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Marketing no tapetão

O tema desta coluna tem embasamento direto em um caso particular que está por ser definido nesta semana (sexta-feira) no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) relacionado ao América-AM, equipe classificada no campo para a final da Série D do Campeonato Brasileiro e que, por conseguinte, conquistou a vaga na Série C de 2011. Em causa, a possibilidade de perda de pontos da equipe de Manaus no jogo diante do Joinville-SC ainda nas quartas-de-final da competição por escalar um jogador irregular nas duas partidas do confronto – confronto esse vencido nas quatro linhas, com vitória no Amazonas e empate em Santa Catarina.

Por ser de Joinville e ter acompanhado o trágico desfecho de perto da equipe que brigava por uma vaga na Série C do próximo ano diante de uma equipe com investimento 5 vezes menor, há na cidade um clima de expectativa em torno da possibilidade de retornar à competição mesmo após a eliminação em campo. Essa expectativa está meio que mesclada com um sentimento de “felicidade comedida”, uma vez que os torcedores, caso a punição ao América-AM se concretize, não sabem ainda se irão comemorar com fogos e festa pela cidade ou sozinhos, sem que ninguém perceba.

Conversando com amigos, nos colocamos a refletir como deveria ser o posicionamento de comunicação e marketing do clube no caso de conquistar um lugar superior no cenário nacional pelos meios dos tribunais. Como resgatar a estima dos torcedores e da cidade após um fracasso dentro de campo, em que agora o principal atacante é o advogado do clube?

Lembro da famigerada virada de mesa protagonizada pelo Fluminense em 1996-97, quando recuperou uma vaga na 1ª divisão utilizando de subterfúgios políticos via CBF, com aquela clássica imagem de estouro de Champagne nas Laranjeiras. O caso trouxe péssimos resultados para a imagem do clube e é rememorado com alguma frequência.

É verdade que o caso que deu voga a esse texto está longe de ser parecido com o caso do Fluminense. Há, na situação de Joinville-SC diante do América-AM apenas a intenção de fazer valer as regras do campeonato e de registro de atletas estipuladas pela entidade máxima do futebol, que foram claramente feridas. Mas a memória é pertinente para compreendermos o sentimento geral daquela época, tanto de torcedores do Fluminense quanto dos seus principais rivais e da opinião pública de um modo geral.

Procurei na literatura algo que pudesse dar um norte a respeito da conquista de um espaço pelas empresas por meios não exatamente convencionais, mas não encontrei (aliás, se os leitores desta coluna souberem de algo, ficaria grato que contribuíssem para o nosso conhecimento). O mais próximo foi a ideia de gestão de crises, que já comentei outrora em uma destas colunas no “Universidade do Futebol” (publicada em 06 de outubro de 2010).

A analogia mais próxima que consegui perceber foi a da conquista de uma vaga na Seleção Brasileira por um jogador quando outro, anteriormente convocado, fora cortado por lesão ou outro motivo do gênero.

Com isso em mente, percebe-se a necessidade de um planejamento eficiente de comunicação que blinde de alguma maneira o passado, buscando um olhar de futuro sobre as oportunidades a serem alcançadas.

O departamento de marketing deve trabalhar o resgate da auto-estima dos torcedores e do clube como um todo, mostrando que a estrutura administrativa sempre trabalhou para o melhor da equipe. Tais medidas devem gerar uma confiança mútua para o alcance de objetivos a partir do fortalecimento da sua marca e que, olhando para frente, precisará revalidar a escolha dos clientes pelo sentimento às cores do clube a partir da conquista de resultados esportivos.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br  


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Cara de palhaço…

Felipão está de volta. Em menos de meio ano à frente do Palmeiras, o treinador conseguiu reviver um ambiente tenebroso que circundou boa parte dos clubes que dirigiu. A cena dos jornalistas com narizes de palhaço em frente ao treinador após o jogo contra o Goiás revela muito mais do que uma mágoa entre Scolari e a imprensa.

