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Aos preparadores físicos (e aos demais profissionais também) – parte II

Os acontecimentos das últimas semanas movimentaram o universo do futebol. No âmbito mundial, ocorreu a saída de Pep Guardiola do comando da equipe que deixa um legado de um bom e belo jogo. Com a mudança, além da expectativa criada sobre como será o desempenho do treinador em um novo clube, todos estão ansiosos para saber se o promovido auxiliar Tito Villanova conseguirá manter a média de conquistas do clube catalão nos últimos anos.

Já em nosso país, onde o futebol apresentado não tem deixado legado nenhum, finalistas e os primeiros campeões estaduais foram conhecidos. E, para estes times, a fórmula (divulgada através de reportagens, vídeos, conversas e outras informações) para se chegar à final é bem conhecida: muito treinamento tradicional.

Como a expressão treinamento tradicional (que compõe as periodizações físicas e a periodização integrada) já foi amplamente discutida neste portal, são desnecessárias maiores explanações.
Juntamente com esses modelos de periodização, farão parte desta discussão a Periodização Tática, criada por Vítor Frade e a qual profissionais do futebol lentamente têm buscado acesso, e também a Periodização Complexa de Jogo, idealizada por Rodrigo Leitão e com a qualainda não tive maior contato que não a leitura de sua tese de doutorado.

Somente para lembrá-los, o objetivo desta coluna, que teve a parte I publicada semanas atrás, é promover uma troca de conhecimento que leve à resolução da seguinte questão-problema: “ao longo de um microciclo de treinamento no planejamento de atividades na preparação de uma equipe, o quanto é possível ser realizado em total especificidade, portanto, jogando futebol?”.

Se a última coluna do tema continha somente algumas perguntas e, de certa forma, bastante gerais, nesta publicação acontecerá um breve “brainstorming de questionamentos e dúvidas” específicos da vertente física do jogo que, se solucionados, podem elevar e alinhar a discussão entre todos os profissionais do futebol e, consequentemente, interferir positivamente no treinamento das equipes de futebol.

O brainstorming será elaborado em função do conhecimento que tenho sobre os diferentes tipos de periodização que, obviamente, pode ser limitado diante da minha interpretação de tudo que aprendi sobre cada um dos modelos de preparação.

Na sequência, grande parte daquilo que questiono das periodizações ou que procuro respostas (e acredito que outros treinadores também):

•Por que os preparadores físicos adeptos do treinamento tradicional insistem em querer melhorar cada uma das capacidades físicas isoladamente (principalmente a força) sendo que toda e qualquer ação realizada num jogo é imprevisível e absolutamente variável? Se um dos princípios do treinamento esportivo é a especificidade, ao prescrever um treino físico “fechado” (dividido em séries, repetições, cargas, distâncias, etc.) vocês concordam que estão se distanciando do que será a realidade do jogo?

•Para estes mesmos preparadores, estes modelos de periodização preconizam poucos picos de forma física no decorrer de uma temporada. Como vocês solucionam esta questão quando, no calendário do futebol, é preciso ter pico de forma (global e, portanto, também física) até duas vezes por semana, durante várias semanas?

•Para quem aplica a periodização integrada e inicia os trabalhos com jogos reduzidos, por que a preocupação ainda se incide nos aspectos exclusivamente físicos da modalidade? Ao fazer o atleta treinar com “intensidade”, porém, correndo muitas vezes “errado” não estou criando hábitos que se manifestarão no jogo formal?

•Já existem diversas publicações científicas que apontam melhoras das capacidades condicionantes a partir do método integrado; então, existe a possibilidade de quem o aplica dar um passo à frente e ao invés de partirem da necessidade física que sua equipe precisa evoluir para elaborar o treino, partirem da necessidade coletiva de acordo com os diferentes momentos do jogo e de acordo com o Modelo de Jogo pretendido e então identificarem qual (e como) o metabolismo será exigido?

•Diversos exercícios observados em materiais de quem aplica a Periodização Tática, por mais que tenham relação com o Modelo de Jogo, consistem na execução de estímulos realizados com grau inexistente de imprevisibilidade. Estes exercícios, realizados com regimes de tensão, duração e velocidade de contração ajustados ao morfociclo padrão também não podem ser considerados distantes do jogo de futebol?

