Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br
Categoria: Sem categoria
Categorias
Há certo tempo atrás, o mundo passava por um momento de crescimento como poucos antes na história. Tudo ia muito bem. Todo mundo tinha muito dinheiro. Novos negócios eram sempre grandes oportunidades para ganhar dinheiro.
Obviamente, esse cenário era superestimado. Nem tudo estava bem. Nem todo mundo tinha dinheiro. Nem todo negócio era um bom negócio. Era, sim, uma onda de otimismo que alterava boa parte da percepção lógica das coisas. Coisas não muito boas pareciam ser excelentes. E tudo parecia que ia ser assim pra sempre.
Como bem se sabe, isso não aconteceu. Em determinado momento, a onda exagerada de otimismo deu lugar a uma onda exagerada de pessimismo. Do tudo ia dar certo, passamos para o tudo vai dar errado. Nada mais normal, uma vez que os movimentos obedecem ao padrão do equilíbrio de mercado. Um baque como esse serve para purificar um ambiente que se encontrava infestado de papéis e títulos não funcionais. Escaparemos todos bem, até que fiquemos otimistas demais para então nos tornar novamente pessimistas em exagero. É o ciclo natural do mercado.
Quando esse ciclo chega na parte negativa do processo, a tendência é que todo mundo fique com um pé atrás com qualquer coisa que envolva dinheiro. Essa desconfiança, portanto, possui reflexo direto na oferta de crédito, que acaba ficando escassa, o que por sua vez mina ou encarece alguns investimentos.
O maior problema da atual crise, ao que parece, é justamente a cessão da intensa oferta de crédito ao qual todos estavam acostumados. Você tem um projeto muito doido na cabeça? Dois anos atrás, não tinha problema. Alguém, em algum lugar, ia acabar te emprestando dinheiro por juros relativamente baixos. Hoje, existe uma dificuldade enorme de se encontrar dinheiro para emprestar, e quando se encontra, os juros vão lá em cima.
Os efeitos dessa lógica no mercado do futebol estão ficando visíveis, principalmente naquilo que tange projeto de novos estádios, em especial na Europa. Alguns clubes estavam finalizando os projetos e tiveram que adia-los por conta da dificuldade de achar alguém que o financiasse. Projetos megalomaníacos tiveram que ser redesenhados e ainda aguardam investidores interessados. Ninguém sabe ainda quando os novos estádios ficarão de pé, se é que isso irá acontecer.
Outro efeito para clubes europeus é a necessidade da re-adequação de preço dos ingressos. Alguns clubes começaram a perder público, uma vez que, em época de crise, a tendência é que as pessoas poupem o máximo de dinheiro possível. Isso implica no corte de gastos supérfluos. E futebol é uma coisa meio supérflua, pelo menos para a maioria das pessoas.
Isso significa menos dinheiro para os clubes, o que também significa menos dinheiro para salários e transferências. Nunca o mercado por jogadores que têm o contrato acabando foi tão concorrido. Não só porque as receitas de dia-de-jogo dos clubes diminuíram, mas também porque o financiamento bancário para transferências também desapareceu, no processo semelhante aos estádios.
A crise certamente terá conseqüências em novos projetos e no mercado de transferências, mas dificilmente afetará diretamente a maioria dos clubes. Os grandes clubes são tão grandes que dificilmente sofrerão muito com a diminuição da gigantesca demanda ou problemas de uma ou outra empresa. Sempre haverá alguém disposto a colocar dinheiro em clubes poderosos. Os clubes menores, que certamente sofrerão mais com a perda do dinheiro de transferências e com a diminuição da demanda, possuem como grande fonte de receita os contratos de transmissão dos campeonatos, que já estão assinados e continuarão a dar dinheiro para as equipes. É pouco provável que haja uma quebra sucessiva de clubes e afins. Um ou outro não deve escapar, mas a maioria deve ficar onde está.
Resta saber se isso é bom ou ruim. Um re-equilíbrio mais drástico de mercado poderia fazer muito bem às estruturas do futebol.
Entardecia com mais tranqüilidade que de hábito em minha caverna, geralmente ensandecida àquela hora com a movimentação dos animaizinhos voadores saindo para a caça. Os morcegos recuperavam-se do lauto banquete da noite anterior, quando uma nuvem de mariposas, vindas de não sei onde, atiravam-se como loucas contra a entrada da caverna, atraídas pela chama vermelha da tocha que mantenho acesa até a madrugada. Segundo Oto, bastava abrir a boca durante o vôo. De barriguinhas cheias, os pequenos quirópteros perderam a hora, esqueceram do entardecer.
