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O gesto de Sheik e os negócios do esporte

A frase de Emerson “Sheik” (https://www.youtube.com/watch?v=sjpB0-MVC1c) do Botafogo, após ter sido expulso do jogo contra o Bahia, em partida válida pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro, tem gerado inúmeros debates. Ao que parece, agora a moda é ser insurgente ao poder. No futebol tupiniquim o “bacana” é vociferar contra a CBF. Está na moda.

Por vezes, ao ler/ouvir a imprensa ou mesmo em conversas informais, tem-se a clara certeza de que o prédio da CBF é formado por um grupo de pessoas que fica pensando em tudo, como se os jogos do Campeonato Brasileiro fossem totalmente manipulados, como máquinas, que respeitam o bel prazer da entidade máxima do futebol brasileiro. Às vezes, pela opinião pública em geral, deveria tender a acreditar que as pessoas ligadas a CBF têm 100% de aproveitamento na Loteria Esportiva, já que “fazem de tudo” para que o Clube A vença o Clube B e assim por diante, com resultados de competições totalmente fechadas.

Não que eu queira beatificar as pessoas ligadas a esta instituição. Longe disso. Bem longe!!! Mas o fato é que compreendemos muito mal o papel de cada entidade dentro do sistema. E isso inclui os atletas que o praticam. As lutas contra um poder são, mais das vezes, iniciadas de maneira positiva (pela causa) mas conduzidas posteriormente de forma equivocada, o que apenas reforça o poder institucionalizado.

Por seu turno, há uma cultura generalizada no Brasil de derrubada constante daqueles que supostamente dominam um sistema. Trata-se, a bem da verdade, de uma cultura autodestrutiva, em que os que estão na parte de baixo do sistema não analisam o mérito da causa ou enxergam a sua efetiva importância para iniciar um processo construtivo de mudança, que depende de todos.

Dentro deste imbróglio, fica claro que não compreendemos o sistema ao qual estamos inseridos. Ao falar que a “CBF É UMA VERGONHA”, estamos, na verdade, dizendo que todos os que fazem parte do Campeonato Brasileiro são uma vergonha. Sim, atletas, sem vocês não haveria campeonato. Ou apenas a entidade que governa o futebol que é uma vergonha? Tudo que está abaixo dela é o hors concours da idoneidade e eficiência?

Francamente. Enquanto não entendermos o negócio do futebol como um todo, sabendo o papel de cada indivíduo e de cada organismo pertencente ao sistema, vociferar palavras de ordem não resultam em nada. É como falar mal da própria empresa que trabalha: se não é possível modificá-la, vá para a concorrente.

O debate para a mudança deve ser construtivo e no foro qualificado para tal. Precisamos e podemos ser bem mais inteligentes do que mandar “recadinhos” no meio de jogos após uma expulsão… 

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Protagonistas: quando falar é pior

Em qualquer campanha de comunicação, o uso de protagonistas segue duas premissas básicas: humanizar a mensagem e criar uma relação de aspiração. Em outras palavras, o porta-voz de uma marca é escolhido para dar às pessoas uma imagem mais humana e para que o público-alvo queira ser como ele. Nas duas situações, a responsabilidade de quem dá a cara a um produto é gigantesca. E esse é só um exemplo extremo do quanto a imagem pode ser valiosa.

Nomes que fazem sucesso no esporte costumam ser protagonistas em campanhas de produtos de diversos segmentos. Não é por acaso: neles as pessoas encontram exemplos de atributos como dedicação, trabalho em equipe e sucesso.

Personagens oriundos do esporte têm ainda outra vantagem: lidam com o emocional de quem consome a informação. O atleta que desempenha papel decisivo em uma vitória ou conquista proporciona satisfação para o torcedor. É uma geração natural de empatia.

Se um ator diz que um produto é bom, o peso é um. Se um atleta usa o mesmo produto, as pessoas que o idolatram ou que seguem o time dele vão ter naturalmente uma relação mais próxima com a marca. O peso é outro. Essa é uma das principais razões de algumas companhias investirem tanto em atletas como porta-vozes.

Há outro ponto: a voz de quem é do esporte reverbera. É claro que muita coisa se perde pelo excesso de informações do segmento, mas é inegável a capacidade de mídia do segmento.

