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A (re)construção do modelo de jogo e o ritmo de jogo

Uma determinada equipe apresenta ao final de uma temporada, para cada um dos momentos do jogo, um nível específico de resolução dos problemas que são impostos pelo jogo. Exemplificando, numa equipe que tem como comportamento de organização ofensiva sempre sair jogando evitando chutões e construir um ataque posicional com passes curtos, a comissão técnica tem condições de avaliar qualitativa e quantitativamente em que nível tais ações estão sendo executadas.
Com as mudanças dos jogadores ocorridas por diversos motivos, entre eles, contratações, promoções de atletas das categorias de base, negociações e até lesões, é fato que a nova formatação desta equipe expressa uma dinâmica do seu jogar significativamente distinta daquela que terminou a temporada. Ou seja, por mais que um time-base tenha se mantido, a chegada de quatro, três ou até dois jogadores é suficiente para gerar alterações funcionais no sistema que diferem do modelo de jogo pretendido.
Essas alterações são ainda mais bruscas se os comportamentos que se desejam construir são opostos aos que os jogadores apresentavam em seus clubes/treinadores anteriores. Como exemplo, um determinado jogador habituado a ter como referência para a marcação somente o adversário, terá dificuldades de adaptação num sistema em que as referências de marcação também consideram o próprio gol, a bola, a região do campo e os seus companheiros.
Então, no início da temporada, cada comissão técnica tem um trabalhoso problema nas mãos: verificar novamente em que nível sua equipe se encontra na resolução dos problemas do jogo. Para isso, mais do que verificar a condição física individual, que traz informações muito pobres relativas ao sistema, a comissão técnica precisa agendar um bom número de jogos amistosos. Somente jogando será possível conseguir a real informação de todos os comportamentos individuais e coletivos apresentados, relativos ao modelo de jogo.
Com a real informação da equipe em mãos, possibilitada por uma análise complexa, tem início o desenvolvimento da temporada competitiva (imediatamente para os grandes clubes brasileiros e mais tardiamente nas categorias de base e outras equipes que não disputam competições nacionais). Devido às mudanças supracitadas, provavelmente, muitos comportamentos de jogo terão regredido e então, a comissão técnica tem mais um trabalhoso problema nas mãos: o desenvolvimento das atividades que possibilitarão a evolução constante do sistema/equipe.
É neste aspecto do desenvolvimento da periodização que muitos treinadores se equivocam. Influenciados por resultados positivos em temporadas passadas, simplesmente replicam sessões de treinamento que julgam terem sido positivas em suas últimas equipes. Esquecem, portanto, que o novo sistema, formado por novos elementos, apresenta um jogar atual diferente daquele anterior, logo, as sessões de treino também devem ser diferentes.
Além disso, restringem o jogo coletivo ao somatório das ações individuais e não aprofundam em treinamentos que permitirão a expressão em alto nível de dinâmicas setoriais, intersetoriais e coletivas.
E qual o reflexo destes equívocos?
As desculpas comuns em todos os inícios de temporada, em que muitos treinadores justificam os maus rendimentos competitivos à falta de ritmo de jogo.
Planejar sessões de treino complexas, criar atividades que ao mesmo tempo sejam técnica-tática-física-mental, jogar, discutir, analisar e avaliar minuciosamente a equipe são princípios básicos de uma pré-temporada muitas vezes negligenciados pela comissão e aceitos pela diretoria e imprensa.
Felizmente, as ditas desculpas não duram mais que um mês. Infelizmente, as desorganizações em algumas equipes brasileiras (mesmo com ritmo de jogo) duram uma temporada inteira.
Como você realiza sua pré-temporada?
 

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Escuta, Zé-Ninguém

"Quem quer que esteja lutando pela preservação da vida e pelo futuro dos seus filhos deve necessariamente opor-se ao fascismo, mesmo que mascarado de democracia, tanto da direita como da esquerda. Não tanto porque os fascistas de esquerda, à semelhança dos fascistas de direita, no seu apogeu, tenham uma ideologia assassina, mas porque transformam os jovens em desempregados, em inválidos, em tristes e deprimidos; porque, através de uma informação alienante, exaltam o Estado mais do que a Justiça, a mentira mais do que a verdade e a guerra mais do que a vida".

