Categorias
Sem categoria

Havelange, Teixeira, Leoz, Fifa e propinas

Seguindo o caminho de Ricardo Teixeira na CBF e Nicolas Leoz na Conmebol, essa semana, o ex-presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange, 96 anos, em meio ao escândalo de corrupção que mancha a organização por mais de uma década, anunciou sua renúncia ao cargo de presidente honorário do órgão que rege o futebol mundial.

Segundo o juiz da corte de ética da Fifa, Joachim Eckert, Havelange renunciou em 18 de abril. Eckert foi o juiz que afastou o atual presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, da participação no escândalo de corrupção, envolvendo a ISL, empresa suíça de marketing esportivo que entrou em processo de falência em 2001.

Além disso, o juiz considerou Havelange, que presidiu a Fifa entre 1974 e 1998, e seu ex-genro Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), culpados "por uma conduta moral e eticamente reprovável".

As condutas dos brasileiros na época, não foi considerada crime na Suíça já que aceitaram propina entre 1992 e maio de 2000, época que o recebimento de propina não constituía crime.

Neste caso, aplica-se o Princípio da Anterioridade Penal, ou seja, não há crime, nem pena, sem prévia cominação legal, sendo que eventual lei penal somente poderia retroagir para beneficiar o réu, segundo o Princípio da Irretroatividade da Lei Penal.

Em 2011, Havelange já havia renunciado como membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), também em decorrência do caso da ISL. São atribuídos pagamentos a contas conectadas com ele e Teixeira, em um total de US$ 22 milhões recebidos entre os anos de 1992 e 2000.

Essa renúncias foram deflagradas por denúncia da emissora de televisão BBC de Londres, que, em reportagem afirmou que Ricardo Teixeira, que se afastou da Fifa no ano passado, e João Havelange ganharam um total de R$ 45 milhões em propinas, diretamente ou indiretamente, de acordo com o relatório da Justiça suíça. Ambos negam, tal como Nicolas Leoz, paraguaio que renunciou neste mês ao cargo de presidente da Conmebol. O dirigente paraguaio levou US$ 700 mil da ISL.

Vale dizer que a escolha da Suíça como sede para a maioria das Federações Esportivas se dá pelo fato de ser um sistema jurídico de pouca intervenção na estrutura dessas entidades privadas, o que pode dificultar e até afastar eventual punição criminal.

Assim, Havelange, Teixeira e Leoz teriam se afastado para evitar punições administrativas. Neste esteio, importante destacar que, apesar do código de ética da Fifa, ser de 2004, ou seja, de data posterior aos atos investigados, por se tratar de norma administrativa não se aplica o Princípio da Anterioridade, como bem destaca o filósofo alemão Hans Kelsen.

Todo historio de propinas, vendas de votos e outras obscuridades ocorridas na Fifa pode ser lido no livro "Jogo Sujo: O mundo secreto da Fifa" do inglês Andrew Jennings, editado no Brasil pela Panda Books. Excelente sugestão de leitura aos amantes do futebol.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Como promover a mudança de comportamento em atletas

É comum percebermos atletas que possuem comportamentos inadequados para um desempenho diferenciado em sua vida como atleta profissional.

Muitos possuem grande potencial técnico e físico para tornar-se um atleta de alto rendimento, mas os seus comportamentos além de não contribuírem, atrapalham diretamente seu desempenho e seus resultados.

Neste ponto, o coaching comportamental pode contribuir diretamente no suporte ao movimento de mudança destes comportamentos e, consequentemente, a obtenção de novos resultados na carreira destes atletas.

A mudança comportamental em qualquer ser humano passa por quatro (4) estágios de mudança, conforme esclareço abaixo:

Estágio reflexivo

• Neste momento o atleta encontra-se num estado de desconhecimento sobre um determinado comportamento nocivo ou problema existente e estão inconscientes de que há uma mudança necessária a ser feita (fase um). Ou, ele pode aceitar que a mudança precisa ser feita, mas ainda não assumiu o compromisso de mover-se em direção ao novo comportamento desejado (fase dois). E geralmente e nesta fase que o coach funciona muito bem como o educador.

Estágio de preparação

• Neste segundo estágio da mudança, o atleta percebe que há uma mudança necessária, mas encontra-se inseguro em como promovê-la e se mantém parcialmente comprometido com o processo de mudança. Neste momento, o papel do coach é organizar o processo de mudança, coletando dados, fixando metas e propondo planos de ação elaborados com o atleta. Estas ações preliminares são extremamente necessárias antes que sejam aplicadas técnicas de mudança de comportamento.

Estágio da ação

• Neste estágio, o atleta coloca em prática as novas habilidades no eu ambiente de trabalho, estas ações são monitoradas, medidas e avaliadas.

Estágio da manutenção

• Neste momento de mudança, o foco é sustentar os novos comportamentos e ganhos reais e assegurar que o atleta não reverta suas ações aos padrões de comportamento anteriores.

