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F-1, futebol e atualização tecnológica

“Nada funciona direito se não fizermos realmente funcionar “
(Dirt Wolker)
Olá amigos. Tivemos na outra semana um acontecimento que pode muitas vezes servir de justificativa para aqueles que são críticos de carteirinha da tecnologia. Mas, tal fato pode nos mostrar, também, mais uma afirmação da importância que devemos dar a atualização do profissional do envolvido com o esporte.

Estamos nos referindo ao episódio da F-1 que aconteceu com Felipe Massa. A equipe Ferrari, sinônimo de prestígio e modernidade, utilizava um aparato eletrônico no lugar do “bom e velho pirulito” (aquela placa que um dos mecânicos segura na frente do carro para indicar o momento de mudar o  giro do motor e sair do pit stop). Eis que o responsável pelo “pirulito” e que estava agora no controle do botão para acionar a luz verde errou e deu o sinal antes do tempo.

Ah! Isso é culpa da Tecnologia!!!!!!! Se fosse o “pirulito” ele o abaixaria e logo em seguida o piloto cessaria. Com o sinal luminoso, isso não foi possível.

Com certeza essa foi a opinião predominante para o restante do domingo, somadas ainda a crucificação do mecânico responsável que, com o passar do momento, foi “absolvido” pela cúpula e pelo próprio piloto brasileiro. Sorte que tal mecânico não é técnico nem jogador de futebol no Brasil. Porque senão…

A questão é bem evidente e explícita no caso, o erro humano. A tecnologia vem para otimizar os processos, mas como já comentamos ela é desenvolvida por nós humanos e para nós mesmos.

Falta de preparo? Falta de capacitação? Será? Causa-nos estranheza essas dúvidas em meio a esse ambiente da F-1, tão marcado pelos avanços tecnológicos e pela precisão necessária. Mas o fato é que os erros podem acontecer como já aconteceram com o próprio mecânico quando do uso do “pirulito” com o então piloto Michael Schumacher.

Isso nos remete a uma questão que deve ser bem esclarecida: tecnologia não é sinônimo de perfeição, e sim de otimização, de aperfeiçoamento e melhoria para atingir os objetivos de forma mais eficaz. E como tal, requer uma atualização constante dos envolvidos. Uma atualização que vai desde a ambientação e o desenvolvimento de “intimidade” com os recursos até a transição necessária para a intervenção prática.

Outro fator que é muito comum no esporte é a falta de percepção naquilo que é determinante, ou poderíamos em alguns casos (no futebol temos muitos) dizer que há um receio de reconhecer a contribuição de um elemento tecnológico para seu desempenho.

Num evento da FIA ( Federação Internacional de Automobilismo) foi feita uma pergunta ao piloto italiano Jarno Trulli sobre como a tecnologia melhorava o dia-a-dia dele como piloto de F-1. O piloto numa ilustração perfeita do que dissemos no parágrafo anterior respondeu que como qualquer pessoa utilizava a tecnologia para se divertir, ouvindo ipod, vendo filmes de DVDs, etc.

Oras, num meio imerso profundamente em tecnologia como é a F-1, um piloto que tem incontáveis contribuições dos recursos e aparatos tecnológicos para com o seu desempenho, classifica o uso de um mp3 player como fator importante para ação de pilotar. Não que isso não traga contribuições, sobretudo nas questões de relaxamento e concentração, haja visto que já apareceram alguns críticos tentando classificar o uso do walkman de Michael Phelps na natação em Pequim como doping psicológico, mas isso são outros quinhentos.

A tecnologia não é a salvadora da pátria (bem que o Vasco da Gama gostaria) mas ela é, sobretudo, a capacidade de aplicação e utilização por parte dos profissionais, que devem, cada vez mais, dar abertura a essas possibilidades, sobretudo, capacitando-se e ajudando a desenvolver outras inovações.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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A mídia como parceira

Nas duas últimas semanas, você provavelmente ouviu algo sobre o lançamento do Museu do Futebol, na cidade de São Paulo. Primeiro grande museu temático da maior paixão do país, o início das atividades do espaço foi uma das mais maciças divulgações de mídia que o esporte assistiu nos últimos tempos.

Mas de onde será que surgiu tanta vontade assim para falar do lançamento?

Primeiro de tudo é um grande barato termos um espaço que sintetize o fenômeno que é o futebol no Brasil. Depois, a obra é uma das mais modernas que já se viu no país, completamente antenada com os recursos visuais que temos na atualidade. E, por fim, o projeto é capitaneado por uma empresa de mídia.

Sim, porque foi a Fundação Roberto Marinho quem bancou boa parte dos R$ 37 milhões que foram gastos para construir o museu. E, por isso mesmo, as Organizações Globo decidiram usar toda a sua força de mídia de massa para promover o Museu do Futebol.

