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O desafio de Belluzzo

Luiz Gonzaga Belluzzo foi eleito presidente do Palmeiras, com o que me pareceu um apoio irrestrito da mídia. Pudera. É, possivelmente, o mais qualificado presidente de um clube de futebol da história recente do país.

Não sei dizer outro presidente de clube com título de Doutor ou que tenha sido conselheiro econômico da Presidência da República. Ou, então, que tenha ganhado o prêmio Juca Pato, seja lá que prêmio é esse. Pelo nome, parece ser importante. E engraçado.

De qualquer maneira, Belluzzo tem uma árdua tarefa pela frente. Não é fácil ser presidente de clube de futebol. Você é, ao mesmo tempo, muitas coisas. Para o conselho, você é o muro das lamentações. Para os jogadores, você é um caixa bancário. Para a imprensa, você é uma fonte inesgotável de notícias. E para a torcida, você é o demônio. E nem sequer ganha para isso.

Não só não ganha como também perde. E muito. Tempo, cabelo, essas, coisas. 

Se há uma coisa que presidente de clube não tem, é tempo. Afinal, você, de um dia pra outro, vira representante de uma organização que possui milhares de sócios oficialmente e sabe-se lá quantos milhões de torcedores. Não falta gente pedindo pra você fazer uma visita aqui, uma reunião ali, tomar um café acolá.

E é aí, nessa questão, que está talvez o maior desafio da presidência de Belluzzo. Não se podem questionar seus interesses, que obviamente estão voltados aos rumos da macro-organização do que um envolvimento maior com os meandros da instituição. Mas como uma pessoa tão atarefada e envolvida até com os rumos da nossa própria nação conseguirá equilibrar a demanda profissional com a demanda palestrina? O tempo, obviamente, vai dizer.

E também em tempo, o prêmio Juca Pato é um prêmio literário concedido pela União Brasileira dos Escritores. Já foram contemplados com ele o ex-presidente Fernando Henrique, Sérgio Buarque de Holanda, Carlos Drummond de Andrade, Érico Veríssimo e seu filho, Luiz Fernando Veríssimo, que bem que poderia a onda e se tornar presidente do Internacional.

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Dimensões tecnológicas na Copa de 2014: a comunicação

 

Olá amigos, no texto de hoje vamos explorar a questão de infra-estrutura de comunicação dos estádios. Ressaltando e sendo extremamente repetitivo em nossos textos, mas, porque é preciso termos isso em mente: tecnologia é recurso e processo, depende de organização e aplicação direcionada.

As inovações tiram as pessoas de uma zona de conforto e geram receio, exigem um tempo de adaptabilidade, é um ciclo. Desenvolvem-se em cima das necessidades com intuito de facilitar e otimizar, causam o desconforto, a adaptação e assim chegam à maturação e consolidação do recurso e do processo até que sejam superadas por um novo ciclo.

Sobre comunicação nos estádios levantamos alguns pontos que consideramos necessários serem pensados.

Marketing e promoção

A comunicação é fundamental para interação com o público, foco principal dos patrocinadores e investidores.

Relativamente, as ações estão se aperfeiçoando, mas não podemos ficar restritos à placas publicitárias, os “namerights” por exemplo, já deveriam ter se consagrado mais aqui no Brasil. Mas aí, entramos numa questão complexa, uma discussão bastante batida, mas sobre a qual emitirei minha opinião.

É freqüente ouvirmos que não dá certo porque a imprensa acaba não divulgando o nome do patrocinador. Isso ocorre de fato, e tem suas razões comerciais. Mas, nessa gangorra de razão para ambos os lados, o prejudicado é o futebol, que necessita do investimento. Ora, mas como fazer isso funcionar se por uma lado fere os interesses de quem divulga e, por outro, isso ocorrendo não cumpre com as expectativas do anunciante?

É realmente complicado mesmo. Não tenho uma solução específica (gostaria, ficaria milionário com isso), mas, sinceramente, acredito que o nome do estádio pode ser utilizado em inúmeras outras formas de comunicação, por meio de ações diretas com o público-alvo.

Outros mecanismos podem ser aperfeiçoados e implementados nesse quesito como a comunicação móbile (via celular) com o torcedor, além de outras ações complementares, e nisso, confesso que fico completamente aficionado com o Superbowl do futebol americano, que, diga-se de passagem, foi espetacular no último fim de semana, inclusive no aspecto de jogo.