Agora, o que penso ser o mais importante para promover estas mudanças de maneira sustentável é reconhecermos o fato de que existem armadilhas escondidas por trás das fases emocionais de qualquer mudança comportamental e ignorá-las podem levar o processo de mudança ao fracasso.

As quatro (4) fases emocionais de uma mudança são:

1 – Negação

Num primeiro momento toda e qualquer mudança de comportamento é percebida com descrença e negação por parte do atleta. Não é raro ouvirmos algo do tipo: "Sempre fiz assim e no final deu tudo certo", ou ainda, "Sempre encontro uma forma de me virar, pode deixar".

2 – Raiva e culpa

Em seguida a negação, é comum vir raiva e culpa. Numa rotina de trabalho em que existam comportamentos inadequados o atleta pode resistir ativamente às mudanças necessárias e reagem dizendo coisas como: "Por que eu preciso mudar?". Neste caso, o risco encontra-se no atleta perder concentração, compromisso e falta de produtividade como comportamentos.

3 – Aceitação relutante

Conforme os atletas vão trabalhando internamente seus sentimentos de raiva, eles caminham para o terceiro estágio, no qual eles começam a aceitar as mudanças de comportamento necessárias. Neste ponto poderemos ouvir algo como: "Mudar é muito difícil para mim, como irei fazer isto?", ou “Eu nunca aprenderei a fazer isto, preciso de ajuda!".

4 – A fase final

Quando um atleta se compromete sinceramente em mudar, ele começa a ter o foco no futuro em vez de enfatizar sempre o passado; passa a ter um senso claro do seu papel e para a direção que está seguindo.

Este é um processo simples, mas muito rico e eficaz, para promover mudança de comportamentos e que um coach bem preparado, capacitado e experiente pode realizar com atletas no mundo do futebol.

E você, tem algum comportamento que deseja mudar atualmente?!

Para interagir com o autor: gustavo.davila@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Renúncias e corrupção

A renúncia de João Havelange como presidente de honra da Fifa por escândalos de corrupção na época em que liderou a entidade máxima do futebol foi apenas o desfecho de um ciclo iniciado por Ricardo Teixeira e que passou por Nicolás Leoz, que seguiram caminhos similares na CBF e Conmebol.

Os casos citados estão longe de surpreender, uma vez que há anos repórteres investigativos, como o escocês Andrew Jennings, retratam alguns dos submundos do futebol. De livros que igualmente mostram a forma exponencial como o futebol se desenvolveu dão a entoada daquilo que vivemos hoje.

Se não surpreende, preocupa, já que tais problemas passam a nos ser familiares. Havelange, por exemplo, por tudo que representou, não se sentará em uma Tribuna de Honra durante a Copa do Mundo ou as Olimpíadas que acontecerão em seu país – a não ser que compre ou ganhe ingressos por outro meio…

Mas é o outro lado destas histórias que gostaria de comentar – e aqui o faço bem longe de querer defender qualquer um destes indivíduos (Bem longe!!!).

O fato é que a Fifa, na década de 1970, era uma entidade deficitária e se tornou bilionária no final da década de 1990 pelas mãos de Havelange – e isto não é novidade para ninguém: os números comprovam.

Lógico que isto não é desculpa para eventuais desvios ou corrupções, como as que o ex-presidente da Fifa está sendo acusado. Na realidade, estamos falando de uma entidade privada, "sem fins econômicos", que se relaciona com outras entidades privadas, "com finalidade econômica", e é aí que reside o grande desafio para o desenvolvimento do esporte moderno.

Nas entidades sem fins econômicos não há remuneração para os cargos eletivos. As práticas das empresas, por sua vez, é de gratificar – seja com bônus ou altos salários – seus principais executivos. A famigerada "Participação nos Lucros" ou "Success Fee" simplesmente não existe e, portanto, é criminalizada nas entidades que administram o esporte quando algum dirigente o percebe.

Reforçando a linha de raciocínio: os eventuais desvios pelos quais os citados dirigentes estão sendo acusados são crime, sim (embora as Leis da Suíça tratem de forma diversa esta questão) pelo formato de constituição das entidades que lideraram. São também, hoje, imorais, pela mesma razão.

Contudo, merece uma reflexão mais técnica, sem demagogias e menos eivada de paixões por conta da dimensão e proporção que a indústria do esporte conquistou nos últimos 40 anos.

A reflexão é baseada em uma pergunta simples, que encerra este texto: "é justo o presidente de uma entidade bilionária não receber nada pelo seu trabalho?"

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

O legado também depende de comunicação

Legado é um dos assuntos mais frequentes em debates sobre a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Brasil.

No entanto, quase todas as discussões sobre o tema abordam estruturas físicas ou de serviços que o país terá de desenvolver para acomodar os dois eventos. Pouco se fala sobre algo que os torneios poderiam promover: uma revolução na cultura esportiva nacional.

