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Futebol: um desporto tático-técnico-físico-mental

Creio que já escrevi, desde 2001 ou 2002, mais de 100 textos que de certa forma propuseram reflexões e críticas ao dualismo maniqueísta (transferido as diversas “construções humanas”) que ainda hoje numa escala menor continua sendo armadilha nas condutas científicas, especialmente na Educação Física e mais particularmente no futebol.

E por mais que se discuta, por mais que o mundo aponte caminhos e que a complexidade seja desvendada, ainda há problemas (atrasos) que insistem em não se render aos fatos, argumentos e por que não, as obviedades.

Existe ainda no futebol algo potencialmente perigoso no caminho do seu desenvolvimento. Por mais que se discuta em países como Portugal, Espanha e França e Inglaterra uma teoria para a “complexidade do complexo futebol” há ainda por exemplo em países como o Brasil (o país do futebol?!) uma fragmentação daquilo que é tático, do que é físico, do que é técnico, do que é mental.

Como acreditar que o treinamento em partes pode resolver problemas do todo? Como acreditar que em uma atividade que trabalhe conceitos táticos não contenha elementos técnicos, exigências físicas, controles mentais que se inter-relacionam? Como acreditar que um treinamento técnico isolado possa se transferir para as infinitas situações-problema do jogo tático-técnico-físico-mental em que a “técnica” é exigida?

Mas é assim que as coisas têm funcionado.

Por vezes o discurso até impressiona, mas não há aplicação dos conceitos sob a visão da complexidade. O pior ainda é quando a compreensão do que estou dizendo é tão rasa que não se torna possível enxergar o tamanho das armadilhas que estão na fragmentação do todo.

Há hoje (ainda!!!) no futebol quem acredite que “teoria” é uma coisa, “prática” é outra; e se esquece que uma só faz sentido pela existência da outra, ao mesmo tempo, sem fronteiras visíveis.

Para “provar” a coexistência das “coisas físicas-táticas-técnicas-mentais” trago à discussão um dos exercícios realizados em uma sessão de treino, por minha equipe sub-17 (juvenil) em março de 2008.

A sessão teve três jogos/exercícios, de acordo com os objetivos descritos na primeira figura (abaixo), e todos eles foram orientados pelo modelo de jogo da equipe (de acordo com o processo de formação).

O jogo/exercício foi realizado simultaneamente em dois mini-campos “desenhados” pela comissão técnica (para que todos participassem ao mesmo tempo).

Cada campo possuía duas equipes de sete jogadores cada, distribuídas de acordo com as inter-relações da plataforma tática 1-4-3-3.

Cada equipe tinha como objetivo marcar o gol pela mini-baliza (o que valia dois pontos) e/ou trocar o maior número de passes dentro da “zona protegida” (o que valia um ponto à equipe para cada jogador que recebia a bola dentro dela – na zona de ataque).

Todos os objetivos, de acordo com as Competências Gerais e Específicas a serem trabalhadas, estavam contidos na atividade (o tempo todo, em maior ou menor escala de incidência). O número de ações com bola, por unidade de tempo foi superior ao do jogo formal 11 vs 11 o que expôs os jogadores a uma freqüente e variada gama de situações-problema, com e sem bola.

Abaixo alguns dos “apontamentos físicos” obtidos a partir do rastreamento por GPS enquanto os jogadores jogavam o jogo tático-técnico-físico-mental.

A atividade teve duração de 10 minutos. Em mais de 30% da distância total percorrida o jogador rastreado esteve em velocidades acima de 16km/h ; o que, considerando as dimensões do campo de jogo, representa uma “intensidade física” bem alta (e levemente superior a do jogo formal 11 vs 11).

Isso tudo quer dizer, em outras palavras, que em 10 minutos houve “sobrecarga” (usando um termo bem conhecido do treinamento desportivo) sob a perspectiva fractal de todas as dominantes do jogo (física-tática-técnica-mental), cumprindo com os princípios do jogo, do modelo de jogo, enfim da complexidade do jogo.

Obviamente esta foi apenas uma das atividades da sessão. Obviamente também, sua aplicação se fez oportuna de acordo com o planejamento processual da equipe (ou seja contextualizado ao ambiente, momento e desenvolvimento da equipe).

