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Esporte jovem

Por meio de redes, jogos eletrônicos, jogos sociais ou formas reduzidas do esporte. Esta tem sido uma tendência cada vez mais latente de algumas modalidades para ampliar a base de fãs da modalidade.

E o que se percebe é a preocupação por ocupar cada vez mais espaço entre as preferências do público jovem, classificado como o futuro formador de opinião da sociedade e, por consequência disso, consumidor do seu esporte preferido e que levará tal linguagem para as gerações posteriores.

Na mídia, os movimentos têm caminhado para este sentido também, com a valorização cada vez maior da prática esportiva entre crianças e adolescentes. Em entidades esportivas supranacionais, de administração do esporte, que se preocupam em apresentar uma linguagem mais descontraída da sua modalidade. E, logicamente, o posicionamento na internet e redes sociais, que permitem multiplicar com uma rapidez incrível a mensagem desejada.

Este breve e resumido relato serve para uma reflexão sobre o futebol que, em alguns casos, caminha para o lado contrário da linguagem do público jovem.

Acompanhei algumas pesquisas recentes que mostram o gradual “envelhecimento” dos apaixonados pelo futebol. É verdade que a redução é diminuta – e não poderia deixar de ser, por ainda ser, disparado, o esporte declaradamente preferido pela maioria das pessoas.

Não é preciso grandes revoluções ou transformações no jogo. Não se trata de mudar radicalmente a linguagem do esporte. Mas pensar em uma comunicação mais solta, que alie o universo do jovem com o mundo do futebol não é mais só atacar um nicho de mercado, mas sim competir para a sobrevivência da sua indústria no longo prazo.

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Chorar

O ato de chorar faz parte de nossas vidas.

Normalmente, segundo as mais intensas emoções, sejam elas positivas, carregadas de alegria, sejam impregnadas de dor e tristeza.

É a resposta fisiológica do corpo humano para algo que vem da mente ou do coração, da alma, do espírito, como queiram nominar.

Verter lágrimas de pranto é um dos gestos mais verdadeiros e belos que uma pessoa pode protagonizar ou testemunhar.

Alegria, tristeza, medo, depressão, raiva, dor, saudade, são alguns dos sentimentos emanados por nós que se concentram nos olhos e correm pelo rosto traduzindo, ao mesmo tempo a soma de tudo aquilo que somos, bem como as circunstâncias que provocam tal reação.

Nascemos chorando como instinto de defesa, para, inconscientemente, avisar aos que nos cercam de algum perigo ou necessidade.

O futebol é sempre pródigo em revelar toda nossa emoção através do choro.

Mais ainda num dia de decisões nos campeonatos estaduais, bem como no “Day after”, em que o luto por derrota ou celebração das vitórias ainda faz conservar o brilho molhado do pranto já derramado.

Um belíssimo exemplo disso veio nesta semana da equipe do Athletic Bilbao.

Na final da Liga Europa, após terem perdido o jogo para o Atletico de Madrid por 3 a 0, os jogadores desabaram no gramado, num comovente choro.


 

Choro esse que, imagino, mistura todas as emoções vividas durante uma belíssima temporada disputada pela equipe basca, sob o comando de Marcelo Bielsa, num momento intenso como uma final de competição européia favorece.

Somado a alegria, tristeza, medo, depressão, raiva, dor, saudade, está também o orgulho pelo trabalho realizado, e pela representação da comunidade basca, ainda que não tenha sido possível sublimar esse conjunto na representação da taça levantada pelo capitão.

Como diria o filósofo espanhol Ortega y Gasset, “Yo soy yo y mi circunstancia”, e o futebol permite aos clubes e a seus torcedores, bem como aos jogadores, viver intensamente cada circunstância de maneira plena, contribuindo, com a sua história, a construção da História e de grandes estórias.

Inclusive chorar.

Principalmente, chorar.

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A análise de desempenho no futebol – parte I: dados gerais

Depois da trilogia do Felipão, vamos agora para a série sobre a análise de desempenho!

Nos últimos anos, a análise de desempenho vem ganhando cada vez mais espaços no âmbito esportivo.