•O morfociclo padrão da Periodização Tática preconiza predominância distinta de contrações musculares nos diferentes dias aquisitivos no decorrer da semana para descansar as estruturas estimuladas no dia anterior. Existe a possibilidade de ser comprovado em algum estudo (ou já existe algum) que estimular as mesmas estruturas em dias consecutivos é prejudicial?

•Quem aplica a Periodização Tática poderia buscar um meio de controlar a carga de treino de modo que ela tenha maior aceitação da ciência objetiva?

•A Periodização Tática e a Periodização Complexa de Jogo desconsideram a musculação na preparação do futebolista. Para a segunda, exercícios de preventivos de fortalecimento e proprioceptivos são necessários. Qual é a opinião de quem aplica a Periodização Tática?

•Como a Periodização Complexa de Jogo define o seu microciclo (que vi publicado até então somente no Resumo Inteligente da Universidade do Futebol), e mais especificamente, em relação a vertente física do jogo?

•Para a Periodização Complexa de Jogo, atletas com diferenças significativas de massa magra devem treinar musculação visando aumento de volume muscular?

•Para a Periodização Complexa de Jogo, é possível aplicar estímulos com caráter físico semelhante em dias consecutivos?

•Como a Periodização Complexa de Jogo avalia e controla a evolução da vertente física da sua equipe?

Algumas questões são bem repetitivas, porém, pelo que se observa na prática, precisam ser instigadas constantemente. Já alguns outros pontos são mais atuais e vão de encontro ao que deve ser a tendência no treinamento em futebol. Quanto mais pessoas forem atingidas com as questões acima e estiverem dispostas a discutir e buscar soluções, mais rapidamente observaremos a evolução do futebol brasileiro.

Como pode ser observado, o preparador físico jamais será extinto do futebol. Como mencionado em outra ocasião, terá nova função carregada de complexidade.

Nesta coluna deixo mais perguntas do que respostas. No entanto, para a pergunta feita inúmeras vezes pela imprensa esportiva nos últimos dias sobre a vinda do ex-técnico do Barça ao Brasil para melhorar nosso futebol, a resposta é clara: Guardiola está longe de poder solucionar nossos problemas.

Conto com a sua ajuda, leitor. Obrigado!

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Leia mais:
Aos preparadores físicos (e aos demais profissionais também) – parte I

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O Habeas Corpus de Oscar

Na semana passada, novamente, o caso Oscar foi manchete em todos os jornais. Eis que uma liminar concedida em Habeas Corpus garantiu que o jogador tenha o direito de jogar no clube que quiser, retirando o vínculo empregatício com o São Paulo Futebol Clube.

Segundo o Ministro do Tribunal Superior Trabalho Caputo Bastos, a Justiça “jamais poderá impor ao trabalhador o dever de empregar sua mão de obra a empregador ou em local que não deseje”.

Destarte, conforme já asseverado em outra coluna, a decisão judicial anterior, do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, determinou que o atleta mantivesse seu vínculo empregatício com o São Paulo.

A referida decisão tem gerado discussões no seio da comunidade jurídico desportiva. Ora, segundo o art. 28, da Lei Pelé, o atleta é livre para jogar onde quiser, desde que respeite as cláusulas estabelecidas no contrato.

Em nenhum momento houve ato que impedisse o atleta de trabalhar, mas, tão somente, de impor que ele arcasse com a Cláusula Penal pactuada entre Oscar e o São Paulo.

Destaca-se, mais uma vez, que o atleta não está sendo impedido de trabalhar, mesmo porque ele possui contrato de trabalho com o São Paulo Futebol Clube e poderia, portanto, trabalhar neste clube. Agora, se o atleta pretende se transferir para outro clube, o único caminho é o pagamento da Cláusula Penal ou, em alguns casos, o descumprimento do contrato de trabalho por parte do clube, o que parece não se aplicar no presente caso.

