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O profissionalismo do futebol brasileiro: uma abordagem histórica

O processo que resultou na profissionalização do futebol no Brasil foi rodeado por questões de classe social, interesses financeiros, afirmação de identidades, racismos e preconceitos de toda a ordem. Dirigentes conservadores e o racismo das elites fazem com que o futebol continuasse sendo amador (AFIF, BRUNORO, 1997; BRETAS, 2006).

Em 1933, temos a implantação do futebol profissional em nosso país. De forma muito precária ainda, mas o suficiente para estabelecer o marco mais importante na história do nosso futebol. O ano de 1933 representa a fase do profissionalismo.

Há relatos datados de 1915 que jogadores de São Paulo e do Rio de Janeiro recebiam algum dinheiro para entrar em campo, como forma de incentivo as vitórias. Era uma gratificação, independente do resultado, isso servia de estímulo ao jogador. Isso fazia com que o jogador se empenhasse mais, jogasse melhor, com mais entusiasmo, mais vontade de vencer o que poderia proporcionar á ele futuras convocações e conseqüentemente mais gratificações. Óbvio que isso não caracteriza o profissionalismo, mas cria condições para o surgimento (CALDAS, 1989).

Segundo Caldas (1989), algumas entidades esportivas surgidas no início do século XX, já se organizavam para cobrar ingressos dos espectadores, como por exemplo, a Apea (Associação Paulista dos Esportes Atléticos), fundada em 1913 com o objetivo de organizar o futebol paulista. Mas em 1908, no Rio de Janeiro, a Liga Metropolitana de Sports Athléticos tinha os mesmos objetivos que a Apea. Desse modo, era inevitável o surgimento do profissionalismo. As arrecadações obtidas visavam manter autônomo o departamento de futebol de cada clube. Antes as gratificações eram dadas por sócios ricos, agora elas seriam retiradas da renda do jogo. Isso faz com que surgissem inúmeros problemas no futebol brasileiro e aos dirigentes. No dia 25 de Setembro de 1915, os paulistas criaram a Federação Brasileira de Futebol. Cinqüenta dias depois, a 15 de Novembro de 1915, os cariocas fundaram a Federação Brasileira de Desportos. Começou então uma das maiores disputas entre paulistas e cariocas pela hegemonia do futebol brasileiro.

Após alguns conflitos, no dia 18 de Junho de 1916 o chanceler Lauro Muller, como mediador do conflito, convocou os representantes de cada entidade e propôs a união deles e a criação da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), uma instituição forte e expressiva para dirigir e representar internacionalmente (junto à Fifa) o futebol. A proposta foi aceita. Então, no dia 6 de Novembro de 1916 foi fundada a Confederação Brasileira de Desportos.

Em 1923, o Clube Regatas Vasco da Gama decide pela primeira vez na história do futebol colocar negros em seu time. E por ironia, se tornou campeão carioca neste ano. Tinha no banco jogadores negros, mulatos e quatro analfabetos. E dessa maneira venceu seus adversários Flamengo, Fluminense, Botafogo, América, times que prezavam e lutavam pelo elitismo no futebol. Devido a essa ousadia do Vasco da Gama, o clube não só conquistava o seu primeiro campeonato na primeira divisão, mas criava também a maior crise no futebol carioca pelo fato de em seu elenco conter jogadores negros e analfabetos. Isso era uma humilhação para os times grã-finos, nos quais esses times eram formados por jovens estudantes e profissionais de alto nível da elite carioca.

A partir de então, modificou-se o panorama do futebol brasileiro e com ele a própria imagem do jogador. O público já não via mais o jovem estudante universitário, grã-fino, praticando o esporte até então exclusivo dos ricos. Qualquer profissional, desde que comprovasse seu talento com a bola nos pés, teria chances de vestir a camisa de um Flamengo, Fluminense, Botafogo, América, Bangu, Vasco.

É nesse momento que os grandes clubes foram buscar na periferia e nos times pequenos bons jogadores. Dessa forma, jogar futebol deixava de ser um esporte nobre para a elite; passara a ser uma atividade grosseira. O prestígio que a elite dava ao futebol foi sumindo rapidamente. Em pouco tempo, o futebolista perdeu a imagem do homem fino, de elite, e passou a ser visto como um marginal da sociedade. A essa altura, o futebol estava bem perto da profissionalização. Embora isso já ocorresse, mas de forma não declarada (CALDAS, 1989).

O futebol tornou-se profissional formalmente no dia 23 de Janeiro de 1933. Na prática, é impossível precisar a data, pois há inúmeros exemplos de jogadores, na época do amadorismo que recebiam gratificações, “bichos” ou até mesmo salários mensais, como se fossem funcionários (BORSARI, 1975; CALDAS, 1989; BETTI, 1997).

Caldas (1989) Afif e Brunoro (1997) dizem que em 1931 e 1932, Argentina e Uruguai, além dos europeus um pouco antes, já haviam legalizado o profissionalismo no futebol. Isso atraía jogadores brasileiros. Os craques brasileiros notaram que era possível viver do futebol. Para se ter uma idéia, o jogador Fausto, do Vasco da Gama, foi atraído pela possibilidade de ganhar muito dinheiro, deixou a equipe carioca em meio a uma excursão que o time fazia pela Europa para se transferir para o Barcelona, da Espanha. Em 1931, a Lazio, da Itália, contratou dez jogadores brasileiros de uma só vez. Os dirigentes brasileiros, diante da situação, ficaram preocupados, já que o futebol nacional corria sério risco de ver a debandada de seus principais jogadores para a Europa.

A desorganização e o amadorismo precisavam dar espaço a atitudes mais realistas. A solução encontrada foi a criação da Liga Carioca de Futebol em 1933, favorável ao profissionalismo, apesar de não contar com o apoio de todos os clubes do Rio de Janeiro. Na prática, os jogadores já estavam sendo remunerados. O futebol estava dividido em dois grupos: os que defendiam o profissionalismo e os que insistiam em que ele se conservasse amador, apesar das gratificações que os clubes davam aos jogadores.

Todas as grandes equipes do nosso futebol começavam a perder seus melhores jogadores para o exterior. Isso promovia uma queda no nível técnico, na qualidade dos jogos e aumentava o descontentamento do torcedor – nessa fase, os torcedores já pagavam ingressos e exigiam então um futebol de melhor qualidade. Os jogadores que não se empenhavam bastante durante as partidas eram vaiados pela torcida e conseqüentemente eram substituídos pelo técnico. Geralmente esses jogadores eram jovens de boa condição econômica e que não tinham interesse em se profissionalizar (CALDAS, 1989).

O profissionalismo no Rio de Janeiro

Antonio Gomes de Avelar, presidente do América Futebol Clube, no Rio de Janeiro, em 1932, tornou pública sua atitude em favor do profissionalismo. O Vasco da Gama e o Sport Club Corinthians Paulista romperam barreiras do preconceito racial, admitindo jogadores negros em seus times. Gomes de Avelar estava disposto a levar o profissionalismo ao seu clube, independentemente do apoio de outros clubes. Ele estava disposto a declarar publicamente que o América pagava aos jogadores. A partir daquele momento, todos os jogadores teriam contratos com o clube e neles estaria o valor do salário pago ao atleta. Isso gerou inúmeros conflitos, discussões, suspensões ao clube, pois a maioria dos clubes cariocas era favorável ao amadorismo – enxergavam o futebol como um momento de lazer (CALDAS, 1989).

