Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br
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E
stava, recentemente, vendo notícias sobre as cidades candidatas à sede da Copa de 2014, no Brasil. A parte às disputas políticas e interesses muito obscuros a todos nós, alheio ainda às questões de opinião sobre a capacidade ou falta dela para organizarmos tal evento, resolvi debater um pouco do que seria essa tal infra-estrutura necessária em meio aos recursos tecnológicos disponíveis e acessíveis no Brasil. Existem diferentes camadas do campo esportivo na concepção bem simplificada do conceito discutido pelo sociólogo Bourdieu sobre a teoria dos campos. Essas camadas fazem parte de uma teia complexa que está interdependente uma da outra para o sucesso da realização de um evento como esse. Afinal, podemos falar de camadas como a construção civil, hotelaria, imprensa, transporte, turismo, alimentação, conforto, espetáculo, publicidade, responsabilidade social (embora seja fácil esquecê-la), enfim quantas camadas não estão envolvidas. Para tanto defini algumas dimensões para discutirmos com base nesses campos que orbitam em torno do grande assunto: a copa do mundo. Poderíamos discutir se a classificação é certa, adequada, se faltou ou se sobrou algo, mas o mais interessante é colocar os pontos de vista para refletirmos. Eis as dimensões organizacionais que abordarei nos próximos textosPara interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br
Informamos que a coluna de Erich Beting não será publicada nesta segunda-feira e aproveitamos o espaço para pedir desculpas pelo infortúnio.
Esperamos que a situação seja normalizada na próxima semana e estamos trabalhando para isso.
Obrigado!
Equipe Cidade do Futebol
Informamos que a coluna de Oliver Seitz não será publicada nesta quinta-feira e aproveitamos o espaço para pedir desculpas pelo infortúnio.
Esperamos que a situação seja normalizada na próxima semana e estamos trabalhando para isso.
Obrigado!
Equipe Cidade do Futebol
Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.
Esse texto foi mantido em seu formato original, escrito na língua portuguesa, de Portugal
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E você pediria algo no Natal?
– Sabe o que faço no Natal? Passo a noite à frente da TV. Sintonizo o canal Z33, aquele, e realizo sonhos – ela disse.
– Que sonhos? – perguntei.
E ela me disse de muitos, a maioria, impossíveis. Relato alguns. O canal Z33 só pega na toca de Aurora; transmite sonhos como se fossem realidades. A coruja gostaria que Las Vegas voltasse a ser o centro mundial da jogatina, reassumindo a primazia perdida para Wall Street. Ela também sonha ver os dirigentes do mundo chorando diante da morte de um povo inteiro na África, socorrendo-o antes dos bancos falidos dos Estados Unidos e da Europa. No Z33, na noite de Natal, os senadores da república brasileira descobrirão que existe um país chamado Brasil, habitado por pessoas chamadas brasileiros e brasileiras. E, no distante Iraque, seu tirano será enforcado por seu próprio povo.
Há mais de hora dizia Aurora de seus sonhos; para quem só pensava na comida de cada dia era de surpreender. Eu, impaciente com aquilo, desviei o assunto para o futebol, pois foi para afogar-me nele que, um dia, deixei as luzes da cidade e mergulhei no fundo de uma caverna.
– E no futebol, que sonhos há para realizar na noite de Natal? – perguntei.
– Banqueiros, deputados, senadores, presidentes, empresários e burocratas, não mais jogarão com dinheiros e vidas. Isto de fazer esporte ficará, exclusivamente, para os jogadores de futebol, os de basquetebol, de atletismo e outros.
Quando lhe perguntei sobre nossos grandes craques, Aurora disse que, por maiores que sejam, só receberão dinheiro pelo futebol que jogarem; não mais receberão para vender camisas, tênis, perfumes e lâminas de barbear. E o povo deixará de ser besta e acreditar que jogam para valer.
A conversa foi longa e não é o caso de ficar descrevendo detalhes. Num dado momento Oto passou como um raio, as pequenas garras segurando um maço de papéis, dos amigos que ainda insistem em lembrar de mim e cultivam o velho hábito dos cartões de Natal. Fui atrás dele, para saber de suas idéias sobre a data natalina. Peguei a correspondência e perguntei-lhe:
– E você Oto, o que pensa do Natal?
– Eu acho ótimo – ele respondeu. Oto era assim, curto e grosso.
Quase caí de costas quando ele me contou que estava preparando, com seus amigos morceguinhos, um grande coral, mais de mil vozes.
– E o que vocês vão cantar? – perguntei.
– Noite Feliz – disse o quiróptero, como se fosse o óbvio.
Aquele morcego não parava de me surpreender. Esbanjava otimismo. Sua vida era uma espécie de festa a ser comemorada todos os dias.
– E depois a gente vai fazer um jogo adaptado, casados e solteiros, uns cinqüenta para cada lado, no ar, com uma bolinha de vento – ele continuou.
– E quem são os casados e quem são os solteiros? – perguntei.
– Você nunca entenderia – ele me disse, impaciente, e ficou por isso mesmo.
