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Tecnologia! A quarta dimensão na capacitação profissional

“O maior risco é não fazer nada quando o mundo está mudando rapidamente.” (Walter B. Winstron)

Caros amigos peço licença para o nosso colega e colunista aqui da Cidade do Futebol, Alcides Scaglia para aproveitar a temática levantada por ele na sua coluna do dia 27 de julho, na qual abordou tão bem a questão da formação do profissional que deve atuar no futebol.

Aproveitando as 3 dimensões de conteúdos levantados por Alcides como pressupostos para a formação do sócio-educador-esportivo (conceitual, procedimental e atitudinal), poderíamos falar de uma 4º dimensão, a atualização tecnológica, que dialoga e está inserida nas demais, mantendo ao mesmo tempo suas peculiaridades.

Pode parecer modismo ou assunto batido dizer que o profissional atual deve utilizar a tecnologia na sua rotina de trabalho. Mas é necessário enfatizar que o que chamamos de atualização tecnológica transcende o simples aprender a usar o computador, enviar email ou assistir um DVD. Ainda que para alguns isso já se configure como um grande avanço.

Para tanto permito-me fazer um gancho para um almoço recente com um professor de importante e referenciada universidade inglesa, numa recente visita ao Brasil para debater futebol e ciência.

Longe de fazer comparações culturais e estruturais que com certeza influenciam na construção e desenvolvimento de uma área de conhecimento no seu campo prático de formação e capacitação, mas com um olhar sobre pontos interessantes que merecem ser pensados e refletidos por nós aqui no Brasil, tento reproduzir algumas das idéias trocadas.

No anseio de trocar impressões e experiências a cerca de como são formados os profissionais que atuam no futebol, tanto aqui como lá, entramos nas especificidades curriculares.

Um dos temas debatidos que mais me chamaram atenção foi a questão da análise e compreensão do jogo e o uso da tecnologia como parte desse processo.

Ao longo do curso de bacharelado os alunos são intensamente estimulados a estudarem, desenvolverem e aplicarem instrumentos de análise do futebol, que vão desde a compreensão do jogo em si, de seus elementos fundamentais, princípios técnicos, táticos, de planejamento e estratégia até ao estudo de tecnologia, de conceitos e estruturas, de processos, enfim, das etapas de desenvolvimento de um recurso tecnológico.

E porque estudar tecnologia? Ou como fazer isto? A primeira questão é que o computador é uma realidade, os recursos e otimização trazidos são, sem dúvidas , (e isto lá já foi superado) parceiros e não “dedos- duros” ou complicadores do trabalho. Desta forma o contato deve ser estimulado cotidianamente para criar-se uma familiaridade com a realidade tecnológica.

Sem o receio da competição com as máquinas, os ingleses já se dedicam a habituar-se e tornar-se experts no domínio delas, isto significa tornar-se apto para tirar o máximo de proveito dos recursos que podem nos fornecer, e o fazem de maneira estruturada, curricular, com uma série de disciplinas que desenvolvem o hábito e estimulam a capacidade de interpretação de informações e aplicação no campo prático.

Não nos aprofundaremos tanto para não nos alongar por demais, mas essa preocupação em inserir o aprendizado sobre e com tecnologia na formação do profissional, não vem desvinculado de uma proposta de um profissional moderno que deve, sobretudo, atentar para o que professor português Julio Garganta certa vez disse sobre a necessidade de recorrer à algum instrumento para ajudar na leitura e registro das informações do jogo, por mais que se tenha experiência.

Por isso acredita-se na necessidade da atualização tecnológica, não como um mero apreender a mexer nos equipamentos, mas sim aprender o processo no qual ela é desenvolvida e será inserida, compreendendo as possibilidades e estimulando a extração e aplicação de todo o recurso em prol do próprio trabalho, lembrando que tecnologia é recurso e processo a serviço do homem.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Espécie em extinção

Como pode um time que acaba de ganhar de 6 a 1 de um adversário entrar em crise? Pois é. O Vasco que goleou o Atlético-MG na quinta-feira conseguiu a proeza de, mesmo com um placar elástico sobre um tradicional adversário, ver seus jogadores em discussões após a partida.

