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A tecnologia na arbitragem do futebol

Caros amigos da Universidade do Futebol,

A Fifa realizou a última reunião de seu Comitê Executivo, na Cidade do Cabo, onde debateu alguns temas bastante interessantes e importantes no contexto do atual modelo do futebol.

Foram discutidas alterações nos jogos eliminatórios das Copas do Mundo e, também, a grande polêmica envolvendo as apostas no futebol (assunto esse objeto de várias de nossas colunas).

Um tema importante, que permeia uma série de assuntos abordados na reunião da Exco da Fifa, é a questão da introdução de tecnologia na arbitragem do futebol. Esse assunto tem impacto na questão do gol ilegal da França contra a Irlanda e, também, na possível introdução de outros dois juízes, atrás dos gols, nas partidas.

Em outros esportes, com sucesso, pudemos observar a adoção de tecnologias, tais como o já famoso ¨olho de falcão¨ introduzido pela ATP nas partidas de tênis. No hockey, há tempos há o uso da televisão para auxiliar a arbitragem das partidas.

A Fifa já se pronunciou a respeito, por meio de seu vice-presidente e ex-jogador Franz Beckenbauer, dizendo que a introdução da tecnologia “diluiria a emoção do jogo” (may dilute the emotion of the game).

Eu particularmente concordo com o Kaiser Beckenbauer. Podemos notar nas diversas transmissões dos jogos na televisão, que muitos dos comentarias, inclusive ex-árbitros, têm opiniões diferentes, mesmo após o exame do replay. Entendo que muitos dos lances polêmicos são subjetivos e poderiam causar uma enorme confusão e atraso nas partidas se fossem dirimidos pelo uso da tecnologia.

Creio também que haveria a possibilidade de analisarmos lances mais objetivos por meio de equipamentos tecnológicos, tais como os casos de dúvida se a bola entrou ou não no gol. No entanto, penso que o elemento da participação exclusiva de seres humanos no momento da decisão da jogada (árbitros e bandeirinhas), contribui bastante para a existência da emoção no futebol, que fez deste esporte o mais popular no mundo.

De qualquer forma, ao menos na legislação brasileira, teríamos a possibilidade de anular uma partida por erro de direito do árbitro (o que seria o caso se, por exemplo, o juiz tivesse visto a mão na bola do Henri, porém achasse que o jogador poderia colocar a mão na bola propositalmente, sendo que isso não configuraria nenhuma irregularidade. Isso seria um erro de direito).

Em suma, acredito até que a Fifa pode propor a inclusão de um maior número de árbitros (apesar de defender que isso implicaria em um acréscimo de custos, que a maioria dos jogos de futebol não poderia suportar). Mas, não entendo como necessário e nem conveniente a inclusão de tecnologia para interferir na arbitragem do futebol.

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Apontou, guardou

Ninguém tem falado muita coisa sobre a Copa do Mundo de 2014.
Quer dizer. Falar, falam. Mas nada de útil. Nem de novo.
E existem temas que precisam ser falados.
Discutidos.
Debatidos.
Mas que estão sendo ignorados.
Violência, hooliganismo, terrorismo. Essas coisas.
Só se fala de estádio e infraestrutura urbana, o que, convenhamos, é o básico.
Mas, é preciso falar sobre outros assuntos.
Um, em particular, causa calafrios as nossas pueris almas conservadoras.
E será, possivelmente, um dos maiores problemas sociais que a Copa do Mundo irá trazer.
O ônus do bônus.
O opa da Copa.
O turismo sexual.
Alguém tem que falar.
O Brasil é mundialmente reconhecido como um dos grandes pólos de turismo sexual do mundo, junto com o leste asiático.
Que é fomentado por homens, residentes em países mais desenvolvidos, solteiros e de meia idade, que podem ir a esses países e fingir que são ricos.
E, como são ricos, atraem determinado tipo de mulher, ou não, e com elas estabelecem relações comerciais. Esse é o perfil.
E, adivinha qual é o provável perfil da maioria dos torcedores que virão para a Copa do Mundo no Brasil?
Igual ao citado acima. Mas, que gostam de futebol.
Que vêm para beber. Para festejar. Para dizer, no final, que aquilo que acontece no Brasil só pode ficar no Brasil.
O Robin Williams não é solteiro, acho. Mas deu uma indicação clara do que representa o Brasil aos olhos estrangeiros. Festa. Drogas. Sexo. Diversão. Brigas. E, no caso da Copa, futebol. E mais brigas. E mais tudo. Inclusive sexo.
Copa do Mundo não é diversão pra família. Muito menos por aqui.
Seja pelo fato da imagem de violência e confusão do país, somada à Copa do Mundo, fazer com que pai, mãe, filho, filha e avó prefiram destinos mais seguros e organizados, ou seja, apenas pelo fato de que a maioria das famílias não vão querer trocar o raro verão do hemisfério norte pelo verão frio e chuvoso de algumas cidades do sul do país.
Sobra pra quem está disposto a passar por isso: homens, solteiros, de meia idade, com certa grana no bolso, que querem ver futebol, brigar, beber, festar e fazer sexo. Não necessariamente nessa ordem.
Isso, claro, tem impacto econômico.
Você pode, por exemplo, investir em ações da indústria contraceptiva.
Porque, solteiros, possivelmente, preferem continuar solteiros nove meses depois da Copa. E sem filho pra criar.
Mas, em caso de falhas, você pode montar um escritório que trabalhe com a justiça da família internacional.
Nichos de mercado.
Que, se as autoridades continuarem nessa lengalenga atual, serão os mais lucrativos.
Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Presente de Natal no maior do mundo

