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Ressurreição

Na última semana, passamos pela Páscoa e por uma famigerada Sexta-Feira 13.

A Páscoa encerra, em seu simbolismo, a fé na ressurreição de Jesus Cristo que, ao dar sua vida e seu sangue pelos cristãos, representa a paixão e o amor pelo próximo – um dos principais preceitos do cristianismo.

Relata-se que Jesus Cristo pregou aos seus discípulos e apóstolos o amor incondicional ao próximo como grande meio de transformar a sociedade da época.

Sua simplicidade e intensidade naquilo que pregava e, principalmente praticava, fez com que se tornasse um grande líder, carismático e também verdadeiro.

Entretanto, isso incomodava as lideranças políticas do Império Romano.

Eis que resolvem pela sua crucificação exemplar, não sem, antes, passar por sofrimento e humilhação em praça pública, rumo ao Calvário.

Já a “maldita” Sexta-Feira 13 carrega o misticismo de estar ligada à bruxaria, à má sorte, ao ocultismo e à danação.

A origem dessa história remonta às crenças de alguns povos nórdicos, em que Friga, deusa da beleza e do amor, foi transformada em bruxa, passando a se reunir com outras 11 bruxas e o diabo às sextas-feiras, praguejando contra todos.

A data inspirou Hollywood a criar Jason Vorhees, da famosa série de filmes chamada “Sexta-Feira 13”.

Na série, Jason é um estudante que morre afogado numa viagem com os colegas de escola, mas ressuscita para se vingar de todos. Acaba se vingando mesmo, em uns 10 filmes. Haja vingança.

No caso de Jason, a ressurreição lhe convém apenas para repetir aquilo que sempre fez – buscar vingança – e que não lhe permite a paz do descanso. É um eterno recomeço.

Ressuscitar. Ressurgir. Uma questão de fé, de paixão, de força, de atitude de sabedoria.

Acima de tudo, de resignação ante a premissa de que, para ressuscitar, é preciso morrer.

E, na vida, temos muitas “mortes” simbólicas. Fim de relacionamento, mudança de emprego, término de amizade, bancarrota financeira…

O futebol, no Brasil e também lá fora, tem exemplos de ressurreição institucional bastante evidentes a seu tempo.

Internacional, Santos, Atlético Paranaense por aqui. Napoli, Milan, Manchester City, Tottenham, a própria Uefa, ao se “desconectar” da dependência da Fifa.

O futebol brasileiro, em especial no âmbito da gestão corporativa e da formação de talentos, precisa reconhecer que está, no mínimo, rumo ao Calvário.

E que, se for crucificado, sim, tenhamos fé, paixão, força e sabedoria para ressuscitá-lo visando um novo começo.

Não um simples recomeço.

A diferença pode ser sutil, mas recomeçar pode remeter ao ponto de onde se havia parado.

Como o personagem Jason Vorhees – sem evolução no que pratica.

Um novo começo é, de fato, novo caminho.

Será que conseguimos?

Eis o mistério da fé.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

 

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Os ensinamentos de Felipão e o desenvolvimento do cabeceio – parte I: analisando o jogo

No exato momento em que me preparava para escrever minha coluna semanal, recebei um e-mail de Sir Gheorge Randsford com um texto que tinha como manchete “Após erros na bola aérea, Felipão põe jogadores para pular no Palmeiras”.
Só com a manchete já fiquei intrigado.
Será que temos um treino revolucionário baseado no “pular” que resolverá os problemas da bola aérea?
Comecei a ler a matéria e me deparei com a seguinte descrição do treino:
“Durante parte de treino desta quarta-feira, Scolari utilizou uma espécie de forca. Amarrou uma corda em uma bola no alto e obrigou os zagueiros, laterais e mais o volante Chico a tentar alcançá-la com a cabeça…”.
A explicação para esse tipo de trabalho foi que na derrota para o Guarani na última rodada a equipe tomara três gols em jogadas originadas em bolas paradas.
Bom, antes de discutirmos o treino, precisamos olhar para o jogo e observar os problemas apresentados pela equipe, a fim de agir na origem dos mesmos.
Não vamos discutir o jogo todo, mas os gols em questão a fim de entender as declaração e o treino de nosso amigo treinador.
Vejamos os gols:

A altura do salto foi a diferença determinante nos gols?
Vamos lá!
Em uma análise geral, podemos observar que nos dois primeiros gols a organização defensiva de bola parada da equipe da capital apresentou problemas.
Nesses momentos do jogo (bola parada defensiva), a equipe tinha como referência uma marcação individual aos pares.
No primeiro gol, o atacante Barcos (189 cm), marcador direto do atacante do Guarani Bruno Mendes (184 cm), não fez a marcação individual como deveria ser feita.
Barcos, por sua vez, não fez o treino com a forca do Felipão e tem 5 cm a mais do que o atacante do Guarani. Saltar foi o problema?
Além disso, do ponto de vista coletivo, a equipe palmeirense não apresentou relações fortes dentro do sistema – parecia que cada jogador obedecia a referências próprias, que por sua vez não eram muito bem elaboradas do ponto de vista organizacional e da lógica do jogo.
Dá a impressão de que se um atleta errar o sistema não vai conseguir se reorganizar rapidamente e corrigir o erro…
No lance houve alguns erros: no primeiro, o jogador do Guarani sobe sozinho e desvia a bola para o gol.