Exige-se de fato uma estrutura, implementação de antenas bluethof, mecanismos de organização de pessoas para montar e desmontar um palco de shows (sem comunicação propriamente dita, não é possível coordenação), e tantas outras que podem fazer parte, mas o principal é ter noção de que tecnologia não precisa ser um feixe de raio lazer e coisas flutuando, haja visto o pequeno time do Ibiza (Eivissa) da Espanha que, por meio de recursos tecnológicos e processo (olha eles aí mais uma vez) desenvolveram uma forma de colocar as paisagens cartão postais da cidade em cada número nas costas dos jogadores. Uma comunicação sem muito raio lazer, mas diferenciada. E tantas outras possibilidades se abrem.

Impressa

Na questão de imprensa, talvez encontremos um dos pontos críticos dos estádios brasileiros. Uma central de impressa adequada, com infra-estrutura que atenda tanto o volume de pessoas envolvidas quanto o volume de equipamento e recursos necessários para uma boa cobertura.

Agora, as coisas melhoram um pouco, mas me recordo há bem pouco tempo, quando minha freqüência nos estádios era as vezes superior a duas  vezes por semana, sentíamos falta, inclusive, de tomadas para ligar os aparelhos mais simples, o que falar da internet, então.

Jogo

A questão do jogo é, talvez, a parte mais carente de comunicação. E olhe que, no Brasil, o tal radinho/celular do técnico com o auxiliar lá na cabine é moda.

Mas relato que já ouvi de muitos profissionais da bola, que não adotam soluções tecnológicas no processo de jogo, sobretudo na questão de análise do jogo, porque não tem como efetuar uma boa comunicação com as pessoas que seriam destacadas para esse fim.

Ora, aqui deixo duas indignações:

Se é possível conversar com o auxiliar na cabine não é possível comunicar-se com outros membros responsáveis por outros tipos de informação? E porque não o próprio auxiliar acompanhar o jogo tendo como suporte um aparato que atenda as grandes necessidades de um treinador?

Será que a tecnologia que é oferecida para esses técnicos hoje é tão, mas tão sofisticada que é inviável implementá-la? Não creio que o que se oferece hoje por aí para os clubes de futebol não seja solução de fácil implementação frente às possibilidades e avanços da ciência. Ops, essa palavra (ciência) em muitos lugares, no futebol, é persona non grata.

Poderíamos discutir muitos outros exemplos, deixo para os amigos a possibilidade de avançarmos no tema.

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Doença crônica

Robinho é a capa da revista “Veja” desta semana. Qual o motivo para que a principal publicação semanal do país decida estampar a cara de um ídolo do futebol nacional? Só pode ser pelo sucesso dentro de campo do jogador do Manchester City. Ou não…

A capa dada a Robinho poderia reverenciar aquele que já foi muito comparado a Pelé, atleta franzino, surgido meio que por acaso no Santos e que, com a camisa alvinegra, decidiu conquistar (ou, nesse caso, reconquistar) o mundo. Robinho das pedaladas, das diabruras dentro de campo, das travessuras em cima dos zagueiros. Robinho que devolveu ao Santos o status de time campeão após 20 anos de espera e desilusões.

Mas não. O motivo é mais um escândalo que norteia a carreira de uma das maiores promessas do futebol brasileiro e que, a exemplo de outros, se perde no caminho que leva às vitórias, mas que é recheado de fama, dinheiro e mulheres. Ah, as mulheres…

Ex-companheiro de Robinho na seleção que foi à Alemanha em 2006, Ronaldo foi outro que se envolveu em polêmica com as mulheres na semana que passou. Mulheres que cercaram o jogador numa boate em São Paulo, a nova terra do Fenômeno. Tão fenomenal que não percebe o impacto que tem um simples espirro que possa dar. Chama a atenção do mundo inteiro e vira epidemia de gripe na hora.

Mas quem disse que a lambança é só por aqui? Michael Phelps, o ultracampeão dos Jogos Olímpicos de Pequim, também deu sua escorregada nos últimos dias. Foi flagrado fumando maconha (?!?!?!?!) durante uma animada festa nos Estados Unidos. Pode até ser suspenso pela atitude antidesportiva. E já botou em alerta um séquito de marqueteiros da terra do Tio Sam para tentar salvá-lo de um desastre de imagem.

