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Crise de identidade

Obina não tem nem duas semanas e já virou ídolo no Palmeiras. Antes mesmo de entrar em campo, a expectativa da torcida era gigantesca. Bastou jogar a primeira partida e o apoio foi irrestrito, fazendo do jogador um dos casos mais bizarros dos últimos tempos.

Mas o que Obina pode ter que os outros não tem?

O carisma, sem dúvida, é um dos primeiros fatores. O atacante parece enfeitiçar o torcedor, enchê-lo de esperança de que dias melhores virão com a sua grandiosa presença na área rival.

Só que parece haver algo maior, uma característica que está presente em Obina e não tanto em diversos outros jogadores que atualmente desfilam pelos gramados brasileiros.

Sim, é isso mesmo. Desfilam. Porque se comportam como se estivessem apenas de passagem pelo país. Numa espécie de desfile para o comprador internacional. Tal qual a modelo que se exibe na passarela em busca de um contrato com uma grande agência, ou com uma grande marca, muitos jogadores que atuam hoje no Brasil se comportam dessa forma.

Especialmente nos times “de aluguel”, com atletas contratados por grupos de investimento. É o caso do Palmeiras, que tem hoje três jogadores que se identificam especialmente com a torcida. Marcos, cria da casa e há 17 anos no clube; Pierre, contratado na era pré-Traffic; e Obina, recém-chegado ao clube e que não teve a contratação avalizada pela “parceira”.

Esses três jogadores parecem ter criado uma clara relação com o torcedor. São aqueles que os representam dentro de campo, que quando vão jogar não estão preocupados com o desfile, mas sim com aquilo que é o bem mais precioso: a vitória.

A crise de identidade acomete atualmente a maior parte dos clubes. Com a transformação do futebol brasileiro numa grande vitrine para a Europa, o jogador muitas vezes vai a campo com a certeza de que está ali apenas de passagem. Que não é importante jogar bem, se dedicar, alcançar a vitória. Que o fundamental é preservar as canelas para que seu empresário o coloque, na próxima temporada, para atuar no Barcelona, no Real Madrid, no Manchester…

Os craques de bola, assim, deixam de ser ídolos. E o Brasil se acostuma a ver, no jogador dedicado, o potencial de identificação com a sua torcida. Para quem precisa do ídolo para gerar mais receitas e manter times vencedores, essa é a pior coisa que poderia acontecer…

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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A fisiologia do jogo e a ação do treinador

O treinamento de jogadores e equipes de futebol tem se apoiado em uma série de premissas que sustentam há tempos teorias constituintes das Ciências do Desporto.

Como já pontuei outrora, cada vez mais, na busca pela especificidade das cargas de treino e de resultados de altíssimo nível, novas premissas vêm apontando para caminhos pouco explorados no desenvolvimento da performance de jogadores e equipes de futebol.

Hoje, mundialmente, várias são as frentes de pesquisas que estão em busca do melhor entendimento do jogo de futebol a partir das teorias da complexidade. E como se não bastassem as pesquisas (e realmente e obviamente, não bastam!) equipes de futebol européias tem reforçado na prática com suas conquistas e treinamento de alto nível, a necessidade de um entendimento da totalidade que envolve a preparação do futebolista.

Então, apesar de no Brasil tal idéia parecer engatinhar na prática dos clubes de futebol e andar vagarosamente nos centros de referência e pesquisas, em alguns outros países a consciência da necessidade de se entender o jogo em todas as suas dimensões de maneira transdisciplinar há tempos vem suplantando “antigos-novos” “pensamentos-barreiras” enraizados em um plano cartesiano sem fim.

E em quanto onde se engatinha, a busca está ainda em entender como treinar o jogo jogando, onde se anda a passos largos as buscas se centram cada vez mais no entendimento complexo do que é o jogo transcendendo seu significado comum.

Existem ainda muitas coisas para se descobrir, assim como existem muitos equívocos acontecendo na prática em função desse “à descobrir” (e também, inevitável, em função do mau entendimento daquilo que as teorias dizem).

Uma coisa que venho discutindo há algum tempo é a “crença” de que o jogo (ao se treinar jogadores e equipes “jogando”) por si só a partir de suas regras, seria capaz de gerar respostas adaptativas e ganhos (em todas as dimensões da preparação do jogador – físico-técnico-tático-psicológica) na performance desportiva de jogo. É claro que não!

Balbino (2005) já chamava a atenção para o fato de que a ação do treinador transecenderia o método. E isso não significa que o método não é importante; isso significa que o método por si só não garante êxitos se ação de quem o conduz não estiver voltada para aquilo que se quer alcançar.

Recentemente, Rampini et al (2007) mostrou em seu trabalho sobre fatores que poderiam influenciar as respostas fisiológicas de jogadores em treinamento de futebol a partir de jogos em espaços reduzidos, que a comunicação verbal com caráter “orientador” e “encorajador” por parte do treinador nos treinamentos pode alterar tanto a dinâmica quanto a resposta fisiológica de jogadores presentes nesses jogos.

