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Aqui quem manda, sou eu!

Era pra eu ficar surpreso. Mas eu não fiquei surpreso.
Estava lá. Pra quem quisesse ver. E, enquanto estiver, eu sempre vou mencionar.
Arrisco começar todas as colunas iguais até o fim do Campeonato Brasileiro de 2009.
Novamente do lado esquerdo.
Dessa vez um pouco mais próxima da linha de fundo.
Trip Side, estampava a faixa.
Dessa vez com dois símbolos da LDU, um de cada lado.
E tinha outra, menor, na linha de fundo. Estão se multiplicando.
É o imperialismo brasileiro na confecção surfista.
E indica, claramente, uma coisa: ninguém da Globo e tampouco da TyC lê esta coluna.
Coisa que do contrário, convenhamos, eu de fato ficaria surpreso.

Assim como você pode ficar surpreso com decisões de árbitros de juízes.

Confesso que evito falar de arbitragem.
Primeiro, porque não entendo “lhufas” do assunto. Segundo, porque também não entendo o motivo pelo que leva alguém a ser árbitro. Tamanha incompreensibilidade, portanto, me desqualifica para comentar qualquer coisa sobre o tema.

Também não falo sobre o STJD.
Primeiro, porque acho chato. Segundo, porque tem gente muito mais sabida no assunto pra falar sobre ele, vide dois colunistas da Universidade do Futebol, os sábios André Megale e Rodrigo Barp.

Mas uma coisa eu sei, tanto sobre árbitros quanto sobre o STJD: os dois são acessórios. Quando o futebol foi criado, eles não existiam. Como o próprio nome já diz, ambos só existem para arbitrar. Ou seja, para resolver conflitos quando eles aparecem. De tal forma, que só existem por conta da fragilidade humana derivada, ou do fato de não perceber o próprio erro, ou então de errar de propósito para obter vantagem. Não são a essência do jogo, muito pelo contrário.

Entretanto, porém, todavia, está lá. No finzinho da página 20 do livro ‘Cartão Vermelho’, que é uma espécie de autobiografia do Edilson Pereira de Carvalho, focada no background do mundo da arbitragem e das apostas ilegais. Diz Edilson a um jogador: “Aqui quem manda, sou eu!”. E, imagino, é assim que os árbitros e o STJD se sentem. Mas a verdade é que não, não mandam. E essa é a perigosa inversão que causa uma boa parte dos problemas.

Não sou muito chegado em biografias. Li quatro até hoje: a do Edilson, a do Roy Keane, a do Slash e a da Luiza Ambiel.

São todas surpreendentes.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Warren Buffett e o futebol – parte final

Conhecidos os mandamentos positivos e negativos do ícone que nos brinda com os títulos das colunas das últimas semanas, somados às diferenças entre a escola fundamentalista, de Buffett, e a escola técnica, chega-se a hora da tomada de decisão no que tange as estratégias operacionais de investimento.

Tendo como premissa que os riscos são inerentes aos investimentos, cabe ao investidor administrá-los, não simplesmente fugir deles.

O conhecimento das regras, processos e procedimentos do mercado onde se quer investir (ações ou futebol) é que funcionará como divisor entre o bom e o mau investidor na diversificação dos riscos, bem como boas práticas que se recomendam subjetivamente.

O primeiro passo é exercitar o autocontrole emocional. Não estamos, naturalmente, preparados para lidar com fortes emoções quando devemos tomar decisões, eminentemente, racionais. Deixar misturar dinheiro com o fígado poderá fazê-lo perder ambos.

Disciplina, convicção e estratégia são necessárias.

A convicção diz respeito à blindagem que se deve ter diante da enxurrada de informações, opiniões e análises, pretensamente de experts nos assuntos, sobre o que irá acontecer (na bolsa ou no futebol) amanhã. “Achismos” e opiniões descompromissadas não dão dinheiro a ninguém.

Uma boa estratégia de investimentos necessita eliminar a percepção do dia-a-dia, comprar e vender pelos motivos certos, captar tendências e monitorar preços.

