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O espetáculo (e o lucro) está no estádio

As minhas últimas 3 colunas na "Universidade do Futebol" versaram sobre a relação dos ingressos com os novos estádios de futebol no Brasil: a "Ocupação nos Estádios" (https://universidadedofutebol.com.br/Coluna/12215/Tudo-novo-Parte-1-3); o "Valor do Ticket Médio" (https://universidadedofutebol.com.br/Coluna/12221/Tudo-novo-Parte-2-3) e o "Season Ticket" (https://universidadedofutebol.com.br/Coluna/12226/Tudo-novo-Parte-3-3).

Por uma excelente coincidência, nesta semana, Ferran Soriano, ex-dirigente do Barcelona (considerado o profissional que revolucionou o pensamento do clube catalão para uma visão mais ampla de negócios), deu entrevista à Revista Veja, corroborando com alguns destes argumentos: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/ferran-soriano-os-torcedores-sao-os-donos-do-espetaculo?utm_source=redesabril_veja&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_veja&utm_content=feed&.

Mesmo no Brasil, não são poucos os especialistas que tem reiterado a necessidade de se administrar melhor esta unidade de negócio – os ingressos, suas entregas e o seu sistema de precificação – pelos clubes daqui.

O grande fator é o do entretenimento, em que o cenário e a atmosfera criada dentro de arenas lotadas é que faz com que o espetáculo seja mais disputado (em termos de consumo) e a satisfação de todos os presentes seja plenamente atendida.

Na TV, tal e qual Soriano lembra, é fundamental apresentar um estádio cheio e vibrante, para que a transmissão se torne mais rica. Precisamos, mais do que nunca, avançar a passos largos no processo de aprendizagem e entrega dos jogos como uma experiência única, a preços condizentes (de mercado) e que ofereça bons serviços sob a perspectiva de cada tipo de cliente.

 

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No ventilador

Quando feito de forma correta, o processo da comunicação é extremamente simples: é um jogo em que dois personagens trocam mensagens enquanto alternam as funções de emissor e receptor.

O problema é que nem sempre esse processo é tão direto. Há vários fatores que podem colocar em risco a total compreensão do conteúdo transmitido em uma conversa. Com isso, o que parece natural pode se transformar em armadilha.

Pense na brincadeira infantil do telefone sem fio, por exemplo. O jogo consiste em uma mensagem que parte de uma pessoa e vai passando para outras, de ouvido a ouvido, até que o último da fila tenha de relatar o que ouviu. O que chega raramente é fiel à versão original.

A lógica da brincadeira infantil serve também para outros segmentos. Serve, por exemplo, para nortear os processos de comunicação em empresas, instituições e até clubes de futebol.

Reduzir a crise do São Paulo a um problema de comunicação seria um reducionismo extremamente infeliz. O clube vive um problema institucional, e esse cenário é agravado pela sequência de resultados negativos em campo.

Contudo, é impossível ignorar os deslizes de comunicação cometidos pelo São Paulo durante o momento ruim. O time tricolor não vence há dez jogos (sete vitórias e três empates), mas, esse período também foi suficiente para acumular uma incontável série de exemplos negativos.

O maior deles foi a discussão pública entre o goleiro e capitão Rogério Ceni, um dos principais ídolos da história do clube, e o diretor de futebol da equipe paulista, Adalberto Baptista.

A celeuma começou quando o goleiro foi questionado sobre o atual momento do São Paulo. Passional e competitivo, o camisa 01 foi taxativo: "O clube parou no tempo".

A afirmação de Ceni foi especialmente dolorosa para Baptista, diretor que conduz o futebol do clube. Ele escancarou todo o incômodo ao usar o mesmo expediente do goleiro, aproveitar uma entrevista coletiva e fazer críticas técnicas ao capitão da equipe.

No depoimento, Baptista disse que Ceni tinha uma lesão no pé e que isso estava comprometendo o desempenho do goleiro, inclusive em aspectos técnicos. Ele citou especificamente a reposição de bola como forma de exemplificar.

A tréplica de Ceni também foi pública. O goleiro disse que não sente mais dores no pé e negou conviver com limitações físicas decorrentes da lesão. Ele também fez uma crítica velada a Baptista, que deixou de acompanhar o São Paulo em uma viagem para a Bolívia neste ano, em jogo da primeira fase da Copa Bridgestone Libertadores, porque tinha uma corrida da Porsche Cup.

A troca de acusações entre Ceni e Baptista é um exemplo do que não fazer em qualquer processo de gestão de crise. Sobretudo porque os dois discutiram publicamente, agravando a percepção pública de que o São Paulo vive um momento ruim.

Em horas assim vale a máxima: roupa suja se lava em casa. Entre todas as acusações e críticas públicas trocadas por Ceni e Baptista, o mais grave foi uma frase do goleiro na última sexta-feira. "Eu não falei com o Adalberto depois da entrevista dele", disse o capitão tricolor.

Além de terem exposto uma divergência que devia ser interna, o goleiro e o diretor mostraram que não há diálogo entre eles. Quando o principal dirigente e a maior estrela da equipe entram em uma colisão tão contundente, a crise é muito maior do que os dez jogos sem vencer.

Outro exemplo negativo de comunicação do São Paulo durante a crise foi dado pelo presidente Juvenal Juvêncio. Ele tentou tomar as atenções na apresentação do técnico Paulo Autuori, contratado após a demissão de Ney Franco. Para isso, fez um discurso enfático, cheio de frases fortes.

O show de Juvêncio foi baseado em estratégia. No entanto, o resultado foi triste. Quando apelou ao estilo folclórico e até a comparações com rivais para chamar atenção, o presidente do São Paulo escancarou o quanto está descolado da atual realidade do clube.

