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Cidade-sede: Cuiabá

Dou início nesta semana, como relatado na coluna anterior, aos relatos técnicos dos estádios de cada cidade. Inicio já com uma cidade que a meu ver foi muito polêmica e talvez por falta de escrúpulos, já que trocou, repentinamente, o projeto com o qual conseguiu a vaga para ser cidade-sede por outro bem inferior. Mas, calma, vou mostrar o porquê dessa inferioridade.

Com recursos da linguagem, a justificativa da arena é baseada em palavras que não condizem com o projeto e que, infelizmente, conquistam opiniões errôneas. Trata-se de uma arena onde boa parte dela é desmontável. Inicialmente isso parece ser bom, já que muita gente acredita que a Copa nem deveria ser levada à Cuiabá – embora em discorde bastante disso por motivos democráticos e de lucros reais com o evento no Brasil através de transporte, cultura e promoção do país como destino turístico variado.

No entanto, investir o montante de R$ 454,2 milhões através do governo do Mato Grosso, sendo que muita coisa será retirada, ou seja, não ficará para a cidade, transforma o custo da arena em um desperdício enorme de dinheiro. Mas, claro, tem uma justificativa de que a Fifa exige demais e as partes “desnecessárias” e que a cidade não comportaria depois devido ao público médio ser baixo devem ser desmontadas. Ou seja, de nada vale o investimento da Copa para incentivar o esporte local. Fazer bons projetos com arquitetura de manutenção baixa também não é conveniente pelo jeito.

Mas vamos ao projeto e as características positivas e negativas do mesmo:

– Visibilidade:

Segundo o gráfico acima, as zonas em azul são consideradas de visibilidade ótima perante o padrão da Fifa. Já o pontilhado é o limite máximo de distância que um torcedor pode ter do campo. Portanto, a visibilidade do estádio é muito boa, vendo que somente os pontos mais extremos das arquibancadas atrás dos gols ficam próximos a este limite. O limite é baseado na capacidade de uma pessoa enxergar uma bola. Vendo pelo melhor lado possível, são estas arquibancadas que serão desmontadas, portanto, após o evento, a visibilidade será ainda melhor.

– Estrutura metálica:

Há algumas décadas havia um preconceito com o custo inicial de estruturas metálicas. Hoje são bem aceitas, visto que elas minimizam o tempo de conclusão da obra. Além de reduzir custos de mão de obra, facilitará para a organização da cidade para a Copa do Mundo, podendo mais facilmente conseguir concluir suas obras dentro do cronograma sem sofrer com a especulação da mídia internacional.

– Ventilação:

Já saliento que não sou especialista em conforto ambiental, mas na graduação temos uma noção da área. Abaixo, o gráfico (que não passaria de semestre) e uma foto do futuro estádio:

Como podemos ver na perspectiva, o elemento com brises (aletas direcionadas e responsáveis por barrar a incidência do sol) tem seu tamanho variável. Esta variação faz com que a entrada de ar quente, representada no gráfico pela seta vermelha, não seja cumprida ou sendo bastante minimizada ao longo da fachada, diminuindo conforme o tamanho dele aumenta. Portanto, a ventilação é falha.

Há a ventilação como o sistema nas laterais esquerdas de cada fachada, o que não ocorre no lado oposto. Se há a diminuição da entrada de ar quente, a seta em azul claro, representando o ar resfriado pela exaustão (em azul), também não funcionará da mesma forma, pois o ar não atinge os setores adequados. Há uma necessidade de um estudo horizontal, em planta, para ver se há alguma forma disso funcionar.

– Posicionamento do telão:

Não há muito a dizer. Como a estrutura atrás dos gols será retirada, de nada adianta colocar ali os telões. Mas reparem no local previsto para o mesmo na imagem abaixo: no gramado na “curva” do estádio. Não há lugar pior! Mas, até aí, não é dos piores equívocos do projeto.


 

– Implantação, segurança e acessibilidade:

A implantação mostra uma falta de cuidado de pisos para evacuação do local em casos de emergência. O ideal é fazer um sistema radiação de saída, para que as pessoas se espalhem em direções opostas em momento de pânico. Mas este não é o único estádio que não prevê nada neste sentido.

O ponto mais incompreensível deste estádio é a colocação de restaurantes e coperias na parte externa e não sob as arquibancadas. Eles negam o estádio e funciona como gasto extra, com edifício independente, sem criar vínculo com a imagem de estádio e que poderia valorizar muito mais seu espaço.

