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E aí, Mano: planejamento ou desmanche?

Olá, pessoal. Sempre falamos em processo como parte da tecnologia no esporte. Hoje, o foco é discutir um pouco de processo, que é importante também para outros aspectos que não só a tecnologia. Para tratar dessa questão discutiremos um pouco da questão de processo e planejamento. Em análise, o Corinthians.

Planejamento x Desmanche

No Corinthians, o assunto da vez é o desmanche que vem sendo feito na equipe. Enquanto imprensa e torcedores, por um lado, evidenciam os riscos e perigos do que vem sendo feito, diretoria e técnico ressaltam o tempo inteiro que tudo ocorre conforme o planejado.

Difícil compreender e assumir um lado como o correto.

Olhando pelos óculos do torcedor, o receio é justificado. Perder jogadores até então fundamentais, tendo em vista a disputa do torneio mais importante na história do clube, a Libertadores, no ano do centenário, por si só já é motivo de alerta máximo.

Pela visão da imprensa, o discurso converge com o do torcedor e a preocupação de um planejamento que começa errado. Além é claro do sensacionalismo iminente.

Conforme a comissão técnica, o planejamento está de acordo com o previsto, discurso que não seria diferente, mesmo se não estivesse tudo dentro dos conformes.

Nesse emaranhado de opiniões e interpretações do que ocorre, arrisco-me a tomar uma posição, uma interpretação com base no passado da comissão técnica que comanda o Corinthians.

Não sou defensor ferrenho nem parente do Mano Menezes, mas me sinto confortável em dar-lhe credito quando se fala em planejamento. Explico o porquê.

Em algumas palestras, cursos e entrevistas, após levar o Grêmio da série B à final da Libertadores, Mano Menezes enfatizava dois aspectos que faziam parte de seu planejamento: o primeiro era desenvolvê-lo, tendo em mente, a janela de transferências e, em seguida, compreender o tempo de maturação de uma equipe, assim como o tempo de saturação. Eis aí um aspecto que pode ser determinante para essa aparente tranquilidade do técnico corintiano.

Mano ministrava suas palestras com grande base no desempenho obtido por ele, não em suposições ou utopias.  Permito-me explanar algumas ideias com base no que ouvi e interpretei nesses vários momentos em que ouvia o treinador gaúcho falar.

Sobre a janela, é inevitável que saiam jogadores de destaque, e o técnico tem de contar com isso, criando alternativas durante a temporada. Esse time do Corinthians foi montado no inicio de 2008, com a chegada de outros jogadores no decorrer da temporada, que, aliás, vieram já com a intenção de compor e complementar o elenco que tinha possíveis perdas para a janela. Basta lembrar que, Elias e Cristian, por exemplo, chegaram depois da temporada iniciada. Assim, outros nomes vieram, alguns deram certo outros não. Exemplos como Elias e Cristian deram muito certo. Vale lembrar que ambos vieram na iminente saída de Fabinho na então janela de transferência. Saiu melhor que a encomenda. Entre Carlos Alberto, Fabinho e Perdigão, a chegada dos dois com certeza foi muito positiva.

Isso, por si só, gera um crédito ao treinador que já havia passado por similar processo no Grêmio, e já vem fazendo isso no próprio Corinthians.

Já estão chegando alguns nomes (Edu, Bill, Paulo André). Resta saber quais deles se tornarão novos Elias e Cristians, e quais serão os novos Sacis e Eduardo Ramos.

O outro ponto é ter noção do tempo de saturação de uma equipe. Confesso que é difícil compreender essa ideia, uma vez que não conseguimos manter elencos por muito tempo no Brasil, mas em sua estrutura de elenco como um todo, alguns clubes têm conseguido manter e conseguido destaque no cenário nacional, apenas com ajustes de “peças” ou reposição. Um exemplo é o São Paulo tricampeão brasileiro. E esse mesmo São Paulo serve de exemplo para esse conceito de saturação ao qual me referi.