Durante o tempo em que foi treinador do Grêmio e do Palmeiras, principalmente, Felipão colecionou inimigos e polêmicas na mesma velocidade com que ganhava títulos. Enquanto o time ia bem dentro de campo, desafetos na imprensa eram construídos. Muitas vezes essas rusgas faziam parte de estratégias do treinador de blindar seus atletas e centrar em si o fogo do batalhão de jornalistas ávidos por polêmicas.

Agora, o treinador tenta reconstruir esse ambiente. Prejudicado por um time apenas mediano dentro de campo e por uma hostilidade maior dos jornalistas, provavelmente cansados dos limites cada vez maiores que lhes são impostos no dia-a-dia, o fato é que essa queda de braço começa a ser prejudicial.

Com a bagagem de campeão mundial pelo Brasil, semifinalista de Copa por Portugal e campeoníssimo em torneios na América do Sul, Felipão precisa agora voltar a buscar uma harmonia com os jornalistas que diariamente cobrem a rotina do Palmeiras. Não bastam mais os títulos que o consagraram no passado. É preciso ir além, contornar a situação, deixar de lado as armas e pensar na calmaria.

O mundo mudou bastante desde que Felipão deixou o Brasil, há quase dez anos. Hoje, a imprensa é muito mais corporativista do que era antes. Ainda mais quando, dentro do clube, apenas Felipão pode dar entrevistas. Agora, o golpe pode ser muito maior do que apenas os narizes de palhaço.

 

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Vale Tudo

A novela Vale Tudo, da Rede Globo, marcou época na vida do povo brasileiro.

Foi ao ar em 1988, período que antecedeu as primeiras eleições diretas para Presidente da República, depois de longos anos de chumbo na Ditadura Militar.

O país ainda aprendia a lidar com esta liberdade recente. Não só o povo, como também os políticos, que não mais iam ser escolhidos por um colegiado de seus pares, mas enfrentariam a sentença das urnas.

Muitos temas de importante relevância social foram abordados nas micro-histórias dos personagens: corrupção; crime de colarinho-branco, ambição das pessoas para ascender na vida em detrimento da vida dos outros, sexualidade e homossexualismo, “jeitinho” brasileiro, desemprego, hiperinflação.

Com o perdão do trocadilho, vale a pena ver de novo a novela, agora no Canal Viva, desde o começo de outubro em reprise. Para mim, tem sido excelente como aula de história de quem somos os brasileiros.

Passados 22 anos, o filme Tropa de Elite 2 expõe, criticamente, as entranhas do sistema e do jogo de poder que figura por trás da criminalidade endêmica – muito bem organizada, diga-se – no Rio de Janeiro, mas que, em certas nuances, replica-se pelo Brasil.

O protagonista, Capitão Nascimento, foi promovido à cúpula administrativa da Secretaria de Segurança Pública. Acreditava que seria mais fácil combater o crime. O problema é que ele percebeu que ele estava exatamente no coração do sistema criminoso, onde todas as relações eram perigosas e todos atuavam num script de corrupção magistralmente desenhado.

A certa altura, o personagem ressalta que a coisa mais valiosa que os corruptos do “sistema” podem desejar das pessoas de uma “comunidade” é o voto.

Mais recentemente, a Fifa sofreu com denúncias de que países-candidatos a sede das Copas de 2018 e 2022 estariam negociando compra e venda de votos, em que figuravam no processo o presidente da Confederação Asiática e o Presidente da Federação Nigeriana de Futebol.

Vivemos num sistema social onde impera a democracia. Entretanto, não se pode esquecer que o sistema também pressupõe a existência de forças antagônicas, complementares e nem sempre equilibradas, cujo fiel da balança pode ser o voto – não só votar como ser votado.

Isso serve para chamar à consciência todos nós a importância das eleições. Não de forma isolada devemos participar, mas entendendo a complexa rede social em que vivemos.

Se servia às vésperas das eleições de 1989, deve servir para 2010. Eleições em que os candidatos usaram de todas as artimanhas para desqualificar o processo, presumindo que o povo é um bando de idiotas desinteressados e desimportantes.

