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Novos tempos

Todo fechamento de ciclo, que pelos cálculos do nosso calendário cristão compreende o curso de 365 dias, enseja a mudança e a entrada de novos tempos, uma renovação de energias, novos planos e expectativa de dias melhores. Fazemos também uma retrospectiva daquilo que realizamos, acertamos e erramos, como forma de refletir sobre práticas e atitudes.

Para o futebol, assistimos a aplicação mínima de conceitos de gestão que culminaram com resultados esportivos importantes, como foi o caso do ano vivido pelo Corinthians. É verdade que nem tudo é perfeito, até porque as ciências humanas não são exatas.

Mesmo assim, o fato sinaliza que o caminho rumo à profissionalização é sem volta e, os que não a fazem, hão de ter resultados esparsos e momentos de penúria sistemática, como o vivenciado pelo Palmeiras em 2012.

É óbvio também que não podemos analisar a boa ou má gestão pela simples análise de títulos, conquistas ou rebaixamentos. Existem bons projetos, dentro do contexto e tamanho de cada clube, que merecem destaque, como a redenção de um Coritiba, que dentro de suas limitações vem conseguindo manter uma lógica de investimento na área técnica de maneira linear.

E os “novos tempos” para o futebol brasileiro começaram no mês de dezembro, com a inauguração de três grandes obras que hão de marcar uma nova forma de apresentar o espetáculo esportivo no país: a Arena do Grêmio em Porto Alegre, o Castelão em Fortaleza e o Mineirão em Belo Horizonte.

Historicamente e cientificamente o “lugar” para a prática do esporte é tido como elemento de transformação e ponto de referência cultural para a população em vistas ao lazer e consumo do entretenimento. 2013 reserva a comprovação deste componente que por tanto tempo esteve negligenciado em nossos estádios.
 

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

 

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Responsabilidade

O fim do ano é um período em que as pessoas costumam olhar para trás. A maioria dos clichês dessa época advém de análises e avaliações sobre o que aconteceu na temporada. Também por isso, é uma fase em que todo mundo fica mais emotivo. O próprio ritual de distribuir presentes no Natal é um exemplo do que eu estou falando.

Dar presentes é uma forma de demonstrar preocupação com os outros. Não existe época em que a solidariedade é mais valorizada do que o fim do ano.

Isso também acontece no esporte. Afinal, o fim do ano é o período dos jogos beneficentes, das campanhas de arrecadação e das ações sociais. Ah, se todo mundo tivesse em outros meses o ímpeto caridoso que aparece em dezembro!

Não sei se foi o espírito do Natal que levou o São Paulo a anunciar justamente agora um contrato com o zagueiro Breno. Revelado pelo clube, o defensor de 23 anos foi negociado com o Bayern de Munique em 2008. Contudo, nunca conseguiu se firmar no futebol alemão.

Breno disputou 21 partidas pelo Bayern de Munique, chegou a atuar deslocado para a lateral direita e conviveu com problemas físicos. Sem espaço em uma das principais equipes da Alemanha, o brasileiro foi emprestado ao Nuremberg em 2010.

A situação do brasileiro ficou ainda mais complicada em 2011. No dia 20 de setembro, a casa dele pegou fogo. Breno ficou levemente ferido, e depois foi indiciado por suspeita de ter causado o incêndio.

Em julho de 2012, o zagueiro foi condenado a três anos e nove meses de prisão por ter causado o incêndio. Parecia o fim da carreira de um atleta extremamente promissor e talentoso.

O São Paulo registrou o contrato de Breno no dia 20 de dezembro deste ano. Entretanto, isso ainda não representa um recomeço para o defensor, que sequer conseguiu deixar a prisão.

Contratar Breno é uma forma de prestar auxílio a um jovem que o São Paulo ajudou a formar. Um garoto que passou grande parte da vida em instalações do clube paulista e que foi negociado sem que estivesse totalmente pronto.

Antes de ser um acréscimo técnico ao elenco do São Paulo, a contratação de Breno é uma ação de responsabilidade. Se o defensor teve problemas emocionais e sofreu pelo comportamento fora de campo, o time que o formou tem grande participação nisso.

E por que estamos discutindo toda essa ação de responsabilidade social em um espaço dedicado a falar de comunicação? Porque o São Paulo criou para si um grande desafio no caso Breno. E um desafio que tem relação direta com o modelo de comunicação usado pelo clube.

Se Breno for tratado como um reforço, pode gerar expectativa e estará sujeito a frustrações. Esse pode não ser o melhor caminho para uma pessoa em recuperação de um grande trauma.

Breno precisa de carinho, e o clube também é responsável por isso. Ele deve ser tratado como um garoto de desempenho esportivo precoce, mas sem alicerces nas outras áreas humanas. Não deve ser visto como um herói, mas tampouco conviver com a pecha de criminoso.

Portanto, o São Paulo precisa saber comunicar o que está fazendo com Breno. Até para o próprio jogador. Dar ao caso o tratamento ideal é a única forma de não aumentar a dimensão das coisas, para o bem ou para o mal.


A comunicação em eventos esportivos

A Uefa percebeu há anos o real valor de sorteios de campeonatos. Antes de cerimônias para adulação ou festividades, esses eventos são oportunidades de aparição televisiva. São coisas feitas para a tela.

