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Férias do futebol e as "peladas" de fim de ano. E o descanso, onde fica?

Em meio à inter-temporada 2011/2012 ocorre pelo mundo afora as famosas “peladas” de fim de ano. Com cunho beneficente, muitas delas contam com a participação de ex-atletas e atletas atuais que se reúnem para ajudar ao próximo ao mesmo tempo em que se divertem.

Mas, apesar de toda boa intenção e legitimidade desses encontros futebolísticos, não podemos esquecer que muitos jogadores reclamam o ano todo do calendário exagerado e do excesso de jogos ao longo da temporada, porém, quando têm a oportunidade de permanecerem longe da bola e dos gramados, fazem questão de participar desses jogos.

Então, será que em época de férias, ao invés de descansarem, esses atletas continuam se desgastando e prejudicando seu preparo para a próxima temporada?

A resposta é não se pensarmos no cunho amistoso desses jogos. Pelo nível técnico, provavelmente essas partidas não acarretam sobrecarga emocional nem física para nenhum atleta. Pelo contrário. Ao participar de um evento beneficente, o jogador é capaz de sentir-se bem por ajudar outras pessoas e pelo fato de encontrar muitos amigos e se divertir ao invés competir – esse evento poderá até auxiliar no seu descanso e no seu relaxamento, especialmente no aspecto mental.

Isso porque ao serem expostos a um ambiente de descontração e livre de cobranças, mesmo que se estejam executando um esforço físico, a intensidade é mais baixa e do ponto de vista mental isso serve como alívio, pois muitos estão fazendo o que mais gostam, porém sem a pressão do dia a dia.


 

Mas se pensarmos no ambiente extra-jogo a resposta será sim, pois entre as coisas que poderão atrapalhar as férias desses atletas estão as viagens, o tipo e o tempo de hospedagem, as atividades pós-partida (como excesso de comida e/ou bebida que eles serão submetidos) e especialmente se conseguirão dormir bem ou mal.

Pelo exposto até aqui vemos que a decisão de aceitar ou recusar o convite para uma dessas peladas deverá ser de cada atleta. Para isso se faz necessário que o mesmo avalie todas as condições do evento e calcule se no final da festa ele estará se sentindo mais disposto ou mais cansado.

Em suma, se não houver exageros, esse período de relaxamento será extremamente benéfico para a recuperação, porque nessa época é desejável que haja uma alteração do balanço autonômico desse atleta em que o mesmo deverá sofrer uma diminuição da modulação autonômica simpática e um aumento da modulação autonômica parassimpática.

Por outro lado, se houver abuso, o sistema nervoso autônomo terá um comportamento antagônico ao desejado e ao invés do aumento da modulação parassimpática, haverá um aumento da modulação simpática. Isso poderá indicar piora da condição física e mental do atleta e, sem dúvida, o mesmo iniciará a próxima temporada já bastante prejudicado.

Portanto, para não começar 2012 dando bola fora, é importante lembrar que mesmo não havendo nada proibido, todo exagero pode ser maléfico.

Feliz 2012 para todos!

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br

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Futebol alemão – capítulo 1

Neste período de festas natalinas e virada de ano, quando fazemos inúmeras reflexões sobre o que já realizamos e a respeito dos projetos vindouros, reservei o espaço desta coluna para debater um pouco sobre as mudanças ocorridas no futebol alemão, inspirado sobretudo em reportagem publicada na edição de outubro da revista Sport Business International.

Os destaques a realizar em dois “capítulos” passam, no primeiro, por relatar a contribuição da Copa do Mundo de 2006 para o desenvolvimento do futebol local e, no segundo, por destacar a importância da organização e da boa governança em termos econômico-financeiros para sustentar o crescimento dos clubes e, consequentemente, da liga como um todo.

A reportagem da Sport Business relata como fundamental a entrega bem-sucedida da Copa do Mundo para o crescimento, tanto da primeira quanto da segunda divisão do futebol local. Pela remodelagem das arenas e a consequente melhora dos serviços de atendimento aos torcedores e ao cliente corporativo, a Copa foi capaz de trazer uma nova dimensão ao espetáculo.

O especialista em marketing esportivo Ulrich Roch descreve que nos últimos anos o futebol alemão viu crescer as receitas em patrocínio e exposição na mídia. E o continuísmo no pós-Copa esteve centrado na Liga Alemã de Futebol, na Federação Alemã de Futebol e na vinda de grandes estrelas do futebol local e mundial para atuar novamente na Bundesliga.

E o desenvolvimento contínuo para que haja crescimento ano a ano está centrado na criatividade e inovação para a oferta de serviços diferenciados para os torcedores dentro e fora dos estádios.

Fica aí um resumo dos principais fatores para a sustentação do posicionamento do futebol na Alemanha após a Copa do Mundo. Que o exemplo possa ser seguido aqui após 2014, valendo lembrar que a manutenção de um patamar de sucesso está centrada na profissionalização e na governança, que será relatado no primeiro texto de 2012.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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O futebol pode aprender com as inovações olímpicas

Olá, amigos!