Robinho, Ronaldo, Phelps e tantos outros são vítimas. Sim, isso mesmo. São vítimas de um processo de acompanhamento maciço da mídia sobre suas vidas particulares. Quase todo mundo já derrapou alguma vez na vida. Mas nem todos tinham a importância para a mídia de um Ronaldo, um Robinho ou um Phelps. Mesmo quando a intenção é boa, como foi o caso de Kaká, que doou para a Igreja que freqüenta o troféu de melhor do mundo em 2006.

Não tem como, a imprensa espera o deslize, a conduta que foge do padrão vencedor, vitorioso, insuspeito de um ídolo do esporte. Assim como é na música ou nas artes. A doença é crônica. E o campo de trabalho para evitar que esses deslizes venham a público, maior ainda.

Pena que Robinho e Ronaldo não estejam balizados para conseguir blindar o assédio da imprensa e dos aproveitadores de plantão que toda hora surgem na vida de um famoso. Sorte da mídia, que sempre tem boa história para contar…

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Lula e o futebol

Antes de começar essa coluna, é importante deixar bem explícito aqui qual é o meu viés político. Nunca votei no Lula, tampouco no PT. Isso não quer dizer, necessariamente, que eu desaprove ostensivamente a política do governo federal atual. Não. Respeito o partido, entendo o seu posicionamento e acredito que desempenha um papel essencial em qualquer sociedade democrática. Mas não engulo muito a retórica, principalmente a extremista. Mas o fato de que muito daquilo que o partido pregava não ter sido feito durante o tempo de governo do Lula me faz aplaudi-los.

Agora que você já sabe qual é a minha opinião sobre o presidente, permita-me tecer algumas palavras a respeito da excelente entrevista realizada pelo programa ‘Bola da Vez’, da ESPN Brasil. Foi a primeira vez, pelo menos que eu tenha visto, que um programa conseguiu conversar com o presidente exclusivamente sobre esportes, em especial o futebol. Em geral, as entrevistas pincelam o assunto, o que não dá às respostas uma legitimidade interpretativa minimamente possível. Eis que o programa nos permitiu ver o que de fato se passa na cabeça da figura maior do nosso Estado.

Em todos os lugares, independente da riqueza, é a postura do Estado que constrói o caminho para a evolução ou para a regressão do esporte. Na Inglaterra, foi a obrigatoriedade imposta pelo governo que obrigou os clubes a transformarem os seus estádios na década de 90. Não fosse por ela, é possível que os estádios ingleses hoje não fossem tão evoluídos, o que implicaria também no atraso da evolução dos estádios em outros lugares do mundo. Na Europa, por sua vez, foi a postura da Comissão governante que obrigou a adequação dos contratos de trabalhos de jogadores a patamares mais próximos de profissionais ordinários. Todas essas mudanças, que foram essenciais para a modernização do futebol, aconteceram por conta da postura do Estado em relação ao esporte.

Na entrevista, Lula deixou claro, por seguidas vezes, como que ele enxerga o futebol no Brasil: como torcedor, corinthiano, apaixonado. E isso não é nada bom. Suas análises a respeito do futebol no país foram construídas por assunções generalizadas e massificadas, que pouco condizem com o que de fato acontece com o esporte no país. Disse ele, por exemplo, que tem que ser bolado um jeito para jogadores de futebol parem de sair do futebol tão cedo e que a Lei Pelé precisa ser readequada, uma vez que ela foi feita pensada nos jogadores, e não nos clubes.

Confesso que quando eu ouvi isso, dei uma pequena risada e balancei a cabeça negativamente. Ora. Um presidente, ex-líder sindical, que foi eleito por um partido que, teoricamente, representa o proletariado, diz – em cadeia nacional – que é preciso repensar uma lei que beneficia os trabalhadores para que ela passe a beneficiar as instituições? Que é preciso dar menos poder ao indivíduo? Onde foi parar o ditado “Quem bate cartão não vota em patrão”?

Em seu favor, Lula argumentou que o problema todo é que, se antes os jogadores eram reféns dos clubes, agora viraram reféns dos empresários, que são os principais beneficiados com a Lei Pelé. Esse é um exemplo explícito de como o discurso massificado é assumido pelo comandante geral do país sem a preocupação com a interpretação mais precisa da realidade.