A partir de 1933, quando se consolida o profissionalismo, os ingressos sobem de preço, mas os estádios continuavam a receber um público cada vez maior. Os jogos entre os grandes times Botafogo, Vasco, Flamengo, Fluminense e América chegavam a causar tumultos, porque o público era superior à capacidade de seus estádios. Mas as vantagens econômicas do profissionalismo não eram apenas as rendas dos jogos. Assim como acontece hoje, a venda de um jogador para outros clubes gerava grandes lucros (mas somente para o clube). O atleta só receberia o salári
o, a sua venda para outro clube não lhe gerava lucro nenhum (CALDAS, 1989)

O “bicho”, além de servir como uma motivação aos jogadores para se empenharem mais durante os jogos, melhorando a qualidade do espetáculo, como tornava os jogos da LMDT (Liga Metropolitana de Desportos Terrestres) mais empolgantes. Além disso, o “bicho” tem o mérito de ter aberto as portas do futebol brasileiro para o profissionalismo (CALDAS, 1989; BETTI, 1997).

O profissionalismo em São Paulo

Não é necessário retomar o futebol paulista desde as suas origens, quando Charles Miller em 1984, chega da Inglaterra trazendo bolas, calções, chuteiras e camisas de futebol em sua bagagem (ROSENFELD, 1973; CALDAS, 1989; HELAL, 1990).

Caldas (1989), diz que a trajetória do futebol paulista é semelhante á dos cariocas, ou seja, repleta de brigas, discussões e desentendimentos que se iniciam quando surge em 1901 a LPF (Liga Paulista de Futebol). Essas discussões, brigas, têm motivos semelhantes aqueles já discutidos anteriormente: a questão do elitismo e das lutas internas, nas entidades e nas imprensas, em defesa do profissionalismo.

A primeira cisão acontece em 1913, o C.A. Paulistano, fundador da LPF, desencadearia uma nova entidade, a Apea (Associação Paulista de Esportes Atléticos), no dia 22 de abril. Deste modo, os associados da Apea passariam a organizar o seu próprio campeonato. Essa cisão ocorreu devido a preconceitos raciais e sociais no elitismo que sempre permeou o futebol da época.

Alguns times da segunda divisão reivindicavam para a Apea o acesso para a primeira divisão, a “Lei de Acesso” já que haviam ganhado inúmeras vezes de alguns times da primeira divisão em jogos amistosos, mas como diz o glorioso jornalista João Saldanha:

“o futebol se caracteriza pela contingência e o inusitado. A normalidade é a exceção e não a regra”.

Esse fato é muito importante para a história do profissionalismo do futebol, já que esse fato esta diretamente relacionada ao elitismo e a briga entre as classes sociais e a disputa de interesses políticos. Mas a Apea não cogitava a “Lei do Acesso”. Os times da segunda divisão não tinham o mesmo refinamento social encontrado no C.A. Paulistano, Palestra Itália e outros. E o elitismo não era observado somente pelo “status” do jogador, o próprio clube precisava manter uma sede compatível.

Suas instalações e seu patrimônio, ao lado da “qualidade social” dos jogadores eram determinantes para o acesso á primeira divisão da Apea. Por causa dessas discriminações, os times da segunda divisão romperam com a Apea em 1921 e formaram a sua própria instituição. A nova associação não teve apoio da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) e por isso não chegou a ter nome. A única saída foi retornar á Apea. Somente em 1949 a “Lei do Acesso” entra em vigor.

Nessa época o profissionalismo já estava consolidado. No Campeonato Paulista de 1949, o Guarani de Campinas e o XV de Piracicaba foram os primeiros beneficiados com a Lei do Acesso. Ambos, respectivamente foram campeão e vice-campeão da segunda divisão do futebol profissional (CALDAS, 1989).

Em 1923, a CBD realizaria o Campeonato Brasileiro, e este seria o primeiro Campeonato Brasileiro oficial de futebol. Pela primeira vez, reunia-se em um torneio esportivo em nosso país, nove estados da federação, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Para, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e o Distrito Federal. O estado de São Paulo foi o campeão.

Os desentendimentos entre a Associação Paulista de Esportes Atléticos (Apea) e a Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMTD) eram velhos, como a condição do jogador de futebol. Afinal, a LMTD não admitia o profissionalismo. Ela vigiava e punia os clubes e os jogadores que transgredissem o “Código de Ética” assinado pelos sócios. Na Apea a situação era diferente, os jogadores recebiam salários para vestir a camisa de seu time. Enquanto a LMTD punia com firmeza, a Apea tomava conhecimento apenas formalmente. Esse era um dos motivos que geravam constantes desentendimentos entre ambas. Mas em nenhuma das duas instituições havia unanimidade para implantar o profissionalismo ou manter o amadorismo.

Enquanto o Rio de Janeiro havia um amadorismo mais evidente devido às imposições da LMTD e posteriormente da Amea (Associação Metropolitana de Esportes Athléticos), em São Paulo a situação era confusa. O amadorismo e o profissionalismo coexistiram até a legalização do profissionalismo. Diferentemente do resto do Brasil, em São Paulo havia um número muito grande de jogadores que recebiam salários em seus clubes para jogar. O dinheiro que os jogadores recebiam servia de estímulo para lutar pelas vitórias. Para finalizar, em São Paulo havia um clima menos hostil ao profissionalismo do que no Rio de Janeiro, pode-se até dizer favorável, sem que a Apea reprimisse. O que inevitavelmente, em 1933, resultaria no profissionalismo do futebol brasileiro (CALDAS, 1989).

Bibliografia

AFIF, A; BRUNORO, J. C. Futebol 100% profissional. São Paulo: Editora Gente, 1997.
BETTI, M. Violência em campo: dinheiro, mídia e transgressão ás regras no futebol espetáculo. Ijui, RS: Editora Unijui, 1997.
BORSARI, J. R. Futebol de campo. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, 1975.
BRETAS, A. O “football” e a “barbaria de atitudes” a: visão de Otto Prazeres em 1944. In: X Congresso Nacional de História do Esporte, Lazer e Educação Física e Dança. Escola de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2006. 1 CD-ROOM.
CALDAS, W. O pontapé inicial: memória do futebol brasileiro. São Paulo: Editora Ibrasa, 1989.
HELAL, R. O que é sociologia do esporte. São Paulo: Editora Brasiliense, 1990.
ROSENFELD, A. O futebol no brasil. São Paulo: Revista Argumento, 1974.

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O jogar (pensar) coletivamente

… o que de mais forte uma equipa pode ter é jogar como uma equipa. (Mourinho, 2003)

Segundo Amieiro (2005), a organização defensiva só conseguirá ser verdadeiramente coletiva se as ações tático-técnicas realizadas por cada um dos onze jogadores forem perspectivadas em função de uma idéia comum, respeitando um referencial coletivo, em que as tarefas individuais dos jogadores se relacionam e regulam entre si. O autor ainda afirma que apenas assim o “todo” (a equipe que se defende) conseguirá ser maior que a soma das partes que o constituem (comportamentos tático-técnicos de cada atleta).