O “problema” é que esses protagonistas são humanos, e como humanos são sujeitos a erros. São mais do que rótulos ou personagens criados para agradar a um determinado grupo.

Já falamos sobre isso diversas vezes, e esse risco existe com qualquer protagonista. O mesmo risco que uma marca corre com um atleta aparece se a empresa apostar em um ator, músico ou apresentador de TV.

No último mês, a liga profissional de futebol americano (NFL) teve uma discussão sobre isso. Dois grandes jogadores foram envolvidos em escândalos pessoais (Adrian Peterson foi acusado de agredir o filho, e Ray Rice foi filmado agredindo a namorada). Isso deflagrou enorme discussão na competição, a ponto de alguns patrocinadores terem manifestado publicamente que estavam preocupados.

São exemplos extremos, é claro, mas o esporte brasileiro não teve o mesmo nível de discussão após declarações recentes envolvendo o goleiro Aranha, titular do Santos, alvo de ofensas racistas em jogo contra o Grêmio.

“Acho que o Aranha se precipitou um pouco ao querer brigar e parar o jogo. Se eu fosse parar o jogo toda vez que me chamassem de macaco ou crioulo, todo jogo ia parar. O torcedor, dentro da sua animação e animosidade, ele grita”, disse Pelé sobre o episódio.

O caso envolvendo Aranha repercutiu muito. O Grêmio, que já realizava campanhas contra o racismo, chegou a emitir uma carta à Fifa para explicar o episódio. O técnico Luiz Felipe Scolari escreveu um bilhete em nome do elenco e mandou ao goleiro do Santos.

Ainda assim, o time gaúcho foi punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Em sessão da comissão disciplinar, o Grêmio foi excluído da Copa do Brasil por causa do comportamento de seus torcedores – ainda que alguns tenham sido identificados e indiciados.

“Foi tudo uma grande encenação do goleiro”, classificou Adalberto Preis, um dos vice-presidentes do Grêmio. “Às vezes, ficamos com a impressão de que não perdoaram o Felipão pela goleada de 7 a 1 para a Alemanha e se voltam contra a gente por causa disso”, completou Odorico Roman, outro dos vice-presidentes do clube, à “ESPN”.

Scolari fez ainda pior. “Vamos ver se eles vão cair na esparrela do Aranha de novo”, disse o técnico a jornalistas, sugerindo que o goleiro tenha armado o que as câmeras mostraram de forma clara.

Essas declarações podem ter sido feitas com intuito de defender o Grêmio. O que elas conseguiram, contudo, foi criar um clima ainda mais hostil para Aranha quando o goleiro voltou a jogar na Arena do Grêmio. Ele foi vaiado e xingado durante quase toda a partida.

O ambiente que cercou Aranha foi lamentável, e é bom deixar isso claro, mas o foco da discussão aqui não é nem esse. O ponto é: o que essas declarações de Pelé e dos gremistas acrescentaram ao debate? Em que elas foram úteis para analisar um problema que é complexo, arraigado na nossa cultura e cruel para um grande contingente da população?

A questão aqui é entender o alcance. Personagens do esporte têm enorme capacidade para direcionar discussões e formar opinião. Ignorar isso é uma enorme falta de entendimento do ambiente.

Pelé, por exemplo: o que ele viveu é importante, claro, mas em que a realidade do atleta Pelé acrescenta à discussão? Ele é o maior jogador de todos os tempos, figura que repercute em âmbito internacional. Em que ele ajudou no debate sobre racismo no futebol?

Os gremistas, então: eles podem ter pensado no clube e defendido os próprios interesses, mas qual das declarações ajudou alguém a pensar no que foi feito e no quanto o racismo permeia o cotidiano da sociedade brasileira, não apenas nos estádios?

Sim, vivemos numa sociedade de ranço racista. Temos uma democracia jovem, na qual a igualdade ainda é um conceito extremamente frágil. O estádio é apenas um reflexo disso.

A questão é que o esporte tem potencial para fazer o caminho inverso. Se o que acontece nos estádios é reflexo do perfil da sociedade, é possível que isso também influencie a formação da população. Mas alguém se preocupa com isso?