E tudo graças a uma declaração de Edmundo, que não gostou de ser substituído e acusou alguns jogadores do time de fazer “corpo mole”, emperrando uma atuação de gala do clube carioca e que tinha de tudo para ficar gravada na história como uma daquelas goleadas impiedosas do futebol.

Só que o Vasco não quis. E Edmundo não pegou leve, como geralmente fazem os jogadores quando seu time goleia. Ainda mais dentro de casa.

“Eu sei que isso vai dar polêmica. Mas eu estou aqui para isso”, declarou após disparar contra colegas de time e dizer que não entraria em campo no domingo contra o São Paulo.

Ou seja. Edmundo estava com a cabeça fresca quando tomou tal atitude. Sabia do que estava falando e pelo visto não se arrependia disso. Alegria dos jornalistas, admirado pelos torcedores apaixonados, não tão bem visto, especialmente em situações como essa, pelos colegas de trabalho.

Edmundo é, cada vez mais, uma espécie em extinção no futebol mundial. Será sempre um ídolo da torcida que defende. Porque quase sempre não consegue demonstrar pouco caso com seu clube. Mas será que cabe no futebol de hoje um profissional assim?

Com o êxodo de atletas, o que vemos a cada dia que passa é a baixa identificação do jogador com o clube que o revelou. Existe um certo conformismo entre os torcedores de que o ídolo é aquele que vai jogar no exterior. Por isso mesmo, é difícil encontrar uma relação de cumplicidade como a que existia entre clube e atleta anos a fio, como nos mostraram Pelé, Ademir da Guia, Zico, Junior e muitos outros.

Por isso mesmo quando um jogador torna-se uma personificação do torcedor de arquibancada, ele logo cai nas graças da torcida. Kléber é assim no Palmeiras. Jogador de técnica, forte e com raça. Mas que muitas vezes confunde força de vontade com violência. A torcida o idolatra, mas a imprensa não perdoa a cada novo deslize.

Existem outros por aí. Quase sempre esse cara será um grande ídolo. Mas sua vida dentro do futebol é cercada por polêmicas. Às vezes, isso rende frutos. Que o diga Eric Cantona, símbolo máximo da intempestividade dentro de campo e que, por conta disso mesmo, foi banido do futebol após desferir golpes de luta marcial num torcedor em pleno jogo do Campeonato Inglês!

Cantona é ídolo do Manchester United até hoje. E, também, garoto-propaganda da Nike, simbolizando a irreverência e “rebeldia” da marca. Só que Cantona soube trabalhar sua mente para isso. É muito mais fácil ser um bonzinho como Kaká ou David Beckham para conseguir ter dinheiro e sucesso no futebol.

O jogador que só fala a verdade é uma espécie em extinção. E quem perde com isso é o próprio futebol. Por mais paradoxal que pareça.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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De repente

Passado aqueles históricos momentos que marcaram entre nós a presença do Encontro Canarinho, verdadeiros deuses desta pátria de chuteiras, na expressão de Nelson Rodrigues, pairam no ar algumas perguntas…

 

Trago a mesma dúvida que assaltou Mino Carta (ISTO É nº 232) por ocasião do Mundialito: será que pode entregar-se à emoção da torcida quem deseja um Brasil dada por ele? Não, não pode. O futebol é o ópio da nação. A vitória futebolística interessa aos donos do poder, porque o povo, ao festejá-lo, já não sente que o estômago está vazio. O povo perde de vista o essencial e os donos do poder ganham segurança.

 

De fato, quem assistiu àquelas cenas incríveis no Aeroporto do Tirirical, ou àquelas outras na entrada do Hotel Vila Rica, onde centenas de pessoas se aglomeravam na doce ilusão de, num instante de sorte, desfrutar da suprema emoção de olhar um Sócrates, abraças um Júnior, tocar num Zico, só pode chegar a esta conclusão.

 

Porém, quem esteve presente ao “Elefante Branco”, ah…, me desculpem… Castelão, por ocasião do jogo Brasil x Portugal, pode repetir gostosamente a frase de um amigo meu: Rapazes… Eu vi! De repente eu vi o povo totalmente indiferente aos desesperados apelos do locutor do estádio pedindo palmas para Sua Excelência o Governador do Estado; De repente eu vi o surgir de uma estrepitosa vaia quando o mesmo locutor anunciou euforicamente a presença, na tribuna de honra, do Presidente do PDS. De repente, eu vi quando o povo que lotava os 71 000 lugares do Estádio caiu em contagiante gargalhada quando o já angustiado locutor anunciava a presença nas tribunas do Governador do Século.