Quanto o autor fala sobre “idéia comum” ou “referencial coletivo” é preciso entender que não está se referindo a automatismos fechados, ou algo já estabelecido de forma estanque, mas a princípios que norteiam a ação coletiva da equipe e por conseqüência as ações individuais dos atletas nela inseridos. Pode-se constatar isso no trecho seguinte da sua frase em que se refere às interações entre jogadores (quando diz “relacionam”) e ao processo de feedback (quando diz “regulam”) que ocorre permanentemente durante as ações coletivas e individuais dos jogadores.

Portanto faz-se necessário construir e definir princípios que balizem os comportamentos coletivos (princípios de jogo), visto que o jogo pelo seu caráter imprevisível não permite ações planejadas em sua plenitude, pois vai sendo construído conforme as respostas que seus jogadores vão oferecendo pontualmente naquelas situações. Respostas essas que surgem da interação dos mesmos com sua equipe, com o adversário, com a posição da bola e de um número muito alto de outras variáveis que estão nele inseridos.

A simples informação não altera comportamentos e estes demoram muito tempo para serem alterados (FRADE, 2004). Cabe ao treinador direcionar esses comportamentos para o modelo de jogo que pretende adotar, através de exercícios com complexidade crescente, sempre atuando na zona proximal de conhecimento do atleta com um objetivo final muito definido. O quão elaborado será o modelo de jogo depende da qualidade com que esse processo será aplicado e do conhecimento que o treinador tem sobre o jogo.

O objetivo é que a equipe apresente respostas coletivas para a maior quantidade possível de situações que estejam presentes nos quatro momentos do jogo: com a bola, sem a bola, transição defesa-ataque e transição ataque-defesa. Nessa proposta uma equipe pode ter a bola, mas, por estar com vantagem no placar, não quer dar profundidade ao jogo e quer defender-se com a posse. Suas movimentações são bem diferentes de quando ela precisa marcar gol.

Caso algum(ns) jogador(es) não estejam com os princípios daquele momento assimilados, pode(m) apresentar respostas incongruentes com os objetivos momentâneos da equipe, realizando movimentações para regiões em que a pressão do adversário é mais intensa, aumentando os riscos de perder a bola e não colaborando com a meta coletiva estabelecida para aquela pontual situação, a manutenção da posse de bola simplesmente. E que fique bem claro com esse parágrafo que “estar defendendo” ou “estar atacando” independe de ter ou não a bola, pelo caráter indivisível que o jogo apresenta ao contemplar os quatro momentos anteriormente citados que se manifestam intimamente relacionados.

Os princípios de jogo estão ligados aos hábitos da equipe, que são resultado da interação dos hábitos individuais dos jogadores, portanto aí deve estar focada a intervenção do processo de treino. Para Frade (2002), o hábito é um saber-fazer que se adquire na ação, portando vivenciar os devidos princípios de uma forma hierarquizada e sistematizada é fundamental para que o objetivo final, ou seja, a implantação do modelo de jogo idealizado pelo treinador baseado no contexto em que se encontra, materialize-se em campo de forma condizente com a proposta inicial.

Bibliografia

Amieiro, N. (2005) Defesa à Zona no Futebol: Um pretexto para refletir sobre o … bem, ganhando!. Edição do Autor. 2005.
Frade, V. (2002) Apontamentos das aulas de Metodologia Aplicada II, Opção de Futebol. FCDEF-UP. Porto. Não publicado.
Frade, V. (2004) Apontamentos das aulas de Metodologia Aplicada II, Opção de Futebol. FCDEF-UP. Porto. Não publicado.
Mourinho, J. (2003) Entrevista ao programa <2ª Parte> da SporTV. 14 de maio de 2003.

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Periodização tática e futebol

“Aspecto particular da programação, que se relaciona com uma distribuição no tempo, de forma regular, dos comportamentos tácticos de jogo, individuais e colectivos, assim como, a subjacente e progressiva adaptação do jogador e da equipa a nível técnico, físico, cognitivo e psicológico”. (Mourinho, 2001)

A definição acima dada pelo treinador português José Mourinho sobre o seu conceito para a periodização contempla o que para ele são os quatro aspectos fundamentais que o treinamento deve abranger de uma forma indissociável.

Defende que toda sessão de treino deva ser realizada com bola de forma que o atleta pense no jogo. Para Carvalhal (2003) a primeira preocupação nessa periodização é o jogo, com ênfase em treinos situacionais e em situações de jogo, com o treino físico (ou da dominante física) inserido no mesmo.

Essa forma de periodizar é contrária aos modelos tradicionais, em que as prioridades do treino são outras; em que os aspectos físicos, técnicos, táticos e psicológicos possuem sessões particulares de trabalho, sendo em alguns momentos “integrados” em treinamentos físico-técnicos ou técnico-táticos que apesar da presença da bola não possuem como objetivo central a melhora da qualidade do jogo.

Considerando como epicentro do jogo o aspecto tático, a Periodização Tática (PT) citada pelos treinadores acima tem como referência o Modelo de Jogo Adotado (MJA) e, com isso, os outros aspectos devem estar presentes sempre nas sessões de treinos, pois sem eles o jogo em alta qualidade torna-se fora do alcance. A tática é pensada como aspecto central da construção do treino, de forma que as outras capacidades sejam desenvolvidas por “arrasto”, de forma contextualizada e identificada com a matriz de jogo proposta.

Para isso nas sessões de treino são desenvolvidos exercícios que construam e potencializem a forma de jogar exacerbando algumas situações (princípio metodológico das propensões) que o treinador eleja como prioridade naquela sessão.

Dentro da PT não faz sentido um mesociclo apoiado em microciclos que tenham em sua estrutura perspectivas praticamente idênticas pautadas ou na variação de volumes de carga, ou de prioridades físicas, ou nas pendências fisiológicas. Na perspectiva do MJA, o microciclo segue uma progressão complexa relacionada ao processo e compreensão da lógica do jogo e ao modelo de jogo a se jogar.

A Periodização Tática emerge, na prática competitiva (principalmente em Portugal nesse momento), como uma nova proposta de periodização para os jogos coletivos, respeitando suas características – e nesse caso aprofundando nas particularidades e complexidades do futebol. Surge como alternativa para a periodização tradicional que têm, em grande parte de seus idealizadores, origem em esportes individuais ou com um curto período competitivo. Parte do pressuposto de que esportes coletivos, como o futebol nesse caso, com longos períodos de competição necessitam de regularidade competitiva, não tendo nos “picos de forma” esse objetivo atingido. Os picos do Modelo de Jogo tornam-se as metas a serem buscadas e que, pelos constantes processos de construção do mesmo proporciona um desenvolvimento contínuo.

Para pesquisadores e profissionais da Educação Física, PT e MJA não são nenhuma novidade, longe disso. Autores clássicos estudados em boas faculdades de Educação Física no Brasil propõem discussões nessa perspectiva há mais de 20 anos. A novidade talvez seja vê-la realmente na prática desportiva do futebol de alto nível.

A PT mostra uma preocupação com a qualidade do jogo e rompe com conceitos cartesianos fincados em nossa sociedade. Seus conceitos, idéias e perspectivas passaram agora pelos portões das universidades, rumo a batalha contra os achismos que ainda imperam no futebol (ou por tradicionalismos ou pela falta de conhecimento científico).

