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Experiência

Um evento-teste. Menos de 30 dias. Muita coisa a ser feita. Inaugurado oficialmente no último domingo, o novo estádio do Corinthians, situado na Zona Leste de São Paulo, passou pela maior prova antes de 12 de junho, quando receberá a abertura da Copa de 2014. A partida contra o Figueirense, válida pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro, escancarou muitos aspectos que precisam ser ajustados até o início do Mundial. Mas a operação do evento também mostrou que a casa não será suficiente para ter depois da competição um novo patamar de evento.

O jogo entre Corinthians e Figueirense teve 36.123 pagantes, com uma renda de R$ 3,02 milhões. O time paulista amealhou R$ 2,3 milhões em receita líquida (valor que considera os descontos em impostos, taxas e despesas do evento), maior lucro do futebol brasileiro em 2014.

Houve muitos pontos positivos – o transporte público mostrou-se alternativa viável para o estádio, os orientadores funcionaram e o gramado foi elogiado por atletas e técnicos, por exemplo. Mas o primeiro jogo oficial também escancarou falhas da arena: goteiras, sinal intermitente de telefonia, falhas na conexão com a internet, elevadores que deixaram de funcionar e longas filas nos poucos bares que estavam em funcionamento.

O torcedor que foi ao estádio também saiu frustrado com o que aconteceu em campo. O Corinthians mostrou futebol pobre de ideias, com poucas alternativas ofensivas, e perdeu por 1 a 0 para o Figueirense, que ocupava a lanterna do Campeonato Brasileiro e ainda não havia anotado um gol sequer na competição.

Entre o que não funcionou, é possível que muito seja acertado até a Copa do Mundo. O estádio teve muitos problemas decorrentes de uma operação incipiente, e isso pode ser revisto antes de 12 de junho. Elevadores deixaram de funcionar por quedas de energia e manutenção, por exemplo. Sinais de telefonia e internet terão reforços até 12 de junho.

Mas um estádio é apenas uma casca, e o jogo é apenas um trecho do produto que ela envolve. O torcedor não compra uma partida de futebol, mas uma experiência. E isso é o que os organizadores precisam entender sobre a nova casa do Corinthians.

O torcedor precisa ser visto como um consumidor comum. E a experiência de um consumidor comum não se limita ao tempo em que ele está dentro do estádio. A avaliação sobre o aparato está intrinsecamente ligada ao que acontece antes e depois.

A preocupação com o torcedor, portanto, deve começar com um exercício de promoção dos eventos. Quem sabia, afinal, qual seria o jogo em Itaquera no último domingo e em quais condições o Corinthians enfrentaria o Figueirense? Onde estava a comunicação visual no bairro e nas zonas em que o público-alvo mais circula?

Depois disso, é importante convencer as pessoas a comprarem o evento. Isso envolve oferecer condições, prover serviços e entregar a elas os ingressos. Também é fundamental planejar deslocamentos e a experiência que os torcedores terão no interior da arena.

Tudo isso faz parte do tal “padrão Fifa”. A entidade estabelece uma série de parâmetros para assegurar prestação de serviço e uma parte da experiência do público – é por isso que o posicionamento de cadeiras no interior dos estádios de Copa é sempre similar.

A questão é: e o intangível? Em que pontos o torcedor foi surpreendido e recebeu mais do que o pacote padrão? O que ele teve, do momento da compra até a hora em que voltou para casa, que fez o jogo ser um evento inesquecível?

É isso que os organizadores de jogos no Brasil precisam considerar. Planejar a experiência do torcedor não pode ser apenas zelar pela excelência de serviços, mas criar realmente um ambiente que transforme o significado do evento.

Essa é a lógica que os parques da Walt Disney ensinam para o mundo há anos. Os brinquedos de lá também têm filas, mas aproveitam o momento de espera para bombardear os usuários de vídeos, atividades e informações. Até o posicionamento de lixeiras é pensado para balizar a experiência de quem frequenta as atrações.

A Fifa segue algumas dessas premissas ao criar padrões para a Copa do Mundo, mas o futebol ainda está longe da realidade que os parques vivem há décadas. E se o futebol de Copa sofre, o esporte do cotidiano tem uma necessidade ainda maior de assimilar esse tipo de conceito.

O novo estádio do Corinthians pode ter um público orgânico nos primeiros jogos, formado por curiosos e carentes por outros tipos de espetáculo. Depois, porém, a sobrevivência do aparato dependerá muito do que for proporcionado ao espectador.

Nesse caso, vale para o estádio a lógica de um bar ou restaurante: a inauguração pode ser um sucesso e atrair muita gente. Depois, alguns curiosos podem querer conhecer e ver as atrações locais. O desafio é segurar esse fluxo.

E fluxo, em qualquer empreendimento comercial, só se constrói com experiências. É isso que o futebol precisa aprender a vender. 

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Machismo também é preconceito

Realmente muito bonita, a assistente de arbitragem Fernanda Colombo Uliana, de 23 anos, iniciou o clássico entre Atlético e Cruzeiro recebendo todos os holofotes da imprensa.

Após a partida os holofotes novamente se voltaram para a assistente, mas, desta vez pelos erros cometidos, especialmente, por um impedimento inexistente em um contra-ataque, onde o meia-atacante Alisson sairia de frente para o goleiro do Atlético.

O diretor de futebol do Cruzeiro manifestou publicamente sua insatisfação com os erros, e, mais precisamente teceu comentários polêmicos acerca da bandeirinha Fernanda Colombo Uliana. Segundo o dirigente, ela deveria posar na “Playboy”.

