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Esporte e Educação para todos, não para poucos

Ana Moser, à frente do movimento Atletas pelo Brasil, insiste que a luta do grupo que lidera destina-se a criar condições favoráveis de prática esportiva para todos, não para poucos.

Como política esportiva, dentre outras bandeiras, o movimento defende que o foco deveria ser a prática esportiva inclusiva nas escolas, desde o ensino fundamental.

Uma parte importante desse processo, no Brasil, passa pelos investimentos em infraestrutura esportiva, uma vez que 75% das escolas do país não possuem espaço (quadra) para oferecer atividades esportivas e menos de 1% possuem estrutura ideal (http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/06/04/menos-de-1-das-escolas-brasileiras-tem-infraestrutura-ideal.htm)

Não é que dispõem de algo “mais ou menos”. Não possuem espaço dedicado aos esportes. Mesmo porque, antes disso, faltam-lhe salas, banheiros, bibliotecas, refeitórios…

Ou seja, recursos materiais são fundamentais: Quadras, equipamentos públicos, artigos esportivos acessíveis e de qualidade.

Recursos humanos também faltam em quantidade e qualidade significativas. Profissionais de Educação Física nas escolas, por incrível que pareça, são raros no país, em geral (exceções feitas às Regiões Sudeste e Sul).

Somem-se a isso, por exemplo, as possibilidades e intenções políticas de se reduzir a carga horária da disciplina nas escolas municipais e estaduais, e a equação de subdesenvolvimento esportivo estará criada.

Enquanto o esporte não for considerado, na gestão de políticas públicas, como meio de transformação social, inclusão e educação – lutemos para isso – sua disseminação qualitativa ficará muito limitada no Brasil.

O esporte pode mudar com a ajuda da educação. Sim! Enquanto o contrário ainda não seja possível, o melhor caminho é disseminar o conhecimento, a formação e a capacitação de todos aqueles que se interessem pelas variadas dimensões do esporte e nele atuem profissionalmente.

A estratégia é massificar o conhecimento sobre e para o esporte, sem descuidar da qualidade.

Moocs.

Em outras palavras, massive open online courses, cursos online abertos e, muitos deles, gratuitos.

Grandes universidades do mundo todo já oferecem cursos de diferentes áreas do conhecimento, com variações em seus modelos, tecnologia das plataformas, validade da certificação, gratuidade ou pagamento de mensalidades, etc.

Os três maiores portais do mundo oferecem 500 cursos distintos e não param de investir na qualificação e expansão do ensino à distância.

A única fronteira existente para que ganhem o mundo é o idioma. Mas, até isso, a tecnologia dá conta de contornar.

No Brasil, 15% dos universitários estão vinculados ao ensino à distância.

Nesse sentido, a Universidade do Futebol, pioneira no esporte e no futebol, ocupa papel de destaque e, sem dúvida, irá figurar, em breve, no rol das maiores e melhores iniciativas do gênero no mundo todo.

Os cursos Educar pelo Esporte e Educar pelo Futebol, dentre o leque de cursos técnicos e de gestão oferecidos pela Universidade do Futebol, são de vanguarda mundial e tem a capacidade de articular parceiros do setor público, do setor privado e do 3º setor, para disseminar seus conteúdos e contribuir com a formação de redes articuladas de ensino, pesquisa e mobilização social.

E, na esteira disso, as redes formarem outras redes, e outras redes, e outras redes…

A educação não precisa esperar, sentada, primeiro pela visita do esporte e do futebol.

Ela pode, sem cerimônia, bater à porta destes agora, que será muito bem-vinda e bem recebida.

Certamente, haverá retribuição da hospitalidade e cortesia, no futuro.

E o Brasil agradecerá por essa duradoura união.

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Futebol: a fisiologia do desgaste, a resistência de concentração, a criatividade e os erros de decisão

O futebol jogado em altíssimo nível competitivo tem peculiaridades muito importantes.