Sem nada para fazer, meu hábito mais constante, eu tomava um chá de jasmim. De repente eis que chega Oto, meu morcego confidente. Ainda esfregando os olhinhos perguntou-me do que era o chá, e eu disse – De jasmim. – Detesto – disse ele – não tem de outra coisa? Fez-me levantar e providenciar um de canela que eu guardava de minhas andanças pelo mundo. Sentei-me, ele pendurou-se, e iniciamos uma conversa sobre qualquer coisa, deixando-nos levar pelas palavras. Talvez inspirados pelo chá, o assunto pendeu para o futebol truculento, dos beques de fazenda, dos brucutus da bola. – Como aumentaram – disse Oto – há mais canelas de pau que craques. – Mais, bem mais – completei – aqui no Brasil então, nem se fala. Os poucos craques que restaram bandearam-se para a Europa.
Enquanto a água fervia percebi a barriguinha saliente de Oto, vestígios do banquete de mariposas.
– E a ciência Bernardo, ela não ajuda a formar craques? – perguntou o morcego, alisando o abdômen. – Parece que não – respondi – os craques dependem de habilidades especiais, de coordenações finas, de gestos sutis, de equilíbrio, de uma visão muito apurada do espaço de jogo, e disso a ciência pouco se ocupa. – É impossível! – disse Oto – Outro dia, estive na universidade e vi pilhas e pilhas de revistas com artigos científicos sobre esporte.
Explico: Oto, como vocês sabem, é um morcego. Morcegos têm hábitos noturnos e gostam de, eventualmente, visitar bibliotecas. Meu quiróptero confidente descende de um vetusto patriarca alado que residiu por largos anos em Coimbra, donde a tradição familiar é de todos se interessarem pelas letras. Oto mata dois coelhos com uma só cajadada: alimenta-se de tenros papirógrafos, isto é, de piolhos, cupins e traças que destroem livros, enquanto folheia, com agilidade incrível, as obras que lhe interessam. Fanático como é por futebol foi aos papers e saiu de lá impressionado. – Bernardo – disse-me ele – se toda aquela pesquisa se revertesse em prol do bom Futebol, que maravilha!
Senti desapontar meu amigo, mas tive que explicar-lhe que a tal ciência do esporte, com raros e esporádicos esforços, dedica-se, acima de tudo, a formar bólidos defensivos, que consomem suas vidas esportivas a destruir a refinadíssima arte de controlar a bola dos Pelés, Garrinchas, Zicos, Sócrates e seus congêneres dessa estirpe de craques que as ruas brasileiras produziram.
– Que pena! – lamentou Oto – com tanta ciência, imagine se eles pudessem melhorar ainda mais essa arte.
Na cabecinha do morcego, era difícil compreender o motivo que levava os pesquisadores a formarem exércitos de zagueiros e volantes truculentos. – Como fazem isso? – ele perguntava.
Sem muita esperança de elucidar-lhe o dilema, falei que, nos últimos anos, uma verdadeira obsessão pelo desenvolvimento de força muscular, um pouco menos pelo da resistência, tomou conta da pesquisa no esporte; quem quiser confirmar, pode consultar as publicações, que estão todas à disposição por aí, nas revistas, nos congressos, nos seminários. Com o desenvolvimento de conhecimentos sobre como tornar os atletas mais fortes e mais resistentes, foi possível colocar para jogar em grandes equipes jogadores que, sem isso, não passariam da várzea. Fortes como touros, fazem frente aos melhores craques e anulam suas tentativas de praticar futebol. Os canelas de pau estão por toda parte, até nas melhores equipes do mundo, ganhando salários altíssimos. Além disso, os métodos para hipertrofiar os músculos podem ser aplicados indistintamente a todos, porém, quando aplicados aos craques, tornam-nos duros, desengonçados, lerdos; aos poucos vão ficando mais e mais parecidos com os zagueiros. Quando relaxam um pouco no treinamento, engordam, contundem-se e aí, nunca mais, nunca mais praticam sua arte.
– E não daria para criar outra ciência, uma que favorecesse a arte do futebol? – perguntou, um tanto desconsolado meu pequeno amigo.
– Não sei Oto – respondi – teria que ser alguma coisa mais humana, alguma ciência que enxergasse a pessoa que joga e não somente músculos, metabolismos, tendões. Essa outra ciência teria que ir às ruas, inquirir os peladeiros, as crianças, a cultura popular; talvez tivesse que vir do campo de futebol para o laboratório, e não ir do laboratório para o campo. As ruas e os campos de várzea do Brasil guardam o maior acervo de conhecimentos sobre futebol do mundo, ignorado pela ciência. Se ela fosse boa, de 1970 para cá teríamos produzido, nos gramados, verdadeiras obras de arte. Pelo contrário, incapaz de enxergar o refinamento do gesto, a visão de campo, a sutileza da finta, a perfeição do passe, produziu paredes de músculos, locomotivas de resistência, como se anular o bom futebol fosse um objetivo a alcançar. “Mas, assim é o homem Oto, assim é a ciência feita pelo homem. Não difere muito da indústria de bebidas ou de sanduíches; quanto mais tratam os diferentes como iguais, melhor, mais lucro.” Essa última parte eu apenas pensava, fechado em meu silêncio. Não quis dizer tudo isso para Oto, já bastante triste. Porém, era preciso dizer-lhe algo mais.