Sou apenas mais um a tentar descrever o que se passa na cabeça de alguém, cujo futebol está no sangue desde pequeno, quando se entra no Maracanã.

Nelson Rodrigues e um sem número de cronistas esportivos, ao longo dos quase 60 anos do mítico estádio, o fizeram muito melhor, com a perfeita combinação entre futebol, prosa e poesia.

Parte do sonho de criança, em se tornar jogador de futebol, passa pela imaginação de atuar nos mais importantes palcos desse esporte, em todo o mundo: Wembley, Camp Nou, Santiago Bernabéu, San Siro, La Bombonera, Monumental de Nuñez, Azteca, Morumbi, Mineirão e Maracanã.

Maracanã, o maior do mundo. Atualmente, não é o maior em número de espectadores. Mas continua sendo o maior no imaginário coletivo do futebol mundial, especialmente, pelo posto ocupado pelo Brasil como maior vencedor desse esporte em Copas, além dos grandes craques aqui revelados que fizeram o país ocupar o primeiro lugar no panteão.

Pude experimentar de perto, bem de perto, a energia que circula por todo o estádio, nos corredores, nos túneis, nos vestiários, no gramado, nas arquibancadas, no salão nobre, durante a última segunda-feira.

Foi na 3ª edição do Torneio Gol de Letra, realizado pela fundação de mesmo nome, presidida pelos ex-jogadores Raí e Leonardo.

Empresas inscrevem suas equipes de colaboradores para participarem, e o valor das inscrições é revertido para os trabalhos desenvolvidos pela entidade. Na primeira fase, os jogos foram disputados no Centro de Futebol Zico (CFZ).

As partidas finais, das equipes fair play e das vencedoras do fim de semana, são disputadas em pleno Maracanã. E, após esses jogos, a disputa do jogo dos ídolos, com os capitães Raí e Bebeto de cada lado.

Tudo impressiona no estádio. A chegada ao imponente palco, a calçada da fama, com os pés dos grandes craques do passado e do presente emoldurados no chão.

É um crescente em emoção, contagiante. Os pensamentos que nos tomam ao perambular por ali remetem às grandes histórias vividas por heróis, vilões e ilustres desconhecidos como eu ao longo da sua existência. Energia pura.

Participei como convidado, no time do capitão Bebeto. Joguei ao lado de Mauro Galvão, Ailton, Julio Cesar Uri Geller, Romário, Macula. E contra Sávio, Raí, Beto, Djalminha, Nélio, Maurício.

Ganhamos de 5 a 2. Tive a dura missão de tentar marcar o meio-campo acima. Mas o que ganhei foi muito maior e mais importante do que o resultado.

Ganhei, de presente, o sonho de menino, embalado no maior do mundo, com muitas surpresas dentro dele.

O “Maraca” foi meu por algumas horas intensas. Será até o fim da vida.

Entretanto, tenho certeza que, assim como tantos outros que ali pisaram no gramado para jogar dividiram com sua família e com os amigos este fantástico presente.

Faço o mesmo com os meus. Em especial, com meu pai, Oscar, que soube transmitir para mim a paixão pelo futebol e tudo aquilo que ela suscita, particularmente, o lado bom, que ficou impregnado em meu caráter.

Isso não tem preço, mesmo.