Cotidianamente, as pessoas acham, adivinham o futuro, têm sentimentos, seguem amigos, dicas e previsões…

Deve-se comprar e vender pelos motivos certos. Pessoas perdem dinheiro em investimentos porque falta disciplina, falta paciência, não administram medo x ganância, agem por feeling e por impulso.

O bom investidor também sabe captar tendências. Fazendo a leitura apropriada dos mercados, percebe-se que o princípio da inércia ocorre neles também. Se um ativo está num movimento contínuo de alta ou baixa, provavelmente, irá continuar até que reverta o processo. A sabedoria está em encontrar o ponto de reversão.

Finalmente, saber monitorar preços. Preços sobem porque a força de compra é maior que a de venda. Preços caem porque a força de venda é maior que a de compra.

A rentabilidade de uma carteira de investimentos é determinada pela habilidade em comprar e vender, por antecipar os movimentos do mercado e pela seleção de ativos com maior potencial de apreciação.

Na tomada de decisão em investimentos, cabe ao investidor planejar e saber de quanto dispõe, o nível de assunção de riscos e escolher a estratégia de maneira convicta.

Não se trata apenas de exigir do investidor que saiba, ele mesmo, absolutamente tudo. Mas, como lembra o ditado, se você não sabe fazer sozinho, deve pagar para que alguém o faça por você.

No futebol ou na bolsa de valores. Em ambos, existe a chamada curva de aprendizado, e ela resulta do embate entre tempo, conhecimento e dinheiro investidos.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Doping e hipocrisia

Estava às voltas com o escrever minha crônica para esta coluna, diante das várias possibilidades que os debates dos últimos tempos me propiciavam…

De início pensava em falar da questão da religiosidade ou fé de nossos atletas, tema empolgante por tão presente no meio futebolístico… Se por um lado não parece ser fácil a missão de Deus em levar todos à vitória, por outro parece confortável ser responsabilizado por todas as vitórias e nunca pelas derrotas… Manuel Sergio, mestre amigo e amigo mestre, colega de coluna desta Universidade do futebol, é que deve ter razão ao dizer ser agnóstico devoto, ou seja, em suas palavras, “Não sei se Deus existe, mas vivo como se existisse”…

A Copa de 2014 também fez com que me coçasse, seduzido pela quantidade de portas que via abertas à minha frente para abordá-la… Bem… Mais dia, menos dia, ela será alvo de minhas reflexões…

Tudo isso sem falar das Eliminatórias para o Mundial (vocês percebem que nem há necessidade de dizermos que é de futebol, pois não passa pela nossa cabeça outra hipótese!…). Que sufoco da nação argentina, né! Também me lembrei do segundo lugar de nossa seleção sub-17 e da reta final do Campeonato Brasileiro (hepta competição empolgante!)…

Mas, diante disso tudo, fui envolvido pelas notícias da volta do Dodô aos gramados e dos episódios de doping no atletismo e na ginástica, envolvendo nada mais nada menos do que a nossa Daine dos Santos…

Lendo as matérias jornalísticas e ouvindo os comentários sobre o assunto nos programas de TV não pude deixar de ficar revoltado… Com a hipocrisia reinante em nossa sociedade!

Hipocrisia, sim! Pois não somos nós que exigimos a vitória a qualquer custo, atribuindo ironicamente a frase o importante é competir aos perdedores?

A coisa funciona mais ou menos assim: você é atleta e sabe que fama, sucesso e dinheiro vêm com resultados esportivos! Não com qualquer resultado, mas sim somente com a vitória. E você faz tudo o que está ao seu alcance para obtê-la. Submete seu corpo a um árduo treinamento físico, horas e horas a fio, abrindo mão, em plena juventude, de descobrir as loucuras da paixão, do amor, da vida… Sua cabeça não pode estar naquela menina/mulher ou menino/homem que faz seu coração como que pular pela boca, e sim na competição que se avizinha. Focado, dizem… Você tem que estar focado!