Pode até parecer paradoxal, mas gestão de crise começa quando não há crise. Nesses momentos é que a comunicação deve se preparar para abafar problemas e construir discursos que sejam condizentes com os objetivos da instituição.

No São Paulo, a crise mostrou que não havia soluções prontas. Não havia sequer diálogo entre diferentes esferas do clube.

Se a comunicação não estiver pronta, o trabalho de contenção de uma crise é muito mais complicado. Ainda assim, é fundamental que ele seja feito sem omissão. O São Paulo não podia assistir a um confronto público entre um diretor e o capitão do time.

O mesmo vale para o embate político que tem crescido em espaço na mídia. Há notícias pululando constantemente, sejam elas contra a situação ou contra a oposição. E o processo eleitoral do clube, lembremos, será realizado apenas em abril do próximo ano.

Enquanto diferentes esferas se digladiam, o São Paulo não planeja. A comunicação não seria a solução para nenhuma crise, mas ao menos teria um potencial enorme para diminuir o impacto do mau momento.

O exemplo Guardiola

No Brasil, é comum que treinadores façam mistério sobre estratégias ou questões táticas de suas equipes. O debate costuma ser vazio, raso, e muito disso é consequência da falta de cultura de discussão sobre a questão técnica.

Mas essa característica não é exclusividade do Brasil. Contratado para comandar o Bayern de Munique a partir da temporada 2013/2014, o espanhol Pep Guardiola chamou atenção ao conversar com um jornalista da rede Sat.1.

O técnico viu um papel em que o jornalista havia desenhado a formação do Bayern de Munique em um amistoso contra o Hamburgo. Guardiola analisou e corrigiu uma série de aspectos, como o posicionamento do meio-campista Tony Kroos.

"Ele mostrou que eu não tenho ideia", disse Holger Pfandt ao jornal alemão "Bild".

Muitos classificaram a atitude de Guardiola como arrogante, mas o treinador estava fazendo gestão de crise. Ele foi prevenido, explicando questões sobre o posicionamento para evitar que o jornalista fizesse críticas infundadas no futuro.

Guardiola é um dos técnicos mais eficientes na história recente do futebol. Os exemplos do São Paulo e da Alemanha mostram, porém, que o espanhol também podia dar aulas em outras áreas.

 

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Aquecer pra jogar e jogar pra aquecer

Criar um ambiente de treino propício à melhoria de desempenho e às exigências do futebol moderno requer o envolvimento da comissão técnica em todos os elementos relacionados à sessão de treinamento que podem alterar o rendimento individual e/ou coletivo.

Desta forma, atentar-se inclusive aos pormenores pode contribuir sistemicamente no produto final da equipe (nível de jogo apresentado) e na busca constante do todo maior que a soma das partes.

Um dos elementos que compreende a sessão de treino e pode ser facilmente negligenciado é o aquecimento. O tempo para este tipo de procedimento varia de 5 a 20 minutos e costumeiramente é feito de diferentes maneiras/combinações: trotes, coordenativos de corrida, bobinhos, “dois sem coxa”, gestos técnicos, acelerações, campos reduzidos, brincadeiras, core, estafetas, saltos, etc.

Como a preparação para o componente principal do treino é uma atividade cotidiana e, de certa forma, semelhante, muitas vezes os jogadores (talvez entediados por esta necessidade que se repete dia após dia em toda a carreira) não se concentram o suficiente para sua realização. Ao invés de se prepararem fisiológica e mentalmente da maneira mais adequada possível, muitos optam por colocar a “resenha” em dia, com conversas totalmente descontextualizadas ao trabalho e “economizar” energia, poupando ou roubando nos movimentos determinados (ou não) pela comissão.

Uma vez que a parte principal de uma sessão de treino de quem utiliza o jogo como essência da periodização serão os fractais, em maior ou menor escala, do jogar pretendido, uma boa alternativa para aumentar o nível de concentração do aquecimento e, consequentemente, ficar melhor preparado, é estimular as competências essenciais do jogo (Relação com a Bola, Comunicação na Ação e Leitura de Jogo) em pequenos grupos (no máximo até 3 jogadores).

Após uma pré-ativação sem bola, em jogos com ou sem alvos, restrição ou não de toques na bola, utilização obrigatória da perna não dominante, ou quaisquer outras variações/adaptações nas regras do futebol, é possível criar desde o aquecimento um ambiente de “estado de jogo” indispensável para o jogar plenamente, como menciona o Dr. Alcides Scaglia. Em comissões técnicas bem planejadas, as regras do aquecimento servem até para direcionar os atletas aos macro-objetivos do treino.

A composição de uma atividade com poucos elementos e num espaço significativamente menor que o campo de futebol proporciona uma elevada densidade de ações técnicas que, se corretamente orientadas e conduzidas, influenciarão positivamente o desempenho global de cada atleta no jogo formal.

Além disso, por envolver a capacidade de decisão, a velocidade complexa de jogo (termo utilizado pelo treinador Rodrigo Leitão) é estimulada em especificidade.

Nossos atletas continuarão aquecendo seja com as atividades tradicionais, seja com os jogos que estimulem as Competências Essenciais. Porém, nos últimos 15 anos de envolvimento diário com futebol, incontáveis aquecimentos realizados, orientados ou observados e com o óculos que enxergo o futebol atualmente, tendo a afirmar que a segunda opção é mais eficaz.

Afinal, se vamos aquecer pra jogar talvez devamos jogar pra aquecer!

Abraços e até a próxima semana.

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Proibição de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol: ilegalidade

A empresa Parlamento Restaurante Ltda propôs ação contra a CBF sob o fundamento de que teria firmado contrato com a FBF (Federação Brasiliense de Futebol) para fornecer bebidas e comidas no estádio Mané Garrincha em qualquer evento realizado pela entidade.