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Memória: conhecimento e experiência

Há muito escutamos e participamos do aparentemente interminável debate do que vale mais: se a experiência do saber fazer ou se o conhecimento de como fazer. A superficialidade de grande parte das pessoas do meio futebolístico faz com que as opiniões flutuem de acordo com a maré, ora como uma onda mais forte para um lado, ora como ondas no sentido oposto.

Discutimos sobre tecnologia, gestão, treinamento, práticas, formação, enfim, uma série de temas, os quais, quase sempre, retornam ao assunto da experiência de campo, seja como mocinha ou vilã.

“O cara foi jogador, por isso, conhece os atalhos e a linguagem do boleiro”, ou pela outra onda, “o cara foi apenas jogador, não estudou, e não tem profundidade naquilo que faz”, não há planejamento ou sobra malicia prática, eis o contexto.

Para refletirmos sobre a temática, permito abster-me de opinar, para refletir, junto com os amigos, sobre as palavras de Voltaire, num breve conto intitulado “A Aventura da Memória”.

Voltaire faz uma reflexão acerca de teorias que criticam ou defendem a ideia de que nossos conhecimentos decorrem da experiência, da memória. Com a palavra o filósofo:

“O gênero humano pensante […] acreditara por muito tempo […] que nós não tínhamos ideias senão por intermédio dos sentidos, e que a memória era o único instrumento com o qual podíamos reunir duas ideias e duas palavras. […]

Este dogma, no qual se fundam todos os nossos conhecimentos, foi universalmente aceito, e até mesmo a Nonsobre o adotou, embora se tratasse de uma verdade.

Algum tempo depois surgiu um argumentador[…], o qual se pôs a argumentar contra os cinco sentidos e contra a memória. E disse ao reduzido grupo do gênero humano pensante:

- Até agora estivestes enganados, porque os vossos sentidos são inúteis, porque as ideias são inatas em vós, antes de que qualquer dos vossos sentidos possa ter operado; porque já tínheis todas as noções necessárias quando viestes ao mundo; porque já sabíeis tudo sem nunca haver sentido nada; todas as vossas ideias, nascidas convosco, se achavam presentes em vossa inteligência, chamada alma, e sem auxílio da memória. Esta memória não serve para coisa alguma. 

A Nonsobre condenou tal proposição, não porque fosse ridícula, mas porque era nova. No entanto, quando, em seguida, um inglês começou a provar, e a provar longamente, que não havia ideias inatas, que nada era tão necessário como os cinco sentidos, que a memória muito servia para reter as coisas recebidas pelos cinco sentidos, a Nonsobre condenou suas próprias ideias, visto que eram, agora, as mesmas de um inglês. Ordenou por conseguinte ao gênero humano que acreditasse dali por diante nas ideias inatas, e perdesse toda e qualquer crença nos cinco sentidos e na memória.

O gênero humano, em vez de obedecer, pôs-se a rir da Nonsobre, a qual entrou em tamanha fúria, que quis mandar queimar um filósofo. Pois dissera esse filósofo que era impossível formar ideia completa de um queijo sem o ter visto e comido; e chegou o celerado a afirmar que os homens e mulheres jamais poderiam fazer trabalhos de tapeçaria se não tivessem agulhas e dedos para as enfiar.

Os liolistas juntaram-se à Nonsobre pela primeira vez na vida; e os sejanistas, inimigos mortais dos liolistas, reuniram-se por um momento a estes. Chamaram em seu auxílio os antigos dicastéricos; e todos eles, antes de morrer, baniram unanimemente a memória e os cinco sentidos, e mais o autor que dissera bem dessa meia dúzia de coisas.

Um cavalo que estava presente ao julgamento estatuído por aqueles senhores, embora não pertencesse a mesma espécie e houvesse muita coisa que os diferenciava, tal como a estatura, a voz, as crinas e as orelhas, esse cavalo, dizia eu, que tanto possuía senso como sentidos, contou a história a Pégaso, na minha estrebaria, e Pégaso, com a sua ordinária vivacidade, foi repeti-la às Musas.

As Musas […] amavam ternamente a Memória, ou Mnemósine. […]. Irritou-as a ingratidão dos homens. Não satirizaram os antigos dicastéricos, os liolistas, os sejanistas e a Nonsobre, porque as sátiras não corrigem ninguém, irritam os tolos e os tornam ainda piores. Elas imaginaram um meio de esclarecê-los, punindo-os. Os homens haviam blasfemado contra a memória; as Musas lhes tiraram esse dom dos deuses, a fim de que aprendessem de uma vez por todas, a que se fica reduzido sem o seu auxílio.