É claro que o jogo/exercício proposto alicerça conceitos que evoluem posteriormente para jogos/exercícios (táticos-técnicos-físicos-mentais) nas dimensões formais do campo de jogo (também com regras específicas para potencializar o desenvolvimento do modelo de jogo que se busca) em situações de 11 vs 11, 11 vs 10, 9 etc e tal.

E vejam, esse ainda não é o maior problema, pois superado o entendimento de que a atividade, se bem modelada, pode proporcionar sobrecarga física-tática-técnica-mental, há necessidade de compreender como criar modelos, regras e situações que permitam a construção de jogos/atividades que atuem sobre a zona de desenvolvimento proximal da equipe e de seus jogadores.

Assim, e somente assim tais jogos/atividades farão sentido, e só assim poderão alcançar, dentro do processo, o desenvolvimento e o jogo que se quer jogar.

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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A transferência internacional de menores

Caros amigos da Universidade do Fubebol,

Os jovens talentos representam o futuro do nosso futebol. São a jóia mais preciosa que o nosso esporte pode ter. Mas tratam-se de jóias ainda não lapidadas, e que, portanto, merecem toda a atenção por parte das autoridades e organizações desportivas. 

Como já falamos anteriormente, esses jovens atletas são vistos, comumente, como excelente fonte de receita por parte de terceiros, intermediadores e oportunistas. É claro que sempre ressaltamos que existem excelentes agentes de jogadores no mercado (e que são indispensáveis para cuidarem dos assuntos extra-campo dos atletas). Porém existe também aquelas pessoas que buscam, a todos custo, o lucro máximo em cada uma das transações realizadas.

A Fifa, atenta a essa questão, introduziu em seus Regulamentos o famoso artigo 19, que veda expressamente a transferência internacional de menores de 18 anos, com algumas exceções.

Mas, como diz o ditado, “hecha la ley, hecha la trampa“. Ou seja, ainda que exista a proibição regulatória, os fatos muitas vezes são distorcidos pelas partes interessadas para que a transação seja enquadrada em uma das hipóteses de exceção.

Temos registro que muitos jogadores da América Latina e África são transferidos para países menos desenvolvidos da Europa, ou ligas menores dos grandes países. 

O problema não são jogadores como Messi, que são transferidos ainda menores dentro das exceções previstas com um futuro garantido. A nossa preocupação reside em agentes que carregam diversos jogadores intermediários para a Europa, mantendo-os em condições muitas vezes sub-humana, no aguardo de um ou outro conseguirem um bom contrato. A maioria desses jovens, além de serem marginalizados após o insucesso, acabam por terem perdido uma oportunidade de crescerem e se desenvolverem dentro de seus próprios países.

Algumas soluções já estão sendo estudadas pelas organizações desportivas na Europa. Alterar o artigo 19 da Fifa? Aumentar o controle para uma maior e mais extensiva aplicação do artigo com a redação atual?

Dentro das alterações possíveis, podemos vislumbrar o aumento da idade limimte, de 18 para 21 anos, ou uma maior restrição com relação às exceções previstas. Todas elas visam, de forma geral, desincentivar a transferência internacional (ou mesmo nacional em alguns casos) de menores.

Os jovens jogadores precisam permanecer em seus clubes formadores até que tenham de fato atingido a maturidade. Só nesse ambiente é que o futebol doméstico pode propriamente se desenvolver.

A discussão não é simples. De toda forma, entendemos que, além das providências, digamos, legislativas, temos que promover mudanças comportamentais efetivas nos países de origem (na América Latina e África principalmente), para que condições sejam de fato propiciadas para a permanência dos jovens talentos.

Os clubes formadores precisam ser indenizados pela formação. Temos que tentar minimizar com a polarização das receitas no futebol (na medida do possível).

Sò assim teremos, no futuro, clubes formadores mais fortes, e formando cada vez mais jogadores “internacionais” de fato preparados para enfrentar o mercado de trabalho com efetivas condições.

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Mito ou verdade. A utilização de scout no futebol (parte I)

Nessa seqüência de texto, cuja primeira parte iniciamos hoje, vamos trazer uma reflexão simples, com um olhar crítico como sempre, mas que ilustra como acreditamos que deve ser encarada, nos clubes, a questão da utilização do scout, e diria, mais precisamente, da “tecnologização” do scout, porque muitas vezes a tão famosa resistência que encontramos no meio do futebol é fundamentada no embate perspicácia humana x falta de maleabilidade do scout.

