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Reputação

Ao assistir ao muito bom filme norueguês “Headhunters”, o protagonista chama a atenção para algo que realmente importa na vida e nos negócios: a reputação.

Ao assistir também ao programa Sportv Repórter sobre a organização e estruturação do futebol na China, o tema foi novamente abordado.

Naquele país, muito está se investindo na contratação de jogadores, técnicos, preparadores físicos de outros mercados para construir a credibilidade da Liga Chinesa – abalada por escândalos de corrupção na arbitragem, manipulação de resultados e falta de histórico na formação de talentos e desenvolvimento interno do mercado.

Além disso, havia visto o mesmo programa na TV por assinatura, mas que tratava da longevidade e do sucesso que jogadores como Seedorf, Zé Roberto, Índio, Forlán, D’Alessandro, Paulo Baier, Elano, têm feito no Brasil e como se explica este fenômeno.

Nesse ponto, em especial, comparei com minhas observações atentas, nas andanças pelo interior do estado do Paraná, dos Jogos Escolares Bom de Bola. O arquétipo dos jovens de 12 a 17 anos sobre o que vem a ser um jogador de futebol bem-sucedido e modelo a ser seguido está mais para Neymar do que para Zé Roberto.

A reputação é construída por nós em todos os momentos. Nossas ações e omissões forjam o conjunto de características que, aos olhos da sociedade, definem como somos considerados ao se travarem as relações pessoais e profissionais.

Analisar a reputação das pessoas é um meio eficiente de controle social natural, espontâneo e universal porque, em mercados, instituições, corporações, grupos de pessoas, esta avaliação dinâmica favorece a evolução das relações sociais segundo parâmetros definidos pelos seus próprios atores.

Enquanto os jovens não souberem a diferença entre fama (efêmera) e sucesso (perene e que baliza a reputação), a formação e retenção de talentos em nosso futebol serão deturpadas.

No exemplo do futebol chinês, o volume de investimentos realizados também visa acelerar a construção da reputação positiva do mercado e, com isso, estabelecer um ciclo virtuoso e atrativo como destino de negócios.

O futebol brasileiro necessita, também, fortalecer a reputação para além-campo. Mesmo porque isso já vem sofrendo há alguns anos na já exaustivamente mencionada crise técnica por que passamos.

A configuração em verdadeira liga de futebol seria um grande passo para alçar a gestão dos clubes e das competições a um patamar autossustentável e autorregulado.

O endividado futebol nacional – que, se não tomar cuidado, vai ficar ainda mais – deveria fazer uso da credibilidade conquistada dentro de campo para se estruturar profissionalmente fora dele.

“Crédito é mais importante do que dinheiro”, indica o ditado, que se aplica de verdade nas relações pessoais, profissionais e sociais.

Quem tem crédito costuma gozar de ótima reputação. Que, ao fim e ao cabo, é o que importa na vida.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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A análise do modelo de jogo

A competição é o meio ideal para o acompanhamento da evolução do modelo de jogo de uma equipe. Nela é possível analisar o desempenho individual e coletivo em cada um dos momentos do jogo.

Quanto melhores forem as ferramentas de análise, mais precisas serão as informações que o treinador terá em mãos para a elaboração de seu planejamento semanal.

Melhores ferramentas de análise não significam, necessariamente, as com grande poderio tecnológico. Como já foi abordado em outra coluna, é possível estabelecer uma leitura ampliada de uma equipe dispondo somente de um papel e uma caneta. Basta um significativo aprendizado tático do jogo de futebol.

Posto isso, como você analisa sua equipe?

Somente quantifica passes, desarmes, lançamentos e finalizações? Suas ferramentas de análise estão proporcionando informações precisas do seu modelo de jogo?

Já se preocupou em quantificar elementos qualitativos do seu jogar? Na tese do treinador Rodrigo Leitão (2009), podem ser observados alguns comportamentos de jogo que foram analisados ao longo de 18 partidas oficiais de uma equipe sub-17 e que servem como exemplos para uma proposta de análise qualitativa do modelo de jogo.