Tivesse se preocupado em buscar as verdadeiras razões para o cenário atual, ou se pelo menos tivesse sido melhor assessorado a respeito do assunto, o presidente saberia que ninguém nasce escravo de ninguém, muito menos jogador nasce ligado obrigatoriamente a um empresário. O presidente saberia que a grande maioria dos jogadores de futebol que surgem como promessas são pessoas de baixíssima renda, com pouquíssimas perspectivas de vida fora do esporte. Saberia que, por conta disso, quando esse jogador se consolida como uma promessa, ele fica feliz por fechar com um agente por alguns milhares de reais, dinheiro esse que servirá para comprar comida, geladeira, fogão, reformar o telhado da casa, ou suprir qualquer outra necessidade básica a família do jogador possua. Qualquer pessoa de baixa renda que desempenhe uma função busca maximizar a receita no menor tempo possível. E é por isso que ela fecha com empresários, que posteriormente leiloam os direitos econômicos com clubes, o que acaba fazendo com que se ache que o jogador perdeu o controle sobre a sua própria vida. Na verdade, é bem possível que a vida do jogador esteja melhor por conta do empresário do que estaria sem o mesmo. Antes da Lei Pelé, era comum ouvir jogadores reclamando do poder dos clubes. Você já ouviu algum jogador reclamando do poder do seu empresário?

Ao que me pareceu, Lula falou como se estivesse sentado em uma mesa ao redor de amigos, sem muitas pretensões oficiais. E, talvez, o problema seja que ele pense no futebol como apenas um assunto interessante, que é um ótimo passatempo, mas com ramificações incompreensíveis. 

Não encampo a causa dos agentes de futebol, mas encampo a liberdade do indivíduo de tomar suas próprias decisões, ou estar ciente de cedê-la para que alguém mais preparado o faça. Lula, por ser um democrata de esquerda, também pensa assim. O problema, talvez, seja que ele torça muito por um jogo de futebol e que, com isso, deixe de pensá-lo como o complexo fenômeno que de fato é.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Zezinho do Scout: Fluminense toma virada na estréia

Olá amigos, como de praxe, em toda última terça feira do mês, o espaço é para a análise de um jogo da rodada. E até que fim voltou o futebol, já estava com saudades. Na semana que vem prosseguem os textos sobre estádios, tecnologia e copa do mundo.

O Fluminense reformulou a sua equipe e manteve a sua banca de favorito no Rio, mas, logo na estréia, sofreu um revés para a boa equipe da Cabofriense. Vamos ver o que o scout do jogo nos diz?

Vamos nessa análise partir da variável tempo de jogo para identificar os posicionamentos efetivos das equipes. Uma análise fácil e simples, pois não buscamos nos dados em si as informações do jogo, mas, pelo contrário, partimos de um critério que já serve de parâmetro. È uma possibilidade de análise, confesso que prefiro deixar os dados me indicarem os parâmetros, mas é também possível fazermos o processo inverso.

O posicionamento efetivo dos jogadores é tomado com base no centro de ações de cada jogador e indica algumas coisas interessantes. Onde há um jogador isolado sem ninguém do adversário próximo, a leitura que fazemos é de que nenhum jogador adversário contrapôs alguma ação para as ações que determinado jogador realizou naquela região.

Por exemplo, na figura 1 observamos o 10 da Cabofriense isolado na direita, significa que (sem cruzar com outros dados, que nos dariam exatamente as ações) podemos interpretar que tal jogador realizou ações nessa região tendo como jogador mais próximo que faz alguma ação em contraposição a sua atuação o 3 do Fluminense. Podem ser alguns passes, lançamentos, dribles, que o jogador fez por ali e pelo lado tricolor alguns desarmes, interceptações, etc.

Dificilmente teremos um quadro exato de sobreposição das ações, para cada atacante um defensor colado, mas quanto mais equilibrada for uma equipe, a tendência é sempre ter jogadores contrapondo ações de seus adversários, seja pela proximidade de seus centros de ações ou pelo conjunto de centros de 2 ou mais jogadores.

Vejamos por exemplo a figura 3. No qual os jogadores 10-9-17-7 do Fluminense tem relativa folga de seus opositores, mas observem como o espaço de uma maneira geral é coberto pelos jogadores 4-3-5-7 da Cabofriense, que pelo conjunto acabam fazendo uma boa contraposição de ações. O que não ocorre com o 10 da Cabofriense nas figuras 1, 4 e 5 , estando bem isolado no centro de suas ações.