A referida decisão pode trazer repercussões perigosas, pois a autorização legal para que um jogador de futebol possa rescindir o seu contrato sem o pagamento de uma multa prejudica o clube que o empregava pode abrir precedentes para que outros atletas descumpram seus contratos sem qualquer ônus, causando uma perigosa instabilidade jurídica.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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Cidade-sede: Salvador

A cidade baiana é a que tem um projeto que, de fora, é o mais coerente de todos. Respeita-se a leveza da fachada em um entorno importante e tombado: o Dique de Tororó. Inicialmente, foi muito contestado por não valorizar este entorno e o previsto inicialmente, mas, agora, segue o plano e inicia a colocação da arquitetura em uma proposta não espetacular, mas bastante interessante.

Respeitando a forma em “U” do estádio, com cena marcada pela tristeza do acidente onde a arquibancada do estádio ruiu, em 2007, matando quatro torcedores, a nova Fonte Nova se modela livrando-se da antiga imagem precária lembrando um pouco o estádio Moses Mabhida (abaixo), de Durban, sede da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Essa forma da arquitetura pode privilegiar muito uma visibilidade marcante de um acesso principal ao estádio, como acontece com o palco sul-africano.

Por este motivo, a cobertura do estádio poderia ser mais marcante, mais trabalhada. No entanto, desde que construída com materiais de qualidade que não depreciem muito com o tempo ou que exijam grande manutenção, a cobertura não apresenta grandes problemas. A maioria dos projetos não apresenta muitos detalhes, mais uma satisfação para a sociedade, geralmente querendo conquistar olhares sem fornecer o necessário para a compreensão.

Ainda sobre a cobertura, nada é mostrado em relação ao trabalho de transparência para que não haja obstrução da incidência de luz solar no campo, mantendo a saúde do gramado e garantindo sua durabilidade – ainda mais com o intenso uso para shows que a cidade pretende realizar, já estando fechado um show de grande porte, festa de réveillon 2013 e a comemoração da lavagem de Bonfim.

Com estrutura leve, baseada em um anel central que “trava” a estrutura, ela é facilmente resolvida e bastante utilizada em estádios fora do Brasil. A visibilidade parece ser considerada boa, embora não haja locais muito próximos ao campo como alguns estádios tentam fazer – isso diminui a chance da visibilidade ser obstruída por placas de publicidade ao longo do campo, perdendo, assim, a venda das fileiras mais próximas.

Salvador não pensa como o Corinthians e quer, sim, realizar estes eventos e shows de grande porte em seu estádio. Ao mesmo tempo em que isto interfere na qualidade e cuidados com o gramado, é uma forma de enxergar a sustentabilidade financeira do equipamento, o que, para o Corinthians, deve ter cuidado redobrado.

Com estacionamentos subterrâneos, o estádio diminui seus usos, por isso talvez pense em utilizar tanto o gramado, mas nos poupa de imensos estacionamentos ao redor da praça esportiva, localizada em uma região de proteção histórica e já bem consolidada. É por este motivo que o transporte urbano deve ser muito bem resolvido, englobando diferentes modalidades de transporte, seja trem, ônibus, metrô, bicicleta, pedestre e, por último, automóveis.

Embora a Fifa exija um número grande para estacionamento, é de benefício para a capital que o transporte funcione, tanto para o evento, quanto para evitar transtornos viários a cada evento futebolístico na cidade.

A diferença dos níveis externos do estádio, como vemos no corte acima, pode facilitar muito a acessibilidade diretamente ao anel marcado no ingresso, distribuindo bem o público; além disso, seria interessante que o acesso principal fosse pela parte aberta ao Dique, como acontece no exemplo da África do Sul que mencionei.

Sempre saliento a importância em se marcar arquitetura deste porte com simbologia, e, sendo um estádio que representará a Bahia, Estado cheio de história, tradições e cultura, não vejo muito disso. Ao menos não no que nos é fornecido.

Ainda há tempo de fazer algo neste sentido, nem que seja nas arquibancadas. Falta cor para uma cidade na qual uma das religiões mais tradicionais é fortemente relacionada às cores. E falta corresponder à personalidade colorida da cidade do carnaval, do Olodum e de tanta alegria e tradição.
 

*Imagens do Portal 2014 – www.portal2014.org.br.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

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Cidade-sede: Cuiabá
 

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Atmosfera do evento esportivo

A inspiração desta semana vem da Uefa Cup de Futsal, torneio organizado pela entidade máxima do futebol europeu com os principais clubes do velho continente, que terminou no último fim de semana com o título do Barcelona diante do Dínamo do Moscou.