Legenda da foto segundo o Portal da Copa, baseado nas informações da GCP Arquitetos (autor do projeto): 1 – espelho d’água; 2- restaurante; 3- Choperias; 4 – Playground; 5- Escalinata; 7- Centro de mídia; 9- TV compound; 10- Hospitality Village.

*Quem tem interesse em saber o que é o 6 e 11? Ninguém, certo? E pra quê colocar o número 8?

** Na imagem acima, o Norte não é identificado, mas pesquisei e ele esta para esquerda.

Os estacionamentos parecem estar jogados no terreno, sem muita organização, e as saídas são poucas, o que pode gerar tráfego intenso durante a Copa e se for usado depois, também. O número 11 trata-se da parte de piscinas – mais um erro sob meu olhar.

O governo é famoso por seu descaso em relação a este tipo de equipamento público e o custo é grande – também não há motivo para não colocá-los sob as arquibancadas, nem que isso fizesse com que o revestimento externo do estádio fosse mais afastado. Seriam equipamentos mais profissionais, mais adequados ao público e com manutenção unida ao estádio, não isolada. Aí, sim, se tornaria uma arena multifuncional (múltiplas práticas esportivas), por exemplo, e não um complexo esportivo injustificável, com gastos isolados onde um não ajuda na sustentabilidade financeira do outro.

Acima, o desenho de piso, sem trabalho de fluxos e com vegetação aleatória e não direcional.

Na imagem acima, também podemos ver o que é a “escalinata”, no canto superior esquerdo. Uma afronta, sem dúvida, à acessibilidade. Infelizmente, são poucos os estádios que disponibilizam as plantas dos projetos; então está, por ora, difícil de analisar este ponto na parte interna do estádio.

– Sustentabilidade:

Colocar meia dúzia de árvores dentro do estádio não o torna, nem de longe, sustentável. Nem mesmo a mera captação de água da chuva. Pudemos ver que a ventilação não está muito adequada e o clima de Cuiabá é quente e bastante úmido. Portanto, era necessidade básica garantir a ventilação e conforto ambiental sem utilizar condicionamento do ar, ou compensando-o. Mas a Fifa não faz exigências rígidas, dá orientações de pontos a serem estudados, mas sem regras.

O Brasil, que queria ter uma Copa verde para potencializar os negócios futuros, perde, também por meio de
Cuiabá, por não ter soluções interessantes que chamem atenção para o tema.

– Usos e a remoção das estruturas:

Uma das justificativas para a remoção da cobertura e arquibancadas seria o uso da arena para feiras agropecuárias – um potencial para a região. No entanto, não é muito claro como isso vai acontecer. O uso do gramado para tal evento seria um absurdo contra o gramado e contra o futebol (atividade que deve ser a principal do equipamento), mas o acesso de maquinários é complicado se não houver mudança na fachada também, ou este será desmontável também?

São muitas questões, discursos vazios e projetos não muito detalhados. Espero futuramente poder ter acesso a materiais mais técnicos e não tão comerciais para conseguir enxergar além de palavras vazias e 3Ds bonitos.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

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Inconstância não é regra

Inconstância não é regra, não serve como parâmetro e não deve ser modelo a ser seguido. Primeiro, que o próprio nome já diz tudo, sendo sinônimo de instabilidade, variação, diversidade e por aí vai.

Contudo, a opinião pública, de um modo geral, ignora completamente esta prerrogativa. Trata resultados extraordinários como ordinários, tanto quando algum clube sobe ou desce de divisão ou mesmo faz uma campanha pontual com algum destaque.

Os casos mais recentes, de Ponte Preta, Guarani e Portuguesa, são os que mais saltam os olhos. Até dezembro, a Lusa (ou “Barcelusa”) era exemplo de gestão, por conta da campanha feita na Série B, que a trouxe novamente para a Série A. Hoje, pouco mais de quatro meses depois, críticas duras são feitas ao clube pelo rebaixamento no Campeonato Paulista.

Os tradicionais clubes de Campinas seguem uma máxima muito semelhante. Ponte Preta e Guarani vivem momentos de fama após alguns anos no ostracismo. O Bugre, mesmo, esteve mais próximo das páginas policiais ao invés dos cadernos esportivos – isto há pouco tempo.

Enfim, ficamos nos exemplos paulistas apenas para não ultrapassar o espaço desta coluna, mas a narrativa e os casos neste nível são vastos. Serve para reforçar que o conceito de gestão profissional é complexo, ao contrário do que muita gente pensa, e está longe de ser sinônimo de semifinal de campeonato ou resultado pontual em competições em um espaço curto de tempo.