Estas palavras, com mais de 60 anos, não são da minha autoria. São de Wilhelm Reich, no seu livro Escuta, Zé-Ninguém. E tudo isto, Zé-Ninguém, onde tu também tens algumas culpas. Foram perseguidos ou mortos Sócrates, Jesus de Nazaré, Galileu, Tomás Morus, Giordano Bruno, Mahatma Gandhi, Luter King, Nelson Mandela, Oscar Romero e tantos, tantíssimos mais, ao longo dos anos até hoje, e tu acreditaste e aplaudiste, numa atordoadora vozearia, as hipócritas palavras dos reis e dos ditadores e o cascalhar diabólico do riso de contentamento dos algozes e dos esbirros.

Muitas vezes dás a entender de que o que gostas, verdadeiramente, é de ditaduras. Com efeito, o ditador pensa e deseja e decide por ti. Tu ficas com o tempo bastante para beberes uns copos, para jogares às cartas, para navegares na internet, para discutires o trabalho dos árbitros de futebol e para contemplares, crédulo, acéfalos programas televisivos. E assim vais continuando Zé-Ninguém!

Há, em Portugal e num Estado de Direito, 852.000 desempregados e um OE de tamanha austeridade que a criação de empregos parece quase impossível. Por outro lado, o governo, por sua vontade, privatizava tudo: a saúde, a educação, a justiça, a defesa, etc, – enfim, tudo o que pode ser serviço público! Demais, trata-se de um governo de ideologia neoliberal, ou seja, sabe muito de economia, mas de uma economia ao serviço da exploração do trabalho, da maximização do lucro e do agravamento das desigualdades.

Escuta, Zé-Ninguém, sou, como tu, um apaixonado do futebol. O meu Belenenses vive dentro do meu coração. Mas sei que o futebol é produto, não é causa. Embora também não passe de um Zé-Ninguém para a lógica da economia neoliberal, o pensar ainda não paga imposto…

Escuta, Zé-Ninguém, o futebol é sintoma, não é causa! McLuhan disse, um dia, que o mundo se transformou numa aldeia global – a aldeia global do capitalismo neoliberal, da destruição dos fundamentos sociais da democracia e do Ronaldo e do Messi e do Neymar e tantos mais, também todos eles, embora inconscientemente, ao serviço da triunfante economia de mercado que não deixa passar um mês sem dolorosas medidas de desvalorização salarial, como se nelas residisse o principal fator de desenvolvimento.

Escuta Zé-Ninguém, não deixes de frequentar os estádios onde joga o clube do teu coração. O futebol é o fenômeno cultural de maior magia no mundo contemporâneo. Mas, lucidamente, criticamente. Como um sujeito, não como um objeto!

Em 1969, no Estádio Nacional, eu vi um jogo de futebol (Acadêmica x Benfica, final da Taça de Portugal) transformar-se num espaço de contestação política ao fascismo salazarista. "Velhos tempos!", diremos nós. Mas com futuro…

*Antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.

Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.

Para interagir com o autor: manuelsergio@universidadedofutebol.com.br

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O direito desportivo em 2012

O novo ano traz consigo um balanço de tudo que passou e o ano de 2012 foi um ano especial para o desporto e para o direito desportivo.

Um ano olímpico por si só já em um ano especial e 2012 brindou o mundo com os Jogos Olímpicos de Londres. A temporada marcou o Barcelona e o Corinthians como os maiores vencedores do ano. Tivemos o retorno do Atlético-MG à ponta da tabela e a ressurreição de Ronaldinho Gaúcho. Em termos de bola na rede, Fred foi o grande nome ao levar o Fluminense ao título brasileiro. A seleção brasileira colecionou fracassos, mas Neymar continuou dando show no Santos.

No direito desportivo, o Superior Tribunal de Justiça do Brasil em diversas rodadas teve mais repercussão do que o próprio futebol, perdas de mando de campo, suspensões de atletas, punições baseadas em vídeos ditaram o tom. Aventou-se até a hipótese do cancelamento de uma partida em virtude de um gol anulado por suposta interferência externa.

O ano terminou com a recusa do Tigre em retornar ao gramado na final da Copa Sul-Americana e novamente o direito desportivo foi destaque.

A promulgação da Lei Geral da Copa levou o direito desportivo às conversas de bares. A venda de bebidas alcoólicas em estádios, a meia-entrada, a soberania nacional tornaram-se assuntos debatidos em todos os lugares.