Como a CBF proíbe a venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol, requereu a antecipação de tutela para que fosse permitida a venda de cerveja no Mané Garrincha, em alguns “Jogos teste”. O pedido antecipatório de tutela foi deferido.

Em razão desta decisão, o Ministério Público apresentou recurso contra a decisão, sob o fundamento de que a permissão seria temporária é só valia para os eventos organizados pela Fifa, por isso, os demais jogos deveriam seguir o Estatuto do Torcedor.

Segundo a juíza Grace Correia Pereira "a abrangência da antecipação de tutela deferida diz respeito somente aos "jogos teste", e atualmente não há qualquer evento futebolístico a ser realizado no Estádio Nacional de Brasília desta categoria".

Destarte, ao contrário do que afirmou a Magistrada, o Estatuto do Torcedor não proíbe a venda de bebidas alcoólicas. Destarte, art. 13-A do referido Estatuto estabelece como condição de acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo não portar objetos, bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência.

Ora, não há qualquer vedação expressa à venda de bebidas alcoólicas e eventual proibição incorre em grave violação ao inciso II da Constituição Brasileira ao dispor que ninguém poderá fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de Lei.

Vale destacar que odocumento que originou a proibição de venda/consumo de bebidas alcoólicas é foi Termo assinado entre Conselho Nacional dos Procuradores Gerais do Ministério Público dos Estados e CBF.

O MP defende que as bebidas alcoólicas são causa da violência e apresenta citações, porém não há qualquer fonte ou documento que comprove cientificamente a redução na violência nos estádios de futebol a partir da proibição da venda e do consumo de bebidas alcoólicas.

Doutro giro, estudo publicado na Inglaterra por Geoff Pearson e Arianna Sale em 2011 ( PEARSON & SALE "’On the Lash’: revisiting the effectiveness of alcohol controls at football matches” in: Policing & Society, Vol. 21, No. 2, June 2011.) aponta que a política de restrição à bebida alcoólica nos estádios não é fator determinante para a redução dos índices de violência.

Segundo o estudo, devem-se buscar outros métodos para reduzir a violência no futebol e apresenta resultados de um estudo etnográfico de quinze anos nas torcidas inglesas e entrevistas com autoridades policiais do Reino Unido e da Itália.

A conclusão é de que, além de não impedir a violência nos estádios de futebol, a proibição da venda de bebidas alcoólicas podem aumentá-la pela seguinte razão:

1) Os torcedores aumentam a quantidade ingerida de bebida antes de entrar no estádio e passam a ingerir bebidas mais fortes;

2) Entram no estádio em cima da hora do jogo, dificultando o esquema de segurança e gerando tumulto;

3) Os torcedores se concentram nos bares dos arredores, aumentando a chance de encontro entre torcedores rivais, em espaços sem esquemas de segurança.

Ademais, a referida proibição gera uma série de problemas:

1) Concentra a entrada do público em cima da hora do jogo, gerando: Aumento de filas; Aumento de catracas utilizadas; Aumento de custos; Aumento de tumulto e violência no acesso ao Estádio;

2) Estádio perde receita (restaurantes, lojas, eventos antes do jogo…);

3) Torcedor consome ainda mais bebida, com maior velocidade, inclusive bebidas quentes, sabendo que a bebida é proibida dentro do estádio;

4) Pessoas circulando na rua, dificultando o tráfego e o acesso ao estádio

O fato é que o poder público na ânsia de dar uma reposta à sociedade e apontar soluções para a crescente violência nos estádios de futebol, escolheu a bebida alcoólica como vilã.

Tal indicação sem fundamentos torna-se ainda mais cristalina ao se buscar as reais causas da violência nos estádios de futebol e, sobretudo, quando constata-se que o Brasil possui índices de violência nos estádios de futebol largamente superiores aos de países como Inglaterra que permite a venda de bebidas alcoólicas.

 

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Como a vida pessoal do atleta influencia na sua carreira?

O ser humano de maneira geral está sempre em busca da felicidade e esta pode ter e tem um sentido diferente para cada um de nós. Muitos dos que alcançam a dita felicidade pessoal e profissional acreditavam em si próprio e tinham, entre outras qualidades e competências, o foco, um propósito e a persistência. Pois como dizia Viktor Frankl: "Quem tem um PORQUÊ, enfrenta qualquer COMO!".

Mas, talvez um porquê não seja suficiente para nos mantermos no caminho que nos levem ao grande objetivo de vida e carreira. Muitos de nós, enquanto profissionais do esporte ou de outro nicho de atuação, passam por sérias dificuldades de desempenho profissional quando a vida pessoal nos coloca em situações de problema nos quais não temos habilidade para enfrentar tais momentos.

Acredito que a vida pessoal e profissional andam juntas e as decisões que tomamos em relação a nossa vida pessoal impacta o desempenho na carreira e vice-versa. Sendo esse pressuposto uma verdade, então como um atleta pode conseguir ter a competência comportamental para tomar as melhores decisões na vida e carreira, além poder preservar o desempenho em alto nível na vida profissional?!

Para responder essa pergunta, deveremos separar a resposta em duas partes: a primeira em relação à melhora na capacidade de tomar as suas decisões e a segunda em relação ao controle dos seus estados emocionais.

Quanto à tomada de decisão é necessário que o atleta possa ter congruência ecossistêmica na sua escolha, ou seja, ele necessita avaliar quais são os ganhos e perdas de sua possível escolha e ainda mais, avaliando uma determinada situação quanto a motivadores e sabotadores em relação ao propósito ou a decisão a tomar.

• O que o atleta ganha se obtiver o desejado? (Motivador – prazer)

• O que o atleta perde se obtiver o desejado? (Sabotador – dor)

• O que o atleta ganha se não obtiver o desejado? (Sabotador – prazer)

• O que o atleta perde se não obtiver o desejado? (Motivador – dor)

Tendo em vista as respostas para as questões acima, o atleta necessitará planejar ações que minimizem as perdas que são os sabotadores causados pela dor de não obter o resultado desejado. Além disso, o atleta também necessitará elaborar ações para manter os ganhos secundários, aqueles relacionados aos sabotadores do prazer no caso de não se conquistar o resultado desejado.