Gestão profissional é fruto de um processo linear e constante. Tende a seguir um padrão ao longo do tempo. É, de fato, uma forma contínua de conhecimento interno e externo visando ao desenvolvimento organizacional no longo prazo.

Assim, como ninguém (ou poucos clubes) adota um modelo de gestão profissional, sendo que até mesmo os grandes clubes possuem dificuldade de a implantar de maneira perene, é possível, sim, imaginar que juntando alguns bons jogadores com um treinador que “grita bem alto” na beira do campo pode-se acabar conquistando resultados pontuais de expressão.

Mas não se espantem se os mesmos jogadores, com o mesmo treinador, forem rebaixados no ano seguinte. Aquele velho ditado serve muito bem: “em terra de cegos, quem tem olho é rei”.

O fato é que inúmeros fatores conduzem a um resultado extraordinário e o mesmo não está intrinsecamente ligado aos 11 (ou 30) jogadores e sua respectiva comissão técnica. Todas as vezes que temos o componente humano como o ponto central para que isto ocorra, a instabilidade está presente permanentemente. A forma de controlá-la (ou minimizar os sobressaltos) em um ambiente instável como o futebol é a partir de um longo processo de gestão, que abrace desde a parte técnica até a área administrativa e de negócios do clube.

Desta maneira, encerramos para dizer que pode ser verdade que os resultados extraordinários de hoje dos exemplos citados podem ser um indicador de início de um trabalho sério de profissionalização. Mas esta resposta só conseguiremos dar daqui a pelo menos 10 anos, que é um período razoável para a inserção de uma cultura de administração profissional. Aos colegas do Estado de São Paulo, será que conseguimos perceber este indício aí nos clubes citados como exemplo?

E que tratemos a inconstância tal e qual ela é: INCONSTANTE.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

 

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Além do escudo: os clubes de futebol como marca

A definição de marca acompanhou a transformação de hábitos de consumo da sociedade e a evolução do mercado publicitário. Deixou de ser apenas “um nome, símbolo ou design que identifica o produto ou serviço de uma empresa” para ser “o que pessoas falam, sentem e pensam sobre seu produto, serviços ou empresa”.

Os casos mais bem sucedidos de empresas que nos últimos anos transformaram suas marcas em conceitos e experiências incluem Coca-Cola, Disney e Red Bull. Sua marcas vão muito além de sua logomarcas e conseguem despertar nas pessoas visões de alegria, magia e ação, tudo graças a ações publicitárias, conteúdo de mídia e ativações criativas.

Pense na marca de cerveja Skol. O que vem a sua cabeça? A seta vermelha rodopiando em formato de “O” ou a visão de verão, praia, gente jovem e amigos? Ou será que é a visão daquela tremenda ressaca que você teve no último churrasco? Sim, porque marcas também estão ligadas a experiências do consumidor.

Foi justamente definindo suas marcas e mantendo suas ações de marketing fiéis a conceitos estruturados que as principais organizações com foco no consumidor conseguiram estabelecer um relacionamento que vai além da simples compra para incorporar conceitos de fidelidade, advocacia e admiração. Com clubes de futebol não deveria ser diferente. Pelo contrário, o esporte proporciona valores experiências tão fortes que são capazes de fortalecer até marcas através da simples associação. O chamado patrocínio esportivo.

Porém, enquanto empresas se esforçam para agregar valores a suas marcas através do esporte, a maioria dos clubes brasileiros parece estar presa à velha definição de marca. De fato, me proponho a dizer que a maioria dos clubes brasileiros não possui uma verdadeira marca.

Imagino agora os protestos de alguns dirigentes: “o clube possui mais de 500 produtos licenciados, como assim não temos marca?”. Ou alguns especialistas financeiros dizendo: “li um relatório que dizia que o valor da marca do Corinthians era quase R$ 1 bilhão!”. Ou até mesmo alguns torcedores esbravejando: “meu clube é paixão, não é marca!”. Esses três argumentos exemplificam bem os equívocos formados quando tratamos de marcas de clubes de futebol.

1. Marca não é escudo

Toda marca possui símbolos que são registrados em seu nome. Com clubes de futebol não é diferente. Escudos, uniformes e até hinos são elementos de sua marca que podem ser licenciados. O símbolo do clube estampado em uma caneca gera receita para o clube, mas o que a construção da marca faz é garantir que o valor que eu atribua a essa caneca seja maior.

Licenciamento não constroi ou define uma marca, ele apenas explora símbolos do clube que podem ter mais ou menos valor para o consumidor dependendo dos atributos intangíveis que estejam associados à marca.