Nesta última coluna do ano, aproveito para fechar mais um ciclo com algumas considerações do que virá pela frente.

É um ano de Olimpíadas, e em termos tecnológicos sempre surgem novas perspectivas para a preparação, análise, espetáculo e consumo esportivo.

Sempre digo que o futebol deve observar muito os demais esportes, para tirar lições sobre o uso da tecnologia para seu próprio desenvolvimento.

Quem trabalha no meio consegue ver mudanças em se comparando com três ou quatro anos atrás. O avanço é até significativo se considerarmos o ponto de partida baixo. Porém quando comparamos com outros esportes, a diferença se torna esmagadora, sobretudo no aspecto voltado ao desempenho do atleta.

Mas aí temos uma boa noção do porquê. Não basta olharmos as demais modalidades e copiar alguns elementos voltados a questões das capacidades físicas. Estas são facilmente incorporadas, porém tanto neste caso, como em outros, é imprescindível considerarmos a especificidade de cada esporte.

E no futebol é algo relativamente novo em se comparando a outras modalidades. Hoje, com os avanços dos estudos sobre o modelo de jogo no futebol, já é possível pensar em tecnologias que auxiliem neste processo de identificação e mensuração.

E é isso que precisamos entender no processo todo: os recursos não vão simplesmente mapear o futebol, e é necessário que os estudiosos definam e caracterizem a modalidade, os fatores preponderantes de sucesso, para enfim poderem intervir e desenvolver ferramentas que auxiliem no processo de treino, de planejamento, de gestão técnica e de desempenho na modalidade.

Assim, quando me refiro a observar e aprender com os outros esportes, é justamente em relação à questão de vanguarda que alguns deles têm em relação ao futebol. Mas jamais podemos fazer uma simples transferência de tecnologia: é necessário adequá-la e, para isso, necessitamos de estudos e bons profissionais que realmente aprofundem os fatores determinantes do jogo e consigam transferir isso para que a tecnologia possa ser benéfica e, sobretudo, eficiente.

Que neste ano olímpico possamos aprender e extrair informações valiosas com as novidades que surgirão.

Para todos os amigos que nos acompanharam ao longo do ano, desejo-lhes um grande 2012, repleto de sucesso, paz e sobretudo felicidade.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Futebol e religião: de volta para o futuro

Fico imaginando o motivo. Talvez a proximidade do final do Campeonato Brasileiro esteja na base do acirramento das manifestações de fé, tanto dos jogadores como dos torcedores. Afinal, uma ajudazinha divina nesta fase do campeonato seria muito bem-vinda…

Ou então a simples compreensão de que Deus é brasileiro e, sendo, natural que esteja atento aos acontecimentos futebolísticos tupiniquins… Daí a entender que também Ele tem preferência por um determinado time – o meu, o seu, o nosso – é um pulinho…

Se buscarmos uma explicação tão mais complexa quanto mais distante dos apaixonados esportistas, talvez encontremos na Indústria do Entretenimento de Adorno ou na Sociedade do Espetáculo de Debbord as explicações procuradas…

Aí, então, resolvi escrever sobre o assunto, mas da decisão de fazê-lo à sua materialização dei conta de meu desconhecimento do tema. E se não bastasse esse arranhão na minha auto-estima, me vi diante de crônicas escritas neste milênio que adoraria ter escrito…

Só me restou a sensatez de reproduzi-las neste espaço…

Lendo-as, vocês verão quão atuais elas soam, e se ajudarem a recolocar o imbróglio em pauta, terá valido a pena…

Começo com uma escrita por Eugenio Bucci, no início deste século XXI, publicada na Folha de São Paulo em 07 de julho de 2002. Sigo com ele mesmo, 15 dias depois (21 de julho), tecendo comentários sobre a repercussão dela junto aos leitores daquele diário…

Em seguida, salto sete anos no tempo e lhes apresento duas outras – a segunda, do mesmo jeito que a do Bucci, falando da repercussão da primeira – de Juca Kfouri, publicadas respectivamente em 30 de julho e 02 de agosto de 2009.

Fiquem com elas e digam se me enganei em meu juízo acerca da atualidade da reflexão…

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I belong to… pelo amor de Deus!

EUGÊNIO BUCCI

“CREDO EM cruz! Ao final daquela partida lá, aquela tal de domingo passado em que o Brasil se sagrou campeão depois de ganhar da Alemanha, uns jogadores arrancaram a camiseta oficial da seleção brasileira e, por baixo, tinham outra. Sim, vestiam outra camisa por baixo da camisa que vestiam. E essa outra camisa era merchandising religioso. Uma delas trazia a seguinte mensagem: “I belong to Jesus”. Oh, God. Eu me lembrei de Ella Fitzgerald cantando “my heart belongs to daddy”, da música de Cole Porter, e senti que a voz da cantora era mais angelical. Um segundo futebolista, este mais alto, preferiu outros dizeres: “Jesus (coraçãozinho) you”. Incredible! Qu’é qu’é isso, Cafuringa? Nos rescaldos da final de campeonato, a tela da Globo se converteu, de súbito, numa incomensurável tela da Rede Record. Aquilo virou um megaculto da Igreja Universal.