Será que depois de três anos, só ajuste e reposição de peças funciona, ou é preciso trocar o motor, ou ao menos recondicioná-lo? O São Paulo está aí de exemplo.

Com certeza se o motor (jogadores-chave) que vêm funcionando pudesse continuar, valeria a pena, afinal, já se tem intimidade e confiança, mas existindo uma eventual tendência de quebra (janela de transferência) e possibilidades de cair de rendimento (saturação),  é importante que, quem dirige, tenha essa percepção, pois, se não, o carro desalinha e não se sabe a razão.

Talvez, seja essa percepção que o Mano tem, e o ajude a compreender e planejar antecipadamente para essas situações.  O Grêmio do próprio treinador, o que se passa com o São Paulo atualmente, e o que o Mano já fez no próprio Corinthians podem ajudar-nos a refletir sobre o caso… ou não.

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Acabaram com os furos no futebol

É cada dia mais notório que o futebol vive um período de “pasteurização” da cobertura da imprensa. O jornalismo investigativo, descobridor de grandes histórias do mundo da bola, está com os dias contados. Ou, pelo menos, com a tendência a ficar cada vez mais raro de existir.

E qual é o motivo para isso?

A acomodação da imprensa, em parte, explica esse fenômeno. Em tempos de internet e comunicação mais do que instantânea, é cada vez mais fácil você obter informações de fontes oficiais sem a necessidade de correr atrás da notícia. Basta acessar o twitter, o site oficial, o blog e semelhantes que a informação está à disposição.

Mas talvez essa seja a origem para que esteja cada dia mais complicado o jornalismo esportivo ser uma escola de formadores de bons repórteres, como já foi no passado. O amadurecimento dos profissionais que atuam no futebol tem provocado uma certa preocupação com a qualidade da transmissão da notícia. E isso faz com que, finalmente, o futebol discuta a necessidade de profissionalização dos departamentos de comunicação.

Não é mais comum vazarem informações sobre negociações de patrocínio. Demissões de treinadores são alinhadas com todos os envolvidos antes de serem comunicadas à imprensa. Saída e chegada de atletas são cada vez mais oficializadas depois de o contrato ter sido assinado ou, pelo menos, todas as partes terem chegado a um acordo.

Foi-se o tempo em que o clube permitia vazar informações antes de o negócio estar consumado. E isso mostra uma evolução na maneira como o futebol está preparado para ser gerido como negócio. Às vezes, se uma história é passada à imprensa antes de ter sido consumada, atrapalha a negociação, que muitas vezes vira pó.

Esse cenário é péssimo para o jornalismo de investigação, mas permite que o futebol caminhe cada vez mais para uma profissionalização num dos campos mais carentes, que é o da gestão. Aos poucos, essa evolução no comando do futebol se refletirá nas outras áreas.

O jornalismo já “sofre” um pouco com isso. Mas, do outro lado, os dirigentes nunca estiveram tão tranquilos no comando de suas funções.

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Parabéns, Universidade do Futebol!!!

Hoje escrevo, me desprendendo dos temas que normalmente abordo, para felicitar a Universidade do Futebol (nome adulto), que já foi Cidade (quando criança, mas criança madura) e um dia só o sonho de alguém (só?!).

Em um país como o Brasil (o “país do futebol”), falar ou escrever sobre futebol não é das coisas mais fáceis. Todos sabem sobre futebol, todos dissertam sobre ele.

Fomos tricampeões mundiais – antes de todo mundo -, depois também tetra e penta. Nós, brasileiros, temos tradição no futebol.

E se falar sobre futebol é difícil, imaginem construir uma Universidade do Futebol!

Quantos desafios, quantas batalhas, quantas conquistas. Projetos, idéias… Quantas coisas são pensadas e realizadas todos os dias… Produzir conhecimento, levá-lo ao maior número de pessoas possível; grandes metas…

O sonho já foi de um homem só, mas hoje, é também a vida de cada um de nós. Parabéns a todos.