2. Marca não é valor econômico

Todo ano a BDO RCS publica seu estudo avaliando as marcas dos maiores clubes de futebol do Brasil. O estudo adota metodologia semelhante àquela aplicada pela empresa Brand Finance no mercado europeu e vem se tornando referência na avaliação do potencial comercial dos clubes brasileiros. Entretanto, a marca de um clube de futebol não é definida por dados financeiros históricos dos clubes ou informações sociais e econômicas de sua torcida. Marcas são definidas por elementos intangíveis como percepções, mensagens e ações.

3. Marca não é campanha

O torcedor está absolutamente correto. Na visão dele, o seu clube é paixão, e não marca. Porém, é justamente essa conexão emocional que torna a marca dos clubes tão poderosas, podendo obter níveis de fidelidade acima de qualquer produto comum.

Marcas refletem experiências. O escudo do clube representa para o torcedor todo o sofrimento e alegria que ele já teve seguindo o time. O equívoco neste caso está em como o clube explora essa paixão para tranformá-la em resultados.

Fazer campanhas pontuais, de curto prazo e cada vez explorando ângulos diferentes pode trazer resultados esporádicos, mas não contribui para a lealdade do torcedor (lealdade nesse caso não é torcer ou não para o time, mas sim a propensão para comparecer a jogos, acessar informações sobre o clube e comprar produtos).

Criar uma marca não é questão de sentar na mesa e escrever “somos um clube de tradição”. Em conversa com Esteve Calzada, ex-diretor de marketing do Barcelona, ele me contou que o clube demorou mais de 50 anos para definir seu slogan “Més que un clube”, e que mesmo assim a marca vem sendo gradualmente construída ao longo dos anos, se adaptando ao estilo de jogar do time e às ações fora de campo, como a parceria com a Unicef.

Trabalhando no Manchester City, tive o prazer de ver uma das maiores transformações já ocorridas em um clube no futebol mundial. A construção de uma marca que refletisse a história do clube e sua ambição, além de sustentar o crescimento tanto em torcida global, quanto em receitas, obteve prioridade máxima para a diretoria.

A definição clara da marca foi feita através de duas etapas: a primeira foi definir como o clube era visto por sua torcida e até mesmo por rivais. Um processo minicioso que envolveu a torcida e pesquisas de marketing, grupos de foco e análises históricas.

A segunda etapa envolveu dirigentes e pesquisas de mercado para definir onde o clube queria chegar e como queria ser visto. O resultado foi uma estrutura de marca que envolve definições como essência, personalidades, pilastras de suporte e representações.

No caso dos clubes brasileiros as marcas estão em muitos casos escondidas sobre uma camada de campanhas pontuais, esperando que profissionais de marketing esportivo qualificados a tragam a tona e colhem os resultados. Felizmente o recente ingresso de profissionais publicitários nos principais clubes brasileiros ajudará esse processo.

Cada clube brasileiro terá valores específicos que podem ser explorados de forma consistente, seja o Vasco com a sua história de luta contra a discriminação ou o Flamengo com a conexão com o “povão”. O importante é que o ângulo explorado seja legítimo e com base no potencial de diferenciação.

A marca cria expectativas. Ela define quem você é e como você opera. Em essência, a marca é uma promessa – uma promessa que precisa ser mantida. A experiência fornecida ao torcedor e ao patrocinador e à comunicação adotada é o cumprimento dessa promessa. Cabe aos clubes destacarem o que eles representam e utilizar esses valores para criar um relacionamento ainda mais profundo com o torcedor e seus parceiros.

Para interagir com o autor: claudio@universidadedofutebol.com.br
 

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Treino virtual: um dia nos prepararemos com o próximo adversário na semana pré-jogo

Na última semana, um dos assuntos mais comentados no mundo do entretenimento foi o show de rap com a participação especial de Tupac Shakur.

O amigo pode estar se perguntando se este colunista está maluco ou revendo se entrou no site certo. Mas, calma. Esse show tem uma peculiaridade.

O rapper Tupac, conhecido como 2Pac, morreu em 1996. Isso mesmo, 1996. E, não, esse texto não foi escrito há 16 anos. Mas agora, no mês de abril de 2012.

Agora, o amigo pode estar se perguntando que raios o colunista está falando de um show na semana passada de um cara que morreu há 16 anos numa comunidade que discute futebol.

O ponto de intersecção está justamente nas possibilidades tecnológicas que foram utilizadas para a realização do show, uma mistura de técnicas holográficas, com 3D e 2D, que permitiram aos espectadores uma sensação diferenciada de evento.

