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O encontro do mercado com o populismo

A interferência do estado no esporte brasileiro tem crescido de maneira assustadora e tem atacado em pontos nevrálgicos do desenvolvimento de alguns projetos que se julgavam mais voltados para o mercado e a profissionalização de um modo geral. Esta participação mais "ativa" do estado não é novidade, é verdade – faz parte da construção histórica de muitas modalidades no país.

Contudo, começa a incomodar à medida que adota posturas intervencionistas, sob o argumento de "proteger" o esporte como identidade nacional, e inibe que haja a construção de uma estrutura de mercado para esta indústria.

Na história recente e, olhando especificamente para o futebol, me lembro de quatro exemplos que mexem amplamente as relações comerciais da modalidade: (a) mudança na lei que inibiu a entrada de investidores estrangeiros nos clubes brasileiros, após amplo movimento no início da década de 2000, sob o argumento de proteger a identidade dos clubes; (b) a proibição da venda de bebidas alcoólicas, justificada pela relação com a violência; (c) a obrigação de tocar o hino nacional antes dos jogos (e, em alguns estados e municípios, os hinos regionais), que prejudicam a construção de um cenário de entretenimento antes dos jogos; e (d) a meia entrada para estudantes e idosos, intervindo na gestão de preços e relacionamento dos clubes com seus torcedores e diferentes públicos.

Agora, mais recentemente, pela intervenção direta na gestão de estádios após decorrido processos licitatórios e entregas para a iniciativa privada, em que se firmou acordos e se previu investimentos por parte dos operadores de arenas. O argumento tangenciou, novamente, sobre o "benfeitor estado", que visa "proteger" o bem público e os "clubes indefesos" contra os "tiranos" da iniciativa privada, sedentos por altos lucros.

O que se vê, no fim das contas, é o poder público fazendo um aporte para "enxugar lágrimas". Quem grita mais, independente de sua competência, ganha. Esportes (e até mesmo o futebol) que são incapazes de gerir de forma eficiente seus recursos, tampouco de gerar receitas pela comercialização do mesmo, constantemente choram por migalhas para sobreviver – e entregam muito pouco.

No futebol, apesar de sua Confederação ser movimentada tão somente por recursos privados, tem seus filiados, os clubes, como perigosamente dependentes de recursos públicos, uma vez que não pagam corretamente seus tributos e não são cobrados por isso. Vez por outra surgem leis ou projetos com a proposta de isentar ou perdoar as dívidas, que foram resultado de um longo processo de má gestão.

Não há mercado que sobreviva com tanta intervenção do poder público. Ainda mais em se tratando de um mercado em desenvolvimento como é o esportivo, que precisa encontrar modelos sustentáveis de negócios e gestão de seus ativos. Ficamos, com isso, a mercê da "melhor ideia do dia", e isso não é nada bom para quem tenta fazer planejamentos de 5-10 anos.

De outro lado, não vejo o Estado totalmente à margem dos investimentos e participação dentro do mercado esportivo. Bem ao contrário. Ele tem sim importância na estruturação, apoio a eventos, a projetos sustentáveis e tantos outros – nos esportes olímpicos, por exemplo, desde que se invista na base e no esporte educacional, tal e qual prevê nossa constituição; e nos grandes eventos, que parecem ser insustentáveis apenas com recursos privados, e se mostram benéficos para a cidade e/ou regiões sob o ponto de vista de imagem e turismo…

Enfim, desde que o Estado saiba exatamente seu papel, pondo limites sobre sua forma de atuação no mercado e respondendo minimamente os porquês, o como, o quando e o quanto investir. E essa lógica, em raros casos, acaba sendo de fato explicada. Não à toa, este texto foi inspirado pela seguinte notícia: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2013/08/1320530-sergio-cabral-estuda-cancelar-concessao-do-maracana.shtml.

Não é preciso dizer mais nada!!!

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Seedorf, Rogério Ceni e o gato no telhado

A vitória do Botafogo por 3 a 2 sobre o Vasco, no último fim de semana, pelo Campeonato Brasileiro, teve várias cenas emblemáticas. Foi um jogo marcado por um golaço de Rafael Marques ou por um lindo lance de Juninho Pernambucano no gol de André, por exemplo.

No entanto, outro episódio chamou muita atenção. Durante o duelo, o meio-campista holandês Clarence Seedorf foi até a lateral do campo e passou alguns instantes conversando com o técnico Oswaldo de Oliveira. Foi um exemplo completo e eficiente de comunicação.

O teor da conversa entre Seedorf e o técnico do Botafogo ainda não foi revelado, mas os dois faziam movimentos com as mãos em direção ao campo. Claramente, ambos trocaram ideias sobre o posicionamento e as alternativas da equipe para superar o Vasco.

Num time de futebol, assim como acontece em uma empresa, funcionários (jogadores) devem ter autonomia para questionar processos e apresentar alternativas aos superiores. Desde que isso seja feito com respeito e nos momentos certos.

Comunicação é conteúdo, mas também é forma. É importante pensarmos no que transmitimos quando trocamos mensagens, independentemente do caminho escolhido para isso (telefone, internet ou pessoalmente, por exemplo). Mas, também é relevante pensarmos em como fazer.

