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O currículo de um atleta: o que o clube olha e o que o empresário vende

Olá, amigos!

No texto desta semana, trago à discussão novamente as questões que devem ser consideradas para a contratação de um jogador de futebol, analisando não somente o tão famoso DVD.

E coloco em pauta uma análise por mais de um viés. O primeiro e mais tradicionalmente discutido é relativo ao clube interessado em contratar. Como deve ser analisado o currículo de um atleta para decidir sobre sua aquisição?

Sabemos que é de suma importância agregarmos a maior quantidade de informações sobre o atleta e sobre o perfil de que o clube necessita.

Como se pudéssemos elaborar um checklist de fatos a considerar:

– condição física
– condição técnica
– capacidade tática e de leitura de jogo
– aspectos financeiros
– relacionamento pessoal e personalidade
– aspectos comportamentais
– carências da equipe
– projeção de encaixe e adaptação ao elenco

Enfim, eis alguns dos elementos que o clube deve observar. E será que dá para olhar isso tudo apenas com um DVD?

Com certeza não. É necessário que o clube lance mão de recursos tecnológicos, metodológicos e organizacionais para criar seu acervo de informações para tal fim.

Aí, esbarramos num outro aspecto que caracterizamos como o viés de quem quer vender o jogador. Quem vende um jogador e por que? Essa pergunta é chave para entender um pouco desse viés.

O empresário e o próprio atleta podem tentar fechar uma negociação por seus interesses ou ainda o clube pode desejar que o atleta seja negociado por diferentes motivos. Tanto num caso como no outro a parte interessada influencia diretamente no que é apresentado.

Ou vocês acham que um DVD de um empresário apresentará as fraquezas de seu jogador? Lógico que não. Um DVD é composto sempre pelos melhores momentos do atleta em diferentes funções, é verdade, mas nunca com suas falhas.

Concordo que seria ilógico tentar vender algo mostrando seus defeitos. Mas será que não é possível ser mais detalhista para valorizar o desempenho de seus atletas, e mesmo que esses detalhes exponham uma ou outra fraqueza, apresentar possibilidades de adaptação?

O atleta precisa criar uma espécie de currículo, com seu histórico profissional e de desempenho, baseado em informações padronizadas, pois não tem cabimento – e isso ocorre no cenário do futebol – manipular informações para dar destaque para um jogador e escondê-las de outros para evitar expor suas fraquezas. Que credibilidade tem o empresário que usa métodos diferentes? Por isso o DVD é mais fácil e acaba se tornando uma ferramenta universal? Mas será que isso não está mudando?

É complicado, porém o atleta tem de criar um currículo. Não basta ficar apenas no DVD, mas, mais do que isso, é necessário que quem avalia também tenha critérios e conhecimento para analisar tal currículo, pois caso contrário as imagens dirão mais que mil palavras e os fiascos poderão ocorrer.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Sem bola

O FC Barcelona atropela seus adversários – na Espanha, na Europa e no Japão – porque sabe jogar muito bem sem a bola em seus pés.

Esqueça a referência das estatísticas de TV que vinculam o êxito do clube à posse de bola.

Sim, é verdade, ela fica 70% do tempo nos pés dos jogadores da equipe a cada jogo.

Isso aumenta as chances de gols e vitórias, é verdade.

Mas ouso enxergar e defender o outro lado dessa percepção.

Já que o futebol é coletivo, penso que não é a soma dos poucos segundos em que a bola passa por todo jogador da equipe – que no fim do jogo se traduz em 60 minutos em 90 minutos jogados – que faz a diferença.

A diferença está na movimentação da equipe toda sem a bola, quando um dos seus jogadores está com a bola ou, até mesmo, quando ela está com o adversário e se faz pressão para lhe provocar o erro e recuperá-la.

Ainda mais pelo fato de que, hoje, quando muito, o jogador fica com a bola em sua posse por 2 minutos.

E nos outros 88 minutos?

A bola é o centro do carrossel catalão em torno do qual orbitam os muito bem entrosados jogadores.

Mas apenas um dele está com a bola.

Logo, o que fazem os demais?

Jogam sem ela. Procuram espaços livres. Pressionam a saída de jogo do adversário. Dão opção ofensiva e defensiva para os companheiros.

Até o goleiro já se acostumou a isso, ao ser acionado a jogar com os pés.

Diferenças históricas de estilo, o futebol brasileiro se acomodou em termos de evolução tática, assim como favorece o comodismo dos jogadores em jogar longe uns dos outros, com movimentação intensa, troca de passes, posse de bola e, acima de tudo, ocupação do campo todo sem a bola.

Nisso, Tostão, ídolo e comentarista, vaticina com o que concordo: já não existe mais jogador de meio-campo apenas defensivo ou apenas ofensivo.

Existe (deveria existir) jogador inteligente em sentido amplo, para exercitar essa nova maneira de se enxergar o jogo.