Convido o amigo a ver o vídeo para ter uma ideia de como foi essa sensação. É algo que impressiona.


 

Assim, gostaria de levantar algumas sugestões para a utilização desse tipo de recurso para o futebol. Afinal, tecnologia vem para atender nossas necessidades, mas também surge de devaneios e exercícios de imaginação.

E por esse lado fico imaginando como seria criar uma representação de um jogo que tenha ocorrido, ou uma simulação com base em atletas projetados, ou mesmo uma equipe projetada.

Uma coisa que fazemos em treinos, ou seja, tentar simular uma partida real. Talvez, com isso, poderíamos partir para um treino projetado com o seu adversário propriamente dito. Imaginemos um coletivo feito contra a equipe do Barcelona projetada.

Pode parecer distante, irreal, mas não creio que seja impossível. Falhas nesse primeiro momento podem ser encontradas, pois falaríamos em projeção de algo que já aconteceu – por exemplo, o Barcelona, num determinado jogo, perde a imprevisibilidade, a ação e a reação entre equipe e adversário, mas não podemos deixar que elas nos limitem.

Mas será que não teremos tecnologia para embutir de inteligência artificial essas projeções? Os videogames já fazem isso com certa facilidade.

Talvez seja possível criarmos um grande videogame com inteligência artificial baseada em projeções holográficas e base de dados estatísticos dos atletas, e assim seriamos capazes de criar um treino tecnológico, porém fiel a situações de jogo – ainda que o adversário seja virtual…

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

 

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Beer Day

No sábado, acompanhei a 3ª edição do Beer Day em Curitiba.

Organizado por um amigo, proprietário de lojas especializadas em cervejas especiais, o evento contava com estandes de várias microcervejarias regionais e, também, de outros estados, como Minas Gerais.

Além disso, o público tinha à disposição ótimas opções gastronômicas – hambúrguer, cachorro-quente no estilo alemão, pizzas…

E, para animar toda a festa, algumas bandas de rock ocupavam o palco montado no estacionamento de um pequeno centro comercial da cidade, embora localizado num dos bairros mais nobres.

Cerveja e futebol formam um caso de amor antigo na história do futebol.

Não só pelo hábito que os praticantes amadores do futebol costumam exercitar nos churrascos pós-pelada, como também antes do jogo do seu clube, no próprio estádio, ou durante, nos bares ou em casa – já que, no Brasil, o durante o jogo está proibido por lei.

Lei essa que será “relaxada”, flexibilizada, adaptada – que não me ouçam, os colegas advogados e juristas, usando expressões de tamanha afronta ao Direito – para a Copa 2014.

Ao longo das últimas décadas, de grande evolução do marketing esportivo, grandes marcas de cerveja investiram no patrocínio do futebol – clubes e competições, sendo a Copa do Mundo Fifa a mais notória, bem como a Uefa Champions League.

Quem não associa o hino da Champions League à Heineken?

O novo diretor de marketing do Palmeiras, Sergio Pellegrini, também se disse entusiasmado com a possibilidade de o clube licenciar a fabricação e venda de uma cerveja que leve o nome do clube.

Sergio cita os clubes europeus, em especial ingleses e alemães, que têm pubs e cervejarias próximos aos estádios, além dos produtos licenciados vendidos em larga escala.

Logicamente que o tema evoca discussões sobre a suposta equação perigosa cerveja + futebol = violência.

Entendo que o reducionismo do problema prejudica a análise do que deveria ser feito verdadeiramente, em paralelo ao estado de vigiar e punir: educar.

Tive a oportunidade de conhecer um clube de primeira divisão na Irlanda, Bohemian Football Club, cujo estádio pequeno e antigo era fantasticamente acolhedor.

E sob, suas tribunas, havia três pubs que vendiam comidas típicas e também cerveja.

E, na área vip, senhoras serviam café com bolachas, o famoso Irish Coffee, com whisky para afastar o frio de cinco graus.

O futebol necessita resgatar essa dimensão humana do esporte.

Que em nada prejudicaria o lado business.

Ao contrário, mais e mais pessoas voltariam ou começariam a frequentar estádios, pubs e afins.

Consumindo, inclusive, a cerveja licenciada pelo clube, quem sabe dentro de um pub no próprio estádio.

Civilizadamente.