E como hoje é uma data especial, sem perder o conteúdo, reproduzo abaixo um texto bem humorado do Luís Fernando Veríssimo, afinal de contas, parafraseando o filósofo Manuel Sérgio, para saber futebol, é preciso saber mais do que futebol. Então, por que não?…

“Sexo e futebol” (Luís Fernando Veríssimo)

A dissertação nada-a-ver de hoje é: no que o sexo e o futebol se parecem?

No futebol, como no sexo, as pessoas suam ao mesmo tempo, avançam e recuam, quase sempre vão pelo meio mas também caem para um lado ou para o outro e, às vezes, há um deslocamento. Nos dois é importantíssimo ter jogo de cintura.

No sexo, como no futebol, muitas vezes acontece um cotovelaço no olho sem querer, ou um desentendimento que acaba em expulsão. Aí um vai para o chuveiro mais cedo.

Dizem que a única diferença entre uma festa de amasso e a cobrança de um escanteio é que na grande área não tem música, porque o agarramento é o mesmo, e no escanteio também tem gente que fica quase sem roupa.

Também dizem que uma das diferenças entre o futebol e o sexo é a diferença entre camiseta e camisinha. Mas a camisinha, como a camiseta, também não distingue, ela tanto pode vestir um craque como um medíocre.

No sexo, como no futebol, você amacia no peito, bota no chão, cadencia e tem que ter uma explicação pronta na saída, para o caso de não dar certo.

No futebol, como no sexo, tem gente que se benze antes de entrar e sempre sai ofegante.

No sexo, como no futebol, tem o feijão com arroz, mas também tem o requintado, a firula e o lance de efeito. E, claro, o lençol.

No sexo também tem gente que vai direto no calcanhar.

E tanto no sexo quanto no futebol o som que mais se ouve é aquele “uuu”.

No fim, sexo e futebol só são diferentes, mesmo, em duas coisas. No futebol, não pode usar as mãos. E o sexo, graças a Deus, não é organizado pela CBF.

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Incentivo ao clube-empresa

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Muito já se discutiu no Brasil sobre a transformação de clubes em empresas. Por um lado, isso seria muito positivo ao novo modelo do futebol, por conferir maior transparência e maior segurança para investidores. Por outro lado, os clubes-empresa, que fatalmente são constituídos na forma de sociedades limitadas ou por ações, teriam um maior custo operacional envolvido.

A legislação apropriada, nomeadamente a Lei Pelé, já “foi e voltou” diversas vezes a respeito dessa matéria.

Uma coisa ficou entendida: obrigar os clubes atuais a adaptarem-se ao novo modelo empresarial não funciona. Há muita pressão contrária, principalmente de grandes clubes, que não têm o menor interesse na transformação da atual forma societária do clube, e, ainda por cima, não querem elevar os seus custos operacionais (que não sejam aqueles custos diretamente envolvidos com a contratação de jogadores e técnicos).

Essa discussão geralmente não leva a lugar nenhum, o que ficou comprovado com as idas e vindas da Lei Pelé.

Por outro lado, um outro interessante fenômeno está acontecendo. Devido a um grande interesse de novos investidores no mundo do futebol, diversos clubes estão optando pela transformação, por livre iniciativa.

Investidores bem informados e bem assessorados sabem que o clube na forma de sociedade empresária tem maior flexibilidade para realizar os diversos negócios pretendidos, de forma profissional e organizada.

Nesse ambiente, que acaba sendo favorável para às diversas partes do mercado, incluindo jogadores, torcedores, patrocinadores e mídia, temos que incentivar as transformações. Elas são boas para todos nós.

As autoridades do futebol devem permitir que isso seja viável. Mas, como é óbvio, com a devida atenção para que a transformação do jogo em negócio não deturpe a verdade desportiva e os demais princípios básicos do esporte, como a imprevisibilidade dos jogos, o respeito pelos ascenços e descenços com base em resultados exclusivamente obtidos dentro de campo, etc.