Indo adiante da avaliação de motivadores e sabotadores o atleta precisará obrigatoriamente realizar a congruência sistêmica de uma decisão, ou seja, avaliar se este objetivo desejado conquistado através de uma decisão, afeta negativamente outras pessoas ou o meio no qual o atleta faz parte?!

Esta avaliação de congruência é extremamente importante, pois aqui a vida pessoal e profissional se cruzam e a falta desta congruência pode levar a um descarrilamento da carreira, caso o impacto na vida pessoal venha a ferir algum valor do atleta.

E para complementar e apoiar na blindagem do desempenho esportivo o atleta precisa desenvolver a prática em pelo menos uma das inúmeras ferramentas de coaching para o controle das emoções negativas e desenvolver âncoras, mantendo o estado emocional e sua concentração sob total controle durante a prática esportiva de alto rendimento.

Penso que aliando uma competência em tomar as decisões na vida pessoal ou profissional com técnicas de controle dos estados emocionais todo atleta pode ter uma grande ajuda para manter o melhor de sua performance profissional, bem como promover grandes conquistas na sua carreira.

E você, amigo leitor, o que pensa a respeito?!

 

Para interagir com o autor: gustavo.davila@universidadedofutebol.com.br

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Tudo novo – Parte 3/3

Para fechar a terceira parte da temática estádios e valor dos ingressos sem, obviamente, se esgotar nelas, vou abordar a questão dos "Season Ticket" (ou ingressos para a temporada) ante os Programas de Sócio Torcedor.

Há uma ampla discussão sobre esse viés. Os defensores dos Programas de Sócio Torcedor alegam que não é cultural do brasileiro adquirir jogos para a temporada. Sim, é fato. Já falamos em outros momentos sobre o “drama” de qualquer tipo de mudança cultural – inclusive a modernização dos estádios é uma delas.

Lembro-me da minha adolescência, com meus 15-16 anos, quando comprei, com a mesada que meus pais me davam, o "Season Ticket" do Basquete de Joinville. Isso mesmo, em 1997 (ou 1998), a cidade se viu bastante envolvida com a modalidade e praticamente todos os jogos ficaram com lotação máxima, o que proporcionava um espetáculo ímpar quando comparado à experiência com outros jogos (incluindo o próprio futebol) – o sistema, à época, era muito simples: uma cartela de papel, com todo o calendário de jogos da 1ª fase, que era assinalado à medida que a pessoa passava pela portaria do ginásio, em cada partida.

Quero dizer com isso que, mesmo com a limitação orçamentária (minha mesada era suficiente apenas para breves atividades de entretenimento), se o produto entregue for bom, é possível sim melhorar de maneira significativa a rentabilidade de programas que melhor fidelizem o torcedor.

E a cada dia que passa vejo que o melhor caminho ainda é o "Season Ticket", embora, novamente, possa levar algum tempo para que o lançamento de um programa neste âmbito se consolide efetivamente. Explico:

1) A venda de bilhetes para toda a temporada permite fazer uma comercialização mais emocional. Apesar de todo o apelo emocional que existe no futebol, esquecemo-nos amplamente deste fator na hora de oferecer novos produtos aos torcedores;

2) Permite antecipar receitas e aproveitar momentos em que o consumidor está com mais dinheiro na sua conta – como, por exemplo, em dezembro, quando a maioria das pessoas recebe seu 13º salário – a antecipação de receitas permitirá investimento na qualificação da equipe (por exemplo), o que respaldará em credibilidade para o torcedor e o estimulará a comprar o “Season Ticket” ano após ano. Fazendo uma conta rápida e utilizando uma base de 20.000 bilhetes de temporada vendidos em dezembro (pensando em um grande clube, que possui hoje mais de 50.000 sócio-torcedores) a R$ 600,00 cada. Suponhamos que todos adquiriram de forma parcelada, com a 1ª parcela equivalente a R$ 300,00 e as demais divididas ao longo de 6 meses. Isso representa uma receita bruta na ordem de R$ 6 milhões, que é muito mais que muitos patrocínios de camisa que poluem os uniformes das equipes hoje em dia. Terá, ainda, outros R$ 6 milhões por vir no 1º semestre subsequente, fruto deste parcelamento;

3) O mês de dezembro casa, portanto, com o término da temporada e a expectativa da vinda de uma nova, que, se bem comunicada, tende a levar o torcedor para o tal "consumo emocional";

4) Ao comprar de forma antecipada, o consumidor, em pouco tempo, passa a ter disponibilidade orçamentária para outro tipo de compras durante os jogos – aqui é que temos um fator limitante dos Programas de Sócio Torcedor: eles estimulam um pagamento mensal, servindo quase que como uma "contribuição social ao clube". Não há, nestes casos, estímulo para que o torcedor frequente o estádio assiduamente. Por isso vemos taxas de ocupação pífias, totalmente sensíveis ao resultado esportivo. Depois, com o comprometimento mensal de parte de seu orçamento para a mensalidade do programa, acaba havendo uma restrição no consumo daquilo que chamamos de "Dia de Jogo" (de pipoca à camisa oficial do clube), reduzindo as possibilidades de ganho dos clubes;

5) Os Programas de sócio-torcedor hoje são utilizados como mecanismo de pressão dos torcedores para com a diretoria: se o clube vai um pouco mal no campeonato, a "vingança" do torcedor é cancelar sua participação no projeto, principalmente por não perceber benefícios paralelos;