A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos são grandes oportunidades para mostrar ao mundo um pouco da cultura do país que os organiza. Mas, também são, por tudo o que representam, uma chance de o local criar novos costumes e condições. Sobretudo em sedes como o Brasil, que demandam mais intervenções na estrutura física.

O exemplo da África do Sul serve para deslindar a situação: a Copa do Mundo de 2010 foi uma plataforma para o país mostrar a relação que tem com o futebol – as vuvuzelas, por exemplo –, mas exigiu um novo conceito de consumo do esporte, guiado pelo perfil escolhido para os estádios.

Esqueçamos por alguns momentos os orçamentos estourados, a necessidade das obras, a locupletação ou a pasteurização desses equipamentos. Isso à parte, o fato é que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos exigem um padrão diferente do que é usado, por exemplo, no cotidiano brasileiro. São estádios cobertos, com lugares numerados, lojas, restaurantes de qualidade, camarotes bem estruturados e até gramados baixos e menores, feitos para acelerar o ritmo das partidas.

Todos esses atributos são bases usadas pela Alemanha para alicerçar a Bundesliga como a liga de futebol que mais cresce no planeta. É o campeonato com maior média de público entre os grandes, tem uma política mais austera do que outras ligas e vê crescer gradativamente o faturamento dos participantes. Essa evolução tem ligação intrínseca com a transformação que o país sofreu para receber a Copa do Mundo de 2006.

A África do Sul também precisou se transformar para sediar o Mundial de 2010. O país também ergueu novos estádios, reformou outros e uniformizou a excelência entre essas arenas. Contudo, a estrutura nunca foi plenamente aproveitada.

O que distancia a Alemanha da África do Sul, nesse caso, é o foco. A Copa do Mundo feita em solo germânico foi concebida com um propósito e foi colocada em um projeto muito maior. O evento foi meio. No exemplo africano, o evento foi fim.

Entre os dois exemplos, o Brasil está, evidentemente, muito mais próximo do segundo. O país ainda pode percorrer ambas as rotas, e o que vai determinar a escolha nacional é uma combinação entre dois aspectos: organização e comunicação.

Organização aqui é um conceito extremamente amplo, que passa pela criação de uma liga administrada de forma equânime, que trate o futebol como produto e que exija profissionalização de gestão para campeonatos e clubes. Esse é um caminho claro, que só não é obrigatório porque destruiria a estrutura política e coronelista que beneficia poucos.

Quanto à comunicação, o processo ainda não é tão nítido assim, mas não há outro meio de incutir nos consumidores a necessidade de uma mudança na relação com o esporte.

Por natureza, o ser humano é avesso a mudanças. Algo como se a homeostase fosse um novo patamar na escala evolutiva. O maior desafio não é criar novidades, mas fazer com que elas sejam assimiladas.

Pensemos nos estádios, então: a Fifa exige, por exemplo, que as arenas usadas na Copa do Mundo tenham lugares marcados. O respeito a isso, porém, só será possível com um grande esforço de comunicação dentro e fora dos aparatos.

Houve problemas com desrespeito a lugares marcados na Copa do Mundo de 2010. Curiosamente, alguns deles envolveram brasileiros. Os mesmos brasileiros que respeitam locais marcados em cinemas e teatros.

Lugares marcados são apenas um exemplo do quanto a cultura em eventos esportivos pode mudar com as novas arenas. Há outros, como o fim dos ambulantes circulando dentro e fora dos estádios. É necessário que essa prática seja regulamentada e que não seja predatória. As lojas oficiais são importante fonte de receita, e a emoção de um jogo normalmente é um bom impulso para fazer os consumidores gastarem.

Tudo isso demanda comunicação. O torcedor precisa saber, por exemplo, que a Fifa cria um raio de proteção em torno das arenas usadas na Copa do Mundo. Nesse setor, é impossível circular com produtos de marcas diferentes das que patrocinam o evento. Até os bares e restaurantes nas imediações dos estádios precisam se adaptar.

O torcedor precisa saber quais são as funcionalidades de cada novo estádio e precisa entender como usá-las. Não basta prepará-lo para o clima de festa ou tentar forjar no país um Carnaval em torno dos eventos esportivos; é fundamental mostrar de forma prática como eles podem afetar o cotidiano do povo.

Nesse ponto, nenhum estádio entre os que foram inaugurados recentemente no Brasil foi competente. O último exemplo veio do Maracanã, reaberto no último sábado. O primeiro jogo no novo palco, que será sede da Copa do Mundo de 2014, foi um amistoso entre amigos dos ex-jogadores Bebeto e Ronaldo.

(Parênteses: Sim, o estádio mais importante da Copa do Mundo de 2014 foi reinaugurado em um jogo de amigos. Sim, essa é uma representação incrível de como o país funciona. Os amigos, chegados e cupinchas são sempre os primeiros.)

O foco da discussão, todavia, não é nem esse. O importante é pensar que a reabertura do Maracanã não foi sustentada por grande campanha de comunicação. E que todo o espaço foi usado para divulgar o evento, não para mostrar ao torcedor o que isso muda na vida dele.