Os comportamentos analisados pelo treinador foram o de tempo para a recuperação da bola, tempo para a recomposição da equipe ao meio campo, número de chutões da própria equipe, número de chutões do adversário, êxitos na primeira bola, êxitos na segunda bola e zonas de maior incidência de desarmes e de interceptações.

De acordo com o modelo de jogo idealizado, o objetivo era que cada um dos itens apresentasse uma resposta específica ao término das 18 partidas.

Eram elas: redução do tempo de recuperação da posse de bola para valores próximos de cinco segundos; redução do tempo de recomposição à linha 3; diminuição para valores próximos do zero do número de chutões da sua equipe e aumento do número de chutões do adversário; aumento do percentual de êxito nas “primeiras” e “segundas” bolas, visto que ocorreriam com maior frequência em virtude do aumento de chutões dos oponentes e maior incidência de desarmes nas faixas laterais ofensivas e de interceptações no campo de defesa.

Cometerá um equívoco quem, a partir de agora, reproduzir estes elementos qualitativos na análise de suas equipes. Afinal, tais comportamentos fazem sentido às ideias de jogo de Rodrigo Leitão (sintetizadas em sua tese), para a equipe em questão e que podem não ter nenhuma similaridade com as suas (ideias e equipe).

Acertará quem, a partir deste estudo, refletir sobre como adaptá-lo a sua realidade. Com os exemplos citados, fica evidente que elementos não faltam para compor uma boa análise.

Antes de tal avaliação, no entanto, espera-se a definição de um modelo condizente com os princípios de jogo do futebol moderno.

Infelizmente, estes modelos quase não são vistos na atualidade futebolística brasileira. O que vemos, por enquanto, é uma imprensa que enche os espectadores de números que dizem muito pouco sobre uma equipe, comentaristas que analisam fragmentos do jogo e treinadores que se alternam na dança das cadeiras do futebol brasileiro. Pagamos o caro preço dos modelos ultrapassados.

Precisam emergir profissionais que busquem a evolução e lutem pela construção de um jogo que atenda às demandas do futebol competitivo.

Assim, ao invés de observarmos aquele “scout analfabeto” (como já bem afirmou Leitão), poderemos nos deparar com elementos como: o tempo gasto para repor a bola em jogo, o número de invasões à zona de risco, os setores de maior incidência de perda da bola ou o tempo para ultrapassar o meio campo com a equipe em posse.

Como você analisa sua equipe?

Aguardo sua resposta!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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A Associação Portuguesa de Adeptos e os direitos do torcedor como interesse global

Desde o lançamento do livro “Direito do torcedor: A evolução dos direitos do consumidor do esporte” tenho escrito artigos, proferido algumas palestras e participado de programas de televisão e de rádio.

Após cada artigo ou evento, invariavelmente, recebo alguns e-mails de várias partes do Brasil e até do exterior. Tivemos pedidos do livro para países como Portugal, Espanha, Argentina e Inglaterra.

Diante disso, percebe-se, que a necessidade de se assegurar os direitos dos torcedores é um anseio mundial.

Neste esteio, antes, ainda, de lançar o livro, contatei o sr. Costa Pereira, presidente da Associação Portuguesa de Adeptos (http://www.apadeptos.org/), órgão que tem por objetivo proteger os direitos dos torcedores portugueses.

A APA tem atuado de maneira extremamente incisiva e efetiva no estabelecimento de direitos aos torcedores portugueses.

A fim de atender aos interesses dos consumidores de eventos esportivos de Portugal, a associação pretende, nos termos da Constituição portuguesa, enviar à Assembleia Portuguesa uma petição solicitando a criação da Lei de Proteção ao Torcedor.

Algo semelhante com a “Iniciativa Popular” prevista na Constituição brasileira, sem, no entanto, a necessidade do recolhimento de cerca de dois milhões de assinaturas.