Há quem tenha visto espontaneidade na comemoração dos canarinhos. “É o jeito brasileiro”, diziam os animadores esportivos de sempre. O que é exatamente o “jeito brasileiro”? Dizem que é o “improviso”, a “descontração”, a “alegria” que “éééééé…. duBrasil!” Tocaram lá a musiquinha que fazia fundo para as vitórias de Ayrton Senna na Fórmula 1. Tentaram esconder a figura insistente de Ricardo Teixeira, o dono da taça, enquanto o pessoal chorava. Tentaram em vão. Teixeira acabou dando entrevista em destaque e tudo virou um grande carnaval sem culpados. Vai ver que isso tudo junto é o “jeito brasileiro” de ser, mas há mais no meio da bagunça. Há algo que não tem nada de Brasil e que tem tudo de não-Brasil. Religiões eletrônicas, que se promovem pelos meios de comunicação de massa e que são fábricas do dinheiro de poucos e do gozo das multidões, são um fenômeno da indústria cultural em moldes americanos. São tão brasileiras quanto a Nike. O que aqueles atletas encenaram no meio do gramado não foi uma inocente expressão de fé (coisa que também não tem pátria, graças a Deus), mas uma descarada jogada de marketing. O que se manifestou no episódio não foi o Espírito Santo, mas uma propaganda diabólica.

Nós, brasileiros, já temos de suportar a marca de patrocinadores na camisa que deveria representar apenas uma nação. Já é um desaforo. Agora existe aí a modalidade da propaganda infiltrada. E parcial. Já que isso vale, por que propaganda só de Jesus? Por que não de Xangô? E por que não de Buda? Aqueles atletas que vestiram a camisa do Brasil tendo outra por baixo eram os homens-bomba do simbólico. Não levavam explosivos propriamente ditos, mas, disfarçados de futebolistas brasileiros, esconderam sua verdadeira camisa até o instante final, quando então “explodiram”: eram propaganda contrabandeada. “I belong to Jesus”, ora, por favor. E a gente aqui achando que o sujeito pertencesse ao time do Brasil, que ele representasse o país.

A fusão da religião com a TV é tão antidemocrática quanto a fusão entre Estado e Igreja. Transformado em espetáculo, o discurso religioso ensandece, invade as esferas individuais e ganha tons totalitários. É bem possível que os homens-bomba do simbólico pretendam que esse “Jesus” de suas camisetas seja unânime, total, compacto e que, portanto, jamais possa ser visto como “penetra” na festa de ninguém. Ai de quem for contra “Jesus”, eles proclamam. E pronunciam o nome com força, com tanta força que a palavra soa estranha, soa “Xessôs”, como se fosse nagô. Como se fosse a serenidade se transformando em fúria. O amor em ódio. A fé em fanatismo.

Enquanto isso, pobre de quem acreditava que o Estado fosse laico. Pobre de quem acreditava que a seleção brasileira representasse os brasileiros de todas as religiões. Pobre do torcedor. Esses propagandistas dissimulados. Na próxima Copa, que façam comercial do diabo de uma vez.”

O ateísmo como direito

EUGÊNIO BUCCI

“HÁ DUAS semanas, critiquei os jogadores da seleção que fizeram merchandising religioso logo após a vitória sobre a Alemanha. Argumentei que, ao “desvestirem” o uniforme oficial para revelar outra camiseta, que traziam por baixo, com slogans de uma causa religiosa, eles se aproveitaram da visibilidade pública conquistada pelo time nacional para promover convicções particulares. O que é indevido e invasivo. O Brasil é um Estado laico: nenhuma função de representação do Brasil pode ser apropriada por uma forma de fé. Não é democrático. Mesmo que essa fé congregue 99% da população, não é democrático. A minoria não pode ser excluída nesses momentos de representação nacional. Quando transformaram a festa do pentacampeonato num evento de divulgação de culto qualquer, esses jogadores usurparam a camisa oficial que trajavam. Ato contínuo, excluíram das comemorações os brasileiros que não partilham do mesmo culto.

Como era de esperar, recebi mensagens de protesto. Na verdade, nem foram tantas. Não mais que 30. O que me chamou a atenção foi que 90% delas vinham de leitores verdadeiramente indignados. Eram textos violentos que, em resumo, acusavam-me de preconceituoso. Em respeito aos que me escreveram, aos quais sou grato, em respeito ao conjunto dos leitores e, finalmente, às opções espirituais de cada um, volto ao assunto. O meu objetivo é deixar claro que não é preconceito o que me move. Minha crítica não é contra religião nenhuma: é contra o marketing oportunista de religiões que vem se repetindo na TV.