Logo o Cruzeiro que, meses antes, ficara marcado pela luta contra o racismo no futebol em razão das manifestações da torcida peruana contra o volante Tinga na partida contra o Real Garcilaso pela Libertadores da América, acabou por protagonizar atos de preconceito contra uma mulher.

Ora, machismo é tão preconceito quanto racismo.

Segundo o artigo 243-G, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, constitui infração disciplinar praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

Assim, as declarações do dirigente mineiro são passíveis de suspensão de pelo prazo de cento e vinte a trezentos e sessenta dias, além de multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais).

Infelizmente, o machismo é uma constante em nossa sociedade, sobretudo no futebol e a reação do dirigente celeste corrobora isso. O machismo deve ser combatido tanto quanto o racismo, a homofobia e a intolerância religiosa.

Em nome do machismo homens agridem suas mulheres física e psicologicamente e isso precisa acabar.

Na sociedade atual não há mais espaço para atitudes machistas. Lugar de mulher bonita não é na “Playboy” e lugar das “mães de família” não é na cozinha.

As mulheres, após décadas de repressão, já provaram que podem ser melhores e mais competentes que os homens em áreas antes predominantemente masculinas e o medo de perder espaço tem reacendido perigosamente a chama machista.

Se houve erro, que a assistente catarinense receba a punição aplicável e não seja achincalhada pela sua beleza física e que a Justiça Desportiva aplique punições severas contra atos de discriminação no futebol e em qualquer modalidade esportiva. 

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A importância de escutar

Ano de Copa do Mundo de Futebol no Brasil, com campeonato Brasileiro das séries A e B e Copa do Brasil em andamento, muitos desafios tanto para os treinadores das seleções quanto para os treinadores dos clubes do Brasil.

Muitos esperam brilhar na competição mundial e outros anseiam por bons resultados nos campeonatos nacionais, porém todos estão conseguindo escutar de maneira eficaz seus atletas?

Todo treinador pode desenvolver sua capacidade de escutar ativamente seus atletas e com isso colher ótimos benefícios para o seu trabalho. Mas não pensemos que escutar de maneira adequada e estruturada é tarefa fácil, afinal de contas o ser humano gosta muito mais de falar do que escutar. Ainda mais em tempos de tecnologia cada vez mais presente em nossas vidas.

Escutar ativamente o atleta pode contribuir para solucionar pequenos problemas que ao serem deixados de lado, podem causar enormes impactos no rendimento do atleta e também das equipes.

No livro Ferramentas de Coaching encontramos uma boa referência sobre a escuta estruturada, na qual podemos compreender que a escuta estruturada parte do pressuposto que todo treinador passa a ser um bom ouvinte quando ele consegue:

Encorajar ou outro a falar – Ao se transmitir sinais verbais e não verbais ao atleta, o treinador demonstra que está envolvido na conversa e com o que o atleta deseja falar. Os sinais como pequenos acenos de cabeça, sorriso leve e a sua postura corporal são capazes de demonstrar seu interesse. Tudo aquilo que seja genuíno como sinal de encorajamento pode ser aplicado pelo treinador, para que sua escuta seja favorecida.

Clarificar aquilo que se houve – O treinador enquanto bom ouvinte pode mostrar com frequência que está compreendendo o que o atleta está falando. Ao solicitar regularmente que o atleta esclareça alguns pontos da conversa, o treinador está demonstrando que está realmente escutando interessadamente o que está sendo dito.

Sintetizar – O treinador pode desenvolver a percepção de saber encontrar os momentos certos na conversa para solicitar ao atleta que resuma ou sintetize o que ele disse, evitando com isso que o atleta se perca em detalhes menos importantes para o contexto da conversa e perca o foco.

Refletir sobre o que foi falado – Este é o momento no qual o treinador e o atleta podem compartilhar o que cada um percebeu de mais importante na conversa, é um momento muito importante para o treinador, pois aqui ele demonstra que escutou efetivamente seu atleta.

Cabe a cada treinador procurar desenvolver sua capacidade de ouvir seus atletas, pois esta competência é muito importante para o seu trabalho diário e pode fazer uma enorme diferença nos relacionamentos e na gestão do ambiente de sua equipe.

Até a próxima! 

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O problema é…

Vejo muita gente criticar setores específicos dentro de clubes e entidades esportivas, como o “Departamento de Marketing”, a “Comissão Técnica” ou o “Departamento de Base”, para ficarmos em três exemplos. Nestas críticas, os questionamentos passam pela inoperância do setor ou mesmo incompetência dos profissionais que atuam naquela área.

Mas poucos vão a fundo nestas análise, indicando até uma visão míope sobre o modus operandis destas organizações. Poucas vezes vi uma crítica clara sobre a gestão (ou inexistência de) que, mais das vezes contribui para que não haja qualquer pensamento criativo ou inovador.

Em processos de consultoria que participei recentemente, na grande maioria dos casos, boa parte das soluções estava “dentro de casa”. Profissionais desmotivados ou sistema político turbulento impediam qualquer avanço organizacional, apesar da competência de muitos colaboradores que estavam ali dentro.

O que estou querendo dizer é que, ao criticarmos determinados setores dentro de organizações esportivas, não se é possível olhar com uma visão minimalista e simplista sobre uma única área. Às vezes o problema pode estar ali sim, mas tenho certeza que na grande maioria dos casos o problema é muito maior e tem a ver com uma gestão que não dialoga com o todo.