A ciência disso levou a Uefa a adotar um caminho. Os sorteios de competições europeias tornaram-se mais e mais profissionais, enxutos e claramente pensados para a TV.

Esse modelo facilitou a comercialização dos direitos de transmissão dos sorteios. As emissoras que exibem as competições europeias têm como bônus um evento atraente, bem montado e organizado.

O trabalho feito pela Uefa com os sorteios é muito semelhante ao que as ligas americanas desenvolvem, por exemplo, com as cerimônias de draft. O evento de escolha dos novos atletas também é minuciosamente pensado para o que as TVs querem exibir.

É por isso que chama tanta atenção o modelo adotado pela Conmebol. A entidade sul-americana realizou na última semana o sorteio dos grupos da Copa Libertadores de 2013. No evento, passou mais de uma hora fazendo homenagens sem sentido.

O sorteio foi arrastado, cheio de cenas descartáveis. Além disso, os dirigentes da Conmebol não são exatamente os melhores mestres de cerimônia. A comparação entre o evento sul-americano e o que a Uefa tinha realizado um dia antes mostra o abismo que existe no futebol dos dois continentes quanto a linguagem e comunicação.

Desejo a todos um Natal repleto de alegria, paz e união. Obrigado pela companhia!
 

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br

 

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Amanhã tem mais

O mundo não acabou em 21/12/2012.

O calendário maia estava errado. Ou o interpretaram errado.

O que de fato está previsto é que a Terra não passará de mais alguns milhões ou bilhões de anos de existência porque o Sol irá engoli-la.

Não estaremos mais aqui mesmo, então, que o último apague a luz.

Como muitos, havia uma ponta de esperança de que isso fosse acontecer, pois, assim, conforme o mantra das Organizações Tabajara, “Seus problemas terminaram”, não haveria a necessidade de cumprir com alguns compromissos já estabelecidos.

Nem se preocupar com quaisquer dívidas. Ou com promessas feitas pra outras pessoas ou, nas piores delas, as que são feitas pra si mesmo.

Isso numa referência negativa de se estar vivo.

Por outro lado, perderíamos o sabor gostoso de muitas (pequenas) coisas que nos dão fôlego para por em prática aquilo em que acreditamos, não importa o que escolhemos ou recebemos no dia-a-dia.

O Brasil passa por uma valiosa e significativa fase de desenvolvimento e crescimento econômico, cultural, social e, naturalmente, esportivo.

Como não se pode descolar o esporte do contexto social mais amplo, também é fato que as dores deste crescimento são sentidas, como em alguns exemplos.

O orçamento do Ministério do Esporte, em 2013, será recorde. Mais de R$ 3 bilhões.

Mas, na base do sistema esportivo, que é o esporte escolar, apenas 20% das escolas possuem aparelhamento e estrutura de quadras para a prática.

Além disso, os desvios de recursos já comprovados no Programa Segundo Tempo dificultam a gestão de credibilidade junto à cadeia de empresas e instituições que poderiam ampliar e qualificar o cenário, mas que ficam reticentes em investir e se associar às iniciativas esportivas.

Espera-se que as novas arenas que, em breve, acolherão os torcedores na Copa do Mundo e depois, sirvam de catalisadores para o desenvolvimento e estruturação do futebol nacional, com o fortalecimento dos clubes, no aumento de receita e no ciclo virtuoso que isso pode provocar.

Enquanto isso, pensa-se em destruir e realocar uma das melhores escolas do Brasil, a Friedenreich, no Rio de Janeiro, para que as obras do Novo Maracanã sejam finalizadas – quando isso deveria servir de exemplo para o mundo todo, ao se ter futebol e educação, lado a lado, transformando, positivamente, nosso país.

E o Prefeito de Belo Horizonte, também num péssimo exemplo de como não administrar a cidade, pleiteando a redução de investimentos em educação na cidade para aplicá-los em obras relativas à Copa 2014.

Em contrapartida, tenho tido frequentes solicitações de parceiros de longa data interessados em entender mais o Brasil esportivo para, ato contínuo, promover negócios aqui dentro – o que, antes, acontecia sempre em direção ao estrangeiro.

Achei que nem sequer precisaria ou saberia escrever e me preocupar com estes temas, como se entrasse numa eterna sexta-feira.

Enganei-me.

O que de fato está previsto, pela ciência, é que a Terra não passará de mais alguns milhões ou bilhões de anos de existência porque o Sol irá engoli-la.

Não estaremos mais aqui mesmo, nem os cientistas que o estudaram.

Então, que o último apague a luz quando isso acontecer.

Até lá, teremos muitas segundas-feiras pra tentar contribuir com alguma coisa que faça sentido na indústria esportiva do Brasil, transforme e desenvolva nosso Brasil.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

 

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Entrevista Tática: Almir Dias, meio-campista do Novorizontino-SP

Após o final de uma temporada, as novas contratações para a reformulação do elenco devem ser feitas considerando diversos fatores. Um deles, sem dúvida, é o histórico do atleta e a sua intencionalidade de jogar em alto nível. Para isso, uma observação prévia deste atleta em ambiente de jogo pode trazer muitas respostas à diretoria e comissão técnica quanto à certeza da contratação.