6) O "Season Ticket" permite também respaldar em credibilidade a precificação de ingressos – falha muito comum hoje nos principais clubes de futebol: não se percebe claramente os critérios utilizados para se determinar preços. A constante oscilação no valor dos ingressos é que gera essa desconfiança. Para exemplificar, veja o que o gigante Barcelona faz antes mesmo de começar a temporada (ao tabelar os preços de acordo com a categoria dos jogos): http://www.fcbarcelona.com/info-tickets/football-ticket-prices até o modesto Fulham, com estratégia muito similar: http://www.fulhamfc.com/tickets/season-tickets/pricing-and-stadium-map. Ser transparente nesta questão é a melhor forma para que o torcedor acredite em produtos que ensejam consumo de longa duração;

7) O "Season Ticket" gera, ainda, uma possível estratégia de fidelização para quem compra, ano após ano, os bilhetes de temporada. Basta, para isso, administrar, dentro de um banco de dados, a frequência do torcedor no estádio, além de adotar estratégias de CRM (Gestão do Relacionamento com o Consumidor – pela tradução da sigla em inglês). Quando este fica impedido de ir a um jogo (aniversário da família, doença, viagem a trabalho etc.), pode revender seu ingresso na bilheteria por meio do clube. Se tiver a venda efetivada, recebe bônus na aquisição do “Season Ticket” para o ano seguinte. Esse mecanismo acontece em clubes como o Real Madrid e, hoje, com as tecnologias que temos à disposição, não seria difícil trabalhar dentro de uma interface de aplicativos ou sistema de internet para comunicar o "no show". Reforça, também, a questão da credibilidade e do benefício para que se faça o tal "consumo de longa duração".

Em síntese: cada vez estou mais convencido de que há um caminho amplo a ser seguido no sentido de oferecer esse tipo de produto aos torcedores, reforçado, sobretudo, pelas novas arenas – que permitirão segmentar e diferenciar o atendimento para cada tipo de torcedor adquirente do "Season Ticket".

A transição da plataforma esportiva para uma oferta de entretenimento é o grande viés de um projeto neste âmbito e exige que se faça com uma visão de médio prazo, que garanta segurança para o comprador ao mesmo tempo que se deve demonstrar credibilidade sobre o processo de venda. É, portanto, uma mudança cultural de mão-dupla.

 

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Questão de promoção

A vitória do Flamengo sobre o Vasco, no último domingo, atraiu 61.767 pessoas ao estádio Mané Garrincha, em Brasília. Com uma renda superior a R$ 4 milhões, o jogo ratificou o interesse que as equipes do Rio de Janeiro despertam no público da capital federal.

O Flamengo já havia atuado em um Mané Garrincha lotado quando encarou Coritiba (como mandante) e Santos (como visitante) no atual Campeonato Brasileiro.

A Copa do Mundo de 2014 vai despejar 12 novos estádios no futebol brasileiro, e alguns deles serão construídos em regiões com mercado totalmente incipiente no futebol. Atrair clubes de outros Estados pode ser uma solução para evitar total abandono de equipamentos em locais como Brasília, Cuiabá e Manaus.

Entretanto, essa receita não funciona sempre. No dia 7 de julho deste ano, Botafogo e Fluminense disputaram clássico pelo Campeonato Brasileiro. O jogo foi realizado na Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, e o público foi decepcionante: 9.669 pessoas.

Entender a diferença entre os jogos lotados do Flamengo em Brasília e o abandono do clássico carioca em Pernambuco é fundamental para orientar a gestão dos novos estádios do Brasil. E muito do que separa os dois caminhos é responsabilidade da comunicação.

A realização de um evento esportivo não é diferente do estabelecimento de um ponto comercial. Antes de escolher um local é necessário conhecer o perfil e as necessidades do público que vive ali.

Botafogo e Fluminense não fizeram uma pesquisa para medir o potencial do clássico em Pernambuco. Apostaram apenas no inusitado de o jogo ser realizado no Estado, que nem sequer é carente de partidas da elite nacional – o Náutico está na Série A do Campeonato Brasileiro.

Depois de medir a necessidade de um clássico carioca na área, Botafogo e Fluminense precisavam refinar a pesquisa. Era preciso entender, por exemplo, se os torcedores das duas equipes podiam pagar mais ou em que tipo de serviço eles investiriam.

Na temporada 2011/2012, a receita de matchday, que soma todo o faturamento obtido em dias de jogos (bilheteria, venda de produtos e receitas de restaurantes, por exemplo), representou 23% de todo o dinheiro ganho pelos times da Premier League. A parte comercial, que inclui patrocínios, gerou 27%.

Agora tente transportar isso para a realidade brasileira: qual clube do país ganha com bilheteria e receita de estádios quase um quarto do faturamento total? Qual time equipara esse faturamento ao dinheiro amealhado com patrocínios e licenciamentos?

A resposta é nenhum. E isso não se deve apenas à estrutura deficiente dos estádios usados pelos times brasileiros até o ano passado. O advento das novas arenas mostrará que essa evolução não será suficiente para carregar o público.

O que falta no Brasil é cultura de promoção. Pergunte a qualquer torcedor, por exemplo, quando é o próximo jogo do time dele. Pergunte qual é o adversário e qual é o campeonato. As chances de ele conseguir responder corretamente são bem remotas.

Desde a implosão do Clube dos 13, as equipes brasileiras adotaram um modelo individualizado de negociação de direitos de mídia. E nem assim conseguiram incluir nos contratos um espaço para a divulgação de seus jogos.

Porque a TV faz chamadas e inserções comerciais sobre as transmissões, mas não dos jogos. Esse é o ponto.

Seria extremamente simples para os times brasileiros estabelecer permutas ou acordos com diferentes veículos de mídia. Esse seria um primeiro passo importante.

Mas também é necessário extrapolar. Diz o jargão que todo jogo de um campeonato por pontos corridos é uma decisão. Se é assim, deveria ser promovido como tal.