A fé, todos sabemos, deixou de ser “uma questão de opção de foro íntimo”, como se dizia antigamente, e passou a ser um segmento da indústria cultural. Não se trata de um fenômeno “evangélico” ou “católico” ou “protestante”: as seitas eletrônicas têm raízes nas mais diversas tradições místicas; o que as distingue não é a tradição a que se filiam, mas sua prática discursiva, perfeitamente adaptada ao show de TV. A Rede Record é uma expressão desse fenômeno no Brasil. Padre Marcelo, com as suas especificidades, também é. A fé se tornou uma modalidade do espetáculo, com as va
ntagens e desvantagens de comunicação (sagrada ou profana) que isso acarreta.

As teleigrejas se manifestam (e existem) como propagandas de si mesmas. Para elas, a propaganda não é a alma do negócio: a propaganda é sua razão de ser. É de sua natureza a propensão a ocupar todos campos da visão social. Acreditam que, assim, cumprem seu papel e exercem seu direito. Muitas vezes, porém, invadem o direito de outros e seus fiéis mal se dão conta. Um atleta que se declara diante das câmeras como alguém que “pertence a Jesus” está apenas exercendo o direito de professar sua fé. Mas, quando ele se furta à representação oficial da qual foi incumbido, a de vestir o uniforme da seleção brasileira, num evento oficial, e se aproveita das câmeras para promover um determinado culto, comete um abuso. E exclui, com esse gesto, os outros brasileiros que porventura não comunguem da mesma fé. Mesmo sem querer.

Vivemos uma era de multiplicação de teleigrejas. Deveriam ser tempos mais plurais, mais arejados, mas não são. Ao contrário, são tempos de intolerância. A fé que só existe como espetáculo supõe-se um sentimento total e não admite contestação. A simples idéia de que não há unanimidades nem Maomé, nem Buda, nem mesmo Cristo é entendida como uma hedionda heresia pelas teleigrejas. A mera existência de um ateu se torna uma ofensa. Apenas para efeitos de raciocínio, imagino a seguinte cena: após a vitória do Brasil sobre a Alemanha, um jogador abre um estandarte onde se lê “Viva o ateísmo!”.

Provavelmente seria expulso de campo. E, no entanto, não estaria cometendo uma deselegância pior do que essa que foi cometida pelos propagandistas de Jesus.”


Deixem Jesus em paz

JUCA KFOURI

Está ficando a cada dia mais insuportável o proselitismo religioso que invadiu o futebol brasileiro

“MEU PAI, na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: “Você não tem cultura para se dizer ateu”, sentenciou.

Confesso que fiquei meio sem entender. Até que, nem faz muito tempo, pude ler “Em que Creem os que Não Creem”, uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record.

De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.

Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso. Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá.

Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo.
Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.

E negar o papel de resistência e de vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho, o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer pequenas provocações, com todo respeito.

Respeito que preservo, apesar de, e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus.

E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.

Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes, como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial. Ora, há limites para tudo.

É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos…

Ora bolas!

Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.

Não mesmo é à toa que Deus prefere os ateus…”


Jesus é uma farsa!

JUCA KFOURI

Como reagiriam aqueles que defendem o merchan religioso nos gramados se alguém vestisse a camiseta acima?

“IMPRESSIONANTE como muita gente lê o que quer e não o que está escrito.

Fora, é claro, o preocupante analfabetismo funcional e a conhecida demagogia dos que pegam uma caroninha em tudo.

Houve quem visse tentativa do colunista em cercear a liberdade religiosa na coluna passada. Desafia-se aqui quem quer que seja a demonstrar uma vírgula sequer neste sentido.

Reclamou-se, isso sim, da chateação que o proselitismo religioso causa em quem quer apenas ver um jogo de futebol, ao mesmo tempo em que se defendeu que cada um se manifeste como quiser nos locais apropriados.

Houve também quem não se lembrasse de ter lido aqui manifestações contra atletas que fazem propaganda de cerveja.

Para esses só resta indicar memoriol, porque não só são criticados os esportistas que fazem propagandas do gênero como, também, quem usa espaço esportivo para tal, seja ou não jogador.

E não me venha ninguém dizer que os tais atletas de Cristo são bons exemplos neste mundo de pecadores, pois basta olhar para Marcelinho Carioca e ver que as coisas não são bem assim.

E que fique claro que o colunista gosta, muito, de cerveja, assim como inveja os que creem, porque deve ser uma boa muleta para suportar as agruras da vida e para alimentar a esperança da compensação de uma vida eterna.

Posso garantir, no entanto, que nem mesmo nos momentos limites que já vivi apelei a alguma força superior que me salvasse. E não foi para ser intelectualmente coerente.

Mas chega a ser divertido ver um político que tem crescido feito rabo de cavalo, para baixo, conhecido por sua homofobia, sinônimo de preconceito, querer dar lição de moral, como um obscuro ex-deputado federal, hoje apenas vereador, que buscou alguns votinhos adicionais ao entrar na polêmica.

Polêmica que rendeu coisa de 120 mensagens eletrônicas de leitores desta Folha para minha caixa postal, surpreendentemente a favor da coluna, coisa de 80%, embora índice compreensivelmente menor de aprovação do que nos quase 500 comentários no blog.

E aí é motivo de satisfação constatar que só a esmagadora minoria não é capaz de entender a ironia da frase “Deus prefere os ateus”, usada no fecho da coluna.