Que vençam a batalha!

Bibliografia

Carvalhal, C. (2003), “Periodização táctica. A coerência entre o exercício de treino e o modelo de jogo adotado” Documento de apoio das II Jornadas técnicas de futebol da U.T.A.D
Mourinho, J. (2001), “Programação e periodização do treino em futebol” in palestra realizada na ESEL, no âmbito da disciplina de POAEF.

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A regionalização do futebol mundial

A Fifa controla todos os passos do futebol no mundo, determinando onde, como e quando ele será realizado, e faz com que a reprodução do capital se dê nesses moldes. Atua como uma corporação, com enorme poder de influência política e econômica. Como as entidades nacionais têm de seguir seu estatuto, nada é feito contra a vontade da Fifa. Como explica Arlei Sander Damo, em sua tese de doutorado:

“Na medida em que [a Fifa] detém o monopólio sobre o espetáculo, deixa aos futebolistas opções restritas de mercado para além dos clubes que participam do circuito por ela agenciado. As possibilidades de atuação ou, preferindo-se, de remunerar o capital futebolístico, são limitadas, ainda que exista uma intensa circulação desses profissionais (…) a circulação intensa (sendo as equipes brasileiras renovadas praticamente ano a ano) e extensa, em escala planetária, é característica do atual estágio de desenvolvimento do futebol de espetáculo, sendo o mercado incompreensível se não for pensado a partir do monopólio exercido pela Fifa e sua cadeia de agências continentais, nacionais e regionais” (DAMO, 2005: 177).

Além das associações nacionais, a Fifa se espalha também em outra escala, a regional. Através das confederações continentais, ela consegue controlar cada região do planeta de maneira peculiar. A Fifa possui seis confederações regionais: Asiática; Africana; da América do Sul; Européia; da Oceania; da América do Norte, Central e do Caribe. Cada uma delas possui suas associações nacionais, mas nem sempre isso segue a regionalização geográfica mundialmente conhecida. Por exemplo, a Austrália pediu recentemente, e foi aceita, para participar da Confederação Asiática de Futebol. Um dos argumentos é que aquele país prefere disputar as eliminatórias para a Copa do Mundo no outro continente e brigar diretamente por uma vaga a ter que disputar as eliminatórias na Oceania. Neste caso, conseguiria no máximo ir até a repescagem para disputar uma vaga com o quarto classificado da América do Sul (o que na teoria é mais difícil).

Países pertencentes à América do Sul, como Suriname e Guiana, disputam competições ligadas à confederação que reúne os países da América Central, do Norte e do Caribe. Já da Uefa, a entidade que rege o futebol no continente europeu, participam países como Azerbaijão e Cazaquistão, que têm suas áreas no continente asiático, e Turquia, que apesar de ter a maior parte de seu território na Ásia (e o restante na Europa), também participa dos torneios e eliminatórias européias. Nesses casos, as associações estão mais preocupadas com o dinheiro, com o potencial de mercado e até com o status de “país europeu”, mesmo sabendo que a disputa das eliminatórias para uma Copa do Mundo na Europa ser bem mais difícil. Existe também o caso de Israel, que participa da Uefa, e nesse caso tem relevância a questão da identidade e o fato de haver muitas restrições, principalmente no Oriente Médio, à participação de Israel nos torneios regionais asiáticos. O mapa a seguir ajuda a visualizar essa diferente regionalização que a Fifa faz no mundo.

Outra característica que torna a Fifa uma corporação é sua ampla escala de operações. A Fifa organiza torneios, vende cotas de patrocínio, dita as regras do futebol no mundo, negocia os direitos de televisão, fornece produtos licenciados, faz parcerias com multinacionais, age politicamente sobre a negociação de jogadores, toma partido em disputas entre países, proíbe certos tipos de uniformes ou chuteiras, dispõe sobre os estádios e os torcedores etc. Tudo isso também dá à Fifa um caráter multifuncional, pois ela tem suas afiliadas espalhadas pelo mundo, participa de diversos tipos de negócio dentro do futebol e ainda escolhe onde investir mais ou menos. Assim, a entidade se expande tanto verticalmente quanto horizontalmente.

Duas outras características citadas por Roberto Lobato Corrêa também mostram o papel da Fifa como corporação. A primeira é a segmentação da corporação, ou seja, em cada associação pertencente à Fifa o futebol tem uma função diferenciada. Em algumas ele é praticamente o produto final, o que seria o “sonho de consumo” de todos os envolvidos com esse esporte. Em outros, o papel é de fornecedor de jogadores que precisam ser lapidados – o Brasil se encaixa neste perfil. Existem também outros lugares que recebem as mercadorias que não são de ponta, para onde escoam os jogadores de segundo e terceiro escalão. E no final de toda essa cadeia corporativa estão os países que ainda não têm o futebol bem desenvolvido (e onde a Fifa costuma investir pensando no futuro) . Assim, cada uma dessas associações desempenha um papel diferente – e tão importante quanto – no processo de acumulação de capital e expansão espacial da corporação – que culmina na ampliação do território do futebol.

Uma terceira característica diz respeito às diferentes localizações. Ao mesmo tempo em que a Fifa se espalha por todo planeta, ela sabe muito bem onde está pisando. E cada novo local implica um determinado mercado consumidor, uma especialização de sua mercadoria (o tipo de jogador formado em cada país é um exemplo disso) e o custo/investimento que terá de ser aplicado ali. Países europeus ocidentais com dinheiro são os compradores de jogadores de ponta, países com dinheiro de regiões com Oriente Médio e leste europeu compram atletas de nível médio e bom e países pobres exportam jogadores, de todos os níveis.

“A sociedade portadora do espetáculo não domina as regiões subdesenvolvidas apenas pela hegemonia econômica. Domina-as como sociedade do espetáculo. Nos lugares onde a base material ainda está ausente, em cada continente, a sociedade moderna já invadiu espetacularmente a superfície social. Ela define o programa de uma classe dirigente e preside sua formação. Assim como ela apresenta os pseudobens a desejar, também oferece aos revolucionários locais os falsos modelos de revolução. O espetáculo específico do poder burocrático, que comanda alguns países industriais, faz parte do espetáculo total, como sua pseudonegação geral, e seu sustentáculo. Visto em suas diversas localizações, o espetáculo mostra com clareza especializações totalitárias do discurso e da administração sociais, mas estas acabam se fundindo, no nível do funcionamento global do sistema, em uma divisão mundial das tarefas espetaculares” (DEBORD, 1997: 38-39).

Bibliografia

CORRÊA, Roberto Lobato. Corporação e Espaço – Uma Nota. Revista Brasileira de Geografia. Rio de Janeiro: IBGE, volume 53, nº 1, janeiro/março 1991.
DAMO, Arlei Sander. Do Dom à Profissão. Uma Etnografia do Futebol de Espetáculo a Partir da Formação de Jogadores no Brasil e na França. Trabalho de Pós-Graduação, Porto Alegre, 2005
DEBORD, Guy. Sociedade do Espetáculo. Comentários Sobre a Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

* Jornalista, geógrafo, mestrando em Geografia Humana na FFLCH-USP com apoio do CNPQ e participante do GIEF (Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Futebol). Contato: paulofavero2003@yahoo.com.br

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A lógica da bola

Manchester United e Chelsea fazem na próxima quarta-feira uma das mais midiáticas finais de Liga dos Campeões da Europa dos últimos tempos. O jogo é visto como a consagração inglesa. Mas, sinal dos tempos, essa consagração acontece não por causa do estilo de jogo dos britânicos.