 

Neste momento percebo que a resposta à minha pergunta pode ser outra. Noto que embora alegre, o povo estava atento, ciente da inquietante favela que ali ao lado via, sem entender, a presença daquele gigantesco monumento; ciente dos motivos eleitoreiros que levaram à construção daquele monstro de concreto armado; ciente do desrespeito a ele, povo, quando do “globalmente” divulgado desaparecimento das 5000 cadeiras distribuídas generosamente pelos dirigentes aos seus eleitos (ou eleitores?); ciente de que o preço de uma cadeira correspondia a 15% do novo salário mínimo da região; ciente de que enquanto se gasta trinta mil cruzeiros por dia na conservação do maravilhoso tapete verde, famílias vivem em condições sub-humanas bem próximas dali. Enfim… De repente percebo que o povo, ainda entregue à alegria do momento de glória futebolística, nem por isso deixará de reivindicar os seus direitos.

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br

*Lino Castellani Filho é Doutor em Educação, docente da Faculdade de Educação Física/Unicamp, pesquisador-líder do “Observatório do Esporte” – Observatório de Políticas de Educação Física, Esporte e Lazer – CNPq/Unicamp, e foi Presidente do CBCE (1999/2003) e Secretário Nacional de Desenvolvimento do Esporte e do Lazer/Ministério do Esporte (2003/06).


 

[1] Publicado no Cadernos do Terceiro Mundo, nº 49, out/nov/1982.

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No que você acredita?

Peço hoje (e mais uma vez) licença para falar de coisas que também são futebol, mas que não são sobre futebol. Não é tático, não é físico, não é técnico, nem é mental (até porque essa é somente uma divisão didática – não se pode dizer onde começa uma coisa e termina outra).
 
Gostaria de começar (sem a pretensão de querer ser o que não sou) adiantando apenas que vou extrapolar os limites que me são dados na formalidade do pensamento escrito e no bom senso.
 
Realmente o meu desejo é de, através desse espaço que tenho, protestar. Queria ser poeta, filósofo… Queria poder ter as palavras certas (e saber usar as palavras certas!).
 
Hoje estou como sempre. Concentrado, dedicado, determinado, atento e diria, num “estado de flow” bastante satisfatório (escrevo isso para deixar claro que o protesto independe dos meus estados de humor, autoconfiança ou qualquer outra coisa).
 
O que está diferente hoje é outra coisa. Não sei bem definir o quê.
 
Posso dizer que estou um tanto quanto assombrado com a capacidade de nós seres humanos de, em detrimento aos ideais, conhecimentos e paixão por aquilo que fazemos, mudar o rumo das coisas em nome de uma pseudo-estabilidade momentânea (pseudo-estabilidade em várias direções – social, econômica, no trabalho, etc.).
 
Honra, lealdade, coragem e respeito parecem ter se tornado apenas palavras bonitas para serem ditas em discursos vazios de realidade. O que se fala, não se escreve. O que se cobra, só se cobra para criar efeitos formais e impressionar.
 
Impressiona-me a incapacidade que nós seres humanos temos de defender aquilo que realmente acreditamos em momentos em que realmente somos submetidos a algum tipo de risco (porque é óbvio: sem risco, “andando conforme toca a banda”, em condições favoráveis é fácil defender um ponto de vista).
 
Parece que apoiando-se em muletas pode-se justificar certas incapacidades (sem buscar estórias ou metáforas e lugares distantes, não foi Pedro quem negou Cristo por três vezes? – sobrevivência?).
 
Oh instinto de sobrevivência, seria você necessariamente desprovido de caráter e convicções (as mesmas convicções que outrora, por diversos momentos se manifestara para apontar caminhos)?
 
Na música Vila do Sossego, Zé Ramalho canta:
 
“Oh, eu não sei se eram os antigos que diziam; em seus papiros Papillon já me dizia; que nas torturas toda carne se trai. Que normalmente, comumente, fatalmente, felizmente; displicentemente o nervo se contrai, oh, com precisão”.
 