Em algumas modalidades, o papel da análise se configura com um dos pontos centrais da performance, como no futebol americano, beisebol, basquete, vôlei, futsal, atletismo, e assim por diante.

Assistindo a algumas partidas de vôlei da Superliga Nacional, notei que muitos treinadores ficam com seus tablets ao lado da quadra (alguns deixam com seus auxiliares) recebendo informações instantâneas sobre onde estão sendo os saques do adversário, onde os pontos estão acontecendo, onde a bola está passando pelo bloqueio, etc.

Será que tudo isso é importante? Será que ganha jogo?

No futebol, a análise de desempenho vem a algum tempo ganhando espaço, principalmente após a contratação do analista Rafael Vieira pela CBF. Quando o mesmo foi apresentado como membro da comissão de Mano Menezes, muitos se perguntaram o que esse profissional faria.

Mas o que ele faz?

Bom, neste ano iniciei um projeto piloto na base do clube e gostaria de compartilhar algumas reflexões e mesmo dúvidas sobre essa função.

No meu primeiro dia como analista de desempenho levantei as funções que pensei ser relevantes se tratando de formação e de resultado.

A lista é extensa.

De uma maneira geral, as funções giram em torno da análise individual dos atletas em treinos, jogos e fora do campo; análise coletiva da equipe em jogos e treinos; análise do adversário individual e coletivamente.

Dentro dessas funções, temos subdivisões que vão desde a análise comportamental do atleta até a análise das suas ações no jogo com controles subjetivos, quantitativos e qualitativos de seu desempenho.

Desempenho que precisa ser entendido com algo complexo, onde as variáveis são fractais do desempenho.

Por exemplo, em um controle hipotético de deslocamento do atleta, vejo que ele percorreu 6,320 km em um período de 80 minutos. Pelos parâmetros utilizados observo que é uma distância relativa baixa; contudo, com a análise do jogo, posso identificar que minha equipe recuperava a bola muito rapidamente e economizava energia para chegar ao gol adversário. Além disso, esse atleta ocupa muito bem o espaço e é ponto fundamental para a progressão da equipe com bola. Analiso também que mesmo tendo um volume total de deslocamento não tão alto. Suas ações de alta intensidade estão na média do grupo, ou seja, um dado apenas pode visto fragmentado do todo: complexidade.

O desempenho de um atleta de futebol não se resume as ações “táticas” ou ao posicionamento em campo. Ele é muito mais do que isso.

Analisar o desempenho do atleta é compará-lo com ele mesmo em toda a sua essência e verificar como cada variável está interagindo com as demais.

Depois de tudo isso é preciso ainda gerar as informações e os relatórios para os diversos departamentos do clube. Cada um deles precisa de um tipo de informação baseado nos próprios dados que eles fornecem para o analista que tem o papel integrador da informação. Ele deve agir como um ser transdiciplinar dentro do clube.

Mas e as informações para o treinador?

O que é importante para ele ganhar os jogos?

Muitas informações!

Mas não todas!

Como diria Renato Russo:

“Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.”

Isso é a análise de desempenho.

Em próximas colunas continuo essa discussão.

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
Rafael Vieira, analista de desempenho da seleção brasileira principal

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As regras certas e a dinâmica do jogo: favoreça um treinar (jogar) de qualidade! – parte II

Após a coluna da semana anterior alguns leitores me perguntaram sobre o modelo de periodização que defendo. Como o futebol, em sua essência, é um jogo, qualquer planejamento de treinamentos que não periodize o jogar complexo e sim fragmentos da modalidade estará minimizando resultados, pois dedicará horas cruciais das sessões de treino para o desenvolvimento de capacidades isoladas e, portanto, distantes das situações-problema impostas pelo jogo.

Posto isso, evidencio que sou adepto de uma periodização com fundamentação sistêmica, que não é a tática, dada as diferenças que vejo em minha atuação, e também não é a complexa de jogo, devido às minhas limitações/poucas informações acerca deste modelo.