Acompanhando um dos jogos semifinais entre Barcelona e Sporting de Portugal, me saltou aos olhos a atmosfera criada pelo jogo. E é a isso que chamamos de espetáculo esportivo, em que se valoriza sobretudo o artista (jogadores) e a consequente qualidade do jogo.

Os americanos são reis em criar a tal atmosfera esportiva e, por conta disso, lideram todos os índices de faturamento de suas principais ligas. A Europa passou a perseguir os mesmos pressupostos, com os estádios de futebol tendo uma nova configuração para atender especialmente o torcedor-consumidor e ressaltar a dinâmica do jogo, que vem desde um gramado de extrema qualidade até o estudo da iluminação e distância das arquibancadas para que tudo se comunique de forma uníssona e perfeita.
 

O voleibol no Brasil tem perseguido esta excelência para a criação de uma atmosfera esportiva desde que determinou em seu regulamento que o visual do piso de jogo deveria ter o desenho exclusivo da modalidade, com cores e publicidade padronizada, fato este que transformou completamente a relação entre jogo, público e televisão.

No entanto, quando olhamos para o futebol e o próprio futsal no Brasil, percebemos certo descaso em relação ao ambiente dos jogos. Produzimos bons artistas, mas que se apresentam em um “palco” pouco digno para as suas qualidades.

A lógica de faturamento sobre o espetáculo esportivo está nos recursos provenientes dos fãs da modalidade. A TV e os patrocinadores pagam a conta porque as pessoas têm interesse no evento, ou seja, se o público acompanha, minha marca será melhor percebida.

E é nesta linha que clubes e associações que promovem a prática do esporte devem olhar seu produto. Que a Copa 2014 seja um marco para que os clubes percebam o potencial de geração de receitas provenientes dos torcedores e, consequentemente, melhorem a oferta de serviços e a apresentação do espetáculo esportivo nos próximos anos.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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Campanha de Marketing #Together do Manchester City

Após a vitória do Manchester City sobre o Manchester United pela Premier League na última segunda-feira e o fantástico apoio da torcida,tiro a oportunidade para destacar a campanha #Together, estruturada pelo Marketing do City em parceria com nossa agência criativa, MUSIC.

A campanha foi lançada no fim de março, com o objetivo de aproximar torcedores ao time na reta final do campeonato. Um claro exemplo do marketing esportivo focado em ações integradas para estreitar o relacionamento com a torcida no longo prazo.

A proposta

• Criar uma campanha que fosse inspiracional, baseada em apoio e sustentasse momento

• Esforço integrado entre os departamentos de Marketing, Comunicação e agência criativa para criar conceito da campanha

• Envolver jogadores, treinador e torcida

O conceito

• Mensagens dos jogadores para a torcida focando no lado positivo de ser torcedor

• Elementos visuais que combinem imagens tratadas dos jogadores e torcida e frases inspirativas

Elementos

 

 

 

Ativação

• Interação com o torcedor usando fotos pessoais, histórias e tweets

• Mensagens rotativas nas placas de publicidade LED dos estádios

• Uso do hashtag #Together no Twitter para estimular compartilhamento

• Vídeo promocional nas TVs do estádio e website

• Anúncios no guia da partida

• Layout das páginas de redes sociais (Facebook, Twitter, YouTube)

• Tweets dos jogadores promovendo a campanha

• Referência a campanha nos comentários do treinador

Integração

Além da simplicidade do conceito, o sucesso da campanha vem de sua integração, envolvendo diversos departamentos (Marketing, Digital, Comunicação) e plataformas do clube de forma consistente. Após o conceito ser estruturado a campanha foi ativada de diversas maneiras e com diversos elementos, mas sempre mantendo-se consistente com o conceito central.

Ao invés de se lançar um simples vídeo ou pôster, foi gerada uma campanha baseada nos conceitos da marca, servindo como plataforma para a comunicação com o torcedor. A integração e a consistência ajudam a fortalecer a mensagem, a marca do clube e consequentemente o relacionamento com o torcedor.