O exemplo mais óbvio disso é a história do gato no telhado. Em vez de dizer ao dono que o animal de estimação dele havia morrido, a pessoa conta antes que ele subiu ao topo da casa. Depois, diz que o bichano caiu e que a queda foi grave. Por fim, revela que a mascote não resistiu.

Usar eufemismos é uma solução, mas não resolve sempre a questão. O jeito de falar e o momento também interferem nas reações de quem recebe a mensagem. Se a história do gato for contada a partir do roteiro citado anteriormente, mas apresentada em meio a uma festa e diante de muita gente, o dono certamente responderá de forma diferente de quem a ouve em casa e sozinho.

Repito: um funcionário que discorda de um processo pode questionar seus superiores. Ele tem direito a isso sempre. Se o fizer com voz alta, postura arrogante e no meio de outros empregados, contudo, essa pessoa terá pouca chance de sucesso.

Seedorf deu exemplo disso no domingo. Ele não gritou com Oswaldo de Oliveira de dentro do campo. Tampouco falou diretamente para os atletas e se insurgiu contra as propostas do superior. Independentemente do teor da mensagem, o holandês soube como passá-la.

Há um exemplo contrário na história recente do futebol brasileiro. No ano passado, o goleiro Rogério Ceni discordou do posicionamento do São Paulo em um jogo contra a LDU de Loja, válido pela Copa Bridgestone Sul-Americana. Ele começou a gritar e pediu que Cícero entrasse no lugar de Ademilson.

"Eu não aprovo isso. Acho que tem de ser cada um na sua função. Se eu achasse que o Cícero deveria entrar, teria colocado", disse Ney Franco depois do jogo, em entrevista coletiva.

Rogério Ceni, posicionado atrás da defesa, tem uma visão do jogo que é totalmente diferente do ângulo de qualquer treinador. Por isso, é até natural que ele identifique outros aspectos da partida. O que ele não pode é escancarar isso.

A atitude do goleiro, independentemente dos motivos, é um exemplo de como uma mensagem mal transmitida pode gerar um resultado bem diferente da proposta inicial. Ele fez o contrário de Seedorf, que esperou o momento adequado e não transformou uma discordância em polêmica.

A diferença de postura entre os dois jogadores é um resumo do quanto a comunicação é fundamental para o cotidiano de qualquer instituição. O futebol não foge a isso.

Todavia, a eficiência da comunicação não depende apenas do conteúdo das mensagens. A dimensão das coisas é alicerçada diretamente no formato.

Isso vale também para o exemplo contrário. Um técnico comedido e controlado, como José Roberto Guimarães, pode oferecer muito conteúdo para a seleção feminina de vôlei e transmitir informações relevantes para as atletas. Bernardinho, cujo estilo é radicalmente oposto, é outro exemplo de eficiência à frente da seleção masculina.

Um bom líder precisa saber como mexer com os comandados e em que momentos é necessário dar ênfase a uma mensagem. É impossível ser José Roberto Guimarães o tempo todo, mas também não dá para ser puramente Bernardinho. Aliás, nem eles são 100% fiéis aos estereótipos que lhes foram impingidos.

Dos funcionários para os líderes ou dos líderes para os funcionários, a comunicação sempre permite troca de ideias e discussão de conceitos. Para que isso não crie crises, porém, é fundamental que se pense nos caminhos.

Mais do que um resultado

Volto ao assunto da semana passada, mas resultados recentes tornaram relevante a insistência na discussão. Analisar Bayern de Munique 2 x 0 São Paulo e Barcelona 8 x 0 Santos apenas pelos resultados é uma falha grave de comunicação.

No esporte, temos a tendência de avaliar o caminho fácil, que é o resultado. No entanto, essa não pode ser a única medida. Quem protagoniza lances mais agudos nem sempre é mais importante do que quem apenas se esforça para viabilizar essas individualidades.

Analisar a distância entre o Barcelona e o Santos apenas pelos oito gols é fechar os olhos a tudo que cerca o amistoso. Da mesma forma, a vitória do Bayern de Munique sobre o São Paulo não traduziu tudo que aconteceu.

Há vários caminhos para aprofundar essas discussões. É possível debater a diferença de proposta de jogo entre Brasil e Europa, a distância física ou as condutas táticas, por exemplo. É possível falar sobre o desnível técnico que esses amistosos apresentaram. É possível até falar sobre individualidades. Analisar apenas o resultado é cabotino. Mas, como é mais fácil, ainda é recorrente.

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A possibilidade se proibir acesso aos estádios de torcedor violento

Esta semana uma notícia chamou a atenção. A Fonte Nova Negócios e Participações, que gerencia a Itaipava Arena Fonte Nova, puniu um torcedor do Bahia que destruiu uma cadeira no novo estádio baiano com a proibição de acesso ao estádio nas próximas duas partidas do Bahia, contra Flamengo e Grêmio, ainda, e terá de pagar pela reposição da cadeira.

A identificação do torcedor se deu por meio do sistema de monitoramento do estádio e publicou o vídeo mostrando o torcedor pulando em cima da cadeira durante o jogo contra o Goiás.

Durante os jogos, o torcedor se recolherá à sede da "Organizada" Bamor, que será responsável por garantir que o torcedor não vá à Itaipava Arena Fonte Nova.