No rebote do goleiro, a marcação individual falha de novo e o zagueiro Neto, do Guarani, marca.

Vejam que nesse lance o jogo se resumiu a confrontos individuais. Treinado o salto vou “reforçar” a ação individual ou a ação coletiva?
Entendam que treinar o “salto” ou outra capacidade física é importante se temos a complexidade como pano de fundo, mas treinar apenas o “salto” para resolver os problemas do jogo não me parece uma ação muito boa.
No segundo gol, a marcação individual ocorre da mesma forma. Como a falta é mais próximo à linha de fundo, temos um jogador marcando por zona (bola baixa), que não ajudou muito na origem da jogada.

Na sequência, o atacante do Guarani antecipa seu marcador, e o jogador que está na bola baixa, cabeceando a bola na trave.

No rebote, a bola cai no espaço mal ocupado pela defesa (esse espaço está mal ocupado, pois a equipe do Palmeiras se preocupa em marcar os jogadores e não em controlar os espaços do jogo) e o atleta que está no rebote da equipe de Campinas antecipa o seu marcador que chega atrasado e faz o pênalti.
No terceiro gol, a jogada é de contra-ataque. Vejam que no início a equipe do Palmeiras não está estruturada para a transição defensiva na região próxima à perda da posse de bola e não há zonas de pressão nesses espaços; sendo assim, o Guarani consegue progredir no campo de jogo e aproveitar o contra-ataque.

Após conduzir a bola por muitos metros, o jogador do Guarani encontra um passe, aproveitando-se da falha palmeirense.

No fim da jogada, novamente o atacante do Guarani antecipou a defesa e marcou o gol.

Vejam que em cada um dos gols o “salto”, ou a ação motora do jogador, foi uma parte, mas não o todo!
Um ponto a ser destacado é que pela dificuldade coletiva das equipes (isso é um reflexo de nosso futebol), em muitos lances o que se pode observar são confrontos 1×1.
Será que isso é bom?
Será que esse é um sintoma de nosso olhar fragmentador sobre o jogo?
Será que por isso olhamos para o “salto” e não para o jogo como um todo?
Deixo um desafio: pense em cada um dos gols e reflita sobre como podemos corrigir os erros de forma coletiva através de atividades práticas de campo.
Nas próximas colunas, continuo essa discussão e pretendo apresentar atividades complexas para desenvolver o jogar em cada uma dessas situações.
Até a próxima!
Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br
 

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Você se faz entender?

Saudações a todos!

Existem muitas formas de comunicação: escrita, visual, auditiva, falada, por meio de gestos. Nesta coluna ficarei apenas nas formas falada e escrita para provocar um pouco de reflexão.

Tenho visto muitas confusões desnecessárias em empresas, iniciadas por conta de uma simples troca de e-mails. Essas mensagens, que muitas vezes levaram menos de 30 segundos para serem escritas, em alguns casos geram tanto desconforto que exigem vários dias de conversa para normalizar os ambientes e, em situações mais graves, não têm mais conserto, criando animosidades entre pessoas e até áreas inteiras.

E por que isso acontece? Na grande maioria dos casos, a confusão começa porque quem escreveu o e-mail não conseguiu passar de forma clara a sua mensagem. A falta de clareza nos detalhes, que podem ser interpretados de forma equivocada quando não são muito bem explicados, abre margem para interpretações equivocadas. Ao não entender, o seu interlocutor, motivado pela fúria ou decepção, responde o e-mail também de forma inadequada, e aí começa a troca “torta” de e-mails. Em geral, a confusão só termina quando alguém, normalmente de nível hierárquico superior, interfere e sentencia: “Chega! Vocês precisam conversar pessoalmente”.

Em alguns casos a conversa pessoal resolve, apesar do tempo perdido, sem deixar marcas. Já em outros casos, a situação é incontornável e as consequências chegam inclusive a demissões.

Mas é possível evitar isso? Sim, possível e muito fácil. Existem várias formas, basta praticar.

Vejam alguns exemplos:

Se você precisa falar algo importante ou relevante para alguém que está próximo, no mesmo andar ou no mesmo prédio, ao invés de mandar um e-mail, vá até ela, fale sobre o assunto, explique os detalhes. O olho no olho, além de ser mais direto, é mais simpático e gera melhores resultados. Depois de falar pessoalmente, você pode formalizar a conversa, mas aí o destinatário já conhecerá os detalhes do assunto e não existirá o risco de o e-mail ser interpretado de forma errada. Só fique atento para não escrever nada diferente do que foi combinado pessoalmente.

Se a pessoa que você precisa falar não está próxima, ligue antes de enviar o e-mail e explique os detalhes do que quer transmitir. Pelo tom de voz e maneira como flui a conversa, você identificará se o assunto está sendo entendido corretamente pelo seu interlocutor, se sua forma de falar está agradando e poderá inclusive adequar a forma de transmitir seu recado. Após o bate papo por telefone, formalize por e-mail.