 

Os exemplos acima demonstram tambem a importância dos meios digitais, especialmente as redes sociais, para a comunicação do torcedor. As imagens e as mensagens utilizadas são atualizadas periodicamente para manter a campanha viva e dinâmica, porém o conceito e os padrões de design são sempre mantidos.

Os resulltados de campanhas de marketing desse tipo, focadas no relacionamento com o torcedor, são muitas vezes difícies de mensurar em termos monetários. Diretamente, a campanha tem impacto claro ao estimular o torcedor a interagir com o clube por meios digitais. Indiretamente, os elementos emocionais da campanha estimulam a propensão para frequentar a jogos e consumir produtos do clube.

Entretanto, o grande benefício de uma campanha de marketing consistente desse tipo é a criação de um relacionamento forte, que vai além de derrotas e vitórias e foca na cumplicidade entre o clube e o torcedor.

Para interagir com o autor: claudio@universidadedofutebol.com.br

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Disputa de 3º lugar

Real Madrid e Barcelona foram eliminados da Uefa Champions League.

Um dia depois do outro, caíram os gigantes espanhóis.

Se houvesse disputa de 3º lugar na competição, o clássico os colocaria frente a frente, sob os holofotes.

Simbolicamente, os holofotes apagaram para os dois grandes times desta temporada.

Ambos são ricos, possuem equipes poderosas, estrelas de classe mundial, como Cristiano Ronaldo e Messi, sem citar outros tantos jogadores internacionais.

Mourinho, treinador conhecido como “Special One” que, dentre outras frases a ele atribuídas, diz que “não sou melhor que ninguém, mas ninguém é melhor que eu”.

Guardiola, incensado como consequência das vitórias e filosofia de trabalho incorporadas à rotina do Barcelona.

Havia gente que estava torcendo contra o Barcelona, pois não aguentava mais vê-lo ganhar jogos e títulos – e pra isso, até torcendo a favor do Real Madrid, reputado como o único a batê-lo.

Dois Golias. Derrubados por dois Davis – Chelsea e Bayern farão a final da competição européia na Alemanha.

Entretanto, quem realmente está em 3º lugar são todos os outros clubes do futebol mundial. Incluo Chelsea e Bayern.

Em que pese Barça e Real terem ficado pelo caminho, são exemplos de clubes bem administrados, globais, e que, dentro de campo, protagonizam o melhor do futebol mundial. Cada um com sua filosofia institucional bem demarcada.

O Barça aproveita melhor suas “canteras”. O Real forma jogadores que brilham em outros clubes.

Subir ao mesmo patamar institucional sólido dos dois clubes é algo difícil. Milan, Manchester United, Bayern, Liverpool ali estão.

Esse vigor é conquistado ao longo da história dos clubes, que ensina, em especial, nos obstáculos e nas derrotas.

A famosa declaração de Michael Jordan ilustra a fortaleza adquirida em tempos de derrota:

“Eu errei mais de 9000 arremessos na minha carreira. Perdi quase 300 jogos. Em 26 vezes, confiaram em mim pra fazer a cesta da vitória, e eu errei. Eu falhei uma vez, de novo, e outra vez na minha vida. E é por isso que eu obtive sucesso”.

Poucos são os grandes na história da humanidade, mas a todos eles é comum algo de ousadia, loucura, sabedoria e equilíbrio.

Em tempos de vitória ou derrota.

Que, segundo o provérbio budista, considera que “a flecha que atinge o alvo é resultado de cem erros”.

Poucos são os que atingem o alvo, e que podem atingi-lo mais de uma vez.

Barça e Real poderão.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br
 

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Os ensinamentos de Felipão e o desenvolvimento do cabeceio – parte III: atividades práticas