Matérias nos seus veículos de mídia impressa e internet e, principalmente, ancoragem de programas nos mais variados canais do grupo integraram um pacote completo de promoção e divulgação do museu que fez com que todo o país soubesse que, no último dia 1º, o Museu do Futebol começaria a funcionar no estádio do Pacaembu.

Com a Globo puxando a fila, todos os outros veículos foram atrás da cobertura da inauguração do museu. Sim, porque a força da Globo impulsiona a cobertura de diversos outros veículos. Por isso mesmo, apesar de sua abertura ter sido na quarta-feira, o espaço contou com a presença de diversos visitantes. E como soubemos disso? Também pela imprensa…

A inauguração do Museu do Futebol pode ser usada como exemplo em aulas de marketing esportivo de como deve ser pensado um evento em conjunto com a mídia. Para que algo tenha sucesso de público, é preciso a divulgação pelos veículos. E aí está o grande gargalo que o esporte tem: como conseguir essa divulgação?

O caso do Museu do Futebol mostra que, para a mídia, o esporte tem de ser um produto, em que haja comprometimento do veículo em divulgá-lo porque isso gera benefício também a ele. E, além disso, é preciso ter conteúdo, para reforçar a cobertura jornalística em torno dele.

Por conteúdo entenda-se um bom jogo, uma boa disputa, emocionante. Por parceria, podemos dizer que é preciso fazer da mídia parte do negócio, mostrando os benefícios de aumento de audiência e, conseqüentemente, de anunciantes que ela pode ter com um evento.

O vôlei construiu sua história mais ou menos desse jeito. O futsal caminha para alguma coisa parecida. Nos anos 20, o futebol só decolou no Brasil a partir da junção com a mídia, que começava a dedicar páginas e mais páginas nos jornais para a modalidade, transformando-se nesse grande fenômeno de comunicação que é hoje.

Se o esporte começar a tratar a mídia como uma parceira cada vez maior para os seus produtos, o crescimento poderá ser ainda maior. Resta entender-se como produto e entender qual a função que a mídia tem nessa história. E aí é que está a dificuldade…

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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Pra frente Brasil!

Há 12 anos, após um dos muitos gols do selecionado brasileiro na Copa do México (aquela do tri), o então radiante Presidente Emílio Garrastazú Médici, plagiando o nosso D. Pedro I, saltou de sua poltrona, sob os olhares assustados de seus secretários, e lá do Palácio das Alvoradas, bradou: Ninguém segura mais este país.

 

Acredito não haver necessidade de lembrar a todos o significado do governo Médici para a história sócio-política brasileira… E mais do que nunca, a partir daquela época passou-se a crer que o futebol poderia, de fato, servir como válvula de escape ou até mesmo como anestésico para uma nação à procura de sua identidade e de seu futuro.

 

E assim foi. Não só o futebol, mas todo o desporto, em diversos momentos da vida social brasileira, tem servido como agente de controle de conflitos sociais, canalizando para si tensões que certamente explodiriam contra aqueles que possuem o interesse de manter e reproduzir o atual estado de coisas. Para muitos, a culpa era do futebol em particular, ou até mesmo do desporto como um todo, agente de alienação popular…

 

Mas de lá para cá esse mesmo povo começou a dar mostras de que tudo poderia ser diferente. As Associações de Bairros, as Comunidades Eclesiais de Base, os Movimentos estudantis começaram a ganhar corpo. Em 1978, às vésperas da cerimônia de abertura de mais outra versão da Copa do Mundo, eclodiu no ar, lá pelos arredores de São Bernardo do Campo, um grito uníssono.

 

Seria Gil, nosso ponta direita? Teria sido Rivelino, liberado pelo departamento médico? Não, não era mais nada disso. Simplesmente os ferramenteiros da Saab-Scania, em greve já fazia algum tempo, recebiam a notícia de que também os trabalhadores da Ford tinham aderido ao movimento grevista.

        

Parece importante fixar todos esses momentos, não porque ingenuamente devamos acreditar que, enfim, chegou a hora em que a Copa do Mundo possa vir a ser considerada, apenas, uma disputa esportiva, e não uma questão de honra e afirmações nacionais a fomentar as emoções de todos os brasileiros durante todos os minutos de todos os dias em que ela se desenvolver, ou ainda durante todas as semanas imediatamente seguintes (quem sabe, até novembro) caso a seleção tenha sucesso.

 

A importância está na constância cada vez maior de momentos iguais ou semelhantes àquele mencionado. A cada instante a sociedade se volta para o debate de mais um tema. É como se, enfim, o gigante adormecido começasse a despertar.

 

E com essa impressão, o medo de torcer para “o” (e não “um”) Brasil campeão esvai-se na certeza de que esses momentos de alegria não mais abafarão o acordar do povo brasileiro.