Por meio de nota oficial a Administradora do estádio assim se manifestou:

"A FNP vem a público informar que não vai tolerar a violência e o vandalismo na arena, a fim de defender a segurança e integridade dos torcedores e de suas famílias que entendem que este é um local de lazer e diversão. As mais de 200 câmeras de segurança do local estão registrando os atos e as punições serão aplicadas com rigor"

A medida é inédita no país e encontra respaldo no artigo 39-A do Estatuto do Torcedor, veja-se:

Art. 39-A. A torcida organizada que, em evento esportivo, promover tumulto; praticar ou incitar a violência; ou invadir local restrito aos competidores, árbitros, fiscais, dirigentes, organizadores ou jornalistas será impedida, assim como seus associados ou membros, de comparecer a eventos esportivos pelo prazo de até 3 (três) anos.

Trata-se assim de interessantissima mudança de paradigma na aplicação da legislação já existente . Ademais, o apoio da Bamor e do Batalhão Especial Para Eventos da Polícia Militar (BEPE) foram essenciais para a aplicabilidade da medida.

Por outro lado, a medida foi aplicada poe uma entidade privada e é passível de questionamento judicial por eventual limitação ao direito constitucional de "ir e vir".

De toda sorte, a Fonte Nova Negócios e Participações abre um precedente fantástico no combate à violência nos estádios de futebol do país.

Em pesquisa recente o Campeonato Brasileiro de futebol aparece em sexto lugar como o mais rentável do mundo, não obstante isso, apenas três clubes figuram entre as 100 maiores médias de público do mundo e a sensação de segurança do torcedor nos estádios corresponde a aspecto de extrema relevância para a melhora nesse quadro.

Parabéns à Fonte Nova Negócios e Participações e que as demais Administradores de estádios do país trilhem o mesmo caminho.

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Muito prazer! Como técnicos podem criar empatia e confiança?

Ao vermos o cenário atual dos times da série A do Campeonato Brasileiro, percebemos que ainda é comum a troca de técnicos durante a competição. Vejamos, neste ano até o momento após nove rodadas, metade dos times já trocaram seus treinadores; sendo o caso mais recente o desligamento do técnico do Fluminense, o décimo dispensado.

Porém, antes deste outros nove já foram dispensados de seus clubes e mais, dos dez clubes que já promoveram mudança de comando técnico, sete deles aprecem na parte de baixo da tabela de classificação.

Mas, nesta coluna, não pretendo falar sobre a questão da continuidade do trabalho dos treinadores e da necessidade amadora dos clubes de não cumprirem seus planejamentos. Minha intenção é abordar uma situação mais do que real no Brasil e falar sobre o outro lado da moeda, ou seja, daqueles que chegam para substituir os desligados.

Para estes fica uma reflexão: como gerar empatia e conquistar confiança do elenco e dos funcionários do clube em tão pouco tempo?

Construir uma relação de confiança e empática é extremamente importante para o estabelecimento de um ambiente de alta performance, em que o treinador possa apoiar o desenvolvimento da equipe, bem como desafiá-la, nas doses certas ao longo do trabalho realizado.

Devemos compreender que sem a confiança e empatia, os envolvidos (atletas e funcionários) tendem a desconfiar e ocorre o aumento da resistência a assumir riscos ou a experimentar novos comportamentos, indispensáveis num cenário de mudança necessária.

Stephen Covey comenta sobre a empatia no quinto hábito em seu livro "Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes", hábito denominado "Procure primeiro entender, e depois ser entendido". Neste hábito, Covey comenta sobre a comunicação efetiva e a necessidade de se escutar o outro com empatia.

O ser humano tem uma forte tendência para atropelar os sentimentos das outras pessoas, de correr para resolver as coisas através de conselhos, mas com frequência se deixa de reservar algum tempo para o diagnóstico, para tentar compreender verdadeira e profundamente o problema antes de qualquer coisa. A maior parte das pessoas não consegue escutar com a intenção de compreender, elas ouvem com a intenção de retrucar e com os treinadores de futebol essa regra não é diferente.

A escuta empática se refere à escuta com a finalidade de compreender, ela entra dentro do quadro de referências da outra pessoa. Se o indivíduo olhar para dentro dele, vê o mundo como as pessoas o vê, compreende seu paradigma.

A empatia não é igual à solidariedade. Este último é um modo de concordar, uma forma de julgamento. As pessoas frequentemente dependem da solidariedade e tornam-se dependentes dela. A essência da escuta empática não está em concordar com alguém, mas sim em compreender aquela pessoa profundamente, tanto no plano emocional quanto no intelectual.

Complementando a escuta empática, podemos e devemos lançar mão de conhecimento da Leitura Corporal dos atletas, uma vez que os gestos muitas vezes comunicam muito mais do que tudo que é verbalizado pelo atleta.

Na prática, inicialmente para se estabelecer uma relação de confiança, são necessárias duas ações:

1. Criar uma genuína e autêntica relação um-para-um com os atletas;

2. Conseguir empatia através de um olhar incondicional sobre a realidade do time e dos atletas.

E você amigo leitor, acha missão fácil para todo técnico assumir uma equipe durante um campeonato em andamento? Será tão simples assim conseguir rapidamente conquistar a confiança e empatia da equipe?