Nessa dinâmica do jogo podemos observar como as ocorrências vão modificando a característica de cada equipe. Evidente que quando confrontamos tais dados com outras informações de um scout a interpretação tende a ser mais rica e precisa, fazendo valer a capacidade do observador para transformar dados em informação e posteriormente em intervenção.

Deixo para o amigo divagar sobre as imagens e tirar suas conclusões. De forma sucinta descrevo minha análise sobre elementos chaves de cada figura:

Figura 1: Fluminense consegue um domínio da intermediaria ofensiva favorecendo chutes de longa distância e jogadas pelo meio.

Figura 2: A Cabofriense congestiona mais o setor descrito anteriormente e começa a ter mais participação ofensiva dos seus laterais, do jogador 7, tendo seus jogadores 9 e 10 um isolamento maior do seu centro de ações. Sendo o 9 autor do gol de empate.

Figura 3: A Cabofriense inverte ações do jogador 7 com 11, esse último, autor do 2º gol, passa a atuar mais avançado assim como uma maior centralização do lateral 6 e conseqüente maior participação ofensiva também. (Esse lateral foi quem efetua o lançamento para o gol da virada, em jogada pelo meio campo).

Figura 4: O jogo fica mais aberto, com pouca ação no meio campo, sendo que o 10 da Cabofriense continua jogando sem uma ação defensiva do adversário, mais próxima as suas jogadas.

Figura 5: O Fluminense se organiza um pouco melhor e ocupa o campo de uma forma mais distribuída e ofensiva, mas ainda deixa o 10 adversário com muito espaço.

Figura 6: O Fluminense parte para pressão deixando exposta sua defesa, o jogador 8 da Cabofriense, atua completamente isolado, e é justamente esse jogador que daria números finais ao placar.

Bom pessoal, essa é uma análise rápida, que pode parecer oportunista por ser publicada pós jogo, mas tais informações, tendências de posicionamentos, foram observadas durante o jogo e é nesse ponto que acreditamos que a tecnologia do scout pode ajudar no futebol assim como uma telemetria na F1.

Podemos observar que o piloto tem feito uma curva com traçado diferente, mas é a observação das informações que vai detalhar o que de fato esta acontecendo, se é falta de pressão aerodinâmica ou outra coisa, cabendo aos responsáveis tomar a decisão de intervir e evitar uma batida ou abandono.

Abraços e até a próxima,

Zezinho Do Scout

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Não dê bola à bola

Todo início de campeonato é a mesma história. Volta das férias, o jogador ainda tentando se readaptar ao ritmo acordar, treinar, almoçar, treinar. Do outro lado, a imprensa segue algo mais ou menos parecido. Uma volta à rotina de treinos, de entrevistas pós-atividade, de matéria muito mais fácil do que no tenebroso período das férias.

E é exatamente nessa hora que nós percebemos o quanto os jornalistas não se preparam para entrevistar os jogadores nesse período de ressaca do pós-férias e do pré-temporada. Quando a bola rola, o noticiário é pautado pelo resultado dentro de campo. Mas, antes disso, as perguntas sempre giram em torno dos mesmos assuntos.

“Como é chegar ao novo clube?”; “Qual a expectativa de jogar com o fulaninho?”; e a fatídica “O que você achou da nova bola?”.

Oras, quem dá bola para a nova bola?

Sinceramente essa é a pergunta que sempre é feita antes do início da temporada. Antes, com os estaduais no primeiro semestre e o Brasileirão no segundo, o questionamento era feito duas vezes ao ano. Mas, atualmente, a bola no Nacional rola na semana seguinte às decisões estaduais, e com isso a pergunta sobre a bola é esquecida.

Mas qual a utilidade de saber se o jogador gostou da nova bola?

Sinceramente, quando era criança, até achava que essa opinião fazia diferença. Depois, porém, comecei a achar que bola é bola, o que importa é que ela exista. Seja uma lata de refrigerante amassada ou uma redonda de couro, o que precisamos fazer é chutá-la. Ok, no nível profissional até que pode ter diferença, mas realmente não dá para confiar em quem responde as suas impressões sobre a nova bola.