Nas minhas empresas (não olhem a expressão de maneira pejorativa), eu instituí o termo “TBC – Tire a Bunda da Cadeira”, e os resultados foram imediatos: problemas resolvidos de forma mais rápida e eficaz, sem confusões!

Uma de minhas filosofias de gestão é valorizar e apoiar os profissionais resolvedores de problemas, exceto os que resolvem problemas que nunca precisariam ter existido por sua ação ou omissão.

Após ler minhas “recomendações”, os mais pessimistas questionarão se isto é o fim do e-mail e a volta aos tempos das cavernas. Claro que não! O e-mail ainda existirá por um bom tempo (as redes sociais são potenciais substitutos, mas esse é assunto para outra coluna) e continuará sendo muito importante, resolvendo de maneira rápida e eficaz vários assuntos, mesmo sem um conversa prévia. Mas acredito que o olho no olho, o bate-papo e o TBC são instrumentos fundamentais para evitar desinteligências corporativas.

É isto, pessoal! Reflitam e vejam se estão se fazendo entender.

Agora, intervalo. Vamos aos vestiários e nos vemos no próximo mês!

Abraços a todos!

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br  
 

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O caso Oscar

A mídia tem destacado a disputa jurídica entre o Sport Club Internacional e o São Paulo Futebol Clube.

Quando Oscar era menor de idade, tinha contrato com o São Paulo. O jogador foi emancipado, podendo assim estender seu vínculo com o clube paulista e assim o fez aos 16 anos.

Entretanto, ao completar 18 anos, o atleta propôs Ação Judicial para se desvincular do clube e o Magistrado, entendendo que o jogador havia sido lesado, sentenciou entendendo que o 2º contrato não era mais válido.

O fundamento da ação foi de que, quando tinha 16 anos, o atleta teria sido coagido pela diretoria do São Paulo a assinar um contrato com validade de três anos, o que é proibido pela Fifa. O atleta alegou, ainda, estar com os salários e FGTS atrasados.

Dessa forma, Oscar ficou livre para assinar com qualquer clube e foi contratado pelo Internacional.

O São Paulo recorreu, e o TRT reformou a decisão ao entender que o atleta Oscar não fora lesado, tendo a equipe paulista cumprido suas obrigações, e decidiu por validar o segundo contrato.

Com esta decisão, o São Paulo notificou a Federação Paulista de Futebol, que notificou a CBF, consequentemente a Federação Gaúcha.

Dessa forma, Oscar deveria se apresentar ao clube paulista, uma vez que seu contrato estava em vigor, e o seu contrato com o Inter, automaticamente, havia sido anulado.

A referida decisão foi descumprida e o atleta atuou pelo Internacional contra o Grêmio; eis que seu nome constava no Boletim Interno Diário (BID) da CBF (BID estava desatualizado em razão de recesso).

Posteriormente, a CBF registrou Oscar como atleta do São Paulo e comunicou a Federação Gaúcha e, enfim, o São Paulo volta a ter o jogador, o que o impede de atuar pelo Inter.

A grande questão é que, mesmo com a determinação da justiça, aparentemente, Oscar não quer voltar a vestir a camisa tricolor. Assim, com o imbróglio, perde todo mundo: o Internacional, que não pode escalar o jogador, o São Paulo, que não deve escalar um atleta insatisfeito, e o próprio jogador, que pode perder a oportunidade de disputar os Jogos Olímpicos de Londres, eis que está na pré-lista do Mano Menezes.

Portanto, a melhor saída para a questão é, de fato, um acordo entre todos os envolvidos a fim de que se minimizem os prejuízos e o jovem atleta possa retomar sua promissora carreira.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

 

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Não adianta culpar a Fifa pelos custos dos estádios

A Fifa, por meio de recomendações e exigências, coordena a organização do evento, bem como a construção dos estádios. Nos manuais entregues, partes são obrigatórias, partes são sugestivas, como a questão de sustentabilidade, por exemplo, recomendando que as cidades se preocupem com os destinos de lixos, embalagens, gastos energéticos, entre outros tópicos.

Até o estádio estar próximo à conclusão, a Fifa fica livre para fazer as sugestões e exigências que convierem e que possam fazer um evento melhor e mais saudável, desde que não interfira em algo já construído. No entanto, casos como a nova exigência de drenagem a vácuo podem, sim, ser contestados com argumentos financeiros e de viabilidade – falta de mão de obra adequada e o custo da mesma pode pesar, mas pode até mesmo desenvolver o setor, barateando o custo no país.

Índices pluviométricos podem ser argumentos válidos para contestar a possível exigência, o que, em Londres, por exemplo, seria difícil reverter. Não é impossível reverter a situação.

A Fifa não é incontestável, mas uma vez que o Brasil pediu para sediar o evento, é bom entender os motivos da entidade, desde que o país não tenha prejuízos enormes e custos posteriores injustificáveis. Os manuais da entidade são exigências gerais para seus eventos, não específicas para o Brasil, e vão aumentando a cada Copa, somando experiências positivas e negativas que cada sede teve.