É o que o psicanalista (lembrem que em um dos textos, eu falei que nem Freud explicava, mas a gente tenta…)Waldemar Zusman denomina de “inércia dos mitos”.  O termo “inércia” remete as nossas aulas no colégio, quando o professor de física definia como “a resistência encontrada por um corpo para deixar sua condição de conforto (movimento ou repouso)”. Bom, imagino que, como eu, muitos devem ter pavor das aulas de física, mas fiquem tranqüilos, paramos por aqui.

Em tempo, onde falarmos scout, a referência é feita em relação ao scout com amparo tecnológico.

Diz Waldemar Zusman: “A inércia de um corpo não significa sua imobilidade”, mas sim uma conformidade com o que está ocorrendo,  e é isso que vemos no futebol, talvez por excesso de confiança, talvez por falta de aptidão de lidar com tecnologia, o que é normal para gerações que não cresceram imersas nesse mundo moderno.

Há um receio em sair da zona de conforto, e essa tal mobilidade é dada a passos lentos que não significam segurança e pés no chão, mas sim, a falta de uma visão mais integrada e aberta às possibilidades. É como se houvesse um consenso que não podemos nem precisamos aprender mais, nada pode nos ensinar a fazer o que fazemos há tantos anos, há uma inércia, e essa está fundamentada nos mitos.

Zusman afirma que: “Não se pode subestimar o poder inercial dos mitos, vale dizer das crenças e das crendices a que há mais de 6.000 anos estamos submetidos. Os mitos são o poder de propulsão das inércias históricas, o seu combustível essencial, seu ímpeto”.Criam-se os mitos e, em função deles, vem a inércia, adquirem tanta importância que desenvolve-se uma força que os sustentam e impede mudanças.

Vou ilustrar com um exemplo recente, mas reforço que tenho profunda admiração e respeito pelo trabalho dos profissionais envolvidos nessa história, apenas tomo como referência por se tratar de assunto tão recente. E a competência dos profissionais envolvidos só nos realça que a  questão é mais profunda, para além da comissão técnica, que em algumas vezes deseja algo diferente mais esbarra nos interesses ou na falta dele  por parte de quem está nos bastidores  do futebol (dirigentes, imprensa, etc).

A equipe do Internacional, dirigida pelo excelente e competente técnico Tite (ainda que alguns não o considerem desta forma), vai enfrentar o Boca Juniors e enviou o auxiliar-técnico para a Argentina para observar o jogo do Boca contra o River Plate.

Importantíssimo, extremamente necessário para o futebol hoje, conhecer seu adversário, sua fase atual, não tenho a menor dúvida.

Mas aproveito tal notícia para refletirmos sobre os mitos e verdades, que estabelecem uma inércia marcante no futebol, e não é em relação aos profissionais (neste caso sem aspas mesmo) em questão, mas sim em relação a uma atitude comumente utilizada pelos clubes brasileiros.

Mito ou verdade: É muito melhor mandar alguém pessoalmente fazer uma análise porque fazer tal avaliação por vídeo, não permite observar algumas características imprescindíveis, que só quem estiver no campo, consegue avaliar.

Mito ou verdade: Os custos para a utilização do scout são muito altos para a realidade brasileira, os clubes não possuem condições de investir.

Bom, deixo aqui um desafio ao amigo que me acompanha, quero saber sua opinião, escreva para a coluna, o que você considera acerca desses dois itens indicados. Na próxima parte desse texto proponho-me a expor as idéias e debater com todos, a fim de que possamos enriquecer essa discussão conjuntamente.

Aguardo sua opinião, escreva.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Refém

IWL. Sim, essas três letras podem lembrar o “Instituto Wanderlei Luxemburgo”, propagado como o mais “profissional” curso sobre gestão no futebol do país. Mas as mesmas três letras podem significar “Investir em Wanderelei Luxemburgo”, algo que o Palmeiras tomou, no começo deste ano, como sendo a solução para seus problemas.

Luxemburgo pegou uma base montada por Caio Jr. com um time que bateu na trave para se classificar para a Libertadores em 2007. Teve essa equipe extremamente reforçada com os milhões do Grupo Traffic e, como num passe de mágica, fez do Palmeiras um clube que voltou a sonhar com títulos após quase dez anos de secura.