Isso não quer dizer que ficar se “esgoelando” na beira dos “mini-campos” nos treinamento, dizendo o que o jogador deve fazer, levará a um desempenho de jogo melhor. O significado disso é que a atuação do treinador requer intervenções que sejam condizentes com os objetivos dos jogos, construídos a partir de regras específicas, e que contribuam para a melhor compreensão dos jogadores sobre o significado de suas ações no jogo, dando-lhes autonomia para tomar decisões.

Em outras palavras, a ação do treinador tem que, em conjunto com o jogo, potencializar os objetivos que serviram de parâmetro para a construção dessa ou daquela sessão de treino, desse ou daquele jogo em espaço reduzido.

A Fisiologia do Esporte, especialmente fora do Brasil, tem buscado se transformar em Fisiologia do Jogo; tentando entendê-lo melhor. Exemplos como o trabalho mais recente de Hill-Hass et al (2009) – analisando as respostas fisiológicas e a movimentação de jogadores de futebol S17 em treinamento a partir de jogos em espaços reduzidos – tem sido cada vez mais freqüentes.

Infelizmente em diversas áreas das Ciências do Desporto (e em outras também!) falta a compreensão de que a teoria só faz sentido se ela também for “a prática” (e também “à prática”), unidas em uma coisa só, dando significado uma a outra.

Não precisamos de respostas para perguntas que não fazem sentido. Não precisamos de respostas para perguntas que não foram àquelas que fizemos.

A prática tem que ser “praxis”, e a teoria… bom, a teoria também…

Trabalhos mencionados no texto:

BALBINO, HF. A pedagogia do treinamento: método, procedimentos pedagógicos e as múltiplas competências do técnico nos jogos desportivos coletivos. Tese de Doutorado. 2005. Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas.

RAMPININI E;  IMPELLIZZERI FM;  CASTAGNA C;  ABT G;  CHAMARI  K;  SASSI A; MARCORA SM. Factors influencing physiological responses to small-sided soccer games. Journal of Sports Sciences, 25(6): 659-666, 2007.

HILL-HAAS, SV; DAWSON, BT; COUTTS, A; ROWSELL, GJ. Physiological responses and time-motion characteristics of various small-sided soccer games in youth players. Journal of Sports Sciences, 27(1): 1-8, 2009.

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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Corrida contra o relógio

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Estamos em uma verdadeira corrida contra o relógio para a organização da Copa de 2014. Como tivemos a oportunidade de notar, a CBF anunciou na recém-realizada reunião do Comitê Executivo da Fifa, através de seu presidente Ricardo Teixeira, as cidades-sede da Copa.

São elas, em ordem alfabética:

* Belo Horizonte
* Brasília
* Cuiabá
* Curitiba
* Fortaleza
* Manaus
* Natal
* Porto Alegre
* Recife
* Rio De Janeiro
* Salvador
* São Paulo

Acredito que não tivemos grandes surpresas na escolha, principalmente considerando as tradições futebolísticas da maioria dessas cidades. 

Ocorre, entretanto, que temos muito pouco tempo para que essas cidades consigam organizar esse grande evento, tanto com relação a condições individuais (estádios, hotelaria, transportes intra-municipais, etc), como também com relação ao coletivo (estrutura nacional de transporte, por exemplo).

Tudo deverá estar praticamente pronto para 2013, quando da realização da Copa das Confederações. Ou seja, falta muito pouco.

Entendo que os estádios poderão até ficar todos prontos a tempo. Porém, principalmente em termos de capacidade de transporte, acho que já estamos bem atrasados nas obras. Obras de metrô, ampliação de aeroportos, estradas, outros transportes públicos, dificilmente ficarão prontas para 2014, e muito menos para 2013.

É importante que essas obras sejam feitas de forma cautelosa, para que a herança pós-Copa do Mundo seja aproveitada pela população brasileira. Não queremos gastar fortunas com estádios, por exemplo, que não tenham sua utilização pós-Copa bem planejada. 

O Estado, por exemplo, caso participe do financiamento, deverá exigir uma reserva de uso dessas estruturas para permitir que o esporte amador e de formação possa ser beneficiado em um segundo momento. Dessa forma, aqueles que hoje não tem acesso a estruturas de primeira linha dentro da estrutura piramidal do esporte, possam tê-las com o efeito da Copa.

Isso. Projetos sociais também devem ser beneficiados com essa nova estrutura, de forma sustentável e planejada, dentro de um princípio democrático e de solidariedade.

Não queremos também, que a estrutura de segurança pública seja reformulada apenas para garantir a segurança dos turistas e delegações, e que após a Copa tudo volte à mesma situação (ou pior) do que temos hoje.