Com os treinos vêm os resultados e deles, seu salário. Salário, sim, pois você tem com o esporte uma relação de trabalho. É… Você é um trabalhador da bola, das pistas, das barras assimétricas e coisas e tais…

Mas eis que os resultados começam a ficar cada vez mais difíceis de serem obtidos e por mais que aumente a carga de treinamento, seu corpo já não responde a ele como antes… Mas você aprendeu que seu patrocinador só lhe patrocina porque você vende com suas vitórias o que ele deseja vender…

Seu salário está intimamente vinculado a elas… As entrevistas e notícias de jornal estão diretamente ligadas ao seu sucesso…

Então você diz: tudo isso precisa continuar a existir, custe o que custar… Pronto! Está feito! Daí pro doping é um pulinho…

Muitos sabem, mas fingem não ver o que está acontecendo com você. Afinal, você continua vencendo e dando o retorno que eles desejam… Aos produtores do produto que anuncia, aos dirigentes e torcedores do clube onde se encontra vinculado, ao país que une ufanisticamente sua bandeira às suas vitórias…

Bem… Aí, um exame surpresa acusa aquilo que todos teimavam em não querer ver e… O mundo lhe cai sobre a cabeça! As mesmas pessoas que o glorificavam, agora lhe apontam o dedo acusando-o do crime mais vil: o uso do doping? Não! Ter se deixado pegar em flagrante, dando visibilidade a uma realidade que desejam mascarar, isso sim…

Qual realidade? A única, insofismável: o doping não é manifestação patológica do esporte de alto rendimento, e sim parte constitutiva de sua lógica.

É isso. Simplesmente isso… O esporte é uma prática social, portanto produto do trabalho humano, que traz em sua materialização as intencionalidades definidoras de nossas ações, as quais se dão em um determinado contexto e momento histórico. Neste ordenamento societário pautado pela exploração do Homem pelo Homem, somente a hipocrisia explica o ar de espanto e surpresa de muitos desavergonhados.

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br

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A cadeira do presidente

Diz a história que, certa vez, o presidente Juscelino Kubitschek, cansado das críticas insistentes de um jornalista, convidou-o a passar um dia como presidente da República. Golpe de mestre de JK, a história que passou é que, a partir dali, o antes ferrenho opositor se tornou um grande defensor da maneira como o presidente governava.

Durante anos, Luiz Gonzaga Belluzzo foi opositor de Mustafá Contursi no Palmeiras. Talvez, até, o melhor opositor da história palestrina. Belluzzo já reclamava de Mustafá mesmo nos tempos das vacas gordas da Parmalat, quando o resultado dentro de campo apagava muitas coisas ruins que aconteciam e que a série B foi mostrar que existiam.

Pois bem. Foram quase 10 anos entre o golpe que fez de Mustafá presidente mumificado no posto dentro do Palmeiras e finalmente a chegada de Belluzzo à tão sonhada cadeira de presidente.

Carismático dentro e fora do Palestra Itália, Belluzzo representava uma “novidade” no futebol, de tanta má fama criada pelos cartolas que governam pelo poder, e não para o clube.

Mas o final deste primeiro ano de mandato de Belluzzo deixa aquele gosto amargo na boca de quem sonhava com renovação. Sim, sem dúvida foram feitas diversas mudanças dentro do Palestra Itália desde a chegada do novo comandante. O time passou a sonhar e disputar títulos, voltou a ter ambição de ser grande, pensou em se modernizar com o projeto da nova arena, tenta implementar uma política de corte de custos para equacionar as finanças, etc.

Só que Belluzzo deu a cara a tapa, literalmente. E foi no dia em que saiu da condição de presidente do clube para ser um torcedor comum, um apaixonado irracional com a dor e a frustração de uma derrota.

Os xingamentos de Belluzzo a Carlos Eugênio Simon seriam até aceitável se fosse um comentário de um apaixonado, como quando o hoje governador José Serra disse, lá em 1998, que o Palmeiras só seria grande se tivesse um técnico que pensasse grande. Coisa de torcedor apaixonado. No ano seguinte, Serra vibrou com o título da Copa Libertadores ganho pelo Palmeiras de Felipão, o técnico que pensava “pequeno”.

Só que Belluzzo não está nas tribunas como um mero torcedor. Ele é o comandante do barco, o responsável por passar ao clube (funcionários e associados) e à torcida a serenidade e, principalmente, a confiança de um chefe.

Por mais que seja bem intencionado, Belluzzo não pode achar que ainda está na cadeira do torcedor. Seu lugar é mais em cima, é na presidência. A irracionalidade do torcedor deve ser esquecida, sob qualquer pretexto, qualquer hipótese.