Enfim, temos que não obrigar os clubes a se transformarem, mas incentivar aqueles que assim desejarem, dentro de um ambiente jurídico apropriado às peculiaridades do futebol.

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Deuses brancos

Eu gosto do Kaká. Acho um ótimo jogador e com excelente personalidade dentro de campo. Lembro que, em um dos seus primeiros jogos com a camisa do Milan, ele deu uma peitada no Killy González. Eu, que nunca gostei do Killy González, passei a respeitar o Kaká.

Bem verdade que ele não tem nada a ver com isso, tampouco, eu tenho a ver com qualquer coisa da vida dele. Tanto faz pro Kaká eu falar qualquer coisa sobre ele, assim como tanto faz pra mim o Kaká fazer qualquer coisa da vida dele. É por isso que eu não implico com a sua devoção a sua religião. Muita gente implica. Mas, bem verdade, ninguém tem nada com isso.

Assim como eu também não tenho nada a ver com a devoção da mulher dele, que foi bastante reproduzida por websites afora, por conta de uma pregação feita nos Estados Unidos, acho. Não me pareceu que houvesse qualquer intenção dela em disseminar a sua palavra pelo mundo. Tampouco acho que ela prega por dinheiro. Tem gente que, obviamente, faz isso. Mas, se tem alguma coisa que o Kaká e sua família certamente não precisam é de dinheiro. Respeite-se, portanto.

De qualquer maneira, é importante corrigir um equívoco cometido. A mulher do Kaká disse que foi Deus quem colocou dinheiro no Real Madrid para eles comprarem o Kaká. Porém, acredite, isso não é verdade.

Quem colocou dinheiro, indiretamente, foi o presidente do clube, Florentino Pérez, um dos caras mais ricos da Espanha. Os bancos emprestaram a grana, e, naturalmente -como em qualquer outra associação esportiva, o presidente do clube tem que dar lá suas garantias de pagamento. Tem tudo explicadinho em uma matéria da revista Trivela desse mês. Nesse caso, pode-se endeusar, portanto, Pérez e os bancos. Mas não a Trivela.

Ou então, pode-se endeusar o Di Stéfano, que foi possivelmente o grande responsável por fazer do Real Madrid aquilo que ele é hoje. Dizem que ele jogou mais que o Pelé, que não é deus, mas é rei. Dizem também que se não fosse pelo Di Stéfano, o Real Madrid não teria ganhado tudo o que ganhou, não teria conseguido atrair tantos torcedores, tampouco teria sido escolhido o time do século XX pela Fifa. Ou então, pode endeusar o Santiago Bernabéu, não o estádio, que foi o presidente que conseguiu tirar o Di Stéfano do Barcelona e levar para o Real, por meio de um monte de supostas maracutaias. Ou, ainda, dá pra endeusar o Kubala, atacante e principal estrela do Barcelona na época que o Di Stéfano foi para lá, apontado por muitos como uma das razões pela qual o jogador resolveu trocar de clube, uma vez que não queria dividir atenções com ninguém.

Enfim. Se a lógica que quem deu dinheiro para o Real Madrid foi Deus prevalecer, dá pra dizer que todos esses aí podem ser deuses. Só não diga que o Cristiano Ronaldo é deus, porque ele mesmo provavelmente já acredita que é.

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Um pequeno passo para um homem, um grande passo para a humanidade

Olá amigos. Nesta semana, estamos sendo bombardeados por notícias, reportagens, relatos e toda forma de informação relembrando o feito de 40 anos atrás, quando o homem pisou na Lua.

Kennedy (ex-presidente norte-americano) teria dito respondendo a indagações sobre o projeto de ir a Lua:

“Mas por que a Lua, perguntam alguns? Por que este objetivo? Também podem perguntar por que subir à montanha mais alta? Por que, há 35 anos, decidimos voar sobre o Atlântico? Nós decidimos ir à Lua. Nós decidimos ir à Lua nesta década e fazer as outras coisas, não porque são fáceis, mas porque são difíceis”.