Queria destacar que nesta semana vamos chegar ao fim da trilogia “Os ensinamentos de Felipão e o desenvolvimento do cabeceio”. Pelo menos por enquanto…
Gostaria antes de mais nada de salientar minha satisfação com o retorno de vocês, leitores: foram muitas discussões e todas elas, de certa forma, me ajudaram a refletir sobre o jogo e tudo o que o envolve. Obrigado!
Peço desculpas àqueles que ainda não foram respondidos, mas fiquem tranquilos que darei o retorno.
Então, vamos lá!
Gostaria de abordar algumas atividades práticas para o desenvolvimento do “cabeceio”, que foi o grande fator gerador da discussão.
Como vimos, o cabeceio, em si, aparentemente não foi o único problema apresentado pela equipe, porém faz parte do processo desenvolver a ação com bola do jogador e é neste ponto que nos focaremos nesta coluna (atividades para a organização de bola parada podem ser vistas na coluna “As bolas paradas”. E em próximos textos vou abordar as transições).
A atividade proposta por Felipão (conforme descrição da matéria, a bola ficava presa em uma forca e os atletas tinham de saltar e efetuar o cabeceio) age nesse aspecto principalmente, porém, como a sua complexidade não é da mais elevada, a ação do treinador é fundamental para a criação de um ambiente adequado para o desenvolvimento da ação em si e, mais do que isso, que mexa com a intencionalidade do atleta e no ataque a bola em jogadas aéreas.
Abaixo, seguem atividades para o desenvolvimento da ação com a bola “cabeceio”.
Atividade 1
Tal atividade foi elaborada por Leandro Zago e, além de ser utilizada na base do Corinthians, é aplicada no departamento de formação de atletas do Manchester United.
Descrição
– Atividade de 2×2, em que o objetivo da equipe que tem a bola é fazer o gol na equipe adversária através de um cabeceio. Toda a linha de fundo da equipe se configura como o gol e a altura é definida pela máxima altura que os jogadores podem saltar. Para defender o gol, os atletas não podem usar as mãos, porém para levantar a bola para o cabeceio do companheiro as mãos podem ser utilizadas.
Regras e Pontuação
-Equipe marca ponto quando fizer o gol no adversário.

 
Atividade 2
Descrição
– Atividade de 5X5+Goleiro dentro da área mais dois “coringas” fora. O objetivo das equipes é marcar o gol no adversário após o cruzamento dos “coringas” que jogam para as duas equipes.
Regras e Pontuação
– Equipe marca 3 pontos se fizer o gol de cabeça após o cruzamento.
– Equipe marca 1 ponto se fizer o gol (sem ser de cabeça) após o cruzamento.

 
 
Atividade 3
Descrição
– Atividade de 11×11 + 4 “coringas” que ficarão no escanteio para a cobrança rápida. Jogo formal, porém toda a vez que a bola sair pela lateral no campo de ataque a equipe tem o direito da cobrança do escanteio do lado em que a bola saiu; como o “coringa” já está posicionado para a cobrança, as equipes precisam se organizar rápido para a cobrança.
Pode ser feito isso para faltas laterais ou mesmo frontais. Como as equipes têm pouco tempo para se organizar, a mesma deve ser utilizada em momentos mais avançados do processo.
Regras e Pontuação
– Equipe marca 3 pontos se fizer o gol a partir da cobrança de escanteio.
– Equipe marca 1 ponto se fizer o gol no jogo formal.

 
Chegamos ao fim da trilogia.
Vimos que a visão sobre o jogo influencia o treino.
Que o treino não é apenas uma soma de atividades.
Que o treinador transcende o método.
Método que é importante.
Mas não é tudo.
E que, no fim, temos muito que aprender ainda…
Até a próxima!
Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br

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Banco de jogos – jogo 4

A fração de segundo que envolve o comportamento da equipe na transição ataque-defesa é determinante para um bom desempenho de jogo dado os inúmeros gols que acontecem em transição ofensiva. Portanto, ter uma rápida mudança de atitude e assertivas ocupações de espaço tanto individuais como coletivas podem contribuir para a recuperação da posse de bola ou, ao menos, para o atraso da ação ofensiva adversária.

No jogo desta semana, cumprir bem as regras do jogo e, dessa forma, se aproximar da vitória, implica ter um bom desempenho após perder a posse de bola.

Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Transição Defensiva

– Dimensões do campo oficial. ~ 100m x 70m;
– Campo dividido em 6 faixas horizontais (16m, 17m, 17m, 17m, 17 e 16m);
– Campo dividido em 4 faixas verticais (~17,5m);
– Formam-se, então, 24 quadrantes como o identificado na figura abaixo;
– Tempo de atividade, incluindo esforço e pausa, a critério da comissão técnica, em função dos objetivos desejados.