Seminários, encontros e congressos de direito desportivo pulularam por todo o país e pelo exterior. Temas como marketing esportivo, Lei de Incentivo ao Esporte, Estatuto do Torcedor, contrato de atletas, entre outros foram expostos e debatidos por grandes nomes do direito desportivo. Também começam a despontar cursos de capacitação, especialização e outros.

Com os debates, vários nomes seguem a trilha iniciada pelo saudoso dr. Marcílio Krieger e pelo exemplar professor Álvaro de Melo Filho.

Infelizmente, toda essa exposição ainda não foi suficiente para que as faculdades incluam o direito desportivo como cadeira obrigatória nos cursos de direito, mas, de toda sorte, o direito desportivo evoluiu muito.

Inclusive, há três excelentes revistas atualmente, a Síntese de Direito Desportivo do IOB, a Revista Brasileira de Direitos Desportivo do IBDD em parceria com a RT e "Direito Desportivo $ Esporte: Temas Selecionados" do IMDD em parceria com o IDDBA.

Portanto, 2013 desponta como um ano ainda mais promissor para o direito desportivo e, que venham os grandes eventos esportivos.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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O atleta e a conquista da excelência pessoal – 6ª parte, o controle das distrações

Um novo ano começa agora e sempre é oportunidade de iniciarmos uma nova jornada rumo à excelência pessoal e profissional, então aproveite e leia a coluna de hoje que apresenta o sexto elemento da excelência: o controle das distrações.

Como sempre, relembro aqui os elementos já apresentados que compõem a excelência: a concentração, o comprometimento, o preparo mental, as visões e imagens positivas e a confiança.

O controle das distrações está relacionado com a sua concentração em meio às distrações cotidianas, ou a não permitir que estas distrações interfiram na qualidade de seu desempenho. Algumas das distrações são externas, surgem de outras pessoas (que podem ser outros competidores, fãs ou mídia) e também de suas expectativas ou de circunstâncias específicas.

Existem também as distrações consideradas internas, surgindo de seus próprios pensamentos, dúvidas, preocupações, medos ou expectativas. Independentemente do tipo de distração que aconteça em sua vida é muito importante manter sua concentração positiva e conectada antes, durante e depois de suas atuações.

Ressalto que o controle das distrações é extremamente importante quando você se sente estressado, de alguma forma sobrecarregado, pressionado, inseguro ou ainda quando você está atuando em situações difíceis.

A sua capacidade em controlar as distrações aumentará a partir do momento em que sua concentração estiver focada em:

• Reduzir o estresse;
• Manter uma concentração positiva e eficaz frente às distrações;
• Recuperar a concentração positiva quando distraído, durante ou após a prática esportiva;
• Recuperar a concentração rapidamente com o foco no melhor desempenho.

Os grandes campeões são ótimos em ativar mudanças positivas na concentração usando lembretes, imagens simples ou pontos que os conectem novamente a algo positivo que está sob seu controle imediato. Essa habilidade os leva de volta a uma concentração totalmente focada no momento presente da sua atuação esportiva e fortalecer esta capacidade de reconcentração rápida, o atleta pode alcançar o melhor na consistência do eu desempenho.

Planeje seus lembretes e pratique intensamente a retomada efetiva da sua concentração, isso o ajudará a recuperar o controle de suas distrações e torne-se um verdadeiro campeão na concentração e foco no melhor desempenho esportivo.

Deixo reflexões sobre o controle das distrações:

• Você pode manter sua melhor concentração mesmo quando encontra problemas ou distrações?
• Você consegue retomar a concentração rapidamente e recuperar o controle quando encontra erros ou problemas no seu desempenho? Você consegue fazer isso sempre?
• Você é bom em transformar aspectos negativos em positivos?
• Você possui um plano eficaz para lidar com as distrações?

Desejo um 2013 com muitas realizações pessoais e profissionais ao amigo leitor, com muita excelência e resultados. Até a próxima semana!

Para interagir com o autor: gustavo.davila@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
O atleta e a conquista da excelência pessoal – a concentração
O atleta e a conquista da excelência pessoal – 2ª parte, o comprometimento
O atleta e a conquista da excelência pessoal – 3ª parte, o preparo mental
O atleta e a conquista da excelência pessoal – 4ª parte, visões e imagens positivas
O atleta e a conquista da excelência pessoal – 5ª Parte, a confiança

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Mercado de transferências

Os meses de dezembro e janeiro são um prato cheio para o mercado de especulações e transferências do futebol brasileiro. Os clubes daqui, com maior apetite financeiro para repatriar os craques ante a passageira crise europeia – que já se alastra por mais de dois anos – formam a pauta dos principais meios de comunicação especializados.