E recomendo a Double Vienna Lager pro inverno curitibano. Cerveja com gosto de limão. Impressiona.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br
 

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Os ensinamentos de Felipão e o desenvolvimento do cabeceio – parte II: transcendendo o método

Na coluna anterior, discutimos a relação direta entre a visão do jogo em si e seu reflexo no treino. Antes de entrar nas atividades práticas, gostaria de abordar a ação do treinador.
Resolvi tocar nesse conceito após ter uma discussão muito interessante com o treinador Leandro Zago.
Antes de mais nada, quero trazer luz ao fato de que o treinador Luiz Felipe Scolari é um vencedor e se destacou ao longo de sua carreira na maior parte dos clubes por que passou. Em seu currículo, muitos títulos e o maior deles é a Copa do Mundo de 2002. Ninguém pode negar que o Scolari é um treinador do mais alto nível.
Visto isso, devemos pensar na seguinte questão: o que leva um treinador a conquistas e a uma carreira de sucesso? Será que só o método de treino garante isso?
Pela complexidade do jogo, não podemos afirmar que apenas um fator o levará ao êxito ou ao fracasso.
Não basta apenas dominar o método (qualquer que seja ele)!
Se voltarmos nosso olhar para a atividade da força e esquecermos que existe um treinador agindo diretamente sobre a ação (e a intencionalidade) dos atletas, podemos correr o risco de fragmentar ainda mais as coisas.
Acredito que existem “n” maneiras de se desenvolver o jogar da equipe, mas um jogo com regras adequadas ao jogar da equipe por si só sem a ação do treinador não trará os resultados esperados. Por outro lado, um exercício “simples” de cabeceio se bem conduzido pelo treinador pode agir na forma de jogar e na intencionalidade dos atletas.
Surpreso? Vamos trazer luz a essa questão.
Hermes Balbino, no ano de 2005, defendeu sua tese de doutorado, intitulada “Pedagogia do treinamento: método, procedimentos pedagógicos e as múltiplas competências do técnico nos jogos desportivos coletivos”. Em resumo, Balbino entrevistou treinadores de renome como Bernardinho, Parreira, Zé Roberto, etc. Seu objetivo era identificar conjunto de competências pedagógicas desses treinadores. Depois de ouvir e analisar cada um deles, o professor chegou à conclusão que “a ação do treinador extrapola seus métodos de trabalho”.
As atividades, ou o método em si, não são tudo!
Porém, é preciso destacar que só focar na ação do treinador pode deixar lacunas que em determinados pontos do processo poderão fazer falta.
Pensemos no duelo Pep Guardiola e José Mourinho, em que ambos dominam o método e aparentemente os transcendem. O que faz diferença, então?
Complexidade!
Seria muito mais fácil se tivéssemos o “elixir da vitória” ou “a poção mágica da formação de atletas”, mas nada é tão simples como parece!
Em uma atividade de força podemos mudar o comportamento de jogo de um atleta! Talvez seja isso que o Felipão esteja fazendo e nós é que estamos tendo uma visão fragmentada sobre o todo…
Sócrates estava certo quando reagiu ao pronunciamento do oráculo de Delfos, que o apontara como o mais sábio de todos os homens, dizendo “Só sei que nada sei”.
Se admitirmos isso, buscaremos sempre aprender com tudo e com todos!
Até a próxima!
Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br
 

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Um novo horizonte e um ano de Universidade do Futebol

Caros leitores,

solicitei à coordenação da Universidade do Futebol uma semana de pausa nas produções semanais para reorganizar minha vida profissional. Relembrando o colunista Bruno Baquete, em um post no início do ano, só teremos conhecimento do que alcançaremos em nosso caminho a partir das nossas decisões. E a que tive que tomar nestes últimos dias modificou bastante meu cotidiano.

Abdicar de uma vida estável na Área Fitness, que ocupava cerca de 30 horas da minha agenda semanal, além do cargo de treinador da categoria sub-14 em meu antigo clube, no ano do meu casamento, para aceitar a desafiadora oportunidade de trabalhar como assistente técnico num clube que voltará a disputar a categoria profissional após 14 anos, na última divisão do futebol paulista, foi bastante difícil.

Bastante difícil, pois a maior inquietação que vem à mente é a da instabilidade dos profissionais de campo do nosso futebol. Não faltam exemplos, somente no presente ano, de equipes que trocaram de treinador nos campeonatos estaduais por pelo menos três vezes.

E esta inquietação teve, obrigatoriamente, que ser superada, pois acredito que a constante troca das comissões técnicas (mesmo com dados apontando a ineficiência) ainda está longe de ser extinta, salvo raríssimas exceções.

Para tomar a decisão, algumas conversas, muitas reflexões e o foco no que almejo para minha jornada profissional em longo prazo. Diante disso, indicarei o contexto deste novo momento de minha carreira. Escolhi este tema, pois ele norteará algumas das minhas futuras colunas.