O fundamento para a referida petição está no artigo 52 da Constituição portuguesa:

Artigo 52.º (Direito de petição e direito de ação popular)

1. Todos os cidadãos têm o direito de apresentar, individual ou coletivamente, aos órgãos de soberania, aos órgãos de governo próprio das regiões autônomas ou a quaisquer autoridades petições, representações, reclamações ou queixas para defesa dos seus direitos, da Constituição, das leis ou do interesse geral e, bem assim, o direito de serem informados, em prazo razoável, sobre o resultado da respectiva apreciação.

2. A lei fixa as condições em que as petições apresentadas coletivamente à Assembleia da República e às Assembleias Legislativas das regiões autônomas são apreciadas em reunião plenária.

3. É conferido a todos, pessoalmente ou através de associações de defesa dos interesses em causa, o direito de ação popular nos casos e termos previstos na lei, incluindo o direito de requerer para o lesado ou lesados a correspondente indenização, nomeadamente para:

a) Promover a prevenção, a cessação ou a perseguição judicial das infrações contra a saúde pública, os direitos dos consumidores, a qualidade de vida e a preservação do ambiente e do património cultural;

b) Assegurar a defesa dos bens do Estado, das regiões autônomas e das autarquias locais.

Dessa forma, constata-se que o Estatuto do Torcedor é uma lei moderna e que pode servir de base para outras legislações.

Ou seja, cabe ao cidadão brasileiro lançar mão da ferramenta legal que possui para assegurar seus direitos, eis que possui uma das melhores legislações do mundo. Basta aplicá-la.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Os preparativos paulistas para a Copa 2014

O Brasil já vive a Copa do Mundo de 2014 e a organização do país nos preparativos para recepção das delegações está em ritmo acelerado.

Os estados que receberão partidas oficiais do Mundial estão concentrados e trabalhando para promover benfeitorias em suas infraestruturas esportivas, com o objetivo de construir e reformar centros de treinamento para receber as delegações para o evento.

O Estado de São Paulo é um dos grandes exemplos de como este proceso já está em andamento.

O governo paulista criou uma linha de crédito de R$ 300 milhões, através de um dos fundos do Desenvolve SP (Agência de Fomento estadual), para financiar projetos de hotéis, pousadas e centros de treinamento privados e públicos nas cidades que se candidataram a CTs – Centros de Treinamento de seleções.

Portanto, acredito que esta seja uma importante iniciativa, em função da organização de um megaevento esportivo, que contribui para deixar um legado de infraestrutura para as cidades e para o estado.

 

*Victor Lima é graduado em Ciência do Esporte pela UEL, e MBA em Gestão e Marketing Esportivo pela Trevisan Escola Superior de Negócios. Atualmente, é Co-Líder do Núcleo Futebol na BSB – Brunoro Sport Business.

Ele irá substituir Geraldo Campestrini nas próximas duas semanas na Universidade do Futebol, em virtude das férias do colunista.

 

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Mudando o ritmo…

Olá, pessoal! Hoje escrevo para anunciar uma mudança. Como tudo na vida são ciclos e momentos, nosso convívio aqui neste espaço também está sujeito a isso.

Estou deixando as colunas semanais de terças-feiras. Mas não é um adeus, um tipo de vou embora, um até mais ver daqueles que a gente some. Não.

Apenas estarei assinando textos mensais neste espaço, esperando contar com os inúmeros amigos que tanto debateram, criticaram e sugeriram ao longo desse período semanalmente (às vezes por forças maiores não) nesta nova periodicidade.

Certos de que continuarei com aquilo que prezo na busca de transmitir da melhor forma possível um conteúdo ou tema para discussão, pautado em fontes confiáveis, reflexões aprofundadas e balizadas com teor cientifico, com relatos de experiências, às vezes um pouco de humor, de imaginação, enfim, de diversas maneiras a tratar temas tão significativos para o profissional que atua no futebol.

Confesso que em julho de 2008 quando aceitei o desafio de semanalmente achei que seria difícil, mas não tinha noção de quão recompensador seria ao possibilitar tratar de tantos temas com diferentes pessoas, com opiniões e experiências variadas, que só tiveram a acrescentar na minha atuação profissional.