No entanto, culpar a Fifa por custos extras nos estádios, não é o caminho. Claro que para o evento existe a necessidade de setores de hospitalidade, de camarotes e centros de mídia gigantescos que não são necessários em eventos menores, mas os benefícios que o país pode tirar com isso compensam e são espaços nos estádios (internos e externos) que podem ser convertidos para áreas e programas de atividades adequados para o período pós-Mundial.

Trata-se de um plano organizacional brasileiro, visando seus próprios interesses baseados nos trunfos do evento e nas suas limitações temporárias. Não se tratam de partes desmontáveis, como um dos nossos estádios propõe, mas de um programa de continuidade do projeto. Por exemplo, após o evento, saem camarotes (com mobiliário possivelmente alugado) e entram continuidade das arquibancadas, não redução de público, ou mudança de usos, pois é atitude errônea.

Basta ter um plano de projeto, visando usos de que a região precisa, que a população sente falta ou em acertar a fonte de renda que vai, de fato, sustentar o estádio e aumentar lucros e visibilidade dos clubes.

A Fifa não vai providenciar regras e sugestões para o lucro do Brasil, mas para a qualidade do evento Copa do Mundo. É aí que o Brasil não está se entendendo. As preocupações parecem estar voltadas somente para os custos e execução das “temíveis e absurdas” exigências. Deveriam, no entanto, ter dois comitês: o Comitê de Organização Local (COL) e um brasileiro, sem vínculo direto com a Fifa – pois nem é de interesse deles –, mas com poder de conversa e possível negociação, mesmo que através do COL, e que este comitê brasileiro seja responsável por criar estratégias para o país em geral e específicos para as cidades-sedes.

Poderia ter uma composição feita por diferentes áreas: empresários, comerciantes, turismólogos, arquitetos, urbanistas, etc., abrangendo, assim, todos os ramos.

O Brasil pode lucrar com cultura, restaurantes, hotéis, turismo em geral e comércio. Poderia ter este órgão com campanhas de marketing, criando atividades, slogans, que trabalhassem o Brasil como um todo, visando à captação de verba para o país com a Copa do Mundo. A Alemanha visava, com a Copa de 2006, mudar a imagem do cidadão carrancudo, mostrando que o povo pode ser amigo, carismático e hospitaleiro. Conseguiram reverter um pouco da imagem da Alemanha de Hitler. O Brasil tinha o intuito de valorizar a Copa Verde, mas isso não está nítido ainda, e pode não agrupar todos os setores que podem lucrar. A principal imagem ainda não é forte o suficiente. Há a necessidade de pensar nisso, e estamos perdendo o tempo útil.

Além de ser errado culpar a Fifa, é também uma desculpa, jogando a culpa enquanto não se olha para o próprio umbigo. Para um país que está reclamando de custos elevados dos estádios, nossas arenas deveriam, no mínimo, ter em seus projetos técnicas e materiais para palcos econômicos. Mas não: temos propostas com vidros e vidros espelhados que, no caso do Brasil, só trazem gastos com refrigeração. Temos banheiros climatizados que, embora possam trazer benefícios à segurança e diminuição de violência, ainda não preveem fontes de energia natural, ou seja, elevando os custos também.

E nada disso é exigência da Fifa, mas opção de projeto – culpa de arquitetos mal preparados e especializados ou dos comitês locais e clubes (clientes), que enxergam somente em curto prazo, ou até mesmo, culpa de corrupção e licitações duvidosas que privilegiam interesses de organizadores.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

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Treinadores lá e cá

O tema desta semana tem relação com um assunto que estamos batendo na tecla há algum tempo. Mas desta vez o estímulo vem do exterior. Mais precisamente de uma reportagem da Sports Illustrated, indicada e gentilmente traduzida pelo amigo Luiz Haas:

Vejam que as queixas sobre escolha de treinador de acordo com o perfil do clube não são de exclusividade das terras brasileiras.

Tradução de parte do texto: “Como encontrar o técnico certo”.

Destaques da história:

– Quando clubes procuram por novos treinadores, sempre existem filosofias contraditórias.

– Muitos clubes, salvo raras ocasiões, não possuem um plano de sucessão para o caso de precisarem mudar de treinador.

– Os clubes tomam decisões baseadas na reputação do treinador e não no seu perfil.

Em uma semana no mês passado, os jornais ingleses reportaram nomes que concorrem para ser o novo técnico do Chelsea. Pep Guardiola, foi reportado em alguns locais, terá uma oferta de um contrato aproximado de 40 milhões de libras isento de impostos, enquanto o The Times reportou que Laurent Blanc era o favorito. José Mourinho continua sendo uma possibilidade, afirmou o Daily Mail, enquanto o The Mirror vem ridicularizando que haja qualquer aproximação por conta das desavenças passadas com Roman Abramovich.