São por motivos como estes que expus minhas dúvidas e questionamentos num dos ambientes mais favoráveis para se discutir futebol no Brasil. As dúvidas e questionamentos se limitaram à vertente física do jogo. Afirmo, porém, que inquietações também existem para as demais vertentes…

Dúvidas à parte (que sempre existirão numa busca constante por conhecimento), é momento de pensar a sessão de treino. E para criar jogos em que as situações-problema sejam semelhantes as que irão ocorrer nas competições, estejam certos (e para isso, obviamente, não há dúvidas) que as soluções não estão nos intervelados de corrida, nos treinos pliométricos, na sala de musculação, nas caixas de areia, nas trações, nos tático-sobra, nos coletivos sem bola, na repetição de fundamentos ou em quaisquer outros treinos analíticos.

A solução está nos jogos bem criados e corretamente orientados.

Acertar na criação de um jogo parece simples, porém, ao longo de minha jornada profissional como atleta ou gestor de campo vivenciei inúmeras situações que foram jogo, mas, mesmo assim, estavam distantes (ainda que melhor do que os treinos analíticos) do jogar desejado.

Já joguei o conhecido “futebol alemão” durante incontáveis semanas seguidas com as mesmas regras e as mesmas intervenções do treinador. Semana após semana, nossos problemas e adversários não eram os mesmos, porém, os treinos sim. Também já presenciei discussões que o mesmo jogo pode ter objetivos diferentes, inclusive opostos. Por exemplo, trabalhar o igualmente conhecido “passa 10” para objetivos como a posse de bola e para a recuperação da posse de bola.

Penso que para jogos iguais, objetivos iguais (no máximo, semelhantes). Lembrando, é claro, que se houve a adição de uma regra sequer, já não é mais o mesmo jogo.

Enfim, inúmeras situações de treino vivenciadas poderiam ter maior eficácia e contribuição na construção de um jogar coletivo de qualidade. O desconhecimento, gerado pela incompetência inconsciente, e até mesmo a preguiça de pensar o treino são fatores limitantes na criação de jogos.

Algumas ações podem ser suficientes para impedir a ocorrência destes erros. Entre elas:

• Saiba exatamente o nível em que se encontra sua equipe para cada um dos momentos do jogo;

• Saiba exatamente o nível que você pretende atingir em cada um dos momentos do jogo;

• Decida quais são os objetivos do jogo que será criado;

• Defina as regras do jogo.

É justamente ao definir as regras do jogo que muitos se perdem. Definem um objetivo, mas criam regras que se desencontram; estabelecem regras vagas, distantes do que se quer construir; são incoerentes com as pontuações, privilegiando ações de fácil execução; definem muitas regras, deixando o jogo confuso, definem poucas regras, deixando o jogo pouco complexo. Ou seja, erros que podem ser fatais na rodada seguinte.

Para criar regras convergentes para o objetivo de desmarcações, por exemplo, é possível privilegiar o passe recebido em um espaço vazio no campo ofensivo. Para trabalhar recuperação da posse de bola, punir a equipe que não recuperar a posse a partir de um setor delimitado em um curto espaço de tempo é uma opção. Para trabalhar progressão com passes curtos, a obrigatoriedade de passes pra frente até a intermediária ofensiva pode ser uma boa ideia.

Em relação às pontuações, deve se atentar ao fato de nenhuma ação ter maior pontuação que o gol, pois para cumprir a lógica do futebol formal (é para isso que se treina) gols precisarão ser feitos. Exemplificando: dar maior pontuação para a posse do que para o gol pode criar o mau-hábito em uma equipe querer fazer mais a posse do que o gol.

Pode ser interessante pensar na seguinte combinação: posse no ataque por 15 segundos = 1 ponto; gol = 2 pontos; posse + gol = 5 pontos.

Já sobre a quantidade de regras, insira mais ou menos de acordo com os objetivos pretendidos e respeitando o já mencionado nível de sua equipe e o princípio da progressão complexa.

Com o jogo elaborado, o último detalhe, mas não menos importante, compreende a correta intervenção do treinador. É dele a missão de construir referências coletivas comuns que no jogo formal se manifestarão adequadamente em ações correspondentes à auto-organização do jogo.