Creio que foram mais de 150 textos, alguns gostei mais e que as pessoas não acharam bom. Outros que particularmente não gostei, mas as pessoas consideraram um texto importante.

Enfim, o que vale é que tentei estimular sempre o debate e reflexão chamando atenção para um tema que é cada vez mais presente no cenário, a tecnologia no futebol.

Agora é caprichar para que, nos nossos encontros mensais, eu continue com a confiança de sua leitura e com a certeza de nossos debates via email, redes sociais e no próprio espaço da coluna, como por alguma vezes fizemos.

Até a próxima coluna, agora por mês.

Um abraço!

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br 

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O tempo de jogo e a formação do elenco

A formação de uma equipe para a disputa de uma competição ou temporada basicamente é feita da seguinte maneira:

• Detecção dos atletas remanescentes da temporada anterior;
• Promoção de atletas das categorias de base do clube;
• Contratações diversas (de jogadores de “peso”, de carências, de indicados por empresários, de indicados pela comissão ou de indicados pela diretoria).

Com o elenco formado, a expectativa administrativa é que a relação custo x benefício obtida para cada atleta seja favorável. Um controle de competição que pode servir como uma ferramenta para o desenvolvimento da referida relação é o Controle de Tempo de Jogo.

Nele, o departamento administrativo do clube tem dados interessantes para cruzar com as demais informações de cada jogador e, dessa forma, ser mais assertivo em decisões futuras relativas à formação do elenco.

No Controle de Tempo de Jogo, diversas classificações podem ser feitas por quem gerencia a planilha. Como sugestão, quatro classificações são estabelecidas de acordo com o percentual jogado referente ao tempo total da competição. São elas:

• De 0% a 25% – Participação pequena;
• De 25% a 50% – Participação média;
• De 50% a 75% – Participação alta;
• Acima de 75% – Participação muito alta.

No clube que trabalho atualmente, mais de 76% da competição já foi disputada, o que permite uma análise prévia dos dados. Dos 32 integrantes do elenco, a quantidade de atletas para cada uma das classificações segue indicada abaixo:

• Participação pequena – 15 atletas (46,8%);
• Participação média – 8 atletas (25%);
• Participação alta – 4 atletas (12,5%);
• Participação muito alta – 5 atletas (15,6%).

Para efeito de comparação, abaixo os dados de uma equipe sub-17 no ano 2011, com 34 atletas:

• Participação pequena – 19 atletas (55,8%);
• Participação média – 4 atletas (11,7%);
• Participação alta – 5 atletas (14,7%);
• Participação muito alta – 6 atletas (17,6%).

Como último exemplo, o Controle do Tempo de Jogo de uma equipe sub-15 no ano de 2010, com 29 atletas:

• Participação pequena – 15 atletas (51,7%);
• Participação média – 1 atleta (3,4%);
• Participação alta – 7 atletas (24,1%);
• Participação muito alta – 6 atletas (20,6%).

Estes dados interpretados isoladamente possibilitam algumas análises. Entre elas, que grande parte do elenco tem uma atuação inferior a ¼ da competição. Dado pobre se não for cruzado com outras informações.

Então, para um cruzamento que proporcione informações importantes à diretoria, mais uma sugestão é apresentada: a partir da quantidade de jogadores para cada classificação do Tempo de Jogo, a definição técnico-administrativa da expectativa de desempenho para cada atleta. Voltando para o elenco profissional que trabalho, na quarta divisão do futebol paulista (sub-23 com limite de três jogadores acima dos 23 anos, por jogo), os dados técnicos são os seguintes:

Dos 15 atletas com pequena participação:

• Oito atletas têm entre 18 e 19 anos e era sabido que o tempo de participação na competição seria bem reduzido. Desses oito atletas, cinco não atuaram, dois atuaram tempos insignificantes e um atuou por 262 minutos;
• Três atletas têm 20 anos, ou seja, idade de juniores. Desses, dois atletas têm potencial e estão se adaptando a filosofia de trabalho e um atleta operou de uma lesão crônica;
• Três atletas têm 21 anos. Com esta idade, podem jogar por mais dois anos esta divisão. Dos três atletas, dois são reservas imediatos de jogadores de linha que, hoje, compõem a “espinha dorsal do elenco” (cinco atletas com participação muito alta) e um é reserva imediato do goleiro. Os três atletas já atuaram por 297, 485 e 370 minutos;
• Um atleta tem 26 anos. Atleta acima da idade limite e contratado ao longo da competição para suprir uma carência da equipe. Há 11 jogos na competição, desde que foi contratado atuou por 401 minutos.

Dos oito atletas com participação média:

• Cinco atletas têm 20 anos. Desses, esperava-se maior atuação de um atleta, porém, por não ter se adaptado ao Modelo de Jogo perdeu a condição de titular. Dois são titulares atualmente e ganharam a posição ao longo da competição e os outros dois são reservas imediatos (um já foi titular) de um das meias e de um dos zagueiros. Dois atletas tem grande potencial de negociação, ou então, de ser parte da “espinha dorsal” na competição da próxima temporada;
• Dois atletas têm 21 anos. Atletas que sabidamente seriam suplentes. Atualmente, um deles tem condição de brigar pela titularidade. Conforme mencionado, ainda podem jogar por mais dois anos essa divisão;
• Um atleta com 39 anos. Atleta de prestígio local e próximo de encerrar a carreira no clube em que foi projetado para o cenário nacional. Está fazendo sua última temporada e, pela idade elevada, era sabido que seu tempo de atuação seria reduzido. Atuou por 630 minutos.

Dos quatro atletas com participação alta:

• Dois atletas têm 20 anos e ambos possuem grande potencial de negociação. O percentual de participação de um está bem próximo da classificação “muito alta”. O outro atingiu a condição de titular na 8ª rodada e é o artilheiro da equipe;
• Um atleta tem 21 anos e também possui grande potencial de negociação. Por opção tática tem sido frequentemente substituído, o que o exclui do grupo com maior participação;
• Um atleta de 23 anos. Idade limite para jogar a competição e sua permanência está diretamente relacionada ao acesso. Como estava disputando outra competição, assumiu a titularidade quando chegou, após a 5ª rodada.

E, para finalizar, dos cinco atletas com participação muito alta:

• Quatro atletas têm 21anos. Desses, um tem grande potencial de negociação e os outros três podem compor a equipe base da temporada seguinte. Esperava-se a regularidade de desempenho destes atletas;
• Um atleta tem 23 anos. Joga esta competição como titular pelo 4º ano consecutivo (2009-2012), é o capitão da equipe e também era esperada esta regularidade. Sua permanência, porém, também está relacionada ao acesso à série A-3.

Como pode ser observado, somente alguns detalhes escaparam do planejamento inicialmente traçado. Resumidamente, da grande parte do elenco que não tem atuado, muitos são jovens com períodos de 2 a 5 anos para jogarem somente essa divisão caso o acesso não ocorra em 2012. Além disso, mesmo os jogadores titulares (salvo os atletas em idade-limite) poderão jogar esta divisão nas próximas temporadas. Sem contar o bom número de atletas do elenco com potencial de negociação.

Enfim, como tudo no futebol, a formação de um elenco é complexa e exige um bom número de decisões acertadas para ser mais uma das variáveis que apontam a favor do resultado positivo. É uma pena que muitas vezes essas decisões são banalizadas por “achismos”, opiniões sem embasamento e falta de critérios.

Os resultados desses equívocos todos nós sabemos: elencos “inchados”, caros, péssima relação custo x benefício para muitos jogadores em virtude dos altos salários para pouco tempo de atuação e, consequentemente, a mazela que atinge a grande maioria dos clubes brasileiros: as dívidas trabalhistas.