Oras, será realmente que todo o desenvolvimento científico, todo aparato tecnológico aplicado nesse projeto, nessa corrida cheia de interesses e aspectos políticos diversos, que foi a chegada do homem a Lua se justifica simplesmente pelo fato de ser difícil? O homem desenvolve suas tecnologias para alcançar o difícil?

Não penso assim. Ainda que alguns tentem complicar mais do que o necessário, a tecnologia é a junção de recurso e processo utilizados para atender as necessidades do homem, sobretudo otimizar seus atuais processos, oferecer-lhe mais e melhores mecanismos para produção de resultado. Olha o resultado ai de novo. Mas isso é outra questão.

Necessidades? Daí o amigo pode lembrar-se de Maslow e classificar as necessidades. Com certeza pisar na Lua não estaria entre as necessidades primárias para nossa subsistência. Sendo assim, como ficamos em relação à definição de que tecnologia visa facilitar e otimizar a vida do homem, uma vez que não é nada trivial fazer uma “ponte aérea” para a Lua?

Sem dúvida tem de se compreender o contexto, mas como o tema aqui remete o futebol? Vamos a ele.

A reflexão dessa questão relativa à tecnologia para se chegar a Lua e às reais necessidades do homem nos remete a uma discussão que é muito frequente no âmbito do futebol: por um lado a resistência em aceitar a tecnologia por parte de quem está na chamada prática, e, por outro, os cientistas que se julgam mais conhecedores da prática, a ponto de desenvolver a tecnologia para atender às “necessidades” de quem está ali.

Talvez o ponto de convergência seja a principal divergência hoje. Quais as necessidades tecnológicas do futebol, seja no âmbito da arbitragem, seja no âmbito da análise de jogo, ou ainda no desenvolvimento de equipamentos, softwares, gestão, etc?

O cientista quer chegar a Lua para provar que é difícil, e o “profissional da prática” quer provar que nunca dependeu disso para atuar. E nessa divergência ficam evidentes as diferentes necessidades de um e de outro.

E é justamente nesse ponto que imagino possa surgir o profissional moderno, que consiga compreender os limites e possibilidades dessa aproximação entre tecnologia e futebol, esquecendo-se da obsessão em provar ao outro quem é superior ou mais adequado, e complementarem-se. E aqui faço uma ressalva quanto ao termo surgir, querendo dizer muito mais sobre a capacitação e atualização do profissional frente a essas questões, sobre uma preparação para tal fato, e não o simples aparecimento mágico de uma solução.

Compreender o pequeno passo que possa ser dado em direção à tecnologia, assim como o quão grande é esse passo para a humanidade (futebol) a qual está referida é quebrar preconceitos de ambos os lados, e, desta forma, identificar qual é a Lua (as necessidades) do futebol (que se adequam para a resolução dos problemas que precisam ser resolvidos em busca da otimização).

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O futebol sob a ótica da TV

Causou revolta em diversos pontos do país o fato de a Globo não ter transmitido, para Rio de Janeiro e São Paulo, os dois jogos decisivos da Copa Libertadores de 2009. Mesmo com um time brasileiro na decisão, a emissora carioca preferiu exibir jogos do Campeonato Brasileiro nos dois dias em que o Cruzeiro decidiu o título da principal competição da América.

O episódio reforçou, mais uma vez, uma realidade cada vez mais presente na relação do esporte com o jornalismo dentro das empresas de mídia.

A principal notícia da semana, sem qualquer dúvida, era o Cruzeiro. A possibilidade do tricampeonato da Libertadores, a chance de Adilson Batista se tornar o primeiro ex-jogador a ser campeão do torneio também como treinador, a partida de despedida de Ramires…

Não faltavam motivos para a imprensa não dar qualquer pelota para o jogo do Mineirão. Tanto que todos os veículos de Rio e São Paulo deslocaram equipe para Belo Horizonte, ficaram com repórteres no dia-a-dia do Cruzeiro, fizeram uma série de reportagens sobre o time.