Será que nascemos para trair na tortura que nos é imposta?
 
Será que os lobos em pele de cordeiro não podem ser devorados pelos próprios cordeiros?
 
Os seres humanos realmente me impressionam. O “futebol humano” realmente me impressiona.
 
Mas realmente o que mais me impressiona é o caminho de passividade e de desprendimento total de valores pelo qual tem percorrido a humanidade.
 
E por mais que não pareça:
 
“O tempo passa…”
 
Com certa freqüência acreditamos e deixamos de acreditar em coisas outrora incontestavelmente certas (ou incertas). Caímos, levantamos. Crescemos, nos apaixonamos. Novas verdades surgem, velhas mentiras deixam de existir.
 
Quase num passe de mágica deixamos de ter nossos heróis para nos tornarmos nossos próprios heróis. Desafios, conflitos, dificuldades, gente, solidão.
 
Amadurecemos!
 
Derrotas e vitórias, triunfos e desastres, tristezas e conquistas… à vida.
 
O tempo passa e para alguns de nós chega o dia em que nos damos conta de que não estamos onde imaginávamos estar 20 anos atrás. Nos damos conta de que por desatenção “demos conta” tarde demais de que a trilha tomada estava errada (quando é tarde demais?).
 
Vencer não é difícil. Difícil é a disciplina para vencer.
 
Ah, seres humanos estranhos que somos. Reclamamos da vida e das coisas que deixamos de fazer. Nos arrependemos, mas poucas vezes percebemos que no tempo do presente estava o segredo do tempo do futuro; no tempo do treino, o tempo da guerra; no tempo dos limites intrínsecos, o tempo das conquistas exteriores…
 
Todos querem vencer. Poucos querem se preparar para o dia da vitória.”
E por mais que não pareça, estou falando sobre futebol; porque por fim, ao invés de defendermos posições estáveis deveríamos defender ideais.
 
“(…) E há tempos/ nem os santos têm ao certo/ A medida da maldade/ E há tempos são os jovens/ Que adoecem/ E há tempos/ O encanto está ausente/ E há ferrugem nos sorrisos/ Só o acaso/ estende os braços/ A quem procura/ Abrigo e proteção (…)” (Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá)
 
O que está diferente hoje é outra coisa. Não sei bem definir o quê. Só sei que não é o futebol…

Para interagir com o colunista: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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Ausência

Caro leitor,

Informamos que a coluna de André Megale não será publicada nesta sexta-feira e aproveitamos o espaço para pedir desculpas pelo infortúnio.

Esperamos que a situação seja normalizada na próxima semana e estamos trabalhando para isso.

Obrigado!

Equipe Cidade do Futebol

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Queda desigual

Uma pesquisa publicada recentemente Centre for the International Business of Sport da Universidade de Coventry, da Inglaterra, fez um levantamento sobre as razões que levam os clubes de futebol ingleses a decretar falência. Os números impressionam.

Para se ter uma idéia, de 1986 a 2008, 56 clubes ingleses pediram falência. O clímax aconteceu em 2002, temporada em que os 03 clubes que foram rebaixados da Premier League faliram logo em seguida. Isso porque houve o colapso da ITV Digital, que prometia salvar a segundona britânica, e que serviu também como catalisador para a falência de 17 clubes entre 2001 e 2003.

Apesar de eventos externos também servirem como motivador da falência, como foi o caso da ITV Digital, a grande culpa ainda reside com os clubes. O estudo apontou que as principais razões que levam os clubes a pedirem falência são o rebaixamento de divisão, que acarreta em grandes perdas de receita, a inabilidade em reduzir custos, principalmente com salário de jogadores, e, por fim, a má administração do clube em si. 

Apesar de aparentemente saudável, o futebol inglês acumulou perdas somadas de mais de 01 bilhão de libras de 2001 a 2006, em todas as suas divisões, que conta com um total de 92 clubes. A saúde do negócio, portanto, não é tão boa quanto parece.