Mas investir no treinador carioca tem os seus reflexos. Com Luxemburgo, a diretoria do Palmeiras perdeu o poder que tinha sobre o futuro dos seus jogadores. Alguns que custaram milhões de dólares, como Valdívia, ou que demoraram anos para serem descobertos, como Wendell. 

Dois atletas que, com Luxemburgo, deixaram de ter espaço cativo na equipe e que, durante o Brasileirão, deixaram o Palmeiras. No caso do meia chileno, uma proposta milionária dos Emirados Árabes serviu de justificativa para que o maior ídolo da torcida desde Marcos fosse embora num piscar de olhos. Mas, com Wendell, a coisa foi diferente. 

Luxemburgo adora se vangloriar de que é capaz de recuperar qualquer jogador. Apostou em Léo Lima, que por ele mesmo havia sido dispensado do Santos, para ser titular no meio-campo já formado com Pierre e Wendell. Léo Lima acertou o pé na vitória sobre o São Paulo na semifinal do Paulistão. E Luxemburgo, após erguer a taça estadual, ganhou a carta branca que lhe faltava.

Depois disso, chegaram Sandro Silva e Jumar, dois volantes, para atuarem no meio-campo, então já formado por Pierre e Léo Lima e tendo em Wendell e Martinez duas ótimas opções para o banco de reservas.

Jumar e Sandro Silva foram levados ao Parque Antarctica pelo dinheiro da Traffic. E, como num passe de mágica, Luxemburgo os considera hoje titulares no lugar de Pierre e Léo Lima, sendo que Léo é a primeira opção para o banco de reservas. E Wendell? Bem, esse está comendo a bola no Santos…

No domingo, Luxemburgo não tinha Jumar, suspenso. Optou por Léo Lima e Sandro Silva para o meio-campo. Em menos de cinco minutos, Léo Lima deu um pontapé em Jean, e o São Paulo saiu na frente no clássico. Depois, aos 45, errou o passe que deu o segundo gol para Dagoberto.

No intervalo, Luxemburgo sacou Léo Lima e colocou Pierre. A marcação melhorou, e o jogo terminou empatado em 2 a 2. 

Investir em Wanderlei Luxemburgo não pode significar que o Palmeiras se tornou refém das decisões do seu treinador. E, ao que tudo indica, também do seu parceiro. Um time campeão não começa com um bom treinador, mas com uma diretoria que não é refém de técnico, patrocinador, torcida, etc.

Que o digam Grêmio, Cruzeiro e São Paulo…

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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Seleção brasileira de futebol: tendências

Gosto muito de ler os livros do professor de matemática John Allen Paulos. Primeiro por sua habilidade em transformar matemática em contos e contos em matemática. Segundo pela perspicácia na abordagem de assuntos que envolvem a “complexidade do dia-a-dia”, usando, claro, a matemática.

Em um de seus livros (A lógica no mercado de ações) fala sobre fractais, redes e fobias psicológicas que atormentam e direcionam o comportamento de investidores no mundo dos negócios.

Não irei aqui falar nem sobre matemática, nem sobre o mercado de ações. Não é essa a idéia. Gostaria sim de fazer uma rápida discussão sobre algo muito, mas muito mais angustiante, agonizante, incômodo e que claro, que faz mais pessoas perderem o sono do que a “grande crise financeira 2008, USA parte 1“: a seleção brasileira de futebol do treinador Dunga.

Lá se foi o jogo contra a Colômbia. Maracanã, torcida. Eliminatórias da Copa do Mundo. A vitória garantiria o Brasil em 2º lugar.

Empatou. O Brasil ficou em 2º lugar. Vaias. Críticas. Nada de novo.

Pela TV alguém disse que já não cabiam mais as críticas; afinal a seleção brasileira de futebol estava em 2º lugar. Que local no mundo não se valorizaria o 2º lugar?

Pois bem.

O Brasil não está mal na tabela de classificação. Também não fará diferença para o chaveamento de grupos no sorteio da Copa do Mundo FIFA de Futebol 2010 terminar as eliminatórias em 1º ou em 4º lugar.

Pois mal.