Se ainda não chegou ao Brasil, que iniciativas como a Footecon sirvam para discussão e propagação dessa linha evolutiva para o futebol no Brasil.

A conquista do bicampeonato mundial do Barça sobre o Santos prova que o bom futebol é um esporte solidário e coletivo, de muita movimentação.

Sem a bola.

Futebol operário, sem show. Com efeito, esse é o próprio show dado pelo Barcelona.

Mesmo porque o jogo se joga com uma bola para 22 jogadores.

Não uma para cada um dos jogadores.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Santos FC vs FC Barcelona: choque de realidade

Desde que a equipe do Santos FC conquistou a “Taça Libertadores da América”, o Brasil do futebol passou a alimentar e dar fermento a uma expectativa sobre o jogo (que até então era a “provável final do Mundial de Clubes”) entre a equipe brasileira e o time do Barcelona.

Para os que já, por algum tempo, vinham acompanhando os jogos da equipe catalã, talvez o maior interesse – além é claro de assistir a um espetáculo de futebol – estivesse concentrado em uma imaginativa dúvida: será que o Santos conseguiria, com sua velocidade e futebol envolvente apresentado no Brasil, superar o FC Barcelona? (afinal, Neymar “estava voando” – ficaria difícil para os “lentos” (lentos?) Puyol e Piqué).

Para os apaixonados por futebol, que conheciam pouco o Barcelona, e tinham acesso apenas a informações trazidas pela “mídia do grande público”, talvez a maior expectativa estivesse em ver o Santos “atropelar” o time catalão – afinal o Barcelona só parecia bom por que enfrentava equipes fracas no seu campeonato nacional (o único bom desafio era o Real Madrid FC), e além do mais, não haviam ainda se deparado com uma equipe tão talentosa, tão veloz, tão brasileira.

Pois bem. Chegou o dia do jogo, e vimos o que vimos.

O Barcelona não tomou conhecimento do Santos.

No dia anterior a partida, as declarações dos jogadores da equipe catalã respondendo aos jornalistas brasileiros sobre como conseguiriam “parar” Neymar, deram bem o tom do que seria o jogo: “faremos o que sempre fazemos, jogaremos como Barcelona – se tivermos a bola, o Neymar não vai jogar”.

Arrogância? Não, apenas uma boa noção sobre a realidade.

Dois dias antes do jogo, mais noção sobre realidade.

Quando perguntado na entrevista coletiva sobre o por quê de não ter ido assistir no estádio ao jogo do seu próximo adversário (o Santos), Pep Guardiola sorrriu, deu um ou dois motivos, e depois deu luz ao aparente (e não real) menosprezo pelo adversário brasileiro, dizendo que havia uma equipe de profissionais do Barcelona (equipe do departamento de análise de desempenho do clube) captando imagens e coletando informações sobre Santos no jogo contra a equipe do Kashiwa (e que, então, ele não precisava estar lá pessoalmente).

Preguiça? Arrogância? Menosprezo? Não, apenas uma boa noção sobre a realidade.

O jogo foi o que foi.

Culpas e culpados não pararam e não param de surgir.

Sobrou para o treinador santista, sobrou para Neymar, sobrou para Ganso, sobrou para os treinadores das categorias de base no Brasil (que não sabem formar!?)…

Senhores, não nos deixemos iludir.

Claro, a responsabilidade precisa ser dividida entre muitas pessoas (porque vencer o Barcelona é possível, sim! – e então é preciso entender como). Mas que não percamos de vista o principal: os clubes não podem ser reféns de seus elementos constituintes (jogadores, treinadores, etc.) ou de uma falta de conhecimento ou preparo (em qualquer nível de sua organização).

Jogadores, treinadores ou empresários, por exemplo, são elementos importantes do universo fantástico e particular que é o futebol. O clube porém deve ser, e é maior do que qualquer outra coisa.

 


 

O que quero dizer com isso?

Quero dizer que antes de uma exaltação à posse de bola, ao jogo bonito e ao talento individual dos jogadores do Barcelona, deveríamos, nós, entendermos toda a mudança estrutural e filosófica que sustenta a organização de dentro e de fora do clube catalão.

Só para que se tenha uma ideia, em 2010, um de seus treinadores das categorias de base (Sergi Barjuan) disse que se um talentoso jogador, com potencial para ser tão bom quanto o Messi, não cumprir com suas obrigações escolares e com normas de conduta do clube, será convidado a sair do Barcelona.

“Confiamos no nosso trabalho de formação e sabemos bem quais valores queremos construir e transmitir”, disse ele.

Antes da Copa do Mundo de 2010, o ex-atleta Roque Jr., participava de um programa esportivo na TV, e foi, quase unanimemente, combatido, quando disse que a forma de jogar e o conhecimento sobre o jogo, de jogadores e treinadores no Brasil, estava aquém dos europeus de forma geral, e que quando os brasileiros iam jogar na Europa tomavam um banho de informação.