Pensar mais na gestão como facilitadora para o crescimento organizacional talvez seja o primeiro passo para o desenvolvimento das entidades esportivas. 

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A união faz a força?

Estabelecer padrões para discursos é uma das tarefas mais complicadas de qualquer organização. É fundamental que os porta-vozes reflitam não apenas unidade entre si, mas adequação com valores e metas da marca que eles representam. E tudo isso sem que eles pareçam pasteurizados ou falsos.

Nos últimos dias, o jogador Paulo Henrique Ganso e o técnico Muricy Ramalho têm oferecido vários exemplos disso. Eles não chegaram a discutir, mas mostraram que falta unidade ao discurso do São Paulo.

Por exemplo: em tom de brincadeira, Muricy cobrou Ganso publicamente no fim de fevereiro. O técnico comparou o time atual com o da época em que ele era jogador e disse que era melhor do que todas as opções de hoje.

“Neste time eu pegava [a camisa] oito e jogava o resto pra cima. Era uma distância enorme para o Ganso, e vocês não precisam ter dúvida disso”, disse o técnico do São Paulo em entrevista coletiva.

Questionado sobre as declarações, Ganso tergiversou e tentou contemporizar. Mas esse foi apenas o primeiro episódio de desacordo entre o meia e o treinador.

Ganso foi sacado do time titular que empatou por 2 a 2 com o Coritiba em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. E respondeu com a seguinte autoanálise: “Não tem no Brasil hoje um jogador que faça a mesma função que eu. Eu sei que eu sou um dos melhores armadores que nós temos”.

Quando Ganso entrou em campo, o São Paulo perdia por 2 a 1. Autor da assistência para Ademilson empatar, o meia criticou em entrevista coletiva o sistema tático que o time paulista adotou no início da partida.

“Aqui não tem Pato e não tem Ganso, mas tem grupo. Não são apenas 11, mas 30 que jogam”, respondeu Muricy no mesmo dia.

No último domingo, a relação conturbada entre técnico e camisa 10 teve mais um capítulo. Muricy evitou fazer elogios a Ganso, um dos destaques em um empate por 1 a 1 com o Corinthians, e enalteceu o desempenho coletivo.

“É o que ele tem de fazer, mas precisa participar mais. É a função dele. É quem faz a ligação”, opinou Muricy.

Ganso, em contrapartida, mostrou-se satisfeito com a atuação e preferiu dizer que o São Paulo precisa evoluir na parte coletiva: “Se queremos chegar ao título, temos muita coisa para crescer. Temos de rodar a bola, achar os espaços e fazer os gols”.

Ainda no clássico contra o Corinthians, Muricy invadiu o campo logo depois do apito final. O técnico correu na direção do meia-atacante Boschilla, cria das categorias de base do São Paulo, e vociferou reclamações. “Aqui não é Cotia”, disse o treinador em alusão à sede do centro de treinamento do futebol amador tricolor.

Muricy criticou Boschilla por desatenção e falta de compromisso com a parte tática. E só foi contido quando Ganso interveio e retirou o jogador da discussão. “Eu afastei o Boschilla para que eles pudessem continuar a conversa no vestiário”, relatou o camisa 10.

Em menos de dois meses, Ganso e Muricy discordaram publicamente sobre o esquema tático do time, a participação do meia, o nível de evolução da equipe e até o melhor ambiente para uma bronca em um jogador mais jovem.

Se tivessem sido no vestiário, longe dos holofotes, essas conversas entre jogador e técnico podiam ter sido importantes para estabelecer um meio-termo e ajudar no desenvolvimento da equipe. Do jeito que elas ocorreram, só conturbaram o ambiente.

Aí é que entra o desafio da comunicação: é importante que os discursos não sejam pasteurizados, mas esse nível de dissonância só cria repercussão ruim.

É por isso que grandes corporações têm departamentos de comunicação ativos, que não apenas planejam o que e quando aparecer na mídia. Esses setores também trabalham internamente para a criação de culturas unificadas e adequadas aos valores da instituição.

Isso é mais nítido em empresas que fazem grandes aquisições. O Grupo Pão de Açúcar fez um trabalho para mostrar a funcionários do Extra, por exemplo, quais são os valores da empresa, por que cada procedimento é adotado e por que o discurso deve seguir um padrão determinado.

A Hypermarcas, empresa acostumada a fazer aquisições, tem uma equipe apenas para garantir que as companhias absorvidas poderão se alinhar ao pensamento da corporação.

Ganso e Muricy são apenas um exemplo do quanto isso faz falta no futebol. A Fifa e o Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 também são: trocas públicas de acusações e recados velados de ambas as partes.

É aí que entra a necessidade de um planejamento de comunicação que não pode ser apenas refratário. De uma forma geral, a cultura de atendimento a profissionais da imprensa já evoluiu drasticamente no futebol. A cultura de veículos oficiais também. O que falta é um trabalho institucional.

Luiz Felipe Scolari parece fazer isso de forma empírica com a seleção brasileira. Em 2002 e no time atual ele criou ambientes de “família”, colocou valores coletivos acima das metas individuais, trabalhou com objetivos claros e mostrou comprometimento com quem faz parte do grupo. São estratégias claras para a formação de um ambiente coeso.

Scolari tem muito a ensinar a times de futebol no Brasil. Na comunicação, principalmente. 