Aos que pediram que a coluna se limite ao futebol, um aviso: não há nenhuma atividade humana que não possa ser relacionada ao futebol, razão pela qual o espaço seguirá sendo preenchido desse jeito.

Finalmente, uma ponderação óbvia: deixar o campo de futebol para que nele se dispute só o jogo acaba por proteger os fundamentalistas de algum herege que vista uma camiseta com os dizeres do título desta coluna, ali escritos apenas à guisa de provocação.

Já imaginou?

Seria uma delícia ver a reação dos que brandiram até a Constituição, que garante a liberdade religiosa, como se o colunista tivesse agredido seus princípios…”
 

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br

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Viajar nas férias

Acredito que deveríamos ter uma mudança na legislação trabalhista nacional.

Que, nas férias, todo homem deveria ter não só o direito, mas o dever de viajar.

Esse cenário compulsório, garantido como princípio básico de bem-estar profissional e pessoal, deveria ser complementado com algo na linha de “e quanto mais longe e mais diferente o destino da viagem, melhor”.

Não estou falando do direito, já existente, ao período de férias para ficar em casa.

Invoco o pensamento do pai da língua espanhola e grande romancista Miguel de Cervantes, para defender meu pleito:

“Andar por terras distantes e conversar com diversas pessoas torna os homens ponderados”.

Cervantes escreveu um dos mais importantes e originais romances da história, qual seja, Dom Quixote de La Mancha, em 1605 e 1615.

Na trama, o protagonista, oriundo da pequena nobreza castelhana, é ávido leitor de romances de cavalaria, cujas histórias relatavam os feitos de nobres homens sempre com nuances de aventuras idealizadas.

De tanto ler, acaba por acreditar que as aventuras e desventuras dos seus heróis aconteceram de verdade e resolve se lançar em sua própria jornada pela Espanha, junto ao seu fiel escudeiro, Sancho Pança, e ao cavalo Rocinante.

Naturalmente, da diferença entre a projeção idealizada e a realidade encontrada na viagem, Quixote percebe que é justamente isso que tempera e dá gosto à vida.

Existe muita coisa interessante para ser vista e experimentada em terras distantes. No futebol não seria diferente.

Não se trata, simplesmente, de se negar que há coisa boa em nossa paróquia, em nosso terreiro.

Ao contrário, apenas buscar o discernimento no novo, no inusitado, no diferente.

Metaforicamente, o futebol brasileiro foi chamado à reflexão no recente jogo entre Barcelona e Santos pelo Mundial de Clubes.

Creio que todos os envolvidos nesse cenário deveriam ter suas viagens de férias – reais ou imaginárias – para, ao regressar, tornar-se pessoas e profissionais mais ponderados, em prol da evolução administrativa do futebol brasileiro.

Alguns destinos recomendados no exterior, além de Madrid e Barcelona, podem ser Londres, Manchester e Liverpool (onde há uma importante universidade dedicada à indústria do futebol), Milão, Alemanha (a Bundesliga realiza um trabalho fantástico), Portugal (entender a dimensão humana do futebol em Lisboa com Manuel Sérgio).

Para os que preferem o Novo Mundo, valeria a pena ir aos Estados Unidos para conhecer de perto o lado do showbiz e do sportainment, em especial no basquete, futebol americano e hóquei.

Boas férias a todos.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Reflexões práticas: onde estamos e para onde vamos?

O título da coluna pode parecer um tanto quanto filosofia existencial, mas quero transportar essas questões para a prática e para o momento vivido pelo nosso futebol perante o cenário internacional.

Como de praxe, o final de ano é marcado por grandes reflexões.

Esse ano em específico um fato trouxe luz a uma questão que muitos não queriam e não conseguiam ver sobre o nosso futebol: não somos os melhores do mundo e nossos jogadores não resolvem individualmente os problemas do jogo!

Alguns podem concordar, outros não…

Mas o fato é que o Barcelona nos deu, como disse Neymar, uma aula de futebol.

Aula que nos mostrou – na verdade vem nos mostrando há muito tempo – que nosso futebol ainda está preso no paradigma cartesiano, onde as partes e sua soma são mais importantes que o todo complexo.

Na final do Mundial, vimos um choque de paradigmas, no qual de um lado os elementos se integravam, interagiam e formavam um todo complexo, já do outro as partes tentavam se sobressair ao todo do adversário e no fim vimos o resultado.

Depois do jogo vimos ainda que as respostas para a derrota ainda se focavam nas partes, onde o esquema tático foi a parte eleita como preponderante para a resultado…

E o restante do modelo de jogo?

Enquanto tentamos explicar a derrota da equipe santista através da utilização ou não de dois ou três zagueiros, uma revista espanhola apresentou um dossiê com os pontos fortes e fracos de todo o modelo de jogo do Santos.

Onde estamos, então?

Estamos em um momento de mudança, em que o mundo está nos mostrando que a qualidade individual é importante, mas já não resolve os problemas do jogo por si só.

Precisamos olhar o jogo com um olhar complexo! Precisamos aprender mais!