Até a próxima.

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Críticos de resultado

É impressionante como temos um hábito de comentar e dizer "grandes verdades" simplesmente olhando para o resultado em campo, durante 90 minutos ou a conquista de um título.

A mais recente e, por assim dizer, surpreendente, foi o título da Libertadores ganho pelo Atlético-MG, tendo lido, visto e ouvido nos últimos dias muita gente comentar sobre “planejamento que culminou com a histórica vitória”.

Primeiro de tudo, é preciso separar muito bem o entendimento sobre o termo "planejamento". O caso do Galo Mineiro foi um típico investimento pontual na área técnica, com recursos não necessariamente gerados pela entidade – OK, a atividade-fim de um clube de futebol é o futebol, com natural aporte e foco no seu departamento específico. E isso o Atlético-MG fez muitíssimo bem e de forma exemplar.

O que quero dizer, na verdade, é que o "planejamento" possui uma visão mais holística da organização. No caso de clubes de futebol, transcende o time em si, passando pelas áreas da estratégia, do mercado, da gestão, do marketing, das finanças, do relacionamento com o torcedor e por aí vai.

Portanto, para ficarmos em um único número para o caso em voga: um clube que acumulou mais de R$ 250 milhões em déficits nos últimos 10 anos, que possui uma dívida total na casa dos R$ 414 milhões (quase 2,6 vezes superior a sua receita bruta anual) não se pode dizer que realizou um bom planejamento.

Sei que o tema é complexo e envolve uma série de outras variáveis e nuances. Mas casos recentes como o do Corinthians, que estruturou o clube de maneira mais sólida e ampla, impactando, naturalmente, no futebol, é um bom exemplo do momento.

E o quanto está sendo custoso destruir um trabalho de décadas de gestão consistente e profissional do São Paulo, que vem paulatinamente desmantelando sua estrutura técnica e administrativa há pelo menos cinco anos – e está começando a colher seus frutos (no sentido negativo) somente agora (vide coluna nesta Universidade do Futebol de 26 de Janeiro de 2011).

Quero dizer com isso que temo o fato da construção do título do galo não passar de um "Castelo de Areia", como em muitos casos que assistimos de camarote dentro do futebol brasileiro, por estar centrada especificamente em uma personalidade (seu presidente) e não institucionalmente, dentro de uma evolução organizacional planejada e alimentada ano após ano por um ciclo contínuo de aprendizagem.

Saindo um pouco do tema futebol e inspirado no caso recente de Eike Batista e seu conglomerado de empresas "X": não me lembro (desde 2008 – quando começou a se tornar mais midiática a saga do ex-bilionário) de qualquer reportagem que tenha alertado para o crescimento descontrolado e "falso" destas empresas na bolsa, com anúncios de poços de petróleo sem o efetivo embasamento técnico.

Só vi elogios. Só vi horizontes positivos, em um "céu de brigadeiro", que associava, inclusive, o aparecimento de um bilionário no Brasil com a evolução do país enquanto uma nação de economia pujante.

Hoje, não há jornal ou revista especializada que não aponte inúmeras falhas – algumas, segundo as reportagens, infantis. É comum, ainda, o tratamento de forma ridicularizada o falso desenvolvimento das empresas de Batista. Novamente, os "Profetas do Passado" aparecem.

Lá, no mundo corporativo, como cá, no futebol, estamos cheios de críticos de resultados. Para os clubes, é preciso aprender lições dentro de casa e também com seus rivais com a finalidade de pensar as soluções de uma entidade não somente pelo resultado do domingo e dos "tapinhas nas costas" após uma grande goleada no clássico. É necessário pensar o clube como célula viva, independente de quem esteja liderando seus rumos.

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Imediatismo

Na última semana, o ex-jogador Tostão, sempre genial, relatou na "Folha de S.Paulo" uma tese que ele mesmo classificou como bizarra: "O Ganso atual, tão criticado, joga da mesma forma e com a mesma qualidade do Ganso do Santos, quando era endeusado. Mudaram apenas os olhares e as circunstâncias".

O excerto da coluna de Tostão é um exemplo claro de um dos maiores problemas em qualquer análise sobre esportes: a valorização excessiva dos resultados. Paulo Henrique Ganso não é necessariamente um jogador pior desde o período em que se destacou no Santos, mas é seguramente um atleta menos vitorioso.

No Santos que encantou e conquistou títulos, Ganso era genial. No São Paulo da crise e de 12 jogos consecutivos sem vencer, o meia é um problema. Ele foi barrado do time titular no último domingo, no clássico contra o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro.

Pouco importa discutir se Ganso está realmente tão bem quanto no auge que ele viveu quando vestia a camisa do Santos. A questão aqui é outra: como o resultado influencia qualquer análise no futebol.

Para isso, Cuca também serve como exemplo. Campeão da Copa Libertadores na última quarta-feira, o técnico desabafou. Comemorou efusivamente por ter findado a pecha de azarado e por ter se livrado do rótulo de perdedor.

Cuca não se transformou em um bom treinador porque venceu a Libertadores. O Atlético-MG é um time organizado há tempos, como têm sido as equipes dirigidas pelo treinador.