– A ciência do esporte também é canela de pau Oto, por isso ela só ajuda jogador canela de pau.
Nisso passou um bando de mariposas enlouquecidas pela luz das tochas e meu amigo quiróptero, carregando sua barriguinha ainda cheia, atirou-se com enorme desenvoltura sobre o que prometia ser mais um banquete de luxo.
Para interagir com o autor: bernardo@universidadedofutebol.com.br
Leia mais:
Dando seqüência ao texto mito e verdade sobre scout, agradeço primeiramente aos amigos que enviaram suas opiniões, e compartilho com todos um pouco desse rico debate que estabelecemos.
Lembro que deixamos o desafio baseado nos itens a seguir.
Mito ou verdade: É muito melhor mandar alguém pessoalmente fazer uma análise porque fazer tal avaliação por vídeo, não permite observar algumas características imprescindíveis, que só quem estiver no campo, consegue avaliar.
Mito ou verdade: Os custos para a utilização do scout são muito altos para a realidade brasileira, os clubes não possuem condições de investir.
O colega Pedro Assunção, que vem estudando a fundo a questão do scout, disse em seu comentário que “é necessário que se crie uma equipe de scout, como é na Europa, onde se tem várias pessoas para cuidar das variáveis estatísticas que ocorrem num jogo. uma pessoa só é impossível de se fazer um verdadeiro scout”, ressalta ainda a necessidade de profissionais que estudam scout capacitarem aqueles que serão os grandes beneficiários do seu uso, e considera também que o custo é menor quando se investe no suporte à esses profissionais.
Concordo com Pedro, sobretudo na condição da capacitação, é o que defendemos sobre o nome de atualização tecnológica, no sentido de que é necessário termos pessoas competentes nas interpretações acerca das informações extraídas de um scout, pois, por mais recursos tecnológicos que possamos desenvolver é a capacidade de transacionar entre dado e intervenção que fará a diferença.
O amigo Sinésio Capece… comenta que é: “fundamental enviar um representante para fazer este levantamento in-loco do adversário. Entendo que esta deveria ser uma prática freqüente no futebol, bem como em qualquer esporte. In-loco sim, é importante que seja. Os detalhes são melhor percebidos e o material muito melhor colhido. Não se pode fazer uma analise sanguínea através de um scanner, o indivíduo tem que estar presente em sua coleta e levar a picada da agulha.”. Considera ainda que não é um alto custo e sim um investimento, e entra também na questão de termos parâmetros e diretrizes para nortear tais observações, comentando que o observador “não pode ir (como já vi no próprio futebol profissional da 1ª divisão) com um pedaço de “papel de pão” para fazer umas anotações aleatórias”.
Riquíssimo esse debate com as colaborações de amigos, recebi outros textos que comentam a temática numa ótica bem similar e aproveito aqui para expor as minhas considerações, lembrando que esse debate não se encerra, pelo contrário apenas dá alguns passos rumo a uma compreensão conjunta acerca de suas possibilidades.
A metáfora levantada sobre a análise de sangue é muito boa, mas acredito que na questão da análise do scout podemos acreditar que as distintas ferramentas que já existem por ai, permitem que o profissional não precise espetar a agulha, uma vez que o sangue já pode vir no tubo para ele ser examinado.
Explico melhor:
1. Em termos de custos os dirigentes e comissões técnicas, não partem de um planejamento para avaliar as necessidades, realmente o custo não é alto, mas o que imagino baseia-se nos seguintes questionamentos: para mandar o olheiro para Argentina como no exemplo utilizado por nós no texto anterior, estão os gastos com viagem, alimentação, hospedagem, etc, etc, etc, em contraponto indago se esse custo é maior ou menor do que a utilização de uma tecnologia que permita ao profissional fazer a análise do sangue (do jogo), sem a necessidade dele próprio ir comprar a seringa (ir a Argentina), fazer a coleta e levar para os procedimentos de análise (papel de pão) , fazer a análise e a partir daí intervir (escrever o laudo).
2. Sem dúvida a presença do especialista no local pode passar uma confiança maior em relação às informações e detalhes pertinentes, mas faço minha avaliação com base nas ferramentas que estão no mercado, muito pouco utilizadas e ainda sim sublocadas, não se extraem 10% das possibilidades de informações que existem, ignorando a cientificidade por de trás dessas ferramentas.