Em Salvador, a maior campanha sobre a inauguração da Itaipava Arena Fonte Nova foi feita pela cervejaria que comprou os naming rights do aparato. Mas também foi, a exemplo do Maracanã, algo com perfil totalmente institucional.

A sensação que fica é como se Brasil estivesse comprando 14 novos supercomputadores, mas não capacitasse pessoas para operá-los ou para aproveitar plenamente as funcionalidades oferecidas.

O maior exemplo disso também foi dado na Itaipava Arena Fonte Nova. No último fim de semana, torcedores que foram ao estádio ganharam caixirolas, instrumentos criados pelo compositor e músico Carlinhos Brown e adotados pelo governo federal como artefatos oficiais da Copa do Mundo de 2014.

A experiência não podia ter sido mais frustrante. As caixirolas produziram barulho chato, comparável ao da vuvuzela sul-africana. E a situação ficou ainda pior durante o jogo: enquanto o Bahia perdia para o arquirrival Vitória, torcedores atiraram os instrumentos na direção do gramado.

As cenas dos jogadores recolhendo os objetos rodaram o mundo. Autoridades ligadas à Copa do Mundo de 2014 já
se sarapantaram com a possibilidade de algo semelhante acontecer no evento internacional.

As caixirolas, assim como os estádios modernos e reformulados, são equipamentos estranhos para o público. Não basta simplesmente jogar as coisas nas mãos das pessoas e esperar que a cultura emerja sozinha.

Essa noção é fundamental para que o Brasil comece a pensar em um plano de comunicação para os grandes eventos esportivos. Não apenas para a duração desses campeonatos, mas para o que eles deixarão no país.

O problema é que um plano de comunicação assim depende de uma abordagem sistêmica, que admita as peculiaridades de cada sede e que coloque isso a serviço de um projeto maior. Fazer algo assim é extremamente difícil com a estrutura politizada do comitê organizador local e das entidades esportivas do Brasil.

A comunicação, afinal, depende da gestão. Ignorar isso é abrir mão de todas as possibilidades que o esporte oferece.

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Pacotão de reforços

Vem aí um grande pacote de reforços prometido para salvar o futebol brasileiro da iminente insolvência econômica – historicamente acumulada – e instituir, em mais uma das tentativas, um marco regulatório no Brasil.

Junto da grande anistia aos clubes de futebol do país, o Governo Federal e o Ministério do Esporte pretendem incluir, no marco de gestão e responsabilidade fiscal, a limitação dos gastos com salários dos jogadores e comissão técnica, do tamanho dos elencos, além de alinhar o calendário de competições do Brasil com o da Europa.

A Europa já vem discutindo e implementando medidas no futebol continental, a partir do Sistema de Licenciamento de Clubes da Uefa, conjunto de normas e procedimentos regulatórios que versam sobre melhores práticas de governança corporativa, dirigidos aos clubes e associações nacionais.

De fato, as associações nacionais também se envolvem diretamente na aplicação de tais medidas, no âmbito de sua atuação nacional, e isso é um dos fatores de êxito do sistema.

Recentemente, após o período de adequação de clubes e associações ao sistema, alguns clubes foram punidos por não cumprirem com a previsão de respeitar as diretrizes orçamentárias.
As sanções variam de perda de pontos até a eliminação de competições continentais.

No Brasil, corre-se um grande risco de insucesso nessa tentativa de "enquadrar" o futebol a tais regras impositivas, se a própria CBF não estiver envolvida na construção do sistema de licenciamento.

Não só de fato como de direito, a autonomia desportiva que a Constituição Federal lhe assegura e, consequentemente, aos clubes e federações estaduais, permite à CBF decidir quando e, se, deseja por em prática esse marco regulatório.

A não ser que o movimento para a instauração do licenciamento seja originário da Fifa e impulsione, ou até mesmo, obrigue a CBF a implantá-lo por aqui, dificilmente a iniciativa do Governo e Ministério do Esporte ganhe legitimidade junto ao futebol brasileiro, além da questão formal-legal definida na legislação federal.

Se for, obviamente, apenas para anistiar os clubes e não se lhes exigir, como contrapartida, o estabelecimento de melhores práticas de governança corporativa, em áreas estratégicas da gestão, como recursos humanos, jurídica, ética, administrativa, desportiva, financeira e de responsabilidade social, ficará muito fácil e tranqüilo.
Afinal, é muito simples proibir ou permitir.

Muito mais complexo é se criar um sistema baseado na ampla discussão, na educação e informação, visando regulamentar e contribuir com a evolução da gestão do futebol brasileiro, chamando a todos para discutir e assumirem responsabilidade sobre este marco regulatório – CBF, clubes, federações, atletas, poder público.