Claro, como esporte coletivo que é, de "invasão de território", com companheiros, adversários, bola, terreno de jogo e alvos bem definidos é de se esperar que um "sem número" de eventos bem interessantes e particulares se expressem a todo o tempo durante partidas de futebol.

Assim como outros esportes coletivos de invasão, existem diversas ações de alta intensidade durante um jogo; ações que nascem de maneira aleatória, acíclicas e interligadas, e intercaladas por momentos de recuperação – (recuperação ativa ou não, fisicamente falando – a partir do viés sistêmico, a recuperação é sempre ativa).

Sob o ponto de vista fisiológico o futebol é surpreendente. Nos tempos atuais, um jogador de futebol pode percorrer 14,0 km em uma partida (nos dados apresentados pela Uefa, em jogos da Champions League, não é incomum que esse valor apareça) – o mais comum é que a distância final média percorrida por um jogador em 90 minutos fique entre 8,5 e 12,0 km, dependendo da posição, função, equipe e circunstâncias do jogo.

Estudos mostram que, no futebol europeu, é mais comum distâncias finais mais próximas de 11,0 km. No Brasil, os poucos trabalhos publicados com jogadores profissionais a respeito do tema e os dados monitorados por alguns clubes, mostram mais frequentemente algo por volta de 9,0 km.

Dentre os esportes coletivos de invasão – (como por exemplo, futsal, basquetebol, handebol, rúgbi, etc.) é o futebol aquele em que a distância percorrida pelos jogadores e equipe é maior: no basquetebol enquanto um jogador percorre algo em torno de 5,0 km, no handebol cerca de 4,6 km, no futsal no campeonato espanhol por exemplo 4,6 km, e no último jogo do FC Barcelona na Champions League, 10,8 km para o jogador Iniesta – em jogo que sua equipe venceu pelo placar de 4 a 0.

Claro, as dimensões do terreno de jogo no futebol, associadas ao tempo de duração e ao número reduzido de substituições de jogadores em uma partida, o tornam um dos mais desgastantes dentre todos – e se pesarmos o fato de que o futebol é jogado ao ar livre, sob sol, sereno e/ou chuva fica mais fácil ainda entender as dimensões do desgaste que proporciona aos seus praticantes (e a acentuada perda de massa corporal nas partidas).

Autores importantes da fisiologia e bioquímica do esporte (como por exemplo, Bangsbo, Gunnarsson, Nédelec, Nielsen e seus colaboradores) vem relatando ao longo dos anos que se todos os procedimentos nutricionais e de recuperação forem realizados em favor do jogador após uma partida em que jogou 90 minutos, é possível que após 96 horas do jogo (ou seja, mais do que as 72 horas normalmente admitidas como necessárias), o atleta ainda não tenha conseguido recuperar 100% do seu glicogênio muscular – combustível importantíssimo para jogar futebol.

Se tomarmos o Brasil como exemplo, é possível que por questões geográficas, associadas a variáveis logísticas de viagens, clima e gramados, as preocupações com o desgaste sofrido por um jogador tenham que ser ainda maiores do que as normalmente tidas como "padrão".

E o grande número de acelerações, frenagens e tomadas de decisão que um jogador de futebol realiza em uma partida (com ou sem bola) faz com que o desgaste metabólico/energético não seja o único grande problema para a recuperação e para os jogos: há ainda prejuízos neuromusculares importantes que na prática levam ao aumento de erros nas "ações técnicas", por prejuízo na coordenação fina – e acumuladamente a lesões – além de erros de decisão que podem levar o jogador a ações técnico-táticas equivocadas.

O futebol é também essencialmente um jogo de "resistência de concentração", onde há uma "briga" constante para a manutenção do foco naquilo que precisa ser feito em nível de excelência e em frações ínfimas de tempo.