Para que tudo isso faça sentido, é preciso que todas as obras tenham uma voz de cada grupo, que representem diversos atores do nosso dia-a-dia, como autoridades do esporte, autoridades públicas, clubes, atletas, representantes de determinados setores na sociedade, empresas, entidades que desenvolvem projetos sociais, etc.

Temos que maximizar o boom da Copa para o benefício de todos nós, brasileiros, e, principalmente, da camada mais carente da nossa sociedade. Mas isso somente será possível com obras e projetos que tenham sido bastante discutidos e pensados.

Espero que essa corrida contra o relógio não coloque todo esse planejamento de lado…

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br

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Ciência

Enfim definiram as sedes para a Copa de 2014. Em menos de cinco anos, as cidades têm que se coçar para construir estádios, melhorar a infra-estrutura de acesso e de transporte, melhorar os aeroportos, melhorar a segurança, melhorar a segurança e tudo mais. O tempo urge. Tamanha é essa urgência que é difícil acreditar que as coisas prometidas vão ser realizadas. Os estádios certamente irão. De resto, possivelmente não. Em cinco anos, dá pra planejar e implementar um projeto de um trem bala que ligue dois pontos a 500 quilômetros de distância um do outro? Não faço idéia. Acho que quem anunciou o projeto também não.

De qualquer forma, é importante focar naquilo que vai ter que obrigatoriamente ficar de pé, os estádios.

Os projetos são sensacionais. Um mais bonito que o outro, principalmente com a lotação máxima, os fogos de artifícios, os papéis picados e tudo mais que apresentaram junto com as projeções das construções.

Aparentemente, entretanto, quem montou os projetos não conhece muito bem o mercado de futebol brasileiro, ou então não está preocupado com ele. Porque é fato que os projetos não são minimamente racionais.

Uma prova disso é que dos 12 estádios escolhidos, cinco mantêm o formato oval, e apenas um desses cinco tem uma pista atlética. Ser um estádio oval com uma pista atlética já é um desperdício. Ter um estádio oval sem pista atlética, então, beira a ignorância.

Para começar, nenhum estádio justifica uma pista atlética. É um baita desperdício de dinheiro. Fora um ou outro evento, que acontece uma ou outra vez por década, nenhum estádio lota por causa de atletismo. É uma triste verdade.

E não ter a pista é pior ainda. Isso é um certo padrão da arquitetura atual dos estádios brasileiros, e a Copa é a grande chance de mudar isso. Ao afastar o público do campo, você minimiza a atmosfera do jogo o que implica em uma grande perda de atratividade. Estádios com arquibancadas mais próximas do gramado atraem mais torcedores. Isso é fato comprovado. A diferença é algo em torno de 20%.

Além disso, a área que fica entre a arquibancada e o gramado não pode ser utilizada para nada. Uma das tendências de comercialização de estádios é maximizar a utilização do espaço que fica abaixo das arquibancadas. Os 10 ou 20 metros que separam a arquibancada do campo podem representar um desperdício de uma área de mil ou 2 mil metros quadrados que, eventualmente, poderiam ser utilizados na construção de algum empreendimento comercial. Na pior das hipóteses, representam umas 100 ou 200 vagas de estacionamento.

Mas isso, por si só, não demonstra a falta de compreensão do mercado de futebol do Brasil. O pior é o tamanho dos estádios. É óbvio que a estrutura montada será um exagero. É um exagero tão grande que chega a ser ridículo.

A média de lugares dos 12 estádios é de 58.400 lugares por estádio. A melhor média de público de um Campeonato Brasileiro foi em 1983, com 23.000 torcedores por jogo, o que corresponderia a uma taxa de ocupação de 39% dos novos estádios. A média histórica dos Campeonatos Brasileiros é de 14.300 torcedores, o que corresponde a uma taxa de ocupação de aproximadamente 25% dos novos estádios.

Ou seja, pra ficar bem claro, a capacidade média dos novos estádios é quatro, eu disse quatro vezes maior do que a média histórica de público no melhor campeonato do Brasil.

O Brasiliense, time mais bem colocado de Brasília, joga a Série B do Campeonato Brasileiro. Ele vai passar a jogar no novo estádio Mané Garrincha. A capacidade do novo Mané Garrincha será de 76.323 torcedores. A média de público do Brasiliense em 2008 foi de 3.018 pagantes por jogo, o que corresponderia a uma taxa de ocupação de 4%. Quatro por cento! Arredondando para cima!

É óbvio, portanto, que quem fez os projetos dos estádios para a Copa do Mundo não conhece o mercado de futebol do Brasil. Ou isso, ou está pouco se lixando com esse mercado. Ou então, os dois. Não faço idéia de qual seja a opção mais verdadeira. Quem anunciou o projeto, porém, deve saber.