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Violência no futebol: mais do mesmo

Na última semana um torcedor morreu, no Recife, depois de ter sido atingido por um vaso sanitário arremessado durante uma briga de torcidas depois da partida entre o Santa Cruz e o Paraná, válida pelo Campeonato Brasileiro da Série B. Duas privadas foram retiradas do banheiro, e atiradas de uma altura de 20 metros.

Ou seja, mais uma morte… mesmos discursos… e mesmo resultado… nenhuma medida efetiva.

Impressiona o fato de, ainda, debatermos temas superados em outros países como Inglaterra, Espanha e Estados Unidos.

Exemplos de sucesso no combate à violência pululam pelo mundo a fora, mas aqui no Brasil tentam “descobrir a roda” ao invés de se buscar um estudo das medidas implementadas em outros países.

Enquanto nosso Ministro dos Esportes vem a público explicar a violência, o presidente do Coselho Superior dos Esportes (CSD) (equivalente na Espanha), o advogado Miguel Cardenal, quando indagado sobre o clássico madrilenho que decidirá a Uefa Champions League, destacou que a Espanha é "un modelo en seguridad" na organização de grandes eventos esportivos.

Este paralelo demonstra o estágio de desenvolvimento de cada país.

Enquanto ainda nos preocupamos com torcidas organizadas e bebidas alcoolicas, Espanha e Inglaterra procuram as causas reais da violência a as atacam individualmente sem apontarem vilões.

Há uma série de medidas simples já adotadas com sucesso em outros países que sequer são aventadas no Brasil.

Na Europa, as pessoas que cometem atos de violência são realmente punidas e estes casos tronam-se exemplos a fim de desestimularem outros torcedores.

Ademais, ocorreu uma profunda remodelação de todos os estádios a fim de se conferir melhores condições de conforto e segurança.

Isso sem falar na facilitação na compra de ingressos, na criação de uma polícia especializada, altamente qualificada e competente para lidar com as demandas dos torcedores e nas campanhas educativas.

O “Report Taylor” (Inglaterra), a Legislação espanhola e os regulamentos das Ligas Profissionais Norte Americanas estão aí, basta estudá-las e adaptá-las à nossa realidade.

Enquanto isso, infelizmente, continuaremos comentando e relatando novos casos de violência no desporto brasileiro. 

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O bem-estar do atleta

Começa mais um campeonato brasileiro se inicia e alguns clubes começam a sentir os efeitos da troca recente da sua comissão técnica e isso não será um luxo destes, pois ao longo do campeonato será inevitável que outros clubes troquem de comando à beira do campo.

Ao contrário do que eventualmente pensamos, os atletas sentem e sentem muito toda essa mudança constante e aumento de pressão por resultados a cada novo ciclo que se inicia pela mudança instalada. E se assim funciona, fica uma dúvida: como podemos contribuir para a manutenção do bem-estar do atleta nos diversos momentos de turbulência de uma temporada?

Compartilho com você leitor a teoria do bem-estar de autoria do Psicólogo Martin Seligman, na qual ele nos ensina que esta teoria é essencialmente uma teoria da livre escolha, sendo composta por cinco elementos que abrangem as coisas que as pessoas livres podem escolher.

Estes cinco elementos são:

• Emoção positiva – esta emoção é a base da teoria do bem-estar, trata-se da sensação de felicidade e satisfação com a própria vida, podemos traduzi-la como o prazer, o conforto, a alegria que sentimos e identificamos como felicidade;

• Engajamento – é quando nos envolvemos tão plenamente numa atividade e ponto de perdermos a noção do tempo;

• Sentido – Refere-se à quando nos dedicamos a causas maiores do que nós mesmos;

• Relacionamentos positivos – Nos cercarmos de pessoas é um ótimo antídoto para lidar com os problemas da vida, muito poucas coisas positivas são solitárias. A prática da bondade produz um aumento momentâneo em nosso bem-estar maior do que qualquer outro exercício que já foi testado.

• Realização – Por mais que o caminho até o sucesso e a vitória seja árduo, todos continuam buscando avançar até seus objetivos por causa da sensação de compensação em conquista-los. A realização envolve engajamento, traz emoções positivas e pode contribuir com um sentido à vida.

Nenhum destes elementos de maneira isolada promovem o bem-estar, porém todos contribuem de maneira conjunta para ele. Para a vida de um atleta o bem-estar é de tanto valor, quanto para a vida de qualquer outra pessoa.

No livro Florescer, Martin Seligman apresenta dois exercícios muito valiosos para promover a melhora no bem-estar das pessoas que acredito sem valiosos também para os atletas.

Um dele é o simples exercício da gentileza, no qual sugere que uma pessoa sendo atleta ou não, encontre uma coisa totalmente inesperada a fazer e que traga um impacto positivo para outras pessoas. Faça esta ação no dia seguinte e observe o que acontece instantaneamente com seu humor.

Outro exercício, muito valioso também é a visita da gratidão! Este é muito importante, pois a gratidão tem o poder de tornar nossas vidas mais felizes e satisfatórias. Quando sentimos gratidão, nos beneficiamos da lembrança agradável de um acontecimento positivo em nossa vida. Aqui o mais legal deste exercício, quando expressamos nossa gratidão aos outros, fortalecemos nosso relacionamento com as outras pessoas e a sensação de expressar gratidão de forma atenciosa e intencional tem um enorme poder de contribuir para o nosso bem-estar.

Cada atleta geralmente possui alguma ou algumas pessoas que foram de grande importância em suas vidas para que se tornasse atletas profissionais e a prática deste exercício pode contribuir diretamente com a vida do atleta em momentos de turbulência ou dificuldade.