No Brasil, no clube de futebol da esquina, no condomínio ou na sede da Fifa.

E a genial letra da música “Brasil”, cantada por Gal Costa, ecoa ao longo destes anos todos e nos faz perguntar se há algo de novo no Brasil, sede da Copa do Mundo 2014 e dos Jogos Olímpicos 2016:

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha
Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada pra só dizer “sim, sim”
Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
(Não vou te trair)

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Marketing social

Um de meus principais objetos de estudo na área de gestão e marketing esportivo está voltado para a sinergia existente entre as ações sociais conjugadas com a linguagem inerente ao esporte, dentro da sua perspectiva de comunicação e de penetração de seus ideais sobre as pessoas de uma maneira geral.

O marketing olímpico tem boa parte de suas estratégias de comunicação canalizadas sobre a relação social com o esporte. Os dois últimos livros de Philip Kotler (“Marketing 3.0” e “Marketing contra a pobreza”) tratam da importância de as empresas assumirem práticas justas de mercado como forma de se aproximarem de seus consumidores. Apenas para referir dois exemplos daquilo que se pensa em termos de marketing social.

No esporte, e no futebol em particular, é enorme a quantidade de ações diárias divulgada pelos meios de comunicação especializados, tendo em vista o aproveitamento de espaços proporcionados pelo esporte com trabalhos sociais realizados por entidades e empresas ligadas a esse setor da economia.

Quando me deparo com este tipo de informação, fico me perguntando qual a real validade de algumas ações, uma vez que muitas delas me parecem oportunistas e sem qualquer efetividade para sensibilizar de fato as pessoas ou mesmo ser um agente importante de transformação social.

Poucos estudos me convenceram sobre o impacto positivo em relação às marcas, justamente em razão de apenas ver um sinal de mero aproveitamento de oportunidades e não efetivamente fazendo parte de uma estratégia empresarial com vínculo consistente com o esporte.

Acredito mais em ações perenes e não simplesmente pontuais. Ações que tenham a ver com o negócio da empresa que promove a questão social, passando por uma lógica de que todos (inclusive o patrocinador social) devem ganhar com o trabalho desenvolvido. Remeto a um estudo de caso sobre o patrocínio da Chevrolet à Major League Baseball (de John Fortunato – “Using sponsorship as a form of public relations: a case study of Chevrolet and major league baseball”. Fordham University, New York, 2009).

Nele, dentro de seu escopo de análise, aparece, dentre outras coisas que não vou pontuar aqui, a promoção por parte da empresa, através de ações sociais, para o incentivo ao uso eficiente de energia e combustíveis, uma vez que a Chevrolet é mentora de alguns estudos sobre o tema, passando pela transformação de seus veículos a fim de conceber veículos que utilizem menos combustíveis fósseis ou que emitam menos gases que denigrem o meio-ambiente.

Uma atitude que é aparentemente simples, mas que utiliza a força de consumo das pessoas que acompanham as ligas americanas de esportes, contribuindo para as questões sociais e para a troca de ideias com os consumidores dentro da perspectiva de negócios da empresa. Trata-se de uma estratégia de comunicação que tende a evoluir ao longo do tempo ou das temporadas, a partir de contribuições de ambas as partes para que tal discussão chegue de fato ao consumo consciente das pessoas.

Minha linha de reflexão nesse texto passa por não banalizarmos aquilo que foi construído em relação à responsabilidade social corporativa. O esporte possui elementos riquíssimos de associação com causas sociais, mas, para isso, deve fazer parte de uma estratégia conjugada, sólida, duradoura e que todos os envolvidos possam ganhar efetivamente.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br  

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Até tu, Platini?

Meus cabelos não são brancos o suficiente que me permitam falar com a sabedoria e fazer uma análise crítica sobre um certo jogador francês que encantou o mundo. Mas também não são tão jovens e abundantes capazes de afirmar que esse jogador é Zidane, que foi um dos gênios do futebol, sem dúvidas. Mas me refiro à graça e técnica de Michel Platini.