Na próxima coluna que tratar deste tema, será iniciada a discussão de regras favoráveis à aquisição de determinados comportamentos coletivos referentes à organização ofensiva.

Para quem tiver interesse, disponibilizo por e-mail uma planilha orientadora para treinamentos. Nela, será possível atentar-se para elementos centrais na elaboração de uma sessão de treino e estabelecer as inter-relações e combinações do jogo criado com os objetivos propostos.

Abraços e até a próxima semana!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br 

Leia mais:
As regras certas e a dinâmica do jogo: favoreça um treinar (jogar) de qualidade – parte I

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais exclui responsabilidade de clube e de federação por morte de torcedor

A 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou o recurso de um casal em ação de indenização pela morte do filho, resultante de uma briga entre torcidas em abril de 2004. Na decisão, a Federação Mineira de Futebol e o Cruzeiro Esporte Clube foram retirados do processo por serem considerados isentos da responsabilidade pelo ocorrido.

A referida decisão é atinente a um aspecto preliminar do processo; o mérito, se haverá ou não indenização, ainda está pendente de julgamento.

O torcedor foi morto durante briga entre membros das torcidas do Clube Atlético Mineiro e do Cruzeiro Esporte Clube, no terminal rodoviário “BH Bus” na região de Venda Nova, cerca de 10 quilômetros do estádio, em 11 de abril de 2004, dia em que foi disputada a final do Campeonato Mineiro daquele ano no Mineirão.

Os pais da vítima ajuizaram ação de indenização por danos materiais e morais contra o Estado de Minas Gerais, a BHTrans, sociedade de economia mista municipal responsável pelo trânsito, a Federação Mineira de Futebol, o Cruzeiro e alguns torcedores do Atlético.

Em 1ª instância, o Magistrado considerou que a Federação e o Cruzeiro não podiam ser responsabilizados pelo incidente, pois “as atribuições legais dessas instituições se limitam às circunscrições do local onde ocorre o evento esportivo”.

No recurso, o casal solicitou que a Federação Mineira de Futebol e o Cruzeiro também fossem responsabilizados pela morte de seu filho.

O Desembargador relator entendeu que a situação foge da responsabilidade da entidade organizadora da competição e da entidade da prática desportiva, pois os fatos não se deram no lugar do evento ou nas imediações de sua realização e, portanto, manteve a decisão de primeira instância.

“A alegação recursal de que o Estatuto do Torcedor não impõe limite de distância entre o palco do evento e os locais utilizados para transporte dos torcedores não supera, primeiro, a previsão daquele quanto a aspectos e definição de segurança e, segundo, a imposição de aplicação do princípio da razoabilidade”.

O Estatuto do Torcedor estabelece a responsabilidade objetiva do clube mandante, da entidade organizadora e seus dirigentes pelos danos sofridos pelos torcedores em razão do evento esportivo, sendo-lhes garantida a segurança antes e depois da partida.

Ademais, é direito do torcedor ter a segurança nas imediações do estádio em que será disputada a partida, bem como suas entradas e saídas, de modo a viabilizar, sempre que possível, o acesso seguro e rápido ao evento, na entrada, e aos meios de transporte, na saída.

Destarte, considerando-se que as estações de ônibus constituem sistema de transporte público indispensável para o acesso ao evento esportivo e que o dano somente ocorreu em virtude dele. Considerando-se, ainda, que é dever das entidades envolvidas garantir a segurança do torcedor, a federação e o clube possuem, sim, legitimidade para figurarem como réus na ação.

Além deles, nos termos do artigo 39-B, do Estatuto do Torcedor, a torcida organizada responde civilmente, de forma objetiva e solidária, pelos danos causados por qualquer dos seus associados ou membros no local do evento esportivo, em suas imediações ou no trajeto de ida e volta para o evento; ou seja, tendo havido participação de componentes de torcida organizada, a entidade também poderia constar no pólo passivo.