Então, sob o ponto de vista da neurociência e da psicologia do esporte, o desgaste global do jogador de futebol em uma partida é resultado de um sem número de fatores que interligados e integrados criam um emaranhado de variáveis que dão caráter de complexidade sistêmica ao jogo.

Esse desgaste sistêmico, acumulado ao longo de semanas de jogos e recuperações incompletas vão resultando, a médio prazo, em jogadores com desempenhos menos constantes, ações técnicas menos precisas e repressão a criatividade.

A longo prazo os prejuízos acumulados podem levar a jogos menos atrativos, jogadores mais cansados, propensos a lesões, e claro, carreiras atléticas de alto nível competitivo encurtadas.

Como escrevi no início do texto, o futebol, jogado em altíssimo nível competitivo tem peculiaridades muito importantes, e se não olharmos para elas "complexamente" poderemos não entender ocorrência em princípio atribuídas a "sorte" e "acaso".

É isso…

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A venda de cervejas no Serra Dourada

Conforme já exposto em outra coluna, a empresa Parlamento Restaurante Ltda havia proposto ação contra a CBF a fim de viabilizar venda de bebidas alcoólicas no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Após concessão da liminar, na sentença a Magistrada entendeu que o Estatuto do Torcedor proíbe a venda de bebidas alcoólicas e suspendeu sua comercialização.

Vale destacar que, ao contrário do que afirmou a Magistrada, o Estatuto do Torcedor não proíbe a venda de bebidas alcoólicas, eis que o art. 13-A da referida lei estabelece como condição de acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo não portar objetos, bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência. Ou seja, , não há qualquer vedação expressa à venda de bebidas alcoólicas.

Recentemente uma decisão judicial do estado de Goiás trouxe novamente o debate à tona, eis que foi concedida medida liminar para venda de cerveja no estádio Serra Dourada sob o fundamento de que o produto é culturalmente ligado ao futebol e que a CBF não tem direito de impedir qualquer comércio dentro dos estádios, que são de propriedade dos clubes ou de governos municipais ou estaduais.

O juiz mencionou, ainda, o prejuízo que os comerciantes têm com a proibição oriunda de uma resolução da da CBF e acrescentou que se a cerveja é tida como um dos fatores que contribuem para a violência nos estádios, quem tem que tomar as devidas providências é a Polícia Militar.

Ora, os bares do Serra Dourada cumprem todas determinações legais como alvará de licença do Município de Goiânia. Ademais, conforme o inciso II, do art. 5º, da Constituição Brasileira, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da Lei.

Deve o Poder Público criar formas de se combater a violência, ao invés de estabelecer proibições.

Ante o exposto, entende-se como corajosa e louvável a decisão do Juiz goiano, eis que foi contrária aos interesses do Ministério Público, da CBF e até mesmo de setores da opinião pública.

Doutro giro, a referida decisão mostra coerência com o que estabelece a legislação brasileira (especialmente a Constituição), bem como está em consonância com com os estudos modernos acerca da violência nos estádios de futebol.

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O goleiro e a sua liderança em campo

Já ouvimos diversas vezes no meio do futebol a velha frase: “Toda grande equipe sempre começa por um grande goleiro!” e isso na prática nos parece verdade não é mesmo?

O goleiro que inspira confiança à sua equipe tende a ser realmente um grande destaque na sua posição, mas isso se conquista com muito treinamento apurado e condições físicas excepcionais para que este atleta possa desempenhar seu papel com precisão e a segurança esperada por todos. Mas aqui cabe ressaltar que todo goleiro precisa também ter algumas qualidades psicológicas que são indispensáveis a posição, tais como:

CORAGEM: Esta posição exige a coragem necessária para enfrentar a todo momento as diversas investidas contra sua meta.

CALMA: O goleiro deve estar sempre consciente, analisando e observando a melhor maneira de defender seu gol e esta atividade exige tranquilidade elevada para escolher as melhores opções de ação ou reação.