Neste fluxo, percebe-se que os clubes têm tratado com um pouco mais de critério as contratações de grandes jogadores. Após a experiência de Ronaldo no Corinthians, um dos fatores que são levados em conta na hora de contratar está o retorno de marketing que o atleta pode oferecer ao longo de seu período no clube.

Assim, poucas (ou nenhuma) "loucura" foi feita até o momento. O jogo de "empurra" de Robinho é um reflexo disto – se em 2010 o jogador veio no "risco financeiro" de um contrato com o Santos, as negociações findaram-se (pelo menos é o que a imprensa tem divulgado até o presente) com outros clubes (e o próprio Santos) nesta janela de transferências pelo alto valor pedido de direitos federativos, luvas e salários.

Trata-se de apenas um exemplo de um novo momento. Se antes a análise era feita tão somente pelo aspecto da possível performance esportiva, sem levar em conta aspectos financeiros e os retornos para o clube, fica evidente que o momento passa por uma análise mais criteriosa de todos os impactos na organização.

Ponto positivo para o ano que se inicia e para os clubes que precisam evoluir em todos estes aspectos da gestão do esporte.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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O que eu quero para 2013

O escritor José Roberto Torero disse certa vez que tem um caderninho especial para projeções de fim de ano. A cada dia 31 de dezembro ele enumera três metas para a temporada seguinte. Além disso, avalia o quanto cumpriu dos objetivos estabelecidos um ano antes. Ele criou até um sistema de pontuação para esses feitos.

Sim, nós já passamos o dia 31 de dezembro. Você já deve ter pulado ondas, feito pedidos e estabelecido metas para o ano que se inicia. No entanto, não existe melhor jeito de começar uma boa caminhada do que avaliar o passado.

É por isso que o que eu espero do esporte em 2013 é uma comunicação mais honesta e mais clara. Que as pessoas que trabalham nesse segmento usem menos subterfúgios e mintam menos. Quando não puderem dizer, é melhor que simplesmente não digam.

Também quero que o esporte aprenda em 2013 a força que a mídia tem. Só assim os atletas vão parar de achar que patrocínios são assistenciais. Só assim os times vão começar a tratar consumidores e finanças com a responsabilidade necessária.

Gostaria que o ano que se inicia tornasse ainda mais populares no esporte as redes sociais. Não como ferramentas de uso cotidiano, mas como plataformas para uma comunicação adequada. Todo mundo já percebeu a força que essas mídias possuem. Basta apenas acrescentar frequência ao uso estratégico delas.

Para isso, é fundamental que os usuários das redes sociais mudem um pouco o comportamento. Atletas têm de entender que são figuras públicas e que não podem usufruir dessas mídias como as outras pessoas fazem. É fundamental que tudo o que uma personalidade publica seja adequado à linha de comunicação que ela adota.

O ano que se inicia nesta terça-feira será o ano do primeiro evento de grande porte do recheado calendário do Brasil. O país sediará a Copa das Confederações, evento que serve como uma espécie de teste para a Copa do Mundo.

Espero que a Copa das Confederações consolide uma mudança de paradigma iniciada com a abertura de novos estádios. O consumidor de esporte no Brasil não pode ser tratado do mesmo jeito. Há risco de o investimento dele migrar para outras áreas.

Se o esporte entender que o tratamento dado ao cliente é parte da comunicação, usar de forma mais consistente as redes sociais e adotar uma linha mais honesta, 2013 tem tudo para ser um ano histórico para o Brasil.

Aí é que aparece a minha primeira dúvida de ano novo: estamos preparados para a nova realidade do esporte brasileiro? Temos condições de aproveitar bem as ferramentas e possibilidades que essa nova realidade oferece?

Institucionalmente falando, minha resposta ainda é não. O esporte brasileiro, como entidade geral, não tem estrutura para aproveitar as ferramentas de comunicação e o alcance que o segmento tem.

Portanto, de forma menos otimista, o que eu acredito que acontecerá em 2013 é que teremos mais ferramentas e que o ambiente vai se desenvolver. Contudo, nossa estrutura ainda não estará pronta para acompanhar isso.