A primeira final inglesa da liga é a coroação do estilo inglês de gerenciar equipes de futebol. Desde a metade os anos 90, os ingleses estão na vanguarda da administração de clubes. Inicialmente era apenas o Manchester United quem se apresentava na liderança do gerenciamento de um clube como empresa. Agora, num outro modelo, o Chelsea também comprova a superioridade britânica.

Mas a decisão inédita na Europa mostra algo que, em gramados latino-americanos, podemos comprovar cada vez mais. A lógica da bola tem seguido a lógica da grana dos clubes. Dos oito finalistas da Libertadores, existe apenas um intruso, que é a LDU, do Equador. Os outro sete times são, logicamente, equipes de Brasil, Argentina e México, os três países com mais dinheiro em seus clubes.

A modernização do futebol tem feito com que cada vez menos um clube tenha sucesso fazendo tudo da maneira errada. Gastar mais do arrecadar, não investir em infra-estrutura, não ter um departamento técnico preparado e atualizado. Tudo isso já faz parte hoje das premissas para se formar uma equipe vencedora.

É impossível um clube imaginar-se na disputa de títulos se não fornecer estrutura de treinamento aos atletas. Se não der a eles condições boas para se recuperar de lesões, se não tiver profissionais capacitados em cada uma das áreas, desde a administração até a psicologia.

O futebol hoje é uma complexa empresa, que para piorar depende em demasia de um fator externo que foge a toda essa gestão organizada: o resultado.

Sem ele, é muito difícil manter a casa em ordem. Uma empresa pode perder um pouco de dinheiro num ano e se recuperar no outro. No futebol, a pressão da mídia e da torcida fazem com que a derrota muitas vezes signifique a necessidade de mudança de rumo na estruturação de uma equipe.

Ou seja, a bola tem cada vez mais lógica. Mas, ainda assim, permanece sem lógica. Por isso que é tão contagiante…

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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Poupar jogadores prejudica o Modelo de Jogo?

Tenho um grande amigo que é da polícia. Mais especificamente de um grupo de elite da polícia que se envolve com ações táticas especiais. Sua equipe tem vinte homens que se revezam em operações das mais variadas. Em geral agem em quinze policiais. Através de um rodízio de trabalho cinco “descansam” em estado de alerta. Nos treinamentos os vinte treinam em formações que geralmente compõem um grupo de quinze ou em números reduzidos, múltiplos de três. Todos estão sempre bem preparados, prontos para qualquer chamado, alertas para qualquer ação.
Dia desses, conversando com “Mano Basílios” (mais um dos notáveis do Café) me lembrei desse meu amigo da polícia. E como conversa vai, conversa vem, como lembrança vai, lembrança vem, as reflexões sobre a organização e logística das ações policiais me levaram a reflexões futebolísticas sobre os recorrentes surgimentos dos times “tapa buracos de revezamento” (os “expressinhos”, os “times B” e os “catados”).
A primeira vez que assisti a um treinamento de uma equipe de futebol profissional no Brasil fiquei surpreso. Onze jogadores faziam um trabalho tático em campo com o treinador, enquanto os demais atletas da equipe, realizavam treino de “sprints” atrás do gol.
Como sempre digo aos meus alunos, não podemos avaliar o trabalho de um treinador fazendo simples observações de um dos seus treinos (sem compreender o processo e seus objetivos). Então voltei dias seguidos para observar novos treinos da equipe.
Quando o treino não era “físico”, lá estava o grupo separado. Algumas vezes junto dos onze (ou dez quando o goleiro não participava), alguns “sparrings” (entendamos sparrings por “jogadores que colaboram para a evolução do treinamento dos outros”).
Indo além nas minhas observações, conversando, perguntando, pesquisando e colhendo informações descobri que tal “modelo” de trabalho não era característica comum apenas daquela equipe. Era quase praxe no meio.
Interessante no Brasil, os desdobramentos gerados por tal prática.
Muitas das principais equipes brasileiras acabam por participar de mais de uma competição ao mesmo tempo. Para poucas todas as competições são muito importantes. A maioria das equipes acaba por privilegiar essa ou aquela. Em função disso é cada vez mais comum poupar jogadores em um jogo (de uma competição “menos importante”) para poder aproveitá-los melhor em outro (de uma competição “mais importante”).
Isso traz à tona rótulos que acabam por “taxar” as equipes que têm dois ou mais de seus “principais jogadores” poupados; e daí surgem os “expressinhos”, os “times B”, os “catados”, etc e tal. Pura e exclusivamente para salientar que a equipe em campo não é aquela mais forte, mais apta, a principal.
O rótulo é sempre reforçado quando a “equipe B” apresenta rendimento abaixo do esperado (e tem resultado negativo);e isso aumenta a cobrança para que as equipes joguem sempre com os seus principais atletas (o que leva a desgastes maiores, maior número de lesões e a óbvia performance a desejar).
Mas é claro! Como esperar bons resultados se o próprio processo de treinamento empregado corre em detrimento da idéia de se ter mais do que onze jogadores, aptos, entrosados, prontos e preparados para entenderem o mesmo jogo e jogarem pelo mesmo modelo de jogo?
Se não se prioriza o grupo como um todo, não se conseguirá, ao se substituir um certo número de jogadores, manter um nível de excelência.
Muitas vezes culpa-se aos jogadores que acabam entrando (para poupar outros) pelo baixo rendimento da equipe. Porém, se enquanto os poupados estão dentro de campo recebendo instruções táticas nos treinamentos os substitutos estão atrás do gol realizando treinos de sprint, fica inconcebível imaginar que terão eles a mesma competência dentro do jogo.
Então, acabam sendo os próprios treinadores, vítimas dos seus próprios desconhecimentos; e os seus “expressinhos” os filhos de seus próprios descuidos.
Muitos dirão que não é possível manter o nível de jogo substituindo jogadores que são titulares por jogadores de menor potencial. O fato é que a abordagem de treinos como é feita só serve para amplificar as possíveis diferenças já existentes no nível de jogo de atletas que são ou não titulares.
Aliás, os conceitos de titular e reserva deveriam ser revistos. O pensamento deveria ser “quais são os melhores onze para iniciar o próximo confronto” e não “quais são os onze melhores jogadores do meu grupo para todo o campeonato“.
Mais uma vez poderia eu, dar diversos exemplos de equipes fora do Brasil, que por compreenderem melhor o processo competitivo, jogam qualquer jogo de qualquer campeonato com força máxima mesmo com um sem número de jogadores diferentes de uma partida para outra (vide como exemplo mais recente a equipe do Manchester United enfrentando a Roma pela Liga dos Campeões 2007/2008 nas quartas-de-final, levando a campo no segundo jogo uma equipe com cinco jogadores diferentes daqueles que participaram do primeiro confronto – venceram os dois confrontos).
Todos sabem qual é a diferença entre as grandes equipes, como o Chelsea (na época de Mourinho), e as equipes de sucesso ocasional, como o Liverpool de Rafael Benitez: é que umas lutam pela vitória em qualquer terreno, sabendo que a derrota é um risco, e outras esgotam as suas energias numa competição, sabendo que, no resto, a derrota é o preço a pagar pela impotência de lutar por esse grande desígnio de dar sempre uma boa luta em qualquer competição que apareça pela frente” (trecho do livro do jornalista José Marinho (2007): José Mourinho, vencedor nato. pág. 75).
Como diz meu amigo policial, ninguém do seu grupo pode estar “mais ou menos” apto ao trabalho. Ou se está pronto, ou não. E se não está não pode estar no grupo, nem em ação, nem descansando em alerta. Afinal de contas, em qualquer missão, cada um dos escalados tem nas mãos a vida do seu companheiro, um pelo outro, o tempo todo. Não há titulares ou reservas. Há quem está de serviço e quem não está. E ponto final!