O stress que o cargo de presidente de clube traz a um torcedor apaixonado que lá chegou é imenso. Andres Sanchez e Marcio Braga que o digam. Ambos tiveram de ficar um tempo afastado do cargo por problemas de saúde. Só que os dois tiveram outro mérito que está presente no cartola tradicional. Saber zelar pela instituição que dirige.

O maior mérito de Belluzzo é ser um presidente de clube com um projeto de governo, e não de poder. A ele, não interessa continuar sentado na cadeira o maior tempo possível, a qualquer custo, mesmo que seu time de coração vá para a segunda divisão.

Só que, enquanto estiver na cadeira, Belluzzo e qualquer outro presidente de clube têm de pensar na instituição que representa, ser coerente com as dificuldades inerentes ao cargo, saber respeitar o erro dos outros e lamentar a derrota.

Porque é, no mínimo, incoerente um presidente dizer que daria uma bofetada na cara de um sujeito num dia e, nem duas semanas depois, demitir dois de seus funcionários que fizeram exatamente o que ele tinha dito que faria.

Cadeira de presidente, de fato, não é fácil…

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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A lógica do jogo e o desejo dos treinadores: 25 passes, 55 segundos e gol da Argentina

Não gosto de entrar em polêmicas. Não gosto tão pouco de ficar “em cima do muro”, prefiro me posicionar. O problema, é que quando “tomamos uma posição”, ela, muitas vezes, acaba gerando polêmicas, que são proporcionais a sua repercussão.

Quero que fique claro, não tenho intenção de “polemizar”, mas estou certo que o que se segue pode despertar muitas controvérsias.

Na Copa do Mundo de 2006, um dos gols da seleção da Argentina, em um jogo da fase de grupos contra a Sérvia e Montenegro, foi, e ainda tem sido amplamente utilizado para exemplificar um tipo de futebol tido como belo, ideal, que encanta e resolve.

Trata-se de uma jogada em que a equipe argentina recuperou a posse de bola em seu campo de defesa, trocou 25 passes em 55 segundos (ou seja, um número de passes considerável) e conseguiu fazer um gol.

Este é o vídeo com a jogada em questão:


São inúmeros os comentários, que tratam toda a sequência de lances desse gol, como um exemplo a ser seguido. Tenho inclusive encontrado opiniões em diversos e recentes fóruns de discussão, que enaltecem o jogo de posse de bola (comentando esse gol), tratando-o (o jogo de posse de bola) como sinônimo de “jogo de controle”.

Não tenho nada contra o jogo de posse de bola, especialmente se a preocupação de uma equipe ou treinador não for a de cumprir a lógica do jogo e vencê-lo. Posso até, tomar partido a seu favor, ao tratá-lo como opção defensiva – “defender com bola”.

Mas se entendermos que, no jogo de futebol, o comportamento de jogadores e de equipes deve ser regido pela busca ao gol, de maneira que ela (a equipe) consiga fazê-los em maior número que o adversário – e não pelo “anti-lógico”, “fazer gols e não sofrê-los” – perceberemos algo que é óbvio, e que por ser óbvio, parece não ser enxergado: “só se arrisca a fazer gols quem se livra da bola – finalizar ao alvo é perder a posse dela”.

É possível e provável, que em média quanto mais chances de gol e finalização uma equipe tiver em um jogo, mais chances terá também de fazer mais gols e de vencer a partida. Alguns dirão, “é, mas em alguns jogos, algumas equipes se cansam de tanto arrematar a gol, e aí, o adversário em um contra-ataque, em uma única chance acerta o alvo e vence a partida”. É claro, esses são os desvios que extrapolam as curvas de normalidade; não podemos nos esquecer, o futebol é complexo!

Então, se criar mais chances de finalização, pode ser um bom caminho para se conseguir mais gols, mais vezes uma equipe deverá “se livrar da bola” no jogo (no bom sentido, claro!). E quanto mais vezes, quiser fazer (fazer o gol, finalizar, se livrar da bola!), mais rapidamente terá que conseguir fazer.
Refletindo, então, sobre a lógica do jogo, uma equipe deve “se livrar” da bola (no bom sentido!) o mais rápido possível, e alcançando ou não seu objetivo (fazer o gol), deve tentar recuperá-la de maneira, também mais rápida possível – sem deixar, claro, que a equipe adversária se “livre da bola” (no bom sentido!).