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br

*Lino Castellani Filho é Doutor em Educação, docente da Faculdade de Educação Física/Unicamp, pesquisador-líder do “Observatório do Esporte” – Observatório de Políticas de Educação Física, Esporte e Lazer – CNPq/Unicamp, e foi Presidente do CBCE (1999/2003) e Secretário Nacional de Desenvolvimento do Esporte e do Lazer/Ministério do Esporte (2003/06).



[1] Publicado no periódico Panfleto, do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Maranhão, UFMA. São Luis, MA, Julho de 1982. 

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Linhas verticais de marcação; princípios operacionais de ataque e de defesa; e as coisas que Claude Bayer não escreveu

Em uma de suas obras mais importantes, o francês Claude Bayer, propôs um olhar sobre os jogos esportivos coletivos através de princípios operacionais de defesa e princípios operacionais de ataque.

Para cada um deles (defesa e ataque) apontou três princípios orientadores de estratégias para cumprimento das ações defensivas e das ações ofensivas.

Segundo Bayer, os princípios de defesa seriam:

a)     Recuperar a posse da bola;

b)     Impedir a progressão do adversário (ao alvo ou terreno de ataque);

c)     Proteger o alvo de arremates e penetrações.

E os de ataque:

a)     Manter a posse da bola;

b)     Progredir em direção ao alvo;

c)     Finalização da jogada (ao alvo).

Em termos práticos, especificamente pensando em futebol (ainda que aspectos que discutiremos também se apliquem a outros jogos desportivos coletivos), os princípios operacionais de defesa e ataque compõem a dimensão organizacional do jogo. Isso quer dizer que as ações individuais e coletivas de uma equipe respeitam de forma predominante orientações que são regidas por esses princípios.

Então, o processo ofensivo de uma equipe de futebol em um jogo pode em geral estar associado (predominantemente) a um ou mais dos três princípios operacionais de jogo (o mesmo vale para o sistema defensivo).

Em outras palavras, uma equipe pode ter como estratégia dominante impedir a progressão ao seu alvo defensivo (quando se defende), deixando em segundo plano a recuperação da posse da bola ou a proteção do alvo. Dependendo do princípio operacional de ataque “dominante” da equipe adversária, impedir a progressão pode ou não ser vantajoso.

No jogo de futebol o êxito de uma equipe tem boa relação com a sua capacidade (da equipe) de alternar princípios operacionais “dominantes” de ataque e defesa, ajustando-os de acordo com as necessidades da partida e fragilidades do adversário, sem abandonar seu modelo de jogo.

Há porém uma lacuna deixada por Bayer (não aproveitada em maciça maioria), e que no futebol pode definir novas estratégias para o modelo de jogo e êxito no próprio jogo.

Na proposta do francês os princípios são na verdade “macro-princípios” orientadores das estratégias da equipe que “dominam e determinam” de forma geral as ações da equipe, mas que não interage integralmente com outras dimensões do jogo em sua plenitude (dimensões tempo, espaço, tarefa) e que por não apresentar flexibilidade acabar por engessar o pensamento tático-organizacional sobre o jogo.

Como exemplo façamos uma reflexão a respeito das linhas horizontais de marcação.

Não é incomum que tenhamos em uma equipe de futebol estratégias de marcação orientadas pelas linhas “1, 2, 3, 4 ou 5” (horizontais e virtuais). Então em situações e momentos específicos do jogo treinadores podem optar (por exemplo) por iniciar o combate ou tentativa de roubar a bola a partir das linhas 3 ou 4, ou pressionar alto a partir da linha 1.

De forma mais requintada pode definir que seu princípio operacional de defesa (dominante) seja “impedir a progressão ao alvo”, e que isso ocorra a partir da linha 2.

Pode por exemplo, utilizar a mesma linha de referência (a linha 2) mas definir como princípio operacional de defesa “recuperar a posse da
bola”.

E é aí que as lacunas começam a aparecer. Se já parece óbvio que (na perspectiva da orientação horizontal do campo de jogo) é possível estabelecer princípios operacionais de defesa (o mesmo vale para os princípios de ataque) diferentes tendo como referência as linhas de marcação (exemplo: na linha 2 = recuperar a posse da bola; nas linhas 3 e 4 = impedir progressão; na linha 5 = recuperar a posse da bola) imaginemos o que não é possível ao considerarmos as linhas verticais ou as faixas laterais, ou ainda uma composição entre referências horizontais e verticais.

O que quero dizer é que ao invés de tomarmos os princípios operacionais de ataque e defesa como princípios de orientação geral na ação dentro do campo de jogo, deveríamos entendê-los como “princípios de orientação regional” (de ataque e defesa) a partir de sua interação com o que eu chamaria de “referências operacionais” do jogo de futebol.

Então, a proposta é que transcendamos a idéia de princípios operacionais de ataque e defesa e alcancemos um entendimento fractal a partir de referências operacionais dentro do jogo.