Sob o ponto de vista lógico-matemático, claro, o raciocínio acima descrito está correto, nenhum problema. Problema mesmo é mascarar com tal justificativa o desempenho da equipe brasileira e de seu treinador; ou pior ainda, atribuir à casual “normalidade” das críticas que toda seleção de futebol do Brasil recebe (jogadores e comissão técnica) ao fato de existirem tais críticas.

O que quero dizer é simples.

Nosso treinador diz que é normal às atribuições do cargo receber críticas. Alguns setores da imprensa dividem a responsabilidade entre jogadores e comissão técnica pelas dificuldades da seleção brasileira em alguns jogos (e é só ganhar um de quatro a zero para mudar tudo). Outros apontam que o Brasil é 2º e que não há motivos para alardes (só no Brasil mesmo o 2º lugar ser uma coisa ruim).

O matemático Paulos (John Allen) do início do texto, em um dos capítulos do seu livro já mencionado, aponta que as tendências do mercado financeiro estão atreladas também (viva a complexidade!) a comportamentos que geram tendências, que por sua vez condicionam comportamentos, que reafirmam tendências; e aí…

Bom, aí é como aquela estória em que um rei vai até a feiticeira saber a sorte de seu filho que está para nascer. A feiticeira lhe diz que o bebê quando mais velho acabará por matar o pai. Sem pestanejar, quando o filho nasce, o rei manda um de seus soldados matá-lo e jogá-lo no rio. O soldado com pena do pobre menino, ao invés de cumprir a ordem, coloca o garoto em uma cesta dentro do rio (na esperança de que as correntezas o carregassem para um lugar bem distante onde pudesse ser encontrado e ter uma vida nova).  A criança é encontrada por uma senhora que cuida dela como se fosse seu filho. Mais velho, já depois de vinte e tantos anos eis que o jovem se apaixona pela rainha e mata o rei para poder viver seu amor.

O que quero dizer com isso?

Quero dizer que se não tivermos cautela, acabaremos, como sempre, tendo nosso comportamento moldado e moldando uma tendência:

a.     Formação da tendência no. 1 à Dos chefões do futebol brasileiro: Cobrar o treinador, demiti-lo? Como assim, o Brasil é 2º colocado nas eliminatórias da Copa.

b.     Formação da tendência no. 2 à Da torcida: Criticar é hábito. Não importa a crítica, importa criticar.

c.      Formação da tendência no. 3 à Da imprensa: segundo os meus interesses, o melhor a fazer é? Qual o melhora fazer mesmo?

d.     Formação da tendência no. 4 à Do treinador: no meu cargo receber críticas é normal (Será que eu realmente sei o que estou fazendo?)

É que no final das contas a conversa se resume ao seguinte: não importa o método, não importa a conduta, não se pode dizer se é esse ou aquele o melhor; afinal de contas bom no futebol (e no mundo dos negócios) é somente aquele que ganha.

E por isso volto a dizer; chefões do futebol brasileiro, torcida, imprensa e treinador; estamos criando a tendência errada, e assim teremos muitos problemas na Copa de 2010 (não me acusem de exercício de futurologia – aliás essa (a acusação) é uma outra tentativa de construir tendências).

No futebol a lógica é simples: buscar o 1º lugar sempre.

E se assim o é; então, viva o Paraguai (e claro a lógica do mercado financeiro).

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Perigo em vista

Caros amigos da Universidade do Fubebol,

Antes de mais nada devo ao menos uma explicação aos nossos leitores, tendo em vista minha ausência das últimas duas semanas. Como já havia anunciado, a EPFL (Associação Européia das Ligas de Futebol Profissional), onde atualmente atuo, esteve reunida em Assembléia Geral na última semana, o que demandou ao menos um mês de intenso trabalho em torno das questões a serem lá discutidas.

De fato, existe atualmente grande preocupação das ligas européias no desenvolvimento sustentável do futebol e na manutenção da integridade do jogo. Diversas são as frentes de discussão que permeiam o tema, incluindo a saúde financeira dos clubes, a atenção para as apostas ilegais, regras específicas para o investimento estrangeiro direto nos clubes, as interferências de terceiros nas transações de jogadores, a proteção contra a exploração de menores, etc. 

O futebol enfrenta atualmente um momento crítico, em que precisa definir qual é o melhor modelo de gestão de clubes e de competições tendo em vista a globalização e, mais recentemente, a crise econômica mundial. Com relação a esse último tema, felizmente, o futebol poderá ter menor impacto negativo do que outros setores da economia, como o imobiliário, por exemplo.