O novo clube

O Novorizontino, clube da cidade de Novo Horizonte, alcançou a elite do futebol paulista e foi finalista da conhecida “final caipira” em 1990. Na ocasião, a equipe comandada por Nelsinho Batista foi derrotada pela equipe do Bragantino, que tinha como treinador Wanderlei Luxemburgo.

A última grande conquista do Tigre foi o título da Série C do Campeonato Brasileiro em 1994. Quatro anos depois, o clube encerrou suas atividades até o ano de 2010, quando retornou à disputa do Campeonato Paulista sub-15 e sub-17.

A comissão técnica

Élio Sizenando é o treinador da equipe. Campeão paulista sub-20 da segunda divisão em 2010 pelo Paulínia FC e terceiro colocado no Campeonato Paulista da mesma categoria, porém, da primeira divisão, em 2011, são seus principais resultados. Como auxiliar técnico, obteve um acesso à série A-3 do Campeonato Paulista em 2010. Será sua estreia como treinador profissional.

Além do meu cargo, já mencionado no início do texto, a composição da comissão tem Ricardo Guareschi como preparador físico, Jussiê da Silva como preparador de goleiros, Alex Garcia na função de analista de jogo, Cristian Lizana de fisiologista e Walter Zaparolli, que possui muitos acessos em sua carreira, de diretor técnico.

A competição

A Série B do Campeonato Paulista tem início no dia 6 de maio e será disputada por 42 equipes. As quatro melhores no decorrer de cinco fases, ou 30 jogos, conquistam o acesso à série A-3 de 2013.

O elenco

São 34 jogadores com somente um atleta acima dos 23 anos de idade. Tal atleta é o atacante Alessandro Cambalhota, que foi revelado pelo clube novorizontino e jogou em grandes times como Porto-POR, Atlético-MG, Cruzeiro-MG e Fluminense-RJ.

Parte do grupo advém de uma parceria com investidores e atuarão por empréstimo, outros são contratações do clube, além dos atletas oriundos das categorias de base.

Apesar de ser um grupo jovem, o elenco conta com atletas experientes nesta divisão e atletas com muitas “horas de voo” nos campeonatos estaduais de categorias de base. Sem dúvida um time muito competitivo para a disputa desta divisão.

Minhas funções

Como assistente técnico, no contexto atual do clube, tenho como funções:

•Auxiliar o treinador na operacionalização de sua ideia de jogo nas sessões de treinamento;

•Auxiliar o treinador no planejamento semanal, idealizado a partir de uma perspectiva sistêmica;

•Auxiliar o fisiologista no controle da carga de treinamento;

•Desenvolver material virtual com o software Tactical Pad que identifique o comportamento pretendido pela Comissão Técnica nos quatro momentos do jogo e que facilite a compreensão dos atletas;

•Desenvolver e aplicar, juntamente com o preparador físico, atividades preventivas proprioceptivas e de fortalecimento;

•Auxiliar o preparador físico no desenvolvimento de atividades analíticas com o caráter de reabilitação de lesões;

•Capacitar o analista de jogo para observar quantitativamente e qualitativamente nossa própria equipe, além dos adversários;

•Cumprimento de outras funções requisitadas pela diretoria ou por algum integrante da comissão técnica.

Esta inesperada mudança profissional coincidentemente ocorreu após completar um ano como colunista da Universidade do Futebol, que é um marco que não posso deixar de mencionar.

Desde que recebi o convite de Rodrigo Leitão, sabia da responsabilidade que seria substituir um dos maiores estudiosos da modalidade no país. Desde então, com os conhecimentos que tenho e também os que busco para meu aperfeiçoamento profissional, tento manter a qualidade da coluna e contribuir na capacitação de profissionais da comunidade do futebol.

Obrigado Gheorge, Medina, Camarão e Tega pela oportunidade, pelas inúmeras discussões e trocas de e-mails que contribuem dia após dia para meu crescimento pessoal e profissional. Não tenho dúvida de que as magníficas ideias da Universidade do Futebol se disseminarão no “País do Futebol”.

Enfim, se você chegou até aqui, espero que não lamente por não ter aprendido nada sobre tática. Nesta coluna, resolvi abrir minha vida profissional, meus anseios, meus objetivos e minha nova e desafiadora jornada. Pode ser inspiradora ou ao menos provocar uma pequena reflexão em quem pretende seguir carreira como gestor de campo.

Para mim, estou certo, que será (e está sendo) uma grande oportunidade para aliar teoria e prática e, acima de tudo, aprender. Afinal, estamos aqui para isso…

Rumo à série A-3 em 2013!
 