E essa foi uma das características que favoreceram a contratação de Almir Dias, meia de 30 anos, que será o atleta mais velho do jovem elenco do Novorizontino que disputará a série A3 do Campeonato Paulista em 2013. Confira a entrevista com o jogador:

1-Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Dos 11 aos 18 anos – São Paulo Futebol Clube;
Dos 19 aos 21 anos – Portuguesa de Desportos, equipe que subi para o profissional;
22 anos – Rio Preto-SP;
23 anos – Catanduvense-SP;
24 anos – Guaratinguetá–SP;
25 anos – Gratkorne-AUS;
26 anos – Toledo-PR;
26 e 27 anos – Guarani-SP
28 anos – Noroeste-SP;
29 anos – Cianorte-PR e Botafogo-PB
30 anos – Olímpia-SP e Grêmio Novorizontino-SP

2-Para você, o que é um atleta inteligente?

Primeiramente é amar o que faz. Gostar do seu corpo e cuidar dele porque ele é o combustível para ter uma ótima carreira. Se policiar em saber o que pode, o que não pode e ser verdadeiramente profissional, tanto dentro, como fora de campo.

Ter um cuidado especial com a alimentação para que tenha uma carreira longa e duradoura, além de respeitar seus comandantes e dar o respeito para ser respeitado dentro do grupo!

3-O quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

O futsal me deu dinâmica e evolui a minha parte técnica. Acredito que ele estimula o jogador a pensar rápido. Já o futebol de rua, com certeza me deu a malandragem que só o jogador brasileiro tem.

4-Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Primeiramente ter um espírito de vencedor. Após isso, ter um plano de jogo definido e determinado, com disciplina tática, para ser feito na certeza de que já deu certo.

Determinação, foco, coragem, concentração, humildade, respeito e atitude, juntamente com o improviso do atleta dentro de campo são fundamentais.

5-Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

O futebol evoluiu muito. Temos que trabalhar muito em conjunto, unindo a qualidade técnica e junto com ela a parte física. Hoje, se tem condição de fazer a parte física sem deixar a técnica de lado e, para isso acontecer, é preciso de bola e mais bola. Fazendo isso, acredito que o jogador fica em ritmo de competição o mais rápido possível.

6-Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Eu sou um meia armador e tenho em minha mente que tenho a obrigação de fazer meu time jogar. Dando velocidade na bola, fazendo o time ser rápido quando tem que ser e sabendo cadenciar quando tem que cadenciar, ao ficar com a posse de bola.

No clube em que jogo, tenho de ser o “rei” em assistências, até porque sou um meia armador.

Acho importante também finalizar de média distância e também entrar na área porque hoje é necessário ao meia moderno. É preciso também colocar sua qualidade individual e o improviso que todo grande meia tem que ter.

Sem a bola, ajudar na marcação, não que você vai ser um exímio marcador até porque não sou defensor, mas tem que vir compor o espaço, procurar marcar já no campo de ataque ou, no mínimo, matar a jogada por lá.

7-Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Tático: Tenho o privilégio de dentro de campo ter uma leitura rápida do adversário e da partida e, com isso, me adéquo à forma do adversário jogar e vou procurar explorar o ponto fraco dele e também em relação a posicionar meus companheiros, pois tenho essa leitura.

Técnicos
: Visão de jogo, enfiadas de bola, bola longa, bola parada e chute de media distância.

Psicológico
: Eu não perco a cabeça jogando. Sou muito frio e me mantenho focado e concentrado os 90 minutos.

Físico
: Muita força na perna e acredito que uma boa explosão curta. Suporto os 90 minutos estando com ritmo de jogo. Um jogador precisa de tudo isso e esse conjunto é importante para que ele dê o melhor de si numa partida e ao longo da competição.

8-Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

Tive vários treinadores e onde passei fui vencedor, conseguindo acessos, títulos e sempre chegando na reta final das competições. Vou citar quatro:

Amauri Knevitz: porque sabe montar um time e extrair o melhor de cada jogador.

Luciano Dias: por saber ser comandante, disciplinador e principalmente vencedor.

Leston Junior: porque me fez sentir à vontade dentro de campo e me fez ter de volta a alegria de jogar futebol e fazer o melhor que eu posso.

Élio Sizenando: Estou o conhecendo agora, mas é um treinador que gosta do verdadeiro futebol jogado e faz isso sem medo de ser feliz. Isso faz com que o nosso futebol brasileiro seja resgatado. É um treinador novo e em sua primeira competição conquistou o acesso.

Tenho certeza que serei feliz porque a minha qualidade e forma de jogar se encaixam com a filosofia de trabalho dele e na forma que enxerga o futebol.

9-Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Sim. Amauri Knevitz, no Noroeste-SP. Ele me colocou para jogar de terceiro volante e foi muito bom porque aprendi muito e pegava muito na bola porque a saída era sempre comigo e também chegava sempre de frente.