Numa idade de vislumbramento, de novidades e descoberta do mundo, ainda criança, tive o privilégio de guardar em minhas memórias alguns lances maravilhosos deste jogador (embora seja uma heresia considerá-lo igual aos outros), afinal Platini deveria estar numa categoria à parte de atletas, mas por falta de outro termo vamos chamá-lo de jogador mesmo.

Não sei por que, mas dentre tantas jogadas geniais e gols maravilhosos gravei em minha memória o gol do melhor jogador do time branco (assim eu me recordo do jogo em questão) contra o tradicionalíssimo time azul na Copa de 1986. O jogo em questão era válido pelas oitavas de finais da Copa, entre Itália x França, que depois seria o adversário e algoz do Brasil nas quartas de finais.

Lembro-me de ficar tentando reproduzir a sutileza e elegância do toque na bola capaz de desacelerar a rápida saída do goleiro e fazer com que a bola entrasse de forma simples no gol. Como disse, não sei por que, mas essa é uma das recordações que tenho de Michel Platini.

Por sorte e para reviver minhas emoções, consegui achar o gol graças às tecnologias de hoje. Eis o gol ao qual me refiro, talvez nada muito complexo perto do que o próprio Platini já havia feito, mas talvez tenha me marcado pela dificuldade que encontrei em fazer igual, na ingênua esperança de que nossas habilidades fossem iguais.

Pois bem, o tempo passa e hoje estou aqui, escrevendo e refletindo semanalmente com você meu amigo leitor, e o ídolo Platini lá como dirigente da Uefa.

E eis que nossos caminhos se cruzam novamente, mas agora acerca da discussão do uso da tecnologia no futebol. Já tratamos em outros textos algumas opiniões do Platini a respeito. O tema é recorrente, minha posição a respeito, o amigo leitor já conhece. Espaço para todos os lados opinarem já utilizamos, porém não me canso de me surpreender com os argumentos de dirigentes a cerca do uso da tecnologia.

E para minha tristeza é como se Michel Platini ao dizer:

“As câmeras podem ver tudo, mas o árbitro tem apenas um par de olhos”.

E argumentar como defesa que é injusto, pois a câmera vê mais que o árbitro e por isso não pode ser considerada:

“Um juiz não é suficiente, não na era moderna quando você tem 20 câmeras acompanhando o jogo. É injusto, as câmeras podem ver tudo, mas o árbitro tem apenas um par de olhos. Toda vez que um erro é cometido, as câmeras estão lá para mostrar. O artifício pode tornar o jogo um futebol de Playstation”.

É como se eu tivesse descoberto que no momento do gol, do toque genial ele fosse capaz de deixar a bola escapar, e mais, retomá-la aos seus pés, mudar a direção, e percorrer todo o campo para, frente a frente com o goleiro de sua própria equipe, dar um toque idêntico por cima dele e fazer o gol, um gol contra, que embora seja do mesmo ídolo e com o mesmo gesto, provoca agora uma outra sensação, que não a de admiração…

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

* http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2010/10/platini-ratifica-oposicao-tecnologia-e-teme-que-futebol-vire-video-game.html

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Ora, bolas!

A política virou, cada vez mais, futebol. Deixamos de ter ideologias políticas para termos convicções partidárias. Cada vez menos se pensa e mais se torce quando o assunto é o futuro do país nas urnas.

Na última semana, mais uma vez tivemos a mostra de quanto as pessoas estão obcecadas pelo fanatismo politico. O quebra-pau entre defensores de Dilma e Serra, em meio a uma aparição do candidato do PSDB, foi digna de torcedores organizados, que não possuem a mínima noção de coletividade para conviver com aquele que pensa de maneira diferente da sua.

O resultado do conflito entre as pessoas foi algo ainda maior e mais absurdo. Passou-se a debater uma possível agressão a Serra, que foi ao hospital fazer uma tomografia para se certificar de que não teria sequelas por ter tomado em sua cabeça o que parecia ser um rolo de fita crepe.