Mas na hora de a bola rolar…

A Globo de São Paulo, detentora exclusiva dos direitos de transmissão da Libertadores, preferiu mostrar jogos de times de São Paulo (Corinthians e Palmeiras) no Campeonato Brasileiro em vez de ir para a óbvia exibição de título do Cruzeiro.

E quais os motivos para fazer isso? Durante toda a semana o time mineiro é quem esteve na crista da programação, com reportagens, notícias de bastidores, etc. Na hora da decisão, porém, o torcedor teve uma “surpresa” ao ver o jogo do Brasileirão.

É preciso deixar claro, na cabeça da própria imprensa e dos torcedores, que para a televisão, o futebol deixou de ser um produto meramente jornalístico. Sim, o dia-a-dia do clube continua a ser tratado jornalisticamente, com repórteres descobrindo histórias, com entrevistas, etc.

Mas a transmissão de uma partida é, atualmente, um show. Antes de qualquer outra coisa. São diversas câmeras em busca da imagem mais marcante, imagem em alta definição, chamada para o jogo em clipes durante toda a programação da semana…

Em busca da audiência, o jornalismo deu lugar ao entretenimento. Isso é cada vez mais claro, principalmente dentro da Globo, que pauta tudo o que faz pelo índice de audiência. Seguindo essa lógica, o Cruzeiro ficou de fora da grade da emissora.

No final das contas, porém, a medição do Ibope mostrou que o jornalismo ainda é forte.

Nos dois jogos exibidos nas quartas-feiras em São Paulo, a Globo obteve 27 (Corinthians x Fluminense) e 26 pontos (Flamengo x Palmeiras) de audiência. No ano passado, quando exibiu um jogo do Corinthians pela Série B do Campeonato Brasileiro na data da primeira final da Libertadores, obteve 26 pontos de audiência. Na semana seguinte, quando a decisão continental do Fluminense ganhou as telas de todo o país, a audiência cravou 31 pontos.

O produto é o entretenimento, disso não há dúvidas. Mas as emissoras de TV não podem se esquecer que, para o fã de futebol, a importância do jogo que se transmite é um fator relevante.

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A preparação física no FC Barcelona

A preparação física no futebol vem evoluindo e sofrendo constantes transformações desde que passou a ser formalizada nas sessões de treinamento das equipes. No mundo todo, a organização do processo de treinamento desportivo também passou por modificações, que, de certa forma, influenciaram as transformações que se refletiram no futebol.

Recentemente, o responsável pela preparação física da equipe do FC Barcelona, Francisco Seirul-lo Vargas (está lá, nesse trabalho, desde 1994), em um congresso na Espanha, surpreendeu a todos (ou quase todos), e, inclusive ao renomado cientista do treinamento Jurgen Weineck – presente no evento -, em sua explanação, mostrando que em sua equipe os treinamentos “físicos” são realizados de maneira integrada aos objetivos do treinador e são elaborados para contribuir com a construção do modelo de jogo adotado pelo FC Barcelona.

Seus treinos, então, pautados no jogo a ser jogado, distinguem-se do que tradicionalmente são adotados como modelo, meios e métodos de treinamento. As avaliações dos jogadores são qualitativas, realizadas no próprio jogo. Não há RASTs, Yo-Yos, testes de velocidade de limiar de lactato, altura de salto, etc., etc., etc. A melhor avaliação – parafraseando alguns presentes no evento -, é o futebol apresentado e o resultado dos jogos.