Aconteceu, pois que, durante uma bela noite, todos os cérebros se obscureceram, de modo que no dia seguinte, de manhã, todos se acordaram sem a mínima lembrança do passado.[…]

Alguns senhores, encontrando um chapéu, serviram-se dele para certas necessidades que nem a memória, nem o bom senso justificavam. E senhoras empregaram para o mesmo uso as bacias de rosto. Os criados, esquecidos do contrato que haviam feito com os patrões, entraram no quarto dos mesmos, sem saber onde se achavam; mas, como o homem nasceu curioso, abriram todas as gavetas; e, como o homem ama naturalmente o brilho da prata e do ouro, sem ter para isso necessidade de memória, apanharam tudo o que estava a seu alcance. Os patrões quiseram bradar contra ladrão; mas, tendo-lhes saído do cérebro a ideia de ladrão, não pôde a palavra lhes chegar à língua. […]

Ao cabo de alguns dias, as Musas tiveram piedade dessa pobre raça. […] “Perdôo-vos, imbecis; mas lembrai-vos de que sem sentido não há memória e sem memória não há senso”.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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O novo profissional de comunicação

Na era em que a tecnologia se tornou ainda mais eficiente, em que celulares adquirem a função de câmeras, câmeras assumem as vezes de telefones, e máquinas fotográficas viram filmadoras, o esporte se encontra de pernas para o ar.

O atleta, o treinador e o dirigente esportivo têm, cada vez menos, condições de terem uma vida social “relaxada”. Por serem figuras públicas, têm cada vez menos o direito de escorregar e cometer algum ato falho.

No passado, escândalos envolvendo atletas e dirigentes esportivos só eram notícia quando o caso parava na delegacia. Hoje, com celulares equipados com câmeras e, principalmente, com o consumidor no papel de reprodutor da informação, a situação é totalmente diferente.

Michael Phelps é flagrado fumando maconha numa festa. Quantos atletas não viveram tal situação? A diferença é que Phelps foi flagrado por uma câmera de um telefone celular, e depois foi parar na rede… Belluzzo foi cantar “vamos matar os bambis” na festa da torcida do Palmeiras. Quantos dirigentes não cometeram absurdos iguais ou até maiores ao longo da carreira?

As mídias sociais alçaram o torcedor no papel do dono da mídia. Não é mais só o que o jornal, a TV, a rádio, a revista ou o grande portal decidem que será notícia. E isso tem causado uma revolução na forma de se comunicar.

Com o consumidor no papel de dono da mídia, o esporte e as figuras públicas têm de abrir os olhos. A vida social tem de se tornar muito menos interessante. Do contrário, as mídias sociais serão as novas “culpadas” pelos atos falhos que todos estão sujeitos a cometer, mas que as figuras públicas não podem se dar ao luxo de ter.

O vídeo de Belluzzo dizendo para “matar os bambis”, que ganhou o noticiário da semana, é o exemplo mais bem acabado de como deve se comportar, e se preocupar com a informação, a figura pública deste século 21.

E azar de quem trabalha com a comunicação. Qualquer assessor de imprensa terá de ser agora, antes de tudo, um grande estrategista. Ele tem de se colocar à frente das mídias sociais. A mídia tradicional ainda dependerá dos seus serviços, mas provavelmente será ela a responsável pelas menores dores de cabeça para o gerenciamento de crise.

O novo profissional da comunicação precisa saber como funciona essa tal de mídia social. Se não souber, estará fadado a ser um mero – e ineficaz – produtor de releases.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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Pepe Guardiola vs José Mourinho: o que tem o treinador espanhol, que falta ao português

O FC Barcelona e a Internazionale de Milão se enfrentaram no dia 24 de novembro na Espanha, pela Uefa Champions League 2009/2010.

A equipe espanhola venceu a partida por 2 a 0.

Não bastasse o fato de serem duas das melhores equipes da Europa, o jogo chamou a atenção, também, pelo confronto entre dois treinadores de grande (e rápido) sucesso.

De um lado Pepe Guardiola, atual campeão da competição, com sensacional desempenho na última temporada. Do outro, José Mourinho, com grandes feitos e marcas de grande expressão (como, por exemplo, estar a mais de 100 jogos sem perder em competições nacionais, jogando “em casa” com suas equipes), buscando reafirmar a condição de grande treinador mesmo em competições internacionais.
 


No duelo entre os times comandados pelos dois, melhor para o espanhol: Barça 2-0 Inter

As estatísticas do jogo refletiram tanto o comportamento das duas equipes quanto o resultado final da partida, que foi de vitória para o FC Barcelona.