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A questão dos ‘home-grown playersé na Europa

Caros amigos da Universidade do Futebol,
 
Todos nós sabemos que o mercado Europa infesta-se de jogadores de futebol brasileiros. E não é à toa. Nossos jogadores, via de regra, mostram no Velho Continente que possuem uma qualidade técnica que em média é muito superior aos demais jogadores, eu diria, do mundo (exceção talvez feita aos jogadores argentinos).
 
De toda forma, o que temos notado é que aqueles jogadores formados fora da Europa terão, a cada dia, maior dificuldade de atuar em clubes europeus.
 
A Uefa (confederação continental européia) tem grande preocupação com a formação de jogadores europeus (os chamados “home-grown players”). Para se ter uma idéia, durante a temporada 08/09 nas suas principais competições de clubes (Liga dos Campeões e Taça Uefa), adotar-se-á a regra de que, do limite de 25 jogadores que podem ser inscritos, oito obrigatoriamente devem ser formados na Europa (entenda-se formado na Europa, em linhas gerais, o jogador que tenha sido registrado por um clube europeu durante três temporadas no período entre seus 15 e 21 anos).
 
O número parece pequeno de home-grown players, porém tem sido gradualmente elevado. Na temporada 06/07 eram quatro. Na temporada 07/08, foi aumentado para seis.
 
A Fifa também apóia essa iniciativa. Vimos o Presidente Blatter dizer na cerimônia de entrega de da Copa de 2014 ao Brasil: “Jogadores brasileiros, fiquem em seu país.”. A grande justificativa é o receio de que se perda a identidade local dos clubes, com o excesso de jogadores que, por terem sido formados fora daquele país, não colaborariam para manter viva a cultura local através do futebol.
 
Interessante notar que essa regra nada diz respeito com relação à questão da cidadania do jogador. Ou seja, o que importa é que a quota mínima de jogadores tenha sido treinada na Europa, podendo ser de outra nacionalidade. Brasileiros poderiam “driblar” essa regra caso tenham sido treinados pelo menos três temporadas nas suas formações em clubes europeus.
 
Para a questão da cidadania, lembramos que existe outra regra que limita o número de estrangeiros dentro das quatro linhas, dependendo da competição.
 
A questão interessante a se pensar é até que ponto chegará esse limite mínimo de home-grown players que vem crescendo a cada temporada? Poderá um dia haver uma tentativa de não se admitir jogadores formados no exterior? Além disso, questões de ordem legal saltam aos nossos olhos: não seria uma regra que limitaria o direito de trabalhar dos jogadores? E o direito a livre concorrência? Ou essas questões estariam cobertas pela especificidade do esporte?
 
E não seriam apenas os jogadores os prejudicados. Do outro lado da balança temos os clubes e as ligas européias, que obviamente querem times mais competitivos, e, portanto, recheados de estrangeiros de qualidade. Essas partes igualmente se oporiam a uma limitação exagerada de jogadores formados no exterior.
 
Até onde temos notícia, não há julgados nas Cortes européias sobre essa matéria. Mas, certamente, caso o limite mínimo de home-grown players continue a subir, muitos casos deverão surgir.
 
Vendo a questão pelo lado do mercado brasileiro, essa potencial confusão jurídica pode dar mais uma deixa para que os clubes e federações aproveitem para manter bons jogadores por maior período no Brasil, e assim colaborar para o desenvolvimento do futebol pátrio.

Para interagir com o autor: megale@149.28.100.147

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A questão dos 'home-grown playersé na Europa

Caros amigos da Universidade do Futebol,
 
Todos nós sabemos que o mercado Europa infesta-se de jogadores de futebol brasileiros. E não é à toa. Nossos jogadores, via de regra, mostram no Velho Continente que possuem uma qualidade técnica que em média é muito superior aos demais jogadores, eu diria, do mundo (exceção talvez feita aos jogadores argentinos).
 
De toda forma, o que temos notado é que aqueles jogadores formados fora da Europa terão, a cada dia, maior dificuldade de atuar em clubes europeus.
 
A Uefa (confederação continental européia) tem grande preocupação com a formação de jogadores europeus (os chamados “home-grown players”). Para se ter uma idéia, durante a temporada 08/09 nas suas principais competições de clubes (Liga dos Campeões e Taça Uefa), adotar-se-á a regra de que, do limite de 25 jogadores que podem ser inscritos, oito obrigatoriamente devem ser formados na Europa (entenda-se formado na Europa, em linhas gerais, o jogador que tenha sido registrado por um clube europeu durante três temporadas no período entre seus 15 e 21 anos).
 
O número parece pequeno de home-grown players, porém tem sido gradualmente elevado. Na temporada 06/07 eram quatro. Na temporada 07/08, foi aumentado para seis.
 
A Fifa também apóia essa iniciativa. Vimos o Presidente Blatter dizer na cerimônia de entrega de da Copa de 2014 ao Brasil: “Jogadores brasileiros, fiquem em seu país.”. A grande justificativa é o receio de que se perda a identidade local dos clubes, com o excesso de jogadores que, por terem sido formados fora daquele país, não colaborariam para manter viva a cultura local através do futebol.
 
Interessante notar que essa regra nada diz respeito com relação à questão da cidadania do jogador. Ou seja, o que importa é que a quota mínima de jogadores tenha sido treinada na Europa, podendo ser de outra nacionalidade. Brasileiros poderiam “driblar” essa regra caso tenham sido treinados pelo menos três temporadas nas suas formações em clubes europeus.
 
Para a questão da cidadania, lembramos que existe outra regra que limita o número de estrangeiros dentro das quatro linhas, dependendo da competição.
 
A questão interessante a se pensar é até que ponto chegará esse limite mínimo de home-grown players que vem crescendo a cada temporada? Poderá um dia haver uma tentativa de não se admitir jogadores formados no exterior? Além disso, questões de ordem legal saltam aos nossos olhos: não seria uma regra que limitaria o direito de trabalhar dos jogadores? E o direito a livre concorrência? Ou essas questões estariam cobertas pela especificidade do esporte?
 
E não seriam apenas os jogadores os prejudicados. Do outro lado da balança temos os clubes e as ligas européias, que obviamente querem times mais competitivos, e, portanto, recheados de estrangeiros de qualidade. Essas partes igualmente se oporiam a uma limitação exagerada de jogadores formados no exterior.
 