Disse que precisávamos aprender a desenvolver o jogador brasileiro aproveitando seu talento e capacidade de improvisar.

E de novo: isso não é só uma questão de “posse de bola”, de “jogo bonito”, de “talento individual”.

Temos que transcender meios, métodos, modelos – superar paradigmas…

Precisamos nos desprender da ideia de que nossas brasileiras verdades são as verdadeiras verdades quando o assunto é o futebol.

O Barcelona não venceu a final do Mundial de Clubes da Fifa no dia do jogo contra o Santos. Isso foi bem antes, e é bom que nossos olhos se abram para o fato…

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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Futuros campeões

Caros leitores,

nesta semana que vos escrevo, estou tendo o privilégio de participar de uma competição internacional na cidade de Belo Horizonte (na qual estou concentrado nesse momento) e gostaria de compartilhar algumas experiências com vocês.

Felizmente as questões não se esgotarão nessa coluna e nem essa é a idéia.

Esse campeonato, “Future Champions” ou “Futuros Campeões”, é vinculado à Fifa e acontece duas vezes ao ano, na África do Sul e no Brasil, países sedes da última e da próxima Copa do Mundo, respectivamente.

Nesta competição, estou tendo a oportunidade de observar culturas de jogo de diferentes partes do mundo. Vejo que cada país tem uma forma de jogar e de se comportar dentro e fora de campo.

Vi que muitos garotos, de diferentes equipes, estão em um nível elevado de preparação dentro do processo, fato que os aproxima do time principal. Pude observar também que outros atletas ainda precisam de algum tempo para se desenvolverem.

Esse desenvolvimento passa pela vivência de diferentes problemas em diferentes competições.

Como sempre afirmo, essa vivência deve fazer parte do processo e precisamos nos preparar para formar campeões dentro e fora do campo.

Para isso, precisamos preparar nossos atletas para todo o ambiente que os cerca e mostrar-lhes que todas suas ações influenciam diretamente em seu desempenho e em sua imagem.

Vejo que campeonatos de base que tenham transmissão e que propiciem um ambiente próximo ao profissional, principalmente nas categorias dita maiores, são extremamente importantes, pois assim os jogadores estarão mais preparados para jogar sob pressão, para reagir frente às câmeras, para se comunicar, mesmo que seja por gestos com jogadores de outras partes do mundo, etc.

Isso se estende aos membros da comissão técnica, que além de tudo isso podem trocar informações com profissionais do mundo todo.

É justamente sobre essas informações que vou discutir com vocês em próximas oportunidades.

Hoje a coluna é mais curta, pois temos muitas tarefas.

Até a próxima.

Para interagir com o autor: bruno@universidadedofutebol.com.br 

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O modelo brasileiro de formação, o Footecon e o que podem ser boas notícias para o nosso futebol

Caros leitores,

no último dia 6 de dezembro, tive o privilégio de, pela primeira vez, participar do Footecon. Este fórum, idealizado há oito anos e organizado pelo ex-técnico da seleção brasileira de futebol, Carlos Alberto Parreira, mais do que networking, possibilita a observação do que é tema de discussão entre os grandes nomes e clubes do futebol brasileiro.

Como havia palestras simultâneas e tinha a disponibilidade de permanecer somente por um dia, seguramente perdi discussões de alto nível, porém, das que pude participar, destaco duas que precisam ser amplamente divulgadas e que serão sintetizadas nas próximas linhas.

Precisam ser amplamente divulgadas porque todas as atitudes que favoreçam o potencial de desenvolvimento do futebol brasileiro devem ser ouvidas e analisadas pelo maior número de stakeholders possíveis para que, de acordo com as adaptações necessárias em cada realidade, sejam colocadas em prática.

A discussão sobre a importância da formação de atletas tem ganhado cada vez mais espaço nos diversos ambientes em que se discute futebol. Quando esta conversa surge nas salas universitárias, os comentários tendenciosos dizem que é um tema muito acadêmico para o mundo do futebol. Se é feita pelos dirigentes dos clubes formadores emergentes, o contraponto é feito afirmando que o custo x benefício desse investimento não é vantajoso; e, se é feito por jovens e ainda inexperientes treinadores, as opiniões os classificam como sonhadores num aparente imutável cenário brasileiro no tocante à formação.

E se num destes ambientes em que se discute futebol as pessoas que estão sentadas à mesa não são jovens, não são dirigentes de clubes emergentes, nem são acadêmicos, e sim figuras representativas no mercado, como: o treinador da seleção brasileira principal, Mano Menezes, o (ex) diretor executivo de futebol do Vasco da Gama-RJ, Rodrigo Caetano, o coordenador das categorias de base do Internacional-RS, Jorge Macedo e o gerente de futebol do Fluminense-RJ, Marcelo Teixeira. Será que o tema ganha relevância? Não tenho dúvidas!