Pois é, mas talvez uma das coisas que mais chamaram a atenção daqueles que acompanham o trabalho dos dois treinadores – mais até do que o próprio jogo -, tenha sido o que disse o jogador Ibrahimovic, que até pouco tempo atrás era jogador da Inter de Milão (portanto, treinado por Mourinho), e agora está na equipe espanhola (treinando com Guardiola).

O jogador sueco fez uma breve comparação entre os dois treinadores. O noticiário do site português O JOGO publicou suas declarações. Abaixo segue o texto (sem adaptações idiomáticas) publicado no site (disponível em: www.ojogo.pt):

“(…) O avançado sueco Zlatan Ibrahimovic define Guardiola e José Mourinho como treinadores “com enorme atitude” e “ambiciosos”, mas considera o técnico do FC Barcelona mais activo.

“A grande diferença é que Guardiola é mais activo e com isso quero dizer que quando ele explica algo nos treinos também demonstra fisicamente o que pretende”, referiu Ibrahimovic em entrevista ao site da FIFA.

O internacional sueco considera ambos treinadores de topo, uns “vencedores”, mas explica que a razão pela qual Josep Guardiola é mais activo tem a ver com o facto de ter sido também um futebolista de topo.

“O Mourinho nunca jogou ao mais alto nível, mas ambos têm uma grande atitude e um enorme desejo de sucesso. Os dois têm a capacidade de explicar claramente o que querem e serem muito directos com os jogadores. São dois vencedores”, disse.

A um nível mais pessoal, o avançado sueco referiu que tanto o técnico do FC Barcelona, como Mourinho (no Inter Milão) conseguem ter boas relações com os jogadores e que no seu caso isso sempre aconteceu com ambos.

“Não posso falar pelos outros, mas sempre me dei muito bem com Mourinho. Tal como me dou agora com Pep (Guardiola)”, acrescentou Ibrahimovic.(…)”.

Como podemos observar, sem muitas delongas, Ibrahimovic considera que os dois treinadores em questão têm características de vencedores, mas destaca que em sua opinião Guardiola é mais ativo, porque faz demonstrações “físicas” daquilo que quer. Atribui essa diferença ao fato de José Mourinho não ter sido grande jogador, como foi Guardiola.

Segundo o site da CNN International, em uma lista que classificou os treinadores de futebol na temporada 2008/2009, a partir do seu aproveitamento (lista em que figura o treinador brasileiro Mano Menezes), Pepe Guardiola foi o melhor de todos (com 87,6% de aproveitamento, e três títulos – dois nacionais e um internacional).

Mourinho ficou em terceiro, bem distante em aproveitamento, do treinador espanhol (67,9% de aproveitamento e dois títulos – ambos nacionais).

O fato é que os números em longo prazo do treinador português realmente são impressionantes (dado o número de jogos) e ainda precisam ser batidos – também por Guardiola, que tem uma curta carreira.

 

 

Não estou aqui a escrever para tomar partido deste ou daquele treinador. Gosto do trabalho (ou melhor, da expressão do trabalho) dos dois, assim como gosto de outros tantos (aos quais incluo os brasileiros Luis Felipe Scolari, Mano Menezes, Zagallo, Vanderlei Luxemburgo, Carlos Alberto Parreira, Vagner Mancini). Porém, quero salientar que talvez a principal qualidade destacada por Ibrahimovic sobre Guardiola, comparando-o a Mourinho, seja na verdade um dos seus pontos fracos.

Mostrar “fisicamente” aquilo que se deseja, aquilo que se espera que os jogadores façam no jogo, pode ser um tiro saindo pela culatra. Quando um treinador entra em campo para ser “jogador do treino que ele preparou para os seus jogadores treinarem”, algo precisa ser revisto. Treinador não entra em campo na hora do jogo!

Isso quer dizer, em outras palavras, que ter que entrar em campo (no treino) para “fazer” pode ser resultado de uma incapacidade de elaborar estratégias de treinamento que didaticamente levem os jogadores a fazerem bem o que precisa ser feito por eles próprios!

Na hora do jogo, quem toma as decisões e resolve os problemas de imediato são os jogadores. Se forem “adestrados”, terão dificuldades em saber o que fazer. Se tiverem o treinador, no treino, fazendo por eles, podem estar “pulando” alguma etapa importante do processo de treinamento, e por isso apresentar dificuldades de expressar em campo o “jogar” individual e coletivo “desejado” – e isso quer dizer, em outras palavras, que a construção da compreensão sobre o jogo, pelos jogadores, pode ficar comprometida e, portanto, dificultar a solução de problemas circunstanciais que no jogo apareçam (em resumo, também terão dificuldades em saber o que fazer).