O Campeonato Brasileiro não consegue ocupar 40% de seus estádios. A Premier League teve 95% de lotação na temporada passada, a 16ª consecutiva em que pelo menos 90% dos espaços foram preenchidos.

Uma das diferenças básicas entre as duas realidades é a promoção. Sem a venda adequada é impossível lotar qualquer espaço.

No Brasil, o excesso de jogos “que não valem nada” é sempre usado como argumento para os baixos índices de público. Ora, a temporada da NBA, a liga profissional de basquete dos Estados Unidos, tem mais de 80 jogos. Tente encontrar um deles em que o ginásio fica completamente vazio.

Para estabelecer uma franquia, a NBA exige um estudo sobre o potencial do mercado local. Esse estudo é uma das bases para desenvolver ações voltadas a levar esse público para o ginásio.

Pense no seguinte paralelo: quando participa de um programa de rádio ou de TV, um artista sempre aproveita para promover os próximos shows. Quando você viu um atleta aparecer em qualquer mídia e avisar ao público sobre o jogo da semana seguinte?

Outro exemplo: shoppings, que são uma verdadeira mania do consumidor brasileiro, realizam várias promoções durante o ano. Essas promoções são comunicadas no próprio centro de compras, mas normalmente elas também ocupam um grande espaço na mídia. Se o público não for até lá, não adianta reduzir os preços.

O futebol brasileiro tem inúmeros defeitos de gestão. Um deles é achar que a venda depende exclusivamente do amor. Qualquer venda, independentemente do segmento, depende de uma comunicação bem feita.

 

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José Silvério, 50 anos do primeiro gol

Estreia é algo tão importante e difícil que deveria ser a última coisa que a gente faz na vida. Como, por definição, não é possível, que ao menos a gente tivesse noção do que iria acontecer depois.

Mas a antevisão é para poucos. É coisa de craque.

Vi, vivi e convivi com alguns craques em vários ofícios. Sou filho de uma mãe que é craque em família. De um pai que foi craque na minha matéria. Tenho um irmão craque em aviação. Tenho filhos que são craques – e não só por que todo o filho é craque. Minha mulher é craque no amor.

Não são muitos craques na vida. No ofício, também. Trabalhei com alguns. Ainda trabalho. E todos eles têm a antevisão dos fatos, dos feitos, dos jeitos, das coisas. Eles enxergam antes. Eles veem além. Eles sentem antes. Eles sacam primeiro. Eles entendem no ato. Eles fazem antes da obra feita.

Alguns pensam, agem, executam, opinam. Poucos falam. Raros narram.

Um antecipa. Ninguém no rádio como ele.

Poucos craques de microfones são como ele. Raros do mesmo nível com a bola rolando, e até um pouco depois de ela rolar.

Mas antes de a pelota ultrapassar a linha de meta, ele já gritou gol. Já sentiu gol. Já cheirou gol. Já narrou gol. O gol é meta dele. É objetivo como meta. Como ele é objetivo no trabalho.

Tem craque que nasceu para fazer gol. Tem um craque que nasceu para narrar gol. E tudo que antecede ao gol. E tudo que nasce depois do gol.

Por que ele é o gol. Ou como bem definiu outro craque mineiro lá de Muzambinho: ele é o pai do gol. De todos eles que só ele viu nascendo antes de eles existirem.

Sei disso como ouvinte há 38 anos. Conheço cada vez mais há dez anos ao meu lado, em estádios e estúdios. Já vi narrando gols que não tinham acontecido antes de eles serem gols. Por que, como craque, sabe que serão.

Ele erra? Não. O gol é que é errado. O gol é que não sai. O atacante é que perde gol feito. Ele não. Ele canta o gol feito. Ele enfeita o gol marcado. Ele solta a voz, como um dia soltou para desentalar o grito do palmeirense em jejum, em 1993. Como já havia feito com o corintiano, em 1977. Como fez com o Brasil tetra, com o Brasil penta. Com outras grandes conquistas, com algumas pequenas derrotas.

Ele cobra muito de todos. Dentro e fora de campo. Por que se exige demais. Como Pelé, e ele é Pelé para narrar em rádio, ele se concentra antes de cada partida. Ele sonha com os gols. E os gols se transformarm em realidade. Ainda mais real no relato preciso, conciso, direto. Objetivo. Ele narra o que é belo e o que é feio. O que é fato e o que é feito. Não floreia – narra.

Ele é concreto como um gol que é ou não é. Ele é. Ele é o Zé.

Pai do gol que em 20 de julho de 1963, menino de tudo, foi até um canto do estádio da rua Desenbargador Alberto Luz narrar Dalton marcar o único gol para o time da casa de Lavras, ainda hoje seu lar. Olímpica venceu o Bragantino com aquele gol isolado.

Um jogo que poucos lembram, se é que alguém se recorda. Um gol que ele não lembra como foi, que estreia muitas vezes é assim. Mas um gol que o rádio, o jornalismo e o futebol brasileiro não podem esquecer. Podemos até florear, inventar, extrapolar, dizer que foi isso, que foi aquilo o lance, o gol, tudo.

Mas em homenagem ao jovem locutor que estreava em Minas, para depois ganhar o rádio do Rio, de Brasília e de São Paulo, para não falar em todo o Brasil, o futebol ganhava alguém capaz para narrar o que é um drible de Mané, um passe de Rivellino, uma ginga de Neymar, um gol de Pelé. Um gol narrado pelo Zé.

Lances de craques e de gênios de várias gerações. Todos eles com a mesma categoria para narrar antes – GOL! Dele. Do Zé. E QUE GOLAÇO!