O mesmo vale para o Corinthians. Tite tornou-se um técnico mais badalado depois de um ciclo vitorioso no time do Parque São Jorge, mas não virou um treinador melhor por causa disso. No futebol, o reconhecimento depende intrinsecamente da quantidade de láureas.

Esse é um dos aspectos mais cruéis do esporte, aliás. Não são poucos os casos de atletas fantásticos, com desempenhos expressivos, que convivem com famas ruins só porque carecem de resultados.

Em modalidades individuais, contudo, é fácil medir quanto um atleta evolui e qual é a distância que ele ainda precisa percorrer até o topo. Esportes coletivos convivem mais com questões intangíveis.

O time que vence um campeonato, sobretudo em casos de formatos com jogos eliminatórios, não é necessariamente o melhor. O dono da taça é necessariamente o mais bem preparado para aquele formato e para aquele momento.

É o que o comentarista Paulo Calçade, dos canais "ESPN", costuma dizer sobre a Copa do Mundo: trata-se apenas de um retrato de um mês. Há casos em que o melhor time conquista a competição, mas existem vencedores que eram apenas os mais prontos no período em que o certame foi disputado.

A dificuldade de analisar esportes coletivos é transformar aspectos abstratos em elementos tangíveis. Os títulos e as vitórias são maneiras de dar parâmetros ao desempenho.

A discussão é: são parâmetros corretos? Listar conquistas e dizer quais foram os pontos finais de um trabalho são elementos suficientemente completos para embasar análises?

Ouvi de um jogador certa vez que um técnico da primeira divisão brasileira era extremamente mal preparado. Segundo o atleta, o comandante conhecia pouco de aspectos táticos e técnicos, mas sempre havia contado com bons auxiliares.

Além disso, de acordo com o jogador, o técnico era um motivador sensacional. Ele podia não montar bons treinos e podia não ter domínio sobre as ações táticas de um jogo, mas conseguia fazer com que todo o elenco corresse mais.

Em um esporte de alto rendimento, é impossível isolar componentes. Um time não ganha apenas porque corre mais ou porque está mais bem postado. Qualquer resultado é um reflexo de uma interação entre um número enorme de componentes de preparação e de tomada de decisão.

Em 2000, Oswaldo de Oliveira era o técnico do Vasco. Contudo, ele teve um desentendimento com Eurico Miranda, que presidia o clube, e deixou a equipe. Joel Santana nas retas finais da Copa Mercosul e da Copa João Havelange, e o time carioca venceu as ambas.

Oswaldo de Oliveira montou todo aquele time, criou um padrão e estabeleceu uma série de atributos. Joel Santana foi o comandante campeão. Ainda que o sucessor tenha mudado aspectos decisivos ou que tenha feito alterações contundentes na formação do time, é inegável que o técnico anterior havia deixado bons frutos.

Um trabalho no futebol tem de ser assim, gradual, com diferentes etapas de desenvolvimento e objetivos bem definidos. Só assim é que os resultados podem passar a ser vistos apenas como detalhes.

 

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br

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A gestão de projetos e os grandes eventos esportivos no Brasil

O país acabou de organizar a Copa das Confederações e se prepara para organizar dois dos maiores eventos do planeta: a Copa do Mundo Fifa 2014 e os Jogos Olímpicos de Verão 2016.

O esporte tornou-se um grande negócio capaz de mobilizar multidões e de movimentar bilhões de dólares e como toda empreitada, a capacitação é indispensável para o sucesso e a rentabilidade.

O peso do setor de eventos no Brasil acentuou-se nos últimos anos, cujo papel significativo é comprovado pela 7ª. posiçáo no ranking da ICCA (International Congress and Convention Assiciation) como o país que mais recebe eventos internacionais no mundo.

Neste esteio, o gerenciamento de projetos desponta como propulsor desta demanda, especialmente no que tange ao cumprimentos de todos os encargos e prazos estabelecidos pela Fifa e pelo COI.

Gerencimento de projetos corresponde à aplicação de conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de atender às suas demandas, sendo realizado por meio da integração dos processos de iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento, conforme dispõe o Project Management Institute (PMI, 2008).

A aplicação de conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas para atingir o objetivo do projeto é reallizado por uma pessoa responsável: o gerente do projeto que deve:

– Identificar as necessidades do projeto;
– Estabelecer objetivos claros e palpáveis;
– Atender Às expectativas de todas as partes interessadas;
– Promover o devido estabelecimento entre qualidade, escopo, tempo e custo.

Esta última atribuição constitui a necessidade de se balancear três fatores conflitantes (tempo, custo e escopo ou qualidade) sendo o fator restante, a consequência do balanceamento. Portanto, se houver tempo, custo e escopo, a consequência será a qualidade do projeto. De outro giro, se houver tempo, custo e qualidade, a consequência será o escopo do projeto.

Dessa maneira, o gerenciamento de projetos inclui o balanceamento das restrições conflitantes do projeto que incluem, dentre outros: escopo, qualidade, cronograma, orçamento, recursos e risco.

A relação entre esses fatores faz com que se algum deles mudar, pelo menos um dos outros provavelmente será alterado, no que se denomina Teoria da tripla restrição (Newell, 2002).