Um dos holofotes dessa discussão diz respeito à propriedade intelectual das ligas e clubes e a gravidade das respectivas ações ilegais de terceiros, como a chamada “pirataria online”.

Sabemos que a principal fonte de recursos dos clubes é proveniente dos seus direitos de imagem, especialmente “ao vivo”, que são comercializados com emissoras de televisão por valores historicamente crescentes (no Brasil, vide o atual acordo realizado entre Rede Globo e Clube dos 13). Esses recursos são indispensáveis aos clubes para que haja o reinvestimento em categorias de base, ações sociais, distribuição solidária entre clubes para desenvolivmento das ligas e manutenção do equilíbrio competitivo entre as equipes, etc.

O que o fenômeno da internet está propiciando, entretanto, é uma grande usurpação dos direitos de imagem das ligas e clubes por parte de sites que se organizam para oferecer transmissões online de imagens ao vivo ao público em geral, sem a devida autorização dos detentores dos respectivos direitos de imagem.

Por ora, a incidência é baixa no Brasil em comparação com a Europa. Mas a tendência é de crescimento mundial desta prática indesejável. Em grande escala, ela pode por em risco toda a forma de negócio atual dos clubes e ligas e estabelecer uma crise sem precedentes no nosso mercado.

Temos que batalhar por regras mais rígidas. Tanto por parte das autoridades públicas, como por parte dos reguladores do esporte. Todos têm que se unir contra esse mal.

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Você acha bonito ser feio? Até as casas de apostas usam softwares baseados em análise de performance…

Amigos leitores, começo me desculpando com vocês. Não gostaria de ser extremamente repetitivo, mas, tenho tentado trazer algumas questões que têm cercado nosso ambiente a partir de várias ilustrações do que vem acontecendo, tenho procurado novidades no mundo da tecnologia e futebol para trazer para vocês e propiciar um debate, uma discussão, a fim de aprofundarmos cada vez mais nossos conhecimentos acerca do tema.

Mas… Sempre há um porém… Ainda que alguns aspectos tenham notórias evoluções, sobretudo no quesito da tecnologia do espetáculo no futebol, o pessoal do marketing tem aberto cada vez mais a mente para as possibilidades tecnológicas em torno do show chamado futebol, lógico que em busca sempre da otimização (olha essa palavrinha de novo aí) dos lucros e das possibilidades mercadológicas, aumentando receita, consumo e assim sucessivamente.

Ainda assim, as pessoas que atuam no campo prático do futebol, cada vez mais, criam barreiras para manter-se distantes, e sabem o que é pior?… Acham isso o máximo, têm orgulho de tomarem tais atitudes. Dá vontade de perguntar mais ou menos aquilo que costumamos ouvir muito em conversas de alunos quando fazem brincadeiras entre si…Você acha bonito ser feio?

Eu, sinceramente, acredito que eles achem bonito ser feio. Essa minha revolta, caros amigos, pode seguir para vários rumos, mas ela germinou em cima de estudos que venho desenvolvendo sobre o campo de tecnologias de análise do jogo, de identificação de tendências, etc, etc.

E cada vez que buscamos desenvolver uma transposição para o campo prático temos de ouvir desses caras que acham bonito ser feio que essas coisas não se aplicam ao futebol.

Por quê? Que magia é essa que faz com que o futebol viva num mundo alheio, logo logo eles estão falando que essa crise econômica vai passar longe do futebol, porque o futebol é diferente.

Bom, vamos ser mais específicos. Minha indignação com tais pessoas do futebol germinou (ou diria que foi o que arrebentou minha úlcera imaginária) com base nessa onda de site de apostas que tomou conta do futebol em muitos casos com estouro de corrupção e máfias do apito pelo mundo, mas, cada vez mais, sendo normatizada e aceita como elemento do business futebolístico, seja patrocinando clubes, placas em estádios e outras possibilidades. Mas, não entrarei no mérito, pois não me considero um expert nesse assunto, que envolve desde questões jurídicas à questões éticas e de mercado.

Você pode se perguntar: e aí Eduardo, não entendi aonde você quer chegar, qual é a relação? Bom, é que esses sites de apostas entraram em meus estudos em dois aspectos diferentes nos últimos dias.