O modelo de treino no FC Barcelona está muito evoluído. O modelo de jogo, comparado aos seus adversários, também – e isso contribui para que treinadores com o perfil “Barcelona” administrem uma “máquina de jogar futebol”, que está sempre funcionando muito bem.

Isso pode mascarar erros da ação do treinador, mas certamente não por tanto tempo.

Então, que venha o tempo para nos dizer quem – se Mourinho, Pepe Guardiola, ou algum outro que ainda não se sabe quem é – é o melhor…

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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As apostas ilegais na Europa

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Como nós sabemos, e já foi bastante discutido neste espaço, na Europa as apostas desportivas não estão sujeitas ao monopólio do Estado (como acontece no Brasil). Lá, as casas de apostas são consideradas pela União Européia uma forma de negócio como outra qualquer, que pode ser explorado por investidores particulares, sob a supervisão legal do Estado.

No Brasil, as apostas são monopólio do Estado. Uma casa particular não pode, por exemplo, criar uma segunda loteria esportiva ou outra forma de jogos de apostas.

Por um lado, esse sistema europeu pode ser considerado bastante democrático, liberal, e incentivador do princípio da livre iniciativa. Por outro, entretanto, dá margem para grandes manobras ilegais, que podem colocar em risco toda a credibilidade do futebol profissional e a viabilidade econômica do jogo como negócio.

As apostas desportivas se baseiam nos jogos e em seus elementos (gols, vitórias, artilheiros, etc). E essa, digamos, “matéria prima” das apostas está sujeita (principalmente no futebol) a vários juízos subjetivos dos árbitros, jogadores, treinadores, etc.

Com isso, torna-se fácil, ou ao menos plenamente possível, que uma grande organização consiga manipular as pessoas que participam desse juízo subjetivo, para fins ilícitos, principalmente para fraudar resultados e favorecer determinados apostadores.

Desta forma, apesar de historicamente as apostas estarem muito ligadas ao jogo (muito em razão do fanatismo dos ingleses por apostas, mesmo povo que presenteou o mundo com a atual versão do jogo do futebol no início do século passado), o convívio de apostas com o futebol tem se tornado bastante problemático.

Mesmo no Brasil, com o monopólio, tivemos a máfia do apito. Em Portugal, mesmo problema (máfia do Apito Dourado). E agora, temos um grande escândalo na Europa. Possivelmente diversos clubes envolvidos, vários jogos sob suspeita, inclusive da Liga dos Campeões.

O atual caso começou com uma investigação por parte das autoridades públicas na Alemanha, e hoje já conta com uma investigação privada por parte da Uefa. A confederação continental da Europa já divulgou uma lista com cinco clubes que poderiam estar envolvidos em jogos suspeitos, e a coisa pode ir muito mais longe.

Como já dissemos anteriormente, a aposta ilegal é um dos grandes problemas do futebol moderno, pois, ao contrário de muitas outras interferências ilícitas, esta pode levar jogadores e times a perderem propositadamente seus jogos, indo de encontro ao princípio básico do esporte, qual seja o de jogar para vencer.

Imaginem o torcedor, a mídia e os investidores assistindo jogos que poderiam estar sendo disputados com a suspeita de armação. O afastamento seria inevitável. Esse cenário poderia destruir o universo do futebol profissional, construído por tantas gerações, clubes e dirigentes.

Não podemos deixar que isso aconteça, em hipótese alguma. Resta saber se, para isso, teremos que proibir definitivamente as apostas no futebol – ou melhor, regulá-las e fiscalizá-las…

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br  

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Aqui quem manda, sou eu!

Era pra eu ficar surpreso. Mas eu não fiquei surpreso.
Estava lá. Pra quem quisesse ver. E, enquanto estiver, eu sempre vou mencionar.
Arrisco começar todas as colunas iguais até o fim do Campeonato Brasileiro de 2009.
Novamente do lado esquerdo.
Dessa vez um pouco mais próxima da linha de fundo.
Trip Side, estampava a faixa.
Dessa vez com dois símbolos da LDU, um de cada lado.
E tinha outra, menor, na linha de fundo. Estão se multiplicando.
É o imperialismo brasileiro na confecção surfista.
E indica, claramente, uma coisa: ninguém da Globo e tampouco da TyC lê esta coluna.
Coisa que do contrário, convenhamos, eu de fato ficaria surpreso.

Assim como você pode ficar surpreso com decisões de árbitros de juízes.