Quatro técnicos, todos no topo de suas profissões, porém cada um com filosofias e visões totalmente diferente de como o jogo deve ser jogado, como seus jogadores devem ser tratados e, principalmente, como eles encarariam o seu papel caso trabalhassem em Stanford Bridge.

Esse quarteto, que figura com destaque nas listas de apostas para o próximo técnico do Chelsea, lembra o levantamento que outros dois clubes possuíam quando procuravam técnicos na última temporada.

Na lista do Inter de Milão estavam: Gianpiero Gasperini, Fábio Capello e Bielsa; os cotados do Aston Villa eram: Steve McLaren, Alex McLeish, Rafa Benitez e Roberto Martinez. Nos dois casos, cada treinador parece diretamente o oposto um do outro.

Essas discrepâncias ocorrem quase todas as vezes que um novo cargo aparece no meio do futebol. Há alguns dias, por exemplo, foi reportado que a English FA logo estaria em contato com dois candidatos, sobre assumir o comando da seleção na Euro 2012: Roy Hodgson e Harry Redknapp. Ambos possuem pontos fortes, certamente, mas são muito diferentes em resultados e estilo.

O dilema sofrido pela diretoria do Manchester City neste verão, se o United mantiver a liderança da Premier League e ganhar o título, poderá centrar-se sobre a possibilidade de manter Roberto Mancini no comando; quem, se existe alguém, poderá fazer um trabalho melhor, enquanto o clube mantém a linha de busca incessante de alcance global e aceitação de seus fãs em termos mercadológicos?

Esse último ponto é importante: como Graham Hunter apontou em seu maravilhoso livro Barça: The making of The Greatest Team in the World, José Mourinho foi entrevistado para a posição de técnico antes de Pep Guardiola ser escolhido, mas insistiu que parte de sua função era de atuar como um centralizador. Essa não era a imagem que o Barcelona queria demonstrar e então eles procuraram comandantes em outro lugar.

Então: o que se passa pelo pensamento por trás de uma nomeação de um treinador? Esses clubes sabem alguma coisa que nós não sabemos? Estas foram as perguntas feitas a dois diretores executivos, um da Premier League e outro do Champions, por algumas orientações sobre como eles tratam da nomeação de um novo treinador.

Enfim, daí segue a matéria, que foi deixada apenas como degustação mesmo e para uma reflexão mais ampla sobre a forma como que contratamos pessoas para os clubes e seu alinhamento efetivo com a cultura destas organizações. Vale à pena a leitura completa do texto indicado no link.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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Jogos reduzidos: muitas ou poucas regras?

Após iniciar a discussão sobre as atividades práticas para o desenvolvimento de alguns princípios estruturais do jogo, recebi vários e-mails sobre as regras das atividades.

Bom, primeiro devemos entender que cada regra tem um objetivo e leva o jogo a uma determinada configuração, que por sua vez trará aos jogadores situações-problema específicas.

A especificidade das situações, em cada um dos jogos, deve ser vista como potencialidades e não exclusividades.

Por exemplo, em um jogo, a ênfase pode ser em determinada regra de ação, mas outros conteúdos do jogar estarão sendo desenvolvidos concomitantemente.

Isso quer dizer que uma regra serve para o desenvolvimento do todo, mas com ênfase em determinado comportamento; contudo, não podemos usar uma regra apenas para desenvolver todo o jogar da equipe!

Nesse ponto é que reside a complexidade das coisas e onde se cometem alguns erros.

Trazer a complexidade para as atividades, para os treinos e para o processo não significa ter atividades com muitas regras, muitos alvos, muitos cones, etc.

A complexidade está em definir atividades que ajam no jogar e no comportamento dos jogadores a partir de regras acessíveis e pontuais.

Isso é válido do sub-11 até o profissional.

Peço licença para um parêntese aqui: não existem atividades que só servem para o profissional ou para o sub-13.

Claro que em cada uma das categorias existem parâmetros a serem seguidos, mas nada impede que um jogo possa ser desenvolvido em um sub-17 e no profissional, por exemplo. O fato é que o processo é que dita o ritmo das coisas.

Se o processo vem sendo bem planejado desde as categorias menores, no profissional minha preocupação será quase que exclusivamente em preparar os jogadores para o jogo do fim de semana. Porém, se houver lacunas no processo, posso ter que aplicar atividades para o desenvolvimento de conteúdos do sub-11 na equipe principal.

Por isso volto a destacar: não podemos rotular uma atividade sem entender o contexto em que ela está e como será desenvolvida.

Fecha o parêntese e voltemos para as regras dos exercícios.

 

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Como estamos discutindo, a quantidade de regras não define a complexidade da atividade.

De que vale um jogo onde os jogadores não entendem ou demoram muito para entendê-lo?

Além disso, com muitas regras, preciso saber se as mesmas estão indo na mesma direção ou não!

Por exemplo, em uma atividade de 7×7, tenho as seguintes orientações:

-1 ponto se a equipe trocar cinco passes
-1 ponto se finalizar a bola em direção ao gol em até cinco segundos após a sua recuperação
-1 ponto se recuperar a bola no campo de ataque
-1 ponto se o goleiro fizer uma defesa completa
-3 pontos se fizer o gol

Como cada uma delas age no comportamento de jogo dos atletas? Como elas se relacionam? Os atletas estão habituados a esse tipo de estímulo?