Em outras palavras não mais pensemos em princípios operacionais de ataque e defesa, e ponto. Busquemos o entendimento, dentro do modelo de jogo, de como organizar princípios a partir de referências do próprio jogo (sejam elas da dimensão tempo, da dimensão espaço o da dimensão tarefa).

Busquemos por exemplo recuperar a posse da bola na linha 1 independente de qual linha vertical esteja ocorrendo a ação adversária; mas se ele alcançar a linha 3, que o princípio de defesa seja recuperar a bola somente quando o adversário atingir a linha “B”; e que enquanto estiver na “A” que apenas impeçamos a progressão ao alvo (progressão ao alvo?progressão ao campo de ataque) – em outras palavras busquemos estabelecer princípios que podem ou não ser diferentes a partir das referências verticais e/ou horizontais.

Mas se a referência não for a dimensão espaço e sim tempo ou tarefa (e/ou todas ao mesmo tempo; COMPLEXIDADE!), que a mesma interação possa ocorrer.

O jogo, assim como a vida é um fenômeno complexo. Os princípios (de ataque, de defesa, do jogo, da vida) também. Então, ou conheçamos e entendamos a complexidade; ou continuemos buscando a receita guardada na gaveta para o “arroz nosso de cada dia”.

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

è     Leia mais sobre o assunto em “Pensamento Tático“, Rodrigo A. Azevedo Leitão (2008).

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Ausência

Caro leitor,

Informamos que a coluna de André Megale não será publicada nesta sexta-feira e aproveitamos o espaço para pedir desculpas pelo infortúnio.

Esperamos que a situação seja normalizada na próxima semana e estamos trabalhando para isso.

Obrigado!

Equipe Cidade do Futebol

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Decifrando a Sul-Americana

A Copa Sul-Americana é o campeonato estadual da América do Sul. No começo, os times grandes que jogam reclamam que atrapalha o calendário. Conforme o tempo vai passando e as chances de conquista vão aumentando, ninguém abre mão.

Esse é o argumento que você deve usar quando estiver conversando no bar. Em uma conversa mais séria, você pode até mudar o glossário, mas a idéia continuará essencialmente a mesma. A verdade é que a Copa Sul-Americana é uma competição forçada, que se baseia nos mesmos princípios dos campeonatos estaduais.

As duas competições servem, essencialmente, para preencher calendário e agradar mercados menores. Os campeonatos estaduais são, essencialmente, competições com fins políticos, que servem para atender a uma enormidade de clubes pequenos, na maioria das vezes vindo de cidades pequenas, que enxergam na competição uma das grandes chances de trazer para seu campo clubes de maior expressão regional e nacional. Sem os campeonatos estaduais para ocupar o início do ano, muitos clubes perderiam a razão de existir. É para manter esse status limiar de sobrevivência que o campeonato estadual ganha tanto apoio. Pensando economicamente, ele está longe de se justificar. Contudo, entretanto, todavia, ele cumpre esse caráter político e, porque não, cultural, uma vez que ajuda a disseminar o esporte de alto rendimento fora dos grandes centros, além de ser um grande expositor de talento.

A Copa Sul-Americana, assim como os campeonatos estaduais, está longe de se justificar economicamente. Ela atende essencialmente clubes menores, que jamais conseguiriam participar de uma competição de maior expressão. Por favor, não remeta isso ao mercado brasileiro, mas sim aos mercados periféricos. Os clubes brasileiros, assim como os clubes argentinos, são as instituições que se sacrificam para conseguir compor o laboratório político. É em cima deles que a Copa Sul-Americana se molda para que equipes da Bolívia, Equador e Venezuela, para ficar restrito apenas ao eixo esquerdista-bolivariano da América do Sul, possam ter a chance de ocupar seu calendário anual com outros grandes confrontos além daqueles pertencentes à Libertadores no primeiro semestre.

Há quem defenda um modelo da Sul-Americana semelhante ao da Copa da Uefa. Seria um erro. A América do Sul, obviamente, não tem nem o potencial de mercado e muito menos a diversidade de clubes como a Europa. Uma Sul-Americana igual à Uefa seria ainda menos viável do que o modelo atual.

Nos campeonatos estaduais, os clubes grandes pagam o pato da falta de estrutura econômica do resto do estado em questão. Na Copa Sul-Americana, os maiores clubes do Brasil e da Argentina pagam o pato pela falta de desenvolvimento econômico do resto do continente.

E do jeito que as coisas vão no eixo bolivariano, ainda irão continuar a pagá-los por um bom tempo.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Zezinho do Scout traz uma análise da aplicação do scout no jogo São Paulo x Cruzeiro

Meus amigos, aproveitando a época de eleições, eu assumo aqui uma promessa… sic… quero dizer, um compromisso com vocês, caros eleitores …sic.. digo, leitores. Mas é um compromisso que, espero, possa nos trazer muita discussão e reflexão. Em toda última terça-feira de cada mês, eu pretendo trazer aqui nosso personagem principal: Zezinho do Scout. 