Sabemos das capacidades tecnológicas em buscar, armazenar e traçar as informações de forma muito mais rápida que nós seres humanos, lembrando sempre que as máquinas só fazem aquilo que especificamos a elas. O que fundamenta minha visão é: porque não confiar nas informações tecnológicas uma vez que ela apenas vai buscar aquilo que os técnicos e auxiliares podem ter especificados para elas.Assim os custos estariam centrados na capacidade de extração dos dados, o que acontece também nos “papeis de pão”, mas a questão primordial é o tempo destinado a interpretação dos dados, na situação de deslocamento do olheiro até o local, a análise só poderá ser iniciada de fato com a tabulação das informações, em contrapartida tal tempo poderia ser melhor utilizado e distribuído na interpretação dos dados fornecidos por um scout tecnológico.
S
e o profissional puder confiar na capacidade de extração de dados de um scout, na confiabilidade de suas informações, o que vai fazer a diferença é a dedicação e habilidade de interpretação, obtendo elementos que talvez pudéssemos até alcançar numa análise manual (sé é que podemos chamar assim), mas que demandaria um tempo, tal tempo este que pode ser vital para a descoberta de algum outro detalhe ou desenvolvimento de estratégias que façam a diferença.Sabemos que nós temos nosso tempo de encarar um problema/enunciado (dados, informações) e buscar soluções (análise, estratégias, intervenção). Quanto mais rápido compreendermos o enunciado mais tempo teremos para pensar nas soluções.
Essa economia de tempo, reflete diretamente na economia financeira, isso ainda sem compararmos diretamente os custos, ou melhor investimento no scout, seja ele na capacitação do profissional, na formação de uma equipe especializada, ou na integração de recursos a tais profissionais, o que passa por uma questão de importância e prioridade que se dá ao scout no processo chamado futebol. Bom, a discussão como disse, não se encerra por aqui, com muitos profissionais dedicados a estudar e compreender o scout aplicado no futebol, a ciência agradece.Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br
Categorias
Ausência
Caro leitor,
Informamos que a coluna de Erich Beting não será publicada nesta segunda-feira e aproveitamos o espaço para pedir desculpas pelo infortúnio.
Esperamos que a situação seja normalizada na próxima semana e estamos trabalhando para isso.
Obrigado!
Equipe Cidade do Futebol
No futebol brasileiro predomina o não-profissionalismo. Poucas são as ações que poderiam me fazer pensar o contrário. Claro, minorias existem e não por acaso têm tido maior êxito que seus pares majoritários.
E vejam, não estou nem sequer me referindo a ações e decisões no “campo político-administrativo”.
Já presenciei “presidente” de clube de futebol, em campeonato profissional de 1ª divisão ligando do celular ao banco de reservas para exigir do treinador a substituição deste e daquele atleta. Normal. Isso nem causa mais espanto, nem chama mais a atenção. Óbvio, existem aqueles que se submetem e aqueles que não se submetem a esse tipo de situação.
Já vi treinador “convidando” dirigente a se retirar do vestiário em dia de jogo dando três segundos de prazo para o ato ou senão… Já vi clube dispensar atleta por causa da estatura, do peso e até por cisma.
No futebol predomina o “eu acho”. E de tanto “achar” parece que foi aumentando também o número de coisas a se perder.
Pois bem. Dia desses Wanderley Luxemburgo, em um programa esportivo na TV, disse que hoje existem problemas nas categorias de base, no processo de formação dos atletas de futebol e que isso de certa forma tem atrapalhado muito a evolução e formação das equipes profissionais do futebol brasileiro. Deixou “escapar” entre linhas que os treinadores na “base” estão muito mais preocupados em vencer o jogo do próximo final de semana (ou conquistar o campeonato) do que com a real “formação de jogadores de futebol”.
E ainda que seu pensamento a respeito não tenha sido aprofundado no debate, o seu “entre linhas” é fato.
Pois bem. Gostaria, a partir desse fato, destacar três pontos:
1) Treinadores das categorias de base talvez não tenham claro qual o seu papel;
2) Dirigentes e coordenadores de categorias de base talvez também não tenham claro qual o papel e objetivos de treinadores e equipes nas categorias de base;
3) Bons projetos de formação real de jogadores foram, são e continuarão sendo assassinados por investidores, dirigentes amadores, coordenadores e treinadores presos a paradigmas ultrapassados e crenças baseadas em achismos dos mais diversos tipos.
É ponto pacífico que treinadores de equipes sub-13 (sub-15, sub-17 etc e tal), por exemplo, enxerguem suas “crianças” como atletas adultos em miniatura e, por falta de conhecimento e preparo, ajam (conforme modelam em suas abstrações) como treinadores em final de Copa do Mundo falando com atletas experientes e aptos a entendê-lo (sem se aterrorizar com os gritos desprovidos de inteligência e razão).