Drummond falava de um mineiro como ele que fez mais de mil gols. “Difícil não é fazer 1000 gols como Pelé. Difícil é fazer um gol como Pelé”. O poeta falaria fácil de outro mineiro de Itumirim que deixa tudo menos complicado: “Difícil não é narrar milhares de gols pela vida. Impossível é relatar um gol como faz o José Silvério”.

Em nome dos ouvintes do Brasil que você saúda com sua saúde de ferro há 50 anos, em nome dos colegas com que você multiplica as jornadas nesse período todo, eu só posso dizer que, assim como você fala para os seus filhos e netos, seus amores, tudo que você os ama, nós que temos o privilégio de trabalhar ao lado do Pelé do gol no rádio só podemos agradecer.

Obrigado por nos dar a emoção de um grito de gol do nosso time. Obrigado por me dar a honra de ouvir você gritar gol ao meu lado. Obrigado por tantas vezes narrar gol do nosso time no meu telefone celular para os meus filhos ouvirem de casa em vez de ouvir pelo rádio. Obrigado por algumas vezes ter feito o mesmo para o meu pai que morria de medo de alguns jogos do nosso time. Obrigado por em Dortmund narrar Brasil 3 x 0 Gana na Copa de 2006 com a precisão e emoção de sempre e, ao desligar o microfone, desabar no choro pela Tianinha que adoecera em São Paulo antes de a bola rolar. Obrigado por narrar em Barueri um jogo nada apaixonante como se você fosse um adolescente apaixonado quando conheceu a Rose.

Amigos, isso eu posso soltar a minha voz: se ouvir um gol do nosso time narrado pelo Zé é maravilhoso, posso dizer, depois de 10 anos de trabalho na cadeira do lado, que ouvir até os gols que tomamos pelo nosso time são menos feios. Por que são narrados por um craque.

Parabéns pelos próximos 50 anos de rádio, Zé.

 

Para interagir com o autor: maurobeting@universidadedofutebol.com.br

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

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Clubes punidos por atos de seus torcedores?

O Projeto de Lei nº 3.095/2012 que tramita na Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais tem por obetivo autorizar o Poder Executivo a aplicar multa às entidades de prática esportiva de qualquer natureza ou modalidade em razão de ilícitos praticados por seus torcedores.

As penalidades seriam aplicadas também às torcidas organizadas, definidas no art. 39-A da Lei Federal nº 10.671, de 15 de maio de 2003 (Estatuto do Torcedor), , no que concerne aos seus membros ou associados.

De iniciativa do deputado estadual Arlen Santiago, a lei teria por justificativa os recentes episódios de violência protagonizados por torcedores.

Do ponto de vista jurídico, o proponente defende que os Estados e o Distrito Federal podem legislar concorrentemente com a União sobre desporto conforme art. 24, IX, da Constituição Federal e art. 37, § 2º, do Estatuto do Torcedor (Lei Federal nº 10.671, de 2003) que permite a todos os entes da Federação a instituição de multa pelo descumprimento de suas disposições.

Segundo o projeto, a entidade de prática esportiva de qualquer natureza ou modalidade que permitir, incentivar, colaborar ou deixar de coibir ilícitos praticados por seus torcedores ficará sujeita às penalidades de advertência; multa e; suspensão de repasses de verbas públicas ou incentivos fiscais estaduais por até seis meses.

A lei caracterizaria ilícito como a promoção de tumulto ou a prática ou a incitação à violência; ou a invasão de local restrito aos competidores, árbitros, fiscais, dirigentes, organizadores ou jornalistas.

A advertência seria aplicada quando o ilícito não fosse consumado e não houvesse vítimas ou danos patrimoniais.

A multa, por sua vez, seria aplicada nas hipóteses de reincidência ou no quando houvesse vítimas ou danos patrimoniais. O valor da multa seria de 1.000 Ufirs (mil Unidades Fiscais de Referência) a 10.000 (dez mil) Ufirs, graduada de acordo com a gravidade da infração, a natureza do evento e a condição econômica da entidade, mediante processo administrativo em que seja assegurada ampla defesa e contraditório.

Finalmente, a suspensão de repasses de verbas públicas seria aplicada, sem prejuízo da multa, na hipótese de reiterado descumprimento das disposições da lei.

O referido projeto recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça e sua tramitação pode ser acompanhada pelo sítio http://www.almg.gov.br/atividade_parlamentar/tramitacao_projetos/interna.html?a=2013&n=2281&t=RQS .

Trata-se de iniciativa interessante, eis que, conforme amplamente mencionado, o torcedor compõe o patrimônio do clube. Ademais, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva tem previsão para a punição disciplinar ao clube por atos de violência de seus torcedores e tal medida tem obrigado os clubes a adotaram meios efetivos de coibir os excessos dos aficionados. Aliás, os próprios torcedores, temerosos de que atos de um colega possam prejudicar seu clube, acabam por impedir a ação dos maus torcedores.

Vale destacar que a Confederação Sul-americana possui dispositivos semelhantes e que, em um caso recente o Corinthians foi punido disciplinarmente em razão da morte causada por fogo de artifício oriundo de sua torcida.

 

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Oportunismo

Antes da Copa das Confederações, a seleção brasileira não estava pronta. Luiz Felipe Scolari, quando contratado para substituir Mano Menezes no comando da equipe nacional, era ultrapassado e pouco eficaz na estruturação tática de seus times. Poucos dias e muitos resultados positivos depois, tudo mudou radicalmente. É muito difícil analisar esporte sem ser oportunista.

Em outros segmentos, é clara a ideia de que não se pode analisar uma obra antes que ela esteja pronta. Falar sobre as partes sem ter uma noção exata do todo pode comprometer absurdamente a avaliação. Seria como julgar um filme por cenas isoladas.

No esporte, contudo, como definir em que ponto um trabalho está realmente concluído? Em uma seleção, pode-se eleger a Copa do Mundo como um norte nesse aspecto. No entanto, trabalhos recentes de Alemanha e Espanha, unidos pelo longo prazo e pela proposta de incutir no país uma filosofia diferente de jogo, não foram voltados apenas a um torneio ou a um quadriênio.