Zezinho fará uma análise do scout de um jogo de destaque na semana, utilizando os recursos tecnológicos da ScoutOnline para uma análise em tempo real, e tentará mostrar como uma ferramenta de scout pode contribuir com os profissionais do futebol, seja do ponto de vista da dinâmica, velocidade e informação em tempo real, ou seja, do olhar rigoroso e cientifico de um instrumento metodologicamente validado.

Isso (o rigor e validação das informações) é importante ressaltar, haja visto que scout não é simplesmente levantamento de dados quantitativos, mas sim, um cruzamento de informações qualitativas em relação aos fenômenos do jogo. E sem rigor e padrão cientifico, podemos cair em “achismos” ou ainda pensar que qualquer um pode fazer. Ou ainda, o que não é muito incomum, que cada um consegue adaptar os dados encontrados conforme suas expectativas, para que as informações não denunciem seus equívocos. O que é diferente de adequá-lo às suas necessidades e forma de analisar e interpretar os jogos, essas sim peculiares e ajustáveis a cada treinador e comissão técnica.

Para não me alongar na apresentação do Zezinho do Scout, e aproveitarmos esses espaço que ele terá todo mês, deixamos para conceituar e discutir outras questões numa outra semana. Fala Zezinho:

Olá pessoal, não vou ficar de blá blá blá, já fui apresentado, vamos logo ao que interessa. Vou usar dados e imagens da Prancheta Eletrônica da ScoutOnline* que eu usei durante o jogo do Cruzeiro x São Paulo. Como existem várias formas de análise e discussão, vou a cada análise utilizar algumas possibilidades, para que possamos melhor compreendê-las e não ser muito superficial. Assim, mostro para vocês também um pouco de como eu tiro minhas conclusões.

Uma das análises que gosto de fazer é situar os jogadores que são mais acionados em momentos do jogo e ver quanto eles representam efetivamente nas ações da equipe. No caso abaixo, nos primeiros 15 minutos de jogo temos 3 jogadores tanto do São Paulo quanto do Cruzeiro como responsáveis por cerca de 50% da circulação de bola de suas equipes.


* Cruzeiro atacando para esquerda e São Paulo atacando para direita

Fonte rica de informações:

Num primeiro momento, podemos olhar para imagem e não significar nada, ou questionarmos porque que eu selecionei essa imagem. Vamos lá: observando a tabela de ocorrências verifiquei a informação de que 50% dos passes de cada equipe concentrava-se nos pés desses jogadores.

Como gosto de fazer sempre essas conexões, já deixo sempre uma visualização pronta, já que durante o jogo não dá para ficar perdendo tempo, tenho que ver a informação de forma rápida para que possa pensar em alternativas, caso fosse eu um dos técnicos do jogo, concordam?

Assim observei os campogramas mostrados acima. Oras, um indicativo significativo do que vinha ocorrendo no jogo, São Paulo concentrava seu jogo na direita, e com jogadores que não eram tido como seus principais articuladores, enquanto o Cruzeiro já concentrava suas ações em jogadores que costumeiramente armam e articulam as jogadas.

Observando essas questões imediatamente pensei no que isso significa de fato: pelo São Paulo, os jogadores de defesa mantinham mais a posse de bola e apresentavam dificuldades de fazê-la passar pelos seus principais jogadores, o que era inverso no Cruzeiro. Esse tipo de analise já nos mostra uma série de tendências sobre posicionamento e marcação, e com certeza, me forçaria a modificar ou explorar mais algumas possibilidades surgidas.

Seguindo até o fim do 1º tempo, notei uma modificação, ao invés de três, as equipes concentraram 50% dos seus passes em quatro jogadores. Pelo São Paulo começam a aparecer mais no jogo Hugo e Jorge Wagner, enquanto no Cruzeiro Jonatas e Henrique também assumem papel importante.

Isso me alertou um pouco para os cuidados que o Cruzeiro deveria tomar. Com Hugo e Jorge Wagner, há uma inversão de lado da atuação do São Paulo e uma melhor distribuição pelo campo, com jogadores mais técnicos, enquanto que o Cruzeiro permanecia com sua proposta oferecendo dificuldade ao adversário com jogadores ofensivos e seus alas na articulação ofensiva.

Ainda poderíamos mostrar as informações detalhadas do 2º tempo, imagino que muitos prefiram vê-las do que ler meus comentários, mas quero aqui mostrar que a tecnologia é uma ferramenta e que a analise vem de quem lê e interpreta antes de aplicar.

Muitos poderiam dizer, mas todos sabemos que o São Paulo tem sua força pela esquerda com Jorge Wagner e Hugo, não nos surpreende eles terem assumido a responsabilidade na parte final do primeiro tempo. 