É claro que quando você olha pros 04 maiores, Manchester United, Chelsea, Liverpool e Arsenal, tudo parece muito bonito e muito bacana. Quando você olha o todo, porém, o buraco é mais embaixo. Bem mais embaixo. E esse é um problema que precisa ser administrado urgentemente.

Os clubes grandes, ganham muito dinheiro. Os pequenos, perdem muito dinheiro. Os clubes grandes não sobrevivem sem os clubes pequenos. Os pequenos não conseguem competir com os grandes. O desequilíbrio financeiro é gigantesco, e o sistema tende a gerar mais e mais perdas. O único jeito é fechar todas as portas de um jeito que todo mundo ganhe mais ou menos a mesma coisa e, dessa forma, você equilibra os ganhos e diminui muito as perdas individuais. Quem faz isso são as Ligas fechadas, notadamente as estadunidenses, como NBA, NFL e MLB. Ninguém entra, ninguém sai e todo mundo ganha a mesma coisa.

Será esse o futuro da Premier League?

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Coluna inicial

Olá amigos da Universidade do Futebol.
É com grande satisfação que começo meus textos aqui neste espaço importante para o desenvolvimento de debates e reflexões acerca do futebol.
Sei também da grande responsabilidade e compromisso que firmo com todos vocês, críticos e sempre exigentes participantes desta comunidade que circula pelos corredores e caminhos da cidade do futebol, trocando experiência e compartilhando informações em busca de um denominador comum, um futebol cada vez mais estudado, sério, profissional e com aprofundamento concreto do conhecimento e da prática.
Por isso me apresso e convido-os a interagir conosco, frente a proposta de discutir tecnologia e futebol, assunto que faz parte do meu dia-a-dia, mas que ficará cada vez mais enriquecido com o amplo entusiasmo de todos vocês para participar com sugestões, debates e críticas.
Só assim podemos claramente debater temas pertinentes a atuação de todos nós, estimulando assuntos importantes sobre a tecnologia à serviço do futebol.
São várias as abordagens que buscaremos levantar para uma rica discussão. Desde a compreensão do termo tecnologia como recurso e processo, passando pelo viés do desempenho esportivo nas suas magnitudes técnicas, táticas e físicas, pelas questões de organização do espetáculo , do conforto do espectador e consumidor de futebol, pela capacitação individual e coletiva dos profissionais, enfim, por uma série de possibilidades e tendências que o futebol apresenta em relação ao uso e incorporação da tecnologia.
Fica aqui minha breve apresentação e no aguardo de desenvolvermos juntos um amplo e rico campo de discussão.
Até a próxima.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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www.distintivos.com.br

“É como ter um filho. Dá trabalho, você gasta muito dinheiro, mas sente o maior orgulho dele”
Luiz Fernando Bindi
Essa foi, até hoje, a melhor definição que ouvi de alguém que tem um projeto jornalístico sobre aquilo que faz. E ouvi assim, de surpresa, no ar, durante a apresentação de um “Beting & Beting”, no BandSports, mas que naquele dia era um “Beting & Bindi”. 

 

O primeiro “Beting” que fiz ao lado do Luiz Fernando Bindi, um cara que, naqueles 10 minutos antes de entrar no ar e mais na meia hora de bate-papo ao vivo tinha se mostrado uma pessoa nota 10, jornalista por vocação, amigo já na primeira conversa.

Bindi era formado em geografia. E apaixonado por futebol, como provavelmente metade da população brasileira, ou até mundial. Provavelmente só ele saberia dizer em quais rincões do planeta que o futebol não é tão popular como aqui. 

E dessa paixão surgiu, como ele dizia, o seu “filho”. O site www.distintivos.com.br, que tem 25.219 escudos de times de futebol de todo o mundo. Do Etoile Filante, de Burkina Faso, ao Palmeiras, a paixão de 15 milhões de torcedores, entre eles Bindi.

Palmeirense como um Beting, nascido em berço verde e branco, mas que quando cresce e tem de trabalhar, esquece as cores e apruma o microfone, ou o teclado do computador, para assumir a outra paixão: o jornalismo.

Sim, porque o Bindi é um dos mais bem acabados exemplos de que para ser jornalista você não precisa de diploma, mas de vocação. Até o último dia 22, Bindi trabalhava num escritório, na área da geografia. À noite e nos finais de semana, porém, ele assumia a profissão que abraçou por paixão. 