Em tempo: no dia 8 de setembro, a coluna “O poder da palavra”, publicada aqui na Universidade do Futebol, também falou sobre o caso Aranha. A intenção do texto não foi diminuir o caso ou defender os envolvidos. O goleiro do Santos foi alvo de ofensas racistas, e ofensas racistas são sempre condenáveis. O ponto da discussão ali foi outro: não podemos impingir rótulos a quem comete um erro, por mais grave que seja o erro.

O que aconteceu com Aranha foi criminoso e indefensável. As pessoas responsáveis devem ser julgadas e condenadas. Só não se pode limitar ninguém a isso. Pessoas são complexas, passíveis de erros e acertos, e qualquer discussão precisa considerar isso. 

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Planilha de Avaliação Interdisciplinar

Monitorar o desempenho global de um atleta é uma das tarefas mais complexas do futebol atual. São tantas ferramentas, recursos e variáveis de análise que inúmeras disciplinas diretamente relacionadas com a modalidade precisam intervir, de maneira interdisciplinar, para que as respostas obtidas tenham significado. Com tais respostas, torna-se possível a diminuição das margens de erro nos permanentes processos decisórios que envolvem cada um dos atletas integrantes de um clube.
Seja para subi-lo de categoria, dispensá-lo, renovar contrato ou até promovê-lo à equipe principal, o cenário ideal pede que todas as áreas e departamentos do clube tenham contribuições com informações-chave sobre o desempenho.
Sob esta perspectiva, a coluna desta semana traz um modelo de planilha de Avaliação Interdisciplinar. Sua criação tem como objetivo facilitar a comunicação entre os diferentes setores de um clube, centralizar as informações relativas a cada um dos jogadores, dinamizar o controle individual de desempenho e, consequentemente, qualificar o processo de decisão.
A ideia é que cada competência analisada relacionada a um departamento ou desempenho específico, disponibilize um gráfico em teia, didático para observar e apontar forças e fraquezas.
Dentre os Departamentos existentes num clube de futebol, podemos apontar alguns como: Nutrição, Psicologia, Fisiologia, Preparação Física, Departamento Técnico, Médico, de Fisioterapia, Sócio-educacional e de Análise de Jogo.
A proposta de aplicação da planilha por cada um destes departamentos visa a definição de competências para uma determinada variável do desempenho, que devem ser qualificadas por um score progressivo, de 1 a 5 (em que 1 significa a nota mais baixa e 5 significa a nota mais alta), para posterior obtenção de uma média final neste quesito e também de um dado mais objetivo sobre o atleta.
Por exemplo, o departamento técnico pode definir como variável de análise o Perfil Técnico por Posição. Sendo assim, para um meio-campista elenca-se as seguintes competências: passe curto, passe longo, assistência, finalização de média distância, finalização de curta distância, 1vs1 ofensivo, passe de costas-pressionado, cobrança de bola parada. Para cada uma delas, a Comissão Técnica deve apontar uma nota de 1 a 5 e, ao final do preenchimento das células, serão obtidas a Média do Perfil Técnico da Posição e também o gráfico em teia.
Além do Perfil Técnico por Posição, inúmeras outras variáveis de desempenho podem ser estabelecidas. Como: perfil físico (índice de fadiga, velocidade máxima, percentual de gordura), perfil nutricional (qualidade das refeições, quantidade de refeições, deficiências nutricionais), perfil sócio-educacional (frequência escolar, notas, leitura de livros, participação em eventos sócio-educativos) desempenho em competição (minutos jogados, partidas jogadas, gols feitos, assistências, número de substituições) desempenho psicológico (endurance psicológico, nível de atenção e concentração, resiliência, autocontrole).
Fica a critério do clube estabelecer o que será analisado, sua importância e qual a pontuação de cada uma das competências. Seguramente, quanto mais rica for a análise do atleta, mais evidentes estarão seus pontos fortes, fracos e seu potencial de valor agregado. Informações valiosas para intervenções precisas no cada dia mais competitivo futebol brasileiro.
Abraços e até a próxima coluna!
 
Quem tiver interesse, clique aqui para fazer o download.

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Registro de atletas: hora de mudar

Novamente o tapetão entrou em campo e alterou o resultado desportivo e retirou 21 pontos do América mineiro na Série B, em virtude de inclusão de atleta em súmula em desacordo com o Regulamento Geral das Competições.