Deve-se fazer o seguinte:

• Feche os olhos e traga à sua mente o rosto de alguém ainda com vida que anos atrás tenha feito ou dito algo que mudou sua vida para melhor; alguém que você não tenha agradecido da maneira que gostaria e que você pudesse encontra-la frente a frente nas próximas semanas;

• Escreva uma carta de gratidão à esta pessoa e entregue-a pessoalmente. A carta precisa ser concreta, com declaração específica sobre o que ela fez por você e como isso afetou sua vida. Deve relatar ainda o que você faz agora na vida e mencionar que se lembra com frequência do que ela fez por você.

• Ligue para a pessoa e marque uma visita, agora o exercício fica ainda mais poderoso caso faça uma visita de surpresa. Caso a pessoa more distante, ligue sem motivo aparente e diga a essa pessoa que deseja ler uma carta que escreveu para ela.

• Quando chegar o momento leia a carta para a pessoa, perceba suas reações e se ela o interromper diga-lhe que deseja ler a carta até o final.

• Ao terminar conversem sobre o conteúdo da carta e dos sentimentos que sentem um pelo outro. Você verá que é uma experiência sensacional!

Toda vez que relembro deste exercício, penso no benefício que ele traz e como os atletas poderiam se beneficiar desta experiência para poderem enfrentar seus momentos difíceis.

E você amigo leitor, que tal escrever uma carta hoje? 

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De quem é mesmo a culpa?

Mais uma barbaridade. Mais uma história triste contada em inúmeros meios de comunicação (do Brasil e exterior) que remete ao nosso futebol. Novamente, o futebol brasileiro aparece nas páginas policiais. A morte do torcedor do Sport no jogo entre Santa Cruz e Paraná Clube na semana passada ao ser atingido por um “vaso sanitário” retirado do banheiro do Estádio do Arruda, em Recife, é mais uma que entra para as estatísticas perversas do futebol brasileiro.

Nas reportagens, o mesmo conteúdo, que tende a se repetir, infelizmente, por mais algumas vezes ainda neste ano nos campeonatos nacionais – sabe-se lá com que origem, com quais agremiações ou em qual cenário, mas com destino já sacramentado. Não se trata de uma previsão apocalíptica, apenas a constatação diante das atitudes que se costumam tomar.

Em termos de Justiça, a Desportiva é, de longe, a mais eficiente e rápida na punição a quem lhe cabe, que são os clubes (no caso citado, o Santa Cruz já perdeu mandos de campo e ainda poderá ser mais severamente punido com multas e outras sanções, seguindo os ritos processos do CBJD).

Mesmo assim, os clubes, diretamente interessados e afetados pelas barbaridades que ano após ano são acometidos em seus jogos (ou fora dele) parecem não se importar, ainda, com todo o circo que é montado sob sua marca e tutela pelas torcidas “organizadas” (ou marginais que se infiltram nestas entidades).

O mais impressionante de tudo isso é que, em pleno 2014, quem deveria zelar pela qualidade e entrega do espetáculo, bem como tentar evitar as consequências das punições que sofrem, não o faz. Já comentei, aqui na Universidade do Futebol, esta questão em outras situações no passado, da inércia dos clubes, que parecem ficar à margem de um problema tão complexo e crônico.

Como é comum, “terceiriza-se” o problema. Joga-se a culpa no governo e na polícia, que sabemos, não tem eficiência no tratamento de tantas outras questões que envolvem a segurança pública (enormemente demonstrada pelas estatísticas de criminalidade que assolam o país), quem dirá tratar com eficácia este tema igualmente complexo.

O mais impressionante é que, mundialmente, o tema segurança é tratado sim com enorme interesse por aqueles que “organizam e promovem o espetáculo esportivo”, em consonância, logicamente, com as leis e a Segurança Pública. Na sessão “The Big Debate” da revista Sport Business International (de março-2014, p. 74-75), há a explanação de ideias de especialistas e promotores de eventos para falar do assunto (na época, dialogando sobre a segurança ostensiva observada nas Olimpíadas de Inverno em Sochi). Por unanimidade, independente do tipo de evento, todos corroboram com a tese de que oferecer melhor segurança é fundamental para proporcionar uma atmosfera de evento mais positiva para o CONSUMIDOR.

Por aqui, ao tratarem como se o assunto “não pertencesse a eles”, parecendo ser “obra do acaso” ocorrer brigas generalizadas e mortes por força de uma partida de futebol, os clubes, ao negligenciarem um debate profundo, sério e definitivo sobre a violência, não deveriam ficar espantados com os números pífios de ocupação e frequência em seus estádios. Ora, para um espetáculo ruim e inseguro, quer se esperar uma atitude diferente de quem CONSOME?