Parafraseando o executivo Ferran Soriano, ex-FC Barcelona e recém-contratado pelo Manchester City:  “a bola não entra por acaso”…

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A tragédia de Hillsborough: lição dos ingleses para o mundo

Nesta semana, o governo inglês divulgou relatórios oficiais referentes à tragédia ocorrida em 15 de abril de 1989, em Hillsborough, em uma partida entre Liverpool e Notthingham Forest e que culminou com a morte de 96 pessoas esmagadas e pisoteadas.

Os documentos apontam que uma série de erros operacionais contribuiu para a extensão e gravidade da tragédia. Houve tentativas de se colocar a culpa nos torcedores e esta transferência de responsabilidades tornou os espectadores extremamente vulneráveis.

Ademais, a polícia inglesa perdeu o controle da situação e demorou a perceber e compreender que o desespero das pessoas que forçaram as grades da beira do campo se dava porque estavam sendo esmagadas e protegiam as suas vidas. Apesar disso, parte da polícia, ao invés de auxiliar os torcedores, formou um cordão de isolamento no meio do campo.

O estopim do tumulto se deu porque os torcedores do Liverpool com ingressos comprados não conseguiram entrar no estádio e, com o início da partida, houve empurra-empurra do lado de fora e um dos portões foi aberto.

Neste momento, a multidão dirigiu-se à ala central onde não havia mais lugares (deveria ter sido conduzida às laterais) e os torcedores que estavam junto ao alambrado foram esmagados.

A referida tragédia levou as autoridades inglesas a darem maior atenção à segurança nos estádios de futebol. Assim, empreendeu-se então uma verdadeira cruzada para a solução do problema.

Em 1990, um inquérito oficial do governo, o relatório Taylor, determinou grandes transformações nos estádios daquele país. Por causa desse relatório e dos efeitos da tragédia, os estádios ingleses eliminaram as “gerais”, onde os torcedores ficavam de pé.

A partir dos anos 90, todos os campos da Inglaterra passaram a ter apenas cadeiras numeradas. As grades foram removidas e os torcedores voltaram a acompanhar as partidas sem qualquer separação para o gramado.

Os torcedores arruaceiros passaram a ser severamente punidos. Os preços dos ingressos subiram e as catracas e portões receberam dispositivos de segurança.

Câmeras de vídeo foram instaladas em todas as arquibancadas, com monitoramento permanente pela polícia. Houve reforma ( e até reconstrução) dos estádios, que se tornaram mais seguros e confortáveis.

As intervenções surtiram efeito no controle da violência e no resultado desportivo e financeiro dos clubes ingleses que, organizados em uma liga independente, assumiram o comando de seus campeonatos. Renegociaram os direitos de televisão e ganharam muito dinheiro.

Diante do exposto, os ingleses utilizaram a tragédia como mote para reestruturar seu futebol e torná-lo um dos mais seguros e rentáveis do mundo, dando aos demais países uma lição de superação, organização e competência.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Futebol de várzea

O futebol, no Brasil, surgiu com o futebol de várzea, quando os campos ainda não eram regulamentados nem tinham algumas regras, como escanteio ou tiro de meta. Jogado geralmente em terra batida, eles se localizavam às margens do rio Tietê, por isso campo de várzea.

Foi a origem de muitos clubes famosos hoje e, é importante para a história e para a essência do futebol atual, saber do passado do futebol brasileiro e manter suas peculiaridades.

Hoje, o campo de terra batida está sendo extinto e substituído pelo futebol society e por gramas sintéticas. Não sou contra este tipo de equipamento, mas é legal manter um pouco da história, um pouco de tradição.

Quase todos os campos pensam em desenvolvimento tentando buscar esse futebol mais industrializado. Os campos de grama artificial, padronizados, tiram um pouco o espírito de raça e determinação que formam o caráter de muitos jogadores de periferia – local onde hoje está a maioria dos campos de terra.

O futebol de várzea é repleto de particularidades, de identidade, originalidade e cada um da sua forma, conforme seu terreno, suas condições financeiras e conforme a personalidade do time que joga ali.