Dou um exemplo concreto: há anos as TVs desenvolvem recursos e estruturas para aprimorar a transmissão de eventos esportivos. E até hoje, nunca houve a mesma evolução para linguagem ou conteúdo.

Times ganham mais, atletas ganham mais e o segmento movimenta cifras cada vez mais volumosas. Basta saber se existirá uma comunicação capaz de criar um movimento consistente, que não passe na primeira crise econômica e que não vá embora junto com os megaeventos.

A chave para isso é a profissionalização. Aliás, é a evolução da profissionalização. Só com pessoas mais capacitadas é que o esporte vai realmente aprender a se comunicar melhor. Só assim é que vai usar de forma adequada os novos milhões que virão.

Meu maior desejo para 2013 é ver isso acontecer. O que eu mais quero neste ano é que o Brasil forme pessoas melhores. Ah, e que o mercado esportivo absorva essas pessoas. Nós precisamos disso.

No dia 31 de dezembro de 2013, quando eu olhar para trás e pensar sobre o que aconteceu no esporte brasileiro, meu maior desejo é ver que temos profissionais melhores.

E por falar em profissionais melhores, desejo um ano novo excelente para todos que de alguma forma participam da Universidade do Futebol. Para mudar o esporte, é fundamental termos pessoas que pensam de forma diferente.

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br

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Universidade da Experiência

Ela existe, sim, com esse mesmo e apropriado nome.

Criada em Curitiba como um centro aberto, sem formalismos acadêmicos, por executivos e, principalmente, ex-executivos, para estimular as trocas e as discussões entre pessoas de diferentes áreas de especialidade e de níveis de experiência, visando o desenvolvimento de pessoas e organizações.

Já chamam a atenção algumas das frases soltas no site oficial (www.uexp.com.br), como "sem ética, sucesso não é nada", "o que nós, coletivamente, somos capazes de criar?", "Num sentido mais amplo e profundo, nós da Uexp, acreditamos que não há pessoas comuns e que resultados extraordinários surgem quando libertamos a genialidade que existe em cada uma delas".

Tem como essência "contribuir no desenvolvimento de uma nova geração de líderes, empreendedores e inovadores sociais, que buscam usar o talento e a energia propulsora em prol de trabalhos e negócios construtivos, movidos a um senso de propósito, metas e valores mais profundos".

Oferece alguns cursos de formação de futuros líderes, desenvolvimento de gestores, design de soluções e formação de facilitadores.

E uma das coisas muito interessantes é como se estrutura a chamada Rede de Valor da UExp: Convidados de Valor; Parceiros de Valor e Organizações de Valor.

No primeiro caso, são grandes profissionais dispostos a compartilhar seu conhecimento e experiência em encontros regulares promovidos pela universidade.

Já os parceiros de valor são consultores, professores e profissionais convocados para auxiliar nos processos de desenvolvimento oferecidos pelos cursos.

Por fim, as organizações de valor são entidades públicas, privadas e da sociedade civil que endossam as práticas da universidade, ao mesmo tempo em que a apoiam.

No nosso terreiro, o futebol, isso também já existia há tempo: a Universidade do Futebol.

Não foi fácil ter a visão de vanguarda para o mestre Medina; formar e manter um time de colunistas; promover a produção intelectual; estruturar TI e serviços correlatos; equipe de trabalho nos bastidores, que faz a roda girar muito bem, liderada pelo Tega.

Mas, principalmente, o mais difícil foi, sem dúvida, fazer crescer o projeto da Universidade do Futebol, antes confinado aos muros da "Cidade do Futebol", cuja credibilidade, hoje, é internacionalmente notada.

Espero que a resistência ainda presente no futebol, quando se fala de inovação, seja cada vez menor, como costuma ser no meio corporativo, e que esse esporte se utilize do altíssimo grau de conhecimento, sempre ao alcance dos profissionais em toda a plataforma da UdoF com as portas abertas ao desenvolvimento.

Muita gente de fora da órbita do futebol também pode transformar conhecimento em sabedoria.

Não à toa, palestras de grandes protagonistas desse esporte em empresas e corporações são muito concorridas.

Compartilhar experiências é um ótimo meio de desenvolvimento de pessoas e instituições.