Plataforma de Jogo Equipe A (preta): 1-4-2-3-1
Plataforma de Jogo Equipe B (azul): 1-3-4-1-2

Regras do Jogo

1.Limite de 2 toques por jogador no campo de defesa e livre no campo de ataque;

2.Perder a posse de bola no campo de defesa e não recuperá-la em até 5” com o adversário mantendo a posse à frente do meio = 1 ponto para o adversário;

3.Perder a posse no campo de ataque e durante 8” para cada passe em que houver mudança de quadrante da bola e não houver a pressão de pelo menos 1 jogador no setor em que se originou o passe = 1 ponto para o adversário;

4.Perder a posse no campo de ataque e recuperá-la em até 5” com dois jogadores no quadrante em que estava a bola = 1 ponto;

5.Perder a posse no campo de ataque e recuperá-la em até 5” com dois jogadores no quadrante em que estava a bola e o restante da equipe em, no máximo, 3 faixas verticais e 3 faixas horizontais (com exceção do goleiro) = 2 pontos;

6.Gol = 10 pontos;

7.Pontuar na transição defensiva (regras 4 ou 5) + gol em até 10”= 20 pontos.

Assista aos vídeos com os exemplos de algumas regras:

Regra 2
 


 

A equipe preta perde a posse de bola no campo de defesa e não a recupera em até 5 segundos. Esta ação vale um ponto para a equipe azul.

Regra 3
 


 

A equipe azul perde a posse de bola no campo de ataque e durante 8 segundos há três passes realizados sem a pressão de pelo menos um jogador no setor em que estava a bola. Esta ação vale três pontos para a equipe preta.

Regra 5
 


 

A equipe azul perde a posse de bola no campo de ataque e a recupera em até 5 segundos com dois jogadores no quadrante em que estava a bola e o restante da equipe em até 3 faixas verticais e horizontais. Esta ação vale dois pontos para a equipe azul.

Regra 7
 


 

Após pontuar com a transição defensiva (vide regra 5), a equipe preta não recupera a posse em até 5” e, além disso, a equipe azul faz o gol em menos de 10”. Esta ação vale vinte e três pontos (2+1+20) para a equipe azul.

Para a gestão deste jogo aconselha-se, além do árbitro, a utilização de um auxiliar com a responsabilidade da análise, intervenções e contagem de pontos para cada uma das equipes. Para isso, a comissão técnica deve ter como pré-requisito a compreensão do jogar que se pretende atingir.

Bons treinos!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
Banco de jogos – jogo 1
Banco de jogos – jogo 2
Banco de jogos – jogo 3
 

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O novo Independência

Na última quarta-feira houve a reinauguração do Estádio Independência, em Belo Horizonte. Construído para a Copa do Mundo de 1950, o campo foi palco de três partidas naquele Mundial, dentre elas uma das maiores zebras da história das Copas, quando a seleção norte-americana venceu os ingleses pelo placar mínimo.

Durante dois anos a capital mineira ficou sem jogos de futebol, já que o Mineirão e o Independência estavam em reforma. Por esta razão, as equipes de BH estavam mandando os jogos na “Arena do Jacaré”, em Sete Lagoas (a cerca de 70 Km).

A reinauguração contou com a partida entre América e Argentinos Jrs e marcou também o centenário do clube mineiro, a despedida de Euller (“Filho do Vento”), a estreia de Gilberto com a camisa do Coelho e, ainda, os 50 anos da TV Alterosa, do Grupo Diários Associados.

O estádio, ou a arena, como preferem chamar, é extremamente moderno, possui banheiros com bom acabamento e cadeiras confortáveis. Uma surpresa positiva foi a presença de “assistentes do torcedor” nas entradas e em todas as fileiras instruindo os espectadores e informando a necessidade de assentar-se no local indicado no ingresso. Tais medidas demonstram atenção ao Estatuto do Torcedor.

Como crítica construtiva, destaco a dissonância das tonalidades de verde das cadeiras, pois, ainda que tenha sido proposital, não ficou bom e parece falta de zelo.