A dificuldade surgia porque tinha que jogar numa faixa de campo e chegar à frente e voltar rápido no meu setor. Com isso, como não era acostumado, sofri um pouco no começo tanto que saia em todos os segundos tempos porque não aguentava fisicamente. Depois que me acostumei, aí foi embora…

10-Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

Muito grande. Porque ali saímos da preleção sabendo o ponto forte, fraco, o que temos que fazer e explorar do adversário. Passa a confiança do trabalho da semana em prol do jogo. Nos motiva a en
trar em campo com olhos de águia, querendo a vitória a todo custo, mas bem organizado. Essas palavras vindas do comandante fortalecem o grupo porque ele é o líder e nos passa a confiança.

11-Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

No 4-4-2 tradicional, saio muito aos lados do campo para marcar. No 3-5-2 com dois volantes, jogo só do meio para frente e com liberdade dos dois lados.

No 4-3-3, gosto muito porque tenho três opções de passe à minha frente e liberdade no meio para criar e chegar na área. Jogo boa parte centralizado, mas com liberdade, em momentos do jogo, de cair pelas pontas e estou sempre perto do gol.

12-Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

•Com a posse de bola;
•Assim que perde a posse de bola;
•Sem a posse de bola;
•Assim que recupera a posse de bola;
•Bolas paradas ofensivas e defensivas.

Com a posse: Jogamos com dinâmica, transição rápida, chegando ao campo de ataque e valorizando muito a posse com toques rápidos e sempre em direção ao gol.

Sem a posse de bola: Procurar marcar no campo de ataque e recuperar a bola o mais rápido possível. É um time bem compacto dentro de campo.
Assim que recuperar a bola: Fazer a bola chegar ao campo de ataque rápido e assim criar as jogadas e defini-las em gol.

Nas bolas paradas ofensivas, atacamos a bola entrando cada um no seu setor com muita força e nas defensivas marcamos por setor, agredindo a bola e não deixando o adversário nem encostar nela, com muita atenção no rebote, tanto para ganhar, quanto para puxar rápido o contra ataque.

13-O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Procuro orientar a partir do que trabalhamos a semana e também da forma que li o jogo desde o apito do árbitro. Se algo está dando errado, tento motivá-los porque qualidade tem e naquele dia pode estar dando errado. Prefiro não criticar, pois posso afundar de vez o meu companheiro e eu preciso dele bem, concentrado e motivado para ter a certeza de que vai fazer a jogada certa.

Tenho que ser um líder e até por ter essa qualidade, os jogadores têm que ver em mim uma referência dentro de campo. Tenho que passar confiança.

14-Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Sou um jogador que me cobro muito. Às vezes, o time ganha e eu não faço uma partida que seja boa aos meus olhos, chego em casa e quem aguenta o meu mau humor são minha esposa e meus filhos. Logo eles já sabem que não estou legal. No mesmo dia, já penso o que fiz de certo e errado em cada lance e em cada jogada, tanto com a bola, quanto sem ela.

Na reapresentação do elenco, vejo a opinião da comissão e procuro extrair o máximo para não cometer mais os mesmos erros e ir crescendo jogo a jogo na competição.


15-Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

Estamos atrás e os resultados dos últimos anos de nossa seleção mostram isso. A Europa evoluiu e nós paramos no tempo. Preocupamo-nos muito com força, tamanho, dinheiro e o futebol jogado de verdade, que enchia os olhos dos torcedores e que acontecia com a maior naturalidade, foi acabando.

16-Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma comissão técnica, qual seria?

O meu recado é que eles devem cuidar de cada jogador com muito carinho, atenção, respeito e profissionalismo. Fazendo sempre o melhor e cobrando porque sabe da qualidade de cada jogador que tem em mãos e deve procurar extrair o “máximo do máximo” de cada um. Somente com jogadores e comissão juntos é que podemos ser vencedores e ficarmos gravados na história de um clube!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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O Mundial de Clubes deve evoluir

É da natureza do esporte a busca pela hegemonia. O melhor da rua, deseja se tornar o melhor do bairro, que por sua vez quer ser o melhor da cidade, após do Estado, do país, do continente e do mundo. No futebol não poderia ser diferente e por essa razão ano após ano a Libertadores e o Mundial de Clubes são a maior obsessão dos clubes brasileiros.

Na ausência de um campeonato de clubes verdadeiramente global, até 2004, era a realizada a Copa Intercontinental entre o melhor clube da América do Sul e o melhor da Europa e o vencedor se proclamava "campeão do mundo".

Em 2000, pela primeira vez a Fifa organizou um campeonato de clubes reunindo representante de todas as suas confederações. Infelizmente, por questões financeiras, a competição somente voltou a ser disputada em 2005.

O formato adotado na pela primeira competição é mais atrativo que o atual. Em 2000, além dos seis representantes continentais, participaram um representante dos donos da casa e o vencedor da última Copa Intercontinental. As equipes foram dividas em dois grupos de quatro, passando os dois primeiros à fase semifinal. Assim, o campeão disputou cinco partidas.

No formato atual, a competição conta com sete participantes, um de cada confederação e um do anfitrião. Os representantes de Conmebol e Uefa já iniciam a competição na fase semifinal, de forma que o representante da Oceania ou dos donos da casa fazem uma partida equivalente às oitavas de final.

A justificativa para tal formato é o calendário europeu e sul-americano que inviabilizaria às equipes destes continentes uma disputa com mais datas.