Aí entra a grande questão que permeia o trabalho jornalístico, que é a apuração de fatos.

No dia seguinte ao episódio, amplamente noticiado em todos os veículos e tipos de mídia, o SBT fez uma reportagem mostrando que Serra teria simulado algo mais grave do que de fato teria acontecido. O repórter cinematográfico da emissora havia filmado Serra atingido por uma bola de papel. De acordo com o relato, 20 minutos depois o candidato recebe uma ligação telefônica e leva as mãos à cabeça.

Pronto!

Bastou termos essa versão da história para a torcida voltar a rugir. Até o presidente Lula caiu de pau em cima do rival político, equiparando-o ao chileno Roberto Rojas, que simulou ter sido atingido por um foguete no Maracanã em meio à disputa das eliminatórias para a Copa de 1990.

Até que, no dia seguinte, a Globo foi mostrar outras imagens, além daquelas exibidas pelo SBT, captadas pelo fotógrafo da “Folha de São Paulo”. Com a junção das duas imagens, é possível construir a história inteira, mostrando que Serra foi atingido por uma bola de papel e pelo que parece ser um rolo de fita crepe.

Deixemos de lado as torcidas. O exercício da profissão de jornalista requer bom senso, especialmente no momento em que se está no campo de trabalho e ainda mais no meio de uma grande confusão (fatos que são recorrentes para quem atua no esporte). Nesse momento, o repórter não é só quem escreve ou aparece no vídeo, mas fundamentalmente aquele que está no local com a função de captar imagens. Cinegrafistas e fotógrafos são grandes aliados nesse trabalho, já que a captação de uma imagem exclusiva pode ser fundamental para que se construa uma grande história.

No episódio da bola de papel, isso foi ainda mais claro. Com apenas um câmera, foi impossível construir um relato preciso daquilo que aconteceu. Estamos acostumados hoje a acompanhar um jogo de futebol com pelo menos cinco câmeras simultâneas realizando a transmissão de imagens.

Isso dificultou, e muito, o trabalho para o trio de arbitragem e também para jogadores desleais que tentam agredir o adversário num momento em que teoricamente “ninguém está vendo”.

A bolinha em Serra é a prova de que não se pode ter apenas uma fonte de informação. Para tentar contar uma história da forma mais completa possível, não se pode ter apenas um ângulo da visão. É preciso tentar ampliar o espectro e enxergar mais longe.

Isso vale também para comentaristas da televisão, que muitas vezes se esquecem de que o árbitro não tem o mesmo campo de visão que ele sentado na cabine ou assistindo a imagem por diferentes ângulos e velocidade.

Ora, bolas! Parece tão mais fácil quando se está do lado de cá. Mas, para isso, é preciso lembrar que para se formar uma história tem de buscar suas mais diferentes miniversões.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br  

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O método global integrado e o método analítico no futebol

Ao longo de décadas, e virando o século, muitos pesquisadores vêm estudando o ensino e desenvolvimento das habilidades técnicas nos esportes coletivos.

O objetivo impulsionador da maior parte dos estudos sempre foi o de entender como alcançar com os treinamentos a maestria desportiva e como maximizar o desenvolvimento técnico específico de jogadores e equipes.

A percepção de que a repetição sistemática de gestos nos treinamentos, para melhorar as habilidades técnicas de jogo nos esportes coletivos, não correspondia necessariamente, sob o ponto de vista cognitivo e neuromotor, à repetição do real gesto solicitado durante uma situação de jogo, trouxe à tona, a necessidade de se entender como tratar do desenvolvimento das habilidades técnicas, de maneira a atender a manifestação motora específica exigida no jogo.

Em outras palavras, além do habitual treino de repetição de gestos técnicos (de passes, cabeceios, chutes, etc.), tornou-se necessário o desenvolvimento de treinos que dessem conta, de não mais repetir apenas gestos, mas sim repetir sistematicamente ações (ações de passes, ações de cabeceio, ações de finalizações).