Também achei toda a jogada da seleção da Argentina muito bonita, e mais ainda, eficaz; afinal ela conseguiu fazer o gol. Mas há uma diferença muito grande entre tê-la (a jogada) como modelo a ser seguido (como fim), e compreender que até mesmo em uma sequência ofensiva com 25 passes, em 55 segundos, o problema circunstancial daquele momento do jogo foi resolvido “o mais rápido possível”.

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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Coisas

Quando começou o jogo entre Grêmio e Palmeiras, na última quarta-feira, estava lá a faixa da Trip Side. Próxima ao meio-campo, um pouco para esquerda da perspectiva televisiva e à direita de uma faixa do AC/DC. Será que o AC/DC também patrocina torcidas? Por que quase toda torcida tem uma faixa do AC/DC? A pergunta, naturalmente, é retórica. O que importa é que, no segundo tempo, a faixa não estava mais lá.

Outra faixa que chamou atenção foi, no último domingo, durante o jogo entre Náutico e Flamengo. Ela estava posicionada mais ou menos no mesmo lugar que a faixa da Trip Side no jogo do Grêmio e Palmeiras, ou seja, perto do meio e um pouco para esquerda pela perspectiva televisiva. Na faixa estava escrito: ‘A vergonha do Nordeste’, e havia uma seta apontava para a torcida do Flamengo. Eu, particularmente, não acho que a torcida do Flamengo seja a vergonha do Nordeste. Acredito que o Sarney, o Collor, o Calheiros e a Sudene são bem piores. Mas, enfim, estava lá a faixa. Houve um esquema parecido realizado pelo Goiás, se não me engano. É um movimento interessante, porque denota um fortalecimento do mercado local de futebol, menos massificado. E quanto menos massificado for, maior a importância que o futebol terá. E quanto mais importante for o futebol, melhor fica a indústria.

Falando em vergonha, não como não comentar sobre a classificação da França para a Copa do Mundo de 2010. Foi uma vergonha. Mas, vendo bem o lance, é compreensível. A jogada foi rápida e escondida, no meio de um monte de jogadores posicionados na frente do árbitro e do lado oposto ao bandeira. Se fizesse um tira-teima, acho que daria para perdoar o juiz. Curiosamente, há pouco tempo, a Uefa lançou um filme chamado ‘Les Arbitres’. É um documentário que mostra um pouco o futebol pela perspectiva dos árbitros, durante a última Eurocopa, no caso pela perspectiva de gente como Howard Webb, Roberto Rosetti e Massimo Busacca. O filme, que foi muito bem recebido pela crítica, documenta a preparação para o jogo, os rituais, a chegada ao estádio, a família, etc. Se você for ao Youtube e digitar o nome do filme, encontra-se o trailer. Parece realmente bacana. Em determinado momento, o árbitro da partida entre a Grécia e a Suécia, acho que Busacca, diz para um jogador, acredito que o Basinas, volante da Grécia, que ele, Busacca, não é Deus e também está suscetível a erros.

De fato. No futebol, o único deus é Angus Young.

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Warren Buffett e o futebol – parte 2

Na coluna desta semana, retomaremos o contraponto entre o mercado de ações e os investimentos em projetos esportivos e direitos econômicos sobre jogadores, abordando as regras negativas do gênio dos investimentos, Warren Buffett:

1. Não coloque seus ovos em muitas cestas. Diversificar é coisa de quem ignora as regras e movimentos do mercado. Não é investindo em várias ações de diferentes empresas que se alcançará o retorno esperado. Poucas, mas boas ações é o recomendado.

2. Não mude de aplicações com frequência. Um bom negócio é aquele que brilha aos olhos. Não adianta investir achando que o retorno virá no seu tempo esperado. Ele pode vir depois, bem depois. E nem por isso, o mercado de ações deixará de ser atraente. Saiba onde está se metendo, para não haver frustrações infundadas.