Não podemos deixar esse confronto entre Barcelona e Santos se perder ao longo do tempo, pois o resultado nos mostra que nosso futebol precisa evoluir e buscar uma nova forma de organização.

Não podemos mais jogar, nem treinar como há 20 anos!

E, vejam, o Barcelona há alguns anos não jogava desta maneira, nem formava jogadores como agora. Em determinado momento de sua história eles sentiram a necessidade de mudar e transformar o seu modo de jogar e como o processo de formação era elaborado.

Hoje eles colhem os frutos dessa mudança…

O que faremos, então?

Mudanças…

Para onde vamos?

Não sei. Espero que para frente, para um novo momento de nosso futebol…

Um momento nosso, onde nossa cultura de jogo se manifestará complexamente em nossas equipes. Onde o futebol bonito será nossa marca, mas sem copiar o Barcelona ou quem quer que seja, pois podemos, sim, ser novamente o número um do futebol, tanto na questão individual como coletiva como fomos um dia.

Mas infelizmente esse é um processo lento. Temos que lutar e fazer de tudo para contribuir com a evolução de nosso futebol.

O que podemos fazer?

Cada um terá suas respostas e poderemos refletir, ou não, neste final de ano.

Por fim, desejo um feliz Natal e um ano novo cheio de sucesso!

Até a próxima!

Para interagir com o autor: bruno@universidadedofutebol.com.br 

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O jogo jogado com a cabeça

Sabiamente, o treinador Rodrigo Leitão mencionou em sua última publicação para a Universidade do Futebol que a esperada vitória do Barcelona sobre o Santos começou bem antes do apito inicial.
Deve ser com este pensamento, o de vencer o adversário antes do início do jogo, que a atual gestão do Figueirense tem pensado o futebol.

Representado no VIII Footecon por Renan Dal Zotto, diretor de marketing, e Marcos Moura Teixeira, diretor de futebol, o clube deu mostras por que em tão pouco tempo saiu da segunda divisão do Campeonato Brasileiro e de uma campanha mediana no estado para, no ano seguinte, brigar pelo título do Campeonato Catarinense, sendo a equipe com melhor pontuação nos dezoito jogos do primeiro e segundo turnos e, principalmente, disputando ponto a ponto uma vaga (que escapou na última rodada) para a Copa Libertadores da América, no torneio nacional.

Na palestra realizada no fórum, Renan e Marcos apresentaram as ideias, iniciadas há vinte meses (abril/2010), que têm como objetivo ascender o Figueirense da quinta para a terceira força do Sul do Brasil, num período de cinco anos.

Quando a atual gestão assumiu o clube, mapeou o cenário e detectou um grave problema que acomete diversas equipes do futebol brasileiro: a imensa maioria do elenco não tinha seus direitos econômicos vinculados ao Figueirense, logo, uma das maiores possibilidades de receita para um clube, o jogador, estava nas mãos de agentes que utilizavam a equipe catarinense para exposição dos seus “produtos”.

Para reverter este quadro, iniciaram sete grandes planos de ação indicados a seguir: investimento em capital intelectual, geração de novas receitas, alinhamento político, inteligência competitiva, parcerias, sistemas de apoio e planejamento estratégico.

Com processos bem delimitados e a criação de uma Matriz de Indicadores que posiciona a equipe no futebol do Sul do país, nesses vinte meses, o Figueirense deu largos passos em direção ao cumprimento de sua meta.

A Matriz de Indicadores é composta pelos itens: estádio próprio, centro de treinamento, posição no ranking da CBF, receita com produtos licenciados, média de público, ranking da Conmebol, posição no Campeonato Brasileiro série A, títulos e quantidade de dívidas no curto, médio e longo prazo. Comparada a outras equipes da região, atualmente, o Figueirense está atrás de Inter-RS, Grêmio-RS, Atlético-PR e Coritiba-PR.

Dos planos de ação estabelecidos, o planejamento estratégico em relação às categorias de base compreende a criação do Projeto Jovem Furação. Este projeto, além do desenvolvimento do jogador dentro das quatro linhas, pretende capacitá-lo para lidar com a fama, manter uma boa imagem, ter capacidade de adaptação à mudança, realização dos seus objetivos financeiros e definição de um planejamento pós-carreira.

Já no que tange o departamento profissional, a montagem do elenco passa a ter critérios mais rigorosos que, como ponto de partida, preconizam os direitos federativos e econômicos de um atleta ao Figueirense.

Outros critérios para fazer parte de uma das vinte oito peças julgadas pela gestão como suficientes para uma temporada (acreditem, soube de uma equipe que iniciará a temporada 2012 com 51 atletas no elenco profissional) são: a versatilidade, o desempenho nos clubes anteriores, o nível dos clubes anteriores, o comportamento extra-campo, a qualidade técnica, a experiência, a possibilidade de integração no atual elenco e o custo e prazo de contrato.

Com essas práticas o Figueirense obteve 57 pontos no Campeonato Brasileiro e um custo/ponto de R$ 300.000,00, totalizando cerca de R$ 17 milhões. Se vocês, leitores, estão atentos às notícias econômicas do futebol, saberão que algumas equipes ultrapassaram 150 milhões de reais em gastos na referida competição.