Infelizmente, situações como esta tem se repetido no futebol brasileiro e a tabelas tem se recheado de asteriscos. Inclusive, no ano passado, a determinação do clube rebaixado na Série A do Brasileiro se deu por decisão da Justiça Desportiva.

Diante dessas reiteradas situações, imprescindível repensar a forma de controle das condições de jogo do jogador de futebol. A CBF, responsável pela organização do futebol no Brasil, precisa perceber que suas funções vão além da gestão da Seleção Brasileira e da confecção de tabelas e deve criar meios efetivos para que o resultado desportivo seja preservado.

Ora, deve prevalecer o princípio pro competicione e a CBF deve se esmerar para que o resultado desportivo prevaleça sobre o tabetão. Vale destacar que bastaria um software para indicar se o atleta está ou não apto para a partida, o que evitaria uma série de embates na Justiça Desportiva.

Diante do exposto, percebe-se a necessidade de mudança de paradigmas para que, ao invés do clube, seja a organizadora do evento responsável pelo registro e regularidade dos atletas. Tal medida impediria a interferência da Justiça Desportiva no resultado. 

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Sete a um

Esbaforido, o morceguinho-correio guinchou :

– É ele, eu vi, é ele, tenho certeza.

Alertados pela guincharia do pequeno quiróptero, os amigos aguardavam impacientes, desde a chegada do bichinho no começo da noite: Aurora empoleirada no mais alto galho da Aroeira, Oto de cabeça para baixo na entrada da caverna, sem nunca perder Aurora de vista, Arnaldo, dando cabriolas de contentamento no lago escuro.

O morceguinho-correio errou nos cálculos e os amigos passaram a noite em vigília. O sol lançava seus primeiros raios quando Bernardo chegou. Aurora saudou-o, Oto pendia de sono.

– Que bons ventos o trazem meu amigo? Quanto tempo! Até achei que não voltaria mais!

– Ah minha amiga, nem te conto! Foi uma verdadeira tragédia!

Conhecendo seu gosto pelo futebol Aurora arriscou:

– Os sete a um?

– Que sete a um?

– Não conta, não conta – sussurrou Oto -, ele pode não aguentar.

Bernardo não lembrava, não sabia que tinha sido sete a um. Sim, ele assistira ao jogo, mas não todo. Só lembrava de três gols, um em seguida ao outro, da Alemanha. Depois disso apagou, como se tivesse dormido. Só voltou a perceber as coisas quando já estava há poucos quilômetros da caverna.

– É melhor contar de uma vez – sussurrou, de sua parte, Aurora para Oto -, ele vai saber de qualquer jeito.

– Prepare-se meu amigo – disse Aurora cautelosa, desta vez para Bernardo –, não foi três a zero, foi sete… a um.

– Mas nós fizemos um, fizemos um, o de honra, o mais bonito – gritou do lago Arnaldo, o bagre.

Bernardo, ouvindo aquilo, perdeu novamente os sentidos, desta vez, acompanhado de perda dos movimentos também. Caiu como se estivesse morto. Oto e Aurora esqueceram as rivalidades e correram ao lago buscar água. Molharam o rosto do eremita, abanaram-no com as asas, até que a cor voltou à pele e o pobre homem se mexeu.

– O que foi sete a um? – perguntou Bernardo

– Depois a gente fala disso – respondeu Aurora.

– Não, eu quero saber agora, quero saber de tudo.

– Conta Oto – falou Aurora, virando o rosto -, eu não vou fazer isso.

E Oto contou, com detalhes. Contou como os alemães foram para cima das fileiras do time brasileiro, como panzers, passando por cima de tudo. E enfiaram, quatro, cinco, seis, sete gols nas redes brasileiras. E só não fizeram mais porque ficaram com pena.

– Com pena! – exclamou Bernardo. – Mas somos o time brasileiro, pentacampeões do mundo, os melhores em todos os tempos. Está certo que decaímos um pouco, mas nunca para perder de goleada… de ninguém.

Oto descreveu os lances, falou de como os alemães perderam de propósito outros gols. E que, dias depois, os holandeses fizeram três no nosso time, e também se desinteressaram por fazer mais.