Confesso que evito falar de arbitragem.
Primeiro, porque não entendo “lhufas” do assunto. Segundo, porque também não entendo o motivo pelo que leva alguém a ser árbitro. Tamanha incompreensibilidade, portanto, me desqualifica para comentar qualquer coisa sobre o tema.

Também não falo sobre o STJD.
Primeiro, porque acho chato. Segundo, porque tem gente muito mais sabida no assunto pra falar sobre ele, vide dois colunistas da Universidade do Futebol, os sábios André Megale e Rodrigo Barp.

Mas uma coisa eu sei, tanto sobre árbitros quanto sobre o STJD: os dois são acessórios. Quando o futebol foi criado, eles não existiam. Como o próprio nome já diz, ambos só existem para arbitrar. Ou seja, para resolver conflitos quando eles aparecem. De tal forma, que só existem por conta da fragilidade humana derivada, ou do fato de não perceber o próprio erro, ou então de errar de propósito para obter vantagem. Não são a essência do jogo, muito pelo contrário.

Entretanto, porém, todavia, está lá. No finzinho da página 20 do livro ‘Cartão Vermelho’, que é uma espécie de autobiografia do Edilson Pereira de Carvalho, focada no background do mundo da arbitragem e das apostas ilegais. Diz Edilson a um jogador: “Aqui quem manda, sou eu!”. E, imagino, é assim que os árbitros e o STJD se sentem. Mas a verdade é que não, não mandam. E essa é a perigosa inversão que causa uma boa parte dos problemas.

Não sou muito chegado em biografias. Li quatro até hoje: a do Edilson, a do Roy Keane, a do Slash e a da Luiza Ambiel.

São todas surpreendentes.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Warren Buffett e o futebol – parte final

Conhecidos os mandamentos positivos e negativos do ícone que nos brinda com os títulos das colunas das últimas semanas, somados às diferenças entre a escola fundamentalista, de Buffett, e a escola técnica, chega-se a hora da tomada de decisão no que tange as estratégias operacionais de investimento.

Tendo como premissa que os riscos são inerentes aos investimentos, cabe ao investidor administrá-los, não simplesmente fugir deles.

O conhecimento das regras, processos e procedimentos do mercado onde se quer investir (ações ou futebol) é que funcionará como divisor entre o bom e o mau investidor na diversificação dos riscos, bem como boas práticas que se recomendam subjetivamente.

O primeiro passo é exercitar o autocontrole emocional. Não estamos, naturalmente, preparados para lidar com fortes emoções quando devemos tomar decisões, eminentemente, racionais. Deixar misturar dinheiro com o fígado poderá fazê-lo perder ambos.

Disciplina, convicção e estratégia são necessárias.

A convicção diz respeito à blindagem que se deve ter diante da enxurrada de informações, opiniões e análises, pretensamente de experts nos assuntos, sobre o que irá acontecer (na bolsa ou no futebol) amanhã. “Achismos” e opiniões descompromissadas não dão dinheiro a ninguém.

Uma boa estratégia de investimentos necessita eliminar a percepção do dia-a-dia, comprar e vender pelos motivos certos, captar tendências e monitorar preços.

Cotidianamente, as pessoas acham, adivinham o futuro, têm sentimentos, seguem amigos, dicas e previsões…

Deve-se comprar e vender pelos motivos certos. Pessoas perdem dinheiro em investimentos porque falta disciplina, falta paciência, não administram medo x ganância, agem por feeling e por impulso.

O bom investidor também sabe captar tendências. Fazendo a leitura apropriada dos mercados, percebe-se que o princípio da inércia ocorre neles também. Se um ativo está num movimento contínuo de alta ou baixa, provavelmente, irá continuar até que reverta o processo. A sabedoria está em encontrar o ponto de reversão.

Finalmente, saber monitorar preços. Preços sobem porque a força de compra é maior que a de venda. Preços caem porque a força de venda é maior que a de compra.

A rentabilidade de uma carteira de investimentos é determinada pela habilidade em comprar e vender, por antecipar os movimentos do mercado e pela seleção de ativos com maior potencial de apreciação.

Na tomada de decisão em investimentos, cabe ao investidor planejar e saber de quanto dispõe, o nível de assunção de riscos e escolher a estratégia de maneira convicta.

Não se trata apenas de exigir do investidor que saiba, ele mesmo, absolutamente tudo. Mas, como lembra o ditado, se você não sabe fazer sozinho, deve pagar para que alguém o faça por você.