Durante cerca de uma hora, com transmissão em canal fechado num horário não tão acessível para os profissionais do esporte, estes quatro profissionais do futebol deram uma aula (com um valor simbólico infinitamente superior àquelas minhas colunas que valorizam a formação dos atletas brasileiros) sobre quais devem ser os caminhos escolhidos pelos gestores do futebol brasileiro para que a supremacia estabelecida no passado seja mantida no futuro.

Para Mano Menezes, a infraestrutura dos grandes clubes do país é muito boa, no entanto, a filosofia vigente é extremamente prejudicial, pois valoriza o vencer em detrimento do formar.

Quando questionado sobre como modificar a filosofia, Mano disse que não é responsabilidade do treinador da equipe profissional alterá-la ou estabelecê-la. É função da empresa, que deve transmiti-la ao seu corpo técnico, da base ao profissional, mantendo somente os profissionais que se adequam, que são competentes, e não os que são “boa gente”.

O treinador da seleção disse ainda que as diferentes categorias do clube (inclusive a profissional) precisam ampliar as ligações para não criar abismos nas transições e perdas de jogadores em potencial, que gostaria de ver os jogadores brasileiros com maior identidade aos clubes formadores (e não somente ao dinheiro, pressão dos agentes e da família), que o potencial de melhora é imenso e que junto à CBF ele (que já conseguiu mudanças significativas na base canarinho em 2010) lutará por um projeto que defina diretrizes para o futebol brasileiro de formação.

Rodrigo Caetano, em suas primeiras palavras, foi enfático ao mencionar a desvalorização dos profissionais da base e a ausência de um plano de carreira para os mesmos. Outra opinião foi a de que numa equipe profissional deveria haver um número mínimo de atletas oriundo das categorias de base do clube. Corroborando com Mano, o (ex) diretor vascaíno disse que aplicar e cobrar a flosofia, são funções de quem coordena o depto. de futebol e finalizou, afirmando que um possível legado da melhoria no modelo de formação brasileiro seria uma maior permanência de grandes atletas nos clubes formadores, como Dedé e Neymar, e por consequência um maior espetáculo.

Jorge Macedo apontou que a continuidade, ou melhor, a falta dela é um grande mal no futebol brasileiro que, pela necessidade do mercado de se antecipar a formação para 17 e 18 anos e pela dificuldade dos gestores brasileiros em administrar a pressa, perde muitos jogadores que não recebem o tempo de maturação adequado para comporem o elenco profissional. Uma saída do Inter-RS para este mal foi a criação da equipe B, sub-23.

Outro ponto interessante comentado pelo profissional da equipe gaúcha foi em relação ao excessivo assédio a atletas até 16 anos de idade (que não podem ter contrato profissional), a necessidade da blindagem desses atletas, a inevitável exposição, mas o receio em perdê-los.

Já Marcelo Teixeira iniciou mencionando que no Manchester United os salários para os treinadores das categorias de base são os mesmos independentemente da categoria com a qual trabalhe. Segundo Marcelo, uma das ferramentas necessárias para a evolução da formação brasileira é a criação de uma área de inteligência e detecção do talento que, na maioria das vezes, é feita por profissionais que buscam jogadores de acordo com o seu próprio “olhar” e não a partir de procedimentos estabelecidos pelo clube no qual o scouter é contratado/presta serviços.

De acordo com dados coletados por Marcelo, os atletas que foram negociados desde a criação do centro de formação do clube em Xerém, no fim da década de 90, deram maior retorno do que o custo operacional para manutenção do CT. Finalizando suas opiniões, Marcelo criticou a mais nova profissão, conhecida como “pai de atleta”, criticou também o assédio aos jogadores não profissionais (no último sul-americano sub-15, o Fluminense teve um jogador assediado para trocar de clube por R$ 200.000,00) e a importância dos campeonatos sub-23.

No fim da mesa, Mano pediu discussões mais profundas sobre o tema. Podemos esquecer o pedido, aceitar que o futebol brasileiro é assim mesmo, lamentar a saída do Rodrigo Caetano após divergências com os dirigentes do clube carioca e arquivar este assunto. Ou então, podemos encarar o problema (e que problema!), assumirmos que estamos distantes dos modelos de formação dos clubes europeus, “mostrarmos a cara” a dirigentes avessos à mudança para que daqui alguns anos (muitos ou poucos), possamos chegar à final do Mundial de Clubes da Fifa e, com convicção, afirmarmos: somos favoritos! Só de material humano, poderíamos ter um Barça por estado brasileiro.

Semana que vem, o “jogo jogado” com a cabeça e o case Figueirense.

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br
 

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Fundo de investimento em jogador de futebol e a credibilidade dos jogos

Há cerca de quinze dias ocorreu a última rodada do Campeonato Brasileiro de futebol. Foi um domingo memorável com dez grandes jogos.

Uma dessas partidas, disputada entre Atlético e Cruzeiro, um dos maiores clássicos do país, poderia significar o rebaixamento do clube celeste.

A semana que antecedeu o duelo foi recheada de piadas, provocações e rumores de uma possível barbada em razão da estreita relação entre o Banco BMG e ambos os clubes de Minas Gerais.