Não obstante isso, o Mundial de Clubes deve evoluir a fim de aumentar sua atratividade e seu valor no mercado publicitário. Uma ideia seria adotar um regulamento semelhante à primeira competição, permitindo a defesa do título ao atual campeão.

Uma alternativa interessante seria realizar uma competição com doze equipes, um representante de cada confederação (seis), um anfitrião, o atual campeão, os campeões das Supercopas da América do Sul e da Europa e mais dois entre as quatro confederações restantes, de acordo com o ranking da Fifa.

As doze equipes seriam divididas em quatro grupos de três, com os campeões de cada classificando-se às semifinais.

Tal formato traria participação de mais países, com a possibilidade grandes clássicos Brasil-Argentina, Itália-Espanha, Alemanha-Inglaterra, entre outros. Um verdadeiro deleite aos torcedores, aos consumidores e aos anunciantes.

Urge destacar que um maior rodízio de sedes, inclusive com a realização da competição nos grandes centros do futebol mundial, auxiliaria no engrandecimento da competição.

Dessa forma, deve a Fifa avaliar implementar uma evolução no formato da competição e na escolha de sedes a fim de valorizá-la esportiva e comercialmente.
 

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

 

 

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O atleta e a conquista da excelência pessoal – 4ª parte, visões e imagens positivas

Nesta semana irei comentar sobre o quarto elemento na busca de excelência profissional, as visões e imagens positivas. Relembrando a construção da jornada em busca de excelência, nós já falamos sobre a concentração, o comprometimento e o preparo mental.

As grandes realizações, as novas descobertas e os feitos aparentemente impossíveis começam com uma simples visão positiva do objetivo. As visões positivas daquilo que você quer realizar e as visões menores dos passos que você vai dar para chegar lá impulsionam a busca pela excelência. Precisamos compreender que as visões, sejam elas grandes ou pequenas, muitas vezes vivem em nossas mentes antes de se tornarem realidade. Parte do desafio contínuo da busca pela excelência é sustentar as visões positivas e uma perspectiva positiva ao longo dos vários estágios de sua jornada.

Suas visões ou imagens positivas dependem daquilo em que você se concentra e elas surgirão a partir do momento em que você se concentrar no uso do poder das visões, dos pensamentos positivos e da criação de imagens mentais para:

•Criar visões positivas de onde quer chegar com sua atuação e reconhecer o que você tem potencial para se tornar;
•Acelerar o aprendizado e a integração das habilidades técnicas, táticas, mentais e físicas;
•Criar imagens positivas dos passos que você precisa dar para chegar aonde deseja;
•Criar visões, imagens ou pensamentos positivos que lhe deem inspiração para prosseguir na busca de suas metas e de seus sonhos;
•Aprender com os seus melhores desempenhos e com as melhores partes dos seus desempenhos;
•Identificar objetivos diários claros e específicos para a melhoria contínua;
•Agir e reagir de modo positivo e decisivo;
•Fortalecer sua confiança;
•Melhorar a execução de suas habilidades.

Um dos principais benefícios de se ter uma grande visão positiva e visões menores de passo a passo é manter a concentração nos aspectos positivos e nas possibilidades, em vez de focalizar nos aspectos negativos. Suas chances de alcançar objetivos de alto nível e de viver prazerosamente são muito maiores quando você de concentra em pensamentos, imagens, visões e lições positivas.

Os grandes campeões não começam suas vidas ou buscas como grandes realizadores. Eles trabalham duramente com objetivo de tornar um hábito ver as coisas de modo positivo e imaginar-se executando as habilidades técnicas do jeito que gostariam. Na verdade, a maioria deles tem a habilidade de criação de imagens altamente desenvolvida, pois a usam diariamente para criar uma concentração positiva para a excelência. Eles recuperam memórias positivas, relembram a concentração e os sentimentos de seus melhores momentos vividos e criam visões positivas do futuro; além de usarem esses pensamentos para se preparar mentalmente para a prática esportiva de qualidade, com um desempenho superior.

Para melhorar o desempenho eles relembram cuidadosamente as coisas positivas de suas atuações anteriores e avaliam o que pode ser melhorado para que possam fazer os ajustes necessários. Alguns também utilizam as imagens positivas para relaxar e ou retomar o controle de sua concentração quando distraídos.

Os pensamentos positivos, combinados com imagens positivas e sentimentos positivos, podem ajudar a criar um equilíbrio mental e a concentração desejada para uma performance de alto rendimento. É necessário deixar que as visões positivas guiem as ações e consequentemente sua realidade de modo positivo.

Seguem algumas reflexões sobre as visões e imagens positivas:

•Você tem uma visão concreta de onde gostaria de chegar com seu desempenho, sua profissão ou sua vida?
•Você consegue manter essa visão clara em sua mente? Recorre a ela regularmente?
•Você pode se imaginar agindo exatamente do jeito que gostaria, realizando as coisas que quer realizar?
•Você se imagina realizando pequenas coisas diariamente e que te levarão aos seus objetivos?

Com estas reflexões concluímos o quarto elemento da excelência: as visões e imagens positivas. Aguardem os demais elementos e vamos juntos compreender a importância deles na conquista de excelência. Até lá!
 