Apesar disso, o saldo é positivo e inicia-se a mudança de paradigma acerca da forma do brasileiro acompanhar eventos esportivos.

Sobre o resultado da partida: o América venceu de virada, por 2 a 1, com gols de Alessandro.

No mais, bem vindo, Independência! Benvenido, Independência! Welcome Independência! Willkommen Independência! Accueil Independência! Welkom Independência! Benvenuto Indepenência! Bonvenon Independência! Benvinguda Independência!

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Ligas fortes estimulam o desenvolvimento do mercado esportivo

No próximo mês começará o Brasileirão [sem nome] 2012. O campeonato segue sem um parceiro de naming rights, mas isso não significa por si só uma deficiência no profissionalismo do futebol brasileiro. Com exceção da Barclays Premier League na Inglaterra, as principais ligas esportivas do planeta preferem adotar um modelo que engloba um grupo de parceiros em categorias diferentes para aumentar o bolo.

A decisão sobre qual modelo adotar envolve considerar condições do mercado e como a mídia trata o naming rights. Porém, algo que o naming rights de um campeonato sempre tende a refletir é a presença de uma liga forte. E liga forte não significa politicamente forte, e sim comercialmente forte.

Nas indústrias de futebol mais desenvolvidas, as ligas deixaram de ser operadas pela federação do país para serem administradas por oganizações profissionais. Podemos falar muito sobre a necessidade de os clubes se profissionalizarem, entretanto, para a indústria brasileira de futebol realmente se profissionalizar é preciso comecar pela liga.

Além de formar uma voz unificada nas negociações por direitos de TV e ter a liberdade para negociar patrocínios para o campeonato – tanto de naming rights ou múltiplos – que podem ser repartidos entre os clubes participantes da divisão, um dos maiores benefícios da liga profissional é o compartilhamento sistemático de informações entre os clubes.

O suporte aos clubes normalmente se dá por meio de uma extranet em que ficam disponíveis pequisas periódicas sobre torcidas, dados de transmissão de TV e exposição de marcas. Essas informações são cruciais para os clubes demonstrarem valor a potenciais parceiros. Além disso, os contratos fechados pela Liga com empresas de pesquisa permitem que o custo para cada clube seja seja muito menor do que se os clubes comprassem esses relatórios individualmente. Custo este que, normalmente, é coberto por uma parcela dos acordos individuais da liga.

No Brasil, a liga (Campeonato Brasileiro) é gerenciada pela CBF. Existe um bom número de profissionais competentes naquela entidade, mas não é novidade para ninguém que, como qualquer federação, uma série de interesses políticos giram em torno dela. O mesmo se aplica ao Clube dos 13, responsável pelos interesses dos maiores clubes do Brasil, mas que por própria definição consitui uma entidade política e não comercial/gerencial/administrativa.

A realidade do capitalismo demonstra que a melhor maneira de tornar uma organização mais eficiente é guiá-la em direção a uma crescente produção de bens, riquezas e resultados. Algumas pessoas podem custar a acreditar, mas com o futebol não é diferente.

A organização de um clube ou liga para a otimização dos resultados financeiros sempre levará inevitavelmente ao desenvolvimento do futebol como um todo, já que os resultados financeiros, se adminstrados de forma inteligente, podem ser reinvestidos em infraestrutura, programas sociais, jogadores e ultimamente em troféus.

Os resultados sempre falarão mais alto, mas para isso é preciso establecer um ambiente que liberte o potencial econômico do mercado. Os interesses políticos precisam ser deixados completamente de lado, permitindo que a única guia seja uma criação de valor para os clubes que se reflita em satisfação para o torcedor.

Mais importante que possuir um naming rights, é preciso que o Campeonato Brasileiro tenha uma liga verdadeiramente profissional. Esse avanço estimulará a cooperação entre os clubes e a disponibilidade de informações no mercado esportivo, permitindo que investimentos em patrocínios/parcerias sejam mais facilmente justificados, e estabelecerá uma liderança cujo objetivo é o desenvolvimento mútuo dos clubes.

A criação de uma liga verdadeiramente profissional e livre de influências políticas será o primeiro passo para a transformação da elite do futebol profissional no Brasil.

Para interagir com o autor: claudio@universidadedofutebol.com.br