Durante a partida, assistiu-se a um Atlético apático e a um passeio do arquirrival que venceu o adversário por sonoros 6 a 1 (a maior goleada do Cruzeiro e a segunda maior da história dos confrontos).

Mal o jogo terminou e as redes sociais já traziam intensas e exacerbadas discussões acerca de uma suposta manipulação de resultado.

O fato é que o BMG (Banco Minas Gerais), além de ser o acionista único de um fundo de investimentos (Soccer BR1) que tem jogadores em diversas equipes, patrocina não apenas o Galo, presidido por Guimarães entre 2001 e 2006, mas o rival Cruzeiro – e também América-MG, Flamengo, Vasco, São Paulo, Palmeiras, Santos e Coritiba, todos da divisão de elite do futebol brasileiro. Na série B, Sport Recife, Grêmio Prudente (SP), Icasa (CE) e Boa (MG), além de ASA (AL) e Duque de Caxias. Na série C, patrocina Ipatinga e mais três. Na D, nacional, um Plácido de Castro Futebol Clube (AC) e mais quatro.

Descendo a ladeira, o banco ainda ajuda a resgatar dos pequenos clubes mineiros como Fluminense de Araguari, Araxá e Uberaba, o América do Rio e outros 11 fora de séries.

Portanto, o BMG possui investimento em atletas no Atlético e no Cruzeiro e, eventual, queda de uma equipe para a Série B poderia resultar em desvalorização de jogadores, o que, somado ao fato de o clube celeste ter feito em um tempo o que não fizera em todo o campeonato, constitui razão da desconfiança.

Destarte, como, já destacado em outra oportunidade, em se tratando de esporte, não basta ser honesto, tem que parecer honesto. É justamente por isso que o art.27-A da Lei Pelé proíbe que duas ou mais entidades de prática desportiva disputem a mesma competição profissional das primeiras séries ou divisões das diversas modalidades desportivas quando uma mesma pessoa física ou jurídica, direta ou indiretamente, através de relação contratual, explore, controle ou administre direitos que integrem seus patrimônios.

A vedação acima, nos termos do §2º do mesmo artigo, aplica-se às sociedades controladoras, controladas e coligadas das mencionadas pessoas jurídicas, bem como a fundo de investimento, condomínio de investidores ou outra forma assemelhada que resulte na participação concomitante vedada neste artigo.

No caso em tela, trata-se de um investidor, Banco BMG, que controla, explora e administra direitos econômicos de atletas de Cruzeiro, Atlético e outros clubes, o que atrai a aplicabilidade da regra supramencionada atentando contra expressa disposição da Lei Pelé.

O poderio do BMG junto aos clubes de futebol brasileiros é tamanho que foi objeto de reportagem de capa da “Época Negócios” de novembro de 2011, cujo a manchete estampava a foto do presidente do Banco (Ricardo Guimarães) sob o título “O Dono do Futebol”.

Segundo a reportagem:

“Com os jogadores em que tem participações, o BMG poderia montar uma seleção brasileira . Segundo Guimarães, o fundo tem “60% de atletas reconhecíveis por alguém que entende um pouco de futebol e 40% de jovens apostas”. Até agora, o banco já negociou 13 jogadores, com retorno médio 60% superior ao valor pago na compra. Do Cruzeiro, o BMG vendeu Gil e Henrique. Do Corinthians, Dentinho e Elias. “É mais ou menos como ação em bolsa de valores”, diz Guimarães. “Se um jogador aumenta o valor e você não realiza, pode perder a oportunidade.” O bom desempenho do fundo até aqui credencia o BMG a administrar o dinheiro de novos acionistas. “Estamos sendo estimulados pelo gestor a captar recursos. Isso significa abrir o fundo à participação de investidores qualificados, o que devemos fazer no próximo ano.””

Assim, como já salientado, para o desporto, não basta ser honesto, tem que parecer honesto, tal como está inserido na essência do art. 27-A da Lei Pelé. Tal medida é indispensável para a evolução do desporto de forma técnica e também de sua credibilidade como negócio.

Por fim, urge acrescer que se excluem da vedação de que trata a Lei Pelé os contratos de administração e investimentos em estádios, ginásios e praças desportivas, de patrocínio, de licenciamento de uso de marcas e símbolos, de publicidade e de propaganda, desde que não importem na administração direta ou na co-gestão das atividades desportivas profissionais das entidades de prática desportiva, assim como os contratos individuais ou coletivos que sejam celebrados entre as detentoras de concessão, permissão ou autorização para exploração de serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens, bem como de televisão por assinatura, e entidades de prática desportiva para fins de transmissão de eventos desportivos.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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A importância dos ajustes de fuso horário em competições internacionais

Na onda do Campeonato Mundial da Fifa, o assunto desta semana são os efeitos do fuso horário já que quase todos os times (exceto o Kashiwa) tiveram que viajar por algumas horas para chegar ao Japão.