Em síntese, não há como se terceirizar o problema. Há soluções já experimentadas em outras partes do mundo que servem de balizador no sentido de minimizar a violência em arenas esportivas, tendo sempre a colaboração e o interesse de quem organiza o espetáculo na construção de um projeto consistente. É preciso separar claramente as responsabilidades de “dentro do recinto esportivo”, pertencentes a quem promove o evento, para o que ocorre “do lado de fora”, que corresponde a ações regulares de segurança pública, somados a medidas de prevenção e de punição severa – ou melhor, o simples cumprimento da lei… 

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Não há nada de novo no futebol

Não raro, ouvimos isso no ambiente futebolístico brasileiro.
Concordo em parte!
Se considerarmos que as 17 regras continuam sendo as mesmas, apesar das novas determinações que ocorrem ano a ano; ainda são onze jogadores de cada lado; o número de substituições permanece inalterado há muito tempo; os pés e a cabeça são as principais ferramentas de manejo da bola, apenas o goleiro tem o privilégio de usar as mãos; noventa minutos, mais os acréscimos, continuam sendo o tempo de cada jogo. Tudo isso, e mais alguma coisa, realmente permanece sem mudanças. Agora, se partirmos para outra esfera de entendimento deste jogo, teremos vários quesitos em evolução a considerar.
O jogo hoje é mais rápido e mais tático. Nestes dois pontos se aglutinam as respostas das grandes transformações do jogo, quando comparado a trinta anos atrás. E se considerarmos o treinamento Ah! O treinamento! Quanta coisa interessante! Novas metodologias de treinos estão pipocando no “mundo da bola”. E são justamente estas novas formas de treinar, e o modo de interferência dos treinadores, os grandes responsáveis pela evolução do jogo atual. Somente aqueles diretamente envolvidos neste universo, os membros das comissões técnicas, podem detectá-lo, entender e atuar com ciência.
Pensando bem, e divagando um pouco, o bolo que a mamãe fazia, quando éramos pequenos, continua sendo o mesmo apesar da batedeira de bolos e da mudança na qualidade de alguns ingredientes. Mas, ainda assim, quando esquecemos alguma das técnicas de confecção daquele bolo ou um de seus ingredientes, apesar da batedeira, não fica igual ao de antigamente.
Com o jogo é mais ou menos a mesma coisa. Apesar dos componentes táticos e físicos que o incrementaram, é preciso respeito aos princípios que o forjam para continuar sendo o bom jogo de antigamente.
Tenho que admitir que construir um jogo bem jogado é mais trabalhoso que confeccionar um bolo. Mas a analogia é perfeita para não perdermos o fio da meada.
Quanto aos muitos “fazedores de bolos” e construtores de jogo atuais que não sabem a “receita”, negligenciam na inclusão ou dosagem dos ingredientes, ou ainda aplicam técnicas erradas, estes precisam se reciclar!
Dentre os princípios táticos básicos para a construção do jogo incluem-se os seguintes: compactação / posse de bola / jogadas pelos três corredores do campo / fair play / intensidade / ofensividade / táticas inteligentes de marcação / transições competentes /dentre outros.
As técnicas para a construção do jogo estão diretamente relacionadas à metodologia de treinos: como treinar para construir um jogo de futebol com as argumentações táticas relacionadas acima?
As propriedades que regem o jogo moderno são as mesmas de muitos anos atrás, apesar de ter ficado mais rápido e tático. Em decorrência da Copa do Mundo ser em nosso país, estamos tendo a oportunidade de ver muitos vídeos de jogos antigos nas TVs brasileiras. As edições dos vídeos são aceleradas, é verdade, mas percebemos muitas semelhanças com os jogos atuais. Isso nos induz a pensar que algo no ambiente do futebol brasileiro alterou a construção e a plástica dos jogos.
Hoje, somos mais exigentes enquanto torcedores; a mídia está mais competitiva, o que faz a guerra e ou pressa pela informação, informar mal em muitas ocasiões. O modelo político- administrativa dos clubes e federações não mudou apesar do grande desenvolvimento em várias áreas esportivas; os técnicos continuam não sendo profissionais regulamentados, dentre outros aspectos. Ou seja, alguma coisa mudou, mas outras coisas não, o que tem contribuído para que tenhamos um “jogo sem forma tática”, produzido pelas “oficinas brasileiras de futebol”. Em decorrência, os treinadores brasileiros são cobrados na contra mão do tempo mínimo razoável para construir um jogo.
Muitos “efeitos colaterais” surgem desse novo estado de coisas.
– Se o treinador é descartável, por que não descartá-lo?
– Como diz o prof. Paulinho, treinador do Sub-20 do Cruzeiro, o técnico do futebol brasileiro, no jogo de xadrez, está se transformando no “pião” – peça de menor valor no tabuleiro!
– Se o treinador não permanece um tempo razoável nos clubes como vamos ter ideia de jogo desenvolvida?
– Se não temos, regulamentada, uma escola de treinadores no Brasil, como vamos evoluir em uma “escola de jogo”?
– Se os nossos treinadores não têm uma profissão regulamentada, como vamos respeitá-los como profissionais?
– Quem são os bons treinadores do futebol brasileiro? Ninguém pode dizê-lo, pois o mesmo treinador que é campeão neste ano, cai com o mesmo clube no ano seguinte! Num ano ele é bom, e no outro é ruim?!
A ansiedade com que estamos tratando o futebol brasileiro tem nos levado a uma situação, que não nos deixa pensar noutra solução senão num grande trauma na esfera esportiva que nos faça retomar alguns caminhos da construção do jogo inteligente e com arte.
Poderia mencionar mais alguns itens extracampo que interferem negativamente e diretamente na construção do jogo. Vamos exercitar nossas mentes! Se trocarmos compulsivamente o gerente de um departamento técnico de qualquer empresa, teremos respostas parecidas com as que estamos tendo na qualidade do jogo brasileiro: muita confusão nas tomadas de decisões, respostas erradas na linha de produção e consequentemente queda do “valor do produto” no mercado. As empresas vão à “bancarrota”, assim como tem acontecido com muitos clubes brasileiros.
Digam com sinceridade: – Não seria o quadro atual do futebol brasileiro, um grande responsável pela descaracterização jogo, que parece ser igual ao de antigamente, mas que está muito diferente?! Quantos clubes brasileiros estão produzindo jogo de qualidade? Será que reside simplesmente na competência dos nossos técnicos o fato de não termos nenhum deles brilhando em clubes europeus de primeira linha? Não seria a gestão do nosso futebol, o que nos faz ser rejeitados em mercados de futebol mais evoluído?
As soluções técnicas para o nosso jogo estão no trabalho de campo e todos os intervenientes diretos deste ofício. Porém, não vamos construir um jogo de qualidade se o ambiente da gestão esportiva que nos cerca não for alterado. Não vou negar! Temos, sim, alguns lapsos de boa qualidade futebolística, apesar da confusão em que vivemos. Estes podem ser fruto das coincidências positivas que acontecem aqui e ali em qualquer área de interferência da engenharia humana. Num dado momento da história, um clube com bons dirigentes, boas condições de trabalho, bom elenco de jogadores, bom trabalho de campo, dentre outros pontos favoráveis, pode sim experimentar ciclos de alto rendimento e algumas glórias. Temos visto alguns destes exemplos em nosso cenário futebolístico.
Mais do que desabafo, convido a grande comunidade leitora do site Universidade do Futebol a refletir sobre o momento atual do nosso futebol. Não se constrói projetos de valor em ambientes anárquicos. Vamos pensar o futebol brasileiro como um todo. Vamos gerir este valoroso “trunfo da cultura brasileira” com mais profissionalismo em todos os seus segmentos. Temos muito a fazer neste sentido!
Em entrevista a um grande jornal esportivo brasileiro, fui mal interpretado numa analogia que fiz. Quero deixá-la exposta corretamente neste espaço, até porque tem muito a ver com o assunto aqui desenvolvido. Eu disse:
– Prefiro dirigir um clube de 4ª divisão brasileira, que um clube de 2ª ou até primeira em muitos outros países europeus! Continuo acreditando nesta afirmação.
– Por quê?
– Simplesmente, porque temos o jogador brasileiro a nos favorecer na construção de um jogo de muitos recursos! Se nós não estamos conseguindo construir jogos de valor, o problema não é simplesmente dos jogadores, como estamos nos acostumando a acreditar.
O jogador brasileiro continua sendo a referência do nosso futebol a nível internacional. Isso é tão verdadeiro, que mesmo com todas as dificuldades que estamos tendo, continuamos inundando o mundo com os nossos “produtos”, frutos da excelente “escola brasileira da habilidade”.
Que voltemos a ser o país do futebol e não somente o país do jogador de futebol!!
Desculpem-me pela extensão da crônica.