De toda sorte, medidas judiciais como esta são de extrema valia para a efetivação dos direitos do torcedor, uma vez que somente com seu uso reiterado será possível aplicar corretamente e em sua plenitude o Estatuto do Torcedor.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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Cidade-sede: Belo Horizonte

A reforma está bem projetada sem descaracterizar o famoso estádio mineiro, o Mineirão. Em suas principais características de fachada, mantém o símbolo do futebol local, mas, desta vez , revitalizado e atualizado. A arquitetura é de Gustavo Penna, arquiteto mineiro.

Um dos projetos em que a circulação externa foi bem pensada, este apresenta uma grande esplanada que garante a dissipação do público e que fica localizada sobre os estacionamentos, que, por sua vez, aproveita a inclinação do terreno. O desenho de piso é baseado na distribuição da massa em sentido radial e, de quebra, ainda enfatiza a arquitetura do estádio, destacando-o.


 

A grande praça tem a função de ligar o estádio ao Mineirinho (à extrema esquerda na foto acima), valorizando o complexo para o futuro. Sob as lajes, além dos estacionamentos, estão os espaços para suporte do evento, com pé direito duplo, o que amplia o leque de atividades que possam ser realizadas no local após a Copa do Mundo 2014.

Sua cobertura, por responsabilidade também da GMP arkitekten, famosa pela vasta experiência em estádios e cobertura dos mesmos, é metálica, leve, presa por tirantes, e deveria, inicialmente, receber policarbonato, o que poderia amarelar com o tempo, pois o material não é mais adequado. Felizmente, foi divulgada a informação de que a cobertura será em uma membrana de dióxido de titânio, mais econômica que o policarbonato, e com funções mais interessantes.

Segundo o site Ciclo Vivo, “este elemento, em contato com a umidade do ar e as gotas da chuva, se comporta como se fosse um teflon (revestimento de panela) – nele a sujeira não gruda nem se acumula. Mas, a reação química entre as moléculas de água e o CO2 da atmosfera na presença do dióxido de titânio gera CO3, nitrogênio. É como se o revestimento fizesse uma espécie de fotossíntese, retirando o gás carbônico da atmosfera.”

Ainda na mesma matéria, de acordo com uma empresa do material, “esta limpeza é garantida durante o dia pelo estímulo dos raios ultravioletas e à noite são alimentados por células fotovoltaicas. O revestimento evita danos à superfície e, consequentemente, diminui o custo de manutenção”.

A DuPont é uma das fabricantes do chamado Ti-Pure R-105 e apresenta como uma das principais características a cor branco-azulada, que favorece uma cobertura térmica. Foi declarado em 2011 que o Mineirão produzirá energia solar para residências das proximidades, a qual surge da união deste material à uma planta geradora de energia. Com uma segunda planta destas, a capacidade de alimentar mais residências aumenta, e a perspectiva é que beneficie 1.500 casas.

A cobertura ainda facilita a insolação do campo (rebaixado em 3,5m em relação ao original), protegendo contra o desenvolvimento de pragas no gramado. Dessa forma, a manutenção do mesmo é mais econômica. A cobertura, hoje, já recebe suas peças metálicas, garantindo o bom andamento do cronograma da construção.

Com estas informações, podemos classificar o estádio como um que está um pouco a frente ao restante já que tem, de fato, características sustentáveis. Seria função de todos tentar conseguir o selo verde de construção, o que provavelmente não vai ocorrer, mas o máximo que puder ser feito, a sociedade apoia.

Parte da compensação pela construção desta área impermeável, que é a esplanada, é registrada pela distribuição a artesãos mineiros da madeira do estádio, podendo ser reciclada. Além disso, o governo pretende plantar cerca de 3.500 árvores próximo à Pampulha.

Espero que seja realmente cobrado pela sociedade tal postura, e que seja feito antes da Copa, pois, depois do evento, poucas vezes aparece alguma preocupação.

Sinto que falta um pouco de ideia de quais eventos podem ser realizados, o que não é função do arquiteto – o mesmo somente se encarregou de elaborar um projeto que pudesse abrigar eventos genéricos, ainda não definidos. Minas, há algum tempo, esteve pesquisando muito sobre os eventos, inclusive na África do Sul, durante a Copa 2010, e deve apresentar cada vez mais novas soluções para um evento mais saudável na capital Belo Horizonte.