Podemos imaginar vários tipos de bolas, marcações, campos, uniformes (com camisa e sem camisa, por exemplo), traves.

Surgiu disso, por exemplo, o Estrelas da Várzea, um estudo que busca ver formas engraçadas e particulares desses campos, com formatos extremamente fora dos padrões e medidas convencionais (retângulos de 90m-120m por 45m-90m), projeto do jornalista José Ricardo Yoshiga Souza.

Acima, campo no bairro Capão Redondo, em São Paulo, onde o sentido do campo, além de ter medidas bem menores, ainda tem o sentido do retângulo invertido, com as traves dispostas nas laterais maiores. Abaixo, campo no encontro da avenida Radial Leste com a avenida Aricanduva, onde um dos escanteios é modificado por conta da via existente.

Sempre considerei fundamental registrar e levantar dados de como era a estrutura do futebol antigamente e não somente falar sobre os estádios contemporâneos e mega arenas tecnológicas.

São estudos como este que me alimentam a vontade de iniciar uma pesquisa mais a fundo a respeito da história e das relações desse futebol com a formação do brasileiro e com influências sociais.

O projeto Estrelas da Várzea tem página no Facebook, no qual cada um pode indicar campos com formas e soluções bizarras e inusitadas. Visite a galeria.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

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O investimento planejado no esporte: uma visão a longo prazo

O esporte é considerado uma plataforma completa de comunicação e interatividade. Comunica entretendo, a emoção é sua matéria-prima, e sua imprevisibilidade cria um ambiente de expectativas/emoções em torno da competição, prova e/ou partida a ser disputada. Ou seja, o esporte é um atalho para a marca na construção do pilar emocional.

Os objetivos do patrocínio esportivo permeiam desde a simples visibilidade e transmissão de valores, até o alcance de novos mercados, relacionamento, responsabilidade social, endomarketing, pesquisa e desenvolvimento, entre outros. Desta forma, a empresa que deseja investir no esporte precisa, antes de tudo, ter os objetivos bem claros em uma visão a longo prazo.

Com os objetivos assim definidos, é necessário selecionar as propriedades esportivas que tenham associação com o DNA da marca e, posteriormente, criar um planejamento de marketing integrado a longo prazo. Construir a imagem da marca no esporte requer atitudes consistentes, adequação da mensagem e, sobretudo, continuidade.

Os principais pilares para o investimento saudável no esporte são:

•Diagnóstico da Marca
•Plano de Ação (Estratégico e Tático)
•Ativação/Implementação
•Mensuração/Acompanhamento dos Resultados

Em uma ação de patrocínio esporte, mais do que a empresa se comunicar como patrocinadora, é necessário usar as ações para reforçar os valores da marca. É preciso criar uma associação verdadeira com o DNA da marca que seja ao mesmo tempo relevante para o consumidor/público-alvo, sempre pensando no legado deixado pela marca.

Por fim, é extremamente importante monitorar os resultados e mensurar o retorno de todas as ações executadas do planejamento de marketing esportivo para, eventualmente, melhor direcionar e orientar as ações.

*Victor Lima é graduado em Ciência do Esporte pela UEL, e MBA em Gestão e Marketing Esportivo pela Trevisan Escola Superior de Negócios. Atualmente, é Co-Líder do Núcleo Futebol na BSB – Brunoro Sport Business.

Ele irá substituir Geraldo Campestrini nas próximas duas semanas na Universidade do Futebol, em virtude das férias do colunista.
 

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Formação de jogadores de futebol: as ações e as consequências

Recentemente estive com um treinador de categorias de base de um clube argentino. Ele passou 15 dias no Brasil acompanhando jogos e treinos de categorias menores, desde o sub-11 até o sub-20.

Ele considerou muito proveitosa a experiência e falou-me um pouco sobre o trabalho que realizava na Argentina.