Alguma coisa, pelo menos, tem que saber.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Inteligência competitiva

Muito tenho ouvido de amigos, reclamações sobre decisões dos dirigentes dos seus clubes do coração, sobre contratações, ou a falta delas, em busca da melhoria dos elencos e, consequentemente, da busca por títulos nas distintas competições.

Ao mesmo tempo, como torcedores inteligentes e críticos, sabem que os clubes também não devem realizar loucuras administrativas que ponham em risco o seu fôlego financeiro no médio-longo prazo.

Como resolver este impasse? Uma das respostas, um tanto óbvia, é investir na formação de jogadores em suas categorias de base. O problema, aqui, é o tempo que se leva para bons jogadores surgirem e se somarem aos elencos – a torcida, em geral, não tem paciência para esperar tal tempo…

Outro caminho é aproveitar oportunidades de mercado com jogadores experientes e que se encaixem no perfil desejado pelo clube, sem onerar o orçamento e, dentre outros obstáculos, sem concorrer em leilões com clubes de maior capacidade de investimento.

E como isso seria possível? Inteligência competitiva.

Segundo o site da Associação Brasileira de Inteligência Competitiva, ela é “um processo informacional proativo que conduz à melhor tomada de decisão, seja ela estratégica ou operacional. É um processo sistemático que visa descobrir as forças que regem os negócios, reduzir o risco e conduzir o tomador de decisão a agir antecipadamente, bem como proteger o conhecimento gerado. Esse processo informacional é composto pelas etapas de coleta e busca ética de dados, informes e informações formais e informais (tanto do macroambiente como do ambiente competitivo e interno da empresa), análise de forma filtrada e integrada e respectiva disseminação”.

Portanto, os diretores de futebol do seu clube deveriam buscar o máximo de informações possíveis sobre o mercado de jogadores no Brasil e, por que não, no exterior, com fontes que lhe sejam confiáveis, tais como treinadores, preparadores físicos, médicos, jornalistas, outros jogadores, para formar sua convicção quando tomarem uma decisão de contratar um candidato.

Normalmente, decisões como essa envolvem contratos de prazo longo e valores altos, razão pela qual devem ser minimizados os riscos em benefício da instituição.

E a maioria dos dados e informações são de acesso facilitado e público. Por exemplo, o próprio site da CBF informa sobre a vigência dos contratos dos jogadores com os clubes no Brasil.

Fernando Carvalho, respeitado ex-presidente do Internacional e que hoje desempenha função como diretor de futebol, revelou, recentemente, em entrevista, que possui uma caderneta onde anota e comenta todas as informações referentes aos jogadores que, supostamente, interessam ou podem vir a interessar ao seu clube. Também confirmou que seu processo de tomada de decisão passa por inúmeros conselhos dos profissionais citados acima. 

Resultados práticos em contratações onde a relação custo x benefício causou espanto positivo no mercado do futebol: Yarley (seguido desde quando atuava no Paysandu e contratado junto ao Dorados do México); Andrezinho (promissor no Flamengo e que veio ao final do contrato com o ex-clube coreano após quatro anos); Arilton (jovem lateral do Coritiba que despertou a atenção do dirigente na última partida disputa entre os dois clubes em 2008. Veio de graça, sem pagamento de transferência, pois o contrato havia terminado); Guiñazú (adversário de clubes brasileiros quando atuava pelo Libertad do Paraguai e se destacava pela articulação do jogo e vigor físico).

Portanto, no mundo dos negócios em que se encontra o futebol, a margem de erro nas decisões é cada vez menor. Nada será por mero acaso, sorte, azar. Será resultado de muito trabalho.

Inteligente. E ético. Procure essa palavra no texto, pois ela está aqui. 

Para azar do dirigente acomodado em sua cadeira e que dá meio-expediente no seu clube.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Impactos do videogame no ensino do futebol I: levantando as dúvidas

“Microsoft lança sistema para disputar mercado com Wii da Nintendo!”. 

Calma amigo, você não entrou em site errado, tampouco esse que vos escreve ficou louco (assim imagino).

A manchete que extraí de um portal de noticias de ontem fala sobre videogames que possibilitam o uso de movimentos corporais, sem o uso do tradicional (ou para ser mais preciso, antigo) controle com fios e um botão unicamente. 

As tecnologias modernas, hoje, lançam videogames e jogos que permitem o reconhecimento dos movimentos corporais, do rosto dos usuários e até mesmo da voz. Além das inúmeras ações e possibilidades referentes ao jogo, destacando-se ainda diversos games com a temática esportiva.

Aproveito para levantar alguns pontos (e apenas levantar as questões), não pretendo esgotar com poucas palavras, no texto de hoje, coloco-os para emitir alguns pensamentos e dúvidas que tenho acerca do tema, e para instigar o amigo que quiser emitir algum comentário a respeito.