O primeiro argumento lógico é o seguinte: o cara está voltando de férias, ainda pegando o ritmo e não se acostumou com chutar (ou defender) a redonda. É, mais ou menos, como o aluno que volta à aula numa sala nova. Ele sempre vai dizer que preferia a antiga.

Mas vamos pensar também sob a ótica do marketing nessa resposta. No caso do Campeonato Paulista, por exemplo, a bola é fabricada pela Topper. No futebol, a empresa patrocina três jogadores: Jorge Wagner, do São Paulo, Ibson, do Flamengo, e recentemente fechou com Marcos, do Palmeiras.

Todos os outros atletas ou tem contrato com alguma outra marca, ou estão em busca de um. Conclusão: como ele ficaria dando bola para a bola de um fabricante concorrente daquele que o ajuda a pagar as contas no final do mês? Ou para quê o atleta falaria bem da bola da Topper se a marca não o patrocina?

A falta de assunto de volta de temporada sempre gera uma tola discussão sobre a bola do campeonato. E todos que reclamam depois entram em campo e fazem gols ou defesas espetaculares. E qual é a da bola numa hora dessas?

O melhor é parar de dar tanta bola para a bola e deixá-la rolar em paz…

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teste teste

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O dilema da riqueza

Dinheiro, dizem, não traz felicidade.Para o Manchester City, no caso, não traz jogador. Muito pelo contrário. Curioso isso.

Boa parte da Indústria do Futebol é movida pela negociação de transferências e salários de jogadores. Como na maioria das vezes clubes e jogadores são movidos pelo dinheiro, quanto mais qualidade um jogador tem, maior é a possibilidade de ele e o clube com o qual ele tem contrato ficarem ricos. E quanto mais dinheiro o clube tem, maior é a possibilidade desse mesmo clube montar um time melhor, com jogadores de qualidade mais reconhecida.

Isso é o que aconteceu com o Chelsea, por exemplo. Pouco depois que o russo adquiriu o clube, disponibilizou fundos jamais vistos antes no mercado e permitiu que o Chelsea montasse um time quase imbatível, com jogadores de grande qualidade em quase todas as posições.

Tendo visto que a fórmula foi um sucesso no time londrino, os donos de Abu Dhabi resolveram aplicar no Manchester City. Dessa vez, pelo menos até agora, não tem dado muito certo.

O problema é que os árabes do City tem muito, mas muito dinheiro. E deixaram isso bem claro para quem quisesse ouvir. Não se importaram em anunciar que iriam montar rapidamente o melhor clube do mundo, com os jogadores mais famosos do planeta. Para isso, começaram com o Robinho. E tentaram dar continuidade agora na janela do meio da temporada, mas sem muito sucesso. A não ser que você considere o Bellamy um craque.

O movimento criado pelo próprio City está os matando. Colocando nas palavras de Ársene Wenger, eles inflacionaram um mercado que estava em deflação. Quer dizer, eles inflacionaram apenas para eles mesmos. Isso foi claríssimo na proposta pelo Kaká, mas também permitiu que o Valencia recusasse uma proposta de 100 milhões de libras pelo Villa e que a Juventus pedisse quase isso pelo Buffon. Não porque esses clubes achem que esses jogadores valham tanto, tampouco esteja precisando desse valor, mas porque eles sabem que o City tem dinheiro para gastar com isso.

Nas também palavras do diretor do Manchester City, os clubes estão aproveitando o interesse deles em alguns jogadores para fazerem propostas que sustentarão o clube por quatro anos. E é claro que o City não está gostando nada disso.

Se os clubes não soubessem que o City tem tanto dinheiro assim, é claro que eles aceitariam vender seus jogadores por valores mais reais, principalmente agora em tempos de crise. Mas a aposta é que o City vai se desesperar e, eventualmente, ter que abrir o bolso para comprar algumas estrelas, seja lá quanto for que elas custarem.

Esse risco pode fazer a indústria entrar em colapso, uma vez que clubes que recusem propostas por jogadores se vejam obrigados a aumentar o salário desses jogadores para compensarem as perdas financeiras de uma eventual transferência. Com isso, clubes aumentarão seus custos em uma época com declínio de receita. E isso, naturalmente, gera problemas.

Ter dinheiro é bom, claro. Mas não adianta nada ter dinheiro se ninguém quer vender nada para você.