Outro ponto fundamental é a questão da pontuação. Não adianta nada criar uma atividade com regras e não marcar a pontuação e nem estimular os jogadores a cumpri-las – dessa forma, a atividade perde totalmente seu sentido.

Como sempre, não tenho a receita pronta, mas devemos pensar em extrair a simplicidade da complexidade e agir no âmago do jogar tendo a lógica como pano de fundo.

Criem regras para isso e os resultados serão extraordinários, pois no fundo “a simplicidade é o último grau de sofisticação”. (Leonardo da Vinci)

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br
 

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Por que nós paramos na primeira página?

A intenção era muito positiva e, segundo estudiosos do comportamento humano, qualquer ação sempre terá uma intenção com esta característica. No entanto, os efeitos da investida do gerente de futebol do Flamengo, Manoel Jairo Santos, com a carta de orientação de conduta para os jogadores da equipe rubro-negra, não foram tão positivos como poderiam.

A solicitação por escrito de repouso, descanso e força de vontade para cumprir as tarefas propostas pela comissão técnica foi motivo de chacota entre os próprios jogadores e por grande parcela da mídia. A carta foi ignorada inclusive pelo treinador Joel Santana.

Na grande maioria dos veículos de informação, a discussão resumiu-se à banalização do ocorrido e ao caminho escolhido pelo gerente flamenguista, classificado como equivocado, para conseguir acessar os jogadores. Então, o resultado final do fato na perspectiva dos atletas foram alguns aviões de papel feitos com a carta e um comentário em comparação ao Barcelona, que não precisa de nada semelhante para ser o melhor time do mundo (mas também quase não tem jogadores brasileiros).

Será que algum jogador do Flamengo levou a sério as recomendações contidas na carta?

Será que no ano de 2012 o Flamengo figurará menos nas páginas policiais (lembram?) e sociais e surgirá nas páginas esportivas como campeão?

Será que haverá outras tentativas de conscientização profissional, realizadas pelos dirigentes, que se tornarão públicas?

Será que o Flamengo revelará dois ou três craques para o futebol nacional e, posteriormente, mundial?
Teremos estas respostas ao longo do ano!

Enquanto isso, para quem não trabalha no Flamengo e precisa lidar com problemas equivalentes (guardando as devidas proporções) em seu grupo de trabalho, ofereça um ambiente de discussões que levem à consciência profissional.

Há alguns meses, o executivo da Universidade do Futebol, Eduardo Tega, afirmou em seu blog que o diferencial das equipes que investem em formação deve ser a capacitação dos seus atletas. Na publicação, levou o leitor a compreensão de que o maior nível de conhecimento e consciência dos jogadores permitirão questionamentos e reflexões constantes dos métodos de trabalho aplicados por quaisquer que sejam seus treinadores.

E num cenário que esteja estabelecido um real ambiente de aprendizagem, o conhecimento e consciência adquiridos instigarão questionamentos e reflexões inclusive para assuntos extracampo, locais em que os atletas passam a maior parte de suas vidas.

Se bem orientados, os milhares de atletas, alojados ou não, que temos espalhados pelo país podem utilizar melhor seu tempo livre; com domínio do conhecimento do seu corpo, os jovens atletas têm condições de identificar um determinado tipo de lesão que sofreram e quais devem ser os procedimentos para a reabilitação; ciente de algumas questões nutricionais, os atletas podem diferenciar o porquê tomam Whey protein, creatina ou BCAA; podem também aprender sobre implicações legais de ter um filho e seu dever em assumi-lo, bem como os efeitos do excesso de álcool no organismo.

Estas propostas de capacitações são apenas alguns exemplos de um leque infinito de possibilidades que pode conter como temas: carreira, idiomas, informática, drogas, empresários, contrato profissional, livros, história do clube, adaptação em diferentes ambientes, sexo, fama, biografias, assédio, media training, entre outros.

É sabido que a grande maioria dos clubes brasileiros não tem condições de oferecer este tipo de capacitação, porém, entre ser omisso e não fazer absolutamente nada ou tentar por em prática o melhor possível diante das circunstâncias, existe uma diferença considerável.

Que iniciemos ou aperfeiçoemos os procedimentos de capacitação o quanto antes, pois, na atualidade, a cadeia produtiva do jogador de futebol brasileiro está proporcionando um produto final de qualidade questionável. A demanda existe, porém, é uma pena não conseguirmos atendê-la.

Que nos próximos fatos semelhantes ao do ocorrido na equipe carioca, tenhamos (todos os profissionais direta ou indiretamente relacionados ao futebol) capacidade de aprofundarmos a discussão, sairmos da primeira página e irmos além dos comentários e posicionamentos superficiais. Temos condições de sermos críticos quanto aos problemas e esmiuçá-los apresentando respostas.

Infelizmente, para nossa tristeza, dedicamos pouco tempo para questões que realmente importam e muito tempo para acontecimentos como o do vídeo “para nossa alegria”.