Até onde temos notícia, não há julgados nas Cortes européias sobre essa matéria. Mas, certamente, caso o limite mínimo de home-grown players continue a subir, muitos casos deverão surgir.
 
Vendo a questão pelo lado do mercado brasileiro, essa potencial confusão jurídica pode dar mais uma deixa para que os clubes e federações aproveitem para manter bons jogadores por maior período no Brasil, e assim colaborar para o desenvolvimento do futebol pátrio.

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The Champions

Tava demorando para a Inglaterra conseguir encaixar dois clubes na final do principal campeonato de clubes do planeta. Tava demorando, mas não tardaria. Como não tardou.
 
Tanto o Manchester quanto o Chelsea são dois dos mais ricos clubes do planeta que, aliados ao fato de estarem dentro da Liga mais poderosa do mundo, também se tornam duas das maiores potências do futebol mundial. O Real Madrid é, de fato, o clube mais rico do mundo. Entretanto, a La Liga sofre com a falta de dinheiro dos outros clubes, principalmente quando comparada com a Premier League, o que naturalmente compromete o fortalecimento de mercado dos clubes que fazem parte dela. Por conta disso, e de tantas e tantas outras coisas, ninguém consegue competir muito com os clubes ingleses. A única imprevisibilidade que se dá na Champions League é originária do formato eliminatório. Fosse pontos corridos, normalmente daria Inglaterra na cabeça.
 
Apesar desse poderio econômico e fortalecimento mercadológico, nem o Manchester e muito menos o Chelsea podem ser considerados grandes modelos a serem seguidos.
 
O primeiro, o Manchester, foi comprado a alguns anos atrás por um investidor americano, o tal do Glazer. A princípio, imaginava-se que ele tinha uma grana e que tava pensando em fazer dinheiro. Depois, descobriu-se que ele não tinha tanta grana assim, mas que tava pensando em fazer dinheiro. Basicamente, Glazer convenceu um monte de instituição a lhe emprestar dinheiro para comprar o Manchester. Quando ele comprou, ele transferiu a dívida que ele havia contraído para o próprio clube. Hoje, a dívida do Manchester é gigantesca. Só de juros, são quase 250 milhões de reais por ano. A previsão pro futuro, entretanto, permanece otimista. O problema é que caso haja maiores conseqüências na crise de crédito americana, os efeitos podem migrar para o Reino Unido e aumentar ainda mais os juros e os montantes devidos. Aí, se o time começa a perder e as pessoas começam a deixar de ir ao jogo, a receita diminui e deixa de cobrir a despesa. Aí gera problema, que gera problema, que gera problema. Nada que sirva de exemplo para o mundo.
 
O segundo, o Chelsea, também serve como exemplo para pouca coisa. Era um clube a beira da falência, próximo de fechar as portas, quando foi salvo por um tetralionário que não parou de injetar dinheiro até transformar o clube numa das grandes potências do futebol europeu e mundial. Ainda não tem uma torcida forte, tampouco serve como modelo de desenvolvimento sustentável de um clube de futebol. Talvez em dez anos sirva como modelo de gestão. Hoje, não. Definitivamente não.
 
Que o melhor conquiste o tão cobiçado título, mas que ninguém acredite que o campeão de Europa deverá servir de modelo para alguma coisa.
 

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Racismo no Brasil? No nosso futebol? Chega de hipocrisia!

“Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola”.
Nelson Rodrigues

Recentemente, em 24 de abril de 2008, saiu uma reportagem na Folha de S.Paulo (“Fifa banca ação contra o racismo no Brasil”) sobre um projeto de um grupo de pesquisadores do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), que está promovendo aqui no Brasil a campanha “Mande um cartão vermelho para o racismo no futebol”. Segundo a notícia, este é o único projeto na América do Sul a receber a verba de US$ 5.000 da Fifa de modo a debater e combater a discriminação nesse esporte. Com esse dinheiro, eles manterão um site (http://www.racismonofutebol.org.br/), cujo conteúdo trará discussões acadêmicas sobre o assunto e denunciará as práticas racistas em nosso futebol, além de informar os internautas a respeito do projeto.

Uma das ações do grupo foi levar a campanha para o estádio do Maracanã, onde foram entrevistados dezenas de torcedores que acompanharam a semifinal da Taça Rio entre Fluminense e Vasco. Eles responderam a algumas perguntas simples que foram elaboradas para a ocasião: “Você acha que existe racismo no futebol brasileiro?”, “Como ele se manifesta?”, “Como você avalia os termos como ‘pó-de-arroz’ e ‘bacalhau’?”, “Como você avalia o grito ‘Ela, ela, ela, silêncio na favela’?” e “Onde você guarda o seu racismo?”. De acordo com o antropólogo alemão Martin Christoph Curi Spörl, integrante do projeto: “A idéia não é censurar ou patrulhar os torcedores, mas fazê-los refletir. Gostaria que pensassem se termos como bacalhau, pó-de-arroz e mulambo têm origem xenófoba ou conotação discriminatória”.

Particularmente, fiquei muito interessado com a discussão, tanto por motivos pessoais como profissionais, uma vez que pesquiso no meu mestrado o negro no futebol brasileiro ao longo das últimas décadas. Algumas entrevistas, disponíveis no referido endereço eletrônico, revelam-nos que as respostas são as mais variadas. Vão desde um contundente “Com certeza que não” (sobre a existência do racismo no futebol brasileiro) até um tímido “Existe sim, acredito que sim”. À medida que fui lendo as falas dos torcedores, fui ficando cada vez mais espantado com as respostas. Quando leio “Mas isso também tem outra conotação. Xingar e brincar fazem parte do jogo. É tradição. Começa e termina aí dentro do estádio” (a respeito do grito contra os flamenguistas – e corintianos no caso de São Paulo – ou dos apelidos de torcidas), vejo que o torcedor justifica as identificações devido ao caráter lúdico do jogo e da humanidade, deslocando a discussão sutilmente. Esse tipo de resposta é bem comum.

Contudo, o que me causa espanto (no sentido negativo) é ler respostas como: “Saiu uma pesquisa no jornal que 47% dos flamenguistas moram na favela. Portanto, é baseado em pesquisa. Não é racismo”. Então, quer dizer que todo resultado que venha de uma pesquisa não é passível de racismo? No limite, ciência e racismo são coisas totalmente incongruentes? Se voltarmos para a história das ciências (biológicas e humanas), veremos que muitos pesquisadores, ao perceberem a diversidade humana, tentaram por séculos justificar as diferenças entre os indivíduos ou entre as populações através de hierarquizações raciais e de teorizações que tinham um conteúdo muito mais doutrinário do que científico. A raciologia é um exemplo claro disso, pois estava mais preocupada em legitimar sistemas de dominação racial do que explicar a variabilidade humana.

Quantas pesquisas não são promovidas com segundas intenções, forjando resultados? Qual a posição política-ideológica do jornal? Como foi apresentado o resultado da pesquisa e com qual intuito? Só flamenguistas e corintianos moram em favelas? Só pessoas letradas e cultas torcem para os tricolores carioca, paulista e gaúcho? Só italianos torcem para Palmeiras, Cruzeiro e Goiás e só portugueses, igualmente, para o Vasco e para a Portuguesa?