1.    Em matéria recente, a equipe cidade do futebol anunciou a reivindicação das ligas européias em relação as casas de apostas

2.    Tem aumentado cada vez mais estudos científicos, muito bem fundamentados, sobre tendências de vitórias baseadas nas escalações e nas ações de jogo

Essa crescente perspectiva, tanto do ponto de vista financeiro como do ponto de vista cientifico, refletem uma valorização desses aspectos, afinal, ciência, tecnologia e dinheiro, estabelecem diversas possibilidades de interação com infinitos propósitos positivos e negativos.

A questão é… Se baseadas em ações técnicas, táticas, baseadas em histórico de jogos, scout, analises de tendências e por aí vai, tais estudos têm surgido e ganhando valor no mercado, com softwares, sites de predição, etc… Por que ninguém no futebol pensa em analisar, adaptar, tirar proveito em relação a estratégias e planejamento de jogo?

Lógico que não podemos confiar cegamente num scout ou num relatório, mas se estudarmos possibilidades e confiarmos nosso planejamento em função de alguns elementos destacados por esses softwares e recursos tecnológicos, podemos diminuir as muitas “surpresas” que definem um jogo. O que falta ao futebol é os feios acharem bonito planejar, estudar, ainda que dê um pouco mais de trabalho.

O uso de dados, tendências, estatística, scout não é alheio ao esporte, sabemos que, na NBA, um técnico estuda para que lado o jogador gira e tem maior aproveitamento, com intenção de criar armadilhas e forçá-lo a ações pelo seu lado mais fraco.

E, convenhamos falar que futebol é algo completamente diferente do basquete, que a imprevisibilidade é maior, não é uma saída justificável. Basta vermos quanto tempo um jogador de futebol pode ter para desenvolver uma ação e quanto um jogador de basquete tem. Alias para desenvolver uma ação ofensiva eles tem 24 segundos no basquete, mas sempre virão alguns dizendo que no basquete é mais fácil pontuar, e blá… blá… blá.

Talvez se os feios do futebol resolvesse abrir a mente como abrem as pessoas do marketing, do bu$ine$$, do espetáculo e do financeiro futebol, talvez eles achariam bonito apostar algumas fichas em tecnologia e ciência.

Enquanto isso no que você aposta?

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Ausência

Caro leitor,

Informamos que a coluna de Erich Beting não será publicada nesta segunda-feira e aproveitamos o espaço para pedir desculpas pelo infortúnio.

Esperamos que a situação seja normalizada na próxima semana e estamos trabalhando para isso.

Obrigado!

Equipe Cidade do Futebol

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Modelo de Jogo, estreitamento do campo e plataformas de jogo: o que uma equipe juvenil tem a nos ensinar sobre futebol