Atualmente, a obra segue com vários trechos em execução além da cobertura, como o sistema de elétrica, hidráulica, drenagem e também do piso da esplanada. Minas é uma das cidades mais organizadas e mais transparentes, que cedem mais informações. Um site, inclusive, foi lançado. Nele, todos podem saber um pouco mais sobre a preparação da cidade, do estádio e demais notícias.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

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Cidade-sede: Cuiabá
Cidade-sede: Salvador
 

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Velocidade da inovação

A leitura de alguns textos e livros que retratam o desenvolvimento do esporte no Brasil e no mundo são sempre apaixonantes. Acompanhados de histórias curiosas e inovações de suas épocas, que parecem banais nos dias de hoje, eles tiveram contribuições significativas para a transformação da indústria do esporte como negócio tal e qual conhecemos atualmente.

No futebol, as chuteiras, com transformações graduais em seu formato e leveza; as camisetas, que foram se moldando para facilitar a transpiração dos atletas; e os patrocínios, que marcaram os primeiros passos para a construção do esporte como negócio.

Em todos os casos, as mudanças foram tratadas como devaneios ou afronte de quem os propunha perante a sociedade da época. É interessante pensar que Adidas e Nike, entre as décadas de 1940 e 1970, se desenvolveram em um mesmo período por caminhos distintos, em diferentes territórios, sem que nenhuma soubesse da existência da outra até se encontrarem na luta pela liderança do mercado global esportivo a partir da década de 1980-1990.

Em um mundo globalizado, como este em que vivemos, isso é de fato impensável. As inovações custavam a ser aplicadas na íntegra, levando algumas vezes décadas até o seu efetivo reconhecimento.

E é no cerne desta questão, de mundo globalizado em relação à gestão do esporte, que queria levantar algumas reflexões, especialmente relacionadas à velocidade da mudança em termos de modernidade e inovação aplicada às organizações esportivas.

Será que temos que esperar tanto para ver algumas inovações que, uma vez aplicadas com sucesso no exterior, poderiam ser reproduzidas na realidade local? Desde a gestão de patrocínios até as arenas, passando pela relação entre atletas e a mídia. Muitas destas coisas, principalmente no ambiente do futebol, possuem uma forte raiz amadora, que não combina com a projeção, a movimentação financeira e a amplitude da modalidade praticada no Brasil.

Se desconhecêssemos outros exemplos, até entenderia o percurso por outros rumos. Mas sabendo como o mundo trata a gestão e os negócios do esporte, percebemos o quanto é possível mudar e inovar com mais velocidade e inteligência, melhorando inclusive estas inovações.

Por incrível que pareça, em pleno século XXI, ainda tomamos decisões e lidamos com as mudanças no âmbito da gestão aplicada ao esporte como se a distância entre o Brasil e os grandes centros do esporte mundial estivessem a vários quilômetros de distância ou separados por um oceano, quando na verdade estamos a pouco menos de um clique.

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Precisamos falar do legado

O Brasil precisa se acostumar mais a discutir os temas que lhe são caros.

Também aqueles assuntos que não são tão fáceis.

Não apenas aceitar ou negar aquilo que acontece ao nosso redor.

A inquietação aguça a criatividade e, como consequência, a evolução das coisas.

À exceção das histórias de alguns poucos ídolos da vez dentro das quatro linhas, contadas por programas de televisão com todas as tintas dramáticas do menino que virou homem e atinge o estrelato, fama, dinheiro e cia., o futebol brasileiro não sabe debater o verdadeiro potencial de transformação social que esse esporte pode ter.

Ou não quer tratar do assunto.

Aliás, no mundo, fala-se pouco a respeito. Faz-se menos ainda.

Mesmo assim, muito à frente do Brasil.

Esse elefante branco na sala do futebol mundial deve ser enxergado sem constrangimento.