Projetos de sucesso são aqueles que entregam o produto ou serviço especificado dentro do escopo, prazo, orçamento e com qualidades e é justamente isto que se espera dos comitês organizadores da Copa do Mundo de 2014 e das Olímpiadas de 2016.

O profissional de gerenciamento de projetos é indispensável para fazer a coisa certa (eficácia) da forma certa (eficiência) buscando a efetividade por meio de um planejamento estratégico,ou seja, por um processo de mobilização para atingir o sucesso mediante um comportamento proativo, considerando o ambiente atual e o futuro objetivando:

– Produzir todas as entregas planejadas;
– Completar dentro do cronograma planejado;
– Executar dentro do orçamento aprovado;
– Entregar de acorco com todas as especificações funcionais, de performance e de qualidade;
– Alcançar todas as metas, objetivos e propósitos;
– Atingir todas as expectativas das partes interessadas.

Portanto, para o pleno sucesso das competições que o país irá organizar, é imprescindível a presença de um gerente de projetos eis que estouros de orçamento, atraso na entrega de obras, produtos e/ou serviços correspondem a um projeto mal sucedido. O fato é que a cada dia há menos espaço para amadores na organização desportiva e neste momento o profissional qualificado torna-se uma necessidade.

Referências bibliográficas

SOUZA, Gustavo Lopes Pires de. “Estatuto do Torcedor: A evolução dos direitos do consumidor do esporte”. Alfstudio. Belo Horizonte: 2010

VERGARA, Sylvia Constant, Itamar Moreira, (coord). André Bittencourt Do Valle, Carlos Alberto Pereira Soares, José Finocchio Junior, Lincoln De Souza Firmino Da Silva. Fundamentos do gerenciamento de projetos. Editora FGV. Rio de Janeiro:2010

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A Missa e a Massa do Galo: Nós Acreditamos! Atlético Mineiro 2 (4) x 0 (3) Olimpia

Casal conversa em um quarto de uma casa em Belo Horizonte…

– Dario, pode dormir, querido.

– Não, meu amor. Vai que tudo isso é sonho. Vai que o Galo perde a Libertadores quando eu acordar.

– Você me chamou de “amor”, Dadá?

– Foi sem querer, mulher. Você sabe que você é meu “bem”, benhê. “Amor” é o Galo. Só o Atlético.

– Sabia… já estou acostumada… Mas é bom você dormir, Dario. Você vai acabar morrendo disso.

– Eu vivo pelo Galo, bem. Jamais vou morrer por ele. Só não posso é fechar os olhos. Só tenho medo de tudo que eu vi no Mineirão não ser verdade. Tudo que eu senti na Libertadores e no Horto se perder se eu fechar os olhos. Medo de que não poderia olhar diferente para aquelas mesmas traves malditas dos pênaltis do Brasileirão de 1977! As traves que agora viram a bola do título estourar em uma delas.

– Vai por mim, Dadá. O Jô vai fazer um gol deitado de pé direito. O Leo Silva vai fazer um gol de cabeça contra o grande goleiro Martín Silva. A bola vai bater um milhão de vezes na trave. Vai ter um pênalti não marcado para nós. O Alecsandro vai perder um gol no final. O Victor vai defender um pênalti com o pé esquerdo de novo. Vai adiantar desta vez se adiantar. O Cuca vai comer grama no último pênalti. A torcida vai gritar que acredita até quando ninguém mais acredita. Eu conheço vocês, atleticanos. Eu amo um atleticano. E sei que ninguém ama como um atleticano.

– Você não entende, benhê. São muitos anos em que eu fechei os olhos por não acreditar no que fizeram com meu Galo. Gente de fora, gente boa, gente ruim, gente de dentro. Todo mundo depenava meu time. Muitas vezes dormi campeão e acordei sem nada. Só com o Galo.

– Mas ele é tudo para você, Dario. Não precisa de título, meu amor.

– É. Mas faltava sempre alguma coisa. Não para eu ser mais atleticano, que isso é impossível. Mas faltava alguma coisa para os campeonatos serem mais atleticanos.

– Fecha os olhos, Dario. Você merece.

– Quem merece são os atleticanos. Todos eles. Todos nós. Já perdemos muitos títulos. Mas poucos clubes ganharam o torcedor, o respeito e o amor que nosso clube tem. Poucas Libertadores tiveram um time tão campeão quanto o nosso. Raras tiveram tanta gente torcendo por um time como o nosso.

– Mas você bem que não estava mais acreditando no time, né? Fala a verdade!

– Nunca! Eu sabia que dava para eliminar o São Paulo depois da derrota no Morumbi na fase de grupos.

– Sei…

– Eu sabia que o Victor defenderia aquele pênalti contra o Tijuana!

– A-ham…

– Eu sabia que alguém faria o gol que o Guilherme fez.

– Claaaaro…

– Eu tinha certeza que iríamos virar nos pênaltis contra o Newell´s…

– Sim, queridinho…

– Eu sabia que iríamos devolver a derrota no Paraguai! Que “cavalo paraguaio” era alguma cavalgadura do bairrismo brasileiro.

– Dario, pode fechar os olhos. Juro que fecho os ouvidos para o que você está inventando…

– Eu sabia que com o papa no Brasil estava no papo! Eu sabia que a Missa do Galo começa sempre no dia 24 e faz a festa divina por todo o dia 25! A missa e a massa do Galo são eternas!