– E alguém foi preso? – perguntou Bernardo.

– Ninguém – respondeu Aurora.

A coruja perguntou se ele veio para ficar e ele disse que sim, que já estava mesmo saturado das coisas da cidade, com vontade de voltar para a caverna, não aguentava o trânsito, o barulho, a violência, o mau-humor das pessoas, a correria, e que quando os alemães fizeram os três primeiros gols, foi a gota d´água, o ponto de saturação, e ele perdeu a noção do tempo, das coisas, e só não perdeu a noção do espaço, pois, de alguma maneira, conseguiu se orientar até ali.

– Pois então prepare-se, pois tenho mais uma notícia ruim para lhe dar – disse a coruja.

– E tem mais? O que pode ser ruim depois dos sete a um?

– Dunga é o novo técnico da seleção – anunciou a ave.

– A TV ainda pega aquele canal Z33? – perguntou Bernardo.

O eremita referia-se a um canal misterioso que eles sintonizavam no velho aparelho de televisão presenteado pelo jovem João Paulo anos antes, e que tinha o poder de mudar a realidade, transmitindo só as coisas que os telespectadores queriam ver.

– Pega sim – respondeu Aurora.

O sol ardia no meio do céu e os quatro amigos ainda vibravam na frente da TV, no salão da caverna, gritando como loucos a cada novo gol do Brasil contra a Alemanha. Já estava oito a um para nossa seleção e agora os jogadores do nosso time, com pena do adversário, apenas trocavam passes, aguardando o apito final.

*Bernardo, o eremita, é um ex-torcedor fanático que vive isolado em uma caverna. Ele é um personagem fictício de João Batista Freire.

Para interagir com o autor: bernardo@universidadedofutebol.com.br

Leia todas as colunas anteriores de Bernardo clicando aqui.

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Persistência para o sucesso

Todos os grandes atletas de sucesso possuem em sua vida profissional e pessoal uma caraterística muito importante que contribui para o desempenho elevado: a persistência! Como dizia Samuel Johnson, pensador e escritor inglês “poucas coisas são impossíveis para a diligência e a aptidão; as grandes obras não são realizadas pela força, mas pela persistência”.

Podemos compreender então que a persistência é a marca do sucesso de todo atleta, pois todos caracterizam-se pela força de vontade ímpar e pela inabalável persistência em suas carreiras, com o objetivo de perseguirem os seus melhores resultados. Talvez, fazer da persistência o seu maior bem seja a alavanca que o fará performar melhor do que qualquer outro atleta de sua posição numa equipe de futebol.

Apesar disso, nem sempre persistir é uma tarefa fácil para todo atleta e nem para as demais pessoas em suas respectivas áreas de atuação, pois apesar de todos darem o melhor dos seus esforços, as decepções e as adversidades estarão presentes uma vez que são partes naturais da vida de todos nós. É muito difícil evoluirmos em nossas vidas e carreiras, consequentemente crescermos e podermos desenvolver o nosso potencial por completo se não enfrentarmos a adversidade que nos possibilitará aprender com elas; por isso é importante reconhecermos que a maioria das grandes lições da vida são resultado de reveses e de derrotas temporárias pelas quais passamos.

As adversidades nos testam e precisamos reagir às decepções, pois é fato que muitas vezes o sucesso sempre chega um passo além do fracasso de cada um de nós!

Então amigo leitor, para podermos persistir sempre e conseguir atingir nossos objetivos eu compartilho dicas valiosas de Brian Tracy, que servirão para todos nós mas principalmente aos atletas de alta performance.

1. Identifique seu maior desafio ou problema que possui atualmente na direção da realização de sua meta mais importante. Sempre que encará-lo de frente você deve decidir nunca desistir de sua meta e enfrentar o problema;

2. Revise sua vida e identifique situações em que sua decisão de persistir foi a chave para um resultado bem sucedido. Lembre-se dessas experiências e de suas sensações sempre que enfrentar qualquer tipo de dificuldade ou eventuais desânimos;

3. Procure encontrar em cada problema, dificuldade, obstáculo ou revés, a semente de um benefício ou oportunidade de proporção igual ou ainda maior do que a sua dificuldade. Esteja consciente de que você sempre encontrará algo capaz de ajudá-lo a seguir adiante;

4. Em todas a situações que passar, decida se orientar pela ação e para as soluções que possui. Pense sempre sobre o que é capaz de fazer agora, neste momento, para resolver seus problemas ou atingir suas metas e comece a agir imediatamente. Nunca desista!