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Fonte de informação

Nos últimos dez anos, com a solidificação da internet, o jornalismo tornou-se algo muito mais “simples” de ser praticado. O acesso à informação é atualmente muito mais amplo do que no início dos anos 90, quando as palavras “e-mail” e “internet” não faziam parte do cotidiano do jornalista.

Com a facilidade da internet, a prática do jornalismo foi facilitada pela agilidade na transmissão de dados e, consequentemente, de informações. Afinal, até 1995, mais ou menos, o fax e o telex ainda eram as melhores formas de entrar em contato com uma redação de um jornal, revista, rádio ou TV.

A partir da popularização da internet, o jornalista começou a ser informado sobre pautas pelo e-mail, um modo extremamente eficiente e rápido para comunicar sobre determinado assunto. Se, antes, chegava uma folha de fax numa redação para 50 pessoas, agora as mesmas 50 pessoas recebiam, em sua caixa de e-mail, um comunicado personalizado.

Outra característica arrasadora desse novo momento de se fazer jornalismo foi o recurso do uso da web para pesquisas e buscas de informação na apuração jornalística. Antes, para saber determinado assunto, o repórter tinha de recorrer ao arquivo de sua instituição, nem sempre a mais prática e completa fonte de informação sobre determinada pessoa.

Com a internet, também, pesquisar se tornou algo muito mais simples. Com o “Google” e o “Wikipedia”, então, passou a ser banal descobrir informações sobre determinado tema, pessoa ou lugar a partir das maravilhas do clique do mouse.

Que o diga o poderosíssimo jornal “The Times”, da Inglaterra, e mais diversos outros veículos pelo mundo inteiro. Na semana passada, os britânicos divulgaram uma lista com os 50 jogadores que devem ser notícia no futebol mundial nos próximos anos.

No Brasil, a relação do Times passou a ser reproduzida com a colocação de Hernanes, do São Paulo, em primeiro lugar da lista. Na Moldávia, o levantamento também teria causado frenesi parecido. Explica-se:

Em 30º lugar dessa relação, aparece o nome de Masal Bugduv, um habilidoso jogador moldávio de apenas 16 anos. Cogita-se, inclusive, que o meia estaria se transferindo para o Arsenal, da Inglaterra, à espera apenas da sua documentação para poder ir para o clube, num caso muito similar ao de Denilson, ex-São Paulo.

A citação na lista do Times fazia todo sentido. Sites sobre jovens promessas do futebol citavam Bugduv. Outros veículos comentavam o surgimento de um oásis no meio do deserto do futebol da Moldávia. Até mesmo a agência de notícias Associated Press teria feito uma matéria destacando as qualidades do atleta.

Até que um site decidiu voltar para o caminho básico da apuração jornalística pré-internet. Sem conseguir ir até o lugar, vamos procurar entrevistar jornalistas daquele país para saber mais sobre determinado atleta. E o caso foi parar no editor do “Mold Football”, uma espécie de Cidade do Futebol moldávia.

Não deu outra: “esse jogador não existe”, afirmou o responsável pela publicação.

O Times retirou qualquer menção a Bugduv de sua lista. Os diversos veículos que confiaram na informação que os britânicos deram tiveram de contar a história desde o início, fazendo com que a própria relação fosse desmerecida após tal farsa.

E, na Irlanda, um pessoa provavelmente estava rindo à toa. Afinal, ao que parece tudo começou num comentário de uma pessoa dentro de um blog, citando o famoso jornal “Diário Mo Thon”, da Moldávia, o primeiro veículo a falar sobre Bugduv.

“Mo Thon”, numa tradução livre para o irlandês é “meu rabo”. E Masal Bugduv seria uma brincadeira fonética com “Masal beag dubh”, expressão que pode ser traduzida do irlandês para “meu pequeno burro preto”. 

A internet faz maravilhas para o jornalista. Desde que ele saiba que ela é um meio para se informar, mas nunca o fim… Ainda mais quando o internauta tem total ingerência sobre a produção do conteúdo.

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Ausência

Caro leitor,

Informamos que a coluna de Rodrigo Leitão não será publicada neste sábado e aproveitamos o espaço para pedir desculpas pelo infortúnio.

Esperamos que a situação seja normalizada na próxima semana e estamos trabalhando para isso.

Obrigado!

Equipe Cidade do Futebol