– Menos, Dario, menos…

– Bem, você não entende de futebol. Menos ainda de Galo.

– Dario, amando um atleticano eu comecei a amar um pouco mais o futebol. Comecei a entender que a gente não entende nada de futebol.

– Mas, benhê, você entende mais que os maldosos que acham que todas as derrotas são eternas. São nada! Eternas são as vitórias! Eterno é meu amor que não precisava ser campeão da América. Não precisa ser campeão do Brasil. Não precisa ser campeão mineiro. Não precisa ser campeão de Belo Horizonte. Nem do Horto e nem de Lourdes. Eterno é ter no coração o Galo.

– Dario, e agora? Como vai chamar nosso primeiro filho: ainda bem que não é menina, por que Kafunga ou Mussula seriam dose… Então… Que tal Reinaldo Victor?

– Eu quero mesmo um nome de santo.

– Ou Reinaldo Ronaldo?

– Eu quero um nome de craque.

– Reinaldo Bernard?

– Eu quero um menino bom de tudo.

– Reinaldo Leo?

– Eu quero um filho que use bem a cabeça.

– Reinaldo Réver?

– Eu quero um cara que defenda tão bem a nossa família.

– Reinaldo Guilherme?

– Eu quero um filho predestinado.

– Reinaldo Jô?

– Eu quero um menino bem posicionado.

– Reinaldo Diego?

– Eu quero um moleque que acredite em todas.

– Reinaldo Pierre?

– Eu quero um garoto que se mate por nós.

– Reinaldo Leandro Donizete?

– Eu quero um garoto que faça tudo certo com discrição.

– Reinaldo Richarlyson?

– Eu quero um filho que faça tudo em vários lugares.

– Reinaldo Marcos?

– Eu quero um moleque que ataque o tempo todo.

– Reinaldo Rosinei?

– Eu quero um cara para virar o jogo.

– Reinaldo Gilberto?

– Eu quero um grande atleticano campeão do mundo e da América.

– Reinaldo Josué?

– Eu quero um campeão de tudo.

– Reinaldo Alexis?

– Eu quero alguém que seja ótimo, e responda pela bola, e não pela boca, com muita Cuca e muita alma.

– Reinaldo o que mais, Dario?

– Podia ser Reinaldo Telê. Atleticano campeão em 1971. Atleticano que também um dia foi chamado de pé-frio…

– Bem, eu quero que ele seja Reinaldo, sim. Como eu quero sempre a felicidade que você tem todo dia não por ser campeão, Dario. Mas por ser Galo a vida toda.

– Mais que tudo, benhê, eu quero que quando nascer o nosso primeiro filho, que está nessa barriguinha desde fevereiro, eu possa pegá-lo no colo como o nosso time pegou a taça de campeão de América, e embalá-lo com a mesma emoção e paixão. Para poder falar no ouvidinho dele:

– “Você é campeão, filho”.

– Não, benhê. Só vou dizer uma frase…

– “Você é atleticano, filho”.

– Isso, mulher! Você é meu amor!

– Você é atleticano, Dario.

– Nós somos agora o que sempre fomos. Campeões. Eu, você, e o Reinaldo Libertador.

(P.S.: Eu, Leonardo Bertozzi e Mario Marra lançaremos em semanas “Nós Acreditamos”. Pela BB Editora. Um livro de dois atleticanos jornalistas, um palmeirense jornalista. Uma obra que sairia mesmo se não desse Atlético. Por que o que valeu foi a jornada. Campeã de tudo.)

 

Para interagir com o autor: maurobeting@universidadedofutebol.com.br

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

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As reações individuais e a coletividade no futebol

Os grandes investimentos, os patrocínios que sustentam as grandes equipes de futebol no mundo, todo esse esforço pode ser jogado por terra por uma distração ou perda de foco por parte de algum atleta em momento de competição, na prática da alta performance.

No futebol, essa perda de foco, atenção ou concentração pode ser fatal na disputa de uma partida importante para o clube ou para uma seleção. Imaginem o impacto que uma distração ou perda temporária de foco pode causar em plena final de copa do mundo?!

Uma reação agressiva de um atleta, totalmente desfocada da prática esportiva, pode espelhar nos demais atletas o comportamento semelhante dentro de campo, inclusive culminando com expulsões prematuras e fatais para uma equipe.

No futebol atual, não deve haver mais espaço para uma atitude de baixa responsabilidade por parte do atleta, pelo simples fato de perder o foco durante uma partida, pois ele deve lembrar-se que a sua atuação deve ser consoante com um resultado coletivo da equipe em que atua.

Por ser o futebol uma modalidade de esporte coletivo, o atleta de futebol está impelido a ter uma nova postura, condizente com o nível de sua carreira e com a expectativa que se cria ao seu redor. Atitudes impensadas e explosivas com ocorrências repetidas, devem ser alvo de acompanhamento específico para que se equacione este comportamento em benefício do coletivo e do próprio atleta.

Mas, precisamos estar atentos, pois a culpa destes comportamentos pode não estar necessariamente depositada totalmente no próprio atleta, membros de uma comissão técnica devem estar alinhados com os recursos disponíveis atualmente para ajustar toda e qualquer situação de problema no elenco.