Caro leitor, persistir pode levar qualquer atleta ao topo da excelência profissional e pessoal, além de ser uma grande alavanca de realizações na vida de todos nós.

Até a próxima. 

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Casillas não caiu

Aos 18 anos, Iker virou titular do clube do coração.

Desde aquele ano, 1999, é o terceiro atleta que mais atuou pelo decacampeão europeu – os últimos três títulos com ele no elenco, e com atuação colossal na conquista de 2002.

Campeão do mundo pela Espanha em 2010. Bi europeu em 2008 e 2012.

Tudo de ótimo que se pode esperar em um goleiro. Tudo de maravilhoso que o torcedor quer ver em alguém que veste a sua camisa como se fosse nem a segunda ou a primeira pele.

Mas a única.

Tão bom é que, mesmo falhando na decisão da Liga dos Campeões de 2014, a equipe ainda buscou o empate no final que, depois, virou goleada contra o bravo Atlético de Madrid.

Tão regular é que, mesmo tendo atuado mal na temporada que passou, ainda merece o respeito dos rivais, da bola, e da história.

Mas não de todos os torcedores merengues, que o vaiaram impiedosamente depois de mais uma falha decisiva – como também fez péssima Copa do Mundo, como toda a Espanha. No primeiro gol da vitória do Atlético, no Santiago Bernabéu, pela terceira rodada do Espanhol, Casillas não cortou a bola que chegou à cabeça do colchonero Tiago. Mais um gol defensável tomado por um ícone como Iker.

Mas as vaias a ele foram indefensáveis.

O torcedor que agora quer arrancar as guantes (“luvas”) dele da meta madridista não se aguentou e pegou pesado com a lenda da meta merengue.

Fosse Casillas mais um, e não apenas um dos melhores camisas um de todos os tempos e de todos os clubes, o goleiro do Real Madrid abusaria do primeiro verbete do Manual de Sobrevivência de Craques & Bagres do Futebol:

– Eu não preciso provar nada para ninguém.

E não precisaria provar e dizer o goleiro campeão da Copa do Rei por duas vezes, campeão da Espanha por cinco vezes, três vezes da Europa e uma do mundo com a camisa do colosso madrileno.

Mas Casillas é dos poucos que têm a humildade de fazer em vez de falar.

Sabe que o torcedor pode ser ingrato. Injusto. Esquecido. Tudo.

Casillas não se perde pela boca:

– O público é soberano. Se acham que devem vaiar, é preciso respeitar, enfrentar o problema e seguir trabalhando. O torcedor está no direito dele. Eu tenho de responder jogando o meu futebol.

É isso.

Que outros sejam como Casillas jogando. E também pensando, falando. Ou ficando quietos.

Respondendo pela bola, não pela boca. 

 

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

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Fracionar ou agregar?

Existe muita crítica e, por vezes, até lendas urbanas, em torno da maior rede de televisão do país, a Globo. Algumas mais perversas, outras com algum indício para se iniciar um bom debate… O que é certo é que a capacidade que o grupo de mídia adquiriu ao longo dos anos no aspecto comercial é de se analisar, estudar e pensar em formas de adaptação para outros negócios.

Remeto desta vez a notícia que diz que a “Globo vende futebol por R$ 1,3 bi e fatura mais que Record em um ano” (http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/mercado/globo-vende-futebol-por-r-1-3-bi-e-fatura-mais-que-record-em-um-ano-4842), em reportagem que mostra que a emissora conseguiu fechar o pacote comercial do futebol para 2015 com um aumento de 21% de seu valor em relação a 2014.

Sim, em um ano em que o futebol brasileiro foi colocado em cheque, os clubes não vêm conseguindo fazer bons acordos comerciais com empresas privadas (para patrocínio direto) e a economia não está das melhores, além das audiências na televisão, a Globo conseguiu ampliar os investimentos corporativos de maneira significativa.