Para interagir com o autor: gustavo.davila@universidadedofutebol.com.br

 

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Adeus 2012, alô 2013!

Saudações a todos!

Se pensarmos racionalmente, 31 de dezembro é apenas o final de um mês e início de outro, fato comum que acontece a cada 30 dias. No entanto, emocionalmente, a passagem de dezembro para janeiro representa muito mais do que uma simples virada de mês, é um período que nos habituamos a pensar em renovação, avaliar novas oportunidades, enfim, tempo de fazer uma boa reflexão sobre acertos e erros.

Por esta razão, o final de ano é tudo de bom. Bom para aqueles que não tiveram um ano como desejavam e podem renovar suas esperanças. Bom para aqueles que tiveram um ano de conquistas e podem comemorar.

Mas a pergunta de ouro nesta época do ano é: como faço para aproveitar este período e fazer de 2013 a minha virada?

Para auxiliar você a planejar a sonhada virada tenho algumas sugestões que parecem simples, mas que exigem reflexão e muita disciplina para serem executadas. São elas: ter vontade acima de tudo. Ter memória e paciência.

Estas sugestões foram inspiradas na filosofia de vida de uma figura conhecida por todos os brasileiros, o sr. Arthur Antunes Coimbra, mais conhecido como Zico. Em uma entrevista, ele citou duas frases que fizeram a virada na vida dele e que se encaixam muito bem neste período de renovação. Assim que ouvi as duas frases, pensei em repassá-las aos leitores, pois a filosofia de vida de alguém tão vitorioso quanto o "Galinho de Quintino", tem de ser aproveitada.

As duas frases são: "o medo de perder tira a vontade de ganhar" e "para vencer, duas qualidades são muito importantes: ter memória e paciência. A memória para não esquecer que é necessário ter paciência".

São duas frases fortes que, se minimamente avaliadas e servirem de orientação, farão de 2013 um ano novo de fato. Além do que o Zico falou, acrescento ainda que é necessário ter memória para não se esquecer de ter paciência, persistência, esforço, dedicação, etc.

Tenho certeza de que os pedidos de muito de vocês para que 2013 seja o ano de suas vidas já foram enviados ao Papai Noel, mas saibam que somente pensar nos pedidos, não é suficiente, é necessário fazer algo "a mais" para ganhar seus presentes.

Vamos voltar à época de criança e lembrar os pedidos que fazíamos ao Papai Noel: "quero ganhar um carrinho", "quero ganhar uma boneca", "quero ganhar um tênis" etc., e o Papai Noel automaticamente respondia: "você obedeceu a mamãe e o papai? estudou? passou de ano? Foi bom com os amiguinhos? Respeitou os mais velhos?".

Se as repostas fossem sim, o presente estava garantido.

Acredite: é exatamente igual ao que acontece na fase adulta. Para cada pedido é necessário um esforço para ser atendido. Para ajudar na reflexão darei alguns exemplos de "pedidos" e do "esforço" necessário para que eles virem realidade:

Pedido: Quero ser promovido.
Perguntas: Você dá o máximo de si no cargo atual? É o melhor da função entre os que almejam uma promoção? Tem estudado e se aperfeiçoado para atender os requisitos da nova função?

Pedido: Quero ser chefe.
Perguntas: Você conhece profundamente suas atividades atuais? Sabe lidar com pessoas? Sabe que o chefe, o verdadeiro líder, tem de trabalhar mais que todos? Está disposto a encarar tudo isso?

Pedido: Quero mudar de emprego.
Perguntas: Você avaliou se na sua própria empresa existem oportunidades de crescimento? Tem um currículo bem elaborado? Está estudando e se atualizando? Conhece outro idioma? Tem bons relacionamentos? Está de olho nas vagas oferecidas pelo mercado?

Pedido: Quero ser destaque da minha turma.
Perguntas: Você estuda mais do que todos? Abdica de ir a baladas nos finais de semana? Está preparado para estudar nos feriados?

Se a maioria das respostas foi sim, ótimo, seu 2013 promete! Agora, se a maioria das respostas foi não, não se iluda, Papai Noel terá poucas chances de passar pela sua vida em 2013.

Já ouviu uma expressão em inglês "Do your best", que em uma tradução livre significa "Faça o seu melhor"? Creio que lembrar e praticar este ensinamento é a chave para você merecer seus presentes em 2013, 2014, 2015…

É isto pessoal, se estiverem de fato em busca de uma virada, avaliem com carinho as sugestões acima, reflitam e, o mais importante, façam o seu melhor sempre. Um ótimo 2013 para todos nós!

Agora, intervalo, vamos aos vestiários e nos vemos no próximo ano.

Abraços a todos!

*Cezar Tegon é graduado em Estudos Sociais, Administração de Empresas e Direito. É presidente da Elancers e sócio diretor da Consultants Group by Tegon. Com experiência de 30 anos na área de RH, é pioneiro no Brasil em construção e implementação de soluções informatizadas para RH. Diretor de novos produtos da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional)

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br

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Nosso maior ativo

A última quarta-feira e o último domingo nos mostraram (e provaram) que o ativo mais importante de um clube de futebol permanece sendo seu torcedor e a identidade criada por ele com a agremiação.