Desta maneira, métodos de ensino e treinamento da técnica nos esportes coletivos tornaram-se objeto de estudos e de aplicação.

No futebol, dentre os métodos amplamente estudados e utilizados, destacaram-se principalmente os métodos “analítico” e “global”.
 

O método analítico, herdeiro especialmente das práticas empíricas, foi nos primórdios do treinamento técnico, o principal método empregado por equipes de futebol; das escolinhas, passando pelas categorias de base, até o profissional. No Brasil é o método de raízes mais profundas.

O método global, oriundo do redirecionamento dos olhares da ciência, à prática esportiva dos jogos coletivos, foi ganhando um grande corpo de conteúdos e de interessados, e passou a ser estudado e empregado em centros onde “construir o talento” passou a ser uma necessidade e uma resposta as dificuldades de se “encontrar o talento”. Na Espanha encontrou seu principal porto de desenvolvimento (não só no futebol, mas também no futsal, basquetebol, voleibol e handebol).

Hoje, na prática do futebol, o método analítico se caracteriza pela realização de exercícios técnicos, com repetição sistemática de gestos, que são fragmentados e retirados do contexto circunstancial-situacional de jogo.

O método global por sua vez, se caracteriza pela repetição sistemática das ações (balizada pela aleatoriedade e imprevisibilidade do jogo) em contexto de jogo, integrando ao desenvolvimento técnico, o desenvolvimento tático individual e coletivo, bem como o desenvolvimento físico (enfim, o desenvolvimento do jogar).

A Ciência não nega os feitos e benefícios do método analítico, afinal, especialmente no futebol, muitos problemas ao longo da história, foram sendo resolvidos através dele.

Há, porém, que se destacar que as soluções dadas pelo método analítico deixaram lacunas, que até certo ponto, frearam o desenvolvimento dos jogadores. Isso gerou novas perguntas (novos problemas), que não poderiam ser respondidas com as mesmas respostas.

Infelizmente, muitos dos “gestores maiores” nos clubes de futebol (nas categorias menores ou no profissional), aqueles que tem poder de decisão para mudar o rumo das coisas, viveram uma época de aprendizagem em que a lição formal era dada pelo método analítico (sem se dar conta, muitas vezes, de que a lição que realmente lhe valeu frutos foi ensinada nas ruas, nas peladas das periferias, de um “jeito global”, que não era método).

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br
 

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Viabilidade financeira dos clubes

Caros amigos da Universidade do Futebol,

estamos vivendo um momento importante na indústria do futebol profissional. Um momento em que se procura a viabilidade econômica para o jogo e, principalmente, para os clubes que são os menores e principais núcleos de concentração da atividade dentro da família da Fifa.

Sem os clubes (e jogadores, evidentemente), não haveria disputa em equipes e, consequentemente, não haveria o jogo, principal produto que movimenta toda a indústria do futebol.

Nesse contexto, é preciso darmos atenção para os clubes pequenos, que possuem uma capacidade menor de gerar renda, mas que, sem eles, não há viabilidade econômica dos grandes (eles promovem todas as disputas de divisões inferiores, e geram os talentos vindos das categorias de base para os grandes clubes).

É certo que os recursos provenientes de direitos televisivos não podem ser distribuídos de forma igualitária entre clubes de uma mesma divisão. Certos clubes têm um maior potencial que outros, e, portanto, merecem uma maior fatia do bolo.

Entretanto, essa distância financeira entre os principais clubes e os demais não pode ser muito grande.

Hoje vemos na mídia uma discussão interessante sobre a migração de clubes de futebol de uma cidade para outra. É um movimento lícito, mas deve ser observado com atenção pelos agentes reguladores do futebol, como as federações e confederação.

Se a alteração de cidade ocorrer por conta da necessidade de o clube obter sua viabilização econômica, então deve ser aceito. Temos que entender que os clubes menores precisam muitas vezes mudar de ares para não se tornarem inviáveis. E a manutenção de sua saúde é também salutar para a os demais clubes e até para o futebol como um todo.