E o cenário atual é bem diferente daquele em abril de 2010. Com uma vaga na Copa Sul-Americana, com contratos televisivos mais rentáveis, com praticamente todas as cotas de patrocínio encerradas para o próximo ano, com a reestruturação dos deptos. de futebol de base e profissional em andamento e com melhorias em infraestrutura, o Figueirense iniciará o ano de 2012 com uma grande responsabilidade. A de dar continuidade neste projeto que segue coerentemente a tendência de mercado, que é a de produzir mais, melhor, em menos tempo e com menos dinheiro.

Aproximar a teoria da prática, para alguns, é algo impossível. Felizmente, exemplos como este acontecem para que, como tudo que possa contribuir para a evolução do nosso futebol, sejam propagados e elogiados. E neste exemplo, até uma ação simples, mas que ajuda a ganhar o jogo antes do apito inicial, foi feita e nos permite refletir sobre a transcendência dos fatores (gestão, jogadores, treinadores, métodos de treino, torcedores, etc) que envolvem o futebol: cada funcionário do clube ganhou uma camisa (e tiraram foto) para se sentirem parte do todo que é este novo projeto. Projeto que começa com boas cabeças e termina com a bola na rede.

Você já ganhou uma camisa do clube em que você trabalha? Parabéns, Figueira!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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O Rugby e seu potencial no país

O brasileiro é apaixonado por esporte, sobretudo pelo futebol. Mas há outras modalidades que encantam o país, como automobilismo (Fórmula 1), voleibol e basquetebol.

Mais recentemente, desde 2009, quando foi incluído no programa dos Jogos Olímpicos de 2016, o rugby tem atraído investimentos e atenção da imprensa.

Historicamente, o rugby surgiu de uma dissidência do futebol, uma vez que várias formas de jogo com bola já existiam pela Europa no século XIX, e tanto o Rugby Football (o rugby atual que atualmente é controlado pela IRB) quanto o Football Association (o futebol atual que agora é controlado pela FIFA) tiveram caminhos correlatos, sendo, portanto, dissidências de uma mesma forma de jogo.

O rugby surgiu devido a um desentendimento do clube de futebol Blackheath (um dos fundadores da FA) sobre a retirada de duas regras do futebol pela Football Association (uma era sobre carregar a bola com as mãos, a outra sobre os tackles).

Há algumas variações de rugby. A versão mais tradicional é o “15-a-side”, ou simplesmente “Rugby 15”. O número faz referência à quantidade de jogadores em cada equipe. As outras modalidades como o “Rugby 7”, “Tag” e o “Beach Rugby” vêm crescendo rapidamente nos últimos anos.

A Copa do Mundo de Rugby é o principal evento entre seleções deste esporte e é disputada a cada quatro anos desde 1987. Trata-se do terceiro evento desportivo mais visto no planeta (atrás apenas da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos).

O rugby chegou ao Brasil no século retrasado, por Charles Miller (exatamente quem trouxe o futebol ao Brasil) que organizou em 1895 o primeiro time de rúgbi brasileiro, em São Paulo; e o primeiro clube a praticar o esporte, o Clube Brasileiro de Futebol Rugby, teria sido fundado em 1891.

Em 20 de dezembro de 1972 foi fundada a Associação Brasileira de Rugby, em substituição à União de Rugby do Brasil. A nova entidade foi reconhecida pelo Conselho Nacional do Desporto.

No início de 2010, a Associação Brasileira de Rugby mudou seu nome para Confederação Brasileira de Rugby a fim de se adequar a estrutura administrativa esportiva do Brasil prevista na Lei Pelé e viabilizar o apoio por parte do COB (Comitê Olímpico Brasileiro).
A Confederação Brasileira de Rugby, nos termos do Inciso I do Art. 217 da Constituição Federal, goza de autonomia administrativa quanto a sua organização e funcionamento.

Com a vaga olímpica garantida por sermos anfitriões, com o repasse de verbas do COB e melhores patrocínios, o rugby tem passado por imensa evolução sendo que, neste ano, o Sportv transmitiu ao vivo partidas da Liga Nacional.

O rugby é hoje o segundo maior esporte em número de praticantes no mundo e a modalidade Seven é justamente a que o Brasil possui mais potencial e melhores resultados. O rugby tem crescido bastante no Brasil e segundo dados da International Rugby Board o país conta com 230 clubes e 10.130 atletas registrados. Portanto, após o início como um esporte para “universitários”, hoje atinge praticamente todo o país.

O caminho para popularizar o rugby é longo, porém, o primeiro grande passo, já foi dado, pois sediar o primeiro torneio olímpico traz imensa responsabilidade e uma oportunidade única para desenvolver definitivamente o esporte.