Mas grande diferença de um jogo pode não estar nas questões óbvias, às vezes está num período específico do jogo em que a equipe está estruturada, seja por questões de opção ou força das ocasiões do jogo. Como o São Paulo nos primeiros 15 minutos, que concentrou ações em jogadores mais defensivos e pela direita, que acabou por surpreender o adversário.

Muitas vezes um técnico prevê uma atuação do adversário e durante o jogo,  o mesmo comporta-se de maneira diferente. Se posso me valer de recursos que identificam essas tendências e padrões instantaneamente, fica mais fácil fazer uma intervenção, não preciso tomar um gol para validar a informação, tenho que confiar que a informação já é validada.

Só para constar, do inicio do 2º tempo até o momento do gol de André Dias, o São Paulo tinha três jogadores que detinham praticamente 50% das ações de passe da equipe, eram eles Joilson, Andre Dias e Jean (veja no campo abaixo).

O São Paulo já mostrava uma tendência de jogo pela direita, reforçada pela entrada de Jancarlos (imediatamente antes do gol) para ocupar o setor. O escanteio originou-se de um passe de Hugo pelo meio campo para a direita com Jancarlos, conquistando o escanteio.

Após o gol Jorge Wagner e Hugo passaram a ser responsáveis por 46% dos passes certos da equipe tricolor, principalmente pelo setor esquerdo, ou seja, o São Paulo voltou a usar a estratégia de segurança. E não por acaso, numa roubada de bola de Jorge Wagner pela esquerda, passa (ainda que travado) para Hugo…falta recebida. Gol de falta de Jancarlos!

Eis um bom exemplo para diferenciarmos scout de estatística. Na estatística, o São Paulo ganhou com gols de bola parada. No scout, mostrei um exemplo do que fui vendo no decorrer do jogo e que foi  determinante para que as
tais bolas paradas acontecessem. Essa análise é baseada em uma das muitas e variadas possibilidades, e olha que nem combinei muitos dados (alias praticamente quase nada), apenas trabalhei em cima de informação numérica e pela área de atuação.

É isso ai pessoal, espero que tenham gostado, e desafio o amigo leitor a me enviar suas análises, para que possamos debater e ver como podemos enxergar e tirar conclusões diferentes dos dados a partir de um mesmo recurso. Isso é enriquecedor, lembrando do fato citados por nós na coluna Google e o egoísmo no futebol brasileiro sobre times ingleses rivais compartilharem informações estratégicas e uso de recursos tecnológicos, apostando nas diferenças de interpretações e análises em cima dos mesmos dados.

Abraço a todos

Zezinho do Scout.

* ferramenta para acompanhamento de scout do jogo em tempo real da ScoutOnline.

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O canto da Iara

A lenda amazônica diz que a Iara é aquela sereia do canto irresistível. Sedutora, seu canto atrai o caçador que, ao se deixar levar pela beleza da voz de Iara, é atraído para uma armadilha mortal. 

Pois parece que Robinho deve ter visto que estava caindo no canto de Iara desde a sua polêmica transferência para o Real Madrid, em 2005. Semana passada, acredito até que, sem o devido alarde da imprensa, o jogador anunciou o rompimento de seu contrato com o empresário Wagner Ribeiro.

Considerado um “herói” na negociação do atacante com o Real Madrid, Ribeiro perdeu seu encanto com a malfadada ida de Robinho para o “saco de pancadas” Manchester City. O atacante tinha espaço de sobra em Madrid e poderia continuar a pedalar pelo Santiago Bernabéu. Só que a simples especulação da imprensa sobre a contratação de Cristiano Ronaldo fez com que Ribeiro decidisse tirar Robinho do Real, clube que então “não o merecia”.

Foi mais ou menos o mesmo enredo da transferência de Santos para Madrid. Recém-conquistado o título da Copa das Confederações pela seleção, Robinho foi convencido pelos amigos Roberto Carlos e Ronaldo de que seu ciclo no futebol brasileiro havia chegado ao fim. 

Na volta da seleção, ele decidiu parar de treinar. Nesse meio tempo, Wagner Ribeiro tentava acertar os detalhes da transferência para o Real Madrid. Demorou mais do que o esperado, até por insistência do Santos de que não precisava vender seu maior astro desde Pelé. Robinho teve de voltar a treinar e jogar. Até para que não ficasse 30 dias fora do clube e caracterizasse, assim, abandono de emprego.

Mas no fim Robinho conseguiu ir para Madri. No último dia da janela de transferências internacionais, o jogador custou 30 milhões de euros aos cofres do Real. À época, Ribeiro foi visto com o maior articulador dessa jogada. Pouco se discutiu o que ele fez com os 7 milhões de euros a que teve direito com a negociação.