 

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br
 

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O Estatuto do Torcedor e a venda de ingressos

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Análise dos estádios

Em junho de 2009, eu iniciava uma série de análises no blog Gol da Arquitetura sobre a proposta de cada cidade-sede escolhida para a Copa do Mundo 2014. Hoje, após três anos repletos de polêmicas, mudanças, demissões, obras em andamento, novas ideias, propostas, manuais da Fifa e até mesmo troca de dois dos estádios inicialmente escolhidos (Cuiabá e São Paulo), acredito que seja fundamental para compreensão do objetivo inicial e percepção do desenvolvimento do projeto um novo olhar, permitindo que, através da técnica de arquitetura, possamos compreender se estamos no caminho certo, e, caso contrário, se podemos fazer algo ainda para mudar.

As análises serão exclusivamente técnicas, ou seja, tratarão da arquitetura e urbanismo dos estádios, deixando de lado a proposta geral da cidade e as duvidosas licitações, que, em um período de Ricardo Teixeira, devem ter contribuído muito para a escolha errônea e antiética de materiais, locais de implantação, técnicas e até mesmo de escritórios de arquitetura e, principalmente, de fornecedores – forma mais comum de “direcionismo” em licitações.

Com esta avaliação, será possível, por meio de fotos atualizadas das obras, esclarecer dúvidas sobre o que antes ainda não estava nos projetos ou coisas que ainda estavam obscuras por falta de detalhamento.

A análise da arquitetura pode facilitar a gestão, mas, de fato, a arquitetura deveria ser feita a partir das ideias de gestão, com programas definidos mesmo que multifuncionais, mas específicos; e, com isso, mostrarei a fraqueza, o risco dos chamados “elefantes brancos” e a minimização de aproveitamento do no nosso pós-Copa, desmistificando o tal “legado” para o país.

Já sabemos, portanto, que a organização anda no sentido contrário do ideal, embora, com muito cuidado, possamos atingir nosso objetivo total ou parcialmente.

Felizmente, para melhor compreensão, serão textos mais ilustrados que o normal, o que deixará a coluna mais agradável e dinâmica. Quem tiver interesse em ler a análise original, fique à vontade para visitar o blog. Mas quem quiser saber exclusivamente sobre as arenas de hoje, não ficará por fora das notícias em nenhum momento.

Na próxima semana, darei início a uma das 12 cidades-sede; portanto, espero que contribuam com suas opiniões, críticas, complementos, trocando informações e participando desta coluna.

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Novos tempos?

Final de campeonato. Casa cheia. Público esgotou os ingressos no mesmo dia em que foram colocados na bilheteria. Grande expectativa em torno da partida pelos meios de comunicação. TV aberta e fechada transmitindo simultaneamente a partida…

Infelizmente, para os amantes do futebol, o primeiro parágrafo não se refere a um jogo de futebol. Estamos falando da final feminina da Superliga de Voleibol, disputada no último sábado entre Unilever e Sollys/Nestlé no Maracanãzinho, que levou quase 12 mil pessoas para o evento.

Tudo bem que hão de dizer que uma final de campeonato no futebol leva maior quantidade de público, até pela natural capacidade dos estádios. Mas chama atenção que a média de público destas equipes do voleibol foi bem alta ao longo de toda a competição.

Mal comparando, os quatro grandes do Rio de Janeiro, também no último fim de semana pelo Campeonato Estadual, na rodada que decidiu os classificados para as semifinais da Taça Rio, levaram 9.690 pessoas para os estádios juntos, em uma média de pouco mais de 2.400 pessoas por jogo. Isto mesmo: os quatro e mais populares clubes do Rio, em um momento considerado decisivo, tiveram menor público em conjunto que a final do vôlei feminino.

Isto é resultado, a meu ver, da negligência por parte do futebol com o espetáculo dentro de campo, com estádios inseguros e desconfortáveis, campos mal cuidados, tratamento hostil ao invés de cordial, serviços de baixa qualidade, etc. Do outro lado, a recepção às famílias em um ambiente agradável e propício para a realização do espetáculo esportivo.

Enfim, que o voleibol vem crescendo e caindo no gosto popular não é novidade para ninguém. Que irá bater a preferência do brasileiro pelo futebol, parece pouco provável. Mas que começa a dar sinais de que é de fato um concorrente importante à fatia da renda familiar destinada para o entretenimento, isto o futebol não pode negar, nem tampouco fechar os olhos para esta realidade, sob pena de tal situação começar a refletir nos balanços dos clubes em um médio-longo prazo.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br