Não será diferente no futebol. E, na Universidade do Futebol, essa postura não falta a ninguém.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Combinação dos métodos de treino: necessidade ou dificuldade para planejá-los? – parte I

Caros leitores,

estamos em meio às festas de final de ano, porém, ainda assim, muitos dedicam algum tempo para a capacitação profissional. Neste concorrido mercado, qualquer aprendizagem que proporcione conhecimento geral ou específico da modalidade pode ser um diferencial tanto para criar treinos (e equipes) melhores que seus adversários, como para buscar vantagem competitiva, imprescindível, nas disputas por algumas vagas que surgem no início da temporada.

Desta forma, estudar, ler, pesquisar, praticar, discutir e refletir, devem ser ações constantes para conseguirmos a melhor atuação profissional possível.

Nesta tentativa, uma dúvida recorrente acomete inúmeros profissionais do futebol: qual(is) deve(m) ser o(s) método(s) utilizado(s) na preparação dos jogadores e equipe?

O método analítico divide o futebol em suas quatro vertentes e preconiza o treinamento de cada uma delas separadamente. Para melhorar a capacidade física, treinos físicos diversos são realizados. Desde os treinos ultrapassados, como treinamentos contínuos e intervalados aeróbios até aos mais atualizados, como os treinos de resistência de sprint e de potência. Já para a vertente técnica, a repetição dos gestos técnicos perfeitos é estimulada em treinos de finalização, cruzamentos, passes ou quaisquer outros fundamentos de acordo com o interesse da comissão técnica. Para o aprimoramento da parte tática do jogo, combinação de jogadas sem adversários são realizadas por repetidas vezes para que, no jogo, aconteçam conforme o que foi treinado.

Já no método integrado, existe a junção na mesma atividade de treino, de duas ou mais vertentes da modalidade com o objetivo de aperfeiçoá-las simultaneamente. Sendo assim, surgem os denominados treinos físico-técnicos, técnico-táticos, ou até, os físico-tático-técnicos. Como exemplo da primeira combinação, um circuito com bola em que após acelerações e coordenativos diversos o atleta realiza um gesto-técnico do jogo. Exemplificando um treino técnico-tático, o tradicional “futebol alemão” em que o treinador divide seu grupo em três equipes e enquanto uma equipe ataca o gol oficial, a outra deve passar o meio-campo com a bola dominada para garantir o direito de atacar (o gol oficial) e a última aguarda uma das definições anteriores para entrar no jogo.

Nestas atividades, os treinadores trabalham posse de bola, finalização, saída rápida, marcação, enfim, elementos técnico-táticos do futebol sem um controle mais aprofundado da carga de treino (que não é só física).

E na última combinação, encontram-se os jogos reduzidos. Muitas vezes conduzidos pelos preparadores físicos, surgiram para trabalhar a parte física em forma de jogo. A melhoria da parte física, então, é o grande objetivo da sessão que passa a ter a bola para ser mais motivador e próximo do jogo de futebol (com seus elementos técnico-táticos). Um quadrado em que dois jogadores disputam a posse de bola por cerca de três minutos contra outros dois jogadores, podendo utilizar os apoios que estão em cada um dos lados do quadrado, é um exemplo de um jogo reduzido para a melhoria da resistência anaeróbia.

O método sistêmico não separa a sessão de treino nas vertentes do jogo. Então, toda e qualquer atividade é sempre física-técnica-tática-emocional. Logo, toda atividade é jogo. Para exemplificar, um jogo em 2/3 do campo em que duas equipes com nove jogadores cada se enfrentam em dois tempos de vinte minutos com as seguintes regras: atrás do meio campo cada jogador só pode dar dois toques e fazer passes somente para frente; no campo de ataque, cinco passes equivalem a 1 ponto, sendo que até a zona de risco não pode devolver o passe para o jogador anterior que o executou, caso contrário, zera-se a contagem; gol equivale a 3 pontos; cinco passes mais o gol equivalem a 7 pontos; só valerão gols com a equipe toda posicionada no campo de ataque e com o goleiro fora da área.

Neste jogo, busca-se atender demandas físicas-técnicas-táticas-emocionais específicas, que resultem em comportamentos individuais e coletivos relativos a uma maior inteligência de jogo.

Como o método sistêmico é o mais específico, pois mantém o jogo como essência da sua aplicação, defende-se uma ampla utilização do mesmo ao longo de um microciclo de treinamento. É comum pela comissão técnica, na maioria das vezes, recorrerem a outros métodos não pela real necessidade, mas sim pela dificuldade em elaborar exercícios complexos que, como afirma Rodrigo Leitão, sejam físicos-técnicos-táticos-mentais durante todo o tempo, o tempo todo.