CONCENTRAÇÃO: Do goleiro exige-se que ele nunca se distraia ou desligue da partida, pois sua atenção no jogo e no adversário pode ser decisiva para o resultado de uma partida.

INICIATIVA: Muitas vezes um breve momento de indecisão do oponente pode ser o suficiente para que o goleiro recuperar a posse de bola.

LIDERANÇA: Por ser o último defensor da meta, naturalmente o goleiro exerce liderança em campo, comandando sua defesa e orientando os atletas em situações de perigo.

Ao observarmos as qualidades psicológicas acima citadas, podemos compreender como é importante o papel do goleiro em campo e isso nos relembra a importância de sua liderança na equipe.

Ao comandar a organização de sua área, o goleiro exerce uma liderança incontestável sobre os demais atletas que ao demonstrarem confiança nele seguem sua orientação com a certeza de que estão fazendo o melhor naquela ocasião. Sendo assim, podemos dizer que todo bom goleiro tem as características podem leva-lo a ser um bom líder.

Então, o desenvolvimento da competência de líder coach é mais do que necessária para todos os goleiros uma vez que invariavelmente estes estarão expostos ao longo de sua carreira a situações que lhe exigirão agir aplicando tais competências. Enquanto líderes necessitarão, por exemplo:

• Ter capacidade de motivar,
• Comunicar com excelência,
• Inspirar os demais à ação,
• Orientar tática e estrategicamente,
• Demonstrar autocontrole,
• Atuar como um integrador em campo.

E fica a reflexão: será que estamos preparando nossos goleiros para atuarem com excelência física, técnica e comportamental para que estes possam conquistar a alta performance na sua posição?!

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Qual o tamanho do bolso?

Reta final do Campeonato Brasileiro das divisões de acesso para a primeira e a história se repete, ano a ano: os dilemas para as equipes de menor expressão e poucos investimentos em disputar competições contra os grandes clubes do futebol nacional.

O dilema passa por entender o quão sustentável é o projeto de cada um destes clubes: como se dá o investimento? Foi construído com que tipo de recurso? A economia da cidade terá poder para suportar e manter o projeto?

E, principalmente, em muitos casos, qual o tamanho do bolso do presidente ou núcleo de diretores do clube? São eles que, mais das vezes, costumam cobrir os déficits gerados a cada mês.

O custo na 1ª Divisão é elevadíssimo e as receitas adicionais oriundas de patrocinadores, TV ou bilheteria não são proporcionalmente superiores a estes custos.

É o que se costuma dizer no futebol: subir nem sempre é uma tarefa tão complicada. O difícil mesmo é construir um projeto sólido, que permita permanecer por um longo período, competindo em alto nível com os principais clubes do Brasil.

Eis a missão nem sempre simples diante de um mercado cuja cultura é a de pensar e agir pelo imediatismo ante a estruturação de projetos.

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Reducionismo

O reducionismo está entre os maiores males do futebol brasileiro. Tema muito presente no cotidiano local, o esporte é tratado recorrentemente como um tópico de domínio público. Essa abordagem prejudica a imagem, a comunicação e até a gestão do setor.

A questão do custo é um exemplo. A maioria das discussões é pautada por "está caro" ou "está barato". Ora, mas caro e barato são conceitos absolutamente subjetivos. O preço das coisas depende da demanda e do perfil de público que você pretende atrair.

Não defendo um esporte elitista. Aliás, ao contrário. Mas antes de saber a quem se destina, o futebol precisa testar sua abrangência. É inadmissível que o esporte não saiba a quem atinge e a quem pretende atingir.

Em crise no Campeonato Brasileiro, o São Paulo reduziu o preço dos ingressos nos jogos como mandante. Isso ampliou de 8.553 para 35.335 a média de pagantes em partidas do clube no Campeonato Brasileiro. Foi o suficiente para muita gente asseverar que o incremento de torcedores a despeito do momento ruim é prova irrefutável de que o preço afasta pessoas dos estádios.