Nesse sentido, o horizonte pode ser positivo, não apenas impositivo.
E, no fim das contas, nós todos pagaremos a conta disso tudo.
Já pagamos outras tantas vezes. Não pretendo ver meu dinheiro, recolhido através dos impostos, sustentando instituições falidas que não entendam seu relevante papel social e assumam o ônus decorrente disso.

Porque o bônus já estamos cansados de oferecer.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Os treinos, os tipos de jogos e a manutenção da posse de bola

A qualidade na manutenção da posse de bola é um comportamento coletivo pretendido pela grande maioria dos treinadores. Seja a equipe orientada para um ataque posicional, ou até mesmo um ataque rápido ou contra-ataque, é fato que se espera a eficácia na transmissão da posse de bola para que a ação ofensiva termine com possibilidade de finalização.

Posto isso, para aperfeiçoar a dinâmica coletiva da progressão em posse, os treinadores fazem uso de diversos treinamentos, atividades e recorrem à utilização de diferentes métodos.

Em minha atuação prática, como todos sabem, aplico um método de treino sistêmico em que toda atividade (jogo) é ao mesmo tempo física-técnica-tática-mental. Nesta semana, serão feitas algumas observações para quem escolhe este método e pretende evoluir na construção do comportamento de manutenção da posse de bola (não necessariamente um jogar predominantemente em posse).

É bem frequente a realização de jogos sem alvos para aperfeiçoar a manutenção da posse. Denominados jogos conceituais, por não terem as zonas de risco e finalizações, estes tipos de atividades são muito distantes do futebol formal e seguramente não traduzem no ambiente competitivo a posse de bola desejada. Nestas atividades, elementos indispensáveis para uma boa circulação como as coberturas ofensivas, a profundidade e as estruturas zonais fixas inexistem, logo, a dinâmica da construção da posse na sessão de treino não será a mesma daquela que se pretende evidenciar no jogo.

Outra situação muito utilizada é a dos jogos conceituais, agora com a presença de alvos, portanto, mais próximos do futebol formal. Por definição, os jogos conceituais são realizados em dimensões significativamente menores que o espaço formal de jogo. Com a distância entre alvos mais próxima, a atração pelas metam são ainda maiores e um equívoco não deve ser cometido: preocupados com a manutenção da posse, a solução encontrada por alguns treinadores (inclusive por este que vos escreve, anos atrás) é estipular um número mínimo de passes para permitir a finalização. Um crime contra a Lógica
do Jogo!

 

Treinando Através de Jogos: O Passe. Faça agora mesmo o novo curso online da Universidade do Futebol, com preço promocional de lançamento

 

É preciso saber que jogos com dimensões reduzidas, por sua formatação, inviabilizam um trabalho de manutenção da posse de bola em quantidade de passes. O que não significa que tal referência operacional não possa ser treinada em tais dimensões.

Os jogos conceituais em ambiente específico, se corretamente planejados e aplicados, são os que proporcionam maior proximidade com o jogo de futebol. Neles, as regras de ação desempenhadas por cada um dos jogadores, derivadas das competências essenciais do jogo (estruturação do espaço, comunicação na ação e relação com a bola), são altamente específicas. Com os 22 elementos (ou a maioria deles) na mesma atividade, a densidade das situações-problema que surgem relativas à manutenção da posse (lembrando, independentemente do tipo de ataque utilizado) é elevada e tem grande relação com o ambiente competitivo uma vez que são exigidas a ampliação do espaço efetivo de jogo, a abertura de linhas de passe, as desmarcações, as movimentações com ou sem troca de posição, a ação dos fundamentos técnicos de transmissão da posse de bola, além das coberturas ofensivas, profundidade e estruturas zonais fixas (citadas no início do texto), indispensáveis para o sucesso do referido princípio de jogo.

É válido mencionar que a faixa etária e o nível de compreensão do jogo por parte da equipe influenciam a escolha que a comissão técnica fará sobre os jogos. Quanto mais próximos da profissionalização, aconselha-se maior quantidade de jogos conceituais em ambiente específico.

Para a evolução de cada princípio de jogo, os treinadores fazem uso de diversos treinamentos, atividades e recorrem à utilização de diferentes métodos. Qual o método você utiliza?

Aguardo sua resposta!

 

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

 

Categorias
Sem categoria

O que a Copa do Mundo tem a ver com a escola dos seus filhos

No próximo ano, o Brasil sediará o maior evento esportivo do planeta, a Copa do Mundo de Futebol. Desde a confirmação do país como sede, em 2007, a expectativa é grande. Espera-se um evento fantástico e, acima de tudo, que, enfim, a seleção canarinho possa vencer um Mundial em casa.

Entretanto, organizar um Mundial não envolve apenas questões desportivas e estruturais, mas interfere no país como um todo. Por esta razão, em 2012, foi promulgada a Lei Geral da Copa que dispõe sobre as medidas relativas à Copa das Confederações Fifa 2013, à Copa do Mundo 2014 e à Jornada Mundial da Juventude – 2013.