Julgar o trabalho do técnico Vicente del Bosque à frente da Espanha apenas pelo que ele fez na Copa do Mundo de 2010 seria um reducionismo. A despeito de ter sido campeão na África do Sul, ele realizou muito mais do que aquela campanha: montou um time e instituiu parâmetros para cada setor e para o todo.

Da mesma forma, julgar o atual estágio do futebol espanhol pelo trabalho de Del Bosque seria raso. O treinador definiu um perfil para a equipe nacional, mas foi beneficiado por uma cultura disseminada desde as categorias de base. A seleção eliminada nas quartas de final do Mundial sub-20 deste ano é um exemplo disso. Apesar de não ter vencido o campeonato, mostrou características que são caras aos profissionais da Espanha, como o toque de bola e a marcação pressão.

Na semana passada, elogiei Scolari por ser um comunicador extremamente eficiente. Mas creditar apenas à comunicação a evolução que ele promoveu na seleção brasileira seria cometer com ele uma enorme injustiça. Como escreveu o mestre Tostão na coluna dominical da "Folha de S.Paulo", ele criou um time compactado, com transição rápida e marcação sobre a saída de bola do adversário. São conceitos modernos, que mostram que o técnico não parou no tempo.

Ainda assim, Scolari comanda uma seleção em que as maiores referências técnicas são Neymar, nascido em 1992, e Oscar, que é de 1991. Mesmo entre os mais experientes, poucos têm vivência do que é uma Copa do Mundo.

E nada disso teria sido considerado se a seleção de Scolari tivesse decepcionado na Copa das Confederações deste ano. O time foi campeão, e isso valorizou a montagem e o amadurecimento do time.

O oportunismo é o maior risco em qualquer análise sobre esporte. Mais até do que a seleção brasileira, um exemplo claro disso foi dado no último sábado, em uma luta do UFC, maior circuito de artes marciais mistas (MMA) do planeta. O brasileiro Anderson Silva, que defendia o cinturão, dançou na frente do norte-americano Chris Weidman. Provocou, gesticulou e fez de tudo para desrespeitar o rival no octógono, e acabou nocauteado no segundo assalto.

A derrota de Silva abriu espaço para uma saraivada de críticas. Em análises publicadas em redes sociais, foram incontáveis os adjetivos como "arrogante" "prepotente".

O brasileiro não criou no sábado esse estilo de lutar. Ele pode ter exacerbado a prática do deboche, mas fez isso em nome da repercussão que o transformou em um fenômeno do MMA.

A análise aqui não é técnica, motivacional ou algo do tipo. Não considerei sequer as notícias sobre possíveis armações na luta. Meu ponto é apenas de postura: se tivesse vencido, a despeito do comportamento, Silva não teria sido classificado como um monstro desprovido de humildade.

O que debelou a imagem do brasileiro não foi a postura, mas o revés. Esse é o problema das análises oportunistas.

É o que acontece também em alguns times da elite do futebol brasileiro. O São Paulo, por exemplo, tem um elenco muito superior aos resultados obtidos na atual temporada. A dúvida é: como avaliar isso na perspectiva correta?

Procurar culpados e fazer avaliações individuais de jogadores, estafe técnico ou diretoria é ver apenas as partes. Nesse momento, é fundamental uma abordagem sistêmica do problema. Também é importante que os fatos sejam colocados no contexto correto.

Nesse caso, o esporte segue exatamente o que acontece no mundo corporativo. Uma empresa não pode avaliar apenas os números de uma fase do processo. Saber como estão as engrenagens é essencial para o sucesso, mas o mais relevante aqui é analisar a interação entre as peças.

Isso vale, no esporte, para dirigentes, treinadores e comunicadores. Em todas as pontas do processo, sempre há pessoas que se contentam em medir resultados e números. O grande desafio é colocar esses dados no contexto correto.

É admitir que a seleção brasileira de Scolari evoluiu e que se apresentou bem na Copa das Confederações. É reconhecer que jogadores melhoraram individualmente e que isso tem relação direta com o desempenho do time. É não ceder à tentação de inferir que o elenco e a equipe estão prontos para a Copa do Mundo de 2014.

Também é reconhecer que Anderson Silva foi derrotado e que exagerou nas provocações. Mas é ver os méritos de Weidman, que se aproveitou disso, e entender que o brasileiro não forjou a condição de ídolo usando exatamente esse padrão de comportamento.

E por fim, só o correto distanciamento pode mostrar quais são os motivos de uma crise técnica de um time. Sobretudo porque isso pode ser apenas reflexo do jogo.

Ferran Soriano, ex-dirigente do Barcelona, escreveu um livro chamado "A bola não entra por acaso". A obra transformou-se em símbolo de inovação e mudanças de procedimento na gestão do futebol mundial.

Em todos os setores, o desafio é entender, então, por que entra a bola. Soriano conta que uma das medidas que a diretoria do Barcelona tomou na época em que ele trabalhava no clube foi proibir que qualquer decisão fosse tomada aos domingos.

A ideia era pensar apenas na segunda-feira, horas depois do jogo do fim de semana. Só assim o resultado poderia ser colocado na perspectiva correta.

Outro ponto relevante para a mudança de paradigma de gestão do Barcelona foi a definição de objetivos. Sem saber quais são os fins é impossível produzir qualquer análise – afinal, volto ao início do texto: como saber quando o trabalho está concluído?

Aí entra o maior risco do oportunista. Análises desconectadas da linha do tempo podem ser eficientes no momento, mas são mais frágeis. Um sábio amigo meu costuma dizer que o futebol, assim como a vida, é exatamente como uma roda gigante…

 

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br