O preço afasta, evidentemente. A questão, contudo, é muito mais abrangente. Discutir apenas o preço é um reducionismo que não ataca os problemas e não oferece nenhuma solução para a gestão do esporte.

No último domingo, após ter perdido para o Grêmio em pleno Morumbi, o São Paulo foi aplaudido por parte do público presente. Esse comportamento não vinha sendo registrado quando o clube cobrava mais caro.

Portanto, há dois argumentos favoráveis à redução do tíquete médio (o incremento do número de pagantes e o comportamento). Ainda assim, o tema não pode ser abordado com uma visão simplista.

A começar pela parte financeira: com mais gente, o São Paulo fatura mais com bilheteria. Mas e a receita completa de match day? E o consumo no interior do estádio? Com mais gente no Morumbi, o clube está aproveitando para vender mais produtos e expor melhor os parceiros?

A segunda questão é: ainda que a média de público tenha aumentado, o Morumbi está aquém da lotação. O São Paulo não pode mais mexer no preço. Então, como fazer para atrair outras dezenas de milhares de torcedores ao estádio?

Uso o São Paulo apenas como exemplo, mas a lógica vale para todos os times do futebol brasileiro. As equipes precisam urgentemente se questionar sobre o porquê de não jogarem para estádios abarrotados. A evolução do público pagante no Morumbi mostra que o preço é um dos fatores, mas que pode haver outros aspectos a serem trabalhados.

Outro ponto é: para que serve um público maior no estádio? A resposta mais óbvia é que o futebol é uma atividade popular. Times e adeptos têm relação de interdependência. De novo, porém, encerrar a discussão assim seria simplificar demais uma questão que não é simples.

Com mais gente no estádio, um time tem a chance de comercializar mais produtos, incrementar a receita de match day e expor melhor os patrocinadores, por exemplo. A equipe também pode atrair novos mercados e fazer ações institucionais para construir uma imagem adequada.

Público no estádio não é apenas receita de bilheteria. Tampouco é apoio ou crítica aos times que estão em campo. Torcedores que decidem ir a um campo de jogo são um campo de possibilidades. Não ver isso é um reducionismo extremo.

No entanto, esse não é o único assunto em que há simplificações. Outro exemplo é a discussão sobre calendário. Um grupo de jogadores de futebol das duas primeiras divisões do Campeonato Brasileiro lançou na última semana um manifesto chamado Bom Senso F.C., coletivo que pede participação dos atletas em discussões sobre a condução da modalidade.

Desde que esses atletas publicaram o manifesto, tenho acompanhado bastante a repercussão do caso em redes sociais e comentários de textos publicados na internet. Em geral, o assunto gera uma discussão dicotômica entre os que defendem mais jogos e os que preferem uma redução.

A polarização entre os que dizem que jogadores de futebol ganham milhões e não podem reclamar de entrar em campo e os que condenam o excesso de partidas desperdiça uma oportunidade de aprofundar o debate. A questão não é apenas a quantidade de apresentações.

Ainda que o número de jogos interfira diretamente no rendimento dos atletas, a discussão tem de ser ampliada. Um calendário mais adequado pode aumentar a velocidade e a qualidade das partidas, por exemplo. Mas é fundamental que essa teoria seja embasada por estudos e análises consistentes.

Nos Estados Unidos, a temporada regular do futebol americano tem 17 rodadas distribuídas entre o início de setembro e o fim de novembro. Os playoffs são realizados no começo do ano, e o Super Bowl, jogo que define a NFL, é realizado normalmente em fevereiro. São seis meses de atividade por ano.

A enorme janela que a NFL cria no calendário tem uma série de explicações. A liga se preocupa com o condicionamento dos atletas, por exemplo, e reduz o número de jogos para transformar todos em eventos verdadeiramente especiais. Mas também há uma relação direta com os calendários de outras ligas esportivas.