Dentre as medidas previstas, o art. 64 determina que, em 2014, os sistemas de ensino deverão ajustar os calendários escolares de forma que as férias escolares decorrentes do encerramento das atividades letivas do primeiro semestre do ano, nos estabelecimentos de ensino das redes pública e privada, abranjam todo o período entre a abertura e o encerramento da Copa do Mundo Fifa 2014 de Futebol.

Como a Copa do Mundo ocorrerá entre 12 de junho e 13 de julho de 2014, as férias escolares do meio do ano que normalmente são de 15 dias, em 2014 terão 30 dias.

Doutro giro, a Lei de Diretrizes e Bases, em seu artigo 24 determina que a educação básica, nos níveis fundamental e médio terá carga horária mínima anual de oitocentas horas, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver.

Sobre estas disposições, o Ministério da Educação homologou, em março, parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) no sentido de que a Lei Geral da Copa não poderá se sobrepor à Lei de Diretrizes e Bases. Assim, as escolas deverão adequar seus calendários de forma que cumpra a carga horária prevista e ao mesmo tempo conceda férias durante a Copa do Mundo.

Dessa forma, os sistemas de ensino possuem três soluções. A primeira seria iniciar as aulas ainda no mês de janeiro. A segunda seria repor aulas aos sábados. E a última, seria terminar o ano letivo mais tarde.

A tendência é que a primeira solução seja adotada, ou seja, as aulas do ano letivo de 2014 devem se iniciar ainda na segunda quinzena do mês de janeiro, razão pela qual, os pais não devem programar suas férias de verão para este período, sob pena de não poder desfrutar do tempo livre com seus filhos.

Urge destacar que, com base no parecer do CNE, as escolas que pretenderem manter o calendário regular, ou seja, sem férias durante o Mundial, terão subsídio jurídico e poderão pleitear seu anseio judicialmente.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Estresse no futebol, como controlá-lo?

No esporte o estresse é uma das variáveis determinantes do rendimento esportivo e por este motivo tem sido estudado ao longo dos anos por vários pesquisadores no campo das ciências do esporte.

Os sintomas e consequências são investigados com o objetivo de desenvolver instrumentos eficazes de diagnóstico e controle do estresse. Os resultados desses diversos estudos nos permitem compreender que o estresse poder afetar os atletas de diferentes formas e que devemos levar em consideração fatores como idade, sexo, nível de rendimento e modalidade esportiva.

Essa situação que requer alguma adaptação dos atletas que denominada estresse pode ter diversas fontes, tais como: o volume dos treinos, a importância da competição, contusões, pressão da torcida, a obrigação de vencer, a cobrança do técnico, a cobrança do próprio atleta, de colegas da equipe e às vezes da própria família.

E nestas situações é que a ausência de instrumentos para controle do estresse é que alguns ou muitos atletas perdem o controle emocional. Estes mesmos atletas eventualmente acabam recorrendo à utilização de medicamentos para controlar o estresse, em outros casos vão buscar o relaxamento na bebida alcoólica ou até na comida.

Pelo este motivo, na coluna desta semana que contribuir com a exposição de uma técnica para controle do Estresse: a Técnica de Respiração. Esta técnica somática, desenvolvida por Lindemann (1984), é realizada através da respiração e por meio de movimentos respiratórios, na qual se pretende relaxar todo o organismo e os segmentos corporais.

Os principais efeitos desta técnica são:

• Relaxa todo o corpo e a mente por meio da respiração profunda;

• Aprende-se o autocontrole e o autodomínio sobre o corpo e a mente;

• Melhora a capacidade mental de relaxamento e consequentemente a saúde mental e a qualidade de vida.

• Podemos atentar que a grande vantagem desse método é a flexibilidade de aplicação: pode ser realizada em qualquer lugar, em qualquer momento e com duração de apenas 2 a 5 minutos.

Temos as seguintes opções para as posições para a realização desta técnica:

1. Posição sentada (numa cadeira ou num banco);
2. Posição deitada no chão (relaxamento profundo);
3. Pernas colocadas em cima de uma cadeira e corpo deitado no chão;
4. Posição em pé (adequado para competição);
5. Respirar profundamente caminhando ou correndo levemente (adequado para competição).

A fase de preparação da técnica necessita que o atleta esteja numa posição cômoda e num lugar tranquilo, que esteja mentalmente positivo e que a expiração do atleta seja profunda.

Na execução a inspiração deve ser um processo natural e acontece automaticamente; devem-se evitar intervalos após a fase de inspiração; a fase de expiração de ser levemente prolongada, sendo que após esta fase é necessário termos um intervalo acentuado. Lembrando que a referência na execução deve ser a respiração abdominal.

Como orientação, recomenda-se contar internamente, na fase de inspiração, até 3, e na fase de expiração, até 5. No final dos exercícios de respiração, devem-se abrir os olhos e aplicar a fórmula positiva de autoafirmação, como por exemplo: "Eu estou me sentindo tranquilo, concentrado, com muita energia e pronto para competir".