Dos fatos marcantes, a final da Copa Sul-americana entre São Paulo e Tigre-ARG no Morumbi, que levou mais de 60 mil pessoas ao estádio, e a participação vitoriosa do Corinthians no Mundial de Clubes da Fifa.

A lição é perceber que eles existem e estão dispostos a consumir o clube. Independente do sucesso esportivo dos supracitados, o fato é que, ao entregar algum valor diferenciado para o torcedor, ele está apto a fazer de bom grado.

O faturamento superior a R$ 4 milhões na grande final pelo São Paulo, fruto da venda direta de ingressos somente pela internet, e o gasto médio de aproximadamente R$ 6.500,00 entre os 30.000 torcedores estimados que foram ao Japão ver o Corinthians atestam a noção de que o público em geral quer ampliar seu contato com os clubes.

Logicamente que não irá gastar todo este montante a cada final de semana. São situações esporádicas. Mas o fato a ser repensado está nos ativos e nas mais valias que podem ser encontradas em uma aproximação junto ao torcedor.

Precisamos muito mais do que aumentar o valor da cota de patrocínio. Há a necessidade de aumentar as entregas que fazemos para o torcedor até fazê-lo compreender que o bom do futebol é estar próximo do clube do coração nos 365 dias do ano.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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O 'titês' e a comunicação

O título conquistado pelo Corinthians no último domingo, no Japão, tem um personagem especial. Cássio foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de clubes da Fifa, Guerrero anotou o gol que definiu a vitória e muitos outros atletas tiveram participações relevantes, mas ninguém foi mais determinante para toda a trajetória do que o técnico Tite. E a comunicação tem grande participação nisso.

Tite soube ler as virtudes táticas e técnicas de adversários e soube montar o time de acordo com esses atributos. Contudo, há um episódio que resume bem o grande mérito dele à frente do Corinthians: a mudança que o comandante efetuou no time titular.

Porque Douglas, o camisa 10, líder de assistências na temporadas, foi preterido no jogo que definiria o título mundial. Na semifinal do torneio da Fifa, o meia havia dado um passe para Guerrero anotar o gol da vitória. Ainda assim, perdeu o lugar no time.

Aí começa a história que explica com perfeição a personalidade de Tite. O técnico estava preocupado com Hazard, jogador mais agudo da linha de armadores do Chelsea, sobretudo porque o belga é driblador e incisivo. Ele bateria de frente com o lateral-direito Alessandro, capitão e um dos jogadores mais experientes do elenco corintiano.

A decisão de Tite foi dar proteção a Alessandro. O técnico queria evitar que Hazard ficasse diante de apenas um marcador (mano a mano, para usar a expressão mais comum no futebol para designar esse tipo de situação). Esse tipo de confronto é a situação favorita do belga. O Chelsea trabalha para propiciar a ele situações assim.

Depois de cogitar escalar Romarinho, Tite escolheu Jorge Henrique. O camisa 23 foi eleito exatamente pela dedicação tática. A ordem passada a ele foi dar sustentação a Alessandro. Ele não podia deixar que o lateral ficasse mano a mano com Hazard.

Esse raciocínio mostra que a decisão de Tite é totalmente compreensível. Ainda assim, o técnico tirou do time o camisa 10. Esse é o tipo de alteração que pode demolir a relação entre um chefe e um comandado.

Para tentar amenizar o problema, Tite usou comunicação. Decidiu que Douglas seria o primeiro a saber da decisão. Contou ao camisa 10 antes mesmo de dar a boa notícia a Jorge Henrique.

Tite relatou a conversa antes mesmo de o Corinthians encarar o Chelsea. Disse que Douglas reagiu. O camisa 10 admitiu que estava chateado. "E tem de ser assim, mesmo. Mas eu preciso saber se você vai estar pronto se eu precisar", respondeu o técnico.

É evidente que o resultado do Mundial deu sustentação à decisão de Tite. No entanto, o técnico não esperou a vitória. Antes de mostrar que estava certo, preocupou-se com os danos, mostrou o porquê de ter adotado um caminho e se esforçou para não comprometer o ânimo de nenhum dos comandados.

Nenhuma dessas atitudes foi planejada por alguém da diretoria. Tite tem uma habilidade inata para lidar com gente, e a base desse talento é a honestidade. Honestidade deveria ser requisito básico, mas o mundo atual transformou esse atributo em virtude.

Alguém que demonstra preocupação e que fala com honestidade pode até gerar animosidade. Contudo, não vai perder o respeito das pessoas que participam do ambiente.

Tite usou estratégias básicas de comunicação, ainda que tenha feito isso de forma natural. E graças à comunicação, uma alteração que tinha potencial para um trauma contundente pode ser contornada com mais facilidade.

Foi isso que faltou, em episódios da semana anterior, a Grêmio e São Paulo. Ambos realizaram jogos internacionais em seus estádios, e os dois casos geraram repercussão negativa.

O Grêmio fez um amistoso para inaugurar uma nova arena. O jogo foi contra o Hamburgo, rival dos gaúchos no Mundial de 1983. Porém, os alemães saíram de Porto Alegre com uma extensa lista de reclamações.