É fato que treinadores querem vencer a qualquer custo. Mas é fato também que o mesmo dirigente que o contrata sob a “ladainha” (que ele mesmo diz em frente ao espelho para tentar se convencer) de que resultados de jogos não são importantes, é o mesmo que meses depois quer “decapitar” o treinador que não foi lá tão bem com as vitórias.
Como o dirigente não entende de processo e nem mesmo sabe o que é formação, acaba sendo comum que ele, no final das contas, queira saber somente das vitórias. E o treinador, para se proteger, assume o pacto da mediocridade e vai até as últimas conseqüências com seu plano “maquiavélico” rumo às conquistas.
Não senhores!
Não estou eu aqui a dizer “esqueçam as vitórias; ou formamos jogadores, ou vencemos campeonatos”. Simplesmente porque não acredito que uma coisa está desconectada da outra, ou que uma desabone ou elimine a outra.
Conquistar vitórias também faz parte do PROCESSO de formação. Mas elas vêm (ou deveriam vir!) com o próprio PROCESSO (ao seu tempo – e se falamos de categorias de base, o tempo é algo importante; muito importante!).
Mas o problema é muito mais amplo e profundo do que parece. Estamos vendo apenas a ponta do iceberg.
Uma coisa é entender que as categorias de base fazem parte de um processo de formação de jogadores de futebol. Outra é entender o que é jogar futebol (sem fragmentar o que é tático do que é técnico, do que é físico do que é mental – e isso até alguns dos “mestres” que nos encantam tem dificuldade para entender, conceber, discursar/agir), o que ensinar, porque, como ou quando e principalmente o que é processo.
E aí termino então com um trecho de um texto do Tostão (“Estatutos do futebol”). O que eu quero dizer com ele? As entrelinhas dirão por si só…
“(…) Repito, pela milésima vez, que muito mais importante que esquemas táticos é a qualidade dos jogadores. Porém eles brilham muito mais quando jogam em equipes organizadas.
A solução mais urgente para formar talentos no meio-campo é os técnicos, desde as categorias de base, pararem de escalar volantes que só marcam e de colocar armadores habilidosos para jogar somente como meia-atacantes. É preciso descobrir solistas, pianistas. O meio-campo está saturado de carregadores de piano (…)”
Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br
Caros amigos da Universidade do Fubebol,
Como sabemos, os jogadores de futebol profissional somente podem ser transferidos de um país para outro dentro do prazo das chamadas “janelas de transferência”. Cada federação nacional pode eleger duas janelas de transferência por temporada devendo, para tanto, notificar a Fifa a respeito.
Agora, ao chegar próximo ao final do ano, teremos abertas as janelas de transferência de verão no Brasil, bem com a de inverno (e menor) na Europa. Essa próxima janela não deverá ser tão movimentada como do meio do ano, uma vez que, na Europa, estamos no meio do campeonato e apenas alguns ajustes nas equipes são feitos em termos de novas contratações.
Esse tema é muito importante para os clubes no Brasil. Sabemos que grande parte da receita dos principais clubes (e muitas vezes de clubes intermediários) decorrem da venda de jogadores. Há que se planejar com eficiência a projeção de venda de atletas, para que o clube não perca o “timing” dos clubes europeus.
O mercado pode, de tempos em tempos, esfriar. Porém, o apetite por jogadores brasileiros nunca se esgotará. Basta que os clubes brasileiros, além de formar bons jogadores, aprimorem (e profissionalizem) seus departamentos de relacionamento internacional. A partir de então, lucrar será uma questão de tempo e oportunidade.
Tivemos nesta semana uma notícia na Europa de que técnicos de clubes europeus estão querendo evitar transferências nas janelas de inverno (ou também conhecidas como mid-season transfer windows). Isto porque os técnicos obviamente não gostam de perder seus jogadores ao longo da competição.
Ou seja, apesar do pouco movimento que a próxima janela costuma propiciar, os técnicos já sentem a necessidade de evitá-la. E isso poderia corresponder a uma oportunidade a menos dos clubes brasileiros de efetuarem bons negócios na Europa.
Qualquer tentativa nesse sentido, e que alterasse o número de janelas permitidas, deveria passar por deliberação do Exco da Fifa para efetiva alteração do Regulamento. O que, acredito, não deva acontecer no curto prazo.
Porém, devemos sempre acompanhar. E, enquanto essas janelas não são alteradas, resta-nos aguardar para que as próximas especulações se iniciem.
Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br
Categorias
Ausência
Caro leitor,
Informamos que a coluna de Oliver Seitz não será publicada nesta quinta-feira e aproveitamos o espaço para pedir desculpas pelo infortúnio.
Esperamos que a situação seja normalizada na próxima semana e estamos trabalhando para isso.
Obrigado!
Equipe Cidade do Futebol
Estrugiu grande risota entre os “sábios” que vão repetindo até ao cansaço aquilo que lhe ensinaram (não passam daí), quando publicamente comecei a discordar, com alguma originalidade (passe a imodéstia), da Educação Física e do Treino Desportivo que me pareciam ser aceites maioritariamente entre os profissionais destas duas áreas. Já lá vão mais de 30 anos! E recordo com emoção o colorau doce das críticas de Nelson Mendes, professor do Instituto Nacional de Educação Física (INEF) de Lisboa, à ginástica tradicional e ainda a publicação do livro de João Paulo S. Medina, A Educação Física Cuida Do Corpo… E Mente, em 1983.
Tenho verdadeiro horror por fórmulas, cânones de escola e tiranias da moda. Demais, quando em 6 de Outubro de 1968, pisei, pela primeira vez, o chão lajeado do INEF, já eu estudara Gaston Bachelard (1884-1962) e sabia portanto que era também descontínua a História das Ciências, ou melhor: que os momentos mais significativos da história de uma ciência acontecem com as rupturas ou cortes epistemológicos, onde, respeitando-o embora, se considera muito do que é Passado um verdadeiro obstáculo epistemológico. Durante a década de 70, com Louis Althusser, aprenderia depois que o corte deveria ser epistemológico porque era político, ou político porque era epistemológico. Por isso, quando defendi a minha tese de doutoramento, em 1986, tinha (tenho) declarados objectivos epistemológicos e políticos. Para mim, conhecer é fundamentalmente encontrar novas vias de acesso à transformação social!
Em Novembro-Dezembro de 1979, na revista Ludens, do Instituto Superior de Educação Física da Universidade Técnica de Lisboa, escrevi um artigo intitulado “Prolegómenos a uma nova ciência do homem”, sucedâneo de uma descoberta por mim efectuada (como sei bem dos meus limites, admito que outras pessoas o tenham visto antes de mim – só que, por defeito meu, as não conheço) que a Educação Física nasce do dualismo antropológico cartesiano. A educação do físico, dentro da perspectiva mecanicista do tempo e a educação do espírito decorriam de costas voltadas, ou seja, para sermos breves, dominava então o “erro de Descartes”. Não foi por acaso que a expressão Educação Física nasceu, depois deste filósofo que viveu entre 1596 e 1650. Os gregos, pura e simplesmente, ignoravam-na. Jerónimo Mercurialis, na sua De Arte Gymnastica (1569), sustenta que, na Grécia Clássica, eram três os tipos de ginástica: a militar, a médica e a atlética.
A Medicina racionalista destinava-se também àquilo que em nós era físico ou matéria tão-só. Por isso, aos médicos lhes chamavam os físicos. Demeny (1850-1917), na sua obra Les Bases Scientifiques de l’Éducation Physique define assim a Educação Física: “O conjunto de meios destinados a ensinar o homem a executar um trabalho mecânico qualquer, com a maior economia possível, no emprego da força muscular”. O cartesianismo, endomingado pela ciência positiva, atingia o século XX e, porque se arrogava de voz activa, prepotente, na Educação Física, de igual modo se assenhoreou do Desporto que passou a reger-se pelos principios em que abunda o Discurso do Método. Demais, os tratadistas da especialidade consideravam o Desporto um dos aspectos da Educação Física…
E em 1968, quando conheci o INEF mais de perto, até pude gracejar para o Prof. Nelson Mendes: “Aqui, o Descartes continua vivo!”. Tinha (tenho) por Descartes grande respeito e admiração. Ele é um dos marcos da História da Filosofia. Denunciava, sem quaisquer outras exprobações, tão-só o referido dualismo antropológico de que a Educação Física é um dos produtos. Até que, no dealbar da década de 80, da releitura atenta e meticulosa da Fenomenologia da Percepção, de Maurice Merleau-Ponty, encontro a motricidade como intencionalidade operante, como movimento intencional da pessoa humana. E, a partir daqui, compus a seguinte definição de motricidade: a energia para o movimento intencional da transcendência (ou da superação). Portanto, para mim (e neste ponto não estou só) motricidade é mais do que movimento – é movimento intencional da complexidade humana!