3. Não evite manter seu dinheiro parado. É melhor deixar de ganhar do que perder. Ansiedade é inimiga do bom investidor em ações.

4. Não confie em análises de fora. Construa sua metodologia de avaliação de riscos e crie sua própria convicção na hora de investir. E o que mais tem por aí é comentarista de boteco, sem o mínimo de responsabilidade sobre o que diz ou escreve. Assim fica fácil, pois nunca o bolso deles é o afetado…

5. Não aja somente com a intuição. Embora pareça um caos desordenado, existe racionalidade e estabilidade no mercado de ações.

6. Não siga a multidão. A ação mais comprada não necessariamente é a melhor ou a mais rentável. Provavelmente, será a mais cara, pela lei da oferta e demanda.

7. Mantenha seus princípios de investimento. Ou não entre no jogo.

Expostos os dois lados do cérebro por trás do mito do mercado de capitais, chega-se à definição de Buffett sobre o que significa investir em ações:

“Comprar, por um preço racional, a participação em um negócio facilmente compreensível, cujos rendimentos, com virtual certeza, sejam elevados em 5, 10 ou 20 anos”.

Finalmente, se fosse possível resumir a estratégia praticada e defendida por Buffett, o investidor necessita dominar dois critérios para tomada de decisão:

1. Saber como avaliar uma empresa como destino de investimentos;

2. Saber se os preços estão altos ou baixos.

Buffett faz parte da escola fundamentalista de análise de investimentos. Esta escola norteia os investidores que buscam ganhos no longo prazo. Suas inquietações dizem respeito ao que se compra e ao que se vende.

De outro lado, a escola técnica, analisa o pregão diário, com os sinais que o próprio mercado emite entre a abertura e o fechamento. Movimentos de compra e venda. Aqui, o desafio é quando comprar e quando vender.

Sobretudo, quando se fala em ações, fala-se em gestão de risco.

Risco é a parcela inesperada do retorno de um investimento. Se você recebe sempre aquilo que esperava de uma aplicação financeira, está agindo livre de risco.

Análise de risco para tomada de decisão é o ponto nevrálgico na definição de sua estratégia de investimentos.

Risco sistemático e risco não-sistemático. Risco que pode ser diversificado e a parte que não pode.

Seja em ações, seja em direitos econômicos sobre jogadores de futebol, deve-se administrar os riscos.

O primeiro passo é enunciar sua existência e conhecê-los.

(Continua na próxima coluna)

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Até tu, basquete…disse o futebol?

Olá, pessoal!

Abro o espaço para fazermos uma comparação entre o que vem sendo desenvolvido no basquetebol brasileiro e o que ocorre no futebol.

Permito-me falar sobre outra modalidade justamente para mostrar que, quando existe vontade política, a gestão pode funcionar. O Novo Basquete Brasil (NBB), organizado pela Liga Nacional de Basquete (LNB), tem muito do modelo de gestão que observamos na NBA (Liga Americana de Basquete). A ideia de franquias, por exemplo, é uma das suas características.

Mas o ponto que gostaria de explorar vai além disso. Trata-se da preocupação da Liga que organiza uma série de elementos em prol de uma competição equilibrada e de um espetáculo lucrativo.

Não dá para compararmos a saúde financeira do futebol com a do basquete brasileiro. Seria como comparar a saúde do futebol brasileiro com o dinheiro da NBA.

Sobre o Campeonato Brasileiro da Série A: “Segundo levantamento da Folha de S. Paulo publicado nesta quarta-feira, o torneio arrecadará mais de R$ 600 milhões nesta temporada, mais do que o dobro das receitas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com bilheteria, TV e placas de publicidade”.*

Isso é pouco se comparado aos valores pagos por apenas uma franquia da NBA: cerca de R$ 400 milhões. Mas muito se confrontado aos modestos R$ 200 mil que a LNB projeta, mas ainda não definiu como valor para novas equipes no basquete brasileiro.

A parte financeira e cultural é um fator que pode causar dificuldades na compreensão dos avanços a que se chega quando fazemos tais comparações. O foco deve ser no que é oferecido de retorno ao clube.