Agora, três anos depois, o filme se repete. Robinho não é liberado para disputar as Olimpíadas com a seleção e a imprensa começa a dizer que Cristiano Ronaldo deve desembarcar no Santiago Bernabéu. É a senha para que Iara comece de novo o seu canto. O Real passa, de uma hora para outra, a significar um clube que não merece Robinho. O destino mais especulado do astro é o Chelsea, já que Felipão agora está por lá.

Assim como no episódio Santos-Real, a transferência demora a se concretizar. As negociações se arrastam e, por fim, se concluem. Mas com o inexpressivo Manchester City, clube figurante na Inglaterra e recém-adquirido por trilionários (sim, trilionários!) dos Emirados Árabes. Ou seja, clube em que gastar dinheiro não é problema algum. Por quase 100 milhões de euros, Robinho deixa o Real Madrid e vai para o lugar que, pretensamente, lhe “merece”.

Parece que, na semana passada, Robinho percebeu o canto de Iara em que havia se metido. Talvez por ver que não adianta só ter ele, Elano e Wright Phillips dentro do time. Ainda mais numa liga de time estrelares, como o Manchester United, de Cristiano Ronaldo, que deveria ter colocado Robinho no banco do Real Madrid…

De fato Iara cantou mais uma vez. E embolsou outros milhões de euros com mais uma saída conflituosa de Robinho do antigo time. Se o Santos havia projetado Robinho para o futebol, o Real ajudou-o a se tornar jogador de renome internacional. E o canto de Iara fez o atacante deixar de lado toda essa relação com os dois clubes e suas duas torcidas por um punhado a mais de dinheiro. 

Mas agora Iara deve ter desafinado no canto. Resta saber se não é tarde demais.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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Quem quer centroavante?

Você pode torcer pelo Romário Futebol Clube e ainda ficar lamentando a ausência de um camisa nove. De um “matador”. Goleador. Artilheiro. Centroavante. Pivô. Referência de área. Um comandante de ataque. Um fazedor de gols. Aquele grosso que empurra a bola para dentro com qualquer parte da anatomia. Aquele jogador que não faz o gol quando a bola passando pela área. Aquele pé que falta para balançar a rede.

Você sabe de quem estou falando e sonhando. Mas, na boa: é realmente preciso sempre ter um centroavante para ser feliz?

Para ficar em um só ótimo exemplo da história do futebol brasileiro: o São Paulo multicampeão de 1991 a 1993 não tinha centroavante: jogassem três à frente (Muller, Macedo e Elivélton) ou duplas de atacantes ou meias (Muller e Elivélton; Macedo e Muller; Cafu e Muller; Palhinha e Muller), não havia um nove típico no ataque são-paulino bicampeão sul-americano e mundial. O Telêcolor do Morumbi virou referência de time a ser reverenciado por não ter a tal de referência de área. Um time que funcionava e chegava a encantar. Sem centroavante.


Telê não tinha um centroavante típico no time campeão mundial

(Não foi a primeira vez que Telê Santana “revolucionara” na genial carreira de boleiro e técnico; em campo, nos anos 50, ele foi um ponta-que-não-era-ponta; no banco, em 1982, instituiu inspirado rodízio de craques pela ponta direita brasileira na Copa da Espanha, apesar da birra da imprensa de então, e até de um personagem do Jô Soares).

A França-98 ganhou de um Brasil de Ronaldo com um atacante de área. Ou pior: com um camisa nove nota zero: Guivarc’h tinha alguma noção do que deveria fazer com a bola, mas jamais entendeu que aquele retângulo branco defendido por um goleiro com uniforme diferente do dele era para ser molestado. A França ganhou o mundo metendo três gols no Brasil com um centroavante medíocre. Para ser gentil.


Guivarc’h era o centroavante campeão mundial. Era mesmo?

Equipes boas têm artilheiros como o incansável Túlio Maravilha, que será o goleador da Série B, e deverá levar o Vila Nova de volta à primeira divisão nacional. Mas um time já foi rebaixado no Brasileirão mesmo fazendo o artilheiro da competição: no BR-07, Josiel, hoje centroavante do Flamengo, fez 20 gols pelo Paraná. E não conseguiu salvá-lo da segunda dos infernos.

Mesmo os campeões nem sempre consegue fazer os artilheiros: Dario (Atlético-MG, 1971), Roberto Dinamite (Vasco, 1974), Flávio (Inter, 1975), Dario (Inter, 1976), Zico (Flamengo, 1980 e 1982), Careca (São Paulo, 1986), Túlio (Botafogo, 1995), Paulo Nunes (Grêmio, 1996), Edmundo (Vasco, 1997) e Romário (Vasco, 2000). Apenas 11 campeões fizeram os goleadores do Brasileirão, desde 1971. Neste século, nenhum time conseguiu. Ainda.