É afinal o movimento típico da prática desportiva. Fundamentado na motricidade humana, criei uma teorização original (porque não é plágio) da Ciência da Motricidade Humana (CMH), que se desdobra nas especialidades de desporto, dança, ergonomia, educação especial e reabilitação, actividade motora adaptada, etc. Fundamentado ainda na CMH, como ciência humana, pus em causa o treino analítico e sugeri a inexistência do preparador físico, no treino, que seria substituído por um metodólogo do treino, dado que o treino, em todas as circunstâncias, teria em mente a complexidade humana e não só o físico. Mais tarde, descobri, com alegria, que o actual treinador do Inter de Milão também assevera que não tem preparador físico, no seu departamento de futebol. Fui professor de filosofia, não de futebol, de José Mourinho, em 1981! Se alguns dos meus antigos alunos aplicam ao futebol o conteúdo das lições que me escutaram, tal se deve ao facto de (como eu acentuava nas aulas) só saber de futebol quem sabe mais do que futebol…
Por fim, como ciência humana (e não me alongo mais sobre o tema), a CMH quer ser um conhecimento-emancipação, contra a exploração dos poderosos e a tirania do Estado. Sou socialista e democrata. Sei bem onde levam as democracias sem socialismo e os socialismos sem democracia! Neste momento em que o neoliberalismo entrou em crise agónica, estou a ressoar o que também já assumo, sem equívocos, há muitos anos! A CMH é um saber qu
e exige a acção: não propõe apenas um ideal, postula também a procura de meios concretos, para realizá-lo!
*Antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.
Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.
Esse artigo acima foi mantido em seu formato original, escrito na língua portuguesa, de Portugal.
Para interagir com o autor: manuelsergio@universidadedofutebol.com.br
Olá amigos, como combinado, na última terça-feira de cada mês, sou eu, Zezinho, que apresento a coluna falando sobre o scout de um jogo acompanhado ao vivo, para ilustrar que informações poderiam ser extraídas no decorrer da partida. Na coluna de hoje vamos falar de Fluminense 3 x 0 Palmeiras.
Vamos começar pelo gol de falta polêmico de Carlinhos, (aos 14 minutos), identificando a situação do jogo nos 10 primeiros minutos, observando o que o scout nos mostrava como tendência, focando especificamente no que a equipe podia oferecer de risco.
Lembramos que, de acordo com nossa proposta de facilitar e ilustrar como veríamos o jogo com o auxilio do scout* no decorrer da partida, não vamos fazer uma análise aprofundada nos muitos quesitos possíveis. Vamos focar nossa compreensão naquilo que muitos defendem que devem exclusivamente servir de parâmetros para uma análise, os gols.
Ainda que na minha visão uma finalização não convertida deva ser considerada tanto como outros fatores, que não só o gol. Isso porque entendemos que o fato dela não ter sido convertida em gol pode derivar de questões técnicas, questões psicológicas do momento, o que não muda a tendência e padrão ali encontrados sobre os riscos oferecidos.
Com a falta que originou o gol, o Fluminense somava três faltas recebidas, sendo duas no Everton, indicando uma provável dificuldade do Palmeiras em parar o atacante tricolor.
Quanto a circulação de bola da equipe, a exceção de Arouca que detinha um pouco da articulação das jogadas do Fluminense através de passes mais curtos, a equipe utilizava-se até então de bolas longas e da ligação direta a partir de seus jogadores com funções mais defensivas – Thiago Silva, Wellington Monteiro e Fabinho, os três responsáveis por 33% dos passes da equipe tricolor e pelos quatro lançamentos tentados até então (sendo três certos).
Vejam o fluxo de passe** dos primeiros 10 minutos, destaque para o volume de bolas saídas dos pés de Thiago Silva (nº 4) Fabinho (nº 5) e Wellington Monteiro (nº 7):

Lembrem que a jogada que originou a falta surge de um lançamento de Fabinho para Everton, uma tendência identificada, ainda que com poucos minutos de jogo.
Com 1 x 0 no placar, imaginamos que o jogo ia sofrer alterações, mantemos nosso foco ainda no que o Fluminense poderia oferecer de risco.
O segundo gol
Dos 15 aos 30 minutos, o fluxo de passes de jogo do fluminense mudou:

Nota-se uma modificação sensível com a participação mais efetiva do lateral direito Carlinhos. Aproveitando bastante os espaços deixados pelo lateral esquerdo Leandro, do Palmeiras. Sendo Carlinhos e Arouca quem se destacam na circulação de bola, responsáveis por 35% da organização do jogo, principalmente, com bolas longas para Everton Santos pela direita.
