos princípios:

A compactação defensiva, segundo Bangsbo e Peitersen (2002), Parreira (2005) e Leitão (2008) é a orientação espacial que tem por objetivo manter as linhas de marcação da equipe próximas umas das outras; em outras palavras, visa manter as linhas de defesa, meio-campo e ataque compactadas.

O objetivo desse princípio é evitar espaços entre as linhas de marcação e evitar assim a criação de apoios de adversário nessas regiões.


 

Já o bloco, segundo Leitão (2008) se refere à movimentação coordenada vertical (de linha de fundo à linha de fundo) de todos os jogadores da equipe a fim de manter a sua organização e evitar espaços entre suas linhas. Neste princípio, o objetivo é manter a organização das linhas de marcação nos momentos em que a equipe avança ou recua sua marcação no campo de jogo.

Vejam que os princípios se integram. Se a equipe não se movimentar em bloco, consequentemente perderá sua compactação defensiva. Já se não estiver compactada, o bloco ficará prejudicado.

Como sempre digo, tudo está conectado de uma forma complexa.

Pois bem, vamos para a prática!

Antes disso, vale ressaltar que cada atividade serve apenas para fins didáticos e as mesmas devem ser pensadas sobre a ótica da complexidade do processo.

Vamos lá!

Atividade 1

Descrição
– Atividade de 4 X 4 + 1 coringa; o objetivo da equipe que está fora do quadrado é manter a posse de bola utilizando o coringa colocado entre as linhas de marcação da equipe dentro do quadrado. Por sua vez, a equipe que se defende dentro do espaço é estimulada a pressionar o adversário mantendo sua estrutura organizada e compacta. Se a equipe recuperar a posse de bola, os papéis se invertem entre as equipes.

Regras e Pontuação
– Equipe marca 1 ponto quando trocar 5 passes.
– Equipe marca 2 pontos se fizer um passe certo para o coringa e o mesmo devolver o passe para qualquer jogador da mesma equipe.

Atividade 2

Descrição
– Atividade de 7 X 7 + 2 coringas; atividade realizada em meio-campo, em que o objetivo das equipes é explorar possíveis espaços entre as linhas de marcação do adversário. Os dois coringas jogarão sempre entre as linhas de marcação da equipe que está sem a posse de bola, estimulando, assim, a equipe a manter a sua compactação defensiva e jogar em bloco quando recuar ou avançar no campo de jogo para pressionar o adversário.

Regras e Pontuação

Ataque
– Equipe marca 3 pontos se fizer o gol.
– Equipe marca 1 ponto quando fizer um passe para um dos coringas entre as linhas de marcação do adversário e o mesmo devolver o passe para qualquer jogador da equipe.

Defesa
– Equipe marca 2 pontos se trocar 8 passes entre si.
– Equipe marca 1 ponto quando fizer um passe para um dos coringas entre as linhas de marcação do adversário e o mesmo devolver o passe para qualquer jogador da equipe.

Atividade 3

Descrição
– Atividade de 11 X 11, coletivo com regras adaptadas. O campo será dividido em 6 faixas. A equipe que se defende deve ocupar as duas faixas subsequentes à região da bola, ou seja, se a bola estiver na faixa 2, a equipe deve ocupar as faixas 2 e 3. Exceto quando a bola estiver na faixa 1 – neste caso, a equipe pode ocupar 3 faixas (1, 2 e 3).

Regras e Pontuação

-Equipes marcam 3 pontos quando fizer o gol.

– Equipes perdem 1 ponto quando não estiverem nas faixas corretas do campo.

Chegamos ao fim do segundo capítulo!

Criem os seus, agora, que a série continua!

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br