A explicação deste “fenômeno”, aparentemente, está no título desta coluna: vejam que, pela referida reportagem, a Globo não vende as “partes” de maneira separada, ou seja, não vende para cada empresa as competições de forma dissociada uma da outra. Vende sim a “Plataforma Futebol”.

Ao agregar tudo o que há de comunicação ligada ao futebol a um seleto grupo de empresas, naturalmente que o público irá melhor identificar as marcas e, consequentemente, estas marcas estarão mais dispostas a fazer maiores investimentos.

Esta premissa faz todo sentido. É lógico que não podemos olhar para a questão de maneira simplista. Existem tantas outras variáveis que devem ser analisadas. Mas é um ponto de inflexão importante: a tendência de fracionamento de visibilidade é a de pulverização e consequente redução dos investimentos.

Vale muito para a estruturação dos Planos Comerciais que as entidades esportivas estão planejando para serem realizados em 2015. Ainda há tempo para construir algo bem mais consistente!!!

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O novo mundo de Ronaldinho Gaúcho

Pensar no futuro é sempre um desafio, e esse desafio é ainda maior se o tal futuro em questão envolver um cenário em que você está inserido. São poucas as pessoas que conseguem projetar com acuidade a evolução de suas realidades, e esse é um dos motivos para as decisões que envolvem futuro profissional serem tão complicadas. Deixar a empresa em que você trabalha pode ser uma decisão simples, mas abre uma infinidade de caminhos. Escolher entre eles é também escolher para onde levar a própria vida.

O trabalho, afinal, não é a vida de ninguém. No entanto, a vida profissional é uma seara fundamental para qualquer um – seja por ambição, criação de laços com outras pessoas ou apenas por desenvolvimento pessoal – e exerce influência direta em outros âmbitos.

Tenha em mente os dois conceitos tratados nos parágrafos acima (a dificuldade para projetar o futuro e a relevância da vida profissional) e pense: o que você busca na carreira? Você trabalha apenas para acumular dinheiro, prioriza experiências ou quer aprimorar seu talento, por exemplo? Nenhuma das respostas é errada.

Agora tente transportar essa lógica para a carreira de um jogador de futebol. É justo condenar alguém que prefere ganhar dinheiro? É certo rotular ou diminuir um atleta que abre mão de desafios em nome de experiências pessoais?

Toda essa discussão precisa ser considerada antes de qualquer análise sobre Ronaldinho Gaúcho. Principalmente porque há poucas informações concretas sobre as motivações profissionais do meia-atacante – talvez por preservação da imagem ou talvez até por falta de percepção dele sobre o que está acontecendo.

Ronaldinho Gaúcho foi eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo em 2004 e 2005. Viveu um período incontestável – no primeiro semestre de 2006, não era raro encontrar quem dissesse que ele estava a uma Copa do Mundo de entrar no panteão de Pelé e Garrincha. E depois, o que aconteceu com a carreira dele?

Num primeiro momento, Ronaldinho Gaúcho fracassou na Copa de 2006. O jogador do Barcelona era um dos ícones daquela seleção de quem se esperava encantamento, mas as marcas indeléveis do time foram a falta de compromisso, o sobrepeso e a bagunça na concentração em Weggis (Suíça) antes do Mundial.

Depois, Ronaldinho simbolizou também uma derrocada no Barcelona. O time catalão caiu a ponto de romper com o modelo vigente e abrir mão de nomes badalados como Deco, Eto’o e o próprio brasileiro. A criação do time que encantou o mundo nos anos seguintes passou por essas saídas.

Ronaldinho passou anos no Milan e um período conturbado no Flamengo após ter deixado a Catalunha. Só foi reencontrar o protagonismo no Atlético-MG, time em que foi um dos artífices da campanha vitoriosa na Copa Libertadores de 2013.

No Atlético-MG, contudo, o período de bonança de Ronaldinho também não foi longevo. O segundo semestre de 2013 já não foi tão eficiente quanto o primeiro, e a temporada 2014 começou mal. O período do meia-atacante no clube acabou de forma melancólica – desentendimento com o técnico Levir Culpi e rescisão de contrato em julho.