Uma vez que o objetivo do portal nunca será trazer verdades absolutas e para colocarmos em prática um dos parágrafos iniciais do texto, que defende os estudos, as leituras, as pesquisas e as discussões, a primeira parte da coluna será finalizada propondo um ambiente de discussão: aguardarei em meu e-mail informações de treinadores e assistentes sobre quais são os métodos que utilizam para elaborar suas programações semanais e os porquês de se fazer de tal forma.

A ideia é termos um espaço para troca de informações e construção de conhecimento.

Desejo a todos um ótimo final de ano, boas festas, muitas alegrias e, é claro, bons estudos.

Abraços e até 2013!
 

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

 

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A CPI do Futebol

O ex-jogador de futebol e agora deputado federal Romário (PSB-RJ) pretende instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a gestão de Ricardo Teixeira à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e, para tanto, o parlamentar conseguiu obter 184 assinaturas, 13 a mais do que o número mínimo necessário, para que o seu desejo possa ser realizado. Dessa forma, ele protocolou o requerimento na Mesa Diretora da Câmara para criação da CPI.

Entretanto, por uma questão regimental, a instalação da CPI ainda não está garantida, pois o regimento da Câmara só permite a realização de no máximo cinco CPIs ao mesmo tempo e há outros nove pedidos na fila na frente do requerimento apresentado por Romário.

A opção seria “furar a fila”, mas, seria necessário que o requerimento fosse aprovado por meio de projeto de resolução, no Plenário da Câmara.

O pedido do ex-jogador cita diversas reportagens, que apontam supostas irregularidades em um contrato de patrocínio de R$ 7 milhões da TAM com a CBF, no salário recebido por Ricardo Teixeira mesmo depois de deixar a presidência da entidade e no contrato assinado para a realização de um amistoso entre Brasil e Portugal, entre outras suspeitas.

Além disso, Romário pretende que o vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, seja ouvido pela Câmara por conta do seu suposto envolvimento numa investigação da Polícia Federal e ainda reclamou de supostas irregularidades no processo de sucessão de Teixeira, que colocou José Maria Marin na presidência da CBF.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) é uma investigação conduzida pelo Poder Legislativo e transforma a própria o Poder em comissão para ouvir depoimentos e tomar informações diretamente.

O pedido de instauração de uma CPI no Congresso pode ser feito por um terço dos Senadores ou um terço dos Deputados Federais. Recolhidas as assinaturas mínimas necessárias, o pedido de abertura com a discriminação dos fatos a serem apurados é apresentado à mesa diretora, que o lê em plenário. Além disso, é preciso que os partidos que têm representatividade na Casa indiquem os membros para a comissão, oportunidade em que é realizada a sua instalação efetiva.

Insta destacar que a CPI somente pode investigar fato de relevância pública. No caso em comento, a Lei Pelé, em seu artigo 46-A, I, estabelece:

Art. 46-A. As ligas desportivas, as entidades de administração de desporto e as de prática desportiva envolvidas em qualquer competição de atletas profissionais, independentemente da forma jurídica adotada, ficam obrigadas a: (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)

I – elaborar suas demonstrações financeiras, separadamente por atividade econômica, de modo distinto das atividades recreativas e sociais, nos termos da lei e de acordo com os padrões e critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Contabilidade, e, após terem sido submetidas a auditoria independente, providenciar sua publicação, até o último dia útil do mês de abril do ano subsequente, por período não inferior a 3 (três) meses, em sítio eletrônico próprio e da respectiva entidade de administração ou liga desportiva; (Redação dada pela Lei nº 12.395, de 2011).
 

Doutro giro, assim dispõe o artigo 33, II do Estatuto do Torcedor:

 

Art. 33. Sem prejuízo do disposto nesta Lei, cada entidade de prática desportiva fará publicar documento que contemple as diretrizes básicas de seu relacionamento com os torcedores, disciplinando, obrigatoriamente: (Vigência)

II – mecanismos de transparência financeira da entidade, inclusive com disposições relativas à realização de auditorias independentes, observado o disposto no art. 46-A da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998;
 

Portanto, a Legislação Brasileira inclui a transparência financeira das entidades do desporto como ponto relevante, razão pela qual, apesar de a CBF ser uma instituição privada, o Poder Público possui o direito de investigá-la, especialmente no momento em que se realizarão eventos desportivos relevantes financiados por dinheiro público.