Bindi conseguia se dividir entre os comentários na rádio, textos na revista Trivela, no site do Milton Neves, participações sempre precisas no “Beting & Beting” e até mesmo textos mais acadêmicos aqui para a Cidade do Futebol.

E a impressão que se tinha é de que ele sempre era ótimo. Por dentro. Coerente. Competente. 

Bindi foi daqueles caras que só o jornalismo permite que nós conheçamos. Aquele sujeito que mostra que a sua “loucura” não é tão louca assim. Que existem outros que pensam que só o futebol vale. Que ele representa início, meio e fim de vida.

Na última vez que nos encontramos, celebramos juntos o título paulista do nosso Palmeiras, ainda no Palestra Itália. Já desprovidos da função jornalística, sabíamos que poderíamos ser torcedores. Contamos da emoção que foi ver Marcos ceder seu lugar a Diego Cavallieri no jogo da conquista. Da redenção de Marcos, se é que ele precisava de algo mais do Palmeiras na vida.

Na última quinta-feira, ainda atordoado pela ausência do amigo, fiz questão de ir ao Palestra para lembrar do Bindi. E saber que, onde ele estivesse, vibraria com os 4 a 2 sobre o Santos. Agora mais do lado da arquibancada do que das tribunas de imprensa. Parece que naquele jogo o Palmeiras acordou para o Brasileirão. Pena que o Bindi não estava lá para ver.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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A loteria tática do pênalti – loteria?

Pênalti é loteria! (caríssima, vale lembrar).

Como outrora lembrara o notável “Tenente Fulminato de Mercúrio” (mais um dos notáveis do Café dos Notáveis), o Chelsea, o Fluminense e outras tantas equipes (em diferentes níveis e categorias), acreditando ou não na loteria “penaltiana” já sentiram o caro preço de não serem “premiadas” no meticuloso acaso lotérico.

 

Ainda que o senso comum acredite e a mídia em geral reforce que pênaltis e disputas por pênaltis sejam loteria (capricho do acaso), para os profissionais (realmente profissionais) do futebol, que vivem da vitória, o enfoque a esse evento do jogo deve receber atenção também profissional.

Basta lembrar da Copa do Mundo de 2006, no jogo em que a seleção da Alemanha venceu a seleção da Argentina na disputa por pênaltis. O goleiro alemão Jens Lehmann (discutido e rediscutido por ganhar a posição do seu compatriota Oliver Kam) defendeu dois pênaltis argentinos e colaborou substancialmente com a vitória de sua equipe. Ao final do jogo, confessou ter consigo anotações sobre estatísticas que indicavam onde os cobradores argentinos tinham maior probabilidade de chutar a bola durante as cobranças (um estudo que rastreou pênaltis naquele ano e em anos anteriores a Copa de 2006).

Se pênalti realmente é loteria, digamos que Lehmann e seus treinadores criaram uma alternativa para potencializar as chances de ganhar o “grande prêmio”.

Alguns estudos vêm sendo realizados ao longo do tempo para investigar a cobrança de pênalti no futebol. Alguns sob a perspectiva dos cobradores, outros na perspectiva dos goleiros. Ainda que de uma forma geral muitos deles se arrisquem a um reducionismo descontextualizado, todos de certa forma podem trazer alguma contribuição.

As variáveis determinantes para o êxito ou fracasso na cobrança de pênaltis têm caráter multifatorial aleatório, de tal forma que é quase impossível dominar todas as variáveis ao mesmo tempo para que se alcance a excelência (o êxito 100% – tanto para quem cobra o pênalti quanto para quem tenta defendê-lo).

Então, se de fato é quase impossível dominar 100% desses multifatores aleatórios é plausível e bem razoável admitir que é possível dominar um número considerável (considerável qualitativamente) desses fatores.

Algumas pesquisas tem se dedicado a analisar questões técnico-estratégicas de goleiros e cobradores em diversos países do mundo. Analisam desde a “leitura corporal” que o goleiro faz para tentar “prever” a direção em que o batedor chutará a bola até os fatores que poderiam aumentar as chances de insucesso em um tiro penal.