É necessário compreendermos que todos os atletas devem aprender, em algum momento de sua carreira, como manter o foco, quando e com que intensidade, ou seja, como manter essa atenção necessária ao rendimento de alta performance por um tempo prolongado.

Compartilho, por exemplo, uma abordagem através do estudo de Weinberg & Goud (1999), no qual podemos utilizar algumas diretrizes para melhorar a capacidade de concentração dos atletas.

1. Simular condições de competição no treinamento: produzir barulho de torcedores, realizar jogo treino contra um time agressivo ou provocador, realizar jogo sob pressão de tempo, treinamento técnico em presença de estímulos perturbadores.

2. Usar palavras-chave: durante uma competição, atletas vencedores utilizam palavras como "força", "luta", "preste atenção no jogo", etc, com a finalidade de manter um bom nível de atenção ou de concentrar-se de novo quando perder a concentração.

3. Estabelecer rotinas de comportamento: estas podem ser aplicadas antes e durante a competição, a fim de reduzir o nível de ansiedade, eliminar fatores que podem distrair o atleta e aumentar o nível concentração.

4. Praticar o controle visual: nos esportes com bola, o atleta necessita da capacidade visual de focalizar a atenção em estímulos visuais relevantes (na bola por exemplo) e evitar distrações (como as reações de torcedores, por exemplo).

5. Permanecer concentrado em situações presentes: o atleta deve evitar pensar em situações passadas ou futuras durante a partida e ficar totalmente concentrado na tarefa a realizar no momento atual, na situação presente.

Aqui deixo a reflexão de que apenas aquela famosa "conversa" que geralmente é citada por vários técnicos brasileiros, que parece mais como um conhecido "puxão de orelhas" pode não ser mais suficiente para equacionar problemas de concentração ou emocionais dos atletas.

Cabe então a todos os envolvidos no esporte promoverem o endereçamento adequado para cada caso e só através do fomento pelo conhecimento amplo e multidisciplinar dos profissionais que atuam nas organizações esportivas, isso será possível.

E você, será que tem se mantido atento ao seu trabalho ou também passar por distrações na sua rotina diária!? Então, é melhor termos cuidado com as "expulsões" despercebidas que por ventura estejam acontecendo conosco em nossa vida pessoal e profissional.

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Djalma Santos 8.0… Nós jogamos com ele!

Há algumas semanas, fomos agraciados com uma série de reportagens alusivas aos 80 anos de Djalma Santos…
 
Para os mais moços que não o viram jogar, talvez o episódio tenha passado despercebido, mas tanto para aqueles que tiveram essa felicidade, como para os outros atentos à história do futebol brasileiro, o fato foi daqueles de brindar a vida!… Afinal, não é todo o dia em que temos notícia de um octogenário jogando sua peladinha todo domingo, seguido de um bom papo – às vezes regado a uma cervejinha, por que não? – com os amigos… E mais ainda quando se trata de alguém que aprendeu com a vida o que é de fato vivê-la…
 
Vejam o que disse ele em certo momento: "Não se para de jogar bola porque se é velho, mas sim nos tornamos velhos porque paramos de jogar bola"!
 
E pensar que ainda tem em nossa meio quem se reporte à saúde enfocando-a exclusivamente em sua dimensão bio-fisiológica!
 
Bem… Mas todo esse preâmbulo foi escrito para que pudesse dizer que tive o privilégio de jogar com Djalma Santos!
 
Pois é… Estávamos no ano de 1976 em São Luis do Maranhão… Nós – um grupo de professores de Educação Física repleto de utopias – e ele, então contratado como técnico do Sampaio Corrêa Futebol Clube, um dos grandes do futebol maranhense, ao lado do Moto clube e do MAC (Maranhão Atlético Clube).
 
Boa parte de nosso grupo trabalhava vinculado ao Departamento de Esporte do governo daquele Estado, basicamente envolvido com os afazeres de duas modalidades esportivas, o handebol e o voleibol.
 
O contrato de trabalho era de 40 horas… Não deu outra: montamos um time de futebol e demos a ele o nome de… Handvô-40, homenagem ao handebol, ao voleibol e às 40 horas de trabalho – qualquer semelhança com outra expressão…
 
Pois foi nesse time que Djalma Santos foi convidado a jogar e… Jogou! Se nossas conversas o assustavam às vezes (chegamos perto de comprar uma ilha, embalados pelas idéias de A.S. Neill, fundador da escola de Summerhill), a de participar do time foi recebida com o mesmo sorriso que ele estampa hoje em seu rosto…
 
Duvidam? Pois aí vai a prova! O primeiro da fila é o diretor – presidente do CEV, Centro Esportivo Virtual… O último, este ponta-esquerda que vos escreve! No meio dela, Djalma Santos, junto com Viché, Sidney (ambos professores da UFMA) Gil, "Zé Pipa", Marcão – o "véio" – e outros cuja lembrança surge enevoada em minha cabeça…
 
Não sei dizer se Djalma Santos tem recordação desses tempos… Penso que sim, pois foram dias que não se repetem todos os dias…

*Publicada originalmente no dia 26 de março de 2009

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