Muitos autores estudam na Educação Física, a utilização das mídias no processo de ensino enquanto recursos e conteúdos do processo. Não conseguiremos falar de todos, mas entre eles, temos os professores Mauro Betti, Alfredo Feres Neto e Giovani de Lorenzi Pires, e me permito algum espaço na discussão sobre o tema, ainda que de forma periférica, em relação a tão experientes e estudiosos professores.

Assim, trago alguns pontos para o futebol, que acredito, podem ser discutidos sob a perspectiva dos integrados aos avanços tecnológicos, e sob um olhar apocalíptico, parafraseando Umberto Eco.

·         O jogo de futebol pelo videogame pode ser considerado uma vivência da modalidade?

·         Que impacto cultural tem a usabilidade e manuseio do videogame em relação ao conhecimento e compreensão do jogo?

·         Os recursos tecnológicos utilizados no desenvolvimento dos games são precursores, acompanham as tendências da tecnologia do esporte, ou nem podem ser comparados?

·         Pode o videogame ser um simulador e, como tal, um recurso do processo de ensino dentro de uma perspectiva da complexidade do jogo?

Enfim, são dúvidas que acredito possam ser aprofundadas e melhor repensadas com o debate e a reflexão. E encerro o breve texto de hoje com a motivação que me trouxe a escrever sobre esse tema: a pergunta de um aluno de graduação (que é estagiário de uma escolinha de futebol) sobre como proceder com um garoto que questionava suas opções táticas frente a premissas que defendia baseadas no videogame.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Vitrine ou vidraça?

O Brasil deu ontem seu primeiro passo concreto para abrigar a Copa do Mundo em 2014. Após 19 meses de muito lobby político e quase nenhuma ação prática, o país definiu as 12 sedes do Mundial que será disputado daqui a cinco anos.

Propalada como uma “escolha técnica”, a definição das sedes foi pautada pela política. No final, surpreenderam as vitórias de Natal e Cuiabá, regiões com pouca tradição no futebol nacional e com diversas dúvidas sobre aproveitamento futuro da infraestrutura que uma Copa do Mundo obriga um país a ter. Da mesma forma, Manaus tem sua escolha muito contestada, mas o potencial turístico da região amazônica justifica a decisão “técnica”.

Abrigar uma Copa do Mundo é uma oportunidade única para o desenvolvimento de uma nação. Não apenas no futebol, mas em diversos outros setores do país. Só que é preciso ter o mínimo de dedicação e de planejamento para que o retorno seja obtido.

Já se passou um ano e sete meses do anúncio de que o Brasil abrigaria a Copa para que tivéssemos as definições das sedes. A Fifa, que no passado havia afirmado ser inviável uma edição de Mundial com mais de dez sedes, abriu uma exceção para o país e permitiu que fossem 12 cidades escolhidas. E, durante 19 meses, o que se viu foi um intenso jogo político para definir as vencedoras.

Outro ponto ainda em aberto é a definição do Comitê Organizador da Copa. Até agora não foi indicado quem será o diretor executivo do órgão, que é o meio-campo entre a Fifa e o país-sede, é quem teoricamente desburocratiza todo o processo dentro e fora do Brasil.

Tudo isso faz com que a oportunidade única de o país abrigar uma Copa, de ser uma vitrine para o mundo, seja colocada em xeque. O torneio fará com que o planeta volte seus olhos para cá pelos próximo cinco anos. Investimentos serão feitos, países estarão dispostos a mostrar seus serviços para o Brasil, que pode alavancar sua economia e revelar o grande país que tem potencial para ser.

Muito dinheiro será gasto na construção e melhoria de infraestrutura, e mais um punhado para erguer ou melhorar os estádios que farão parte da competição. Do jeito que a coisa está, porém, o Brasil pagará por mais de 30 anos a conta pelo sonho de ter feito uma Copa do Mundo. 

Sem o planejamento, a iniciativa privada está longe de fazer parte da história desse Mundial.

E a vitrine vai se tornando, a cada dia que passa, uma vidraça. E a pedra vem vindo em direção a ela com cada vez mais força. Daqui a cinco anos, estoura…

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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As equipes brasileiras vs o 1-4-4-2 com duas linhas de quatro

Por que as equipes brasileiras mostram dificuldades para jogar quando enfrentam equipes da América do Sul que jogam com “duas linhas de quatro jogadores”?

Essa pergunta foi feita por um dos notáveis, do Café dos Notáveis, logo após o 1º jogo entre Palmeiras e Nacional do Uruguai pelas quartas-de-final da Taça Libertadores da América 2009. O jogo terminou empatado (1 a 1). Muito interessante sob vários aspectos.

O futebol brasileiro vive um momento interessante. Do “passado discurso recente” de que no futebol não há mais nada para se “inventar” ao “presente discurso recorrente” de que temos coisas novas para aplicar, um sem número de discussões tem surgido para defender essa ou aquela tese. Jogadores de sucesso internacional vêm sendo repatriados, e tem se tornado comum que, vez ou outra, um deles defenda em público a idéia de que o futebol brasileiro está muito atrasado com relação ao europeu – fora de campo (nenhuma novidade!) e dentro dele.