Um calendário mais adequado no futebol brasileiro afetaria diretamente a televisão, que paga caro para transmitir o esporte e teria de abrir mão de algumas datas. O exemplo dos Estados Unidos mostra que essas janelas podem ajudar a desenvolver e dar espaço para outros esportes.

É claro que as realidades dos dois países são muito diferentes e que a TV aberta do Brasil dificilmente colocaria numa noite de quarta-feira um jogo de outro esporte. Transportar para cá o exemplo dado pelos norte-americanos seria mais um reducionismo. O que eu peço é que as pessoas olhem para o que está além da simples discussão sobre o número de partidas.

O reducionismo afeta até análises sobre jogos. No Brasil, muitos partem da premissa de que entender de futebol é sinônimo de acompanhar futebol, conhecer regras e saber detalhes históricos. O pecado aí é ignorar os motivos.

Nesta semana, ouvi pelo menos cinco comentaristas de rádio dizendo que "o problema do Corinthians é que não faz gols" ou coisas similares. O time alvinegro é outro que está em crise: não vence há oito partidas, e balançou as redes apenas uma vez nesse período.

Dizer que o problema é não fazer gols é mais um reducionismo. A discussão deve ser o porquê de a equipe não atingir a meta adversária. Relatar o que acontece é relevante, mas não provoca e não cria debates. Já passou da hora de o futebol ser visto como um evento complexo.

A mesma dicotomia provocada pela discussão sobre calend&aa
cute;rio aparece nesse ponto. Comentários na internet dividem o público entre os que dizem "tal comentarista nunca jogou bola e não tem direito de opinar" e os que preferem o "esse cara não estuda e não tem conteúdo para opinar".

Boleiros ou estudiosos podem cometer erros similares. A questão não está na formação ou na abordagem, mas no conteúdo. Assim como as pessoas, o futebol é complexo e tem perfis muito diferentes. Não ver isso é reducionismo.

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O treinamento da transição ofensiva

Muitos gols ocorrem a partir de jogadas de contra-ataque. A equipe que perde a posse de bola necessita de uma resposta coletiva imediata que, caso não ocorra, potencializa a desorganização de seu sistema e a possibilidade de finalização do adversário. E quanto mais rápida, organizada e eficaz forem as ações coletivas da equipe que recuperou a posse, mais próxima ela estará do cumprimento da lógica do jogo.

Posto isso, o planejamento semanal deve privilegiar atividades que contemplem este momento do jogo, sabidamente, como parte integrante do Jogar da equipe. Em colunas anteriores, exemplos de atividades com caráter ofensivo, de transição defensiva e defensivo foram mencionados para auxiliar na elaboração do microciclo.

Na presente coluna as sugestões serão dedicadas às atividades que buscam a retirada adequada do setor de recuperação, horizontal ou verticalmente, conforme as regras a seguir:

•Após qualquer recuperação da posse de bola no campo de defesa, se a equipe errar o passe é ponto para o adversário;

•Com o campo de defesa dividido na intermediária, após qualquer recuperação da posse de bola no setor defensivo, ponto para a equipe se conseguir ultrapassar o meio campo com a bola dominada, através de condução ou passe. Como progressão desta regra, é possível definir um tempo limite para ultrapassar o meio campo e pontuar, entre 5 e 10 segundos.