Hoje comentarei sobre um jogo muito interessante e didático. Diferente de outras vezes não vou falar sobre o Chelsea, Barcelona, Milan ou qualquer grande equipe de futebol profissional da Europa ou do Brasil.
Tamanha riqueza de possibilidades e estratégias oferecidas pelo jogo, comentarei hoje sobre uma “partida” entre duas equipes de futebol sub-17 do estado de São Paulo, em jogo válido pelo Campeonato Paulista de Futebol da categoria.
Se isso leitor, o desinteressou, pedir-lhe-ei um exercício de “boa fé”; leia até o final (porque não é só dos jogos do Milan e outras equipes profissionais que podemos tirar lições – e aí vou tirando as minhas).
Chamemos as equipes de equipe “A” e equipe “B”.
A equipe “A” (visitante) precisava da vitória no jogo. A equipe “B” (já classificada para a próxima fase da competição) com uma vitória seria a 1ª colocada do grupo (o que lhe traria algum benefício na fase seguinte).
Clima quente e muito úmido; sem vento. O campo de jogo não muito comprido (~92m) possuía uma largura proporcionalmente avantajada (~68m) . Em outras palavras, campo “pequeno e largo”.
A equipe “B” (a mandante), tinha como modelo de jogo:
Na organização ofensiva:
·         Progressão vertical (por vezes horizontal) ao campo de ataque (independente da região do campo de jogo).
Na organização defensiva:
·         Recuperação da posse da bola, com “ataques” e pressão (e não pressing) ao portador da mesma (alternando estratégias de marcação individual e mista) a partir da linha 1.
Na transição ofensiva:
·         Ações rápidas em progressão ao campo de ataque, sem retirar a bola da zona de pressão (alternando passes longos e curtos – e com estrutura de balanço ofensivo fixa).
Na transição defensiva:
·         Ações imediatas de ataque a bola (com estrutura de balanço defensivo fixa, alternando momentos de jogo com “sobra” e “sem sobra”).
A equipe “A” (visitante), tinha como modelo de jogo:
Na organização ofensiva:
·         Progressão ao alvo, com jogo vertical de passes curtos (independente da região do campo de jogo).
Na organização defensiva:
·         Pressing zonal (com predomínio da variável espaço em relação a variável tempo), alternando horizontalmente linhas 1 e linha 3 (predominando a linha 3), impedindo progressão ao alvo até a linha vertical “b” e buscando a recuperação da posse da bola após essa linha.
Na transição ofensiva:
·         Rápida ação de retirar a bola da zona de pressão (horizontalmente) e busca posterior imediata de progressão ao alvo.
Na transição defensiva:
·         Alternando no jogo ações de recomposição da estrutura defensiva com ações de “ataque” a bola.
Em resumo, as equipes tinham nos seus sistemas organizacionais, propostas distintas. Analisemos um pouco mais a fundo a organização da equipe “A”.
Precisando vencer (e dadas as dimensões do espaço de jogo), a equipe “A” definiu como organização espacial inicial (quando se defendia) os estreitamento do campo de jogo. Então deixava a equipe “B” jogar pelas faixas laterais até a linha “b”, permitindo-lhe chegar até a linha de fundo (e dificultando-lhe os cruzamentos).

Como o pressing foi orientado para o domínio do espaço, a equipe “A” induzia a equipe “B” às regiões do campo que lhe fossem vantajosas para roubar a bola (mais especificamente forçando erros de passes).
Para a torcida “da casa” na arquibancada, a impressão de que os jogadores de sua equipe estavam “lentos” (o que na verdade estava acontecendo é que a equipe “A”, com seu pressing e estreitamento do campo, dava mais tempo do que o normal [para um pressing] para o jogador adversário permanecer com a bola, mas restringia-lhe opções espaciais para o desenvolvimento ofensivo do jogo [para depois roubar-lhe a bola]).
Como o pressing da equipe “A” era zonal, quando recuperava a posse da bola tinha melhor distribuição espacial no campo de jogo. Isso facilitava a retirada da bola da zona de pressão e a posterior progr
essão ao alvo.
A alternância de linhas horizontais de marcação (3 e 1) e dos princípios operacionais de defesa para essas linhas (equipe “A”) fizeram com que a equipe “B” não conseguisse encontrar equilíbrio ofensivo no jogo.
No 2º tempo da partida (o jogo já estava 3 a 1 para a equipe “A”) a equipe “A” teve um jogador expulso aos 10 e outro aos 30 minutos. Alterou sua plataforma de jogo mas não seu modelo.

Controlou sem bola o jogo e ainda teve chances de ampliar o resultado.
Apesar de ter a bola por mais tempo na 2ª etapa da partida, a equipe “B” não teve o domínio das ações do jogo (tinha uma falsa sensação!).
Final da partida, e o placar inabalável: Equipe “B” (mandante) 1 vs Equipe “A” (visitante) 3.
Foi um jogo de “gente grande”. Não dos vícios, maus exemplos ou velhos paradigmas dessa gente grande. Foi um jogo de jovens concentrados, determinados e versáteis, mas acima de tudo inteligentes e capazes de resolver “inusitadas” (inusitadas?) situações-problema do jogo.
Também oscilaram, tiveram seus momentos de desequilíbrio (não está aí um “fractal” da juventude?). Mas me “encheram” os olhos e por isso hoje, ao invés de discutir uma grande equipe européia resolvi discutir uma “adolescente equipe paulista”.

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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Ausência

Caro leitor,

Informamos que a coluna de André Megale não será publicada nesta sexta-feira e aproveitamos o espaço para pedir desculpas pelo infortúnio.

Esperamos que a situação seja normalizada na próxima semana e estamos trabalhando para isso.

Obrigado!

Equipe Cidade do Futebol