Algumas dessas pesquisas tentam responder por exemplo porque a maior parte dos goleiros de futebol defende de 10% a 24% dos pênaltis que são cobrados no gol, e o que diferenciaria uma pequena parte desses profissionais que conseguem defender mais do que 30% dos pênaltis a que são submetidos (estudos de Salvesbergh, Kamp, Willians e Ward no ano de 2002; Franks, Hanvey em 1997; Burwit em 1993, dentre tantos outros…).

Existem basicamente dois tipos de cobradores de pênalti. Aqueles que são goleiro-dependentes e aqueles que são goleiro-independentes.

Os goleiro-dependentes são aqueles cobradores que baseiam sua cobrança na leitura que fazem da postura e movimentação do goleiro; e que portanto antes da autorização do árbitro não têm definido qual lugar do gol a bola será direcionada.

Os batedores goleiro-independentes são aqueles que independente da movimentação do goleiro já têm um lado definido para a cobrança do pênalti.

Existem também basicamente dois tipos de goleiros (referente à cobrança de pênaltis). Há aqueles que são batedor-dependentes e há aqueles que são batedor-independentes. Os primeiros definem seu posicionamento e deslocamento a partir da movimentação do cobrador e o segundo tipo arrisca um canto independente da movimentação empregada.

Dados de pesquisas que estudam os goleiros apontam para o fato de que os guarda-redes com maiores êxitos nas defesas são aqueles que fazem melhor leitura corporal da movimentação do cobrador e que esperam o máximo possível para definir o lado que saltarão para defesa (sem dar ao cobrador indícios do que irão fazer – outras pesquisas apontam ainda que não é o tempo de reação a variável determinante para o êxito dos goleiros, já que ele não se difere entre os goleiros que têm ou não êxito nas defesas).

Como essas coisas podem ser ensinadas e desenvolvidas, é possível aumentar significativamente as chances dos goleiros nas cobranças de pênaltis em que a bola atinge regiões “alcançáveis” do gol (deve-se levar em conta ainda que a maior parte dos pênaltis cobrados atingem essas regiões).

Dados de pesquisas que estudam os cobradores apontam para o fato de que os batedores que são goleiro-dependentes aumentam suas chances de acerto quanto mais cedo (durante seu deslocamento em direção a bola para o chute) definirem qual será o lado da cobrança. Tais pesquisas apontam também para o fato de que os batedores goleiro-dependente são sensíveis a estímulos visuais vindos do goleiro (e portanto podem ser induzidos para essa ou aquela conclusão, do onde chutar, a partir desses estímulos).

A partir dessas e outras indicações científicas podemos de certa forma fazer algumas reflexões.

Em primeiro lugar, os goleiros batedor-dependentes podem aumentar potencialmente as chances de defender pênaltis se; 1) aprenderem “ler” as ações do batedor (e aí as pesquisas indicam que a posição da perna de apoio é uma das melhores referências), 2) aprenderem a esperar o máximo possível para efetivamente definir qual o lado que a bola será chutada e por fim 3) descobrirem quais estímulos visuais podem criar para causar dúvidas no batedor para induzirem a cobrança a um ou outro lado.

Em segundo, estatisticamente, são os goleiros batedor-dependentes àqueles com maior chance de êxito nas defesas, porque independente do tipo de cobrador (goleiro-dependente ou goleiro-independente), esse tipo de goleiro busca informações nas ações do batedor para tentar identificar onde a bola será chutada.

Os goleiros batedor-independentes só terão aumentadas as suas chances de êxito se (e somente se) os cobradores forem goleiro-independente e eles (os goleiros) tiverem informações prévias a respeito dos batedores.

Ao analisarmos pela perspectiva dos batedores, aqueles que são goleiro-dependentes terão aumentadas a sua vantagem, se enfrentarem goleiros batedor-independentes e poderão ter problemas ao enfrentare
m goleiros batedor-dependentes.

Aqueles que são goleiro-independente terão suas chances diminuídas ao enfrentarem goleiros batedor-dependentes e poderão tê-las aumentadas se enfrentarem goleiros batedor-independentes.