E no melhor estilo NBA, o basquete no Brasil segue a tendência de fortalecimento da marca da Liga como forma de alavancar investimentos. Isso se torna evidente quando são promovidas clínicas para os técnicos, para os árbitros e, até mesmo, para quem faz scout.

Difícil de visualizar isso no futebol? De visualizar, não, mas, talvez, de concretizar. Contudo, o que será que isso agrega de valor? A resposta é tão óbvia quanto a pergunta: se a Liga investe em árbitros e em técnicos, a tendência é ter profissionais mais qualificados, decisões de arbitragem mais justas, técnicos mais preparados, ações e informações precisas em torno do produto principal: o espetáculo de basquete.

Eis um papel de uma Liga que não precisa enriquecer por enriquecer e, sim, dar possibilidades e suporte aos seus integrantes por meio da manutenção de um nome que atende a um espetáculo que, quanto mais sério e capacitado, melhor será; consequentemente será mais atrativo para os patrocinadores.

Os clubes na LNB têm participação nos lucros da entidade - a Liga ainda forneceu, nesta temporada, aros, redes e notebooks para a realização de scouts. A Liga conseguiu perceber (olhou com olhos de gestora) que, entrando como fornecedora de scout para todos os clubes, conseguiria baratear o que cada clube teria de gastar caso fossem investir separadamente nessa tecnologia.

É uma lógica simples até certo ponto de vista, mas que, há tempos, o futebol não consegue em sua maioria adaptar, ora julgando alguns de seus defensores como idealistas e acadêmicos demais, ora classificando os administradores que trazem novas ideias por meio da famosa tirada: “Jogou onde esse indivíduo de terno e gravata?”.

Esquecendo-se muitas vezes que esses acadêmicos podem fazer as equipes atingirem níveis técnicos mais apurados e garantirem seus empregos e salários elevados por mais tempo se tiverem um espetáculo lucrativo.

Vale a pena refletir…

*http://maquinadoesporte.uol.com.br/v2/noticias.asp?id=14652

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Ficar berrando na beira do gramado: pré-requisito para ser treinador?

Assistindo a um jogo da Copa do Mundo 2009 de futebol sub-17, entre as seleções da Nigéria e da Espanha, pela internet, me chamou a atenção um diálogo entre o narrador e o comentarista da partida, que de certa forma não entendiam como o treinador de uma das equipes (o da Nigéria) podia permanecer sentado durante todo o jogo sem passar instruções ao seu time.

O narrador questionava a real “utilidade” de se ter um treinador sentado o tempo todo no banco de reservas. O comentarista completava dizendo que para essa faixa etária (jogadores sub-17), já se podia considerar futebol de “alto nível competitivo”, e que portanto o treinador devia, mas não precisava, ficar o tempo todo na beira do gramado passando as suas instruções – e “emendou” que a ação do treinador no campo falando aos jogadores era dependente da idade e experiência dos jogadores: quanto mais jovens e inexperientes, mais “ação” do treinador na beira do campo (e ainda completou: “claro, mas sem “xingar”).

Existem tantas coisas nas entrelinhas das colocações do narrador e do comentarista que poderíamos ficar muito tempo debatendo o assunto. Porém, para ser breve, focarei a questão em alguns pontos que considero mais importantes.

O jogador de futebol vive em sua profissão, o mesmo que muitos trabalhadores em seus empregos, diariamente. Um engenheiro, quanto mais pratica seus conhecimentos e se mantém atualizado a novas descobertas, mais se qualifica como engenheiro. Quanto mais um médico, especialista em determinada “modalidade” cirúrgica, realiza cirurgias, melhor e mais qualificado se torna como cirurgião.

Isso vale para qualquer prática profissional. Quanto mais fazemos determinada coisa, quanto mais nos deparamos com novos problemas nesse fazer, mais vamos aprendendo sobre aquilo que fazemos, e mais preparados vamos ficando para fazer mais e melhor.

Então, em tese, jogadores profissionais devem fazer melhor aquilo que fazem, do que jogadores sub-20, e esses melhor do que os sub-17, que fazem melhor do que os sub-15, e assim sucessivamente.

A prática de jogar leva os jogadores a um jogar melhor, constantemente (ou assim deveria ser!).