Claro, isso não quer dizer que devamos parar tudo, jogar fora décadas de treinos, e começar novamente de outro jeito. É inegável que métodos tradicionais têm conquistado grandes resultados – isso é um fato. O que quero destacar é que, primeiro, para a contextualização de um mesmo problema, caminhos diversos podem ser adotados como solução, e, esses caminhos, em curto e médio prazo (ah, o tempo!), podem não apresentar diferenças aparentes nos resultados obtidos; segundo, já faz algum tempo que um grupo (pequeno) de pessoas aqui no Brasil (treinadores de futebol, professores, cientistas) está apontando para o caminho descrito pelo preparador físico do FC Barcelona (inclusive com maiores avanços em algumas coisas), mas como o bom capital simbólico dessas pessoas está concentrado em alguns poucos nichos, a informação acaba não se disseminando.

Sobre o primeiro “destaque”, quero dizer, apoiado em um Prêmio Nobel, o pesquisador Ilya Prigogine, que certos fenômenos precisam ser observados por um tempo, que tem que ser o tempo do “próprio fenômeno”, e não o tempo que nós damos, sem saber, para ele. Então, se por enquanto, aparentemente, caminhos diferentes têm levado a bons resultados, aguardemos pelo que virá – e aos meus olhos, ao menos o jogar do FC Barcelona já me parece bem diferente de alguns outros.

Sobre o segundo “destaque”, quero dizer, que façamos essa forma diferente da tradicional, de pensar a preparação desportiva, atingir rapidamente os alvos certos (os nossos treinadores de ponta, os preparadores físicos, os dirigentes). Nossos “pensadores da práxis” precisam ser ouvidos. Não dá para esperar o FC Barcelona ganhar mais um jogo (porque tem gente que vai acreditar, que o problema são só as “cifras”).

Então, pessoal, falem para o Juca (o Kfouri), quem sabe ele escuta, e convida um deles para uma entrevista na ESPN; ou então falem ao Jô (o Soares, para uma conversa inteligente), o Trajano, o Tostão, sei lá…

Só não me venham com o Galvão…

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O futebol pode (e deve) salvar vidas*

Caros amigos da Universidade do Futebol,

A popularidade do futebol nas últimas décadas ajudou esse esporte a atrair grande interesse por parte de patrocinadores e mídia, fazendo com que, na atualidade, um grande volume financeiro seja movimentado nesse negócio ao redor do mundo.

Esse fenômeno ficou conhecido como ¨a comercialização do futebol¨, que promoveu, em última análise, sua transformação, de um mero esporte amador, em um verdadeiro ramo de atividade profissional, com diversas frentes de atuação.

Mas toda essa força do futebol não pode resumir-se a isso. Há algo muito maior do que isso. O futebol tem o grande poder de dar à população (que é a grande responsável por esse fenômeno da comercialização) um justo retorno, se não financeiro, ao menos, no âmbito social.

O futebol, se bem administrado, pode efetivamente reinserir indivíduos na sociedade. Pode desenvolver regiões menos favorecidas, alimentar e proporcionar um sonho a um jovem atleta, e, ainda, estampar um sorriso no rosto de cada um de nós. Enfim, não há limites na quantidade de benefícios que o futebol pode proporcionar à população.

Mas essa função social não sai do papel se as pessoas que dirigem o esporte não passem a tomar medidas reais para tanto. Já existem, de fato, diversos programas nesse sentido. Mas hoje, gostaria de sugerir mais um programa para o nosso país, à semelhança do que já acontece em outros países.

Trata-se de um programa para incentivar os torcedores a doarem sangue.

De acordo com o site Filantropia.org, o Brasil necessita de 5.500 bolsas de sangue por dia. São inúmeras as vítimas que precisam de sangue para sobreviver e dependem dessas doações para sobreviverem. Mas a realidade é que ainda não temos doadores em quantidade suficiente para suprir a atual demanda.

Houve em 2003, um projeto de lei que tratou da concessão de livre acesso de doadores em espetáculos, incluindo jogos de futebol, mas que, até onde temos notícia, não foi levado a diante, ou que, de toda forma, não foi devidamente implementado.