Em uma das conversas, apontou-me algo sobre a dinâmica de jogo, que (segundo ele) caracterizava bem a diferença do futebol praticado em seu país (pelos jogadores em formação) e do praticado pelos jovens jogadores no Brasil.

O que mais lhe chamou a atenção foi o fato de que, enquanto na Argentina, as equipes procuravam circular mais a bola, até encontrar situações de 2 vs 1 ofensivo, no Brasil, jogadores desfilavam um jogo de progressão ao ataque quase que constante, buscando invariavelmente situações de 1 vs 1.

Pois bem.

É de certa forma aceitável dizer que, tanto ao senso comum quanto aos profissionais especializados em futebol, o “talento individual” dos jogadores (chavão futebolístico) é o que decide os jogos.

Eu não quero, aqui, discordar. Não, não é o caso. O que pretendo é chamar a atenção para o fato de que há implicações importantes para o processo (principalmente para o final dele), que estão diretamente relacionadas com o tipo de dinâmica de jogo, propostas para (e por) equipes e jogadores nas categorias de base.

Em outras palavras, estou dizendo que um jogo de progressão ao ataque, com busca pelo 1 vs 1, ao longo dos anos, formará jogadores adaptados a responder de determinada maneira aos problemas que venham surgir no jogo.

Essa maneira, é um resultado final diferente daquele encontrado, após anos de jogo de circulação de posse da bola na busca de situações de 2 vs 1 ofensivo.

Quais serão as respostas finais mais particulares aos jogadores imersos nesta, ou naquela dinâmica, é difícil saber com exatidão.

O fato é que precisamos entender quais as implicações para a formação de um jogador que vai se tornar profissional, de determinada organização, modelo, filosofia ou cultura de jogo.

E se o “talento individual” resolve jogos, poderá ele, estar a se referir, por exemplo, a habilidade de um jogador de individualmente, “partir para dentro”, driblar e resolver o problema do jogo (fazer o gol); ou poderá, talvez, remeter-nos à ideia de que se refere a sua excepcional leitura de jogo para conseguir colocar seu companheiro de time em uma condição altamente favorável (por exemplo de 2 vs 1 ofensivo).

Independente do que seja o “talento individual que decide o jogo”, se não entendermos bem qual tipo de jogador queremos formar e qual a identidade do nosso brasileiro futebol, como poderemos propor dinâmicas de treino e de jogo que sejam favoráveis para isso no curto, no médio e no longo prazo?

Olhemos, por exemplo, para o basquetebol. Enquanto por anos o mundo jogava um jogo de marcação à zona, o que fazia a NBA (Associação Nacional de Basquetebol dos Estados Unidos)?
A NBA exigia, de maneira regulamentada, marcação individual. E o que isso trouxe para a dinâmica de jogo e para as ações dos jogadores?

Ofensivamente, trouxe desmarques, fintas espetaculares, dribles de corpo e belas “enterradas”. Defensivamente, ataques agressivos a bola e “tocos”.

O basquete jogado nos EUA desenhou-se então de maneira bem diferente daquele praticado pelos outros países no mundo (e da mesma forma aconteceu com o tipo de jogador presente nas equipes norte-americanas).

No futebol de base no Brasil, por alguns anos, a grande “moda” foi o jogo dos chutões. Depois, os “chutões” no 1-3-5-2. Mais à frente a marcação à zona, e mais recentemente as linhas de 4 (com o 1-4-2-3-1 prevalecendo).

Nada contra qualquer uma das “modas”.

Mais uma vez saliento que precisamos entender as implicações finais daquilo que hoje é proposto na dinâmica (na organização, no modelo, na filosofia, etc.) de jogo, para a formação do jogador que queremos ter representando o futebol brasileiro (nas equipes profissionais e consequentemente na seleção nacional).

“Planejar errado, é planejar o fracasso” (José Mourinho).

O “processo” é um caminho que, se for errado, nos faz, mesmo andando para frente, ficarmos mais distantes do horizonte almejado.

Desconhecer a força resultante de nossas ações é fortalecer a inércia!

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br