É claro que quem cobra o pênalti, sob o ponto de vista técnico-estratégico, tem vantagens (que podem ser facilmente explicadas pela Matemática e pela Física) sobre quem tenta defendê-lo. Mas como já mencionado anteriormente, o êxito ou fracasso têm dependência multifatorial. Desta forma há também dados que mostram que sob o ponto de vista estratégico-emocional a vantagem estaria do lado do goleiro.

Talvez Lehmann, o goleiro alemão, tivesse sido traído pelas estatísticas se os batedores argentinos fossem goleiro-dependentes. Talvez alguém mais persuasivo possa convencer a todos nós de que “pênalti” é sorte (sorte?).

Podemos aceitar ou não que pênalti é loteria.

Se não aceitarmos, teremos que buscar alternativas e possibilidades para melhorar o desempenho de goleiros, jogadores e equipe.

Se aceitarmos, só o que poderemos fazer é ficar torcendo.

Até mesmo para ganhar na loteria é preciso jogar.

Tenhamos cuidado no entanto, com o reducionismo simplista de algumas pesquisas. Tenhamos cuidado com as negações totais e definitivas; mas tenhamos mais cuidado ainda com as crenças, sortes e loterias do acaso simplista (que acaso?).

Termino hoje então com um poema. Não porque é belo, mas porque alcança a profundidade que é necessária para se compreender aquilo que é necessário: a essência.

Lágrima de Preta (de Antônio Gedeão)

Encontrei uma preta /que estava a chorar, / pedi-lhe uma lágrima / para a analisar.
Recolhi a lágrima / com todo o cuidado / num tubo de ensaio / bem esterilizado.
Olhei-a de um lado, / do outro e de frente:/ tinha um ar de gota / muito transparente.
Mandei vir os ácidos, / as bases e os sais, / as drogas usadas / em casos que tais.
Ensaiei a frio, / experimentei ao lume, / de todas as vezes /deu-me o que é costume:
nem sinais de negro, / nem vestígios de ódio. / Água (quase tudo) / e cloreto de sódio.

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

 

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O futebol e os Jogos Olímpicos

Caros amigos da Universidade do Fubebol,

Poucos esportes podem se dar ao luxo de não depender dos jogos olímpicos para existir. O futebol é um deles.

Imaginem os nossos leitores. Diversos esportes, como por exemplo o arco e flecha, sobrevivem da distribuição solidária de receitas dos jogos olímpicos, que ocorre a cada 4 anos. Essa receita auferida por essas pequenas federações internacionais tem que suportar grande parte das despesas de todas as federações nacionais (e eventualmente regionais) durante o intervalo entre uma olimpíada e outra.

Não é fácil.

No caso do futebol, essa dependência não existe. A exemplo do tênis, os atletas de futebol não se preocupam tanto com os jogos olímpicos. No caso do futebol, claramente a Copa do Mundo é mais importante do que os Jogos Olímpicos.

Nesse contexto, temos que nos atentar aos clubes de futebol. Haja vista a não dependência da família do futebol pelos Jogos Olímpicos, e também à fortuna que despendida com a contratação e manutenção daqueles principais jogadores, os clubes relutam em liberar seus jogadores para mais esse compromisso internacional, sob o risco de sofrerem lesões, etc.

Isto posto, a grande discussão que hoje se apresenta é se os clubes devem ou não liberar seus jogadores para o compromisso olímpico. 

Claro está que os 3 jogadores por Nação acima 23 anos (exceção deliberada durante o Congresso da FIFA de 1994 em Los Angeles) não devem obrigatoriamente ser liberados. Existe apenas um apelo da FIFA pela liberação sob o manto da solidariedade olímpica.

Mas a grande discussão gira em torno dos jogadores sub-23. A FIFA se manifestou pela obrigatoriedade dos clubem em liberá-los. Os clubes também se manifestaram no sentido oposto.

Já existem casos em andamento no Tribunal Arbitral do Esporte, discutindo supostas imperfeições jurídicas nos regulamentos que tratam da matéria em sede esportiva. Por uma questão de confidencialidade, ainda não podemos nos manifestar a respeito.

A solidariedade olímpica deve ser mantida, quanto a isto não restam dúvidas. Porém, a estrita legalidade deve sempre ser observada em prol da igualmente fundamental segurança jurídica das partes envolvidas.

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