O exercício da respiração pode ser realizado em durações diferentes conforme abaixo:

1. Programa de 2 minutos: Relaxamento parcial (antes de treinos e competições);
2. Programa de 5 a 10 minutos (com música de relaxamento): Relaxamento profundo (após treinos e competições);
3. Programa de 10 a 15 minutos (com música de relaxamento): Relaxamento profundo (antes de dormir, um dia antes da competição).

E você, tem controlado seu estresse? Fica a dica, tente a técnica da respiração e sinta-se melhor e no controle de suas emoções.

Para interagir com o autor: gustavo.davila@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Os promotores do espetáculo

No mercado de entretenimento, a participação de atores, diretores e produtores no lançamento de qualquer obra é liturgia extremamente corriqueira. Quando um filme chega aos cinemas, por exemplo, todos os envolvidos nas filmagens passeiam por eventos, entrevistas coletivas, programas de TV e todo tipo de plataforma promocional. O mesmo acontece com shows, novelas, séries e até livros. Esse modelo ainda é extremamente raro em outras áreas, como o esporte.

Façamos justiça: o esporte está repleto de entrevistas coletivas. Também há um esforço gigantesco para que os personagens, sejam eles atletas, técnicos ou dirigentes, ocupem espaço na mídia. O que falta é que eles façam isso como verdadeiros promotores do espetáculo, a exemplo do que acontece no entretenimento.

O espaço que os personagens esportivos ocupam na mídia mostra o quanto os veículos são ávidos por qualquer contato com esses profissionais. No entanto, por falta de um planejamento sistêmico das esferas superiores, esse tempo de exposição não é aproveitado como deveria. Esse é um dos principais reflexos da desorganização das confederações esportivas do Brasil.

Houvesse um plano de comunicação estruturado nas ligas esportivas nacionais, atletas teriam direcionamento sobre o que falar nas conversas com a mídia. E principalmente, saberiam o que não deve ser falado.

É claro que as personalidades do esporte têm até um dever de aproveitar o espaço que ocupam para falar sobre as mazelas que enfrentam. Expor problemas é uma forma de causar estranhamento e de brigar por soluções. Contudo, além de ser extremamente populista, esse comportamento é ineficaz e pode apresentar efeito contrário.

Isso é o que acontece no caso da arbitragem. O nível de juízes e auxiliares no futebol brasileiro, como em outras partes do mundo, é muito baixo. Há um número altíssimo de erros, potencializados por transmissões esportivas mais profissionais e minuciosas.

Discutir os porquês de os árbitros errarem tanto é fundamental. Também é fundamental buscar caminhos. Mas falar sobre essas falhas sempre que elas acontecem é subterfúgio ou desvio de foco.

A diferença entre expor problemas e buscar soluções é abissal. Um caminho denigre a imagem do esporte como um todo, e o outro oferece passos para evolução.

Se houvesse uma cultura de que os personagens do esporte são promotores do espetáculo, jogadores e técnicos não usariam a mídia para desabafar e criticar a arbitragem a cada rodada de cada campeonato. Fariam isso em fóruns adequados e brigariam por mudanças.

Nunca vi um ator dar uma entrevista falando que o teatro é muito ruim, a temporada é excessivamente longa e a peça não tem o melhor nível do mundo, mas que ainda assim o público deve pagar ingresso para vê-la. No esporte, o que acontece muitas vezes é isso.

Um modelo profissional de comunicação é imprescindível para qualquer empresa ou entidade, e o esporte não pode estar alheio a isso. Criar canais e estabelecer relacionamento com a mídia são passos importantes, mas aproveitar esse espaço é primordial.

Isso só será possível, porém, quando todo o futebol brasileiro for pensado de forma mais profissional. Ligas esportivas na Europa e nos Estados Unidos balizam a comunicação e exercem controle sobre o que dizem jogadores, técnicos e dirigentes. Mas só fazem isso porque há espaços em que o interesse comum é discutido.

No Brasil, a implosão do Clube dos 13 apenas oficializou o quanto o esporte é individualista. Sim, o esporte. Outras modalidades trabalham com ligas, mas a recente troca de ataques entre dirigentes de equipes da Superliga de vôlei é um exemplo do quanto falta um sentimento verdadeiramente coletivo.

As discussões no vôlei incluem calendários, excesso de jogos da seleção brasileira e até a inequidade financeira entre as equipes que disputam a Superliga. E tudo isso é feito na mídia, com uma enorme e interminável troca de declarações sobre cada assunto.

A questão é: imaginar que a simples publicação de uma reportagem sobre qualquer assunto é suficiente para motivar mudanças estruturais drásticas é valorizar a mídia a ponto de desconhecer a atual realidade dessa seara. Veículos jornalísticos são relevantes, repercutem, mas não podem ser vistos como os únicos agentes de qualquer alteração.