São tantos os questionamentos que podem ser feitos sobre a fala do torcedor que talvez seja mais objetivo fazermos duas observações. Primeiro que, independentemente da porcentagem, todo time tem torcedores pobres, ricos, negros, brancos, homossexuais, heterossexuais, portadores de necessidades especiais, enfim, de todos os tipos, gêneros e com origens as mais variadas. Segundo que cada uma das declarações dos torcedores, nesse caso, como também dos textos de jornais, das falas dos jogadores, técnicos, comentaristas e mesmo cientistas são recheadas, ainda que inconscientemente, de intenções e de subjetividade.

As respostas para as demais perguntas feitas ao mesmo torcedor evidenciam-nos a negação enfática com relação à existência do racismo. Talvez uma entrevista aprofundada sobre sua história de vida revelasse-nos os motivos e os intuitos dessa negação.

Neste mesmo sentido, seria interessante coletar outras narrativas pessoais de torcedores cujos times são alvo de cantos e termos racistas. Certamente, ouviríamos que os xingamentos e expressões proferidas pela torcida do outro time, de alguma maneira, causam sofrimento e ressentimento. Basta pensarmos, por um instante, em como se sentem pessoas que moram nas periferias – cujas vidas são cercadas de muitas dificuldades – ao ouvirem os rumorosos gritos de “Ela, ela, ela, silêncio na favela”, ou então negros ao verem multidões verbalizando “macacos”, imitando urros e atirando bananas. Fácil é que não deve ser, ainda mais se for um semelhante social e economicamente ou um irmão de cor que estiver proferindo do outro lado.

Como entender esse fenômeno? Necessitamos de maiores e mais profundas pesquisas. Embora torcedores incorporem ou assumam essas identificações vindas de fora (como, por exemplo, muitos colorados com relação ao “macaco”), entendo que isso não deve ser algo facilmente aceito pelas pessoas ofendidas, nem mesmo algo que se estenda a toda a coletividade de torcedores.

Toda esta discussão sobre racismo no futebol brasileiro leva-me a fazer três afirmações:

1. Vivemos uma hipocrisia quanto à democracia racial brasileira, motivo que fez e que faz muitos intelectuais e políticos valorizarem o nosso povo e a nossa nação;
2. O nosso racismo é implícito, inconsciente, envergonhado e latente, mas que, sobretudo em situações de conflito, ele aparece e, como na Copa de 1950, se mostra impetuoso;
3. Os negros são os que mais sofrem dentro das populações que compõem o Brasil.

Por fim, falemos um pouco sobre o fato de a Fifa auxiliar financeiramente um projeto contra o racismo. Por ser, talvez, a maior instituição mundial (lembremos que a Fifa tem mais membros afiliados do que a própria ONU, no total são 208 contra 192), a Fifa tem o dever de, alguma maneira, discutir sobre e promover atividades em prol dos problemas que afligem as populações da Terra, tal como aconteceu com relação aos atingidos pelo Tsunami de 2004 ou na campanha contra o trabalho infantil. Assim, a Fifa tem de se mostrar, ainda que seja da boca pra fora ou mesmo que seja forçada a isso, preocupada com diversos problemas, tais como fome, doenças, guerras, racismo, etc.

Enquanto entidade máxima do futebol, a Fifa tem o dever não só de averiguar os acontecimentos diretamente relacionados com o futebol e que acontecem ao longo das centenas de campeonatos ao redor do mundo, mas também de ser pioneira, incentivar e financiar projetos que visam problematizar questões ligadas ao “esporte-rei”. Afinal, tal como sentenciou Roberto Da Matta: “se o futebol é bom de ser visto, ele também serve para dramatizar e para colocar em foco os dilemas de uma sociedade.” (1982, p. 32).

E sendo o racismo um desses dilemas, tão antigo quanto atual (quer na Europa, quer no Brasil), cabem a Fifa e as associações nacionais de futebol colocar o problema em foco e traçar medidas para o seu combate. Talvez os mais céticos critiquem o valor ín
fimo para tal (cinco mil dólares, o que de fato é muito pouco se pensarmos nos bilhões movimentados por este esporte ao redor do mundo), porém já é um passo adiante se compararmos com as indicações de punições mais severas aos jogadores e clubes, com a Resolução de Buenos Aires, com a nomeação de embaixadores contra o racismo e com a constante campanha “Say no to racism”. Pois, além de reconhecer a existência dessa prática repugnante e criminosa, possibilita agora um importante mecanismo de debate e combate.

Termino o texto parabenizando o incentivo da Fifa e o projeto do Ibase e alertando para que nós, brasileiros, não nos façamos de cego e não sejamos hipócritas com relação ao racismo existente em nosso país e em nosso futebol.

*Cientista social (Unesp), mestrando em história social (USP) e membro do Gief (Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Futebol), do Memofut (Grupo de Literatura e Memória do Futebol) e do NEHO (Núcleo de Estudos em História Oral-USP). Contato: marceldt@uol.com.br

Bibliografia
CORRÊA, Lúcia Helena. Racismo no futebol brasileiro. In: DIEGUEZ, Gilda Korff (Org.). Esporte e poder. Petrópolis: Vozes, 1985.
DA MATTA, Roberto (Org.). Universo do futebol: esporte e sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.
FILHO, Mario. O negro no futebol brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2003.
MUNANGA, Kabengele. Teorias sobre o racismo. In: HASENBALG, Carlos A.; MUNANGA, Kabengele; SCHWARCZ, Lília Moritz. Racismo: perspectivas para um estudo contextualizado da sociedade brasileira. Niterói: EdUFF, 1998.
_____. Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. In: BRANDÃO, P. Programa de educação sobre o negro na sociedade brasileira. Niterói: EdUFF, 2004.
LOPES, José Sergio Leite. Classe, etnicidade e cor na formação do futebol brasileiro. In: BATALHA, Cláudio H. M.; SILVA, Fernando Teixeira da; FORTES, Alexandre (Org.). Culturas de classe: identidade e diversidade na formação do operariado. Campinas: Ed. da Unicamp, 2004.
SILVA, Carlos Alberto Figueiredo da; VOTRE, Sebastião Josué. Racismo no futebol. Rio de Janeiro: HP Comunicação, 2006.

Sites
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2404200819.htm
http://www.racismonofutebol.org.br/
http://www.fifa.com/aboutfifa/worldwideprograms/footballforhope/news/newsid=518183.html#fifa+against+racism
http://www.fifa.com/aboutfifa/worldwideprograms/footballforhope/campaigns/index.html
http://www.fifa.com/aboutfifa/worldwideprograms/footballforhope/antiracism/antidiscridays.html
http://www.fifa.com/aboutfifa/worldwideprograms/footballforhope/news/newsid=518194.html#fifa+endeavours
http://www.fifa.com/aboutfifa/worldwideprograms/footballforhope/news/newsid=518207.html#fifa+ambassadors+against+racism
http://www.fifa.com/aboutfifa/worldwideprograms/footballforhope/news/newsid=518218.html#buenos+aires+resolution
http://www.fifa.com/aboutfifa/worldwideprograms/news/newsid=98875.html
http://www.fifa.com/aboutfifa/worldwideprograms/releases/newsid=98686.htm