E, em seguida, Oto saiu esvoaçante, fazendo manobras, rasantes, comemorando a vida que, para ele, era festa. Estava tão feliz que, na entrada da caverna, deu um mergulho a menos de um centímetro do bico afiado de Aurora, derrubando-a, de susto, do toco onde sentava. O sol se punha no horizonte limpo, vermelho, que desenhava em negro a silhueta do morcego atormentando a paz da coruja Aurora. A noite chegava; com ela, o Natal. Oto fará festa com seus amiguinhos, Arnaldo dará cabriolas no lago escuro, Aurora verá sonhos realizados na sua TV.
Eu? De minha parte só quero que exista Natal.
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O ano de 2008 teve alguns episódios marcantes que revelam a efemeridade da conduta dos jornalistas, especialmente quando o assunto é algo tão passional e dinâmico quanto o futebol.
Talvez o personagem do ano seja Ronaldo. Em junho, o Fenômeno foi manchete de todos os jornais após o escândalo em que se envolveu com a travesti Andréa Albertini. Acabado, humilhado, um astro em decadência. O antigo camisa 9 da seleção foi duramente criticado e, mais do que isso, colocado no rol dos craques-problemas, daqueles que não tem mais solução.
Mas aí veio dezembro. E a contratação do Ronaldo pelo Corinthians recolocou-o nos céus. Em época de crise, nada como uma notícia bombástica para desviar o foco da imprensa e reacender no corintiano o desejo de ver o time vitorioso no regresso à Série A do Brasileirão. E Ronaldo, como num passe de mágica, voltou a ser gênio, voltou a ser aquele rapaz acostumado a cair no fundo do poço e se reerguer.
Foi assim também com Muricy Ramalho. Execrado após mais uma derrota na Copa Libertadores, o treinador ficou na corda-bamba. O São Paulo foi nocauteado, e os abutres da informação já previam um 2009 com Muricy em outro clube e com um Tricolor tentando se reerguer depois da hegemonia do bicampeonato nacional.
Mas aí veio dezembro. E a conquista do hexacampeonato brasileiro elevou Muricy ao topo, a ponto de ter como indiscutível a sua presença na seleção. Afinal, só ele ganhou três nacionais na seqüência e pelo mesmo time. Só Muricy acreditava no título tricolor. Só Muricy era ranzinza porque precisava ser. Só Muricy sabia como ser campeão. Só Muricy…Ou, ainda, com o Internacional de Porto Alegre. Que foi apontado por todos como o grande fiasco do ano antes mesmo de ele acabar. Afinal, com investimento em nomes do calibre de Daniel Carvalho e D’Alessandro, era impossível algum outro time ir bem no Campeonato Brasileiro além do Colorado. Indefinições, jogadores lesionados, falta de entrosamento. Tudo contribuiu para o Inter ser um figurante de luxo no Brasileirão.
Mas… Claro. Aí veio dezembro. E o Inter foi o primeiro time do país a ser campeão da Copa Sul-Americana. Torneio que não valia nada até o ano passado, mas que depois de ter um vencedor do Brasil, passou milagrosamente a ser uma competição importante na visão tacanha da imprensa. E Tite, de motivador sem tática, passou a ser o artífice da vitória colorada, fazendo do Inter o “campeão de tudo”, como brincaram seus torcedores e se esbaldaram os profissionais de imprensa pelo Brasil afora. Simplesmente um luxo!
Por falar em luxo, quem viu a vida trocada neste ano foi Luxa, ou Vanderlei Luxemburgo. Um começo de ano provando que ele vale os R$ 500 mil por mês que são pagos. Palmeiras campeão paulista depois de 12 anos. Time dos sonhos com o dinheiro injetado pela Traffic, clube projetando a modernização do estádio, time líder do Brasileirão após quatro anos.
Mas… Aí veio a TV Globo, que convidou Luxemburgo para comentar um jogo de futebol. Até aí esse era o menor dos problemas, se não fosse um mero detalhe: a partida era do próprio Palmeiras, pela Copa Sul-Americana, então desprezada pelo time após perceber o óbvio, que o elenco era fraco demais para disputar em boas condições duas competições simultâneas.
E Luxa foi para a telinha, ao mesmo tempo em que, pelo rádio, instruía o auxiliar Nei, que lá da Argentina tentava dar rumo para um time que perdia o seu rumo exatamente naquele momento. E Luxemburgo viu não só o Palmeiras perder, mas sua pose de “melhor do Brasil” começar a ser contestada. Não pela imprensa, que não condenou o imponderável. Mas pela torcida e, principalmente, pelos próprios jogadores do clube.
O Palmeiras desandou e não foi campeão nacional, mas no final das contas conseguiu a vaga na Libertadores graças ao fracasso de outro treinador que foi do céu ao inferno pelo segundo ano seguido: Caio Júnior, comandante que não soube comandar o Flamengo na reta decisiva do Brasileirão para assegurar uma vaga na competição sul-americana.
E temos outros incontáveis exemplos de céu e inferno neste ano que chega ao fim. E por que isso acontece? Para variar, o resultado pauta o noticiário esportivo. E, dessa forma, quem trabalha na área acaba na gangorra da opinião pública. Tão volátil quanto o placar de um jogo.
Que o novo ano traga um pouco de lucidez para a imprensa e paute os jornalistas para buscar a profundidade nas análises, deixando o resultado do jogo para mostrar que o esporte é tão legal por ser extremamente imponderável. O São Paulo e o piloto Lewis Hamilton que o digam.
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