Os problemas relatados pelos alemães vão de buracos no gramado a falta de água para banho no vestiário. Essa é a versão deles, evidentemente, e a versão deles não é necessariamente a verdade. Mas a comunicação podia ter minimizado as reações.

Se tivesse agido como Tite, o Grêmio teria interpelado os alemães antes do jogo. Teria explicado que o estádio é novo, e que toda obra nova sempre carece de pequenos ajustes. Teria explicado caminhos para resolver pequenos incidentes.

Não sei se isso foi feito, mas a reação dos alemães faz pensar que não. A ordem dos fatos também leva a crer que não houve réplica do Grêmio, e isso é outro erro. Para a mídia e para os convidados, o time tricolor precisava ter mostrado que os problemas eram casos isolados e que não têm a ver com a qualidade do estádio.

Vale a lógica de lojas ou restaurantes: o cliente sempre tem razão. O clube adversário pode ter exagerado em algumas reclamações ou pode até ter inventado problemas, mas o Grêmio tinha de se posicionar. Só vi uma nota oficial sobre o gramado, mas não achei nada sobre as outras críticas.

A lógica de tratamento a clientes também vale para o São Paulo. Não estou comparando nenhum caso, até porque faltam informações concretas sobre o que aconteceu nos vestiários do Morumbi. Só faço um alerta: o risco que o time paulista corre é transformar um episódio em uma rusga do clube com o mercado argentino.

Basta ver a repercussão que o caso teve na mídia argentina. Muitos veículos de lá "compraram" a versão do Tigre – jogadores disseram que foram agredidos por seguranças do São Paulo durante o intervalo, e por isso se recusaram a voltar para o segundo tempo da decisão da Copa Bridgestone Sul-Americana. A parcialidade ficou clara, por exemplo, na transmissão do canal "Fox Sports" portenho, cujas imagens abasteceram a cobertura do homônimo brasileiro.

Repito: nos dois casos, não há discussões sobre responsáveis, erros ou versões contraditórias. A questão é sobre comunicação e posicionamento. O São Paulo tinha de ter feito ações direcionadas ao povo argentino – uma nota oficial e peças de publicidade, por exemplo – para mostrar que o clube não é o que os jogadores do Tigre tentam construir. A reação não podia ser simplesmente contestar a versão dos atletas.

Aí entra outro aspecto fundamental: já que tudo comunica, a comunicação não pode ser isolada. Grêmio e São Paulo precisavam ter feito ações emergenciais que unissem assessoria de imprensa, publicidade e até iniciativas de marketing.

Tite devia dar aulas de comunicação, e não apenas porque sabe interagir com jornalistas e porque dá entrevistas saborosíssimas. Devia ser professor porque entende a necessidade de estratégia e de comunicação. E isso vale para qualquer realidade.

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br

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Volta, Corinthians! Bi mundial!

Há exatos 22 anos, no Morumbi, Neto e companhia (bem) limitada venciam o Brasileirão pela primeira vez. Iniciando o processo de (inter)nacionalização inexorável do Corinthians. Há quase 13 anos, o Maracanã e o mundo eram do Todo-Poderoso Timão. Hoje, e para sempre, o primeiro sul-americano bicampeão mundial (da Fifa) é o clube que há 102 anos nasceu no Bom Retiro paulistano. É a nação que é Corinthians. Que foi ao Japão e voltou (bi)campeã. Povo que pode bater no peito alvinegro e gritar que ninguém mais pode cochichar nada contra o que se conquistou no campo em um século de paixão.

A Libertadores demorou – mas veio invicta, como desde 1978 não se via na América do Sul. Se há como discutir a presença (e não a conquista) alvinegra em 2000, não há como colocar em dúvida a competência e a capacidade do campeão mundial de 2012. Superando o campeão africano na semifinal e o europeu na final duas vezes com a cabeça de Guerrero. Com a alma de guerreiros.

Um gol aos 23 minutos e 39 segundos que clonou aquele que, há 35 anos, encerrou 22 de jejum. O do Pé de Anjo de Basílio. O da Cabeça de Louco de Paolo. A do pulmão e pés hábeis de Paulinho, autor do lance sensacional que deu no gol e no título, depois de oito segundos após o toque de letra. Camisa 8 como Basílio. Camisa alvinegra como os campeões do mundo do Brasil em 2002. Da camisa amarela como a de Cássio. O goleiro que defendeu aquela bola de Diego Souza na Libertadores. O monstro que defendeu cinco bolas (duas impressionantes) em Yokohama contra o time do melhor goleiro do mundo. Mas não do campeão mundial de 2012. Muralha que só errou um lance no gol bem anulado de Torres. Zaga que bobeou no fim e levou um chute na trave na última bola do jogo. Só para deixar mais corintiana a decisão. Só para dar mais sabor ao amor campeão.

Quem torce ama. Quem deixou o coração em Yokohama torceu mais do que ninguém no mundo que é corintiano. Volta, Corinthians, agora para seu berço e para seu povo. Vai, Corinthians. A terra do gol nascente é sua. Vem, Corinthians. Se você não foi o Brasil todo, todo o mundo cabe no Parque São Jorge.

Para interagir com o autor: maurobeting@universidadedofutebol.com.br

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.