•Com o campo de defesa dividido na intermediária, após qualquer recuperação da posse de bola no setor intermediário, ponto para a equipe se conseguir realizar um passe pra frente;

•Com o campo de ataque dividido na intermediária, após qualquer recuperação da posse no setor intermediário, ponto para a equipe se conseguir realizar um passe pra frente, no setor ofensivo;

•Com o campo de ataque dividido na intermediária, após qualquer recuperação da posse no setor intermediário, ponto para a equipe se a jogada terminar em finalização em até 10 segundos após a recuperação;

•Com o campo de ataque dividido na intermediária, após qualquer recuperação da posse no setor ofensivo, ponto para a equipe se a jogada terminar em finalização em até 5 segundos após a recuperação;

•Maior pontuação para gols originados em jogadas de contra ataque;

Durante os jogos, é possível combinar as regras e estimular a transição ofensiva a partir da recuperação da posse em diferentes locais do campo de jogo. Não esqueça de “amarrar” o tema desta coluna com as publicações anteriores. Elas dão significado às sugestões e possibilitam as inter-relações pretendidas no treinamento a partir de uma visão sistêmica.

Treinar o Jogar que se pretende é pré-requisito para condicionar complexamente o jogador de futebol.

Quem sabe quando esta visão teórica for unânime na prática não veremos mais desculpas sobre o (aparente) despreparo fragmentado de uma equipe na reta final da temporada. Muitos insistem em simplificar o futebol…

Abraços e até a próxima semana.

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Mudanças no calendário do futebol brasileiro?

Após a divulgação do calendário futebolístico de 2014, muito se tem falado do movimento dos atletas por mudanças no calendário do futebol brasileiro.

De fato, mudanças e adequações devem ser realizadas, mas, há de se levar em consideração as peculiaridades que rondam o futebol e as características do país.

No que concerne aos campeonatos estaduais, sua existência se dá em virtude do país se constituir como uma Federação. Não obstante isso, sua realização deve se restringir a poucas datas e não por longos três ou quatro meses. Inconcebível, ainda, campeonatos estaduais inxados, com vários times. Deveriam ter oito ou, no máximo 10.

A ideia dos campeonatos regionais é boa, especialmente para Estados com menor destaque no futebol, eis que podem unir forças. Para os campeonatos com maior tradicão e rivalidade como ocorre em Minas, Rio, SP, RS, SC, PR, GO, BA e PE, por exemplo, há de se avaliar com bastante carinho.

A ideia da Copa do Brasil durar todo o ano é muito boa, entretanto, a impossibilidade de se disputar a Sul-Americana acaba por desvalorizar a competição continental e, ainda, gerar situações bastante inóspitas como uma equipe jogar uma partida da Copa do Brasil querendo ser eliminada para disputar a competição internacional.

Por fim, muito se fala da adqueação do calendário do futebol brasileiro ao europeu, ou seja, iniciando-se em agosto e terminando em maio. Outrossim, o fato do calendário brasileiro iniciar-se em janeiro e terminar em dezembro se dá em razão do país ter o seu verão no final do ano, ao contrário da europa, cujo verão se dá no meio do ano.

De toda sorte, ainda há muito o que se estudar e discutir a fim de termos um calendário mais racional, com menos jogos e até mais rentável. Portanto, todo este movimento é essencial e pode significar um verdadeiro divisor de águas na história do futebol brasileiro.

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Cruzando as pernas – #Demorou #Tamojunto

O futebol brasileiro não respeita datas. Não tem cabimento. Não é exemplo para Darwin. Não tabela com a preparação física. Não respeita o corpo do atleta, a alma do torcedor, a camisa dos clubes.

Calendário do futebol brasileiro é como folhinha de borracharia onde modelos desfilam suas vergonhas. Onde alguns sem muitas vergonhas baixam a borracha e sobem o burro no que é sagrado.

Não pode. Não cabe. Não deve.

– Não!

É o grito de gente que joga. São atletas bons de pé e de cabeça e também de peito para desarmar jogadas de bastidores. Bastilha que cai e que precisa ser encarada pelos atletas do bem comum e do bom senso. CBF, TVs, mídia, estão todos no mesmo jogo. É preciso organizá-lo. Respeitá-lo como já não se respeitam mais as férias aos atletas. A pré que já vira temporada. Os estaduais inchados. O Brasileirão longo. Muitos jogos para pouco futebol.

– Não!