Mais ainda em tempos de Copa do Mundo 2014 e o incessantemente invocado legado que o evento deixará ao país.

Ao contrário, aproveitar a energia positiva do esporte e fazer com que sua disseminação organizada se constitua num legado social permanente.

Na Europa e nos EUA – pelo menos até onde chego com minhas investigações – os clubes, as ligas e as associações nacionais constituem institutos, fundações, ou até mesmo programas permanentes que integram a sociedade ao futebol, ou levam o futebol onde a sociedade está (normalmente em situações desfavorecidas).

Fifa e ONU, cada uma a sua maneira, têm em seus quadros mandatários designados para cuidar da responsabilidade social corporativa no esporte.

A Unicef inclusive possui acordos com clubes de futebol, dentre os quais o Flamengo no Brasil.

É pouco. É quase nada de efetiva mobilização e engajamento da cadeia.

Basta que se visite os sites oficiais de Uefa, Premier League, Federação Irlandesa de Futebol, Chelsea, Arsenal, Liverpool, Manchester United e City, Tottenham, Real Madrid, Barcelona, Milan, Bundesliga, Bayern Munich, Major League Soccer, para se constatar a diferença de tratamento ao tema e os programas – mais do que ações – que são executados.

Até mesmo Boca Juniors e River Plate, para invocar a comparação aos latinoamericanos, têm atuação contundente.

E no Brasil? Internacional, Grêmio e Vasco têm atuação organizada e louvável.

Ok, falta dinheiro e não é a atividade principal.

Ok. E qual ONG tem a capacidade de mobilização que os clubes de futebol têm em suas comunidades?

Belíssimas e organizadas iniciativas vemos na Fundação Gol de Letra, Fundação Cafu, Instituto Bola pra Frente, Instituto Deco, Instituto Paulo André, Atletas pela Cidadania, Instituto Bom de Bola.

O primeiro passo para mudar esse cenário e, sim, copiar o que é feito lá fora, nesse caso, é começar a falar sobre o elefante na sala.

Incluir na pauta de eventos do terceiro setor e até do poder público.

Bom, antes disso, deve-se querer enxergar o elefante na sala.

Empurrar pra baixo do tapete não dá, é muito grande…

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Chelsea e Sauber: futebol e Fórmula 1

Na ultima semana, em nota oficial, a escuderia de Fórmula 1 Sauber e a equipe de futebol inglesa Chelsea anunciaram uma parceria.

À primeira vista, um negócio que causou certo estranhamento no mundo esportivo, um pouco pela fama dos envolvidos e um pouco pela forma inusitada de se vincular futebol e F1.

No site oficial da equipe inglesa, o presidente-executivo Ron Gourlay disse: “Esta parceria vai beneficiar ambos, com o potencial de criar oportunidades comerciais únicas”.

O dirigente destacou ainda o foco na troca de conhecimentos, no desempenho de negócios, intercâmbio em ciência do esporte e proposta de captação conjunta de investidores no mercado. Uma troca de know-how, poderíamos chamar assim.

Pelo lado da Sauber quem se manifestou foi o CEO da escuderia, Monisha Kaltenborn:

“Existem numerosos pontos em comum e sinergias possíveis. Em ambos os casos estamos falando do desporto no mais alto nível, tanto no automobilismo como no futebol. A Sauber F1 Team e o Chelsea FC investem pesado em muitos aspectos comerciais e esportivos, assim queremos reforçarmo-nos mutuamente nessas áreas. Estamos ansiosos para explorar essas oportunidades”.

Nitidamente, esta parceria denota uma troca de experiências e oportunidades de atrair novos investidores, mas um ponto chama a atenção – e este até poderia passar despercebido, pois para alguns colegas com quem discutimos tal notícia o item parece não ter força dentro do pacote de ações que serão desenvolvidas. Trata-se da troca com ênfase na formação de talento, algo assinalado nas palavras do diretor do Chelsea.

O termo “ciência do esporte” foi mencionado por ambos os dirigentes, e pelo lado do clube ainda foi citado que um dos pontos de sinergia é justamente a capacidade da equipe Sauber com seu programa de desenvolvimento de talentos de formar novos e bem sucedidos pilotos, coisa que agrada aos Blues.