Em 2006, Ronaldinho estava a alguns passos da imortalidade. O que motivou a mudança de desempenho dele nos anos seguintes? Foi apenas uma queda técnica ou houve uma decisão profissional? Ele escolheu novos caminhos porque ficou sem espaço nos clubes anteriores ou ficou sem espaço nos clubes anteriores por ter escolhido novos caminhos?

A questão é que a saída do Atlético-MG abriu novamente o mercado para Ronaldinho. O brasileiro podia ter usado diferentes argumentos para escolher um novo caminho, e o rumo que ele escolheu foi assinar um contrato com o Gallos Blancos de Querétaro, time que está longe de ser uma das potências no México.

E por que essa transferência, em meio a tantas outras, merece uma discussão um pouco mais aprofundada? Ronaldinho pode ter tido diferentes motivos para escolher o Querétaro. Pode ter feito isso por dinheiro, por vontade de viver no México ou por ter gostado do plano do clube para os próximos meses.

A questão é que as motivações profissionais podem ter origem pessoal, mas não podem desconsiderar que todo profissional é um produto. Ao decidir assinar contrato com o Querétaro, Ronaldinho criou efeitos imediatos para o valor de mercado que ele possui.

Toda decisão profissional precisa considerar isso também. Qual é o potencial do mercado mexicano? Ele tem abertura para um personagem como Ronaldinho Gaúcho? O Querétaro é a melhor forma de um jogador como ele ganhar espaço no país?

Ronaldinho pode ter tido excelentes razões para escolher o Querétaro. O ponto é: era esse o melhor caminho para a carreira dele? A decisão fez bem ou mal para o valor de marca do brasileiro?

Toda a condução da negociação deixa isso no ar. Ronaldinho pode ganhar muito dinheiro jogando no México, mas ganhar muito dinheiro nem sempre é a resposta para uma decisão profissional.

E quem tem um trabalho de gestão de carreira no futebol brasileiro? Que jogador toma decisões absolutamente baseadas em efeitos de mercado e imagem?

Se fosse assim, será que teríamos tantos jogadores no futebol ucraniano ou no futebol russo? Teríamos tantos jogadores em times grandes da Europa?

Pensar na carreira de um atleta é um desafio complicado, e nem sempre os parâmetros são simples. Muitas vezes, a vontade de um atleta pode não ser o desempenho esportivo. Ronaldinho Gaúcho abriu um mundo novo ao escolher defender o Querétaro. Mas era esse o mundo que ele queria? 

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Redução na pena de Petros: sinal amarelo

Nesta quinta-feira, o Pleno do STJD da CBF julgou recurso aviado pelo Corinthians contra decisão da Comissão Disciplinar que havia condenado o atleta Petros a suspensão por 180 dias em virtude de agressão ao árbitro e reduziu a pena para três jogos.

Segundo o STJD, a pena prevista no Código Brasileiro de Justiça Desportiva é demasiadamente pesada para o caso em comento, especialmente se considerando que a manutenção da decisão da Comissão Disciplinar impediria o atleta de exercer sua atividade laboral. Além ressaltou-se que o espírito da norma seria punir agressão com vias de fato e não situações de jogo.

Realmente, a punição prevista pelo CBJD parte de uma pena mínima de 180 dias para qualquer agressão,o que, em casos como o do meia Petros há exagerado rigor.

Por outro lado, trata-se de norma que deve ser aplicada pelo STJD, ainda que os auditores entendam ser injusta. Ora, ao julgador não cabe analisar se a lei é justa, mas, aplicá-la ao caso concreto, portanto, se houve agressão, a pena aplicável é a do art. 254-A.

Outrossim, o “caso Petros” acende a luz amarela e explicita a necessidade de uma profunda revisão no Código Brasileiro de Justiça Desportiva, já que as pessoas e entidades jurisdicionadas por ele não se reconhecem na norma, o que reflete grave crise de legitimidade do texto legal.

Para tanto, o Conselho Nacional dos Esportes deve convocar representantes dos clubes, dos atletas, das federações, da arbitragem, da OAB, bem como estudiosos do Direito Desportivo a fim de que um amplo debate possa evitar que o julgador tenha que lançar mão de “saídas heróicas” para adequar a lei à realidade.

Assim, muito mais do que uma questão pontual sobre o atleta Petros, o caso em questão deve servir de mote para repensarmos os rumos da Justiça Desportica Brasileira.