Em geral, os seres humanos possuem ritmos biológicos – também denominados de ritmos circadianos – os quais são bem característicos.

Em média, esses ciclos têm duração de aproximadamente 24 horas, porém alguns sujeitos têm variações deste ciclo de modo que alguns são mais matutinos, outros mais vespertinos e ainda outros mais noturnos.

Mudanças de fuso horário podem afetar esses ritmos e seus efeitos, também conhecidos como “Jet Lag”, podem prejudicar significativamente a performance.

Além de hormônios e temperatura, há também variação no ciclo de fome, sono e vigília e se não houver adaptação suficiente ou diminuição desses efeitos, não somente o desempenho estará comprometido, mas a saúde do atleta também.

Entre os prejuízos causados pelo “Jet Lag”, encontram-se: distúrbios no sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, depressão, noção distorcida de tempo, espaço e distância, perda do apetite e distúrbios gastrointestinais.

Para cada fuso horário viajado (Vide Figura 01), em média, um dia de adaptação se faz necessário.

Figura 01: Distribuição de fuso horário mundial

Mas existe algo que pode ser feito para amenizar o “Jet Lag”?

Em primeiro lugar se faz necessário agir preventivamente. Nessa estratégia, recomenda-se um bom planejamento que inclua o conhecimento do local para onde se viaja. i.e. cultura local, hábitos alimentares e clima, e a antecipação da administração de vacinas obrigatórias pela legislação que podem causar efeitos colaterais que podem mascarar o Jet Lag.

Também podem ser adotadas estratégias não-medicamentosas, como: reajustar o ritmo cronotrópico do atleta antes mesmo da viagem; mudar o relógio e realizar as atividades diárias no ritmo do país para onde se irá viajar; ressincronizar o sono; realizar exposição de luz (fototerapia) provocando ajuste antecipado do ritmo circadiano; ajustar a alimentação com mais carboidrato e mais proteínas para estimular ou inibir sono e despertar; calcular a data da chegada conforme o tempo de ajuste necessário.

Quanto às estratégias medicamentosas, a mais comumente utilizada é a administração de melatonina, de ramelteon (Rozerem), tasimelteon, zolpidem (Ambien), cafeína, difenidramine (Benadryl) e armodafinil (Nuvigil) com doses ajustadas conforme a necessidade.

Com essas estratégias, os altetas poderão recuperar o ritmo biológico com maior velocidade e, consequentemente, recuperar a rotina de treinos para manutenção ou melhora do desempenho.

Para saber mais:

Kolla BP, Auger RR. Jet lag and shift work sleep disorders: how to help reset the internal clock. Cleve Clin J Med. 2011 Oct;78(10):675-84.

Herman D, Macknight JM, Stromwall AE, Mistry DJ. The international athlete–advances in management of jet lag disorder and anti-doping policy. Clin Sports Med. 2011 Jul;30(3):641-59. Epub 2011 May 14.

Choy M, Salbu RL. Jet lag: current and potential therapies. P T. 2011 Apr;36(4):221-31.

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Internacionalização

A internacionalização dos clubes brasileiros é um tema recorrente nas conversas sobre marcas esportivas, palestras e congressos sobre marketing esportivo no Brasil. E a constatação é quase que uníssona: os times pouco sabem explorar seu potencial de marca além do território tupiniquim.

Exportamos jogadores e estes são conhecidos. Exportamos técnicos para mercados de pequeno e médio porte, sendo referência em alguns países. Mas os clubes ainda são pouco conhecidos lá fora.

Tudo bem que o mercado local tem ainda um elevadíssimo potencial de crescimento, onde ainda não se fatura tudo aquilo que pode, mas é fato e notório que os clubes têm muita dificuldade em jogar “fora de casa”.

Geralmente estas ações ficam restritas a participação de clubes brasileiros no Mundial de Clubes. É o caso agora do Santos, que tem feito isto muito bem, contemplando iniciativas como um site em língua japonesa, os jogadores a falar japonês em alguns vídeos postados no Youtube e até um bandeirão da equipe exposto no estádio de jogo do clube. Para ilustrar, a reportagem do Sportv apresenta bem esta relação:

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As ideias são boas, causam impacto significativo e pontual. Agora, os clubes precisam pensar em ações que transcendam um único torneio, procurando fortalecer suas marcas de maneira duradoura. Uma das estratégias pode passar pela distribuição ampla de material esportivo oficial do clube.

Outra é a participação mais ativa em torneios internacionais, fato que deve ocorrer a partir de 2013, quando se prevê a abertura de uma janela de um mês no calendário nacional para que as equipes possam excursionar.

Enfim, oportunidades não faltam para que as marcas dos clubes brasileiros passem a ser mais bem reconhecidas mundo afora, podendo estes pegar carona na “marca Brasil”, que conquistou respeito nos últimos anos…

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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Fim das concentrações: Sócrates e Guardiola x Muricy e o futebol brasileiro

Olá, amigos!