A todos os leitores desejo um Feliz Natal e que a noite deste sábado seja mais um momento de reflexão e confraternização e menos expressão do consumismo social.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Efeito da temporada na composição corporal e na aptidão física em jogadores de futebol

Com o intervalo ou término dos principais campeonatos de futebol no mundo todo, já em clima natalino abordaremos os efeitos do treinamento durante o período competitivo ao longo de uma temporada.

Um estudo realizado na Grécia investigou a interferência de uma temporada nos parâmetros de composição corporal, consumo máximo de oxigênio, máxima velocidade aeróbica e velocidade do limiar de lactato (4mMol.L-1).

Os autores avaliaram 12 atletas da elite do futebol com idade de 25±5 anos no início da pré-temporada, no início do período competitivo e no meio do período competitivo.

Os resultados encontam-se resumidos na Tabela 01:

Tabela 01: Análise de variáveis antropométricas e fisiológicas durante uma temporada.

Ao longo da temporada, os resultados indicaram redução da gordura corporal e melhora de todas as variáveis fisiológicas máximas e submáximas em relação à pré-temporada, porém não houve diferença em nenhuma variável entre o início do primeiro turno e o início do segundo turno.

Apesar de algumas limitações como a realização dos testes de VO2 e de limiar de lactato serem realizados em esteira e a amostra ser pequena e não haver dados para variáveis de força/velocidade, esse estudo indica que a preparação realizada na pré-temporada parece ser importante e suficiente para garantir a manutenção da potência e da capacidade aeróbica ao longo do campeonato. Além disso, a melhora encontrada nesse estudo condiz com levantamentos científicos já realizados previamente; contudo, a maioria deles foi feita com jovens ou com atletas amadores.

Se faz necessária o acompanhamento das variáveis antropométricas, aeróbicas, de força e de velocidade, não somente ao longo da temporada, mas também entre um temporada e outra. Também seria importante obter esses dados de diferentes equipes com diferentes idades e nível técnico para sabermos se esse comportamento é um padrão nas equipes de futebol ou não.

Para finalizar, assumindo que os atletas terminam a temporada com o percentual de gordura baixo e iniciam a pré-temporada com ele aumentado, isso sugere que a interrupção dos treinamentos leva à redução da massa muscular e ao aumento da gordura corporal, já que o peso dos atletas não se alterou ao longo do campeonato.

Aproveitando que muitos de nós também estará com datas comemorativas e em fase de destreinamento, lembre-se: o que engorda é o que se consome entre o Ano Novo e o Natal e não entre o Natal e o Ano Novo.

Boas festas a todos!

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br

Para saber mais:

Kalapotharakos VI, Ziogas G, Tokmakidis SP. Seasonal aerobic performance variations in elite soccer players. J Strength Cond Res. 2011 Jun;25(6):1502-7.

McMillan K, Helgerud J, Grant SJ, Newell J, Wilson J, Macdonald R, Hoff J. Lactate threshold responses to a season of professional British youth soccer. Br J Sports Med. 2005 Jul;39(7):432-6.

Miller DK, Kieffer HS, Kemp HE, Torres SE. Off-season physiological profiles of elite National Collegiate Athletic Association Division III male soccer players. J Strength Cond Res. 2011 Jun;25(6):1508-13.

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Um jogo

Bastou um jogo. Apenas 90 minutos determinaram uma mudança radical na percepção que a opinião pública tinha sobre o desenvolvimento do futebol brasileiro. De um ano eufórico, com o otimismo presente no rosto de dirigentes, treinadores e jogadores, para um final de ano de muitas e muitas reflexões.

Este foi o saldo do jogo Barcelona e Santos, realizado no último domingo no Japão. Apesar dos comentários gerais buscarem culpados, a lição mais importante está presente na coletividade. Mesmo que a imprensa credite os louros a Messi, vale reforçar que não existe em lugar nenhum do mundo um grande maestro sem uma banda competente.

Já vivenciei, há poucos anos, discussões para que os clubes brasileiros formem jogadores fortes e altos para servir ao mercado europeu. O que acontece é que o mercado europeu sentiu a necessidade de formar jogadores brasileiros, rápidos e habilidosos. Cada vez que nos distanciamos da nossa cultura, mais difícil é se aproximar de outras, ficando no meio do caminho entre o ser e o querer ser.

Mas a lição principal, novamente, é dar tempo ao tempo. O planejamento e a defesa irrestrita de um plano mais uma vez aparece como modelo a ser seguido, tal e qual fez o Barcelona há 30 anos. E não podemos jogar no lixo todo o bom trabalho que o Santos está implementando que, em seguindo nesta linha, tendem a dar frutos contínuos nos próximos anos.

Os espasmos de euforia são contraditórios em razão daquilo que se imagina de pensamento contínuo e estruturado, como ocorre no Brasil. A reflexão para 2012 é: qual a cultura do seu clube? Qual o perfil desejado de jogadores e treinadores? Quem deve se adaptar a quem (treinador ao clube ou clube ao treinador)? Quais as competências desejáveis do gestor e sua postura perante a opinião pública?

Enfim, a análise passa pelo trinômio básico de “missão, visão e valores”, existente em grande parte das organizações, mas tão difícil de ser aplicado nos clubes de futebol do país.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br