Nem por isso eles podem ser desprezados. Artilheiros como os veteranos Kléber Pereira e Alex Mineiro (campeões brasileiros pelo Atlético Paranaense, em 2001) fazem ótimo BR-08 por Santos e Palmeiras. Promessas como Keirrison e Guilherme (mais um meia-atacante que um goleador) desempenham muito bem. São nomes fortes de mercado e objeto de consumo imediato. Mas não são premissas básicas para grandes campanhas. O Grêmio faz um campeonato além da encomenda com Perea e Marcel na frente, que não arrancam suspiros nem dos professores das pranchetas.

Mas não é preciso ter um Evair ou um Jardel para brigar por títulos. (Embora fosse muito mais fácil explicar os canecos nas galerias).

Para interagir com o autor: maurobeting@universidadedofutebol.com.br

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O jogar fazendo "pressing" e o jogar fazendo "pressão"

Alguns pesquisadores (que escrevem sobre tática no futebol) habitualmente não diferenciam, na perspectiva da organização defensiva, o “fazer pressão” e o “fazer pressing”. O principal argumento é de que boa parte da literatura sobre o assunto atribui ao pressing e a pressão características similares, os diferenciando apenas através do fato de que um é uma ação coletiva e o outro uma ação individual.

Dessa forma faria mais sentido, subdividir um ou outro, em individual e coletivo (exemplo: pressing coletivo, pressing individual) e não dar nomes distintos.

Há porém de se lembrar que se buscarmos na língua inglesa a palavra pressure (pressão), ela nos remetera a um conceito da Física de uma força que comprime; aperta, opõe. Já pressing, a algo urgente, premente, de necessidade imediata.

Então, numa reflexão não necessariamente muito filosófica, ao olharmos a “pressão” e o “pressing” pelos óculos do futebol, poderíamos propor, supor e considerar que o fazer pressão tem relação com a ação individual e/ou coletiva de oposição ao adversário atacando a bola (“apertando” e “incomodando” o adversário de posse da bola na tentativa de tentar roubá-la).

Sob a mesma perspectiva, fazer pressing, seria então uma ação individual e/ou coletiva (na maior parte das vezes coletiva) que visa diminuir em tempo e espaço a ação adversária, limitando as opções do adversário com bola e induzindo-lhe à pressa, gerando erro ou recuperando diretamente a posse da bola.

Considerar e entender as reais diferenças entre “pressão” e “pressing” não é apenas uma questão de vocabulário (como muitos devem achar!); é principalmente uma questão de modelo de jogo, e portanto da forma de se “treinar-jogar”.

Então, pressão: apertar. Pressing: causar pressa.

Nas boas equipes brasileiras, o mais comum quando ocorre, é o jogar a fazer pressão. Na maioria das equipes (ainda do Brasil), das boas às não tão boas, o mais comum de se ver é a pressão individual. Na Europa, em especial nos países que têm equipes que se destacam no futebol mundial, cada vez mais o que se vê é a utilização e o aperfeiçoamento do pressing.

Se existem as diferenças conceituais, na prática dos treinamentos elas acabam por se amplificar, e aí surgem as dificuldades para se alcançar certas organizações defensivas atribuindo ao jogador (e não ao treino, como deveria ser) a responsabilidade-culpa, pelo fracasso no cumprimento de determinados princípios de jogo.

O errado entendimento conceitual a respeito do pressing por exemplo, pode acabar por gerar sérias diferenças entre o jogar e o como se pretende jogar.

Não é incomum no caso do pressing, em vários níveis de treinamento e formação do jogador de futebol, tratá-lo como pressão. Isso já sabemos. Mas tão comum quanto, é o equívoco de “exercitá-lo”, ou sem considerar a complexidade de sua totalidade, ou considerando seus pedaços como “partes” de um todo e não fractais de uma grande “imagem”.

Para conseguir causar “pressa” quando se marca, é preciso lembrar que isso deve ocorrer sob a perspectiva do tempo e do espaço.

Então os treinamentos para se conseguir um pressing eficaz deveriam contemplar, “fractalmente” (de fractal) atividades que:

a)    por vezes potencializassem a necessidade de recuperar a bola reduzindo o tempo do adversário para estruturar a ação;

b)    que por vezes potencializassem a recuperação da bola reduzindo o espaço (em largura, profundidade, altura e apoio), ou melhor, as opções espaciais do adversário para estruturar a ação;
c)    e que por vezes (volto a salientar, “fractalmente”) potencializassem em mesmo grau de importância e necessidade da recuperação da bola através da redução de tempo e espaço do adversário (causando-lhe “pressa”).
 
Certamente mais comprometedor e grave do que não saber a diferença entre o que é pressão e o que é pressing, é conhecê-la (a diferença), mas não saber na prática, estimular um e/ou outro (pressão e pressing).

Mas essa é uma outra discussão.

Por fim, como diria o pensador Tedtage Noarie, nem tudo que acho que vejo; vejo. Porque nem tudo aquilo que vejo é o que realmente vejo. Então as vezes escolho fechar os olhos; as vezes ser enganado por eles…

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br