Felizmente, já existem clubes como o Audax-SP, que tem procurado capacitar seus atletas das mais diferentes formas e já estão bem longe da primeira página. Dar para cada jogador do clube um exemplar de um livro recém-publicado sobre a trajetória futebolística e realidade do futebol brasileiro escritas por um grande jogador, é um excelente exemplo.

Enfim, inevitavelmente, para que os clubes brasileiros consigam ter as exigências competitivas do futebol moderno atendidas e suportem uma alta intensidade de jogo durante os 90 minutos, o nível de capacitação dos jogadores deverá ser o de excelência. Se existe uma solução para isto: a Faculdade do Atleta! Utópica por enquanto, mas necessária se quisermos voltar a ditar o ritmo do futebol mundial. Para isso, temos que avançar as páginas…

Obs: O Flamengo não suportou o final do jogo e sofreu a derrota para o Emelec-QUE. Mera coincidência ou faltou aquilo que o Jairo cobrou?

Por motivos profissionais, retorno à coluna no dia 21/04/2012.

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br
 

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Os direitos e o respeito ao torcedor como investimento com retorno esportivo e financeiro

No último domingo fiz uma participação no Esporte Espetacular, da Rede Globo, em uma reportagem sobre a violência nos estádios de futebol e um dos convidados destacou o quanto os clubes perdem com o desrespeito aos direitos dos torcedores.

O fato é que o futebol movimenta, anualmente, bilhões de dólares. Além disso, milhões de empregos são criados direta e indiretamente e a paixão pelo esporte transforma cada um dos habitantes do planeta Terra em torcedor e, por consequência, em um consumidor em potencial.

Como todo consumidor, o torcedor é um sujeito de direitos e deve tê-los respeitados, sobretudo levando-se em consideração o fato de que o futebol deve sua magnitude global justamente à imensa paixão despertada nas multidões.

Por esta razão, cada vez mais, surge a necessidade de legislações específicas a estes consumidores do esporte, bem como a adequação dos clubes aos anseios de seu torcedor.

O respeito aos torcedores traz resultado financeiro e esportivo ao clube, como se observa de iniciativas vencedoras de representantes europeus como o Barcelona e, notadamente os ingleses da “Premier League” e de clubes sul-americanos, especialmente o Internacional, de Porto Alegre. Todos conhecidos mundialmente pelas conquistas.

O torcedor, consumidor, cada vez mais exigente, irracional e apaixonado por natureza, capaz de, por essa paixão, distorcer a realidade em benefício de seu clube de coração, deve ser tratado como protagosnista.

Dentre os inúmeros direitos atinentes aos cuidados para com o torcedor extraem-se alguns imprescindíveis para garantir o interesse pelo esporte.

Inicialmente, as competições devem possuir regulamentos transparentes respaldados em critérios técnicos, bem como a arbitragem deve ser justa e independente.

A venda de ingressos deve ser realizada de forma organizada, com plenas informações, de forma a garantir celeridade, eficiência e segurança. Além disso, os ingressos devem ser vendidos em diversos locais e, por meio eletrônico, especialmente, pela Rede Mundial de Computadores.

Os estádios devem ser acessíveis por meio de transportes urbanos de qualidade, tais como metrô, trem urbano e ônibus.

Os estádios devem possuir infraestrutura com estacionamento, restaurantes, banheiros e o acesso às suas dependências deve ser amplo, permitindo que a entrada ocorra sem tumulto, além de se assegurar o acesso de deficientes físicos.

O torcedor tem o direito de receber as informações do evento ao adentrar ao estádio, por meio de recepcionistas, ou de centrais de atendimento ao torcedor (ouvidorias), bem como de acomodar-se em assento confortável e de mesmo número de seu bilhete.

Por fim, a segurança do torcedor deve ser garantida não somente no interior dos estádios durante os eventos esportivos, mas em todo o entorno do estádio antes e logo após a partida.

Policiamento ostensivo, punições rigorosas aos torcedores violentos, monitoramento por meio de câmeras e limitação de acesso a quem não possua ingresso são formas de atingir-se a segurança.

Medidas como as expostas, além de trazer ao consumidor do evento esportivo uma série de benefícios, trarão aos clubes e ao evento maior atratividade e fidelidade.

Torcedores bem tratados e satisfeitos são sinônimo de estádios e cofres cheios, pois, neste contexto, independente dos resultados esportivos, a venda de ingressos, de jogos pelo sistema “pay-per-view” e de produtos licenciados atingiriam patamares elevados.

O resultado de medidas assecuratórias dos direitos do torcedor pode ser constado pelas arrecadações[1] da “Premier League” inglesa, terceira liga que mais rentável do mundo[2], que recentemente superou a NBA e está atrás, apenas, das norte-americanas MLB (beisebol) e da NFL (futebol americano), respectivamente.

Os jogos da Liga Inglesa têm estádios cheios, independente da colocação do clube na tabela, com ocupação de 91%[3], sendo que o Manchester United possui média de público de 70 mil torcedores.