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Futebol: a Uefa Champions League, as verdades absolutas, a posse de bola de Guardiola e os filósofos de Mourinho

A semana dos jogos de volta, da Uefa Champions League 13/14, foi muito interessante, especialmente pelas discussões geradas pelas derrotas e eliminações de Bayern de Munique e Chelsea FC.

Como é típico no futebol, a fronteira entre bons e maus, mestres e leigos, mitos e esquecidos, desapareceu quase que completamente em muitos dos debates construídos em função dos jogos Bayern vs Real Madrid, e Chelsea vs Atlético de Madrid.

Verdades sucumbem à novas verdades… “novas verdadeiras verdades” – por vezes nem tão novas, nem tão verdadeiras…

Pois bem.

Para escrever hoje sobre os jogos e alguns de seus personagens, e desenvolver a ideia central da redação que inicio aqui, vou recorrer a ajuda do trecho de um texto do professor Alcides Scaglia, publicado em 2007 na Universidade do Futebol (o título do texto é: “Quem diz a verdade no futebol?” – disponível em: https://universidadedofutebol.com.br/Coluna/7253/buscar ).

O trecho em questão, trata justamente da “VERDADE”.

Vejamos:

“Assim, imbuído sempre da atenção com o banal, a verdade (que é sempre banalizada no meio futebolístico), é algo que sempre me incomodou. Logo, só poderia mesmo me inquietar ao deparar-me com os três caminhos etmológicos da verdade.

O que se conhece por verdade possui três origens distintas: a grega, a latina e a hebraica.

ALETHEIA é verdade em grego, e diz respeito ao que não é oculto. Logo, ela é conhecida à medida que é desvelada. A verdade está posta, "determinada" por um padrão organizacional dependente da interação de suas estruturas internas. Cabe ao homem descobri-la, e entendê-la como ela é no mundo.

Em latim, verdade é VERITAS e significa o rigor do relato sobre alguma coisa. Desse modo, a verdade pode vir a ser conhecida por meio da rigorosidade do relato verdadeiro de um fato, ou seja, a verdade será corroborada após o fato.

Já, em hebraico, verdade é EMUNAH e diz respeito à confiança que uma pessoa tem em relação a fala de outra. Então a verdade é dependente de quem fala, e assim acredita-se que o fato relatado será verdadeiro, pois quem a professa é inquestionável.

Cada uma dessas três palavras traz um significado diferente, o que acaba "distorcendo" a verdade, evidenciando que a verdade verdadeira não existe, e que ela é sempre parcial”.

Pois bem.

Me pautando na ideia central do trecho do texto que separei, “a verdade verdadeira não existe”, “ela é sempre parcial”, e está enviesada por uma série de aspectos que nascem dos ambientes que vivemos, da cultura em que estamos imersos.

Então, é possível e provável, na observação de mesmos fenômenos pseudoparametrizados e de mesmos fenômenos não parametrizados, que diferentes observadores tenham diferentes percepções, conclusões e verdades.