Nessa perspectiva, a figura do treinador desempenha papel de grande importância, na medida em que ele (o treinador) é o agente facilitador e potencializador do conhecimento e aprendizagem dos jogadores. Em outras palavras, o treinador é aquele que, com seu trabalho, leva jogadores e equipes ao melhor entendimento do jogo e à melhor maneira de resolver os problemas presentes nele.

Isso vale do professor da escolinha de futebol da periferia, da cidadezinha do interior, ao treinador de uma equipe profissional que disputa a final de uma Champions League. A diferença está nos conteúdos que serão desenvolvidos para a construção do melhor entendimento do jogo (de acordo com a zona de desenvolvimento que cada um se encontra).

O fato é que, independentemente do nível de conhecimento para jogar (conhecimento complexo: “físico, tático, técnico, psicológico”), treinadores/professores deveriam ensinar seus jogadores/alunos para a autonomia. Isso quer dizer em outras palavras que o jogador deve aprender e ser preparado para agir/decidir sozinho, da melhor maneira possível, para ele individualmente e para o grupo (a equipe) ao mesmo tempo.

Educar para a autonomia é o oposto distante do que muitos treinadores fazem – e acabam sendo desmascarados no principal sintoma da sua atuação: os berros na beira do gramado tentando corrigir posicionamento ou “forçando” que uma ação qualquer de seus jogadores aconteça.

Conheço muitas escolinhas de futebol na região onde moro. O que vejo com frequência avassaladora é que treinadores se comportam mais como “adestradores” do que professores. E o que é pior, reproduzem aquilo que veem na TV: treinadores berrando e xingando na beira do gramado.

Mas como se espelhar em um exemplo que está errado? Como se espelhar em treinadores que reproduziram, e continuam reproduzindo, o que outros faziam com eles quando jogavam?

Conheço bons profissionais no futebol. Nas escolhinhas e no alto nível. Muitos deles têm que encenar na beira do campo, fazendo gestos e até berrando para manter seus empregos e não serem chamados de “passivos” e sem “fibra” pela imprensa (ou pelos pais, de “sem comando” ou “desmotivados”).

Voltando ao início do texto, o treinador da Nigéria ficou quase que o tempo todo no seu canto. Certo (talvez!?) que sua equipe sabia exatamente o que fazer, que ele poderia confiar na decisão dos seus jogadores. Como sua equipe venceu, os comentários não ganharam força.

Como não têm as informações que deviam ter, narrador e comentarista aprenderam menos do deviam ter aprendido, e um dia certamente farão de outro treinador uma vítima. Basta que ele perca o jogo!

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Estabilidade contratual – Conferência Internacional da EPFL

Caros amigos da Universidade do Futebol,

A estabilidade contratual (contractual stability) é um dos pilares do Regulamento de Transferências de Jogadores da Fifa, e um dos mais importantes princípios do futebol moderno.

De acordo com referido Regulamento, clubes e jogadores devem respeitar os contratos firmados, evitando rescisões sem justa causa e transferências no decorrer das temporadas.

Tudo isso em prol de um futebol mais consistente e de uma segurança jurídica maior para empregados e empregador.

A EPFL, Organização das Ligas Profissionais de Futebol da Europa, promoveu uma conferência internacional, em Florença, na mesma ocasião da realização de sua assembléia geral.

O tema principal da conferência, que reuniu grandes juristas de direito desportivo internacional, foi o princípio da estabilidade contratual. As ligas, apesar de apoiarem a Fifa na proteção e manutenção de tal princípio, levantaram uma série de pontos (chamado grey areas) do Regulamento que devem ser aperfeiçoados.

Na Europa, a União Européia promove o Diálogo Social, uma espécie de plataforma estabelecida pelas autoridades públicas para trazer empregados e empregadores na mesma mesa e dirimirem, de forma preventiva, questões do seu dia-a-dia. Já existe o diálogo social no futebol profissional. As ligas entendem que essa plataforma poderá auxiliar, de forma única, o desenvolvimento de ferramentas para promover a estabilidade contratual e outras questões laborais que possam aparecer.

Não há dúvidas que devemos nos espelhar nesses exemplos e também promover melhores relações laborais no Brasil.

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br