A fidelidade do torcedor inglês coloca nove clubes daquele país na lista do vinte e cinco mais ricos do mundo[4], dois na lista dos dez mais valiosos em todas as modalidades[5] e três entre os seis com patrocínios mais valiosos na camisa[6].

Ademais, o respeito aos torcedores conduz ao resultado esportivo, como se apreende do Barcelona e, na América do Sul, do Inter, primeiro clube brasileiro com ISO 9001.

O Barcelona é o atual campeão espanhol, da Copa da Espanha (Copa do Rei), da Supercopa da Espanha, da Uefa Champions League e do Mundial de Clubes da Fifa, e o Internacional, desde que iniciou o processo de estruturação para o seu torcedor, em meados da década passada, conquistou a Libertadores da América e o Mundial em 2006 e a Copa Sulamericana em 2007[7] tendo sido, em 2009, vice-campeão brasileiro e da Copa do Brasil.

Assim, mais do que atender aos direitos da imensa comunidade de torcedores, a atenção aos seus anseios corresponde a um investimento com retorno financeiro, de visibilidade e em títulos.

 

 

[1] http://www.terra.com.br/esportes/futebol/financeiro/index.htm

[2] http://www.futebolfinance.com/premier-league-3%c2%ba-maior-facturacao-entre-as-ligas-profissionais

[3] http://www.futebolfinance.com/o-numero-de-espectadores-nos-estadios-%e2%80%93-dezembro-2009

[4] http://www.futebolfinance.com/forbes-most-valuable-soccer-teams-2009

[5] http://www.futebolfinance.com/os-10-clubes-mais-valiosos-de-todos-os-desportos

[6] http://www.futebolfinance.com/ranking-de-patrocinios-nas-camisolas-200910

[7] Equivalente à Liga UEFA

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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Estádios trabalham com e para o marketing

Esta semana foi anunciada a notícia de que o Corinthians pode ter um estátua de São Jorge, padroeiro do time, em frente à arena que está sendo construída em Itaquera, com altura equivalente ao Cristo Redentor (RJ).

O fato tem gerado muitas críticas, inclusive com a estátua sendo chamada de “cafona”. Fato é que, cafona ou não – e isso depende de gosto pessoal e não de técnicas –, é uma boa tentativa de atração de capital e atenção para o estádio.

Um relatório elaborado pela consultoria esportiva BDO RCS perante as rendas dos 25 clubes com maiores receitas no Brasil, em 2010, apresentava a seguinte porcentagem de suas várias fontes de renda:

•28% Cotas de TV;
•17% Patrocínio e publicidade;
•15% Transferências de atletas;
•14% Social e Amador;
•12% Bilheteria;
•14% Outras fontes de renda.

Neste estudo, consagra-se o fato de as bilheterias jamais sustentaram um estádio financeiramente, afinal, ele mal representa os lucros do estádio que, por sua vez, tem gastos muito grandes. Além disso, mostra que o marketing também tem pouca parcela nos lucros.

O Barcelona tem 30% de suas receitas provenientes do Camp Nou*, seu estádio. Isso se tornou possível pelo trabalho de marketing em cima da casa do clube, aproveitando a paixão clubística para agregar valor ao estádio, e tornando-o o símbolo máximo do time – inclusive, a proposta arquitetônica para a reforma do local, feita pelo renomado arquiteto inglês Norman Foster, em 2007, tende a aumentar ainda mais a receita do time ao melhorar a imagem da casa, como também torná-lo um marco arquitetônico de prestígio.

 


 

Com a estátua, o Corinthians mostra que tem a mesma intenção de começar o que o Barcelona já possui. É um longo caminho, mas como o clube não tem intuito de receber shows musicais em seu estádio, a grande virtude será vender o espetáculo do futebol com primor, com um estádio confortável, gerar um ambiente interessante para atrair mais visitas guiadas – das quais o Allianz Arena, de Munique, e o estádio Olímpico de Beijing recebem uma boa renda –, e criar ambientes que possam dar vida e renda diária.

O Santos, no entanto, já tenta obter a marca mundial com uma estratégia diferente, fortalecendo a imagem fora do país com amistosos, mantendo Neymar e proporcionando, desta forma, o espetáculo. Para manter o atleta, o clube praiano fez estudos da renda do atleta com patrocínios diretos que aumentaram muito seu patrimônio.

Já o Internacional, no Brasil, é o clube que tem mais receitas vindas de sua casa, libertando-se da dependência da bilheteria, sendo um dos clubes com mais sócio-torcedores do mundo.

A Copa está próxima e o lucro que cada um dos estádios pode ter vai depender de bons projetos arquitetônicos para que as estratégias de marketing fiquem mais livres para obter resultados relevantes.

Lucros podem vir de “naming rights”, espaços publicitários nos estádios, restaurantes característicos do clube, lojas oficiais (como a loja conceito dentro do Morumbi), espaços de cultura (como museu do clube e exposições temáticas) e também camarotes que atraiam mais empresas, mulheres e crianças, conferindo rendas mais altas ao equipamento.

*Fonte: Revista Conselhos, Ano 02, Edição 11

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br