O grande risco reside na alteração de sede para eventualmente uma composição com outro clube e a eventual subida de divisão sem o cumprimento de critérios técnicos para tanto. Isso sim poderia prejudicar a boa imagem do futebol e acabar por retirar valor do esporte perante patrocinadores, investidores, mídia e torcedores.

Essa é a grande missão dos reguladores do futebol: manter o equilíbrio sem permitir deturpações dos princípios fundamentais do esporte.

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br

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O efeito sanfona

Acompanhando o final de semana de acessos para as séries “B” e “C” de alguns clubes, torno a refletir sobre seus respectivos projetos. Conversando com alguns amigos, classificamos muitas dessas conquistas como o “EFEITO SANFONA DO FUTEBOL BRASILEIRO”. Sei que já tratei um pouco desse assunto, quando discutimos sobre o rebaixamento de clubes com alguma expressão no futebol.

Mas o tema continua pertinente, uma vez que muitas destas entidades acabam por dar um passo maior que suas pernas, não quebrando um paradigma de administração moderna em clubes de futebol. As principais premissas dizem respeito ao:

1. Amadorismo: é impressionante como muitos clubes insistem em uma gestão amadora, há anos, negligenciando completamente o profissionalismo e as informações que palpitam sobre qualquer entidade neste mundo globalizado. E profissionalismo não é simplesmente se dedicar de corpo e alma ao clube de futebol. É preciso muito mais que isso. É preciso conhecimento. É preciso ter recursos humanos capacitados e capacitar as pessoas que estão lá dentro, contando com gente com expertise na administração do esporte e na área técnica da modalidade.

2. Diretor precisa colocar dinheiro: há uma velha ideia no mundo do futebol de que diretor precisa ser um megaempresário, rico e colocar dinheiro no clube. Pura conversa. Diretor precisa ser bem resolvido financeiramente e precisa ter o discernimento de contratar profissionais de qualidade que possam administrar o clube, de acordo com um orçamento e um planejamento previamente definido. Se esses profissionais não cumprirem com suas metas e obrigações, é hora de trocar de comando e de pessoas. Da mesma forma que se faz em qualquer empresa do ambiente corporativo.

3. Estrutura: uma estrutura minimamente adequada para as necessidades de treinamento da equipe são fundamentais para o alcance de resultados dentro de campo. A negligência sobre tal premissa custa caríssimo em um momento decisivo, de qualquer partida de futebol.

4. Equipe Multidisciplinar: essa conversa é antiga e completamente ignorada pela grande maioria dos clubes. Ou melhor, pela grande maioria dos clubes que entram no chamado efeito sanfona, de subir e descer de divisão ano a ano. Ter uma equipe de trabalho multidisciplinar é o eixo de suporte para que, em momentos decisivos, os jogadores tenham tranquilidade para
decidir.

O trabalho de um psicólogo, por exemplo, é fundamental para que os atletas suportem a pressão por resultados. O acompanhamento de um nutricionista serve para equilibrar a alimentação com a carga de treinamento diária de um atleta, repondo a energia gasta ao longo dos trabalhos. Essa equipe multidisciplinar engloba ainda a figura de um Podólogo (isso mesmo, um especialista que cuide da saúde dos pés dos jogadores); um Dentista (há uma relação muito próxima entre a existência de lesões musculares e a existência de foco dentário); um Fisiologista (que acompanhe diariamente o treino e possa dar suporte ao preparador físico); e outras tantas como um Pedagogo do Treino, uma Equipe de Observadores Técnicos; um Assistente Social, um Coordenador Técnico e daí por diante.

5. Planejamento: o que se quer subindo de divisão? Se o clube não sabe responder a tal pergunta, qualquer resultado serve. É preciso possuir uma visão de médio e longo prazo para nortear todas as ações a serem realizadas na dinâmica do clube nas divisões superiores do futebol nacional, acompanhando o seu nivelamento técnico.