Precisamos esperar para ver o que de fato será feito da parceira nesse segmento, mas que a proposta é interessante, sem dúvida nenhuma é. Sabemos que a Fórmula 1 utiliza de tecnologia de ponta e investe forte no desenvolvimento do carro, mas também na formação de pilotos.

E neste aspecto acho que o futebol tem muito a ganhar, pois na formação das competências e habilidades de um piloto encontramos por inúmeras vezes estímulos para lidar com variáveis diversas e interpretação de informações para a tomada de decisão.

Essas tecnologias (recurso e processo) que podem ser intercambiadas entre as partes pode ajudar e muito na formação de futuros jogadores, à medida que, seja pelo aspecto mental, seja pela leitura diferenciada das informações, ou por outro elemento qualquer, agregam-se elementos diferenciais.

Agora, é esperar pra ver. A largada foi dada. Vamos aguardar a bandeirada final.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br
 

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Uma história do jogo

Peço licença aos leitores, mas nesta semana gostaria de trazer uma coluna um pouco diferente da usual, porém com total relação com os nossos assuntos de campo (complexidade!).

Era uma vez um garoto que sonhava em ser jogador de futebol…

Todos os dias o mesmo ia para a escola e no intervalo desafiava seus colegas em um confronto “1×1”, em que a bola era uma latinha e o gol era marcado entre duas árvores.

Depois da escola e do dever, o garoto corria para o campinho de terra com seus amigos para o “clássico”.

Antes de começar a partida, dois eram incumbidos de assumir o papel de dirigentes da equipe. Logo após o par ou ímpar, os mesmos iniciavam as “contratações” alternadamente.

Formadaz as equipes, os uniformes eram definidos em “com camisa” e “sem camisa”.

Os juízes (os próprios jogadores) definiam a regra e qualquer discussão era inaceitável com pena de expulsão para o infrator: “pediu parou, parou” e ponto!

No desenrolar da partida, as referências eram circunstanciais: cada um fazia aquilo que achava melhor para si e para o grupo e se a decisão fosse errada, logo os técnicos (os próprios jogadores) chamavam a atenção do mesmo, pois ninguém ali queria perder, ainda mais se tivesse algum time de fora!

Por horas os “atletas” ficavam imersos no jogo, “treinando” jogadas de efeito, de classe, simples, complexas, criando novas, etc.

Os mais velhos marcavam de perto os mais novos, principalmente os mais habilidosos; estes, por sua vez, tentavam ajudar os ainda mais novos, tocando a bola para eles, mas logo a pediam ou até tomavam-na de volta.

 

 

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O senhor do jogo tomava conta de muita coisa.

E o jogo continuava…

…Até o apito final, que geralmente era dado pela noite.

Os dias seguiam assim e, por algum motivo, os garotos evoluíam, e com o tempo o sonho de criança ia batendo às suas portas, e os garotos iam buscar espaço em categorias de base em escolas de futebol, etc.

Mas, nesse momento, alguns “jogadores” paravam de evoluir e o prazer do jogo lhes era retirado e muitas vezes o sonho se tornava pesadelo…

Não havia mais brincadeira.

O jogo era destruído em partes que precisavam ser entendidas a qualquer custo!

Agora, cinquenta minutos parece uma eternidade!

Agora eles não têm controle sobre nada do jogo.

E tudo parece chato…

A história parava por aqui.

Mas hoje somos responsáveis pela revolução do processo de ensino e aprendizagem!

Somos responsáveis por trazer o jogo para nossos atletas e sistematizar não aquilo que é fragmentado e destituído de sentido, mas sim a essência do jogo.

Nossos jogadores estão ávidos por isso, ainda mais agora que os espaços de prática do futebol de rua estão cada vez mais escassos.

Somos responsáveis pelos sonhos de muitos, então precisamos saber muito bem qual caminho seguir e guiar nossos “atletas”, pois todas histórias começam com “era uma vez”, mas nem todas têm um “final feliz”.

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br