Independentemente do esforço legislativo, os clubes e federações poderiam se antecipar ao problema, e promover ¨ex oficio¨ um programa de concessão de determinados ingressos para pessoas que comprovadamente fizeram doações de sangue.

Dentro de seus regulamentos, as federações poderiam repassar essa obrigação aos clubes, que teriam uma quantidade de ingressos separada para ser enviada aos postos de coleta de sangue credenciados. Esses ingressos seriam pessoais e intransmissíveis.

Sabemos que é raro no Brasil termos estádios completamente lotados nos diversos jogos, das diversas divisões, tanto a nível nacional como estadual. Assim, não há dúvidas de que há ingressos de sobra a disposição para essa finalidade.

No âmbito deste programa, os estádios aumentariam seus públicos (em benefício do espetáculo como um todo), bem como teríamos um aumento efetivo do número de doadores de sangue.

É claro que comentamos aqui o programa de forma genérica. Mas a sua implementação poderia ser feita de forma criativa, em que se propicia uma rotatividade na distribuição de ingressos (para que sempre se incentive que um novo torcedor faça doações de sangue), bem como mecanismos para que se evitem desvios na distribuição (e tentativa de comercialização) desses ingressos.

É assim que o futebol pode salvar vidas. Mas essa é apenas mais uma delas.

O futebol pode, e a população brasileira merece.

* Esta coluna foi escrita por sugestão do professor e amigo Carlos Teixeira.

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Os paulistas, os cariocas e o calendário

Se você lê (acessa) a Universidade do Futebol, é porque – logicamente – gosta de futebol. E se você gosta de futebol, é bem provável que tenha desaprovado a estratégia da Rede Globo em transmitir os jogos do Campeonato Brasileiro ao invés das finais da Libertadores.

O argumento da Globo é puramente racional. Se ela tem mais audiência transmitindo jogos com os clubes paulistas e cariocas, por que então transmitir um jogo em que nenhum dos dois estados está sendo representado? E os números comprovam que ela está certa, o que não é nenhum pecado.

Não é incomum o fato de competições continentais serem menos importantes do que competições nacionais. Acontece em vários lugares. Na Inglaterra, por exemplo, é muito mais importante ganhar a Premier League do que a Champions. Mais ainda, é muito mais difícil conseguir ingressos para qualquer jogo da Premier League do que pra outra competição. Tudo bem, final é sempre final. Mas isso não enfraquece a lógica.

O problema não é a Globo, tampouco os times paulistas e cariocas. O grande problema, aqui, é o calendário. Não se pode colocar dois jogos de competições diferentes na mesma data. O certo, nesse caso, seria não ter rodada do Brasileirão hoje. Assim como não pode ter rodada em dia de jogo oficial da seleção. Uma competição mata a outra.

O Brasil sofreu bastante com o calendário no passado. Depois de 2002, a coisa deu uma melhorada significativa. Mas ainda existe um excesso de competições no primeiro semestre, e quase nada no segundo.

Uma boa parte da culpa recai na Conmebol, que não tem peito pra tocar duas competições como a Libertadores e a Sul-Americana ao mesmo tempo. Obviamente que isso enfraqueceria a Sul-Americana, uma vez que os clubes do segundo escalão da Venezuela, Bolívia e Peru, dificilmente, atrairiam audiência ou patrocínios. Mas é o que precisa ser feito para fazer um composto geral decente.

Mas o Brasil também não pode ser eximido. O calendário fica apertado muito por conta dos campeonatos estaduais. Não que eles não tenham que existir, mas bem que eles poderiam ser mais curtos. Com mais tempo para o Brasileirão, seria possível reservar datas específicas para cada competição.

Não é uma questão que vai ser resolvida logo. Muito pelo contrário. Se muito, daqui apenas a algumas gerações. É possível que não seja resolvida nunca. Enquanto isso, você – que gosta de futebol, vai continuar a desaprovar as atitudes da Globo. A não ser que você seja paulista ou carioca, é claro.

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