Aproveito o tema em pauta nesta semana para repercutir os comentários do treinador do Santos, Muricy Ramalho, sobre a presença das mulheres no Barcelona na concentração dos atletas.

“É bonito com os outros. Se ganha, beleza. Foi legal. Mas, se perde, nos arrebentam”, disparou.

Neste ponto, gostaria de fazer uma crítica não à figura do Muricy, mas pegando o seu comentário e trazendo para o futebol brasileiro. E nesse sentido temos que considerar técnicos, dirigentes, torcedores, atletas e imprensa, como parte da culpa de que isso não seja feito em terras tupiniquins.

Culturalmente é diferente, diriam os maiores críticos à liberação da concentração.

Parece contraditório em tão pouco tempo assistirmos e ouvirmos declarações de divergentes profissionais do meio idolatrando e reverenciando a figura de Sócrates, eterno ídolo e figura emblemática da luta pelo fim das concentrações, e agora o sintomático comentário do treinador santista sobre a cobrança diante da derrota caso isso ocorra.

O Barcelona adota tal medida em muitas ocasiões e nas últimas três temporadas ganhou quase tudo. Alguém se lembrou de cobrar a concentração quando o Barça perdeu, por exemplo, na semifinal da Liga dos Campeões da Europa para a Inter de Milão?

Ah , sim, isso é cultural.

Nos EUA, figura da competitividade, os jogadores de futebol americano ou basquete em boa parte não concentram, chegam algumas horas antes do jogo no vestiário e pronto.

Ah, mas aqui não funciona. Isso é cultural.

Daí pergunto, o que que é cultural?

O atleta precisa compartilhar um ou dois dias com todos os companheiros para se concentrar, se isolar da vida social e familiar por isso?

Ah, mas culturalmente se não fizer isso o cara vai para a farra e desanda.

Aí, sim, concordo que seja um problema cultural. Mas não o da concentração em si, e sim dos profissionais que cercam o esporte e não têm competência, hombridade, coerência e pulso firme para se fazer cumprir contratos.

O jogador deve ser cobrado pelo seu rendimento em campo. Se rendeu, ótimo, se não rendeu, apura-se, cobra-se, puna-se. Mas aí que está o problema: a impunidade no Brasil é algo cultural.

Cansamos de ver dirigente passar a mão na cabeça do atleta; cansamos de ver dirigente dando inúmeras chances de redenção. Será que se perde mais ou menos dinheiro por dispensar um jogador que não consegue ter auto-controle do que ficar tentando torná-lo uma pessoa melhor?

No mundo empresarial, no qual o futebol moderno tanto se espelha, não vimos um funcionário se concentrar para tomar uma decisão importante. E se ele cai na noite e não apresenta resultados, não precisamos ir muito longe para saber o que acontece.

Na empresa, as pessoas almoçam com quem têm afinidade. Por que o atleta tem de dormir e conviver com todos independentemente da afinidade ou não?

É cultural, sim, mas que não deixemos passar a memória do Doutor Sócrates e sua luta. A concentração pode ser aplicada no Brasil, mas aí não pode ser desculpa para vitória ou derrota. Para isso é necessário ter parâmetros e instrumentos para avaliar o desempenho do atleta. É preciso ter coerência, pulso firme, comprometimento, cobrança..

Mas isso é cultural…

Sendo assim não fazemos nada para mudar?

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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O esquema tático: a linha ofensiva

Após abordar a estruturação da linha defensiva e da linha média nas colunas “O esquema tático: estruturando a linha defensiva” e “O esquema tático: o losango da linha média” respectivamente, vou abordar nesta semanae a linha ofensiva. Com isso chegaremos ao fim da discussão sobre a estruturação do esquema tático de uma equipe hipotética, certo?

Errado, pois a discussão que iniciamos é apenas uma parte fractal de uma infinidade de conceitos. A ideia com cada uma dessas colunas, que inclusive já alertei, foi ilustrar como o esquema tático pode ser pensado e como podemos operacionalizar seu desenvolvimento na prática.

Além do mais, abordei esquemas particulares a partir de modelos hipotéticos; em outros momentos posso abordar novamente esses assuntos sobre uma nova perspectiva a fim de fomentar outro tipo de discussão.

Pois bem, vamos então para a linha ofensiva!

Há algum tempo ouvi um atacante de “ofício” falar sobre sua adaptação no futebol europeu. Logo do início de sua fala o atleta afirmou que o atacante lá fora tem que marcar e marcar muito, pois o mesmo era a primeira linha de marcação de sua equipe. O atleta completou dizendo que diferentemente do Brasil, onde o atacante só joga com bola, na Europa os atacantes têm seu papel definido nos diferentes momentos do jogo.

Essa discussão parece trivial, mas quero debater com vocês muito mais que marcar ou não marcar, pois a fala do atleta carrega muito mais que isso e nos leva a pensar de como nossa cultura nos faz tomar determinadas decisões e molda nossa percepção de mundo!