O terceiro gol
Os quatro minutos que separam os gols apresentam pouca variação, mantendo a tendência de jogo pela direita, apenas aumentando a bola passada pelos pés de Arouca e Conca, visando já uma cadência maior de jogo juntamente. São quatro minutos que consolidam a tendência iniciada após o primeiro gol e que culmina com o segundo e terceiro gol, lembrando que a finalização pela esquerda de Junior Cesar decorre toda de uma jogada que percorre o setor direito do ataque tricolor. Vejam o quadro do consolidado dos 15 até o final do primeiro tempo:

O gol do Fluminense surge de uma roubada de bola, insistindo na arma bastante utilizada (lançamentos para o setor direito, nas costas de Leandro), Arouca lança, jogada de Everton Santos, Leandro e Mauricio não conseguem fazer falta, expediente utilizado muito no começo do jogo para parar Everton, a jogada segue passando por Conca e finalizada por Junior Cesar entrando pela esquerda.
Todo esse desequilíbrio causado na defesa palmeirense ocorreu algumas vezes durante a partida a partir das jogadas pelo setor direito e lançamentos para Everton Santos.
Será que o Fluminense, achou a forma de encarar o lateral esquerdo Leandro, do Palmeiras, ou será que Luxemburgo sempre sofre com Everton Santos, afinal não é a primeira vez que ele dá um trabalhão ao técnico palmeirense.
Abraços,
Zezinho do Scout
* utilizando a Prancheta Eletronica da ScoutOnline
** cada jogador recebe uma cor, a linha da mesma cor indica para quem ele passou, e a espessura o volume de passes destinado a determinado jogador
Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br
Categorias
Estresse coletivo
A cada dia que passa fica cada vez mais a certeza de que, o que era para ser uma grande sacada do futebol como negócio, se transformou no maior vilão da bola neste século XXI. A tal entrevista coletiva pós-jogo é uma das coisas que mais atrapalham e irritam o bom andamento do noticiário esportivo e, também, do dia-a-dia de um clube.
Que o digam Muricy Ramalho, Dunga, Renato Gaúcho, Wanderley Luxemburgo e tantos outros treinadores, carismáticos ou não, que estão atualmente saturados com um modelo adotado no futebol pelos ingleses em meados dos anos 1990.
A entrevista coletiva serve para “livrar” o treinador e os jogadores do calor do jogo. Sim, é muito mais seguro você ter uma entrevista coletiva realizada cerca de uma hora após uma partida do que ali, ainda à beira do campo, irritado ou emocionado pelo resultado.
Quando os ingleses decidiram adotar o padrão de entrevistas coletivas, a idéia era facilitar o trabalho da imprensa e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de algo der errado numa entrevista mais acalorada ainda no gramado. Da mesma forma, a coletiva permite agilizar a saída do time para casa após o jogo, uma vez que a imprensa só tem aquela oportunidade para entrevistar os protagonistas da partida.
Mas, num fenômeno mundial, a entrevista coletiva caiu num grande vazio, que destrói o bom jornalismo e altera os ânimos de seus interlocutores. Ainda mais quando o time perde e, à exceção de Muricy Ramalho, quase todo treinador coloca a culpa no árbitro.
Hoje, a coletiva virou também sinônimo para uma enxurrada de repetição de perguntas e respostas com palavras diferentes (ou não!!!) para cada uma delas. “Por que o time perdeu?” e “O time perdeu por que os desfalques fizeram falta” são, necessariamente, a mesma indagação feita com palavras diferentes.
Para piorar, a popularização da TV a cabo, aliada ao fenômeno dos programas pós-jogo, destroçou de vez com qualquer tipo de “glamour” que o futebol tinha no imaginário popular. Hoje é tão banal ouvir os treinadores após uma partida que a opinião deles (e dos comentaristas, claro!) caiu na mesmice.
Atualmente é obrigação um técnico dar entrevista coletiva após o jogo. Os jogadores ainda conseguem se esquivar, mas o treinador nunca pode deixar passar. Isso valoriza a imagem de super-poderosa que é atribuída à classe, mas ao mesmo tempo revela o estado de tensão em que hoje se encontra o relacionamento entre imprensa e clube de futebol.
Nem mesmo quando foi pentacampeão brasileiro Muricy Ramalho aliviou de tom com os jornalistas. Da mesma forma, a cada triunfo ou a cada derrota na seleção, Dunga distribui farpas bem ao seu estilo de quando era jogador.
E isso acontece pela tensão que uma entrevista coletiva carrega em si. Entre os entrevistados está o peso da derrota, a felicidade da vitória ou mesmo a encheção de sempre dizer a mesma coisa. Do lado de quem pergunta, está a ânsia em ser o primeiro, a necessidade em mostrar conhecimento, o desejo de fazer sua pergunta ser “repercutida”.
E o conteúdo, nessas e outras, entra no vazio, fazendo com que aquilo que era para ser uma grande idéia para facilitar o trabalho de todos e tornar a comunicação eficiente se transforme numa fonte constante de gerenciamento de crise.
Entrevista coletiva, hoje, é sinal de estresse coletivo. E a informação que vá para o lixo…
Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br