O posicionamento desses jogadores sobre as questões táticas do jogo comumente causa polêmica. Aqueles mais intelectualizados (poucos!) sustentam facilmente seus argumentos e deixam jornalistas e “especialistas” esportivos sem espaço para seus devaneios “boleirísticos”. Os outros pensam que têm razão, mas não conseguem materializá-la em palavras, e logo são vencidos por retóricas mais incisivas.

Pois bem. Na pergunta inicial do texto, a evidência de um fato: equipes brasileiras têm dificuldades para enfrentar esquemas táticos que estruturam duas linhas de quatro jogadores para marcar. Mas como a questão voltou à tona em função do jogo entre Palmeiras e Nacional do Uruguai, ao invés de falar especialmente das dificuldades das equipes brasileiras em geral, vou falar da equipe do Palmeiras especificamente no jogo mencionado.

Sim, a equipe brasileira teve dificuldades contra o 1-4-4-2 com duas linhas de quatro da equipe uruguaia. Jogadores foram substituídos, mudanças foram feitas e de resultado efetivo… nada!

Em primeiro lugar eu diria que os problemas palmeirenses não estiveram presentes especificamente nas “linhas de quatro” uruguaias, mas sim no fato de que elas (as linhas) foram construídas tendo referências zonais; e aí a minha antiga tese: como confundimos marcação zonal com marcação individual por setor, não sabemos exatamente o que fazer contra marcações zonais – diagnóstico equivocado, remédio errado; como confundimos marcar à zona com jogar à zona, centramos o problema na construção defensiva do adversário e não no jogo em si.

Quando uma equipe constroi em seu sistema defensivo referências zonais, passa a ter como norte para a ação dos jogadores a ocupação inteligente dos espaços do campo de jogo, porque a preocupação fundamental dela está em marcar esses espaços, fechando linhas de passe e protegendo setores específicos do campo. Então, o problema primário dessas referências não está em não deixar o jogador adversário sozinho em zonas de risco, mas sim impedir que a bola efetivamente chegue até ele em condições reais de perigo.


Quando a referência zonal, em um 1-4-4-2 está estruturada em duas “linhas de quatro”, solicita-se à equipe que o aplica uma manutenção permanente das linhas, flutuando de um lado ao outro do campo de jogo de acordo com a posição da bola, sem permitir que elas se quebrem, sofrendo apenas algumas conformações em função das situações criadas pelo adversário.

Uma de suas fragilidades está no espaço “vazio” que surge entre as duas linhas (que é um espaço de responsabilidade dos jogadores das duas linhas, e que por ser uma área de transição entre elas, traz possibilidades de indecisão e quebra na estrutura por parte de quem marca), que se torna, portanto, região intensamente protegida para impedir que a bola penetre nela.

A equipe do Palmeiras aproveitou muito mal essa fragilidade. Foram raros os momentos em que um de seus jogadores ocupou esse espaço (sendo àquele que medianamente o fazia [Keirrison], dando um pouco mais de trabalho à equipe uruguaia, substituído por Luxemburgo).

Para não ter dificuldades em estruturar as suas linhas zonais sem bola no campo de defesa durante as transições defensivas, o Nacional, quando tinha a posse da bola no seu campo de ataque, também se estruturava de forma zonal, mas aí, ao invés do 1-4-4-2 em linha, construía um 1-4-4-2 com um quadrado na “linha” do meio-campo (que era rapidamente desmanchado para transicionar à linha propriamente dita).

A opção pelo 1-4-4-2 em quadrado (em equipes que marcam no 1-4-4-2 em linha) se deve principalmente ao fato de que essa estrutura, comparada ao 1-4-4-2 em linha, propicia um balanço defensivo mais sólido na transição ataque-defesa, especialmente pela melhor ocupação da faixa central do campo de jogo.

Então outro aspecto que tem se tornado marca no Palmeiras, que é a construção de contra-ataques incisivos quando recupera a posse da bola, acabou por se dissolver na boa estrutura de transição defensiva da equipe uruguaia, que, para as bolas curtas, apostou no seu quadrado zonal do meio-campo e nas bolas longas no posicionamento congruente de seu goleiro, que foi elemento efetivo da composição do sistema defensivo do Nacional (possibilidade aproveitada por poucos treinadores no Brasil).

Na equipe do Palmeiras, por exemplo, o posicionamento do goleiro não esteve associado à estrutura do balanço defensivo, porque na grande maioria das vezes em que isso poderia se evidenciar acabou não se mostrando regra. Vale destacar, claro, que essa não participação efetiva e permanente do seu goleiro no balanço defensivo, apesar de não representar problema visível no nível da estratégia (especialmente pela forma com que se construiu o jogo), pode atrair os padrões de auto-organização coletiva da equipe do Palmeiras a direções não desejadas.