Urge acrescer que para a Fifa e a Copa do Mundo, a transparência de sua filiada e organizadora do evento trará maios credibilidade ao evento, valorizando sua marca ante os patrocinadores.

Assim, espera-se que o requerimento do deputado Romário seja aprovado, inclusive como Resolução, a fim de que tenhamos uma análise das contas da CBF. Espera-se, ainda, que não haja qualquer problema nestas contas e que possamos dar ao mundo um grande exemplo de democracia, honestidade e civilidade.
 

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

 

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O atleta e a conquista da excelência pessoal – 5ª Parte, a confiança

Nesta coluna irei comentar sobre um dos elementos que penso ser extremamente importante na conquista da excelência: a confiança. Este é o quinto elemento da excelência e lembro que já falamos sobre a concentração, o comprometimento, o preparo mental e as visões e imagens positivas.

A confiança é um ingrediente especial para guiar a busca pela excelência. Ela cresce ou diminui dependendo da qualidade de seu preparo, da sua concentração e do quanto você acredita na sua capacidade. Na prática, sua confiança crescerá quando seu foco estiver centrado em confiar ou acreditar:

•Em seu próprio potencial;
•Em sua capacidade de superar obstáculos e alcançar seus objetivos;
•Em seu treinamento ou preparo mental;
•Em sua concentração;
•Em suas escolhas;
•No significado de sua missão;
•Naqueles com quem você trabalha.

Em geral, não começamos a busca pela excelência com total confiança em nós mesmos e em nossa capacidade de realizar o desejado. Esta é desenvolvida ao longo do tempo e obtendo prazer nas coisas que fazemos bem, reconhecendo nossas evoluções, aprendendo com nosso sucesso e com as nossas falhas, absorvendo a sabedoria de outros e descobrindo que a concentração nos liberta para realizar nosso melhor.

Quando você adquire a certeza em sua capacidade de realização e a concentração absoluta em seu desempenho, as portas do alto rendimento se abrem para você. É preciso ter muito cuidado com as distrações ou com os pensamentos negativos, pois eles fazem oscilar o seu desempenho e isso acontece não por uma falta de capacidade, mas sim pelo simples motivo das dúvidas interferirem diretamente na sua melhor concentração.

O único meio de elevar sua confiança é fortalecer sua concentração nas coisas certas a fazer. A confiança na concentração abre as portas para os níveis mais elevados de excelência e por sua vez os níveis mais altos de concentração abrem as portas para se ter uma maior confiança. Vejam algumas estratégias que podem ajudá-lo a fortalecer sua confiança:

•Lembre-se de que alguém acredita em você;
•Pense em aspectos positivos de sua capacidade;
•Pense em por que você pode alcançar seus objetivos;
•Escreva uma lista de razoes pelas quais você pode alcançar seus objetivos ou razoes para crer que você pode alcançá-los;
•Aja como que pode realizá-lo;
•Descubra as partes positivas de todas as suas experiências e desempenhos.

Ao ter a confiança e a concentração trabalhando juntas em seu benefício, a probabilidade de que você tenha um desempenho próximo ao seu potencial mais elevado aumenta consideravelmente. Esse dom surge quando você respeita a si mesmo, o seu melhor foco e liberta seu corpo e mente para suas realizações sem interferência. Fica o convite: conceda esse dom a você mesmo! Vale o sacrifício!

Vamos às reflexões sobre a confiança? Confira:

•Você acredita que pode conquistas seus sonhos e suas metas?
•Você busca razões para crer e se concentrar em por que você pode alcançar suas metas?
•Você conversa consigo mesmo de modo a se sentir com espírito positivo e confiante?
•Você confia em si mesmo, em seu preparo e em sua concentração?

Fechamos aqui o quinto elemento da jornada em direção a excelência: a confiança.

Até a próxima semana com o sexto elemento desta jornada!
 

Para interagir com o autor: gustavo.davila@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
O atleta e a conquista da excelência pessoal – a concentração
O atleta e a conquista da excelência pessoal – 2ª parte, o comprometimento
O atleta e a conquista da excelência pessoal – 3ª parte, o preparo mental
O atleta e a conquista da excelência pessoal – 4ª parte, visões e imagens positivas