Se preciso, que atletas profissionais (e não apenas bem remunerados, quando pagos em dia – ou meses) cruzem as pernas e os braços. Ao menos que discutam como alguns estão se articulando com a mesma velocidade com que os donos da bola e das boladas com controle remoto dominam o esporte, o espetáculo e o negócio de milhões para poucos, e migalhas para muitos.

O ideal seria equiparar nosso calendário ao europeu. O possível é racionalizar os estaduais, esticando-os pela temporada, diminuindo o número de partidas dos que jogam as primeiras divisões nacionais.

São várias ideias. Muitos ideais.

E, torcemos, muitos para debater e bater um bolão. Canarinhos que não são mais cordeirinhos. Ovelhinhas de presépio. Cordeirinhos no curral eleitoral e comercial de interesses desinteressantes ao futebol.

É preciso dar força e respaldo a quem coloca o pescoço e as canelas na forca.

Tem como racionalizar e diminuir o número de partidas, e não necessariamente acabando com campeonatos.

Tem como ouvir e conversar com quem faz o jogo, não necessariamente as jogadas.

Tem como melhorar o diálogo, o desempenho, a atividade, o negócio.

Tem de jogar junto. Não contra.
 

Para interagir com o autor: maurobeting@universidadedofutebol.com.br

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

 

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Eu falo, mas ninguém me entende

Os treinadores do futebol brasileiro têm passado por situações inusitadas em promover os melhores desempenhos de suas equipes e isso deixa para nós a impressão de que pode haver algum problema de comunicação entre os treinadores e seus atletas.

No esporte, como em qualquer campo de relacionamento profissional, podem existir barreiras à comunicação efetiva entre todos os envolvidos.

Estas barreiras são geralmente restrições que podem ocorrer dentro ou entre as etapas do processo de comunicação, fazendo com que nem todo sinal emitido pela fonte de informação (o treinador) percorra o processo e chegue incólume ao seu destino (os atletas). Segundo Chiavenato, o sinal emitido pode sofrer perdas, distorções, ruídos, interferências, ampliações ou desvios.

Já ouvimos algumas vezes treinadores argumento que os atletas não compreenderam a filosofia que seria implantada ou a concepção de futebol que seria inserida no clube A ou B. Esta declaração talvez já não teria para nós um indício de que algo na comunicação está errada?

A resposta a esta pergunta é sim, existe algo de falho na comunicação. Mas para que os treinadores estejam atentos quanto à qualidade de sua comunicação, compartilho as principais barreiras à comunicação efetiva dos treinadores no futebol, conforme definição de Laios citado na literatura de Dietmar Samulski.

• Tempo limitado: Durante as partidas, geralmente o treinador tem um tempo limitado para conversar com os atletas em particular, como nos intervalos por exemplo. Neste curto período de tempo, o treinador deve transmitir algumas instruções e pensamentos, bem como ter a certeza de que os atletas entenderam a mensagem.

• Linguagem: Muitas vezes ao treinadores utilizam uma linguagem muito científica e de difícil compreensão para a maioria dos atletas, isso dificulta e compromete o processo de comunicação.

• Habilidade de percepção: Significa que todo atleta tem uma percepção e decodificação diferente da mensagem enviada pelo treinador.

• Condição emocional: Em muitas ocasiões os atletas não entendem o que o treinador está passando pelos simples fato de estarem em condições emocionais ruins. Nervosismo excessivo, irritação e estresse elevado são exemplos de fatores que demonstram um desequilíbrio emocional do atleta.

• Fatores externos: São outros fatores que não estão relacionados diretamente com o ambiente de treinamento e por isso estão fora do controle do treinador, como por exemplo manifestação de torcedores que é uma situação que pode causar distrações dos atletas.

Então, cabe aos treinadores estarem atentos quanto à comunicação com seus atletas e o quanto isso pode ser decisivo para o desempenho de suas equipes. Comuniquem-se!