E como se não bastassem os problemas que o jogar zonal da equipe uruguaia trouxe ao jogar da equipe brasileira, escapou ainda ao Palmeiras a compreensão para identificar princípios operacionais e regras de ação mais adequadas para a construção do seu atacar, defender e transicionar (por exemplo, apesar de ter como princípio operacional ofensivo a progressão ao ataque – o que poderia parecer adequado para confrontar o princípio operacional de defesa da equipe uruguaia, especialmente a partir da “linha 3”, que era o de impedir progressão – o Palmeiras errou na maior parte do tempo adotando como prin
cípio operacional de transição ofensiva retirar a bola da zona de recuperação/pressão; isso fez a equipe perder tempo para construir sua fase de ataque, permitindo ao Nacional ocupação do espaço equilibrada para cumprir sua organização de defesa).

A partir daí, só restou ao Nacional, direcionar a equipe brasileira para as faixas laterais do campo, ora para forçá-la a circular a bola sem objetividade, ora para encaixar a marcação e recuperar sua posse.

Pois é. Enquanto apostamos no surgimento de novos talentos, craques e fenômenos ao prazer do acaso (já que, em geral – ainda que haja exceções -, o trabalho de base no Brasil, com aplicação efetiva de Ciência, quase não existe), outros países têm investido cada vez mais em processo de formação e conhecimento (de jogadores e treinadores!). Claro, poucos são os que podem se dar ao luxo de ter muitos milhões de praticantes de futebol, para que mesmo “aos trancos e barrancos” apareça alguém especial.

E o pior de tudo é que não percebemos que não é só na Europa, mas alguns de nossos vizinhos já passaram à nossa frente; em modelos, métodos e meios de trabalho. Mas fazer o quê, enquanto tivermos nossos grandes jogadores resolvendo os problemas, que não são deles (no jogo e fora dele), continuaremos ainda perdendo e ganhando sem saber realmente por quê. E aí, bom, aí deixa pra lá…

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Os números da bola

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Gostaria de utilizar o espaço desta semana para destacar o trabalho de Casual Auditores, que já vem se consolidando como uma contribuição rotineira e fundamental nas temporadas desportivas do futebol profissional brasileiro.

A cada semana expressamos aqui o nosso desejo de ver um futebol no Brasil tão profissionalizado e organizado como na Europa. Temos um mercado consumidor com grande potencial e a grande maioria dos talentos do futebol mundal.  Então, o que falta para termos um campeonato local tão valorizado como é o caso de certas ligas européias nacionais, como a inglesa, a alemã, a italiana, a espanhola, a francesa, etc.

Falta força financeira e, certamente, maior governança corporativa, tranparência, acesso à informação, etc.

Nesse cenário, relatórios comparativos, análises financeiras e publicações especializadas são fundamentais não só para alertar a todos sobre a atual realidade dos clubes, mas como, principalmente, para auxiliar os atuais dirigentes a melhor visualizarem um planejamento estratégico adequado.

A Casual Auditores acaba de publicar um documento preliminar de seu costumeiro exame anual extensivo, contendo já importantes números sobre os clubes nacionais, com comparativos entre a atual temporada e temporadas passadas.  Essa já é a quinta edição de tal publicação (a publicação integral está previsata para julho deste ano).

O estudo mostra a manutenção de São Paulo e Inter como os clubes mais poderosos em termos financeiros, com leve redução quando comparada com o ano passado. Mostra também a evolução de Palmeiras e Flamengo. Indica ainda o sucesso de novos clubes, com o caso do Barueri que, apesar de uma pequena redução frente a 2008, já está conquistando seu espaço definitivo entre os grandes clubes do futebol brasileiro.

No âmbito regulatório, essa análise é de igual importância. Não podemos pensar em reformas legislativas ou regulamentares que visem melhorar a condição dos clubes, se não soubermos com precisão quais são os reais problemas, e qual é a real situação das agremiações. 

É com base nesses números, podemos avaliar, por exemplo, se a atual distribuição de recursos obtdidos com a comercialização dos direitos televisivos dos diversos campeonatos em nosso país merece ou não ajustes. Se é preciso haver maior solidariedade com os clubes menores e com clubes preponderantemente formadores, que estão na base da pirâmide.

A viabilidade econômica também é algo que pode ser “gerenciada” por meio da análise aprofundada do estudo. Sabemos que clubes que dependem de transferência de seus jogadores ao exterior (fonte variável de receita) sempre andam “na corda bamba”.  O estudo em comento mostra, por exemplo, o Grêmio, que teve uma redução nas receitas com jogadores, mas que conseguiu solidificar suas finanças por meio de fontes alternativas. Segundo a análise da Casual, o Grêmio “registrou uma melhora significativa nos recursos gerados com bilheteria, sócios e royalties, que atingiram R$ 4,1 milhões, evolução de 450% em comparação com 2007”.