6. Formação de atletas: não me lembro de clubes que tenham conquistado resultados expressivos em campo com o futebol profissional nos últimos anos que não tenha tido um projeto de investimento maciço nas categorias de base. Atletas jovens, com objetivos de crescimento na carreira e com identidade com o clube, mesclado com jogadores mais experientes, tem sido a melhor receita para as vitórias no médio-longo prazo.

7. Ajuda: nenhum clube precisa da ajuda de ninguém. Eles precisam de investimento. O futebol é um motor de negócio importante e não uma entidade filantrópica. Trata-se de uma relação de troca, em que todos devem sair ganhando de alguma maneira. Quebrar alguns desses paradigmas (e outros que não foram lembrados ao longo do texto) pode ser a chave para que as equipes consigam resultados sustentáveis ao longo do tempo, criando uma cultura mais rígida e criteriosa na administração de alguns clubes do nosso futebol.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br  

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Argentina: lei que obriga a tecnologia no futebol

Nesta segunda feira, tomaram eco na Argentina os dizeres da deputada Silvia Vázquez sobre o interesse de apresentar um projeto de lei que determine o uso da tecnologia no futebol.

Preocupada com os recentes gols mal assinalados no campeonato argentino, a deputada defende que a utilização dos “olhos de falcão”, câmera auxiliar que seria consultada pela arbitragem, ajudaria a tornar o futebol mais transparente. Mas não só nesse aspecto a deputada argentina se fundamenta para defender seu projeto. Ela aponta que o uso de tal recurso ajudaria a dirimir as dúvidas sobre a possível má fé que se levanta em formas de especulação sobre alguns árbitros e, consequentemente, contribuiria para a diminuição da violência no futebol, uma vez que ela acredita que muitos atos hostis têm origem na indignação de atletas e torcedores a respeito dos erros dos árbitros

“Se trata de establecer el impacto que algunos arbitrajes tienen respecto de la violencia. Pero hemos visto que no hay sectores que empujen este cambio, porque incluso lo envié a la AFA y no tuve respuesta”*

“El error humano no es el que genera la indignación, sino la acción dolosa del mismo, del que siempre se sospecha”.*

Difícil falar se isso será levado a diante ou não. Mas vale a reflexão.

Muito provavelmente, como a própria deputada já percebeu, os órgãos que gerem o futebol vão virar as costas para esse fato. Porém, se o projeto ganhar corpo e for de fato implementado teremos ai um grande marco político-esportivo.

A Fifa, que não aceita de modo nenhum interferência em suas decisões, vai ser capaz de frear esse movimento? Como de praxe, deve ameaçar o país de eliminação de competições internacionais e essas coisas que sempre utiliza para colocar medo naqueles que ousam quebrar seu poder. Porém, será que consegue fazer frear esse movimento com uma seleção de renome como a seleção argentina?

E há outro fator que devemos levantar, Por mais que exista essa rivalidade entre brasileiros e argentinos, temos que “tirar o chapéu” para o povo de nosso país vizinho quando se trata de reivindicações e postura firme frente a qualquer situação (o que para muitos piadistas brasileiros é tratado como arrogância), uma postura de enfrentamento sem receio das consequências que serão tomadas.

Não sei o que deste projeto vai realmente acontecer, mas imagino que caso a Fifa não mude sua postura e aceite a tecnologia no futebol, e se a deputada Silvia Vázquez conseguir implementar esse projeto, a briga vem pesada e forte.

Minha opinião: não acho que o parlamento de um país necessite intervir desta maneira no jogo, porém, na medida em que as injustiças e erros humanos, que podem sem muito alarde diminuir com o advento da tecnologia, são influenciadores e ajudam a gerar violência e dúvidas sobre a idoneidade do jogo, creio que o problema passa a ser maior e vá além das quatro linhas

E você, o que acha?

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

* http://www.infobae.com/futbol/542263-100902-0-Por-ley-quieren-que-se-use-tecnologia-el-futbol-argentino