O caminho mais eficiente, no caso do vôlei, seria aproveitar a Superliga como fórum e usar reuniões da competição para buscar unidade em torno de novas ideias. No futebol não há um fórum assim, o que complica ainda mais o cenário.

O curioso é que a inexistência de um modelo profissional de comunicação é extremamente paradoxal. Ela contribui para esfacelar a confiança popular em entidades e eventos, colocando em xeque o conservadorismo que guia a maioria das confederações esportivas nacionais.

E quando eu falo de um modelo profissional de comunicação, não me refiro a algo que cerceie a liberdade de expressão ou que proíba alguém de falar algo. O que eu prego é que exista um trabalho para incutir nos jogadores, nos treinadores e nos dirigentes a ideia de que eles são partes fundamentais para a promoção do evento.

Se eles entenderem que são promotores, poderão guardar críticas e cobranças para fóruns adequados. Aliás, poderão brigar para que esses fóruns existam e que sejam eficientes.

Mas, talvez seja muito abstrato falar de comunicação profissional do esporte dum país em que o Campeonato Brasileiro, principal competição da modalidade mais popular, é tratado por todos com tanto desprezo…

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

A Dama de Ferro, a anistia e a responsabilidade social

Já há um bom tempo, as melhores práticas de gestão corporativa impulsionam, dentro das instituições, a compreensão da posição privilegiada que estas ocupam na sociedade e que, uma vez conscientes do seu papel, promovam a chamada responsabilidade social corporativa.

Convencionou-se dividir a sociedade, nesse sentido, em primeiro setor (o Estado), segundo setor (a iniciativa privada) e terceiro setor (as organizações não-governamentais/ entidades da sociedade civil) para melhor se delinear as nuances.

Muito do desenvolvimento socioeconômico de um país depende do grau de articulação e engajamento dos três setores na criação e execução de programas variados, voltados à saúde, à educação, à cultura, ao esporte.

Com efeito, os clubes de futebol são importantes instituições que ocupam esta posição social privilegiada, para além daquilo que acontece, eminentemente, dentro do campo e das competições por eles disputadas.

Mais ainda do que representarem, para muitos jovens, a oportunidade de ascensão social e econômica para toda a família, os clubes de futebol têm, na comunidade em que estão inseridos, a origem e a razão de sua existência, pois a influenciam e por ela são influenciados.

Clubes de futebol personificam e incorporam ideologias, crenças, símbolos e aspectos culturais em dada cidade, estado, região, país.

E, por tais razões, gozam de imenso potencial de engajar a sociedade em atividades e iniciativas que extrapolam sua essência meramente esportiva e competitiva. Existente, pois, esse elo entre comunidade e clube, a força motriz para o desenvolvimento de programas de responsabilidade social corporativa no esporte encontra terreno favorável.

E o que isso tem a ver com o futebol brasileiro?

Tudo, uma vez que se discute, no seio do Ministério do Esporte, a possibilidade da criação de um grande programa de anistia financeira a grande parte dos passivos acumulados pelos clubes de futebol, exigindo-lhes, em contrapartida, dentro outros, a criação e execução de programas de inclusão social por meio de atividades esportivas.

Na Inglaterra, a responsabilidade social corporativa dos clubes de futebol existe, fundamentalmente, a partir de 1981, quando tensões raciais na periferia das maiores cidades do país levaram o governo Thatcher a lançar o programa de inclusão social denominado "Action Sport", que incentivava a prática esportiva.

O governo mapeou a ociosidade de algumas instalações esportivas do país, ao mesmo tempo em que reconheceu nos clubes o grande potencial de engajamento, coesão e identificação social e lhes convocou a aderir ao programa.

Nesse tempo todo, a evolução da natureza e da qualidade dos programas executados apontou para que fossem classificados nestas categorias: educacionais; esportivos; de inclusão social; de integração cultural; familiares; saúde; assistência social/beneficência.

Para que se tenha uma referencia mais precisa, dos 20 clubes da Premier League, em 2011-2012, todos mantinham programas de responsabilidade social corporativa, totalizando 355 programas.

Média de quase 18 programas sociais por clube.

O Chelsea FC, clube com maior número de programas (44), em 2005-2006 investiu 2.8% do orçamento (4.4 milhões de libras) em responsabilidade social corporativa: 3 milhões para investimentos comunitários; 1.3 milhões para assistência social/beneficência; 200 mil crianças participaram dos programas educacionais do clube e foram doadas 573 mil libras para mais de 700 famílias cujos filhos necessitavam de tratamento contra o câncer.

Espero que todos nós – incluo-me nessa luta – consigamos fazer com que o futebol brasileiro alcance esse patamar de verdadeira responsabilidade social corporativa no esporte.

E que o Governo Federal e o Ministério do Esporte exijam essa contrapartida social dos clubes como sendo a construção de um verdadeiro marco de governança e sustentabilidade corporativa.

A sociedade já deu demais ao futebol brasileiro. Chegou a hora de receber.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br