Esperamos que os nossos dirigentes, de fato, utilizem essas informações para o bem de seus clubes, e, indiretamente, para o bem do futebol brasileiro.

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Os desafios da BMW

Esqueçamos por um minuto do Barça, do Manchester e dos gladiadores com roupas estranhas da Champions League. Muito do que se pode falar sobre o jogo já foi ou será falado nos próximos dias. Sem razões, portanto, para eu me delongar sobre o assunto. Talvez apenas sobre a roupa estranha do gladiador.

Muito mais importante do que a Champions League foi o que aconteceu no final de semana. Em particular com três clubes, cujas iniciais ilustram o título da matéria. O B é o Burnley, clube de uma cidade de 70 mil habitantes que conseguiu ganhar o jogo mais caro do mundo, dizem, que é o play-off da Championship da Inglaterra, a segunda divisão. O clube que ganha a partida leva para casa automaticamente 60 milhões de libras, valor da cota de televisão para o ano seguinte na Premier League. 

O desafio agora é saber o que fazer com o dinheiro. Afinal, Burnley é uma cidade realmente pequena. Posso falar porque estive lá, visitando o clube no ano passado. Tem um bom restaurante italiano, no qual fui confundido com um potencial reforço brasileiro para o clube. A cidade é uma espécie de subúrbio de Blackburn, que por sua vez é uma espécie de subúrbio de Manchester. Apesar de simpática, a economia não é das coisas mais desenvolvidas. Até por isso, o clube sabe que estar na Premier League é um luxo do qual não vai poder desfrutar por muito tempo. 

O Burnley tem planos para reformar o seu estádio e o seu centro de treinamento, o que deve consumir aproximadamente um quarto do novo dinheiro. Precisa também pagar algumas dívidas, uma vez que, todo ano, o clube fecha no vermelho e é parcialmente financiado pelos seus próprios donos. Nisso tudo vão mais uns 5 milhões de libras. Sobram 40 milhões pra montar um time pra Premier League. É muito pouco. A possibilidade do Burnley voltar pra segunda divisão no ano que vem é muito grande, e seus dirigentes sabem disso. A tendência agora é que o clube capitalize com a venda de alguns jogadores e monte um time modesto com parte da nova verba. O resto deve ficar como contenção. Apostar as fichas em um bom desempenho do time que representa a menor cidade a fazer parte da Premier League na história certamente não é uma boa ideia.

O W é pro Wolfsburg, clube duma cidade de 120 mil habitantes que foi campeão da Bundesliga meio que sem querer. Nem o técnico acreditava nisso. Aliás, ninguém devia acreditar, principalmente porque o clube virou o meio da temporada em uma posição intermediária na tabela. Mas aí o time encaixou, o Grafite descambou de fazer gols, e eles foram campeões. O que fazer na temporada que vem? Investir no time para fazer bonito na Champions League e tentar o bi no Alemão ou tentar capitalizar ao máximo para permitir que o clube tenha desempenhos respeitáveis pelos próximos anos? Se eu bem conheço a cultura alemã, a torcida do Wolfsburg não deverá invadir o gramado no ano que vem. Pelo menos, não para comemorar um título.

E o M é pro Newcastle. Certo. Newcastle não começa com M. Mas o título perderia a graça se eu colocasse um N. Além do mais, o Newcastle também é conhecido como Magpies, então o M acaba não ficando tão perdido assim. De qualquer maneira, o Newcastle é da cidade de Newcastle upon Tyne, que tem aproximadamente uns 200 mil habitantes. É um dos piores lugares do mundo pra morar. Diz a lenda que quando o Kluivert foi jogar lá, a mulher dele começou a chorar quando eles foram procurar um lugar pra morar. E não foi de alegria.

De qualquer maneira, o Newcastle está ferrado. É um clube que há tempos não consegue jogar bem, apesar de contar com jogadores bastante renomados, como Owen, Martins, Butt, Viduka, Duff e … Caçapa. A folha salarial na temporada que acabou consumiu cerca de 70 milhões de libras. Por conta do rebaixamento, a receita deve cair aproximadamente os mesmos 60 milhões que o Burnley vai ganhar. Para piorar, nenhum dos jogadores possui cláusulas de reduções de salário por conta do rebaixamento, o que significa que ou o clube vende e renegocia salários, ou a quebradeira é certa.

Os desafios para esses três clubes são enormes, principalmente agora que é o período do planejamento da próxima temporada. É certo que hoje clubes estão mais cautelosos com suas finanças, mas vai ser curioso observar qual será o comportamento desses três clubes citados acima. Dependendo do que acontecer, qualquer um deles pode ser o próximo Leeds United rapidinho. E o que os dirigentes precisam ter na cabeça é que independente do que eles decidirem, dificilmente eles poderão ser o Barcelona de amanhã.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br