Voltemos nossa visão para a linha ofensiva…

No momento que tive contato com a entrevista acima, já estudava complexidade, caos, sistemas, etc., e para mim era claro que todos os jogadores têm suas funções que se integram e formam o todo complexo. Se uma das partes, que no caso são os atacantes, não tem uma função definida nos diferentes momentos do jogo, o todo pode não atingir seu nível máximo potencial circunstancial e com isso posso acumular insucessos ao longo de todo o processo.

O primeiro passo, então, é definir as referências organizacionais que nortearão as ações da linha ofensiva nos diferentes momentos do jogo.

Como de praxe, vou ilustrar como isso pode ser feito através de um Modelo de Jogo hipotético.

No Modelo de Jogo de uma equipe hipotética, o treinador definiu que a equipe estruturaria sua linha ofensiva com dois jogadores. Na organização defensiva, tais atletas deveriam se posicionar em zona direcionando o portador da bola para as laterais do campo, onde o jogador do lado da bola deveria se preocupar prioritariamente com o passe na paralela e o atacante oposto deveria fechar as linhas de passe para a região central em progressão do campo.
 


 

Na transição ofensiva, os jogadores dessa linha participam do balanço dispostos em linha o mais aberto possível a fim de dificultar o balanço defensivo da equipe adversária. Imediatamente após a recuperação da posse de bola, ambos devem buscar dar profundidade à equipe criando linhas de passe em progressão de preferência nas costas de seus marcadores.


 

No momento ofensivo, os atletas dessa linha devem buscar criar espaços na linha defensiva a fim de facilitar a chegada ao gol adversário. Para isso, o jogador da linha da bola deve dar amplitude para a equipe, enquanto o jogador oposto à região da bola deve dar profundidade na região central, integrando-se a essa linha o meia oposto à região da bola é que dá amplitude à equipe pelo outro lado.


 

Na transição defensiva, os jogadores dessa linha devem atacar o portador da mesma imediatamente após a sua perda a fim de recuperá-la o mais rápido possível; se isso não ocorrer, os mesmos devem pelo menos temporizar a jogada.


 

Assim, definimos a forma como a linha ofensiva irá se comportar nos diferentes momentos do jogo.

Abaixo, elenco três atividades para o desenvolvimento desses conteúdos de meio Modelo de Jogo. Cada atividade busca desenvolver o comportamento específico dos atacantes nos quatro momentos do jogo concomitantemente. Claro que a ênfase existe e precisa ser observada também.

Atividade 1

Descrição
– Atividade de 2 X 2, onde o objetivo das equipes é fazer o gol nos golzinhos. Ambas as equipes deve proteger os gols na linha de fundo do campo e o golzinho na vertical no meio. Com isso, os jogadores sem bola devem fechar o meio e a paralela a fim de impedir a pontuação adversária.

Regras e Pontuação
– Marca 1 ponto quando equipe fizer o gol nos golzinhos na linha de fundo.
– Marca 1 ponto se a equipe conseguir passar com a bola dominada por entre o golzinho do meio ou fizer um passe certo por dentro do mesmo.


 

Atividade 2

Descrição
– Atividade de 6 X 5 + Goleiro, onde o objetivo da equipe composta por seis jogadores sem bola é pressionar a equipe adversária tentando recuperar a bola nas laterais do campo e protegendo os golzinhos; com bola, o objetivo é fazer o gol.

A equipe composta por cinco jogadores, quando está sem bola, deve recuperar a posse de bola evitando a finalização adversária, e com bola deve manter a posse de preferência fazendo passes por entre os golzinhos adversários.

Regras e Pontuação

Equipe Azul
– 1 ponto quando recuperar a bola nas laterais do campo.
– 3 pontos quando fizer o gol.

Equipe Amarela
– 1 ponto quando fizer o gol nos golzinhos.
– 2 pontos se trocar 10 passes


 

Atividade 3

Descrição
– Atividade de 11 X 11, quando a bola sair do jogo, em lateral, o goleiro da equipe que ficará com a posse de bola realizará a reposição, os mesmos devem buscar os atacantes do balanço ofensivo. Sem bola, os jogadores devem proteger os golzinhos também.

Regras e Pontuação
– 1 ponto quando a equipe fizer um passe certo ou conduzir a bola por entre os golzinhos, tanto na vertical como na horizontal.
– 3 pontos se equipe fizer o gol.
– 5 pontos se equipe fizer o gol através da reposição de bola do goleiro.


 

Gostaria de deixar um desafio: peço que observem cada um das atividades das três colunas que compõem o esquema tático, analisem e vejam o que pode ser mudado e quais atividades podem vir antes ou depois de cada uma delas. Peço também que tente olhar para cada uma delas de
uma maneira diferente, onde a lógica é o pano de fundo.

Até a próxima!

Para interagir com o autor: bruno@universidadedofutebol.com.br