O jogo de futebol é um fenômeno que apesar dos estudos, da disseminação de conceitos que o envolve, e também dos seus parâmetros (construídos lentamente), permite e incentiva culturalmente o empirismo, o sem número de percepções, conclusões e verdades.

E eu como não sou dono dela, mas podendo justificar possíveis erros em minhas conclusões por sua parcialidade (parcialidade da verdade) e pelo fato de que ela, a verdade, não existe, vou então me arriscar com algumas opiniões sobre os jogos de volta das semifinais da UEFA Champions League 13/14.

O Bayern foi no placar, “atropelado” pelo Real Madrid.
Bayern de Guardiola e de muitos talentosos jogadores, contra o Real Madrid de Carlo Ancelotti e outros tantos “craques”.

Do lado do time espanhol, mudanças na organização defensiva e ofensiva da equipe, com relação a maneira de jogar do ex-Real de Mourinho. Mais maleável sob o ponto de vista estrutural e com referências zonais diferentes, o Real Madrid de Ancelotti sofreu pouco contra o time alemão. Teve pouco a bola sob sua posse efetiva ou transitória, mas quando a teve cuidou bem dela.

Até aí, tudo muito óbvio.

O não óbvio foi a derrota tão avassaladora e a dificuldade de criar jogadas de perigo por parte do Bayer de Munique.

E por mais que me digam, contrariamente, que até isso foi óbvio, vou me permitir discordar.

Assisti a todos aos jogos do Bayer que foram transmitidos pela TV nessa temporada 13/14. E foram muitos! E talvez sim, nos últimos 8 jogos especialmente, a equipe alemã tenha gastado muito mais energia para construir sequências ofensivas que potencializassem suas chances de marcar um gol, do que no início da temporada – mesmo assim, vinha de certa forma conseguindo.

A posse de bola com fim nela mesma (ainda que eu discorde disso! – ela jamais deve ter fim nela mesma!) apresentava alternativas de risco contra os adversários – tanto que fazer gols, até então, não vinha sendo um grande problema.

Vencer ou perder faz parte do jogo, e sob o ponto de vista estratégico, o próprio Pep Guardiola na coletiva de imprensa pós segunda partida, admitiu ter falhado.

E ter falhado como treinador sob o ponto de vista estratégico não significa, evidentemente, abrir mão daquilo que considera essencial sob o ponto de vista organizacional, para sua equipe jogar: ter a bola.

E nisso teremos, querendo ou não, que concordar: não na essencialidade da posse da bola, não; mas no fato de que o treinador Josep Guardiola, conseguiu de certa forma, operacionalizar o jogar de sua equipe de acordo com aquilo que acredita ser essencial!

Não podemos negar que o Bayer de Munique atual assumiu características do Barcelona de Guardiola.

E por mais que não pareça, isso é fantástico, especialmente porque muitas vezes somos convencidos pela ideia de que grande parte dos aspectos das partidas de futebol são orientados pelo acaso!

O próprio Guardiola, muitas vezes, foi colocado em dúvida quando treinava o FC Barcelona – “qualquer um poderia fazer aquele time jogar daquela maneira” (desmerecendo o trabalho do treinador) – e pudemos acompanhar o que aconteceu…

O que quero dizer, com isso tudo é que podemos questionar as estratégias assumidas pelo Bayern para enfrentar o Real Madrid; podemos questionar o modelo de jogo concebido como ideal por Josep; mas que o “efeito treinador” construiu um novo (e não necessariamente melhor) jogar para a equipe alemã, penso que não podemos questionar.

E qual o mérito nisso?

O de que o trabalho faz diferença!

Parece óbvio? Mas acreditem, no futebol não é!

Isso vale para Carlo Ancelotti e Real Madrid, Diego Simeone e Atlético de Madrid, e José Mourinho e Chelsea FC.

Treinadores bem preparados e com estrutura de pessoal, de clube e de calendário para treinar, farão diferença para seus jogadores e para suas equipes! E talvez isso, n
esse momento é o que está “pesando” contra José Mourinho.

De “herói” da imprensa especializada por montar defesas impenetráveis, à vilão, da mesma imprensa, incapaz de compreender porque um time caro e com bons jogadores, “abdica” do jogo para se aproveitar de contra-ataques.

Também, na essência, não sou capaz de compreender, mas por um motivo fácil de aceitar: não estou no dia-a-dia do Chelsea FC, vivendo seus treinos, seus problemas e suas virtudes.

Porém, em minha lógica de percepção, na minha parcial verdade, não posso esquecer que estamos falando de um treinador muito bem sucedido, em países diferentes, com jogadores de culturas diferentes e em diferentes competições (que deve ter uma excelente percepção daquilo que faz).

Não posso me esquecer que o contra-ataque também é do jogo, e não uma “abdicação” do mesmo.

Então, ainda em minha lógica de percepção, é mais fácil aceitar (minha verdade) que José Mourinho deve estar considerando coisas que não podemos observar – não por incompetência, mas por estarmos “fora do círculo” Chelsea FC.

Não estou eu aqui, a defender José Mourinho e/ou Josep Guardiola; afinal de contas o que vale no futebol é a vitória, e tanto um, quanto o outro perderam.

Estou aqui a defender a ideia de que nossas percepções podem falhar… Não por nossa “culpa”, mas sim por causa das nossas verdades, que por vezes sem nos darmos conta, nem nossas são…

Por isso estou quase certo: é só esperamos a próxima vitória, e tudo, mais uma vez, deverá mudar…