No futebol ou na bolsa de valores. Em ambos, existe a chamada curva de aprendizado, e ela resulta do embate entre tempo, conhecimento e dinheiro investidos.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Doping e hipocrisia

Estava às voltas com o escrever minha crônica para esta coluna, diante das várias possibilidades que os debates dos últimos tempos me propiciavam…

De início pensava em falar da questão da religiosidade ou fé de nossos atletas, tema empolgante por tão presente no meio futebolístico… Se por um lado não parece ser fácil a missão de Deus em levar todos à vitória, por outro parece confortável ser responsabilizado por todas as vitórias e nunca pelas derrotas… Manuel Sergio, mestre amigo e amigo mestre, colega de coluna desta Universidade do futebol, é que deve ter razão ao dizer ser agnóstico devoto, ou seja, em suas palavras, “Não sei se Deus existe, mas vivo como se existisse”…

A Copa de 2014 também fez com que me coçasse, seduzido pela quantidade de portas que via abertas à minha frente para abordá-la… Bem… Mais dia, menos dia, ela será alvo de minhas reflexões…

Tudo isso sem falar das Eliminatórias para o Mundial (vocês percebem que nem há necessidade de dizermos que é de futebol, pois não passa pela nossa cabeça outra hipótese!…). Que sufoco da nação argentina, né! Também me lembrei do segundo lugar de nossa seleção sub-17 e da reta final do Campeonato Brasileiro (hepta competição empolgante!)…

Mas, diante disso tudo, fui envolvido pelas notícias da volta do Dodô aos gramados e dos episódios de doping no atletismo e na ginástica, envolvendo nada mais nada menos do que a nossa Daine dos Santos…

Lendo as matérias jornalísticas e ouvindo os comentários sobre o assunto nos programas de TV não pude deixar de ficar revoltado… Com a hipocrisia reinante em nossa sociedade!

Hipocrisia, sim! Pois não somos nós que exigimos a vitória a qualquer custo, atribuindo ironicamente a frase o importante é competir aos perdedores?

A coisa funciona mais ou menos assim: você é atleta e sabe que fama, sucesso e dinheiro vêm com resultados esportivos! Não com qualquer resultado, mas sim somente com a vitória. E você faz tudo o que está ao seu alcance para obtê-la. Submete seu corpo a um árduo treinamento físico, horas e horas a fio, abrindo mão, em plena juventude, de descobrir as loucuras da paixão, do amor, da vida… Sua cabeça não pode estar naquela menina/mulher ou menino/homem que faz seu coração como que pular pela boca, e sim na competição que se avizinha. Focado, dizem… Você tem que estar focado!

Com os treinos vêm os resultados e deles, seu salário. Salário, sim, pois você tem com o esporte uma relação de trabalho. É… Você é um trabalhador da bola, das pistas, das barras assimétricas e coisas e tais…

Mas eis que os resultados começam a ficar cada vez mais difíceis de serem obtidos e por mais que aumente a carga de treinamento, seu corpo já não responde a ele como antes… Mas você aprendeu que seu patrocinador só lhe patrocina porque você vende com suas vitórias o que ele deseja vender…

Seu salário está intimamente vinculado a elas… As entrevistas e notícias de jornal estão diretamente ligadas ao seu sucesso…

Então você diz: tudo isso precisa continuar a existir, custe o que custar… Pronto! Está feito! Daí pro doping é um pulinho…

Muitos sabem, mas fingem não ver o que está acontecendo com você. Afinal, você continua vencendo e dando o retorno que eles desejam… Aos produtores do produto que anuncia, aos dirigentes e torcedores do clube onde se encontra vinculado, ao país que une ufanisticamente sua bandeira às suas vitórias…

Bem… Aí, um exame surpresa acusa aquilo que todos teimavam em não querer ver e… O mundo lhe cai sobre a cabeça! As mesmas pessoas que o glorificavam, agora lhe apontam o dedo acusando-o do crime mais vil: o uso do doping? Não! Ter se deixado pegar em flagrante, dando visibilidade a uma realidade que desejam mascarar, isso sim…

Qual realidade? A única, insofismável: o doping não é manifestação patológica do esporte de alto rendimento, e sim parte constitutiva de sua lógica.

É isso. Simplesmente isso… O esporte é uma prática social, portanto produto do trabalho humano, que traz em sua materialização as intencionalidades definidoras de nossas ações, as quais se dão em um determinado contexto e momento histórico. Neste ordenamento societário pautado pela exploração do Homem pelo Homem, somente a hipocrisia explica o ar de espanto e surpresa de muitos desavergonhados.

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br